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REPACTUAÇÃO DE CONTRATOS DE

TERCEIRIZAÇÃO - CONFORME
DIRETRIZES DA IN 05/2017

Erivan Pereira de Franca


1
OBJETIVOS
e
PROGRAMA

2
ESTRUTURA DOS SLIDES

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TÓPICO DO PROGRAMA
 Boa Prática/Entendimento/Procedimento: exposição do
entendimento do instrutor sobre o tópico objeto de estudo, ou
sugestão de boas práticas ou procedimentos relacionadas ao tema.

 Lei/Norma Infralegal:
Transcrição de dispositivos de Lei Federal ou Norma Infralegal que
disciplinam a matéria de que trata o tópico objeto de estudo.

 Jurisprudência do TCU/Tribunais Superiores:


 (Acórdão n.º/ano– Colegiado) Síntese do entendimento.
Excerto de acórdão do TCU ou de Tribunal Superior que
corrobora as disposições legais e/ou infralegais, de modo a
conferir segurança ao aplicador.

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PARTE 1
A GARANTIA DO EQUILÍBRIO
ECONÔMICO-FINANCEIRO DO CONTRATO
ADMINISTRATIVO

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1.1. A EQUAÇÃO ECONÔMICO-FINANCEIRA DO CONTRATO

 O objeto licitado é descrito em detalhes no


projeto básico ou termo de referência, que o
descreve em termos de encargos exigíveis do
particular que vier a ser contratado. (E)
 A proposta de preços garante o lucro e amortiza
os custos nos quais o licitante irá incorrer para
prestar os serviços, decorrentes de obrigações
fiscais, comerciais, trabalhistas, previdenciárias ou
de qualquer natureza, bem como executar o objeto
em conformidade às especificações técnicas. (R)
6
1.1. A EQUAÇÃO ECONÔMICO-FINANCEIRA DO CONTRATO

 A equação econômico-financeira, formada


quando da aceitação da proposta, traduz o
equilíbrio presumido entre a prestação (encargos) a
que se obrigou o contratado e a remuneração
pactuada (proposta). (E = R)

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1.1. A EQUAÇÃO ECONÔMICO-FINANCEIRA DO CONTRATO

ENCARGOS REMUNERAÇÃO

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1.1. A EQUAÇÃO ECONÔMICO-FINANCEIRA DO CONTRATO

 Doutrina:
 (Marçal Justen Filho) Garantia do equilíbrio econômico-
financeiro do contrato
Existe direito do contratado de exigir o restabelecimento
do equilíbrio econômico-financeiro do contrato, se e quando
vier a ser rompido. Se os encargos forem ampliados
quantitativamente, a situação inicial estará modificada.
Significa que a Administração tem o dever de ampliar a
remuneração devida ao particular proporcionalmente à
majoração dos encargos verificada. Deve-se restaurar a
situação originária, de molde que o particular não arque com
encargos mais onerosos e perceba a remuneração
originariamente prevista. Ampliados os encargos, deve-se
ampliar proporcionalmente a remuneração.
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1.2. PROTEÇÃO CONSTITUCIONAL AO EQUILÍBRIO

 CONSTITUIÇÃO FEDERAL:
Art. 37. (...)
XXI – ressalvados os casos especificados na
legislação, as obras, serviços, compras e
alienações serão contratados mediante processo
de licitação pública que assegure igualdade de
condições a todos os concorrentes, com cláusulas
que estabeleçam obrigações de pagamento,
mantidas as condições efetivas da proposta, nos
termos da lei (...);
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1.2. PROTEÇÃO CONSTITUCIONAL AO EQUILÍBRIO

 Jurisprudência do TCU:
 (Acórdão 538/2015 – Plenário) Garantia do equilíbrio
econômico-financeiro do contrato.
[VOTO]
A manutenção das “condições efetivas da proposta”
implica a obrigatoriedade da preservação do equilíbrio entre
os encargos do contratado e a remuneração da
Administração, assumidos ao tempo da celebração do enlace
administrativo após licitação pública. Nos termos da lei, a
equação econômico-financeira inicial da avença deve
perdurar durante a execução do objeto mesmo em face de
futuras mutações do contrato. Tal exigência sobressai em
diversas disposições da Lei 8.666/1993: [omissis]
11
1.2. PROTEÇÃO CONSTITUCIONAL AO EQUILÍBRIO

 LEI 8.666/93:
Art. 58. ....
[...]
§ 1º As cláusulas econômico-financeiras e
monetárias dos contratos administrativos não
poderão ser alteradas sem prévia concordância
do contratado.

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1.2. PROTEÇÃO CONSTITUCIONAL AO EQUILÍBRIO

 LEI 8.666/93:
Art. 40. O edital (...) indicará, obrigatoriamente,
o seguinte:
XI – critério de reajuste, que deverá retratar a
variação efetiva do custo de produção, admitida a
adoção de índices específicos ou setoriais, desde
a data prevista para a apresentação da proposta,
ou do orçamento a que essa proposta se referir,
até a data do adimplemento de cada parcela.

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1.2. PROTEÇÃO CONSTITUCIONAL AO EQUILÍBRIO

 LEI 8.666/93:
Art. 55. São cláusulas necessárias em todo
contrato as que estabeleçam:
[...]
III – o preço e as condições de pagamento, os
critérios, data-base e periodicidade do
reajustamento de preços, os critérios de
atualização monetária entre a data do
adimplemento das obrigações e a do efetivo
pagamento;
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1.2. PROTEÇÃO CONSTITUCIONAL AO EQUILÍBRIO
 Jurisprudência do TCU:
 (Acórdão 1431/2017 – Plenário) Proteção à equação
econômico-financeira. Reajuste. Recomposição do preço em
virtude de fatores situados na área ordinária.
9.2.3. o reajuste e a recomposição possuem fundamentos
distintos. O reajuste, previsto no art. 40, XI, e 55, III, da Lei
8.666/1993, visa remediar os efeitos da inflação. A
recomposição, prevista no art. 65, inciso II, alínea “d”, da Lei
8.666/1993, tem como fim manter equilibrada a relação jurídica
entre o particular e a Administração Pública quando houver
desequilíbrio advindo de fato imprevisível ou previsível com
consequências incalculáveis. Assim, ainda que a Administração
tenha aplicado o reajuste previsto no contrato, justifica-se a
aplicação da recomposição sempre que se verificar a presença de
seus pressupostos; 15
1.2. PROTEÇÃO CONSTITUCIONAL AO EQUILÍBRIO

 LEI 9.069/95:
Art. 28 Nos contratos celebrados ou convertidos
em REAL com cláusula de correção monetária por
índices de preço ou por índice que reflita a
variação ponderada dos custos dos insumos
utilizados, a periodicidade de aplicação dessas
cláusulas será anual.

16
1.2. PROTEÇÃO CONSTITUCIONAL AO EQUILÍBRIO

 LEI 10.192/2001:
Art. 2º É admitida estipulação de correção
monetária ou de reajuste por índices de preços
gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos
custos de produção ou dos insumos utilizados
nos contratos de prazo de duração igual ou
superior a um ano.
§ 1º É nula de pleno direito qualquer estipulação
de reajuste ou correção monetária de
periodicidade inferior a um ano.
[...] 17
1.2. PROTEÇÃO CONSTITUCIONAL AO EQUILÍBRIO

 LEI 10.192/2001:
Art. 3º Os contratos em que seja parte órgão ou
entidade da Administração Pública direta ou indireta da
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios,
serão reajustados ou corrigidos monetariamente de
acordo com as disposições desta Lei, e, no que com ela
não conflitarem, da Lei nº 8.666, de 21 de junho de
1993.
§ 1º A periodicidade anual nos contratos de que trata o
caput deste artigo será contada a partir da data limite
para apresentação da proposta ou do orçamento a que
essa se referir.
18
1.2. PROTEÇÃO CONSTITUCIONAL AO EQUILÍBRIO

 Jurisprudência do TCU:
 (Acórdão 963/2010 – Plenário) Proteção à equação
econômico-financeira. Reajuste. Cláusula obrigatória. Admitido,
mesmo na inexistência de cláusula contratual
[VOTO]
27. Quanto à vedação ao reajuste prevista no contrato
firmado com a Tecnocoop, cabe ressaltar que a jurisprudência
desta Corte de Contas é no sentido de que deverá assegurar-se
ao interessado o direito a esse instrumento de reequilíbrio
econômico-financeiro do contrato, ainda que não esteja previsto
contratualmente, uma vez que a Lei n. 8.666/93 (arts. 5º, § 1º, e
40, XI) garante aos contratados a correção dos preços a fim de que
lhes preservem o valor (Acórdãos n. 376/1997 - 1ª Câmara e
479/2007 - Plenário).
19
1.2. PROTEÇÃO CONSTITUCIONAL AO EQUILÍBRIO

 IN 05/2017:
Art. 54. ....
§ 1º A repactuação para fazer face à elevação dos custos
da contratação, respeitada a anualidade disposta no
caput, e que vier a ocorrer durante a vigência do
contrato, é direito do contratado, e não poderá alterar o
equilíbrio econômico e financeiro dos contratos,
conforme estabelece o art. 37, inciso XXI da Constituição
da República Federativa do Brasil, sendo assegurado ao
prestador receber pagamento mantidas as condições
efetivas da proposta.

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PARTE 2
O INSTITUTO DA REPACTUAÇÃO

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2. ORIGEM DO INSTITUTO DA REPACTUAÇÃO

 DECRETO 2.271/97:
Art. 5º Os contratos de que trata este Decreto,
que tenham por objeto a prestação de serviços
executados de forma contínua poderão, desde
que previsto no edital, admitir repactuação
visando a adequação aos novos preços de
mercado, observado o interregno mínimo de um
ano e a demonstração analítica da variação dos
componentes dos custos do contrato,
devidamente justificada.
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2. CONCEITO E APLICABILIDADE DA REPACTUAÇÃO

 IN 05/2017 (ANEXO I – DEFINIÇÕES):


XX – REPACTUAÇÃO: forma de manutenção do equilíbrio
econômico-financeiro do contrato que deve ser utilizada
para serviços continuados com dedicação exclusiva da
mão de obra, por meio da análise da variação dos custos
contratuais, devendo estar prevista no instrumento
convocatório com data vinculada à apresentação das
propostas, para os custos decorrentes do mercado, e
com data vinculada ao Acordo ou à Convenção Coletiva
ao qual o orçamento esteja vinculado, para os custos
decorrentes da mão de obra.

