Você está na página 1de 127

CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Sétimo Módulo:

Violência Sexual

Evelyn Eisenstein
Prof. Associada
de Pediatria e Clínica de Adolescentes
FCM-UERJ
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Abandono
Problemas de aprendizado
VIOLÊNCIA & Desnutrição
Depressão
Crianças de rua
Dissociação MAUS TRATOS
Institucionalização
Abuso de álcool e drogas
Bullying na escola
Sinais e sintomas clínicos
Conflitos armados
Auto agressão e risco de suicídio
Riscos comportamentais

ESTRESSE CRIANÇAS &


VIOLÊNCIA SEXUAL
PÓS-TRAUMÁTICO ADOLESCENTES

Violência física
Pornografia Violência emocional
Turismo sexual Assédio sexual
Tráfico sexual EXPLORAÇÃO Incesto, pedofilia
Trabalho ilegal SEXUAL Violência intra familiar
Abuso na Internet Negligência
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Fatores de Risco - Definição

 Toda a realidade de eventos negativos e estressores de vida e


que, quando presentes, aumentam a probabilidade do
indivíduo apresentar problemas físicos, sociais, emocionais e
comportamentais.
 Individuais
 Relacionamento
 Comunidade
 Sociedade
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

SOCIEDADE •Normas sociais


•Desigualdade econômica
•Falta de suporte social

COMUNIDADE •Vizinhança
•Escola
•Trabalho
RELACIONAMENTO
INDIVIDUAL
•Família
•Amigos
INDIVIDUAL

•Variáveis biológicas
•Idade
•Sexo
•História Pessoal
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Tipos de Violência

Físico Psicológico Sexual Negligência


CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

ABUSOS ou MAUS-TRATOS são:


• Termos que definem todas as formas de maus tratos físicos
e/ou emocionais, abuso sexual, negligência, tratamento
negligente ou exploração comercial ou, ainda, qualquer outro
tipo de exploração que resulte em danos reais ou potenciais à
saúde, ao desenvolvimento, à sobrevivência ou à dignidade da
criança e do adolescente no contexto de uma relação de
responsabilidade, poder ou confiança (OMS, ISPCAN).

• O termo “abuso” é substituído por “violência” pelo


Ministério da Saúde, acessar os documentos: Linha de Cuidado
para Atenção Integral `a Saúde de Crianças e de Adolescentes
e suas Famílias em Situação de Violências – Orientação para
Gestores e Profissionais de Saúde, Diretrizes Nacionais e outros
manuais do MS, acessar: www.bvsms.saude.gov.br/bvs e
www.adolec.br e vídeos no YOUTUBE
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

VIOLÊNCIA FÍSICA

• Resulta em danos físicos reais ou potenciais devido a uma


interação ou falta de interação que deveria estar sob controle
de um dos pais ou da pessoa em posição de responsabilidade,
poder ou confiança. Podem existir episódios repetitivos ou um
único incidente.
• A principal diferença que necessita ser feita, nesta área, é
entre a violência e a LESÃO NÃO-INTENCIONAL, ou sinais e
sintomas semelhantes à lesão intencional, mas que são, de
fato, causados ou facilitados por condições orgânicas
presentes na criança.
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

VIOLÊNCIA EMOCIONAL

• Violência emocional refere-se à relação entre o cuidador(¹) e a


criança ou adolescente, cujas interações são potencial ou
realmente danosas para a criança ou adolescente.
• Isto engloba interações que são inapropriadas, insuficientes ou
inconsistentes em termos do desenvolvimento emocional da
criança ou adolescente, e inclui: a exposição a eventos
traumáticos ou que causam confusão na inter-relação
emocional (ex.: violência familiar); o uso da criança ou
adolescente para a satisfação das necessidades psicológicas da
pessoa que cuida; a corrupção ativa da criança ou adolescente
ou a falta e/ou dificuldades na promoção da adaptação social
da criança ou adolescente (ex.: isolamento).
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

VIOLÊNCIA EMOCIONAL

• Inclui a falta ou a carência em prover um ambiente ou contexto


que seja apropriado para o desenvolvimento ou que sirva de
apoio à criança e ao adolescente.
• A violência emocional ocorre, também, quando existir a falta de
uma pessoa com um vínculo primário para a criança ou
adolescente poder desenvolver suas competências emocionais
e sociais de uma maneira estável e completa, de acordo com
seus potenciais pessoais, dentro do contexto ou da sociedade
em que esta criança vive e se desenvolve.
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

VIOLÊNCIA EMOCIONAL

• Pode, também, haver atos contra a criança ou adolescente que


causam ou têm grande probabilidade de causar danos para a
sua saúde e/ou seu desenvolvimento físico, mental, espiritual,
moral ou social. Estes atos devem estar dentro de um razoável
controle dos pais ou da pessoa que tem a relação de
responsabilidade, confiança ou poder.
• Tais atos incluem a restrição do movimento, padrões de
menosprezo, humilhação, usar a criança como bode expiatório,
ameaçar, assustar, discriminar, ridicularizar ou outras formas
não físicas de tratamento hostil ou de rejeição, através de
gestos ou palavras de menosprezo.
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

VIOLÊNCIA EMOCIONAL

• Essa forma de violência não requer o contato físico entre a


criança e o cuidador * responsável pelo ato de agressão
emocional.

(*) Cuidador: alguém que está no papel permanente ou temporário de


cuidados (ex.: pai ou mãe, companheiro/a que mora na mesma casa, avô/avó,
padrasto/madrasta, pai e/ou mãe com tutela ou guardião legal, babá,
professor(a), ou líder de grupo recreativo). O termo “cuidador” é usado aqui
para descrever um pai e/ou mãe, um membro familiar ou qualquer outro
individuo que está cuidando da criança, mesmo durante um curto espaço de
tempo (ex.: empregado/a doméstico ou babá).
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

VIOLÊNCIA SEXUAL

• É o envolvimento da criança ou adolescente em atividade


sexual do qual ele/ela é incapaz de dar consentimento
informado, ou para a qual, a criança ou adolescente não tem
preparo, em termos de desenvolvimento mental para dar
consentimento, ou que viola as leis ou os tabus sociais de uma
sociedade.
• É considerado violência sexual qualquer atividade de
conotação ou ato sexual em menores de 14 anos (estupro de
vulnerável, na lei brasileira)
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

VIOLÊNCIA SEXUAL
• A violência sexual de uma criança ou adolescente é evidenciada
por uma atividade entre uma criança e um adulto, ou entre uma
criança e um adolescente que, por idade ou desenvolvimento,
está em relação de responsabilidade, confiança ou poder. A
violência tem a intenção de gratificar ou satisfazer as
necessidades da outra pessoa. Isto pode incluir, mas não se
limitar:
• A indução ou coerção da criança ou adolescente em se comprometer em qualquer
atividade sexual considerada ilegal;
• Ao uso explorador ou aproveitador da criança ou adolescente na prostituição
(exploração comercial sexual) ou em outras práticas sexuais ilegais;
• O uso explorador ou aproveitador da criança ou adolescente em materiais ou
performances pornográficas;
• É importante distinguir aqui entre o comportamento normativo, que é apropriado
para idade na descoberta corporal ou sexual, principalmente, em adolescentes, do
comportamento que é abusivo.
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

EXPLORAÇÃO COMERCIAL SEXUAL


• É a indução, coerção, ou utilização da criança ou adolescente
no trabalho ilegal ou em outras atividades sexuais, para o
benefício de outras pessoas, incluindo a prática de atividades
sexuais ilegais, prostituição, práticas de pornografia ou o uso
em materiais pornográficos, mediante pagamento ou para
finalidades lucrativas ou comerciais, criando uma dependência
e submissão ao poder econômico ou como uma alternativa de
sobrevivência social.
• Muitas crianças e adolescentes são vítimas das redes do tráfico
de drogas ou de armas, ou usados no turismo sexual ou
levados ao exterior, para exploração sexual, também por redes
de pedofilia ou de prostituição internacional.
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

TRÁFICO SEXUAL

• Tráfico de crianças e adolescentes é o recrutamento,


transporte, transferência, ou o ato de albergar, asilar ou
permanecer com a guarda de qualquer criança ou adolescente
com a finalidade de exploração, prostituição, ou qualquer
forma de comercialização sexual, trabalho ou serviços forçados,
escravidão ou práticas similares à escravidão, submissão ou
encaminhamento para remoção de órgãos.
• Crianças ou adolescentes mais vulneráveis a esse tipo de abuso,
geralmente são de segmentos mais pobres ou mais
marginalizados de um grupo social, e que sofrem exclusão,
devido a questões étnicas, religiosas, políticas ou econômicas.
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

