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TÉCNICAS DE CODIFICAÇÃO DE SINAIS

CÓDIGOS DE BLOCO

Evelio M. G. Fernández - 2009


Código de Bloco Linear
Sejam:

Vn: espaço vetorial das n-uplas a1 , a2 ,, an V , ai  F  0,1,, q 1, q  p , p
m

primo, m inteiro.
S = Subespaço de Vn, Dim(S) = k.
DEF: Código linear C:
C é um código linear  C = S sub Vn.
C : v  a1 , a2 ,, an  / v  S , S sub Vn 
v = palavra-código.
Se S tem Dim(S) = k
 C: (n, k).
k = comprimento da informação em dígitos.
n = comprimento da palavra código em dígitos.
Código Dual de C(n, k)

É o código linear C’ associado ao espaço nulo S’ de S (SS’)  C’:


(n, n – k), [pois Dim(Vn) = Dim(S) + Dim(S’)].

EX: Dado S = {000, 111, 101, 010}, determine:


- S’ / S’S.
- Dim(S) e Dim(S’).
- Código C associado a S’.
- Código dual C’ associado a S’.
- Matriz geradora de S (código C)
- Matriz geradora de S’ (código C’).
- C: (n, k) = ?
- C’ = (?)
Matriz Geradora, G

DEF: Matriz G geradora de um código linear C:


As linhas (n-uplas) de G formam uma base para S sub Vn.
Dim(S) = k  G k n e rank(G) = k.

DEF: Equação de codificação:


Uma palavra código v  C: (n, k) corresponde a uma combinação linear
das linhas da matriz geradora de C.

Codificador
linear
u v = uG
u = [u1, u2, ..., uk]: vetor informação.
v = [v1, v2, ..., vk]: palavra código.
G: Matriz geradora de C: (n, k).
Matriz de Verificação de Paridade, H

DEF: Matriz H de paridade de um código linear C.

Seja C  S Sub Vn com Dim(S) = k. As linhas (n-uplas) de H formam uma


base para S’ = espaço nulo de G. S’ é o espaço das linhas de H.
- Se Dim(S) = k  Código C: (n, k)  Dim(S’) = n – k; S’S.
 H é uma matriz n  k  n e rank(H) = n – k = no de linhas L.I. de H.

A matriz geradora de C’ dual de C é equivalente à matriz H (obtida por operações


lineares sobre as linhas).
Códigos Duais

Seja C = Subespaço de V com Dim(S) = k. Então o seu código dual C’ = S’, Subespaço
de V onde S’S, Dim(S’) = n – k  C’: (n, n – k). Se G gera o código C, G’  H (matriz
de paridade de C) gera o código C’ dual de C.

Então: GGT  0
ou G HT  0 equação de verificação de paridade do código C.

Seja C: (n, k) com matriz geradora G k n e matriz de paridade H nkn .


Então:
C = espaço das linhas de G ou espaço nulo de H.
C’: Dual de C = espaço das linhas de H ou espaço nulo de G.
Condição necessária e suficiente para v  G,

v  H T  0
Códigos Equivalentes

A matriz geradora de um código equivalente a um código C, é obtida por


permutações de colunas da matriz G geradora de C. Códigos equivalentes apresentam
a mesma probabilidade de erro PE em canais DMC.

Código Sistemático:
1 0 0  0 | p11 p12  p1,nk 
0 1 0  0 | p21 p22  p2,nk 

G  0
*
0 1  0 | p31 p32  p3,nk 
 
     |     
0 0 0  1 | pk1 pk 2  pk ,nk 

 I k  Pk ,n

Teorema 3.2 (P & W):


Todo código linear é equivalente a um código sistemático.
Códigos Sistemáticos

Teorema 3.3 (P & W).

Seja C* o espaço das linhas de G* = [Ik | P], então C* é o espaço nulo da


matriz,
 
 
H*     PT | I nk 
inversona adição 
modulo q para 
 código q -ario 

Isto é: G *  H   0k , nk


T
Peso de Hamming
Teorema 3.1 (P & W).
Seja C:(n, k) um código linear que é o espaço nulo de uma matriz H (matriz de
verificação de paridade de C). Então para cada palavra-código de peso de Hamming
igual a w, existem em correspondência w colunas L.D. em H e vice-versa. (para w
colunas L.D.   palavra código de peso = w).

DEF: Peso de Hamming.


No de dígitos diferentes de zero em uma n-upla, sobre GF(q).
EX: PH(10110) = ?
PH(20120) = ?