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2. CONCEITO E APLICABILIDADE DA REPACTUAÇÃO

 IN 05/2017:
Art. 57. As repactuações serão precedidas de
solicitação da contratada, acompanhada de
demonstração analítica da alteração dos custos,
por meio de apresentação da planilha de custos e
formação de preços ou do novo Acordo,
Convenção ou Dissídio Coletivo de Trabalho que
fundamenta a repactuação, conforme for a
variação de custos objeto da repactuação.

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2. CONCEITO E APLICABILIDADE DA REPACTUAÇÃO

 Jurisprudência do TCU:
 (Acórdão 161/2012 – Plenário) A planilha é
imprescindível para viabilizar a repactuação de preços do
contrato.
[RELATÓRIO]
3. [...] A ausência do detalhamento dos custos
demonstrando a representatividade de cada profissional
envolvido no projeto na composição do ponto de função,
bem como das planilhas de custos dos profissionais
(programador, gerente de projetos, analista de sistemas
etc.), inviabiliza a repactuação do preço contratado, uma
vez que não será possível demonstrar analiticamente a
variação dos componentes dos custos.
[...] 25
2. CONCEITO E APLICABILIDADE DA REPACTUAÇÃO

 (Acórdão 161/2012 – Plenário) continuação...


[...]
5. A repactuação se apresenta com um mecanismo para
preservar a relação econômico-financeira dos contratos de
serviços contínuos, porém devendo ser respeitado o
interregno mínimo de um ano e a demonstração analítica da
variação dos componentes de custo do contrato,
devidamente justificada, e não se aplica ao presente caso
porque não houve o detalhamento da proposta do licitante
vencedor demonstrando a representatividade de cada
profissional envolvido no projeto na composição do ponto
de função, bem como planilhas de custos dos profissionais.

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2.1. NATUREZA JURÍDICA DA REPACTUAÇÃO

 Jurisprudência do TCU:
 (Acórdão 1827/2008– Plenário) Repactuação. Espécie
de reajuste.
[SUMÁRIO]
3. A repactuação de preços não foi editada pelo
Decreto nº 2.271/97 como figura jurídica autônoma,
mas como espécie de reajuste de preços, a qual, ao
contrário de valer-se da aplicação de índices de preços,
adota apenas a efetiva alteração dos custos contratuais.
Desse modo, não há se falar em inconstitucionalidade
quanto ao aspecto previsto no artigo 84, inciso IV, da
Constituição Federal.
27
2.2. APLICÁVEL APENAS AOS CONTRATOS DE TERCEIRIZAÇÃO

 IN 05/2017:
Art. 54. A repactuação de preços, como espécie
de reajuste contratual, deverá ser utilizada nas
contratações de serviços continuados com
regime de dedicação exclusiva de mão de obra,
desde que seja observado o interregno mínimo
de um ano das datas dos orçamentos aos quais a
proposta se referir.

28
2.2. APLICÁVEL APENAS AOS CONTRATOS DE TERCEIRIZAÇÃO
 Jurisprudência do TCU:
 (Acórdão 719/2018 – Plenário – Consulta) Repactuação.
Aplicável aos contratos de terceirização.
[VOTO]
Outra relevante diferença observável entre os contratos de
empreitada de construção civil e os de terceirização de mão de
obra refere-se ao parâmetro de reajuste de preços para os
dispêndios decorrentes da mão de obra, visto que, nos contratos
de terceirização, é aplicado o instituto da repactuação, em que o
equilíbrio econômico-financeiro da avença é mantido por meio do
exame da variação efetiva dos custos contratuais, com data
vinculada ao acordo ou à convenção coletiva utilizados para
formulação do orçamento estimativo. Já nas demais espécies de
contrato, inclusive os de empreitada, há mera aplicação de índices
de reajuste. 29
2.2. APLICÁVEL APENAS AOS CONTRATOS DE TERCEIRIZAÇÃO

 Jurisprudência do TCU:
 (Acórdão 1488/2016 – Plenário –
INFORMATIVO 290) Repactuação. Aplicável aos
contratos de terceirização.
Observou o relator que, no voto condutor do
Acórdão 1.574/2015 Plenário, restou consignado
que o instituto da repactuação “só se aplica a
serviços continuados prestados com dedicação
exclusiva da mão de obra, isto é, mediante cessão
da mão de obra.
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2.2.1. CARACTERÍSTICAS DO CONTRATO DE TERCEIRIZAÇÃO

Conceituação: O contrato de terceirização é aquele que tem por


objeto a prestação de um serviço de natureza continuada, executado
mediante cessão de mão de obra.

Executado
Serviço de
Mediante
Natureza
Cessão de
Continuada
Mão de Obra

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2.2.1. CARACTERÍSTICAS DO CONTRATO DE TERCEIRIZAÇÃO

 2.2.1.1. Serviço contínuo: Quais são os elementos


caracterizadores do serviço de natureza continuada?

 IN 05/2017:
Art. 15. Os serviços prestados de forma contínua são
aqueles que, pela sua essencialidade, visam atender à
necessidade pública de forma permanente e contínua,
por mais de um exercício financeiro, assegurando a
integridade do patrimônio público ou o funcionamento
das atividades finalísticas do órgão ou entidade, de
modo que sua interrupção possa comprometer a
prestação de um serviço público ou o cumprimento da
missão institucional. 32
2.2.1. CARACTERÍSTICAS DO CONTRATO DE TERCEIRIZAÇÃO

 Jurisprudência do TCU:
 (Acórdão 4614/2008 – Segunda Câmara) Serviços
contínuos. Elementos. Análise casuística.
[SUMÁRIO]
A natureza do serviço, sob o aspecto da
execução de forma continuada ou não, questão
abordada no inciso II, do art. 57, da Lei nº
8.666/1993, não pode ser definida de forma
genérica, e sim vinculada às características e
necessidades do órgão ou entidade contratante.

33
2.2.1. CARACTERÍSTICAS DO CONTRATO DE TERCEIRIZAÇÃO

 2.2.1.3. Cessão da mão de obra:


 IN RFB 971/2009:
Art. 115. Cessão de mão de obra é a colocação à disposição
da empresa contratante, em suas dependências ou nas de
terceiros, de trabalhadores que realizem serviços contínuos,
relacionados ou não com sua atividade fim, quaisquer que
sejam a natureza e a forma de contratação, inclusive por
meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de
1974.
[...]
§ 3º Por colocação à disposição da empresa contratante,
entende-se a cessão do trabalhador, em caráter não
eventual, respeitados os limites do contrato.
34
2.2.2. CLÁUSULA DE REPACTUAÇÃO INADEQUADA

SITUAÇÃO PROBLEMÁTICA
 Contrato de prestação de serviços com cláusula de repactuação

 Terceirização não caracterizada

 Ausência de planilha de custos e formação de preços hábil a


viabilizar análise de repactuação
 Impossibilidade de estabelecer-se correlação ou correspondência
entre os custos para a cessão da mão de obra (caso ocorrida) e
aqueles informados na proposta ou planilha de preços do contrato
e os serviços executados

 Conclusão: a cláusula de repactuação é inaplicável

35
2.2.2. CLÁUSULA DE REPACTUAÇÃO INADEQUADA

SOLUÇÃO POSSÍVEL
 Alteração da cláusula que define a técnica empregada para o
reajustamento de preços: da repactuação para o reajuste por
índice financeiro
 Fundamento: impossibilidade – tecnicamente comprovada pela
área que detenha conhecimento técnico do objeto – de
demonstrar-se, analiticamente, a variação dos custos para
prestação dos serviços pactuados, notadamente se a contratação
não se configurar terceirização
 A cláusula de repactuação só é aplicável a contratos de
terceirização, em que haja planilha de custos e formação de
preços

36
2.2.2. CLÁUSULA DE REPACTUAÇÃO INADEQUADA

 Jurisprudência do TCU:
 (Acórdão 1574/2015 – Plenário) Repactuação. Aplicável aos
contratos de terceirização.
[VOTO]
26. A primeira delas refere-se à previsão de repactuação do
contrato prevista no item 8 do citado edital. Tal disposição está
afrontando pacífica jurisprudência deste Tribunal, bem como o art.
37 da Instrução Normativa SLTI nº 2/2008, de que a repactuação de
preços, como espécie de reajuste contratual, deverá ser utilizada
apenas nas contratações de serviços continuados com dedicação
exclusiva de mão de obra, desde que seja observado o interregno
mínimo de um ano das datas dos orçamentos aos quais a proposta
se referir, conforme estabelece o art. 5º do Decreto nº 2.271, de
1997.
[...] 37
2.2.2. CLÁUSULA DE REPACTUAÇÃO INADEQUADA

 (Acórdão 1574/2015 – Plenário) continuação...


27. O objeto licitado não se enquadra nem como serviço
continuado, nem como atividade com dedicação exclusiva de mão
de obra. Assim, o edital deveria prever o uso do instituto do
reajuste, e não da repactuação. Como deixei registrado no voto
condutor do Acórdão 1.827/2008-TCU-Plenário, o reajuste de preços
é a reposição da perda do poder aquisitivo da moeda por meio do
emprego de índices de preços prefixados no contrato administrativo.
Por sua vez, a repactuação, referente a contratos de serviços
contínuos, ocorre a partir da variação dos componentes dos custos
do contrato, devendo ser demonstrada analiticamente, de acordo
com a Planilha de Custos e Formação de Preços.
[...]

38
2.2.2. CLÁUSULA DE REPACTUAÇÃO INADEQUADA

 (Acórdão 1574/2015 – Plenário) continuação...