ASSÉDIO SEXUAL

• São as aproximações sexuais indesejáveis que criam


intimidação no ambiente da escola, ou trabalho, relacionadas
ao uso do poder ou da coerção para se alcançar a submissão
ou favores sexuais em troca de melhoria das condições de
progresso acadêmico ou do emprego individual.
• O assédio sexual expõe as mulheres, principalmente quando
adolescentes, à humilhação e ao constrangimento, criando
situações de impasse devido à dependência escolar ou
econômica.
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

INCESTO

• É a relação sexual que ocorre entre parentes consanguíneos


(pai/mãe e filho/a, irmão e irmã, avô e neto(a), extensível a
padrasto e enteada ou entre filhos de outros casamentos), ou
qualquer relação de caráter sexual entre um adulto e uma
criança ou adolescente com o qual o adulto tenha algum laço
familiar, direto ou não, ou mesmo numa relação de
responsabilidade.
• A confiança e a inocência da criança, contra a autoridade e o
poder do adulto, fazem do incesto um crime previsto em lei, na
maioria dos países, inclusive o Brasil.
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

INCESTO

• Muitas famílias são incestuosas pois os limites inter-pessoais, o


espaço físico pessoal ou a privacidade individual não são
observados, encontrando-se confusos e misturados ou
promíscuos, numa trama familiar perversa e economicamente
dependente.
• Muitas atividades incestuosas ocorrem por familiares dormirem
juntos ou dividirem a mesma cama ou espaço de convívio em
habitações insalubres ou por falta de espaço individual e
privacidade.
• Tanto adolescentes do sexo feminino como do sexo masculino
são vítimas e traumatizados pelos episódios de incesto familiar
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

PEDOFILIA

• É a atração ou preferência sexual por crianças ou adolescentes


menores de 14 anos, e inclui adultos que exploram crianças ou
adolescentes sexualmente. São adultos com transtorno de
personalidade que fazem parte das parafilias (transtornos
mentais) um interesse perverso, sexual, específico, e focalizado
em crianças ou adolescentes em crescimento.
• Alguns restringem as suas fantasias sexuais, mas outros são
impulsivos e se tornam violentos, podendo ser “sedutores”,
“introvertidos e passivo-agressivos” ou “sádicos”, pois sentem
prazer sexual na dor que causam às suas vítimas, podendo
inclusive assassiná-las.
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

PEDOFILIA

• Muitos pedófilos exploram suas vítimas comercialmente, por


meio da prostituição ou da pornografia e, também usam as
redes de internet para estes fins, o que lhes garantia
anonimato. Atualmente a fiscalização das redes de internet é
mais rigorosa e deve-se denunciar qualquer suspeita para o
sitio eletrônico:
http://www.denunciar.org.br

OU DISQUE DENÚNCIA: 100


CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

NEGLIGÊNCIA

• Negligência é a desatenção, abandono ou omissão da parte do


cuidador em prover o desenvolvimento da criança ou
adolescente em todas as esferas: saúde, educação,
desenvolvimento emocional-afetivo, nutrição, abrigo ou
condições de vida saudáveis e seguras, no contexto de
recursos razoavelmente disponíveis para a família.
• A negligência pode causar, ou tem grande probabilidade de
causar, danos à saúde e ao desenvolvimento físico, mental,
espiritual, moral ou social da criança ou do adolescente. Isto
inclui o fracasso ou a deficiência na supervisão apropriada e
na melhor proteção possível da criança aos danos potenciais
ou reais.
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

NEGLIGÊNCIA

• Os maus tratos não estão limitados à situação entre o pai e/ou


a mãe e/ou guardião, mas inclui qualquer pessoa depositária
dos cuidados e do controle da criança e de quem a criança ou
adolescente deveria ter a expectativa do cuidado e proteção
em vez de danos ou maus tratos (ex.: profissionais que cuidam
da criança, parentes ou professores ou em instituições e
abrigos).
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

O VIOLENTADOR
• O agressor ou a agressora é, com frequência, um membro da
família, podendo ser o pai, a mãe, parentes próximos ou
responsáveis. Muitas vezes é conhecido da família ou tem
contato com a criança ou adolescente, pela escola, vizinhança
ou comunidade.
• O violentador é uma pessoa que exerce autoridade sobre a
criança ou adolescente e estabelece uma relação de abuso do
seu poder, visando satisfazer suas necessidades pessoais.
• O agressor é uma pessoa comum, de qualquer classe social,
podendo ter sido vítima da violência em sua infância.
Geralmente pode existir uma situação de promiscuidade ou do
uso abusivo de álcool ou outras substâncias psicoativas.
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

O PERPETRADOR DA VIOLÊNCIA

• Para o agressor, enganar é tão excitante quanto a prática do


violência, e faz parte de sua personalidade perversa, as
distorções cognitivas e a negação do fato ou da
responsabilidade pela violência sexual.
• Os molestadores de crianças ou adolescentes, se escondem
nas parafilias (transtornos mentais), mas podem apresentar
vários tipos de distúrbios da personalidade ou psicopatologias,
e são atraídos sexualmente por crianças ou adolescentes que
consideram “inocentes”.
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

O PERPETRADOR DA VIOLÊNCIA

• O violentador pode ser agressivo e mesmo sádico quando fora


do controle, mas com frequência utiliza a sedução e os laços
afetivos que tem com a vítima, para praticar os atos de maus
tratos ou qualquer tipo de violência.
• A violência é sempre silenciosa e o “segredo” é conseguido
por meio de ameaças verbais ou da intimidação velada.
• Geralmente o abusador é uma pessoa imatura ou desajustada,
sempre tem medo e quase sempre nega ou encoberta a
violência quando denunciado ou descoberto, o que dificulta a
sua punição, por “falta de provas do crime” .
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

O PERPETRADOR DA VIOLÊNCIA

• A banalização do sexo, a erotização precoce incentivada pelos


meios de comunicação e a família disfuncional com pais
separados ou onde existe discórdia sexual entre seus
membros, com a falta clara de limites e respeito,
principalmente pelo espaço de cada um, acaba facilitando o
conluio e o silêncio que envolvem os atos de abuso ou
violência, aumentando as consequências dos traumas para a
criança ou adolescente.
• Qualquer agressor infringe os valores morais e as leis do país,
e deve ser denunciado e levado a tratamento e a julgamento
por violar regras, leis do Código Penal Brasileiro, e por
molestar e traumatizar crianças e adolescentes, perpetuando
o ciclo da violência social.
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

BULLYING
• É uma palavra inglesa que identifica uma das formas de
comportamento agressivo entre estudantes numa escola, ou
entre adolescentes de um grupo social, não havendo
equivalente em português. “Bully” é traduzido como brigão,
valentão, tirano; e como verbo, significa tiranizar, oprimir,
amedrontar, ameaçar, intimidar ou maltratar, ou “zoar” (ou em
termos coloquiais, mais conhecido como “sacanear”).
• Por definição, “bullying” compreende todas as atitudes
agressivas, intencionais e repetidas, que ocorrem sem
motivação evidente, adotadas por um estudante ou uma
pessoa contra seus pares, causando dor e angústia, e
ocorrendo dentro de uma relação desigual de poder, causando
a intimidação da vítima.
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

BULLYING

• Estes comportamentos podem ter ações:


• diretas e físicas (bater, chutar),
• verbais (insultos, atitudes preconceituosas)
• e sexuais (voyeurismo, gozações, esbarrões com atitudes
sexuais);
• ou ações indiretas ou emocionais (pressões para a pessoa ser
excluída, disseminação de histórias indecentes, “fofocas”.)
• CYBERBULLYING é o bullying que ocorre através da Internet
ou das Redes Sociais e Digitais
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

BULLYING

• Esta violência, mais comum entre adolescentes estudantes, tem


5 características comuns:
• é um comportamento danoso deliberado;
• é geralmente repetitivo durante um período de tempo;
• é difícil para quem é agredido defender-se;
• é difícil para quem agride aprender novos comportamentos
socialmente aceitos;
• a pessoa que agride tem um poder “impróprio” e o aplica à
vitima.
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Adolescentes com mais riscos


de se tornarem vítimas de bullying na escola
• com deficiências
• obesos
• homossexuais e trans-sexuais
• habilidades sociais pobres
• O profissional de saúde deve perguntar sobre bullying sempre
durante a entrevista de crianças e adolescentes:
• com problemas psicossomáticos ou transtornos comportamentais
• com problemas na escola
• uso de álcool/qualquer substância psicoativa
• ideação suicida
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

