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Estudo de Caso:

Marina Komati Yoshida de Almeida

Faculdade São Lucas Porto Velho/RO - Dezembro 2012


Estudo de Caso
Paciente do sexo feminino, 46 anos, casada, do lar, reside em Porto Velho. Admitida na Unidade de Terapia
Intensiva (UTI) do Hospital de Base Dr. Ary Pinheiro após microcirurgia de tumor intracraniano. História
de etilismo, hepatite C, artrite reumatoide, doença de refluxo gastresofágico, síndrome de Sjögren, alérgica a
sulfa e dipirona.

Há nove meses teve início cefaleia constante, acompanhada de náuseas e vômitos, com piora significativa
nos últimos dois meses. Eventualmente, apresentava vertigens e visão embaçada. Após investigação, exames
mostraram uma lesão na região suprasselar do encéfalo, sugestiva de craniofaringioma, com indicação cirúrgica
de craniotomia.

No pré-operatório, segundo evoluções de enfermagens procedentes da Clínica Cirúrgica, encontrava-se


lúcida, orientada, eupneica, normotensa e afebril. Eliminações fisiológicas espontâneas. Deambulava com
auxílio, devido ao embaçamento na visão.

Após a cirurgia, no primeiro dia, foi encaminhada à UTI em sedação, apresentando escore de Ramsay 5
(Sedada, respondendo lentamente a estímulo auditivo alto e toque), sinais vitais estáveis, eupneica em ar
ambiente.
Estudo de Caso
Segundo dia de pós-operatório, sem sedação, se encontrava confusa, desorientada em tempo e espaço;
queria levantar-se da cama e ir para casa. Perguntava quem eram as pessoas (profissionais) ao seu redor.
Encontrava-se com sinais vitais estáveis (PA: 110/70, FC: 80, FR: 20, T:36,5° C), eupneica em ar ambiente
(Saturação: 97%). Apresentava ferida operatória em região frontopariental, com curativo em capacete e limpo
externamente, recebia soroterapia por acesso venoso central na jugular direita, sendo submetida à diurese por
sonda vesical de demora. As extremidades estavam aquecidas e perfundidas.

No terceiro dia, apresentou diabetes insípido, que ocasionou hipernatremia de difícil controle (Sódio: 165),
com início súbito de poliúria (Volume Urinário: 240 mL/hora, densidade urinária: 1.000 g/mL). Permaneceu
confusa, alternando períodos de letargia com períodos de agitação psicomotora, sendo que, em alguns
momentos, foi necessária a realização de contenção mecânica. Com isso, apresentava dificuldade de
compreensão das orientações de enfermagem e/ou demonstrava entendimento distorcido das orientações.
Muitas vezes, mostrava-se agressiva com a equipe.
Craniofaringioma
• Tumor da região selar - sela
túrcica ou turca

• Baixo ou incerto potencial de


malignização, ou malignidade
limítrofe.

• 3% dos tumores intracranianos

• Maior incidência em crianças

• Adultos entre 40 e 45 anos


Diabetes Insípido
• Excreção de grande volume de urina diluída - desidratação e hipernatremia

O paciente com hipernatremia pode apresentar:

• Confusão mental;

• Delírios;

• Alterações do comportamento;

• Fraqueza;

• Algias musculares;

• Letargia; e

• Coma.

O manejo do diabetes insípido inclui reposição hídrica e uso de desmopressina,


vasopressina sintética.
Síndrome de Sjögren
Desordem autoimune na qual as células imunes atacam e destroem as glândulas
exócrinas que produzem lágrimas e saliva.

• Henrik Sjögren (1899-1986),

A síndrome é também associada com distúrbios reumáticos como a artrite reumatóide


e é positiva para fator reumatóide em 90% dos casos. Os sintomas-chave da síndrome de
Sjögren são a xerostomia e olhos secos. Além disso, a síndrome de Sjögren pode causar
xerodermia, secura em nariz e vagina, podendo afetar outros órgãos do corpo, incluindo os
rins, vasos sanguíneos, pulmões, fígado, pâncreas e cérebro.

Nove em cada dez pessoas com a síndrome são mulheres e a idade média de início da
síndrome é o final da quarta década de vida.

No entanto, a síndrome pode ocorrer em todas as faixas etárias e em ambos os sexos.