[ACÓRDÃO]
9.4. dar ciência à [omissis] acerca das seguintes
irregularidades, identificadas na Tomada de Preços 1/2014:
[...]
9.4.3. previsão no edital de que o contrato resultante da
licitação será repactuado, apesar de objeto licitado não
envolver a execução de serviço continuado com dedicação
exclusiva de mão de obra, o que infringe o disposto no art.
40, inciso XI, da Lei 8.666/93, c/c art. 5º do Decreto
2.271/1997 e art. 37 da Instrução Normativa SLTI nº 2/2008;

39
2.2.2. CLÁUSULA DE REPACTUAÇÃO INADEQUADA

 Jurisprudência do TCU:
 (Acórdão 1827/2008 – Plenário) Reajustamento de preços
do contrato. Direito subjetivo do particular.
[VOTO]
49. Como é cediço, o contrato administrativo, por parte
da Administração, destina-se ao atendimento do interesse
público, mas, por parte do contratado, objetiva um lucro, por
meio da remuneração consubstanciada nas cláusulas
econômicas e financeiras. E esse lucro há que ser assegurado
nos termos iniciais do ajuste, durante a execução do
contrato, o que se dará por meio da preservação da relação
inicial encargo/remuneração.
[...]
40
2.2.2. CLÁUSULA DE REPACTUAÇÃO INADEQUADA

 (Acórdão 1827/2008 – Plenário) continuação...


[...] Isso porque, se, de um lado, a Administração tem o poder
de modificar o projeto e as condições de execução do contrato
para adequá-lo às exigências supervenientes do interesse público,
de outro, o contratado tem o direito de ver mantida a equação
financeira originariamente estabelecida no ajuste diante de
situações específicas que passam a onerar o cumprimento do
contrato.
[...]
84. Repito, conforme já explicitado, considero ser a
repactuação contratual um direito que decorre de lei (artigos 40,
inciso XI, e 55, inciso III, da Lei nº 8.666/93), com fundamento em
mandamento constitucional (artigo 37, inciso XXI)...

41
2.2.2. CLÁUSULA DE REPACTUAÇÃO INADEQUADA

 Doutrina:
 (Marçal Justen Filho) Caráter obrigatório do
reajuste de preços.
A previsão da cláusula de reajuste não é uma
mera faculdade da Administração. Estando
presentes os pressupostos (basicamente o
decurso de prazo superior a doze meses entre a
data de apresentação das propostas e a data da
liquidação das obrigações), será obrigatória a
existência de cláusula de reajuste.
42
2.2.2. CLÁUSULA DE REPACTUAÇÃO INADEQUADA

 Jurisprudência do TCU:
 (Acórdão 475/2005 – Plenário) Obrigatoriedade do reajuste de
preços, atendidos os pressupostos legais para a concessão.
[VOTO]
15. O princípio da manutenção da equação econômico-
financeiro, por sua vez, impõe que, nos casos de já se ter passado
mais de um ano da apresentação da proposta ou da elaboração do
orçamento a que ela se referir, deve o início da execução contratual
ocorrer com os preços reajustados. Caso contrário, a execução
contratual se iniciará com preços extremamente desatualizados,
provocando o enriquecimento ilícito da Administração. Esse
entendimento mantém a relação original entre encargos e vantagens
da relação contratual, pois é condição da manutenção do equilíbrio
que a partir de um ano da data-base das propostas os preços sejam
reajustados. [...]
43
2.2.2. CLÁUSULA DE REPACTUAÇÃO INADEQUADA

 (Acórdão 1574/2015 – Plenário) Continuação...


[...] Ou seja, o máximo de defasagem de preços que o
contratado deve suportar é aquela referente a um ano (art. 28 da
Lei 9.069/95 e art. 2o da Lei 10.192/01). Impor mais do que isso, o
que ocorreria na questão aqui tratada caso os contratos fossem
executados sem prévia atualização, implicaria a quebra do
equilíbrio.
[ACÓRDÃO]
9.1. conhecer da presente consulta e responder aos quesitos
apresentados da seguinte forma:
[...]

44
2.2.2. CLÁUSULA DE REPACTUAÇÃO INADEQUADA

 (Acórdão 1574/2015 – Plenário) Continuação...


9.1.2. na hipótese de vir a ocorrer o decurso de prazo
superior a um ano entre a data da apresentação da proposta
vencedora da licitação e a assinatura do respectivo instrumento
contratual, o procedimento de reajustamento aplicável, em face
do disposto no art. 28, § 1º, da Lei 9.069/95 c/c os arts. 2º e 3º da
Lei 10.192/2001, consiste em firmar o contrato com os valores
originais da proposta e, antes do início da execução contratual,
celebrar termo aditivo reajustando os preços de acordo com a
variação do índice previsto no edital relativa ao período de
somente um ano, contado a partir da data da apresentação das
propostas ou da data do orçamento a que ela se referir, [...]

45
2.2.2. CLÁUSULA DE REPACTUAÇÃO INADEQUADA

 (Acórdão 1574/2015 – Plenário) Continuação...


[...] devendo os demais reajustes ser efetuados quando se
completarem períodos múltiplos de um ano, contados sempre
desse marco inicial, sendo necessário que estejam devidamente
caracterizados tanto o interesse público na contratação quanto a
presença de condições legais para a contratação, em especial:
haver autorização orçamentária (incisos II, III e IV do § 2o do art.
7º da Lei 8.666/93); tratar-se da proposta mais vantajosa para a
Administração (art. 3o da Lei 8.666/93); preços ofertados
compatíveis com os de mercado (art. 43, IV, da Lei 8.666/93);
manutenção das condições exigidas para habilitação (art. 55, XIII,
da Lei 8.666/93); interesse do licitante vencedor, manifestado
formalmente, em continuar vinculado à proposta (art. 64, § 3o, da
Lei 8.666/93);
46
2.3. PERIODICIDADE E MARCO INICIAL DA ANUALIDADE

 IN 05/2017:
Art. 54. A repactuação de preços, como espécie
de reajuste contratual, deverá ser utilizada nas
contratações de serviços continuados com
regime de dedicação exclusiva de mão de obra,
desde que seja observado o interregno mínimo
de um ano das datas dos orçamentos aos quais a
proposta se referir.

47
2.3. PERIODICIDADE E MARCO INICIAL DA ANUALIDADE

 IN 05/2017:
Art. 55. O interregno mínimo de um ano para a
primeira repactuação será contado a partir:
I - da data limite para apresentação das propostas
constante do ato convocatório, em relação aos custos
com a execução do serviço decorrentes do mercado, tais
como o custo dos materiais e equipamentos necessários
à execução do serviço; ou
II - da data do Acordo, Convenção, Dissídio Coletivo de
Trabalho ou equivalente vigente à época da
apresentação da proposta, quando a variação dos custos
for decorrente da mão de obra e estiver vinculada às
datas-bases destes instrumentos. 48
2.3. PERIODICIDADE E MARCO INICIAL DA ANUALIDADE

 IN 05/2017:
Art. 56. Nas repactuações subsequentes à
primeira, a anualidade será contada a partir da
data do fato gerador que deu ensejo à última
repactuação.

49
2.3. PERIODICIDADE E MARCO INICIAL DA ANUALIDADE

 ORIENTAÇÃO NORMATIVA AGU n.º 26:


No caso das repactuações subsequentes à
primeira, o interregno de um ano deve ser
contado da última repactuação correspondente à
mesma parcela objeto da nova solicitação.
Entende-se como última repactuação a data em
que iniciados seus efeitos financeiros,
independentemente daquela em que celebrada
ou apostilada.

50
2.4. CLÁUSULA DE REPACTUAÇÃO E REAJUSTE

 IN 05/2017:
Art. 54. ....
[...]
§ 2º A repactuação poderá ser dividida em tantas
parcelas quanto forem necessárias em respeito ao
princípio da anualidade do reajuste dos preços da
contratação, podendo ser realizada em momentos
distintos para discutir a variação de custos que tenham
sua anualidade resultante em datas diferenciadas, tais
como os custos decorrentes da mão de obra e os custos
decorrentes dos insumos necessários à execução do
serviço.
51
2.4. CLÁUSULA DE REPACTUAÇÃO E REAJUSTE

 Jurisprudência do TCU:
 (Acórdão 1214/2013 – Plenário) Possibilidade de cláusula
de repactuação e reajuste no mesmo contrato.
9.1 recomendar à Secretaria de Logística e Tecnologia da
Informação do Ministério do Planejamento que incorpore os
seguintes aspectos à IN/MP 2/2008:
[...]
9.1.17 a vantajosidade econômica para a prorrogação
dos contratos de serviço continuada estará assegurada,
dispensando a realização de pesquisa de mercado, quando:
[...]

52
2.4. CLÁUSULA DE REPACTUAÇÃO E REAJUSTE

 (Acórdão 1214/2013 – Plenário) Continuação...


[...]
9.1.17.1 houver previsão contratual de que os reajustes
dos itens envolvendo a folha de salários serão efetuados com
base em convenção, acordo coletivo de trabalho ou em
decorrência da lei;
9.1.17.2 houver previsão contratual de que os reajustes
dos itens envolvendo insumos (exceto quanto a obrigações
decorrentes de acordo ou convenção coletiva de trabalho e
de Lei) e materiais serão efetuados com base em índices
oficiais, previamente definidos no contrato, que guardem a
maior correlação possível com o segmento econômico em
que estejam inseridos tais insumos ou materiais;
53
2.4.1. CUSTOS COM MÃO DE OBRA: REPACTUAÇÃO

 IN 05/2017:
Art. 55. O interregno mínimo de um ano para a primeira
repactuação será contado a partir:
[...]
II - da data do Acordo, Convenção, Dissídio Coletivo de
Trabalho ou equivalente vigente à época da
apresentação da proposta, quando a variação dos
custos for decorrente da mão de obra e estiver
vinculada às datas-bases destes instrumentos.