CYBERBULLYING

• Consiste na utilização das novas tecnologias de informação e


comunicação, como a internet e o telefone celular, para
transmissão de imagens ou de ataques verbais ou ameaças
intimidativas, com o objetivo de humilhar, maltratar, provocar,
oprimir, atormentar, importunar, molestar ou amedrontar a
qualquer colega ou a outra pessoa do convívio.
• É atualmente considerado ilicitude da conduta no âmbito da
internet pelo E.C.A., lei 8069/90 nos artigos 240 e 241 alterados
pela lei 10.764/03 e deve ser denunciado.
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Violência Violência
explícita simbólica

Bullying
Violência Categorias
Escolar específicas
Cyberbullying

Pessoas Papéis dos Tipologia dos Gravidade e/ou


Locais
envolvidas envolvidos atos violentos frequência
Tráfico de drogas
Escola Alunos Autor Física
Caráter delituoso
Porte de arma de fogo
e menos frequente
Trajeto a escola Funcionários Vítima Psicológica
Agressões físicas com
Caráter não delituoso ferimentos graves
Locais de passeios Pais de alunos Testemunha Sexual
e mais frequente
ou festas
Outros Combinações Negligência
Outros Incivilidade
Contra o Patrimônio
Provocação

Transgressão
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

PUNIÇÃO CORPORAL

• É a força física empregada com o intuito de castigar, disciplinar,


corrigir, ameaçar ou controlar o comportamento ou a conduta
impulsiva de uma criança ou adolescente.
• Muitas vezes envolve medidas emocionais ou punitivas, como
“você vai ficar sem jantar” ou “vai ficar preso em casa”, por
exemplo. Geralmente surge devido à raiva ou desespero da
pessoa que cuida ou está responsável pela situação que a
criança ou adolescente não compreende ou não respeita.
• No Brasil, o projeto de lei 7672, do Menino Bernardo está em
tramitação para ser sancionado pelo Senado e Presidência
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

PUNIÇÃO CORPORAL

• A punição corporal revela o abuso do poder, da força ou da


dominância, podendo causar graves ferimentos, cicatrizes
físicas e emocionais e danos ao desenvolvimento emocional e
mental, além de infringir os Direitos Humanos fundamentais de
respeito à dignidade e integridade física de qualquer criança ou
adolescente, como cidadão.
• O uso de qualquer objeto no intuito de “punir”, “bater”,
“agredir” ou “torturar” é inaceitável, e inapropriado, em
qualquer idade.
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

DISCIPLINA POSITIVA E CONSTRUTIVA

• Uma disciplina positiva e construtiva requer diálogo e respeito


entre as partes e o desenvolvimento de alternativas tais como:
regras e limites pré-estabelecidos, re-direcionamento da
“tensão”, período de calma ou intervalo para reflexão, retirada
de privilégios, ou busca de soluções alternativas ao conflito
gerador do fato ou do problema em questão.
• A mediação de conflitos e a construção da paz deve se tornar
uma rotina diária para melhorar a auto-estima da criança ou
adolescente e restabelecer uma relação de confiança e de uma
conversa franca e cordial entre as diversas pessoas envolvidas,
em casa ou na escola.
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

VIOLÊNCIA INSTITUCIONAL
• VIOLÊNCIA INSTITUCIONAL (tutela coletiva) na qual os maus
tratos e agravos à saúde e ao desenvolvimento saudável são
perpetrados em instituições sociais como abrigos, creches,
escolas, hospitais e instituições sócio-educativas, públicas ou
particulares, e se manifestam em forma de abandono,
negligência, humilhação, ameaças, castigos e agressão física e
sexual, praticada por educadores, monitores, inspetores ou
pessoal de apoio ou guarda.
• Algumas crianças/adolescentes correm mais riscos do que
outras, em função de suas características, tais como: timidez,
isolamento, malformações corporais, deficiências em geral,
obesidade ou ainda por pertencerem a determinados grupos
sociais ou étnicos, ou simplesmente por serem oriundas de
localidades dominadas por determinadas facções ligadas ao
tráfico de drogas.
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

VIOLÊNCIA ARMADA
• Qualquer pessoa menor do que 18 anos que é empregada ou
participa de alguma forma de violência armada organizada,
quando há elementos de estrutura de comando e poder sobre
o território, população local ou recursos.
• É importante diferenciar de “crianças soldados”, pois as crianças
usadas pelo tráfico de drogas ou armas, não estão lutando
numa guerra declarada, nem devem ser categorizadas como
“criminosos” ou infratores”, pois estes termos também não
contemplam a realidade da situação.
• Geralmente são crianças ou adolescentes que se envolvem, por
falta de melhores alternativas, com traficantes de drogas,
sequestradores, gangues de jovens estruturadas e praticantes
de atos ilícitos, grupos de extermínio, justiceiros ou “vigilantes”
que executam grupos rivais do crime organizado.
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

SINAIS E SINTOMAS DA VIOLÊNCIA SEXUAL,


MAUS TRATOS de CRIANÇAS E ADOLESCENTES:
• Toda a criança ou adolescente que é atendido ou examinado
após algum acidente, intoxicação, traumas ou que apresenta
ferimentos graves, cicatrizes antigas ou recentes, queimaduras
ou fraturas, hematomas ou equimoses, qualquer doença
sexualmente transmitida ou comportamentos emocionais
dissociativos, deve ser avaliado(a) para a suspeita de violência
intra ou extra familiar, maus tratos ou violência sexual.
• Existe a possibilidade que não sejam diagnosticados sinais
evidentes dos maus tratos, mesmo existindo o/s episódio/s
de violência emocional ou sexual. Muitas vezes, a ameaça é
velada e a criança ou adolescente apresentam reações ou
comportamentos que não são revelados objetivamente.
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

SINAIS E SINTOMAS DA VIOLÊNCIA SEXUAL,


MAUS TRATOS de CRIANÇAS E ADOLESCENTES:
• A importância da entrevista e da história do evento traumático
deve ser obtida com cuidados e após o estabelecimento de
uma relação de confiança e apoio com a
orientadora/educadora na escola;
• A revelação do ato em si, como, onde e quando ocorreu, e
descrever detalhes deste fato, muitas vezes, é difícil para a
criança ou adolescente, e pode se dar em etapas ou em várias
entrevistas ou consultas.
• Muitas reações e respostas emocionais, que podem evoluir
desde o choro ou o silêncio, acompanham o quadro clínico.
• Um protocolo de avaliação dos casos de violência deverá ser
empregado em todas as escolas, os hospitais, serviços de
emergência e unidades de saúde que lidam com crianças e
adolescentes e suas famílias.
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

SINAIS E SINTOMAS DA VIOLÊNCIA SEXUAL


OU MAUS TRATOS EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES
• A importância da entrevista e da história do evento
traumático deve ser obtida com cuidado e após o
estabelecimento de uma relação de confiança e apoio entre a
criança – adolescente com o profissional de saúde.
• A revelação do ato em si, como, onde e quando ocorreu, e
descrever detalhes deste fato, muitas vezes, é difícil para a
criança ou adolescente, e pode se dar em etapas ou em várias
consultas, sempre fazer perguntas abertas e com cuidado
• Muitas reações e respostas emocionais, que podem evoluir
desde o choro ou o silêncio, acompanham o quadro clínico.
• A rotina de avaliação dos casos de maus tratos deverá ser
empregada em todos os hospitais de emergência e unidades
básicas de saúde que lidam com crianças e adolescentes, e
suas famílias.
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Repercussões da Violência
e do Trauma Sexual
São observadas em vítimas de violência, e podem ser
descritas em 3 etapas de respostas emocionais, ou
sinais e sintomas associados a danos físicos, corporais
ou com componente sexual:
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Repercussões da Violência
e do Trauma Sexual
1) Fase de reação aguda: começa desde o episódio e se
prolonga por dias ou semanas a seguir:
• Ou ocorre uma reação passiva, controlada, de tristeza,
apatia ou abatimento profundo;
• Ou ocorre uma reação ativa de raiva, medo, ansiedade, com
ou sem choros;
• Podem ocorrer desorientação, choque, terror, perda do
controle e ruptura de atividades normais de
comportamento, como insônia, vômitos, irritabilidade ou
distúrbios na alimentação;
• Regressão e negação ou bloqueio do fato podem ser usados
para minimizar a dor;
• Sentimentos de vergonha, culpa, menos valia e auto-
flagelação são comuns;
• Depressão, em todas as possíveis manifestações, é relatado
com maior frequência.
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Repercussões da Violência
e do Trauma Sexual
2) Fase de adaptação ou de fugas ou de tentativas de escapar da situação
abusiva de violência:

