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Universidade Católica de Pernambuco

Mestrado em Ciências da Linguagem

ANÁLISE CRÍTICA DO DISCURSO

Prof. Moab Acioli


Universidade Católica de Pernambuco
Mestrado em Ciências da Linguagem

A Análise Crítica do Discurso (ACD): contexto


histórico e seus princípios norteadores

- A obra de Fowler et al (1970): A Lingüística Crítica.

- Da Lingüística Crítica a uma proposta de investigação


discursiva: a ACD.

- A Análise Crítica do Discurso e os estudos discursivos nas


décadas de 1970 a 1980: a Análise do Discurso Francesa
e a Análise do Discurso Americana.
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- A Análise Crítica do Discurso (ACD) é a


denominação genérica que se aplica a um
planejamento especial, dedicado a estudar a fala
e a escrita, e emerge da lingüística crítica, da
crítica semiótica e, em geral, de um modo sócio-
político consciente e oposicionista de investigar
a linguagem, o discurso e a comunicação.
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- Seguindo as considerações de van Dijk (1987,


1990), podemos afirmar que qualquer
planejamento teórico é adequado sempre e
quando permita estudar eficazmente os
problemas sociais relevantes, tais quais gêneros
(feminino/masculino), racismo, colonialismo, ou
outras formas desigualdade social.
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- A ACD não comporta uma escola, nem um


campo, nem uma disciplina de análise do
discurso, pois se trata de um posicionamento, de
uma postura explicitamente crítica para estudar
a fala e a escrita em seus contextos específicos de
funcionamento.
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- ACD: do hermenêutico para o heurístico. Ou ainda:


como se constituem os fenômenos sociais?

- Com o propósito de estudar eficazmente os


problemas sociais ou os temas relevantes, o trabalho
da ACD pode ser inter ou multidisciplinar, e se fixa
particularmente na relação existente entre discurso
e sociedade (com a inclusão de conhecimento social,
político e cultural).
CONTRA O PRECONCEITO13/NOV/2012 ÀS
11:21
Estudantes evangélicos se negam a fazer trabalho
sobre cultura afro-brasileira

Alunos se negaram a fazer projeto sobre cultura


afro-brasileira, alegando 'princípios religiosos',
afirmando que o trabalho faz apologia ao
'satanismo e ao homossexualismo'
• O protesto de um grupo de 13 alunos evangélicos do
ensino médio da escola estadual Senador João Bosco
Ramos de Lima – na avenida Noel Nutels, Cidade Nova,
Zona Norte -, que se recusaram a fazer um trabalho
sobre a cultura afro-brasileira – gerou polêmica entre os
grupos representativos étnicos culturais do Amazonas.

• Os estudantes se negaram a defender o projeto


interdisciplinar sobre a ‘Preservação da Identidade
Étnico-Cultural brasileira’ por entenderem que o
trabalho faz apologia ao “satanismo e ao
homossexualismo”, proposta que contraria as crenças
deles.
• Por conta própria e orientados pelos pastores e pais, eles
fizeram um projeto sobre as missões evangélicas na
África, o que não foi aceito pela escola.

• Por conta disso, os alunos acamparam na frente da


escola, protestando contra o trabalho sobre cultura afro-
brasileira, atitude que foi considerada um ato de
intolerância étnica e religiosa. “Eles também se
recusaram a ler obras como O Guarany, Macunaíma,
Casa Grande Senzala, dizendo que os livros falavam
sobre homossexualismo”, disse o professor Raimundo
Cardoso.
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- Quando estuda o papel do discurso na


sociedade, a ACD se centra particularmente nas
relações (de grupo) de poder, dominação e
desigualdade, assim como na maneira em que
os integrantes de um grupo social (atores
sociais) os reproduzem ou os opõem resistência
através dos discursos.
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A ACD Hoje: introduzindo as principais questões
teóricas

- Discurso; Cognição; Contexto; Ideologia;


Representações Sociais.

- Essas noções permitem investigar questões como:


relações de poder; mudança social; estereótipos;
discriminação; abuso de poder, ou o poder discursivo;
manipulação; legitimação; criação de consenso e outros
mecanismos discursivos que influenciam o pensamento
(e indiretamente as ações) em benefício dos mais
poderosos.
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- Os objetivos descritivos, explicativos e práticos


dos estudiosos da ACD centralizam um esforço
para descobrir, revelar e divulgar aquilo que é
implícito, que está escondido, ou que por algum
motivo não é imediatamente óbvio nas relações
de dominação discursiva, ou de suas ideologias
subjacentes.
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- DILMA APRESENTA UM ROMBO DE 80


BILHÕES DE REAIS.

- TEMER APRESENTA UM DEFICIT DE 170


BILHÕES DE REAIS.
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- Sendo a ACD um projeto multidisciplinar,


agrega diferentes perspectivas de abordagens.
Entretanto, os analistas críticos do discurso
comungam em aspectos fundamentais, o que
permite falar em um ‘projeto comum’.
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- Segundo Fairclough (1989, p.1), esse projeto


comum seria a necessidade de “corrigir uma
subavaliação muito divulgadada importância da
linguagem na produção, manutenção, e
mudança das relações sociais de poder” e de
“aumentar a consciência de como a linguagem
contribui para a dominação de algumas pessoas
por outras, já que essa consciência é o primeiro
passo para a emancipação”. É neste sentido que
para Fairclough (2001, 1989) discurso é
“mudança social”.
Norman Fairclough (1941)
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- Esse pensamento é reforçado por Kress (apud
Pedro, 1997:22), sugerindo que “ao desnaturalizar as
práticas discursivas como um conjunto de práticas
de uma sociedade, entendida como um conjunto de
comunidades ligadas discursivamente, e ao tornar
visível e manifesto aquilo que antes pode ter sido
invisível e aparentemente natural, os analistas
críticos do discurso pretendem mostrar o modo
como as práticas linguístico-discursivas estão
imbricadas com as estruturas sociopolíticas mais
abrangentes de poder e dominação”.
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Prática Social ↔ Prática Discursiva: como se dá a
interface?