54
2.4.2. DEMAIS INSUMOS: REAJUSTE

 IN 05/2017:
Art. 55. O interregno mínimo de um ano para a primeira
repactuação será contado a partir:
[...]
I - da data limite para apresentação das propostas
constante do ato convocatório, em relação aos custos
com a execução do serviço decorrentes do mercado, tais
como o custo dos materiais e equipamentos
necessários à execução do serviço; ou

55
2.5. PRODUÇÃO DE EFEITOS FINANCEIROS

 Jurisprudência do TCU:
 (Acórdão 1828/2008 – Plenário) Repactuação. Efeitos
financeiros.
[VOTO]
Sendo a repactuação contratual um direito que decorre de lei
(artigo 40, inciso XI, da Lei nº 8.666/93) e, tendo a lei vigência
imediata, forçoso reconhecer que não se trata, aqui, de atribuição,
ou não, de efeitos retroativos à repactuação de preços. A questão
ora posta diz respeito à atribuição de eficácia imediata à lei, que
concede ao contratado o direito de adequar os preços do contrato
administrativo de serviços contínuos aos novos preços de mercado.
A partir da data em que passou a viger as majorações salariais
da categoria profissional que deu ensejo à revisão, a contratada
passou deter o direito à repactuação de preços.
56
2.5. PRODUÇÃO DE EFEITOS FINANCEIROS

 IN 05/2017:
Art. 58. Os novos valores contratuais decorrentes das
repactuações terão suas vigências iniciadas da
seguinte forma:
I - a partir da ocorrência do fato gerador que deu
causa à repactuação, como regra geral;
II - em data futura, desde que acordada entre as
partes, sem prejuízo da contagem de periodicidade e
para concessão das próximas repactuações futuras; ou
[...]
57
2.5. PRODUÇÃO DE EFEITOS FINANCEIROS

III - em data anterior à ocorrência do fato gerador,


exclusivamente quando a repactuação envolver revisão
do custo de mão de obra em que o próprio fato gerador,
na forma de Acordo, Convenção ou Dissídio Coletivo de
Trabalho, contemplar data de vigência retroativa,
podendo esta ser considerada para efeito de
compensação do pagamento devido, assim como para a
contagem da anualidade em repactuações futuras.
Parágrafo único. Os efeitos financeiros da repactuação
deverão ocorrer exclusivamente para os itens que a
motivaram e apenas em relação à diferença porventura
existente.
58
2.6. PRECLUSÃO LÓGICA

 Jurisprudência do TCU:
 (Acórdão 1828/2008 – Plenário) Repactuação. Renúncia tácita
do direito ou preclusão lógica.
9.4. recomendar [...] que, em seus editais de licitação e/ou
minutas de contrato referentes à prestação de serviços
executados de forma contínua, deixe claro o prazo dentro do qual
poderá o contratado exercer, perante a Administração, seu
direito à repactuação contratual, qual seja, da data da
homologação da convenção ou acordo coletivo que fixar o novo
salário normativo da categoria profissional abrangida pelo
contrato administrativo a ser repactuado até a data da
prorrogação contratual subsequente, sendo que se não o fizer de
forma tempestiva e, por via de consequência, prorrogar o
contrato sem pleitear a respectiva repactuação, ocorrerá a
preclusão do seu direito a repactuar; 59
2.6. PRECLUSÃO LÓGICA

 IN 05/2017:
Art. 57 ....
[...]
§ 7º As repactuações a que o contratado fizer jus
e que não forem solicitadas durante a vigência do
contrato serão objeto de preclusão com a
assinatura da prorrogação contratual ou com o
encerramento do contrato.

60
2.7. FORMALIZAÇÃO DA REPACTUAÇÃO

 LEI 8.666/93:
Art. 65 ....
[...]
§ 8º A variação do valor contratual para fazer face ao
reajuste de preços previsto no próprio contrato, as
atualizações, compensações ou penalizações financeiras
decorrentes das condições de pagamento nele previstas,
bem como o empenho de dotações orçamentárias
suplementares até o limite do seu valor corrigido, não
caracterizam alteração do mesmo, podendo ser registrados
por simples apostila, dispensando a celebração de
aditamento.

61
2.7. FORMALIZAÇÃO DA REPACTUAÇÃO

 IN 05/2017:
Art. 57 ....
[...]
§ 4º As repactuações, como espécie de reajuste,
serão formalizadas por meio de apostilamento,
exceto quando coincidirem com a prorrogação
contratual, em que deverão ser formalizadas por
aditamento.

62
PARTE 3
ASPECTOS A CONSIDERAR QUANDO DA
REPACTUAÇÃO

63
3.1. Vinculação ao Contrato, Edital e Proposta

 Lei 8.666/93:
Art. 54. Os contratos administrativos de que trata esta
Lei regulam-se pelas suas cláusulas e pelos preceitos de
direito público, aplicando-se-lhes, supletivamente, os
princípios da teoria geral dos contratos e as disposições
de direito privado.
§ 1º Os contratos devem estabelecer com clareza e
precisão as condições para sua execução, expressas em
cláusulas que definam os direitos, obrigações e
responsabilidades das partes, em conformidade com os
termos da licitação e da proposta a que se vinculam.

64
3.1. Vinculação ao Contrato, Edital e Proposta

 Lei 8.666/93:
Art. 55. São cláusulas necessárias em todo
contrato as que estabeleçam:
[...]
XI - a vinculação ao edital de licitação ou ao
termo que a dispensou ou a inexigiu, ao convite e
à proposta do licitante vencedor;

65
3.1. Vinculação ao Contrato, Edital e Proposta

 IN 05/2017:
Art. 57 .....
§ 1º É vedada a inclusão, por ocasião da
repactuação, de benefícios não previstos na
proposta inicial, exceto quando se tornarem
obrigatórios por força de instrumento legal,
Acordo, Convenção ou Dissídio Coletivo de
Trabalho, observado o disposto no art. 6º desta
Instrução Normativa.

66
3.1. Vinculação ao Contrato, Edital e Proposta
 Jurisprudência do TCU:
 (Acórdão 2479/2009 – Plenário) Licitação. Proposta. Formação de
preços. Observância do princípio da vinculação ao instrumento
convocatório.
9.2.5.1. observe a obrigatoriedade de vinculação entre os
produtos e serviços cotados pelas licitantes e os itens constantes da
planilha de custos estimados, como requisito para verificação de
aceitabilidade dos preços propostos;
9.2.5.2. abstenha-se de inferir a vinculação a que se refere o
item anterior, de maneira unilateral, quando tal informação não for
explicitada na proposta comercial apresentada pelas licitantes;
[...]
9.2.6. [...] observe estritamente os valores e condições
constantes da proposta comercial apresentada pela empresa e
registrados na ata de julgamento da licitação, conforme o disposto
no § 1° do art. 54 da Lei nº 8.666/93.
67
3.2. Necessidade de Planilha Para Repactuação
 A repactuação só é possível caso exista planilha de custos e
formação de preços do contrato: A inexistência de planilha
demonstrativa dos custos unitários e global, inviabiliza
completamente a possibilidade de repactuação do contrato. Por tal
razão, entendemos que a repactuação só é aplicável aos contratos de
terceirização.

 Decreto 2.271/97:
Art. 5º Os contratos de que trata este Decreto, que tenham por
objeto a prestação de serviços executados de forma contínua
poderão, desde que previsto no edital, admitir repactuação
visando a adequação aos novos preços de mercado, observado
o interregno mínimo de um ano e a demonstração analítica da
variação dos componentes dos custos do contrato,
devidamente justificada. 68
3.2. Necessidade de Planilha Para Repactuação

 IN 05/2017:
Art. 57. As repactuações serão precedidas de
solicitação da contratada, acompanhada de
demonstração analítica da alteração dos custos,
por meio de apresentação da planilha de custos
e formação de preços ou do novo Acordo,
Convenção ou Dissídio Coletivo de Trabalho que
fundamenta a repactuação, conforme for a
variação de custos objeto da repactuação.

69
3.2. Necessidade de Planilha Para Repactuação

 Jurisprudência do TCU:
 (Acórdão 2408/2009 – Plenário) Repactuação.
Imprescindibilidade da planilha, sob pena de
inviabilizar a análise do pedido.
A comprovação da necessidade de
repactuação de preços, decorrente da elevação
anormal de custos, exige a apresentação de
planilhas detalhadas de composição dos itens
contratados, com todos os seus insumos, assim
como dos critérios de apropriação dos custos
indiretos.
70
3.2. Necessidade de Planilha Para Repactuação
 Jurisprudência do TCU:
 (Acórdão 161/2012 – Plenário) Repactuação. Inviável se não há
planilha de custos e formação de preços do contrato.
Impossibilidade de demonstração analítica da variação dos custos.
[RELATÓRIO]
3. Não é por que o CNJ não se submete ao cumprimento
obrigatório de Instruções Normativas de outro Poder, tampouco por
não se tratar de contratação por postos de trabalho, que não se
devem exigir tais planilhas no certame. A ausência do detalhamento
dos custos demonstrando a representatividade de cada profissional
envolvido no projeto na composição do ponto de função, bem como
das planilhas de custos dos profissionais (programador, gerente de
projetos, analista de sistemas etc.), inviabiliza a repactuação do
preço contratado, uma vez que não será possível demonstrar
analiticamente a variação dos componentes dos custos.
71
3.2. Necessidade de Planilha Para Repactuação
 (Acórdão 161/2012 – Plenário) continuação...
4. A Lei 8.666/93 prevê que o valor pactuado inicialmente entre
as partes pode sofrer três espécies de alterações: atualização
financeira, em decorrência de atraso no pagamento, em consonância
com o disposto no art. 40, XIV, "c"; reajuste, que está previsto nos
arts. 40, XI, e 55, III; reequilíbrio econômico financeiro, conforme
dispõe o art. 65, II, "d".
5. A repactuação se apresenta com um mecanismo para
preservar a relação econômico-financeira dos contratos de serviços
contínuos, porém devendo ser respeitado o interregno mínimo de
um ano e a demonstração analítica da variação dos componentes
de custo do contrato, devidamente justificada, e não se aplica ao
presente caso porque não houve o detalhamento da proposta do
licitante vencedor demonstrando a representatividade de cada
profissional envolvido no projeto na composição do ponto de
função, bem como planilhas de custos dos profissionais. 72
3.3. Norma Coletiva do Trabalho
 Boa prática: O edital do certame deve exigir a indicação, pelo
licitante, da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), ou instrumento
equivalente, adotada para fins de elaboração da proposta.