• Tentativas de “retornar às atividades de rotina ou escolares” são


difíceis, pois a criança ou adolescente fica preocupado/a,
ameaçado/a ou amedrontado/a com tudo e todos à sua volta.
• Sentimentos de depressão e distúrbios de comportamento ou de
aprendizado;
• Sentimentos ambivalentes ou medo de relatar o ocorrido devido ao
medo de retaliações ou separações da família;
• Dificuldades de concentração, pesadelos, “flashbacks” (relembranças
do fato ocorrido), baixa auto-estima, distorções da imagem corporal;
• Isolamento e retraimento, com silêncio e desconfiança, com
dificuldades de comunicação, choros sem causa aparente, fugas de
casa.
• Dificuldades de frequentar a escola ou recusas em retornar ao local
do evento.
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Repercussões da Violência
e do Trauma Sexual
3) Fase de resolução ou de repercussões crônicas, descritas como
síndrome pós-traumática:

• Sintomas crônicos, como insônia, dores abdominais, dores de


“cabeça”, “cólicas” ou problemas menstruais, podem ocorrer
principalmente em adolescentes;
• Distúrbios do apetite, como em casos de anorexia ou ao
contrário, de excesso, levando ao sobrepeso ou obesidade;
• Distúrbios de comportamento, que podem variar de acordo com
a etapa do desenvolvimento mental e emocional da criança ou
adolescente, mas que envolvem as várias expressões dos
sentimentos de medo, culpa, vergonha, raiva, desconfiança e
inabilidades sociais, podendo chegar a gestos ou tentativas de
suicídio.
• Distúrbios sociais de conduta com hiperatividade, brigas
frequentes, comportamentos hiper-sexualizados e distúrbios
sexuais futuros, com ou sem uso de drogas ou álcool.
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Repercussões da Violência
e do Trauma Sexual
• Adolescentes do sexo masculino também frequentemente sofrem a violência
por colegas mais velhos, por familiares ou adultos “conhecidos” e podem
chegar ao atendimento médico de emergência por problemas mentais, como
surtos psicóticos, ou por problemas como corrimentos e lesões penianas ou
anais, características de doenças sexualmente transmitidas.

• É necessário especial atenção com adolescentes que tiveram relações


homossexuais, adolescentes que vivem nas ruas ou institucionalizados, ou
adolescentes com história de violência familiar ou que convivem em
comunidades de alto risco para a violência.

• Além do exame físico completo para o diagnóstico das lesões corporais, é


importante o exame genital e pélvico em adolescentes, inclusive o exame retal,
caso exista suspeita de relação com penetração anal.

• A colheita de materiais para culturas bacterianas das regiões orofaríngea,


vaginal e retal faz parte do exame médico clínico e laboratorial, podendo ser
também prova legal da violência ocorrida.
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Repercussões da Violência
e do Trauma Sexual
• Todos os sinais compatíveis com violência devem ser descritos, no boletim
ou prontuário médico, inclusive cicatrizes e outros ferimentos antigos ou
recentes, como lacerações, hiperemias ou marcas no corpo.
• Atenção para as concussões, equimoses e hematomas ou escoriações,
lacerações e feridas “acidentais” ou suspeitas, principalmente nos braços,
pernas, cabeça, abdome ou costas (e nádegas). Importante obter história
de fraturas ou outros sinais de violência doméstica ou punições corporais.
• É obrigatória a notificação ao Juizado da Infância e da Juventude e ao
Conselho Tutelar, além da Direção do Hospital ou Secretaria Municipal de
Saúde.
• Quando possível e accessível em sua cidade, encaminhar para perícia ou
exame no Instituto Médico-Legal
• Todo hospital com atendimento público deverá constituir um Comitê de
Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente formado por uma equipe
multidisciplinar que possa lidar com os casos e acompanhá-los, além de
tratar suas consequências e apoiar a criança ou adolescente e sua família.
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

PISTAS PARA A IDENTIFICAÇÃO


DOS VÁRIOS TIPOS DE VIOLÊNCIA
CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Pistas para a Identificação dos Vários Tipos


de Violência contra Crianças e Adolescentes
Violência Física ou Corporal
Indicadores físicos da Comportamentos da criança Características da família
criança e do adolescente e do adolescente

Presença de lesões físicas Muito agressivo ou apático, Oculta as lesões da criança


como queimaduras, hiperativo ou depressivo, justificando-as de forma não
hematomas, feridas e fraturas, temeroso, tendências convincente ou contraditória.
que não se adequam à causa autodestrutivas e ao Descreve a criança como má
alegada. Ocultação de lesões isolamento, baixa auto-estima, ou desobediente. Uso abusivo
antigas e não explicadas tristeza. Medo dos pais: alega de álcool, cocaína etc.
agressão dos pais. Relato de Possui expectativas exageradas
causas pouco viáveis às lesões. ou irreais acerca da criança.
Fugas de casa. Problemas de Defende uma disciplina severa,
aprendizado, faltas frequentes tem antecedentes de maus
à escola. tratos na família.
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Pistas para a Identificação dos Vários Tipos


de Violência contra Crianças e Adolescentes
Violência Sexual
Indicadores físicos da Comportamentos da criança Características da família
criança e do adolescente e do adolescente

Infecções urinárias, dor ou Comportamento sexual ina- Oculta frequentemente a


inchaço nas áreas genitais ou dequado ou sexualizado para a violência. É muito possessiva,
anais; lesões de sangramento; idade. Brincadeiras sexuais negando à criança contatos
secreções vaginais ou agressivas. Não confia em sociais normais. Acusa a crian-
penianas; doenças adultos. Fugas de casa. ça de promiscuidade, sedução
sexualmente transmissíveis; Regressão a estado de sexual e de ter atividade
dificuldade de caminhar; desenvolvimento anterior. sexual fora de casa. Crê que o
enurese; encoprese; queixas Vergonha excessiva e contato sexual é forma de
vagas tipo “dores de cabeça” alegações de abuso. Idéias e amor familiar. Alega existir
ou “dores abdominais”. tentativa de suicídio, auto- outro agressor externo para
flagelação. proteger membro da família.
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Pistas para a Identificação dos Vários Tipos


de Violência contra Crianças e Adolescentes
Violência Psicológica
Indicadores físicos da Comportamentos da criança Características da família
criança e do adolescente e do adolescente

Problemas de saúde, como Comportamentos extremos de Tem expectativas excessiva-


obesidade, distúrbios do sono timidez ou agressividade, mente altas e irreais sobre a
e dificuldades na fala, destrutividade e criança. Rejeita, aterroriza,
comportamentos infantis, autodestrutividade. Problemas ignora, exige em demasia,
enurese noturna, dores do sono. Isolamento, baixo corrompe, isola. Descreve a
abdominais ou quadros de conceito de si próprio, criança como diferente das
dores somáticas. abatimento profundo, tristeza, demais.
idéia e tentativa de suicídio,
insegurança.
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Pistas para a Identificação dos Vários Tipos


de Violência contra Crianças e Adolescentes
Negligência
Indicadores físicos da Comportamentos da criança Características da família
criança e do adolescente e do adolescente

Padrão de crescimento Comportamentos extremos de É apática e passiva, não se


deficiente, baixa estatura e hiper ou hipo-atividade: importando muito com a
desnutrição, fadiga constante contínuas faltas ou atrasos à situação da criança. Tem baixa
e pouca atenção. escola ou ao médico, auto-estima e severo desleixo
Problemas físicos e comportamentos infantis ou com higiene. Não se preocupa
necessidades não atendidas. depressivos. em resolver as necessidades
Vestimentas inadequadas ao Repetências ou evasão escolar. de atenção da criança.
clima, ou ao contexto. Falta de
higiene corporal.
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

QUEBRANDO O SILÊNCIO E ATENDENDO


O/A ADOLESCENTE COM VIOLÊNCIA SEXUAL
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Sempre que existir qualquer suspeita!