- Não há consenso entre os teóricos da ACD sobre esse


processo de intermediação.

- A pergunta proposta leva a uma outra, também complexa e de


difícil solução: como se dá a mudança social, partindo das
práticas discursivas?

- Nas linhas de pesquisa desenvolvidas a partir da proposta de


N. Fairclough (2001, 1995), o discurso é entendido como o
elemento mediador entre texto e prática social.
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- Nas investigações desenvolvidas sob a


perspectiva sócio-cognitivista, como propõe
Teun A. van Dijk (2006, 2000) a intermediação
é compreendida a partir de uma interface
constitutiva, que são os elementos
sociocognitivos.
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O Tridimensionalismo de N. Fairclough

- Fairclough entende que a ação discursiva na


construção dos significados do mundo dá-se a
partir de uma relação dialética entre o social e o
simbólico, entre os indivíduos organizados em
grupos (sociedades) e os símbolos organizados
em significados ideológicos (linguagens).
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- Essa relação se constitui e é constituída (como


um caminho de via dupla) tridimensionalmente
pelo texto, pela prática discursiva e pela prática
social.
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- O uso da língua é uma forma de ação (nos


termos da pragmática austiniana), mas sendo
que essa ação é entendida em termos históricos e
socialmente situada. O discurso seria o elemento
de mediação entre prática social e texto. Essa
relação se daria, entretanto, em uma relação de
causalidade e determinação entre práticas
discursivas, eventos e textos.
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- Fairclough desenvolveu seu modelo fortemente


influenciado pela Lingüística Sistêmico-
Funcionalista (LSF), de Halliday, articulando
com a teoria foucaultiana e com uma base
marxista.
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- É forte a influência da LSF na proposta de


Fairclough, o que norteia a sua postura anti-
cognitivista, uma vez que, para Halliday, o que
existe é uma externalidade absoluta, sendo o
social colocado em relação dicotômica com o
mental.
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A Tríade de Teun A. van Dijk

- A proposta de van Dijk articula três elementos:


discurso, cognição e sociedade.
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- Para o autor, é impensável uma teorização


social sem os aspectos cognitivos, assim como
uma teoria cognitiva sem uma teoria social:
sociedade e cognição estão em relação
constitutiva.
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- Essa compreensão pressupõe três noções fundamentais:

a) a cognição é uma propriedade desenvolvida individual e


socialmente, pois é adquirida, aprendida, formada e
transformada tanto em processos de interações sociais, como
em processos individuais de percepção, inferenciação, etc.
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b) a sociedade é uma construção humana e resulta de


interações coordenadas e negociadas entre atores sociais.
Essas interações só podem ser realizadas a partir de crenças,
conhecimentos, normas e valores compartilhados. Isso requer
atores cognitivos, capazes de desenvolver tais elaborações
(sobre si mesmos) e atribuí-las aos outros (outros grupos
sociais).
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c) a cognição opera como um elemento de interface: os atores
implicados no discurso não usam exclusivamente suas
experiências e estratégias individuais, ou mesmo os discursos
são formandos em uma externalidade absoluta denominada
‘social’, mas são construídos a partir de marcos coletivos de
percepção; o que ele define como representações sociais.
Teun Van Dijk (1943)
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c) a cognição opera como um elemento de interface: os atores
implicados no discurso não usam exclusivamente suas
experiências e estratégias individuais, ou mesmo os discursos
são formandos em uma externalidade absoluta denominada
‘social’, mas são construídos a partir de marcos coletivos de
percepção; o que ele define como representações sociais.
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PROGRAMA DA DISCIPLINA ANÁLISE CRÍTICA
DO DISCURSO

1ª AULA – Apresentação da disciplina


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2ª AULA – O campo da Análise Crítica do Discurso


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DO DISCURSO

3ª AULA – Plano social: A teoria social do discurso


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4ª AULA – Plano social: Ideologia


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5ª AULA – Plano social: Poder


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DO DISCURSO

6ª AULA– Plano social: Cognição Social


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DO DISCURSO

7ª AULA– Plano discursivo: Formações e práticas


discursivas
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DO DISCURSO

8ª AULA – Dia 26/4/2011 – Plano discursivo: A


intertextualidade
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DO DISCURSO

9ª AULA – Dia 2/5/2011 – Plano discursivo:


Representações sociais.
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10ª AULA – Dia 9/5/2011 – Plano textual: O ethos


discursivo
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DO DISCURSO

11ª AULA – Dia 16/5/2011 – Plano textual: A


semântica
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12ª AULA – Dia 23/5/2011 – Plano textual: As


metáforas
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DO DISCURSO

13ª AULA – Dia 30/5/2011 – Tipos de discurso:


Discurso literário e discurso publicitário
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DO DISCURSO

14ª AULA – Dia 6/6/2011 – Tipos de discurso: O


político e o religioso.
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PROGRAMA DA DISCIPLINA ANÁLISE CRÍTICA


DO DISCURSO

15ª AULA – Dia 13/6/2011 – Discussão final