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Universidade Católica de Pernambuco

Pós-graduação em Ciências da Linguagem

A SOCIOLINGUÍSTICA DE LABOV
William Labov (1927)
William Labov (1927)
• Linguista norte-americano, considerado fundador da
Sociolinguística Variacionista.
• Professor da Universidade da Pensilvânia, entre os
seus trabalhos destacam-se o estudo da Nonstandard
Inglês (1969), Linguagem no interior da cidade: Estudos
em Black English Vernacular (1972), Padrões de
sociolinguística(1972), Princípios de lingüística
Change (Fatores internos Vol.I, 1994; Vol.II social
Fatores de 2001, vol.III Cognitiva e fatores culturais,
2010), e, juntamente com Sharon Ash e Charles
Boberg, O Atlas de Inglês norte-americano (2006).
A Concepção de Língua
1º Existe um caráter eminentemente social dos
fatos linguísticos.
2º Existe uma variabilidade a que tais fatos estão
continuamente submetidos.

Obs: A finalidade básica de uma linguagem é


servir como meio de comunicação, e por isso,
ela costuma ser interpretada como produto e
expressão da cultura de que faz parte.
Ferdinand de Saussure (1857-1913)
A Concepção de Língua
• Historicamente, a Ciência Linguística nem
sempre teve em seu escopo a respectiva
natureza social:
1º Ferdinand de Saussure (1857-1913):
Dicotomia língua (langue) X discurso (parole)
Obs: Enfocar na homogeneidade da língua
versus a heterogeneidade do discurso.
A Concepção de Língua
• Labov - Paradoxo saussuriano da relação entre
langue e parole: Partindo-se de um único
indivíduo seria possível analisar o lado social
da linguagem, mas somente pela interação de
duas ou mais pessoas se poderia estudar o
aspecto individual.
Calvin
A Concepção de Língua
• A descrição da heterogeneidade linguística –
Bright: Um sistema linguístico monolítico,
realizado sem variações ou com variações
fortuitas e imotivadas, é incapaz de explicar
toda uma gama de associações com a
estrutura social.
A Concepção de Língua
• Principais ângulos da diversidade linguística:

1º Identidade social do emissor


2º Identidade social do receptor
3º As condições da situação comunicativa
A Concepção de Língua
• A função sociaL da linguagem:

1º A língua não é simplesmente um veículo para se


transmitir informações, mas é também um meio para se
estabelecer e manter relacionamentos com outras
pessoas.

2º A função da língua de estabelecer contatos sociais e o


papel social, por ela desempenhado, de transmitir
informações sobre o falante constituem uma prova cabal
de que existe uma íntima relação entre língua e
sociedade.
A Concepção de Língua
• O condicionamento linguístico da sociedade –
Humboldt: Existe uma relação de dependência
entre a língua e mentalidade nacional e, por
conseguinte, os povos não pensariam do
mesmo modo.

Exemplo: A língua e o esquema de pensar dos


franceses é predominantemente analítico, ao
passo que entre os alemães é sintético.
René Descartes (1596-1650)
Deutsch
• Donaudampfschiffahrtselektrizitätenhauptb
etriebswerkbauunterbeamtengesellschaft

• Tradução: "Associação dos Funcionários


Subordinados da Construção da Central
Elétrica da Companhia de Barcos a Vapor a do
Danúbio”.
A Concepção de Língua
• O condicionamento social da língua: Trudgill
mostra, em sentido inverso, os efeitos da
sociedade sobre os condicionamentos da
língua.
Exemplo: Enquanto na língua portuguesa existe
uma única palavra para o objeto “neve”, as
línguas esquimós-aleútes existem vários termos
para “neve”: “neve fina”, “neve seca”, “neve
macia” e outros termos.
A Concepção de Língua
• Outro efeito da sociedade na língua é o “tabu
linguístico”. De um modo geral, tabu é uma
forma como a sociedade expressa a sua
desaprovação a certos comportamentos
considerados nocivos a seus membros, seja
por motivos de ordem sobrenatural, seja por
uma questão de violar um código moral.
A Concepção de Língua
• Na língua, o tabu é associado com as coisas
que NÃO são ditas e, em particular, com
palavras e expressões que NÃO são usadas.