• De violência ou abuso físico – corporal, com lesões estranhas,


fraturas, queimaduras, cortes, marcas ou manchas tipo equimoses
ou hematomas ou cicatrizes antigas ou recentes
• De violência sexual, com corrimentos, sangramentos, feridas
genitais, DST, abortamentos ou gestação “inexplicada” (!)
• De associação com uso de álcool ou drogas com alterações de
consciência ou de memória e confusão mental
• Sintomas de estresse pós-traumático, problemas emocionais ou
dissociativos.
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Sempre que a suspeita da violência sexual surgir:

• Através da história clínica;


• Através do relato da criança e do/a adolescente;
• Através do relato da família e/ou responsável e/ou amigo/a;
• Através de sinais suspeitos no exame físico;
• Através de sinais suspeitos no exame clínico, genital ou
ginecológico;
• Após acidentes, intoxicações, uso abusivo de alcool ou
substâncias psicoativas ou situações de emergência.
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Sempre que houver evidências ou sinais de:


• Violência física e/ou sexual;
• Violência emocional e/ou distúrbio de comportamento e/ou
escolar “sem motivos” e/ou absenteísmo;
• Estresse pós-traumático ou história “desconexa”;
• Abandono, negligência ou fraco vínculo (nanismo psicossocial
e desnutrição);
• Exploração comercial sexual ou “fugas de casa > rua”;
• Flagelação e auto-destruição (“piercings”, mutilações,
acidentes frequentes, queimaduras...);
• Emergências, intoxicações e situações com risco de vida,
como gestos ou tentativas de suicídio.
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Importância da Equipe de Saúde


• Importância do consentimento informado
• Trabalhar em conjunto e interdisciplinarmente, e realizar
discussões com supervisão da equipe;
• Questões éticas durante o atendimento
• Referendar para psicologia e serviço social para
acompanhamento individual e familiar
• Documentar os dados em protocolos apropriados e com
informações adequadas;
• Comunicar ao Conselho Tutelar: Notificação Compulsória
• Interagir com os profissionais legistas, policiais, e lidar com
os aspectos legais e jurídicos.
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Importância da Atenção Integrada


da Equipe de Saúde
• Diagnóstico clínico e laboratorial;
• Intervenções terapêuticas;
• Entrevistas e acompanhamento emocional;
• Avaliação da dinâmica familiar;
• Visita domiciliar e contatos com a escola;
• Avaliação dos aspectos legais e da “Mídia”*
• Aspectos comunitários de prevenção;
• Apoio social e grupos terapêuticos.

* guias éticos (consultar o ‘site’ da UNICEF) www.unicef.org/media/media_tools_guidelines.html


CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

FLUXO DE PROTEÇÃO
Abuso e Exploração Sexual Contra Crianças e Adolescentes
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

PRINCIPAIS LEIS E ARTIGOS QUE TRATAM


DOS CRIMES CONTRA A DIGNIDADE SEXUAL

• CONSTITUIÇÃO FEDERAL Artigo 227, sobre a prioridade absoluta


da criança e do adolescente
• CÓDIGO PENAL
• LEI MARIA DA PENHA 11.340 (Ago 2006)
• ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Lei 8069/1990:
• ARTIGOS 13, 228, 229, 230, 231, 232, 240 e 241 (alterado pela Lei
10.764/03) e 245
• Portarias 1.968 (Out 2001), 2.472 (Ago 2010) e 104 (Jan 2011)
sobre a Notificação Compulsória
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

PRINCIPAIS LEIS E ARTIGOS QUE TRATAM


DOS CRIMES CONTRA A DIGNIDADE SEXUAL
• Lei 1215 ( Ago 2009 e 2014) sobre a Exploração Sexual como
CRIME HEDIONDO
• DISQUE DENÚNCIA: 100 ou http://www.denuncia.org.br
• PLANO NACIONAL DE ENFRENTAMENTO DA VIOLÊNCIA SEXUAL
INFANTO-JUVENIL
• LINHA DE CUIDADO PARA ATENÇÃO INTEGRAL À SAÚDE DE
CRIANÇAS E DE ADOLESCENTES E SUAS FAMILIAS EM SITUAÇÃO DE
VIOLÊNCIAS - ORIENTAÇÃO PARA GESTORES E PROFISSIONAIS DE
SAÚDE
• REDE ADOLEC http://adolec.br
• REDE BVS http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Importância da Obtenção
dos Dados Completos Sobre:
• História prévia e fatores associados;
• História da dinâmica familiar;
• História do desenvolvimento emocional;
• História social e escolar;
• História do desenvolvimento sexual (e menstrual da
adolescente);
• Exame clínico e/ou ginecológico e/ou proctológico;
• Exames laboratoriais de rotina e específicos
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Premissas do Atendimento Clínico


do/a Adolescente I
• Termo de compromisso e consentimento informado verbal e
escrito; aspectos éticos durante o atendimento.
• Confidencialidade e sigilo de informações;
• Ambiente adequado para entrevista e exame clínico;
• Explicações sobre as etapas da entrevista e exame clínico e
ginecológico;
• Estabelecimento da relação de confiança.
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Premissas do Atendimento Clínico


do/a Adolescente II
• Presença de enfermeiro/a ou atendente na sala de exame;
• NÃO forçar, nem duplicar traumas, interromper se necessário ou
conter reações emocionais extremas e/ou choro e/ou pânico
durante o exame;
• Uso adequado dos protocolos para registro dos dados da
entrevista e exame;
• Assegurar o acompanhamento a seguir.
• Interação com outros serviços como a rede de saúde psicossocial
• Consultar normas técnicas e documentos do Ministério da Saúde
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

A Consulta e a Entrevista I

• Conversa franca e cordial, ouvir e observar, não julgar ou


“extrapolar fatos”;
• NÃO tentar “provar/incriminar” nada nem ninguém nem
desvalorizar o/a adolescente;
• Estabelecer um elo de confiança e referência adulta
“saudável”, assegurando o apoio “futuro”;
• Perguntas abertas e separar conteúdo cognitivo (objetivo) de
conteúdo emocional (subjetivo);
• Esclarecer sintomas: início, duração, intensidade,
circunstâncias, localização, piora/melhora, etc.
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

A Consulta e a Entrevista II

• Observar coerência das respostas ou palavras “desconexas” ,


choros e reações de medo e repulsa ou não-cooperação;
• Notar a dificuldade de expressar a “dor emocional” e
verbalizar “angústias” e medo;
• Oferecer a possibilidade de desenhar, pintar e/ou brincar com
bonecos e/ou realizar testes projetivos.
• Oferecer a possibilidade de obtenção da entrevista e
realização do exame com acompanhamento de mãe-familiar
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

O Exame Clínico I

• Importância do tempo decorrido desde a violência: <72 h;


até 4-8 semanas; >2 meses;
• Registrar a data da ultima menstruação (DUM)
• Demonstrar a sala e o local e os instrumentos a serem
usados durante o exame(estetoscópio, espéculo, “swabs”
para culturas, etc.);
• Exame segmentar e por etapas, sinais antigos e recentes de
violência e/ou abuso;
• Exame genital, perianal, e ginecológico.
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

O Exame Clínico II

• Obter as culturas das áreas orofaríngea, uretral, vaginal, anal e


retal p/GC , clamídia e HPV, quando disponíveis;
• Obter dados laboratoriais para sífilis, HIV, hepatite B e C,
toxicologia, etc. Repetir em 6-8 semanas, e em 12 meses
• Realizar exame de -HCG se necessário de acordo com a data
da última menstruação;
• Exame de citocolposcopia, quando possível;
• Exame de urina de rotina e cultura;
• Fotografar as lesões, se houver permissão.
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Condutas Terapêuticas I

• Toxóide anti-tetânico e profilaxia da Hepatite B (vacina +


imunoglobulina anti-Hep B) caso vacinação não seja
comprovada e lesões físicas presentes;
• Avaliar a necessidade de contracepção de emergência>
levonorgestrel 1,5 mg = 1 comp VO de 12 em 12h, por 1
dia.
• Avaliar a necessidade de tratamento profilático:
• Prevenção das infecções urinárias;
• Prevenção dos corrimentos vaginais;
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Condutas Terapêuticas II

• Avaliar a necessidade do tratamento profilático


• Prevenção das DSTs:
• Sífilis = Penicilina Benzatina IM DOSE ÚNICA < 25 kg =
600000 UI e > 25 kg = 1200000 UI
• Gonorréia = Ceftriaxone IM DOSE ÚNICA
• < 45 kg = 125 mg e > 45 kg = 250 mg

• Clamídia = Azitromicina VO DOSE ÚNICA


• < 45 kg = 500 mg e > 45 kg = 1g
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Condutas Terapêuticas III

• Rastrear anti-HIV (repetir em 6-8 semanas) e iniciar


tratamento anti-retroviral, em casos de riscos e quando não
se sabe o estado HIV do agressor (até 72 horas do abuso)
• AZT (Zidovudina) +
• 3 TC (Lamivudina) +
• NFV ( Nelfinavir)
• Consultar http://www.aids.gov.br para atualizações sobre o
tratamento (para dose por peso ou referendar para
especialista)
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Condutas Terapêuticas IV

• Encaminhar para acompanhamento psicoterapêutico, semanal


ou quinzenal, a seguir;
• Hospitalizar, em casos de crises ou emergências psiquiátricas
ou risco de vida;
• Prescrever antidepressivos só se necessário e indicado;
• Acompanhar sintomas pós-traumáticos imediatos ou crônicos
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Condutas Terapêuticas V

• Documentar todos os dados no prontuário médico;


• Referendar para o acompanhamento, inclusive familiar e social;
• Encaminhar ao Conselho Tutelar da área de residência do
menor;
• Fazer a notificação da violência da Secretaria Municipal de
Saúde;
• Encaminhar ao Instituto Médico-Legal para exame de corpo de
delito, se necessário;
• Informar sobre o sistema de proteção e garantias dos direitos e
Delegacia de proteção à criança e ao adolescente DPCA.
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Estupro e Abortamento Legal

• ESTUPRO: Constranger alguém a uma relação sexual forçada por


meio da violência ou grave ameaça;
• ESTUPRO DE VULNERÁVEL: ter conjunção carnal ou praticar
outro ato libidinoso com menor de 14 anos. Lei 12.015 de Agosto
de 2009 e Artigo 217-A do Código Penal;
• ABORTAMENTO LEGAL: pode ser realizado em condições seguras
até 20 semanas de idade gestacional pelo SUS e o artigo 128,
inciso II do Código Penal permite o abortamento legal quando a
gravidez resulta de estupro.