Itens Identificados
• Percepções errôneas; • Uso de cateter venoso central;

• Sódio aumentado; • Uso de sonda vesical de demora;

• Débito urinário aumentado; • Presença de ferida operatória.

• Densidade urinária diminuída;

• Letargia transitória;
Foram identificados dois
• Agitação psicomotora transitória; diagnósticos prioritários para o
caso, os quais são apresentados,
• Flutuação na cognição; conforme as Necessidades
• Agressividade; Humanas Básicas de Horta, em
cada um dos seus grupos e
• Desorientação; subgrupo e conforme os
• Inquietação aumentada; domínios e as classes da
Taxonomia II da NANDA-I.
Diagnóstico de Enfermagem
CONFUSÃO AGUDA – Início abrupto de distúrbios reversíveis de consciência, atenção,
[cognição e percepção que ocorrem durante um breve período de tempo.
Necessidades Humanas Básicas de Horta:
Grupo: Necessidades Psicobiológicas
Subgrupo: Regulação Neurológica
Domínios da NANDA-I:
Domínio: Percepção/Cognição
Classe: Cognição

RISCO DE INFECÇÃO – Risco aumentado de ser invadido por organismos patogênicos.


Necessidades Humanas Básicas de Horta:
Grupo: Necessidades Psicobiológicas
Subgrupo: Segurança Física e Meio Ambiente
Domínios da NANDA-I:
Domínio: Segurança e Proteção
Classe: Infecção
Confusão Aguda
CONFUSÃO AGUDA relacionada a distúrbios hidroeletrolíticos, metabólicos
e neurológicos, evidenciada por agitação aumentada, flutuação na atividade
psicomotora, flutuação no nível de consciência, inquietação aumentada, percepções
errôneas, agressividade, desorientação, sódio aumentado, débito urinário
aumentado, densidade urinaria diminuída.

Etiologia 1: Distúrbios hidroeletrolíticos e metabólicos definidos como fatores


fisiopatológicos relacionados a hipoxia cerebral e/ou distúrbios no metabolismo
cerebral secundários a distúrbios hidroeletrolíticos, deficiências nutricionais,
distúrbios cardiovasculares, distúrbios respiratórios,, infecções, distúrbios
metabólicos e endócrinos, distúrbios do sistema nervoso central, doença
colagenosa e reumatoide.

Etiologia 2: Distúrbio neurológico definido como condições isoladas ou de


todo o sistema que resultam de comprometimento estrutural ou metabólico do
cérebro e de seu ambiente.
Intervenções/atividades de
enfermagem segundo a NIC
Controle do Delírio e • Manter grades no leito; urinários, conforme
Prevenção de Quedas • Realizar banho no leito. apropriado;
Domínio: Segurança • Orientar paciente e/ou
Classe: Controle de Risco Controle acidobásico familiares sobre as ações
• Informar o paciente sobre instituídas para tratar o
Domínio: Fisiológico: desequilíbrio acidobásico;
pessoa, lugar e tempo, se Complexo
necessário; • Monitorar ocorrência de
Classe: Controle perda ácida (p. ex.,
• Providenciar cuidadores Eletrolítico e Acidobásico
com quem o paciente vômito, eliminação
• Monitorar condição nasogástrica, diarreia e
esteja familiarizado; neurológica (p. ex., nível diurese);
• Encorajar visitas de de consciência e
pessoas significativas, • Observar sinais de sedação
confusão); e lentificação;
conforme apropriado; • Monitorar padrão
• Comunicar-se com • Monitorar resultados de
respiratório; exames laboratoriais;
enunciados simples, • Monitorar gasometria
diretos e descritivos; • Realizar balanço hídrico.
arterial e níveis de
• Monitorar a movimentação eletrólitos séricos e
do paciente;
Intervenções/atividades de
enfermagem segundo a NIC
Contenção Física • Oferecer conforto intervenção ao paciente e
Domínio: Fisiológico: psicológico ao paciente; às pessoas significativas,
Básico • Posicionar o paciente em temos compreensíveis
Classe: Controle da facilitando o conforto; e não punitivos;
Imobilidade • Proporcionar um ambiente • Vigiar risco de agressão.
• Proporcionar um nível privativo, ainda que
apropriado de supervisionado de maneira
supervisão/vigilância para adequada, em situações em
monitorar o paciente e que sua dignidade possa
possibilitar as ações estar diminuída devido ao
terapêuticas, conforme uso de recursos de
necessário; contenção física;
• Usar formas adequadas de • Informar ao paciente e às
contenção para limitar pessoas significativas os
manualmente o paciente comportamentos que
em situações de precisam de intervenção;
emergência ou durante o • Explicar o procedimento,
transporte; finalidade e o tempo da
Risco de Infecção
RISCO DE INFECÇÃO relacionado a procedimento invasivo (cirurgia,
cateter venoso central e sonda vesical de demora).