Exemplo: Certas palavras não podem ser ditas,


alguns objetos não podem ser mencionados,
salvo em determinadas circunstâncias, e, em
geral, os termos são substituídos por expressões
eufêmicas.
A Concepção de Língua
• Em diversas culturas, os tabus linguísticos
estão relacionados com a mão esquerda, com
as relações sexuais, as doenças ou as
entidades do Mal.

Exemplo: No Brasil, lepra é substituida por


“hanseníase” ou “doença da pele”, tuberculose
por “mancha no pulmão”, câncer por “CA”.
A Concepção de Língua
• Em termos do condicionamento social da
língua expressando o modo como se organiza
a mente coletiva da comunidade, pode-se
perguntar por que o gênero masculino
prevalece sobre o gênero feminino?

Exemplo: “Os alunos se chamam Cacilda e


Técio”.
O escopo da sociolinguística
• O objeto da sociolinguística – Romaine (1950)
informa que o termo sociolinguística enfoca
perspectivas conjuntas que os linguistas e
sociólogos mantinham face às questões sobre
as influências da linguagem na sociedade e,
especialmente, sobre o contexto social da
diversidade linguística.
O escopo da sociolinguística
• Áreas de estudo: MACRO-SOCIOLINGUÍSTICA
e MICRO-SOCIOLINGUÍSTICA.
O escopo da sociolinguística
• MACRO-SOCIOLINGUÍSTICA – Hudson (1984):
Trata-se de uma área de investigação
sociológica e política, deste que discute
questões como as consequências do
multilinguismo no desenvolvimento
econômico e as prováveis políticas linguísticas
que um governo pode adotar.
O escopo da sociolinguística
• MICRO-SOCIOLINGUÍSTICA: análise dos efeitos
dos fatores sociais sobre as estruturas
linguísticas, utilizando-se para tanto, testes
estatísticos. Enfatizando, a variação linguística.
O escopo da sociolinguística
• AS DISCIPLINAS AFINS: A Sociologia da
Linguagem, A Etnografia da Comunicação, A
Dialetologia, A Geografia Linguística e a
Pragmática.
O escopo da sociolinguística
• A Sociologia da Linguagem – Fishman (1972):
Exame da interação entre dois aspectos do
comportamento humano. O uso da língua e a
organização social. Enfoca uma ampla gama
de tópicos correlacionados à organização
social do comportamento linguístico, incluindo
não apenas a linguagem em si mesma, mas
também as atitudes dos falantes, os valores
simbólicos que as variedades linguísticas
adquirem para seus usuários.
O escopo da sociolinguística
• Obs: A sociolinguística analisa os aspectos
sociais como o intuito de compreender
melhor a estrutura das línguas e seu
funcionamento, enquanto a sociologia da
linguagem busca um melhor entendimento da
estrutura social através do estudo da
linguagem.
O escopo da sociolinguística
• A Etnografia da Comunicação – Hymes denomina-
a de Etnografia da Fala ou Etnografia da
Comunicação. É visada a descrição e a análise das
modalidades de uso de línguas e dialetos dentro
de uma dada cultura, os eventos de fala, as regras
para a seleção adequada dos falantes, as inter-
relações entre o falante, o receptor, o tema, o
canal, etc. vem como as formas em que os
falantes empregam os recursos de sua língua para
realizar determinadas funções.
O escopo da sociolinguística
• Morales (1993): Estuda as normas de conduta
comunicativa próprias de uma comunidade de
fala, no sentido de se saber o que um falante
necessita para comunicar-se adequadamente.
Isto em suma constitui a chamada
“competência comunicativa”, que inclui não só
regras de comunicação, tanto linguísticas
como sociais, mas também normas de
interação.
Semiótica estrutural e funcional
O escopo da sociolinguística
• A Dialetologia: Para alguns autores, é a
disciplina mais próxima da sociolinguística.
Morales (1993) atribui o trabalho de estudo os
“letos”, seja através da dimensão DIATÓPICA
(variação no espaço físico ou geográfico) ou
DIASTRÁSTICA (variação no espaço social).
O escopo da sociolinguística
• Enquanto a dialetologia se volta para a
diversidade diatópica, a sociolinguística enfoca
a variação diastrástica.
• Uma realiza pesquisas em um sentido
horizontal, enquanto a outra em um sentido
vertical.
• Em um aspecto, o dialeto urbano
(sociolinguística) e em outro, o dialeto rural
(dialetologia).
O escopo da sociolinguística
• A Geografia Linguística: Elaborar análises
minuciosas de variações dialetais localizadas
numa ampla área geográfica, apresentando
em geral os resultados numa série de mapas
reunidos no que se denomina de atlas
linguístico. Costumam-se estabelecer nessas
cartas LINHAS ISOGLÓSSICAS, no sentido de
separar zonas que revelam diferenças com
referência a um dado item linguístico.
• Português: Ser ou não ser, eis a questão.
• Galego: Ser ou non ser, velaí a cuestión.
• Espanhol: Ser o no ser, esa es la cuestión.
• Catalão: Ser o no ser, aquesta és la qüestió.
• Francês: Pour être ou ne pas être, telle est la
question.
• Português: Quem será o futuro presidente?
• Galego: Quen será o futuro presidente?
• Espanhol: ¿Quién será el próximo presidente?
• Catalão: Qui serà el pròxim president?
• Francês: Qui sera le prochain président?
O escopo da sociolinguística
• A Pragmática – Levinson (1983): É a
interpretação da linguagem em uma
perspectiva funcional, ou seja, a explicação
das múltiplas facetas do sistema linguístico
relacionadas a causas e eventos
extralinguísticos ou o estudo das associações
entre linguagem e contexto, desde que
gramaticalizadas ou codificadas nae strutura
linguística.
O escopo da sociolinguística
• A sociolinguística também se volta para o
problema do contexto através do estudo dos
EVENTOS DE FALA, e para isso Gramaldi (1983)
estuda a SOCIOLINGUÍSTICA INTERACIONAL.