FONTE: Documento do Ministério da Saúde: Prevenção e tratamento de agravos da violência sexual


contra mulheres e adolescentes - Normas Técnicas, 2005.
Acessível para consultas em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicações
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Atendendo a criança / adolescente


em situação de violência sexual
Ao Atender, Acolha, Apóie e Prescreva
CONTRACEPÇÃO DE EMERGÊNCIA – ATÉ 72 HORAS
• Levonorgestrel: 1,5 mg - Pozzato®, Postinor 2®, Norlevo® e Pilem®.
Posologia: 2 comprimidos via oral (VO) em dose única ou 1
comprimido VO de 12 em 12 horas, por 1 dia

MÉTODO DE YUZPE: ESTROGÊNIO + PROGESTOGÊNIO


• Evanor® ou Neovlar® - 2 comprimidos VO de 12 em 12 horas, por 1
dia
• Microvlar®, Nordette®, Levordiol® ou Ciclo 21® - 4 comprimidos VO
de 12 em 12 horas, pode dia
• Mercilon ou Femina – 5 comprimidos VO de 12 em horas, por 1
dia
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Atendendo a criança / adolescente


em situação de violência sexual
Ao Atender, Acolha, Apóie e Prescreva
PROFILAXIAS APÓS EXPOSIÇÃO SEXUAL
• HEPATITE B (não- imunizadas ou com esquema incompleto)
• Vacina anti-hepatite B + Imunoglobulina humana anti-hepatite B
DSTs NÃO VIRAIS (adultos e adolescentes com mais de 45 Kg)
• Penicilina Benzatina 2.400.000 U.I intramuscular (IM) + Azitromicina 1g VO +
Ciprofloxacina 500mg VO + Metronidazol 2g VO
HIV (até 72 horas)
• AZT + 3TC 1 comprimido de 12/12 horas por 28 dias + Nelfinavir 5 cápsulas de
12/12 horas por 28 dias
• OU
• AZT = 3 TC 1 comprim ido de 12/12 horas por 28 dias + Indinavir 2 cápsulas +
Ritonavir 1 cápsula de 12/12 horas, por 28 dias

AVALIE A PRESCRIÇÃO DE ANTI-EMÉTICOS


CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Atendendo a criança / adolescente


em situação de violência sexual
Ao Atender, Acolha, Apóie e Prescreva
PROFILAXIA PARA HIV CONSULTE ATUALIZAÇÂO de TRATAMENTO
em www.aids.gov.br Em caso de:
• EXPOSIÇÃO sexo vaginal, sexo anal e sexo oral
• EXPOSIÇÃO OCORRIDA < 72 horas
Drogas utilizadas por 4 semanas:
• AZT (Zidovudina) 240 mg/ m2/ dose de 12/12 horas
– Dose máxima 600 mg/dia (1 comprimido = 100 mg e 1 ml = 10 mg)
– M2 = Peso (kg) X 4 + 7/ Peso (kg) + 90
– Obs: Peso em kg = 2 X idade + 8
+
• 3TC (Lamivudina) 4 mg/Kg/dose de 12/12 horas
– Dose máxima 150 mg de 12/12 horas
– Adolescente < 50 Kg 2mg/kg de 12/12 horas
– (1 comprimido =150mg e 1 ml = 10 mg)
+
• NFV (Nelfinavir) 10 mg/Kg/ dose de 12/12 horas
– Dose máxima 1250 mg 12/12 horas
– (1 comprimido = 250 mg e pó para suspensão 1 medida = 50 mg)
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Atendendo a criança / adolescente


em situação de violência sexual
Ao Atender, Acolha, Apóie e Prescreva
PROFILAXIA DA HEPATITE B
• NÃO IMUNIZADOS OU COM ESQUEMA VACINAL IMCOMPLETO
• Crianças com menos de 3 doses de vacina anti-hepatite B – aplicar a vacina HB
• Vacina HB (completar esquema posteriormente) + Imunoglobulina Humana Anti-
hepatite B
PROFILAXIA DE OUTRAS DST
• Sífilis Penicilina Benzatina IM dose única
• Até 10 kg 300.000 UI; >10 kg e < do que 25 kg 600.000 UI; > que 25 kg 1.200.000 UI
• Gonorréia Cefritriaxone < 45kg 125 mg; >45kg 250mg IM dose única
• Clamídia Azitromicina 20 mg/ kg VO em dose única. Dose máxima 1 g
CONTRACEPÇÃO DE EMERGÊNCIA
• Indicada se já tiver ocorrido menarca, ou abuso próximo da menstruação ou até 72
horas após exposição: Levonorgestrel 0,75 mg – 1 comprimido VO de 12/12 horas por 1
dia.
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Atendendo a criança / adolescente


em situação de violência sexual
Ao Atender, Acolha, Apóie e Prescreva

PREENCHER FICHA DE NOTIFICAÇÃO DA VIOLÊNCIA - Encaminhar para o Conselho


Tutelar da área de residência da criança, com cópia para Secretaria Municipal de
Saúde.

ENCAMINHAR A CRIANÇA COM “CARTÃO DE ENCAMINHAMENTO” para Unidade


de Referência nos próximos dias, para coleta de exames e realização do
acompanhamento necessário.

SISTEMA DE VIGILÂNCIA DE VIOLÊNCIAS E AGRAVOS – VIVA (2006)


CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Consequências da Violência para


o Desenvolvimento dos Adolescentes
• Ansiedade
• Depressão
• Comportamentos regressivos
• Comportamentos auto-lesivos
• Idéias de suicídio ou suicídio
• Distúrbios no sono
• Enurese noturma
• Transtornos de alimentação, bulimia
• Desnutrição
• Doenças psicossomáticas
• Transtorno de Estresse Pós-Traumático
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Consequências a curto prazo da violência sexual

• Comportamento sexualizado inapropriado


• Ansiedade (medo e pesadelo) - TEPT
• Depressão
• Isolamento
• Queixas somáticas
• Agressão
• Problemas escolares
• Comportamentos regressivos
• Fuga de casa > situações de rua > transgressões
• Comportamento auto-lesivo e ideação suicida
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Consequências a longo prazo da violência sexual

• Promiscuidade, distúrbios na sexualidade, isolamento,


depressão, ideação suicida, auto-desvalorização, dificuldades
de relacionamento sexual com parceiros ou envolvimento em
relacionamentos insatisfatórios, dolorosos e nocivos,
transtorno de alimentação, doenças somáticas, fuga de casa,
evasão escolar.
• Problemas psiquiátricos e transtornos mentais
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Consequências da violência física e da negligência

• Comportamentos auto-destrutivos e auto-flagelação;


• Manifestações emotivas extremas (tristeza ou mudanças de
humor repentinas e inapropriadas);
• A criança se envolve em atividades perigosas ou potencialmente
perigosas com muita frequência;
• Baixo controle de impulsos ou imprevisível;
• Demanda constante atenção (negativa) e afeto;
• Atos infracionais e ciclo da violência

Quando muito grave - psicopatia


CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Reações Pós-Traumáticas
em Crianças e Adolescentes I
Reações Corporais
• Atraso do crescimento e desenvolvimento com baixa estatura
(nanismo psicossocial)
• Insônia, pesadelos, dificuldades de dormir
• Hiper-atividade e hiper-vigilância
• Dores abdominais, diarréias, vômitos
• Reações alérgicas, crises de asma e urticária
• Inapetência, anorexia, bulimia e sobrepeso
• Problemas de fala e audição
• Incoordenação psico-motora com movimentos repetitivos de
balanceamento do corpo ou da cabeça
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Reações Pós-Traumáticas
em Crianças e Adolescentes II
Reações Emocionais
• Choque com perda de memória
• Medo intenso, pavor e terror noturno
• Raiva e irritabilidade
• Regressões e infantilismo (chupar dedo)
• Desespero e choros frequentes
• Reações depressivas com enurese (perda de urina durante o sono)
• Reações de culpa, vergonha e ansiedade
• Reações de hipersexualidade e masturbação
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Reações Pós-Traumáticas
em Crianças e Adolescentes III
Reações Cognitivas
• Confusão mental e perda de memória
• Dificuldades de Concentração
• “Branco na prova”
• Distorções da realidade e imaginação
• Pensamentos intrusivos e “flashbacks”
• Pensamentos suicidas e de auto-agressão
• Perdas da auto-estima e problemas de imagem corporal
• Dislexia e problemas de escrita
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Reações Pós-Traumáticas
em Crianças e Adolescentes IV
Reações Psicossociais