 Por ocasião da repactuação, a mesma CCT servirá de base para


apreciação do pedido.

 IN 05/2017:
Art. 57. As repactuações serão precedidas de solicitação da
contratada, acompanhada de demonstração analítica da
alteração dos custos, por meio de apresentação da planilha de
custos e formação de preços ou do novo Acordo, Convenção
ou Dissídio Coletivo de Trabalho que fundamenta a
repactuação, conforme for a variação de custos objeto da
repactuação. 73
3.3. Norma Coletiva do Trabalho

 Convenção Coletiva de Trabalho: Acordo de caráter normativo


pactuado entre o sindicato dos empregados e o sindicato dos
empregadores. Vincula toda a categoria econômica.

 Acordo Coletivo de Trabalho: Acordo de caráter normativo


celebrado entre uma ou mais empresas e um ou mais sindicatos
representantes dos empregados. Só vincula as partes contratantes.

 Sentença Normativa: Acórdão do TRT ou TST que julga dissídio


coletivo (ação promovida, em caso de fracasso das negociações, por
sindicato, federação ou confederação – de trabalhadores ou
empregadores). Tem força normativa. Disciplina todos os aspectos da
relação trabalhista até a próxima data-base. Vincula toda a categoria
econômica.
74
3.3. Norma Coletiva do Trabalho
 Jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho:
 (ARR - 69-23.2015.5.12.0042, DEJT 20/05/2016)
Enquadramento sindical. Atividade do empregador.
RECURSO DE REVISTA DO RECLAMANTE INTERPOSTO SOB A
ÉGIDE DA LEI N° 13.015/2014 - ECT - TERCEIRIZAÇÃO - BANCO
POSTAL - ENQUADRAMENTO COMO BANCÁRIO - JORNADA DE
TRABALHO. A atividade principal da ECT é o serviço postal. A
prestação de serviços básicos bancários, por meio do denominado
Banco Postal, no modo de correspondente, se dá de forma
acessória e temporária, sem descaracterizar sua atividade
preponderante - serviço postal -, razão pela qual os empregados
que desempenham estas atividades acessórias não são
beneficiários das normas aplicáveis aos trabalhadores bancários.
Julgados. Recurso de Revista não conhecido. [...]
75
3.3. Norma Coletiva do Trabalho

 Constituição Federal:
Art. 8º É livre a associação profissional ou sindical,
observado o seguinte:
[...]
II - é vedada a criação de mais de uma organização
sindical, em qualquer grau, representativa de categoria
profissional ou econômica, na mesma base territorial,
que será definida pelos trabalhadores ou empregadores
interessados, não podendo ser inferior à área de um
Município;

76
3.3. Norma Coletiva do Trabalho

 Jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho :


 (RR - 280-48.2011.5.05.0251, DEJT 20/05/2016)
Enquadramento sindical. Princípio da territorialidade.
CONVENÇÃO COLETIVA APLICÁVEL. LOCAL DE
PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. 1. O entendimento desta Corte
Superior é de que a representatividade sindical, no
ordenamento jurídico brasileiro, deve ser regida pelo
princípio da territorialidade, consagrado no artigo 8º,
inciso II, da Constituição da República, razão pela qual o
instrumento coletivo aplicável deve ser o da base
territorial onde o empregado tenha prestado os
serviços, e não onde se encontre a sede da empresa.
77
3.3. Norma Coletiva do Trabalho

 Jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho :


 Súmula 374. Norma coletiva. Categoria
diferenciada. Abrangência.
Empregado integrante de categoria
profissional diferenciada não tem o direito de
haver de seu empregador vantagens previstas em
instrumento coletivo no qual a empresa não foi
representada por órgão de classe de sua
categoria.

78
3.3. Norma Coletiva do Trabalho
 IN 05/2017 (ANEXO VII-A – DIRETRIZES GERAIS PARA ELABORAÇÃO
DO ATO CONVOCATÓRIO):
6. Da proposta:
[...]
6.2. As disposições para apresentação das propostas deverão prever
que estas sejam apresentadas de forma clara e objetiva, estejam em
conformidade com o ato convocatório, preferencialmente na forma
do modelo previsto Anexo VII-C, e contenham todos os elementos
que influenciam no valor final da contratação, detalhando, quando
for o caso:
[...]
c) a indicação dos sindicatos, Acordos, Convenções ou Dissídios
Coletivos de Trabalho que regem as categorias profissionais que
executarão o serviço e as respectivas datas-bases e vigências, com
base na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO); 79
3.3. Norma Coletiva do Trabalho

 IN 05/2017 (ANEXO VIII-B - DA FISCALIZAÇÃO


ADMINISTRATIVA):
10.4. Fiscalização procedimental
a) Observar a data-base da categoria prevista na
CCT. Os reajustes dos empregados devem ser
obrigatoriamente concedidos pela empresa no
dia e percentual previstos, devendo ser verificada
pelo gestor do contrato a necessidade de se
proceder a repactuação do contrato, inclusive
quanto à necessidade de solicitação da
contratada.
80
3.3. Norma Coletiva do Trabalho
 IN 05/2017:
Art. 6º A Administração não se vincula às disposições contidas
em Acordos, Convenções ou Dissídios Coletivos de Trabalho
que tratem de pagamento de participação dos trabalhadores
nos lucros ou resultados da empresa contratada, de matéria
não trabalhista, ou que estabeleçam direitos não previstos em
lei, tais como valores ou índices obrigatórios de encargos
sociais ou previdenciários, bem como de preços para os
insumos relacionados ao exercício da atividade.
Parágrafo único. É vedado ao órgão e entidade vincular-se às
disposições previstas nos Acordos, Convenções ou Dissídios
Coletivos de Trabalho que tratem de obrigações e direitos que
somente se aplicam aos contratos com a Administração
Pública.
81
PARTE 4
PROCESSAMENTO DA
REPACTUAÇÃO

82
4.1. Formação do processo: peças necessárias
 Juntada das peças necessárias à instrução processual: Recomenda-
se a juntada aos autos do processo das seguintes peças, pela ordem:
1) Requerimento da contratada;
2) Nova planilha apresentada com o pedido;
3) Demais documentos apresentados com o pedido;
4) Edital da licitação;
5) Proposta apresentada na licitação;
6) Termo de Contrato;
7) Termos aditivos e/ou apostilas (na ordem cronológica),
acompanhados das respectivas planilhas de custos e formação de
preços do contrato;
83
4.1. Formação do processo: peças necessárias
 (continuação):
8) Instrumento normativo coletivo de trabalho (CCT; ACT;
Sentença Normativa);
9) Extrato de consulta ao SICAF;
10)Novas planilhas de custos e formação de preços,
elaboradas pelo servidor encarregado da instrução
processual;
11) Minuta do Termo Aditivo ou Apostila;
12) Instrução do servidor encarregado da análise do pedido,
com proposta de encaminhamento.

84
4.1.1. Documentos apresentados com o pedido

 A repactuação depende de requerimento formal da


contratada, no qual sejam explicitados os custos que
sofreram variação no último interregno de um ano e a
demonstração dos fatos que a provocaram;

 Ademais, a contratada deve demonstrar, por meio de


documentos, a efetividade da variação dos custos para
execução dos serviços, mediante documentos (que podem
ser substituídos pela informação prestada pelo fiscal do
contrato)

85
4.1.1. Documentos apresentados com o pedido
 Decreto 2.271/97:
Art. 5º Os contratos de que trata este Decreto,
que tenham por objeto a prestação de serviços
executados de forma contínua poderão, desde
que previsto no edital, admitir repactuação
visando a adequação aos novos preços de
mercado, observados o interregno mínimo de
um ano e a demonstração analítica da variação
dos componentes dos custos do contrato,
devidamente justificada.

86
4.1.1. Documentos apresentados com o pedido
 IN 05/2017:
Art. 57. As repactuações serão precedidas de
solicitação da contratada, acompanhada de
demonstração analítica da alteração dos custos,
por meio de apresentação da planilha de custos e
formação de preços ou do novo Acordo,
Convenção ou Dissídio Coletivo de Trabalho que
fundamenta a repactuação, conforme for a
variação de custos objeto da repactuação.

87
4.1.1. Documentos apresentados com o pedido
 Nova planilha de custos e formação de preços;
 Arrazoado que justifique a elevação dos custos para
prestação dos serviços e a inclusão de novos custos criados por
norma coletiva de trabalho;
 norma coletiva de trabalho na qual se baseia o pedido;
 documentos que comprovem a elevação de custos com
insumos, materiais e equipamentos, se for o caso.

 E se a contratada não apresentar nova planilha, a repactuação


restará inviabilizada?

• A ausência de planilha não inviabiliza a análise, se o pedido


for explícito quanto aos itens de custos que devem ser
repactuados. 88
4.1.2. Peças incluídas pelo servidor
 O servidor encarregado da instrução do processo pode incluir
peças adicionais que visem a subsidiar a decisão da autoridade
competente, bem como esclarecer pontos específicos que foram
objeto de análise.

 Exemplos:
• normas coletivas do trabalho
• pareceres jurídicos emitidos em processos similares
• jurisprudência do TCU e Tribunais do Poder Judiciário
• notas técnicas do Ministério do Trabalho e Emprego
• soluções de consulta da Receita Federal do Brasil
• despachos/decisões da autoridade administrativa, tomadas em
outros processos, resolvendo questões similares às debatidas
• séries históricas de índices financeiros 89
4.2. Instrução Processual
4.2.1. Histórico da contratação
 Boa Prática: Antes de proceder-se à descrição dos itens constantes
do pedido e da análise de mérito, sugere-se que se registre na
instrução os dados relevantes da contratação e alterações havidas.

 Licitação:
 informar número do processo;
 mencionar edital, indicando o número da peça no processo em
que se encontra juntado por cópia;
 informar dados da proposta vencedora: preço mensal e anual
(empreitada por preço global); ou preços unitários (empreitada
por preço unitário) e total estimado; indicar o número da peça no
processo em que se encontra juntada por cópia

90
4.2. Instrução Processual
4.2.1. Histórico da contratação
 Contratação:
 informar número do contrato, indicando o número da peça no
processo em que se encontra juntado por cópia;
 informar datas de assinatura e de início e término da vigência;
 consignar a cláusula que prevê o reajuste/repactuação;
 indicar a cláusula que prevê a prestação de garantia e respectivo
valor;
 informar o nome do fiscal do contrato e/ou da unidade gestora
do contrato.