• Portanto, a pragmática estuda os traços


contextuais que afetam o significado.
As comunidades e os (dia)letos
• A questão dos limites: Um dos mais
importantes conceitos em Labov é o de
COMUNIDADE. Os linguistas não chegaram a
um acordo quanto aos critérios de
demarcação.
• Onde ou como se delimitam as fronteiras de
uma variedade linguística?
As comunidades e os (dia)letos
• As concepções de comunidade:
– Labov (1972): Trata-se de um grupo que segue
as mesmas normas relativas ao uso da língua.
- Amusategi (1990): Um grupo cujos membros
têm pelo menos em comum uma variedade
(linguística) e compartilham acordos, regras ou
normas para o seu emprego correto”.
As comunidades e os (dia)letos
- Solução proposta para indefinição de um
critério único: comunidade de fala X
comunidade linguística.
a) Comunidade de Fala (Speech Community) é
“um grupo de pessoas que não compartilham
necessariamente a mesma língua, mas
compartilham um conjunto de normas e regras
para o uso delas”.
As comunidades e os (dia)letos
• Obs: Morales (1993) Madrid e Caracas
participam da mesma comunidade linguística,
porém são distintas comunidades de fala ou
Recife ou Lisboa.
- Marcos (1993): comunidade linguística
pressupõe a existência de uma demarcação
física que, em princípio, iria desde pequenos
núcleos territoriais até países ou áreas
supranacionais.
As comunidades e os (dia)letos: As concepções
de comunidade