Corolário 3.1 (P & W):


Um código de bloco C, que é o espaço nulo de uma matriz H, tem distância
mínima igual a w se e somente se todas as combinações de (w – 1) colunas de H ou
menos, são L.I.
Singleton Bound

• A distância mínima de qualquer código de bloco (n, k) satisfaz,

dmin  n  k  1

• Códigos cuja distância mínima cumpre com,

dmin  n  k  1

são chamados de códigos de distância máxima (MDS: maximum-


distance separable codes)
Arranjo Padrão (Standard Array)

Seja um código linear C:(n, k) de matriz geradora [G]k,n e matriz de paridade [H]n – k, n.
Seja vi  C; vi = palavra código de C, i = 1, 2, ..., qk.
 
 C  v1  0, v1 ,, v qk e seja gj  V; gj = n-upla do espaço vetorial Vn; j = 1, 2, ...,

qn. O arranjo padrão para o código C é um arranjo especial de todas as n-uplas de Vn.
v1  0 v2 v3  vqk
g1 + v1  g1 g1 + v2 g1 + v3  g1 + vqk
g2 + v2  g2 g2 + v2 g2 + v3  g2 + vqk
: : :  : qn-k linhas (cosets).
: : :  :

Líderes dos cosets qk colunas.


# palavras códigos = qk.
# cosets = qn-k.
# elementos arranjo padrão = qn (total de n-uplas de Vn).
Arranjo Padrão para Códigos Binários
Sistema Codificado (simplificado)

Codificador Canal Decodificador


u v Ruidoso r û

v = palavra código de C: (n, k) (n-upla q-ária).


r = vetor recebido após canal com ruído (n-upla q-ária).
 (v, r)  Vn.

DEF: Padrão de erro:


e = r – v (n-upla q-ária).

Teorema 3.5 (P & W):


Se o arranjo padrão for usado como tabela de decodificação de um código de bloco C,
então um vetor recebido r, r  Vn será decodificado corretamente na palavra código
transmitida v se e somente se o padrão de erro e = r – v for líder de coset.
Síndrome

DEF: Síndrome:
A síndrome de um vetor recebido r é o vetor de (n – k) dígitos:
s  rH T
onde: [H]n – k, n = matriz de paridade do código C.
[r]1, n = n-upla recebida.
[s]1, n – k = síndrome de r.

Propriedade: A síndrome de v  C é o vetor zero:

s  vH T  0  v  {espaço nulo de H}  {espaço das linhas de G}


Síndrome
Teorema 3.6 (P & W): Dois vetores ri e rg estão no mesmo coset se e somente se
suas síndromes forem iguais.
v1  0 v2 v3  vqk

r1 = e r2 = v2 + e r3 = v3 + e  rqk = vqk + e s

s  eH T  r 2 H T  r 3 H T    r qk H T

“Cada síndrome distinta corresponde a apenas 1 padrão de erro e”.


 # síndromes = # cosets = # padrões de erro = q nk .

DEF: Potencialidade de correção de erro.


 d  1
t   min 
 2 
t = peso (máximo) dos padrões de erro corrigíveis.
Tabela de Síndromes como Tabela de Decodificação

Procedimento: s e
s1 e1
r  si = rHT
s2 e2
si  ei  
Palavra decodificada: vi = r – ei s qnk e qnk

Teorema 3.7 (P & W): Supondo palavras código equiprováveis, a probabilidade média de
decodificação correta PC, é máxima se a tabela de decodificação (“decodificação ótima”) for
o arranjo padrão que tiver em cada coset o vetor de menor peso como o líder de coset.
Propriedade:

PC   0Q n  1 pQ n1   2 p 2Q n2  

 i = # de líderes de coset com peso = i.


p = probabilidade de transição do BSC.
Q=1–p
Exemplo: Decodificador de um Código (6, 3)

s  rH T
1 0 0
0 1 0

0 0 1
s  r1 r2 r3 r4 r5 r6  
1 1 0
0 1 1
 
1 0 1
s1  r1  r4  r6
s 2  r2  r4  r5
s 3  r3  r5  r6
Tipos de Decodificadores

• Três possíveis resultados da decodificação:


1. Decodificação correta, ĉ = c
2. Erro não corrigível detectado, c = indefinido
3. Erro de decodificação, ĉ ≠ c

• Decodificação completa: Toda palavra recebida


é decodificada em alguma palavra-código

• Decodificação incompleta (bounded-distance


decoding): Correção de todos os padrões de erro
de peso ≥ t.
Códigos Perfeitos e Códigos Ótimos

DEF: Código Perfeito


Os líderes de cosets de seu arranjo padrão correspondem a todos os padrões de erro
de peso  t.

DEF: Códigos quase-perfeitos:


Os líderes de cosets correspondem a todos os padrões de erro de peso t ou menos,
alguns de peso t + 1 e nenhum de peso maior.

DEF: Código ótimo para canal BSC:


Um código binário de grupo é “ótimo” para canal BSC se a sua probabilidade de
erro PE é a menor possível para os mesmos valores de n e k.