91
4.2. Instrução Processual
4.2.1. Histórico da contratação
 Aditivo de Renovação do Contrato:
 informar número do termo aditivo, indicando o número da peça
no processo em que se encontra juntado por cópia;
 informar datas de assinatura e de término da vigência
prorrogada;
 indicar as planilhas de custos e formação de preços
relacionadas, que normalmente constituem anexo do termo
aditivo.

92
4.2. Instrução Processual
4.2.1. Histórico da contratação
 Aditivo de Alteração do Contrato:
 informar número do termo aditivo, indicando o número da peça
no processo em que se encontra juntado por cópia;
 informar datas de assinatura e de início dos efeitos da alteração
contratual havida (qualitativa ou quantitativa);
 informar novos valores contratuais decorrentes da alteração, se
for o caso;
 indicar as planilhas de custos e formação de preços
relacionadas, que normalmente constituem anexo do termo
aditivo.

93
4.2. Instrução Processual
4.2.1. Histórico da contratação
 Termo Aditivo de Revisão ou Apostila de Reajuste/Repactuação :
 informar número do termo aditivo/apostila, indicando o número
da peça do processo em que se encontra juntado por cópia;
 informar datas de assinatura e de início dos efeitos financeiros
da revisão, do reajuste ou da repactuação;
 informar novos valores mensal e anual do contrato;
 indicar as planilhas de custos e formação de preços
relacionadas, que normalmente constituem anexo do termo
aditivo.

94
4.2. Instrução Processual
4.2.1. Histórico da contratação
 Minuta do Aditivo/Apostila Objeto da Instrução:
 informar número da peça do processo em que se encontra a
minuta do termo aditivo/apostila de que trata a instrução;
 informar a motivação da repactuação (exemplo: aplicação da
nova CCT);
 consignar data prevista para início dos efeitos financeiros;
 indicar as planilhas de custos e formação de preços
relacionadas, mencionando o número da peça em que se
encontram no processo;
 importante: informar se há processos conexos em trâmite, cuja
apreciação podem repercutir nos novos preços (exemplo:
alteração quantitativa; prorrogação)
 ATENÇÃO: a planilha que será adotada como base para o
reajuste/repactuação/revisão é a mais recente, vale dizer, a da
última revisão ou reajuste ou repactuação. 95
4.2. Instrução Processual
4.2.2. Análise motivada do pedido de repactuação
 Análise motivada do pedido: Ao apreciar o pedido de
repactuação, o gestor deve proceder à análise detalhada de cada
item de custo do contrato, para se certificar da efetiva variação
havida no período.

 Na instrução do processo, deve fazer menção a cada item


analisado, propondo, motivadamente, o deferimento – parcial ou
total – ou o indeferimento.

 Em síntese: Destacar os itens objeto de pedido de repactuação;


apontar os itens cuja majoração deva ser deferida ou indeferida,
apresentando as devidas justificativas.

96
4.2. Instrução Processual
4.2.2. Análise motivada do pedido de repactuação
 Lei 9.784/99:
Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre
outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação,
razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla
defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público
e eficiência.
Parágrafo único. Nos processos administrativos serão
observados, entre outros, os critérios de:
I - atuação conforme a lei e o Direito;
[...]
VII - indicação dos pressupostos de fato e de direito
que determinarem a decisão;
97
4.2. Instrução Processual
4.2.2. Análise motivada do pedido de repactuação
 Lei 9.784/99:
Art. 50. Os atos administrativos deverão ser
motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos
jurídicos, quando:
[...]
§ 1º A motivação deve ser explícita, clara e
congruente, podendo consistir em declaração de
concordância com fundamentos de anteriores pareceres,
informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão
parte integrante do ato.

98
4.2.2. Análise motivada do pedido de repactuação
(Fundamento legal e contratual para a repactuação)
 Fundamento legal e contratual para a repactuação = indicar o
amparo no art. 55, III, da Lei 8.666/93; no art. 5º do Decreto
2.271/97 e nos artigos 53 e seguintes da IN 05/2017.
 Indicar, ademais, a cláusula contratual que autoriza a
repactuação e define os procedimentos.
 Mesmo que não haja cláusula contratual autorizadora, se se
tratar de contrato de terceirização, a repactuação deverá ser
aplicada, mediante alteração do contrato (por termo aditivo); isso
porque a repactuação constitui direito subjetivo do particular
contratado (vide Acórdãos 1827 e 1828/2008 – Plenário)

99
4.2.2. Análise motivada do pedido de repactuação
(Preclusão lógica)
 Preclusão lógica = o gestor deve consignar na instrução se o
pedido de repactuação reúne condições de procedibilidade, vale
dizer, se não houve, antes da apresentação do requerimento, a
renúncia tácita do direito pela “preclusão lógica” (Acórdãos 1827 e
1828, ambos do Plenário do TCU)

 IN 05/2017:
Art. 57 .....
[...]
§ 7º As repactuações a que o contratado fizer jus e que não forem
solicitadas durante a vigência do contrato serão objeto de
preclusão com a assinatura da prorrogação contratual ou com o
encerramento do contrato.
100
4.2.2. Análise motivada do pedido de repactuação
(Cabimento da norma coletiva do trabalho)
 Aplicabilidade da CCT = o gestor deve discorrer a respeito da
aplicabilidade da CCT apresentada pela contratada para fins de
repactuação.
 A norma deve ser a mesma adotada para elaboração da
proposta (mesmos sindicatos).
 A contratada deve justificar a alteração da CCT a cuja
observância estiver obrigada (ex.: adoção da CCT do local da
prestação dos serviços, em face do acréscimo de posto de serviço
no contrato; etc.)

101
4.2.2. Análise motivada do pedido de repactuação
(Majoração de salários)
 Majoração de salários = o próximo item de verificação é a
variação efetiva dos salários, mediante o exame da cláusula da
CCT que determinou a majoração do piso da categoria e/ou fixou
percentual de reajuste.
 Se o contrato prevê salários acima do piso, aplicar o percentual
de reajuste concedido.
 Atentar para o piso de cada categoria específica.
 Parcelas remuneratórias incidentes sobre o salário básico = os
adicionais calculados sobre o salário básico devem ser reajustados
na mesma proporção (exemplo: adicional de periculosidade);

102
4.2.2. Análise motivada do pedido de repactuação
(Majoração de benefícios)
 Auxílio alimentação (no âmbito do PAT – Lei 6.321/76) =
observar o novo valor do auxílio alimentação previsto na CCT.
 Caso o benefício não tenha seu valor fixado pela CCT, deve ser
mantido sem reajustamento (contudo, é possível repactuar com
base em valores médios praticados no mercado).
 O trabalhador participa no custeio com até 20% do valor do
benefício, podendo ser tal participação reduzida ou isentada pela
norma coletiva de trabalho.
 Se não houver dedução de custeio na proposta de empresa, essa
isenção deverá ser observada nas repactuações.

103
4.2.2. Análise motivada do pedido de repactuação
(Majoração de benefícios)
 Vale transporte (Lei 7.418/1985, regulamentada pelo Decreto
95.247/87) = verificar se o valor unitário da tarifa corresponde à
atualmente praticada no Município onde os serviços são
prestados; Decreto do Prefeito/Governador do DF geralmente fixa
o valor das tarifas de transporte público.
 A participação no custeio é limitada a 6% do salário base do
trabalhador, podendo ser tal participação reduzida ou isentada
pela norma coletiva de trabalho.
 Se não houver dedução de custeio na proposta de empresa, essa
isenção deverá ser observada nas repactuações.

104
4.2.2. Análise motivada do pedido de repactuação
(Benefícios criados ou majorados pela CCT)
É possível, por ocasião da repactuação, a inclusão no contrato
dos custos relativos a novos direitos ou benefícios de natureza
pecuniária, criados pela CCT?

 IN 05/2017 (ANEXO VII-B – DIRETRIZES ESPECÍFICAS PARA


ELABORAÇÃO DO ATO CONVOCATÓRIO)
2.1. É vedado à Administração fixar nos atos
convocatórios:
[...]
b) os benefícios, ou seus valores, a serem concedidos pela
contratada aos seus empregados, devendo adotar os
benefícios e valores previstos em Acordo, Convenção ou
Dissídio Coletivo de Trabalho, como mínimo obrigatório,
quando houver; 105
4.2.2. Análise motivada do pedido de repactuação
(Benefícios criados ou majorados pela CCT)
 IN 05/2017:
c) exigências de fornecimento de bens ou serviços não
pertinentes ao objeto a ser contratado sem que exista uma
justificativa técnica que comprove a vantagem para a
Administração;
[...]
Art. 54. .....
[...]
§ 4º A repactuação para reajuste do contrato em razão
de novo Acordo, Convenção ou Dissídio Coletivo de
Trabalho deve repassar integralmente o aumento de
custos da mão de obra decorrente desses instrumentos.
106
4.2.2. Análise motivada do pedido de repactuação
(Benefícios criados ou majorados pela CCT)
 IN 05/2017:
[...]
Art. 57. .....
§ 1º É vedada a inclusão, por ocasião da repactuação,
de benefícios não previstos na proposta inicial, exceto
quando se tornarem obrigatórios por força de instrumento
legal, Acordo, Convenção ou Dissídio Coletivo de Trabalho,
observado o disposto no art. 6º desta Instrução Normativa.

107
4.2.2.Nova
Análise motivada do pedido de repactuação
planilha de preços do contrato
(Indicação da Data de Início dos Efeitos Financeiros)

 indicar expressamente a data de início dos efeitos


financeiros da repactuação;
 coincide com a data-base indicada na Convenção
Coletiva do Trabalho para produção de efeitos dos
novos valores de salários e benefícios devidos aos
trabalhadores envolvidos na prestação dos serviços.