BRASIL PORTUGAL
Banheiro Quarto de banho
Açougue / Açogueiro Talho / Talhante
Fila Bicha
Ônibus Autocarro
Trem Combóio
Toca-fitas Leitor de cassetes
Tela (de TV) Écran
Um "acontecimento" no Brasil... ....é um "facto" em Portugal
Terno Fato
Menino / garoto Puto
As comunidades e os (dia)letos
- Sentido de conteúdo e continente – Labov
(1989): Os falantes do inglês da Philadelphia são
membros de uma comunidade mais ampla dos
que falam o inglês americano, que por sua vez
são membros de uma comunidade mais ampla
dos falantes do inglês.
As comunidades e os (dia)letos
- Comunidade de comunicação – Dittmar (1997):
As relações comunicativas representam um
aspecto das relações sociais e portanto os
indivíduos em comunicação se tornam parceiros
(reais ou potenciais) de comunicação, na medida
em que formam uma unidade social que, por
sua vez, deve sua existência essencialmente à
comunidade linguística.
As comunidades e os (dia)letos
- Áreas linguísticas: Território onde se falam
muitas línguas que, embora não sejam
necessariamente relacionadas, têm um certo
número de traços em comum, como resultado
da difusão de inovações através de fronteiras
linguísticas.
As comunidades e os (dia)letos
- Os domínios - Fishman (1971): Trata-se de um
âmbito sociocultural que abrange as relações
entre os membros de um grupo e as situações
comunicativas, em função do instituído pelas
esferas de atividade de uma comunidade de
fala.
Exemplos: Família, religião, os círculos de
amigos, o emprego, a educação, entre outros.
As comunidades e os (dia)letos
- Os (dia)letos - Ronsard (1565): FALAR DE UMA
REGIÃO.
Exemplo:
Dialetos distintos são o português de Angola,
do Brasil, de Cabo Verde, de Portugal, entre
outros.
Carioca, cearense, caipira.
No próprio dialeto cearense: dentalização do
/t/ e do /d/ antes da vogal, na região do Cariri.
As comunidades e os (dia)letos
- A língua e os dialetos – Hudson (1984):
a) Tamanho: Os dialetos são partes ou
subconjuntos da língua.
b) Prestígio: Os dialetos em geral são variedades
menos prestigiosas do que a língua.
c) Mútua inteligibilidade: Se os falantes se
entendem, isso significa que estão usando a
mesma língua, mas não necessariamente o
mesmo dialeto.
As comunidades e os (dia)letos
• O sotaque e o dialeto: O sotaque se refere à
maneira como um falante pronuncia e, por
conseguinte, a uma variedade que é
foneticamente e/ou fonologicamente distinta
de outras variedades. O dialeto, por outro
lado, se refere a variedades que são
gramaticalmente (e talvez lexicalmente) tanto
quanto fonologicamente distintas de outras
variedades.
Os letos
• Todos os dialetos são estruturados,
complexos, governados por um sistema de
regras e adequados.
O idioleto
• Conceito: É a maneira de falar de um
indivíduo
O socioleto
• Conceito: Também denominado de dialeto
social, é o uso linguístico próprio de uma
classe ou categoria social específica. Dito de
outro modo, é um conjunto de traços
linguísticos empregados preferentemente por
um determinado estrato social.
O socioleto
• Hudson (1984): A fala das pessoas de uma
mesma classe social, em regiões diferentes, é
mais semelhante do que a fala das pessoas de
distintas classes sociais numa mesma área
territorial.
O tecnoleto
• Conceito: Trata-se da linguagem própria de
um domínio profissional.
Obs: Ocorre o sinônimo como “jargão”, sendo
atribuído “economês”, “pedagogês”.
Sistema Interpretativo de Registros Sócio-Semânticos (SOUZA:2006)
EXPRESSÕES MÉDICO PACIENTE
COMPREENSÃO USO COMPREENSÃO USO
1. Prisão de
ventre + + - -
2. Inturida
- - + +
3. Obstipação
+ + - -
4. Obstrução
intestinal + + - -
5.Sem fazê
cocô + - + +
6.C’as vias
tapada + - + +
7. A pôca
comida fai _ _ + +
morada e num
sai
O bioleto
• Conceito: Trata-se do uso linguístico diferenciado
em função das características da fase da vida
(ETOLETO ou SEXOLETO).
- ETOLETO: Refere-se às diferenças em função da
faixa etária.
- SEXOLETO – Labov (1992): Existe uma tendência
quase universal o fato de que as mulheres
procuram evitar as construções estigmatizadas e
privilegiam as formas de prestígio.
O interleto
• Relacionado aos processos de crioulização,
equivale, em última análise, ao conceito de
“língua franca”. O termo tem como
concorrentes os que ressaltam a noção de
“continuum linguístico”: o “mesoleto”, que
designa toda a zona de produções linguísticas
híbridas, o “acroleto” ou variedade superior e
o “basileto” ou variedade inferior.
O interleto
- “L'homme marchait assez tristement, ce matin
qu’il a plu » FRANCÊS