• Alienação • Desinteresse nas atividades e


• Passividade perda de habilidade vocacional
• Irritabilidade e agressividade • Evasão escolar
• Isolamento social e solidão • Uso abusivo de alcool ou
• Dificuldades no substâncias psicoativas e
relacionamento afetivo-social “esportes radicais” - acidentes-
intoxicações
• Sem expectativas de futuro
(sem sonhos) • Importância do tratamento
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

ACE Study – Experiências Adversas na


Infância - www.acestudy.org
Vincent Felitti – dados com + de 17 mil participantes
Definição de ACE: até os 18 anos
• Violência física recorrente
• Violência emocional recorrente
• Violência sexual (contato)
• Um usuário de álcool ou drogas em casa
• Um membro da família encarcerado
• Viver com alguém com depressão crônica, doença mental, institucionalizado ou
com ideação suicida
• Mãe era tratada de modo violento, violência intra-familiar
• Sofrer negligência física ou emocional
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Critérios Diagnósticos CID-10 e DSM-IV para


Transtorno do Estresse Pós-Traumático TEPT F43.1
• Exposição à evento ameaçador ou catastrófico, causando medo
intenso, desespero ou horror de si mesmo ou outro
• Rememoração ou revivência com flashbacks, pensamentos
intrusivos, sonhos recorrentes
• Tentativas de evitar situações semelhantes ou associadas ao
estressor/agressor
• Sintomas persistentes:insônia, dificuldades de concentração,
hipervigilância, explosões de raiva e irritablidade, respostas ao
susto exagerada
• Duração de 30 dias e até 6 meses do evento estressante
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

O evento traumático é persistentemente


revivido em uma ou mais das seguintes maneiras:

1) recordações aflitivas, recorrentes e intrusivas


do evento, incluindo imagens e pensamentos;
2) sonhos aflitivos e recorrentes com o evento;
3) agir ou sentir como se o evento traumático estivesse ocorrendo
novamente (por exemplo, flashbacks);
4) sofrimento psicológico intenso quando há exposição a estímulos
que lembram o trauma;
5) reatividade fisiológica na exposição a indícios externos que
simbolizam ou lembram o evento traumático.
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Fuga persistente de estímulos associados ao


trauma e entorpecimento da reatividade geral,
com base em pelo menos três dos seguintes quesitos:

1) esforços para evitar pensamentos ou conversas associados ao


trauma;
2) esforços no sentido de evitar atividades, locais e pessoas que
ativem a recordação do trauma;
3) incapacidade de recordar algum aspecto importante do evento;
4) redução acentuada de interesse ou da participação em atividades
significativas;
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Fuga persistente de estímulos associados ao


trauma e entorpecimento da reatividade geral,
com base em pelo menos três dos seguintes quesitos:

5) sensação de distanciamento em relação aos outros;


6) afeto restrito;
7) sentimento de um futuro abreviado.
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Sintomas persistentes de excitabilidade


aumentada indicada por dois ou mais quesitos

1) dificuldades com o sono;


2) irritabilidade ou surtos de raiva;
3) dificuldade em concentrar-se;
4) hiper-vigilância
5) resposta de sobressalto exagerada
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Sintomas dissociativos pós-traumáticos

• Dissociação é a perda da capacidade de integrar aspectos da


identidade, memória, percepção e consciência
• Problemas de memória e amnésia traumática
• Estupor e desorganização do pensamento
• Perda do senso de realidade
• Perda de interesse e inabilidade afetiva
• Perda do controle e dos mecanismos de adaptação
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

A avaliação integrada:
• Obter dados da história prévia e dos fatores predisponentes,
associados e precipitantes ;
• Obter o máximo de dados da história familiar;
• Fazer exame clínico geral detalhado;
• Fazer o exame genital-anal e ginecológico
• Obter dados para exames de cultura e exames laboratoriais para
os exames complementares de perícia ou necessários, a seguir (R-
X, DNA, etc)
• Descrição das lesões e documentação completa no prontuário de
atendimento – notificação!
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

É importante uma avaliação mais cuidadosa:

• Quando a história da lesão ou do ferimento ou do sintoma


apresentado for “desconexa”
• Quando a história relatada pela criança ou adolescente NÃO
for compatível com a história relatada pelo/a responsável
• “Ninguém vai acreditar em mim ....”
• Quando reações de choro ou pavor acontecem no meio da
entrevista e/ou exame, sem causa aparente, e por falta de
“confiança” ...
• Quando problemas comportamentais de isolamento, queda do
rendimento escolar, apatia, reações de agressividade e
rebeldia se repetem!
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Prestar também mais atenção:

• Em crianças ou adolescentes que ficam sozinhos em casa


ou sendo “cuidadas” por vizinhos (abandono?)
• Adolescentes que ficam “tomando conta” de crianças
menores (aumento de riscos por negligência, violências ou
“acidentes” )
• Crianças ou adolescentes com deficiências físicas ou
mentais
• Crianças ou adolescentes institucionalizados
• Em situações de rua ou abandono social
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

SEMPRE

• O QUE É O MELHOR INTERESSE DA CRIANÇA ou ADOLESCENTE


• NÃO DUPLICAR O TRAUMA
• PROTEGER COMO PRIORIDADE ABSOLUTA
• CUIDAR dos PROBLEMAS de SAÚDE ou SINTOMAS
apresentados principalmente quando houver a suspeita de
qualquer tipo de violência )
• Trabalhar em EQUIPE e manter CONFIDENCIALIDADE da
informação (sigilo)
• REFERIR para ACOMPANHAMENTO ESPECIALIZADO na rede de
saúde psicossocial quando NECESSÁRIO !
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

EM CASOS DE...
• DÚVIDAS OU SUSPEITAS: APROFUNDAR DADOS DE
AVALIAÇÃO e AGENDAR VISITA DOMICILIAR
• GRAVES SUSPEITAS: ATENDIMENTO E NOTIFICAÇÃO
COMPULSÓRIA
• QUALQUER RISCO DE VIDA OU SINAL DE GRAVIDADE:
HOSPITALIZAÇÃO para diagnóstico diferencial ou avaliação
psico-social pela equipe multi-profissional
• PERÍCIA MÉDICA pelo INSTITUTO MÉDICO-LEGAL
• PSIQUIATRIA FORENSE da criança/adolescente e do agressor/a
e-ou da dinâmica familiar
• DEPOIMENTO ESPECIAL
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

INTERAÇÃO COM OUTROS SERVIÇOS

• CONSELHO TUTELAR (abrigo provisório)


• JUDICIÁRIO OU VARAS DE INFÂNCIA e ADOLESCÊNCIA
(afastamento compulsório do suposto agressor, art 130 do
ECA)
• MINISTÉRIO PÚBLICO
• DELEGACIA de POLÍCIA (Boletim de Ocorrência)
• Redes de Proteção Social e Rede de Saúde Psicossocial
CAPSI e outras da comunidade
• OAB (Ordem dos Advogados do Brasil)
• CRAS, CREAS, Núcleos de Atendimento Social e outros
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

O mais importante é:
• Referir para um serviço clínico – psicológico – social integrado
ou especializado em atendimento e avaliação de crianças e
adolescentes (de risco) e suas famílias
• Estabelecer um serviço especializado de saúde para
atendimento a vítimas da violência e/ou violência sexual em
sua cidade e que sirva para coleta de dados e
acompanhamento dos indicadores da violência na comunidade
• Identificar na rede de saúde um local de referência para o
atendimento e seguimento. Se não houver envidar esforços
intra e inter setoriais para organizar um serviço especializado
• A criança-adolescente NÂO pode ficar sem atendimento.
Acompanhamento pela equipe da UBS do local de referência
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

E também....