108
4.2.2.Nova
Análise motivada do pedido de repactuação
planilha de preços do contrato
(Observância dos Novos Valores Pela Contratada)

 antes de formalizar a repactuação, deve-se


verificar se o contratado efetivamente arca com os
ônus invocados para legitimar o pedido.
 o ônus deve ser efetivo e não meramente
potencial, vale dizer, o contratado já tem que, no
momento da repactuação, efetivamente pagar aos
empregados os novos valores de salários e
benefícios.

109
4.2.2.Nova
Análise motivada do pedido de repactuação
planilha de preços do contrato
(Regularidade Fiscal e Trabalhista)

 ao término da instrução, verificar a manutenção


das condições de regularidade fiscal e trabalhista,
mediante consulta do SICAF. Juntar o extrato de
consulta ao processo.
 a situação de irregularidade não impede a
repactuação, mas deve ser apontada na instrução,
para que a fiscalização do contrato monitore a
regularização.

110
4.2. Instrução Processual
Nova planilha de preços do contrato
4.2.3. Montagem da nova planilha do contrato
 Boa prática: A partir do cotejo da planilha apresentada com o
pedido da repactuação com aquela da proposta, o servidor
encarregado da análise elabora nova planilha, destacando os itens
de custo cuja majoração entende deva ser deferida, bem como
apontar os itens cuja repactuação deva ser indeferida, consignando a
devida fundamentação.

 Jurisprudência do TCU:
 (Acórdão 2094/2010 – 2ª Câmara) Repactuação. Imprescindibilidade da
planilha. Demonstração analítica da variação dos custos.
9.4.2. compare as planilhas de custos e formação de preços fornecidas
pela contratada nos momentos da apresentação da proposta e do
requerimento de repactuação, nos termos do § 1º, art. 57 da Lei nº 8.666,
de 16 de junho de 1993, e do art. 5º do Decreto nº 2.271, de 7 de julho de
1997, com vistas a verificar se ocorreu ou não a efetiva repercussão dos
eventos majoradores nos custos pactuados originalmente;
111
4.2. Instrução Processual
4.2.3. Montagem da nova planilha do contrato
 Jurisprudência do TCU (continuação):
 (Acórdão 265/2010 – Plenário) Repactuação.
Imprescindibilidade da planilha. Demonstração analítica da
variação dos custos.
Efetue diagnóstico analítico dos componentes do custo do
contrato e pondere a real necessidade de reajustar cada um
deles, quando realizar repactuações de valores por meio de
termo de aditamento, abstendo-se de simplesmente aplicar os
percentuais de reajuste aos itens unitários, de forma a
restabelecer o equilíbrio entre os encargos do contratado e a
retribuição da administração para a justa remuneração do serviço,
conforme estabelecido nos arts. 40, inciso XI; e 65, inciso II, alínea
“d”, da Lei nº 8.666/1993, e no art. 5º do Decreto nº 2.271/1997.

112
4.2. Instrução Processual
4.2.3. Montagem da nova planilha do contrato
 Indicação da data de início dos efeitos financeiros da
repactuação = indicar expressamente a data de início dos efeitos
financeiros da repactuação; coincide com a data-base indicada na
CCT adotada como base para a repactuação. Vide Acórdão
1827/2008 – Plenário e art. 41 da IN 02/2008.

 Período de abrangência da repactuação e nova planilha =


especificar as datas de início e término de vigência dos novos valores
decorrentes da repactuação. A data de término é a data prevista para
a extinção do contrato.

 Confeccionar e juntar aos autos do processo planilha com resumo


dos novos valores do contrato após a repactuação. Mencionar a
peça do processo em que consta tal planilha.
113
4.2. Instrução Processual
4.2.4. Encaminhamento. Proposta de mérito
 Proposta de mérito item por item = ao apreciar cada item do
pedido de repactuação, o gestor deve se manifestar quanto ao
mérito, propondo

 o deferimento integral, quando não houver divergência em


relação ao pedido formulado;
 o deferimento parcial, quando o que for pedido não puder
ser deferido na integralidade;
 o indeferimento do pedido.

 em todo caso, a proposta deve ser devidamente motivada.

114
4.2. Instrução Processual
4.2.4. Encaminhamento. Proposta de mérito
 Proposta de encaminhamento = em conclusão, o gestor que
instrui o processo de repactuação deve propor o seguinte
encaminhamento aos autos:

 ao fiscal do contrato, para certificar que a contratada cumpre


efetivamente os encargos que deram ensejo à repactuação;
 ao fiscal do contrato, para colher a manifestação da contratada
quanto aos termos da instrução e da nova planilha de custos e
formação de preços do contrato, elaborada pela Administração;
 a manifestação de concordância da contratada deve ser
expressa, por escrito;
 em caso de discordância, as razões devem ser explicitadas e
acompanhadas de elementos de informação e documentos que
permitam nova análise.
115
4.2. Instrução Processual
4.2.4. Encaminhamento. Proposta de mérito
 Lei 9.784/99:
Art. 44. Encerrada a instrução, o interessado terá o
direito de manifestar-se no prazo máximo de dez dias,
salvo se outro prazo for legalmente fixado.
[...]
Art. 46. Os interessados têm direito à vista do
processo e a obter certidões ou cópias reprográficas dos
dados e documentos que o integram, ressalvados os
dados e documentos de terceiros protegidos por sigilo
ou pelo direito à privacidade, à honra e à imagem.

116
4.2. Instrução Processual
Participação do fiscal na instrução
4.2.5. Adequação orçamentária e financeira
 Lei Complementar 101/2000 (LRF):
Art. 15. Serão consideradas não autorizadas, irregulares e lesivas ao
patrimônio público a geração de despesa ou assunção de obrigação
que não atendam o disposto nos arts. 16 e 17.
Art. 16. A criação, expansão ou aperfeiçoamento de ação
governamental que acarrete aumento da despesa será
acompanhado de:
[...]
II - declaração do ordenador da despesa de que o aumento tem
adequação orçamentária e financeira com a lei orçamentária anual e
compatibilidade com o plano plurianual e com a lei de diretrizes
orçamentárias.
[...]
§ 3o Ressalva-se do disposto neste artigo a despesa considerada
irrelevante, nos termos em que dispuser a lei de diretrizes
orçamentárias. [R$ 8.000,00 – inc. II, art. 147, Lei 13.473/20217] 117
PARTE 5
ANÁLISE DE CASOS
PRÁTICOS E QUESTÕES
CONTROVERSAS

118
5.1. É Possível Repactuação sem Planilha?

 ante a impossibilidade de aplicação da técnica da


repactuação, por inexistência de planilha de custos
e formação de preços,
 outra solução não resta à Administração, que
não a alteração da cláusula que define a técnica
empregada para o reajustamento de preços: da
repactuação para o reajuste por índice financeiro.

119
5.2. É Possível a Inclusão de Despesas?

 IN 05/2017:
Art. 57. .....
§ 1º É vedada a inclusão, por ocasião da
repactuação, de benefícios não previstos na
proposta inicial, exceto quando se tornarem
obrigatórios por força de instrumento legal,
Acordo, Convenção ou Dissídio Coletivo de
Trabalho, observado o disposto no art. 6º desta
Instrução Normativa.

120
5.3. Participação dos Empregados nos Resultados

 LEI 10.101/2000:
Art. 2º. A participação nos lucros ou
resultados será objeto de negociação entre a
empresa e seus empregados, mediante um dos
procedimentos a seguir descritos, escolhidos
pelas partes de comum acordo:
[...]
II - convenção ou acordo coletivo.

121
5.3. Participação dos Empregados nos Resultados

 IN 05/2017:
Art. 6º A Administração não se vincula às
disposições contidas em Acordos, Convenções ou
Dissídios Coletivos de Trabalho que tratem de
pagamento de participação dos trabalhadores nos lucros
ou resultados da empresa contratada, de matéria não
trabalhista, ou que estabeleçam direitos não previstos
em lei, tais como valores ou índices obrigatórios de
encargos sociais ou previdenciários, bem como de
preços para os insumos relacionados ao exercício da
atividade
122
5.3. Participação dos Empregados nos Resultados

 Jurisprudência do TCU:
 (Acórdão 3336/2013 – Plenário) CONSULTA.
9.2. responder ao consulente que:
9.2.1. o benefício aos empregados de empresas que
prestam serviços continuados à Administração, previsto em
Convenção Coletiva de Trabalho como participação nos lucros
e resultados, não é considerado custo da venda dos serviços,
uma vez que se trata de obrigação exclusiva do empregador;
9.2.2. o pagamento da participação dos lucros e resultados
aos empregados vinculados aos contratos de prestação de
serviços contínuos deve ser exclusivamente assumido pela
contratada, razão pela qual não pode ser objeto de
reequilíbrio econômico-financeiro do contrato.
123
5.4. Aviso Prévio Trabalhado

 Aviso prévio trabalhado = por ocasião da primeira repactuação, o


servidor encarregado da análise deve prever, nos cálculos, a exclusão
da parcela, caso o contrato venha a ser renovado após 12 meses de
vigência.

 O TCU vinha determinando a exclusão do item da composição de


custos do contrato, por considerá-lo totalmente “amortizado” no
primeiro ano de vigência.

 Porém, em virtude da Lei 12.506/2011, consideramos que não é


lícito “zerar” o item, mas reduzi-lo a valor correspondente a 3 dias de
aviso prévio trabalhado (6 horas de salário).

124
5.4. Aviso Prévio Trabalhado

 LEI 12.506/2011:
Art. 1º O aviso prévio, de que trata o Capítulo VI do
Título IV da Consolidação das Leis do Trabalho - CLT,
aprovada pelo Decreto-Lei no 5.452, de 1º de maio de
1943, será concedido na proporção de 30 (trinta) dias
aos empregados que contem até 1 (um) ano de serviço
na mesma empresa.
Parágrafo único. Ao aviso prévio previsto neste artigo
serão acrescidos 3 (três) dias por ano de serviço
prestado na mesma empresa, até o máximo de 60
(sessenta) dias, perfazendo um total de até 90 (noventa)
dias.
125
5.4. Aviso Prévio Trabalhado

 IN 05/2017 (ANEXO IX – DA VIGÊNCIA E DA


PRORROGAÇÃO):
9. A Administração deverá realizar negociação
contratual para a redução e/ou eliminação dos
custos fixos ou variáveis não renováveis que já
tenham sido amortizados ou pagos no primeiro
ano da contratação.