Propriedade:
Todo código quase-perfeito (quando existir para dados n e k) se constitui em um
código ótimo.
Exemplos de Códigos de Bloco

A) Códigos Cíclicos.
B) Códigos de paridade simples (altas taxas)
C: (k + 1, k) ou (n, n – 1)
 d  1
dmin = 2  t   min   0
 2 
“sem potencialidade de correção (t = 0) são usados em esquemas de detecção
de erro simples”.
C) Códigos de repetição simples (baixas taxas)
C: (n, 1)  R = 1/n
dmin = n
Exemplos de Códigos de Bloco

D) Códigos de Hamming Binários (Hamming, 1950).



C : 2 m  1, 2 m  1  m 
n  2m 1 e k = n – m
m = n – k dígitos de verificação de paridade
São códigos cujos Hmxn:  colunas correspondem as m-uplas  0 (# m-uplas = 2m – 1)
 3  1
dmin = 3, independe de m t     1  correção de erros simples
 2 
São códigos perfeitos.
E) Códigos de Hamming q-ários (dmin = 3)
Para GF(q) e dado m
q m 1
 C: (n, k); n  k=n–m dmin = 3  t = 1
q 1
São códigos para correção de erros simples (t = 1).
Exemplos de Códigos de Bloco
F) Códigos de Hamming incompletos (códigos de Hamming com dmin = 3 e n )
Dado n qualquer e m = menor inteiro tal que:

2m 1  n
 C: (n, n – m) e dmin = 3
Construção: Consiste em apagar colunas do código de Hamming de mesmo valor de m.
G) Código de Hamming com paridade nos bits (dmin = 4)
Dado m qualquer são códigos com n  2m e m + 1 dígitos de paridade 

 
C : 2m , 2m  m 1 .
Construção:
0 Matriz H do 
 cód. Hamm. para  
0
H   
 o dado valor de m 
1 1 1 

OBS: São conhecidos como os códigos quase-perfeitos de Hamming.
Exemplos de Códigos de Bloco
H) Códigos de Hamming com dmin = 4 e n .

Dado n qualquer e m = menor inteiro tal que 2m 1  n


 C: (n, n – m); dmin = 4
Construção: Consiste em apagar colunas do código de Hamming com paridade nos bits
e mesmo valor de m.
I) Código de Golay (dmin = 7).
 23   23   23   23  11
            2
0 1 2 3
corrige todos os padrões de erro de peso t = 1, 2 e 3  é código perfeito C: (23, 12).
J) Códigos ótimos para BSC.
Alguns códigos quase-perfeitos e portanto ótimos:
a) Repetição simples com n = par (dmin = n)
b) Código de Hamming com bit de paridade (dmin = 4)
c) Código de Hamming incompletos (n) (dmin = 3)
d) BCH (Bose – Chaudhuri – Hocquenghem)
Espectro de Pesos para Códigos de Bloco

Seja C: (n, k) um código de bloco. Seja Ai = No de palavras código de peso “i”,


DEF:
{Ai; i = 0, 1, 2, ..., n} = espectro de pesos ou distribuição de pesos de C
(‘weight spectrum’, ‘weight distribution’)
Aplicação: determinação da probabilidade de erro não detectável de C.
DEF: Erro não detectável:
Padrão de erro = palavra código não zero (para código não linear).
DEF: Probabilidade de não detecção Pnd,
n
Pnd   Ai p i 1  p 
n i

i 1

p = probabilidade de transição do canal BSC.


Identidades de MacWilliams

Sejam: {A0, A1, ..., An} = espectro de pesos C e {B0, B1, ..., Bn} = espectro
de pesos de C’C.
Representação polinomial:
Az   A0  A1 z    An z n
Bz   B0  B1 z    Bn z n

OBS: Idéia: calcular Ai a partir dos Bi.

n 1 z 
Az   2 n  k  1  z  B  → Identidade de MacWilliams
1 z 
Códigos de Bloco Lineares Modificados
• Comprimento de bloco de projeto de um código: determinado
por propriedades algébricas e combinacionais de matrizes ou
polinômios.
• Comprimento de bloco desejado: frequentemente diferente do
comprimento de bloco de projeto.
Exemplo:
• Comprimento de bloco de projeto de um código de Hamming:
n = 2m  1 (7, 15, 31, ...)
• Número de bits de informação pode não ser k = 2m  1  m (4,
11, 26, ...)
Existem seis formas de modificar parâmetros de um código de
bloco linear (n, k, n  k)
Códigos Encurtados (Shortened Codes)

• Encurtar: n  k fixo, diminuir k e, portanto, n.