Fatores de Risco: Procedimentos invasivos é um fator de risco extrínseco ou


agressão externa que causa rompimento de barreira fisiológica. Exemplo:
cirurgias, cateteres, drenos, ventiladores mecânicos, sondas, entre outros.
Intervenções/atividades de
enfermagem segundo a NIC
Controle de Infecção Cuidados com Lesões Cuidados com Sondas:
Domínio: Segurança Domínio: Fisiológico: Urinário
Classe: Controle de Risco Complexo Domínio: Fisiológico:
• Lavar as mãos antes e após Classe: Controle de Básico
cada atividade de cuidado Pele/Feridas Classe: Controle da
ao paciente; • Monitorar as Eliminação
• Instituir precauções características da lesão, • Registrara as
universais; inclusive drenagem, cor características da
• Promover ingestão tamanho e odor; drenagem urinaria;
nutricional adequada; • Aplicar curativo adequado • Esvaziar o sistema de
• Observar sinais de Celso; ao tipo de lesão; drenagem urinária a
• Avaliar aspecto da ferida intervalos específicos;
• Implementar cuidados no
manuseio de cateter operatória; • Limpar a área de pele
venoso central; • Observar condições de circunjacente, a intervalos
suturas. regulares;
• Implementar cuidados com
a troca de curativos. • Avaliar a possibilidade de
retirada da sonda vesical;
• Realizar higiene perineal.
Evolução
A orientação cognitiva da paciente se apresentava, inicialmente, muito comprometida e
evoluiu para levemente comprometida; quanto a obediência a comandos, a paciente se
encontrava muito comprometida e evoluiu para não comprometida; em relação ao sódio
sérico e à densidade específica urinária, evoluiu de desvio grave da variação normal para
nenhum desvio da variação normal; quanto ao controle de quedas, a indicação de colocação
de barreiras para prevenção e o uso de procedimento seguros de transferência atingiram o
objetivo pela persistência da equipe e constante supervisão.

No momento da alta, a paciente se encontrava em


boas condições clínicas e cirúrgicas, porem ainda em
recuperação da condição neurológica referente à
cognição.
Referências
1. BENEDET, A.S.; BUB, M.B.C. Manual de diagnostico de enfermagem: uma abordagem baseada na teoria de
necessidades humanas básicas e na classificação diagnostica da NANDA. 2. Ed. Florianópolis: Bernuncia,
2001.

2. BULECHEK, G.M.; BUTCHER, H.K.; DOCHTERMAN, J.M. Classificação das intervenções de enfermagem
(NIC). 5. Ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.

3. HORTA, W.A. Processo de enfermagem. São Paulo: EPU, 1979.

4. MAKARIUS, N.A.; MCFARLANE, S.L. Diabetes insipidus: diagnosis and treatment of a complex disease.
Cleve Clin J Med. 2006;73(1):65-71. Disponível em: < http://www.ccjm.org/content/73/1/65.full.pdf>. Acesso em:
dezembro-2012.

5. NANDA International. Diagnósticos de enfermagem da NANDA: definições e classificação 2009-2011. Porto


Alegre: Artmed, 2010.

6. SMELTZER, S.C.; BARE, B.G.; CRUZ, I.C.F.; CABRAL, I.E.; LISBOA, M.T.L.; FIGUEIREIDO, J.E.F.
Brunner & Suddarth: tratado de enfermagem médico-cirúrgica. 10. Ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,
2005.

7. YIN, R.K. Estudo de caso: planejamento e métodos. 4. Ed. Porto Alegre: Bookman, 2010.

8. ZANTUT-WITTMANN, D.E.; GARMES, H.M.; PANZAN, A.D.; LIMA, M.O.; BAPTISTA, M.T.M. Severe
rhabdomyolysis due to adipsic hypernatremia after craniopharyngioma surgery. Arq Bras Endocrinol Metab.
2007;51(7):1175-9. Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/abem/v51n7/a23v51n7.pdf>. Acesso em: dezembro-
2012.

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