- “Nonm t'ap mache ase lapenn, se denmen


maten li plezi” CRIOULO HAITIANO
A Variação Linguística
• A variação inerente ao sistema – Labov (1972):
Numa língua que serve a uma comunidade
complexa (isto é, real), a ausência de
heterogeneidade estruturada é que seria
disfuncional.
A Variação Linguística
• As regras categóricas e variáveis: As primeiras
são invariantes e as segundas não são.
- Em romeno, o artigo se pospõe ao nome. Em
português, ocorre elipse do pronome pessoal:
“Amo Maria”, o que não ocorre em inglês: “**
love Mary” ou francês: “**aime Marie”.
A Variação Linguística
• A variável linguística: Duas ou mais formas
distintas de se transmitir um conteúdo
informativo constituem uma variável
linguística. As formas alternantes, expressam a
mesma coisa em um mesmo contexto.
- A primeira pessoa singular do indicativo
presente dos verbos dar, ser ou estar com ou
sem ditongo.
- Recife como /e/, /έ/, /i/.
A Variação Linguística
• Ao se observar a posição do adjetivo em
português, pode-se afirmar que entre “linda
mulher” e “mulher linda” somente existem
mudanças nos valores afetivos ou expressivos,
ao contrário de “grande mulher” para “mulher
grande”, existem outras diferenças
referenciais.
A Variação Linguística
• Para se abordar as possibilidades do emprego da
variação linguística ao nível sintático, é pensado o
fenômeno do “(de)queísmo” abordado por
Morales (1993):
a) Temo que ele venha
b) Tenho medo de que ele venha
Obs.: Em a) a oração subordinada funciona como
complemento verbal e em b) funciona como
complemento nominal, denotando maior
distanciamento e pouco compromisso.
A Variação Linguística

a) João necessita que lhe emprestem dinheiro

b) João tem necessidade de que lhe emprestem


dinheiro
A Variação Linguística
• As variantes de prestígio: Uma variante em geral
adquire prestígio, se for associada a um falante
ou grupo social de status considerado superior. E,
com isso, tal como se verifica na moda, pode
passar a ser imitada por outras pessoas de classe
inferior.
Exemplo: O /s/ implosivo ou chiante passou a
existir no dialeto carioca a partir de 1808, quando a
corte portuguesa fixou residência no Rio de Janeiro.
A Variação Linguística
• As variantes estigmatizadas: Um dos
preconceitos mais fortes numa sociedade de
classes é o que se instaura nos usos da
linguagem. Em todos os níveis linguísticos se
manifesta uma distância social presente em
variações como “vrido”, “pranta”, “expilicar”,
“musga”, entre outras. Além de construções
como “nós veve”, “ele viu eu”, “eu se danei”,
entre outras.
A Variação Linguística
• As variantes inovadoras e conservadoras:
Havendo duas ou mais formas de se transmitir
uma dada informação, se configure um
processo de mudança linguística. Há um
conflito entre uma forma “conservadora” e
uma forma “inovadora”.
Exemplo: A vocalização do /l/ pós-vocálico, no
português do Brasil como Alfredo e real, o /l/
atualmente se realiza como /w/.
A Variação Linguística
• Os estereótipos, indicadores e marcadores:
a) Estereótipos – Labov (1972): Formas linguísticas
socialmente marcadas, etiquetadas de maneira
ostensiva pela sociedade. Ou seja, são formas
que recebem uma forte estigmatização, cada vez
mais estranhas aos grupos que as censuram.
São, pois, variantes que constituem patrimônio
de um grupo específico e sobre as quais atuam
crenças.
Exemplo: Oxente, uai, ué.
A Variação Linguística
• Os estereótipos, indicadores e marcadores:
b) Indicadores: Traços linguísticos que
apresentam uma distribuição regular nos grupos
socioeconômicos, étnicos ou etários, mas são
utilizados pelo indivíduo mais ou menos da
maneira em todos os contextos.
A Variação Linguística
Exemplo: O pivete soltou uma raia e pocou a
catenga com uma chimbra da sua peteca.
A Variação Linguística
• Os estereótipos, indicadores e marcadores:
c) Marcadores: São variantes que apresentam
não só uma distribuição estilísticas, revelando
forte estratificação tanto com relação aos
grupos sociais como aos estilos. Ou seja, trata-se
de um indicador que pode ser alvo de
comentários desagradáveis.
A Variação Linguística
Exemplo: U pivete soltô uma rai i pocô a catenge
cum uma chimbra di sua peteca.