126
5.4. Aviso Prévio Trabalhado
 Jurisprudência do TCU:
 (Acórdão 1186/2017 – Plenário) Aviso prévio trabalhado.
Determinação. Redução após um ano de vigência do contrato.
9.2. determinar ao Tribunal Regional do Trabalho da 6ª
Região que, nas futuras contratações de mão de obra
terceirizada, esteja expresso na minuta do contrato que a
parcela mensal a título de aviso prévio trabalhado será no
percentual máximo de 1,94% no primeiro ano, nos termos dos
Acórdãos 1904/2007-TCU-Plenário e 3006/2010-TCU-Plenário,
e, em caso de prorrogação do contrato, o percentual máximo
dessa parcela será de 0,194% a cada ano de prorrogação, a ser
incluído por ocasião da formulação do aditivo da prorrogação
do contrato, conforme ditames da Lei 12.506/2011;
127
5.5. Exclusão ou Redução de Itens Gerenciáveis

 Itens “gerenciáveis” são aqueles cotados na proposta por


estimativa ou probabilidade de ocorrência.
 Ao formular sua proposta, o contratado não dispõe de elementos
de informação objetivos que lhe permitam precisar o custo de tais
itens. Trata-se de despesas que podem ou não ocorrer durante a
execução contratual; ou ocorrem, porém não se pode precisar com
que frequência ou em que quantitativo.
 Exemplos: vale-transporte; afastamento maternidade; licença
paternidade; aviso prévio indenizado; etc.
 Segundo a IN 05/2017, a negociação para eliminação ou redução
desses itens dá-se por ocasião da renovação do contrato; mas,
entendemos que não há vedação para que sejam objeto de
discussão por ocasião da repactuação do contrato. 128
5.5. Exclusão ou Redução de Itens Gerenciáveis

 IN 05/2017 (ANEXO IX – DA VIGÊNCIA E DA


PRORROGAÇÃO)
9. A Administração deverá realizar negociação
contratual para a redução e/ou eliminação dos
custos fixos ou variáveis não renováveis que já
tenham sido amortizados ou pagos no primeiro
ano da contratação.

129
5.6. Supressão do Intervalo Intrajornada

Entendemos ser indevida a permanência ou a inclusão de


tal rubrica na composição de custos do contrato, por
ocasião da repactuação, ainda que prevista em CCT.

 Não há qualquer justificativa razoável para a inclusão da


despesa na planilha de custos e formação de preços. O ônus
pelo descumprimento da lei deve ser suportada única e
exclusivamente por quem pratica o ato ilícito, no caso, o
empregador.

 É de todo repudiável transferir esse custo – imposto pela


prática vedada pela lei – para a Administração contratante.
130
5.6. Supressão do Intervalo Intrajornada

 CLT:
Art. 71 - Em qualquer trabalho contínuo, cuja duração
exceda de 6 (seis) horas, é obrigatória a concessão de um
intervalo para repouso ou alimentação, o qual será, no
mínimo, de 1 (uma) hora e, salvo acordo escrito ou contrato
coletivo em contrário, não poderá exceder de 2 (duas) horas.
[...]
§ 4º - A não concessão ou a concessão parcial do intervalo
intrajornada mínimo, para repouso e alimentação, a
empregados urbanos e rurais, implica o pagamento, de
natureza indenizatória, apenas do período suprimido, com
acréscimo de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor da
remuneração da hora normal de trabalho.
131
5.6. Supressão do Intervalo Intrajornada

 Jurisprudência do TST:
 (Súmula 437) Intervalo intrajornada. Supressão
amparada em cláusula da CCT. Ilicitude.
II - É inválida cláusula de acordo ou convenção
coletiva de trabalho contemplando a supressão ou
redução do intervalo intrajornada porque este
constitui medida de higiene, saúde e segurança do
trabalho, garantido por norma de ordem pública (art.
71 da CLT e art. 7º, XXII, da CF/1988), infenso à
negociação coletiva.

132
5.6. Supressão do Intervalo Intrajornada

 CLT:
Art. 59-A. Em exceção ao disposto no art. 59
desta Consolidação, é facultado às partes,
mediante acordo individual escrito, convenção
coletiva ou acordo coletivo de trabalho,
estabelecer horário de trabalho de doze horas
seguidas por trinta e seis horas ininterruptas de
descanso, observados ou indenizados os
intervalos para repouso e alimentação.

133
5.7. Periculosidade Para Vigilantes

 A concessão do adicional de periculosidade para vigilantes foi


regulamentada pela Portaria MTE 1885, de 3.12.2013. Entretanto,
resta inviabilizada a possibilidade de revisão do contrato, para
inclusão de tal despesa, ante a necessidade de prévia perícia.
 Caso a CCT crie parcela remuneratória com o mesmo propósito, é
incluída na planilha de preços do contrato por ocasião da
repactuação.
 CLT:
Art. 193. São consideradas atividades ou operações perigosas, na
forma da regulamentação aprovada pelo Ministério do Trabalho e
Emprego, aquelas que, por sua natureza ou métodos de trabalho,
impliquem risco acentuado em virtude de exposição permanente
do trabalhador a:
134
5.7. Periculosidade Para Vigilantes

 CLT:
Art. 193. .....
[...]
II - roubos ou outras espécies de violência física nas
atividades profissionais de segurança pessoal ou
patrimonial.
§ 1º - O trabalho em condições de periculosidade assegura
ao empregado um adicional de 30% (trinta por cento) sobre
o salário sem os acréscimos resultantes de gratificações,
prêmios ou participações nos lucros da empresa.
[...]

135
5.7. Periculosidade Para Vigilantes

 CLT:
Art. 193. .....
[...]
§ 3º Serão descontados ou compensados do adicional outros
da mesma natureza eventualmente já concedidos ao
vigilante por meio de acordo coletivo.
[...]
Art. 195. A caracterização e a classificação da insalubridade e
da periculosidade, segundo as normas do Ministério do
Trabalho, far-se-ão através de perícia a cargo de Médico do
Trabalho ou Engenheiro do Trabalho, registrados no
Ministério do Trabalho.
136
5.8. Trabalho em Feriado

 Os terceirizados que cumprem jornada de 12 x 36 têm direito ao


pagamento da remuneração em dobro pelo trabalho realizado em
feriado. Esse custo deve ser previsto no contrato, desde a origem
(cotado na proposta). Se não foi previsto, entendemos indevida a
inclusão da despesa por ocasião da repactuação.

 Jurisprudência do TST:
 (Súmula 444) Jornada 12x36. Trabalho em feriado. Pagamento em
dobro
É valida, em caráter excepcional, a jornada de doze horas de
trabalho por trinta e seis de descanso, prevista em lei ou ajustada
exclusivamente mediante acordo coletivo de trabalho ou convenção
coletiva de trabalho, assegurada a remuneração em dobro dos feriados
trabalhados. O empregado não tem direito ao pagamento de adicional
referente ao labor prestado na décima primeira e décima segunda
horas. 137
5.8. Trabalho em Feriado

 Lei 605/49:
Art. 8º Excetuados os casos em que a execução do serviço for
imposta pelas exigências técnicas das empresas, é vedado o
trabalho em dias feriados, civis e religiosos, garantida,
entretanto, aos empregados a remuneração respectiva,
observados os dispositivos dos artigos 6º e 7º desta lei.
Art. 9º Nas atividades em que não for possível, em virtude
das exigências técnicas das empresas, a suspensão do
trabalho, nos dias feriados civis e religiosos, a remuneração
será paga em dobro, salvo se o empregador determinar
outro dia de folga.

138
5.8. Trabalho em Feriado

 CLT:
Art. 59-A….
Parágrafo único. A remuneração mensal pactuada pelo
horário previsto no caput deste artigo abrange os
pagamentos devidos pelo descanso semanal
remunerado e pelo descanso em feriados, e serão
considerados compensados os feriados e as
prorrogações de trabalho noturno, quando houver, de
que tratam o art. 70 e o § 5º do art. 73 desta
Consolidação.

139
5.9. Plano de Saúde Para Terceirizados

 IN 05/2017:
Art. 57 ….
§ 1º É vedada a inclusão, por ocasião da
repactuação, de benefícios não previstos na
proposta inicial, exceto quando se tornarem
obrigatórios por força de instrumento legal, Acordo,
Convenção ou Dissídio Coletivo de Trabalho,
observado o disposto no art. 6º desta Instrução
Normativa.

140
5.10. Vale-Transporte

 LEI 8.666/93:
Art. 65 ….
[…]
§ 5º Quaisquer tributos ou encargos legais criados,
alterados ou extintos, bem como a superveniência
de disposições legais, quando ocorridas após a data
da apresentação da proposta, de comprovada
repercussão nos preços contratados, implicarão a
revisão destes para mais ou para menos, conforme o
caso.
141
5.10. Vale-Transporte

 ORIENTAÇÃO NORMATIVA /SLTI Nº 2, DE 22 DE AGOSTO


DE 2014:
I - os órgãos e entidades da Administração Pública
Federal direta, autárquica e fundacional deverão
observar, nos processos de repactuação referentes a
serviços continuados com dedicação exclusiva de mão
de obra, quando envolver reajuste do vale transporte, as
seguintes condições:
a) a majoração da tarifa de transporte público gera a
possibilidade de repactuação do item relativo aos
valores pagos a título de vale-transporte;
[...] 142
5.10. Vale-Transporte

b) o início da contagem do prazo de um ano para a


primeira repactuação deve tomar como referência a
data do orçamento a que a proposta se refere, qual seja,
a data do último reajuste de tarifa de transporte
público;
c) os efeitos financeiros da repactuação contratual
decorrente da majoração de tarifa de transporte público
devem viger a partir da efetiva modificação do valor de
tarifa de transporte público; e
[...]

143
Muito Obrigado!

144