• Símbolos de informação são apagados para se obter um
comprimento de bloco menor do que o comprimento de
projeto.
• Os símbolos que serão apagados são supostos como sendo
zeros das palavras-códigos
• Exemplo: Pacotes Ethernet têm no máximo 1500 bytes de
dados ou 12000 bits. O checksum Ethernet de 32 bits
provem de um código de Hamming com n = 232  1 =
4294967295 bits ou 536870907 bytes.
Códigos Encurtados: Exemplo
• Um código de Hamming binário (15, 11) tem a seguinte
matriz de verificação de paridade,

1 0 0 0 1 0 0 1 1 0 1 0 1 1 1
0 1 0 0 1 1 0 1 0 1 1 1 1 0 0
H 
0 0 1 0 0 1 1 0 1 0 1 1 1 1 0
 
0 0 0 1 0 0 1 1 0 1 0 1 1 1 1

• Um código encurtado (12, 8) pode ser obtido apagando as


colunas de peso máximo 12, 13, e 14 da matriz H.
1 0 0 0 1 0 0 1 1 0 1 1
0 1 0 0 1 1 0 1 0 1 1 0
H 
0 0 1 0 0 1 1 0 1 0 1 0
 
0 0 0 1 0 0 1 1 0 1 0 1
Códigos Alongados (Lengthened Codes)
• Alongar: n  k fixo, aumentar k e, portanto, n.
• Novos símbolos de informação são introduzidos e incluídos
nas equações de paridade.
• Exemplo: Códigos de Reed-Solomon estendidos obtidos
alongando códigos RS(Q  1, k) para códigos RS(Q +1, k
+2) adicionando duas coluna à matriz H,

1   2   Q2  1 0 1  2   Q2 
   
1  2
 4
  2 Q  2   0 0 1 2 4   2 Q  2  
H   H  
             
 d Q  2    d Q  2  
1      0 1 1 d  2d   
d 2d
Códigos Expurgados (Expurgated Codes)

• Expurgar: n fixo, diminuir k e incrementar n  k.


• Palavras-código são apagadas adicionando equações de
paridade, reduzindo a dimensão do código. Objetivo:
aumentar a capacidade de correção de erros.
• Exemplo: O código BCH (15, 7) pode ser obtido a partir do
código de Hamming (15, 11) adicionando quatro linhas à
matriz H. A matriz de verificação de paridade é,

 H   1   2  3  4   12  13  14 
 H   1  3  6  9  12   36  39  42 
Códigos Aumentados (Augmented Codes)

• Aumentar: n fixo, aumentar k e diminuir n  k.


• Incluir novos vetores na base (novas linhas na matriz geradora). Isto
aumenta a taxa do código e (possivelmente) diminui a distância mínima.
• Exemplo: Matrizes geradoras de códigos de Reed-Muller, R(r, m) são
definidas por
G0 
G 
G   1
 
 
Gr 
m
• Submatrix Gi tem   linhas e n = 2m colunas. O número de bits de
i
informação é,
 m  m  m
k           
0 1 r
• A distância mínima é 2m  r
Códigos Expandidos (Espanded Codes)

• Expandir: k fixo, aumentar n  k e n.

• Incluir novos símbolos de paridade com as correspondentes equações de


paridade.

• Exemplo: Códigos de Hamming estendidos (códigos de Hamming com


paridade nos bits). Isto aumenta a distância mínima para 4.

• Quando a distância mínima de um código de bloco binário linear é


ímpar, adicionar paridade sobre todos os bits incrementa a distância
mínima em 1.

• Exemplo: Código de Golay (23, 12), dmin = 7 (código perfeito). Uma


equação de paridade sobre todos os bits incrementa dmin para 8.

• O código de Golay estendido com parâmetros (24, 12, 8) foi usado para
correção de erros nas missões espaciais Voyager I e II.
Códigos Puncionados (Punctured Codes)

• Puncionar: k fixo, diminuir n  k e, portanto, n.


• Apagar símbolos de paridade pode reduzir a distância
mínima.
• Porém, códigos puncionados podem corrigir a grande
maioria dos erros corrigíveis pelo código original.
• Puncionar pode reduzir a distância mínima mas não reduz
significativamente o desempenho do código.
• Códigos puncionados podem ser obtidos a partir de códigos
simples que tenham muita redundância.
Modificação de Códigos de Bloco Lineares: Resumo

• Encurtar: Apagar símbolos de informação


n  k fixo, k   n 
• Alongar: Adicionar símbolos de informação
n  k fixo, k   n 

• Expurgar: Apagar palavras-código, adicionar símbolos de paridade


n fixo, k   n  k 

• Aumentar: Adicionar palavras-código, apagar equações de paridade


n fixo, k   n  k 

• Expandir (estender): Adicionar símbolos de paridade


k fixo, n  k   n 

• Puncionar: Apagar símbolos de paridade


k fixo, n  k   n 