• Treinamento contínuo de cada profissional da equipe


multidisciplinar e do serviço de saúde
• Discussão em equipe de cada caso atendido, mantendo a
confidencialidade da informação
• Supervisão e psicoterapia de apoio para os profissionais
envolvidos com o atendimento
• Avaliação e monitoramento dos dados e indicadores do
serviço de saúde e da equipe
• Cuidado com.... a síndrome do “Burn-Out” ! Casos
complicados que desgastam a “equipe” ou o profissional,
importante fazer reunião multidisciplinar!
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Importância da documentação
para os profissionais de saúde:
• Notificação por escrito • Estar preparado para dar
• Explicar as observações evidência do exame
• Usar terminologia médica e • Ouvir com cuidado
precisa • Esclarecer sobre o exame
• Manter a objetividade realizado
• Diferenciar “achados” de • Permanecer na sua área de
exame de opiniões atuação e trabalhar com a
equipe
• Detalhar o exame realizado
• Permanecer imparcial (não
• Só escrever o necessário
tentar culpabilizar nem
“investigar” )
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Notificação dos maus-tratos:


uma estratégia de proteção a crianças e adolescentes

“ É dever da família, da sociedade e do Estado, assegurar


à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o
direito à vida, à saúde, ao lazer, à profissionalização, à
cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à
convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a
salvo de toda forma de negligência, discriminação,
exploração, violência, crueldade e opressão.” (artigo 227
da Constituição)
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Notificação dos maus-tratos

• Os artigos 13 e 245 do ECA estabelecem a obrigatoriedade dos


profissionais de saúde ou qualquer outro profissional de notificarem
aos Conselhos Tutelares as situações suspeitas ou confirmadas de
maus-tratos contra crianças e adolescentes.
• É importante que esta notificação seja entendida dentro do espírito
da lei, que é o de garantir a proteção das crianças e adolescentes.
• Notificar não deve implicar em julgar o caso, e sim, em dividir com
outros setores da sociedade essa responsabilidade pela proteção
da criança e do adolescente, objetivo maior da atuação do pediatra.
• A construção da parceria com os Conselhos Tutelares é um desafio
importante para os serviços de saúde, que trará benefícios para o
enfrentamento da violência contra a criança e o adolescente.
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Notificação dos maus-tratos

• Entendendo a importância de qualificar a prática dos


profissionais de saúde, é importante a realização, com apoio
de diferentes parceiros, de treinamentos, grupos de trabalho,
supervisão e outras estratégias de educação permanente,
para favorecer a prevenção, a identificação e a abordagem
das situações de maus-tratos nas unidades da rede municipal
de saúde, em todo o país.

• Esta experiência de acompanhar o processo de sensibilização


das unidades de saúde para a atuação frente às situações de
violência doméstica tem permitido a identificação das
dificuldades mais frequentes.
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Possibilidades da notificação

• Permite, através do Conselho Tutelar, o envolvimento de


outras instituições que poderão ser mobilizadas para dar o
suporte necessário ao caso.
• Favorece a diminuição ou mesmo a interrupção da violência,
bem como a identificação de outras crianças e adolescentes
que podem estar sendo abusados na mesma família; a
notificação se constitui portanto numa importante estratégia
de prevenção.
• Possibilita o acesso a recursos sociais tanto para as crianças
quanto para a família, tais como creche, escola, emprego,
grupos de auto-ajuda (NA, AA), bolsa de alimentos, projetos
de acesso à moradia, entre outros.
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Possibilidades da notificação

• Fortalece a criação de uma rede de apoio e vigilância por


profissionais compromissados em auxiliar no bem estar da
criança e do adolescente.

• Auxilia na abordagem dos casos de negligência com relação à


observância das orientações médicas (não aplicação de
vacinas, interrupção de tratamentos de doenças graves, não
realização de cirurgias, alta à revelia, entre outros).
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Possibilidades da notificação

• A análise dos casos notificados possibilita mapear algumas


das necessidades dos serviços de saúde e orientar a definição
de estratégias de atuação, através da própria Secretaria
Municipal de Saúde ou do Conselho Municipal dos Direitos da
Criança e do Adolescente, no qual integra, favorecendo, dessa
forma, a qualificação da atenção a crianças e adolescentes.
• Tanto o Estatuto da Criança e do Adolescente (no Art. 245)
quanto a portaria no. 1968/2001 do Ministério da Saúde,
torna obrigatória para todo o território nacional, inclusive as
instituições de saúde pública e conveniadas ao Sistema Único
de Saúde, inclusive os pediatras que atendem em consultórios
e clínicas particulares, o preenchimento da ficha de
notificação compulsória e seu encaminhamento ao Conselho
Tutelar.
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Recomendações para favorecer


a notificação dos casos

A) Para os profissionais:

• Conhecer o Estatuto da Criança e do Adolescente


• Buscar conhecimento teórico sobre os maus-tratos, situações
de risco e sinais de alerta.
• Acolher, escutar e procurar criar um vínculo com família de
modo a fundamentar melhor os casos suspeitos antes de
notificar.
• Discutir os casos com outros membros da equipe .
• Procurar conhecer os conselheiros tutelares da região onde
está situado o consultório ou unidade de saúde.
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Recomendações para favorecer


a notificação dos casos
B) Para os serviços de saúde:

• Divulgar o ECA, a ficha de notificação e a importância da


identificação dos maus-tratos a todos os setores /
especialidades que atendam crianças e adolescentes:
Emergência, Ambulatório, SPA, Enfermaria, Maternidade,
Pediatria, Clínica Médica, Odontologia, Ginecologia, Agentes
Comunitários de Saúde e Equipes da Saúde de Família e
Atenção Primária;

• Estabelecer parceria com o Conselho Tutelar da área, antes


mesmo de surgirem os casos de violência, para que ambos
conheçam os limites e possibilidades de cada setor;
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Recomendações para favorecer


a notificação dos casos
• Favorecer a organização de uma equipe multidisciplinar ( poderá se
constituir num Comitê de Direitos da Criança e do Adolescente ), que
se responsabilizará pela discussão e abordagem dos casos, pela
notificação e acompanhamento dos mesmos, e pelo estabelecimento
de parcerias com serviços de referência e demais setores da
comunidade; essa equipe gradativamente poderá sensibilizar e
envolver os demais profissionais que lidam com crianças e
adolescentes;
• Encarar o caso como responsabilidade da unidade de saúde como um
todo e não somente dos profissionais que atenderam à criança /
adolescente; a direção deve se responsabilizar pela notificação;
• Não encarar a notificação como um mero ato burocrático; ao
encaminhar a ficha de notificação ao Conselho Tutelar deve ser
estabelecido um contato telefônico para que juntos, Saúde e
Conselho, definam a melhor conduta para o caso;
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Recomendações para favorecer


a notificação dos casos
• Quando os profissionais da unidade de saúde estiverem atendendo
uma situação que percebem que podem atender sozinhos, este fato
pode e deve ser informado ao Conselho. Desta forma o mesmo só se
mobilizará caso a família não volte para o atendimento ou a unidade
entenda a necessidade de envolvimento de outros recursos
comunitários;
• Manter contato com os Conselhos Tutelares de forma a acompanhar os
desdobramentos do caso; a responsabilidade da unidade não deve
cessar com a notificação. Nos casos graves, caso seja necessário, pode
ser buscado apoio no Juizado da Infância e Juventude e/ou na
Promotoria de Justiça da Infância e Juventude;
• Possibilitar momentos de troca de experiências, discussão de casos e
reflexão sobre os valores e sentimentos dos próprios profissionais em
relação à violência;
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Recomendações para favorecer


a notificação dos casos
• É fundamental que todos colaborem neste esforço de
identificação e notificação das situações de violência.
• O levantamento destas informações certamente poderá
subsidiar a implementação de políticas públicas que
favoreçam a prevenção da violência e garantam a proteção de
nossas crianças e adolescentes.
• Esclarecer sempre que necessário e informar sobre a
prevenção da violência
• Qualquer violência contra criança e adolescente é CRIME e
• Exploração sexual é considerado CRIME HEDIONDO
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

FICHA DE NOTIFICAÇÃO do SINAN


Sistema de Informação de Agravos e Notificação
http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/ficha0206200901.pdf

CONSULTE TAMBÉM
http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/cartilha_notificacao_
maustratos.pdf
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/linha_cuidado_criancas_f
amilias_violencias.pdf
http://www.adolec.br
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

FICHA DE NOTIFICAÇÃO do SINAN


CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Formulário SINAN – Parte 1


CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Formulário SINAN – Parte 2


CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Formulário SINAN – Parte 3


CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Formulário SINAN – Parte 4


CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Formulário SINAN – Parte 5


CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Formulário SINAN – Parte 6


CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Quem faz parte da Rede de Proteção?

 Sistema de Garantias
 Sistema de Justiça
 Saúde (SUS)
 Educação
 Assistência Social (SUAS)
 Sociedade Civil
 Governo
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Saúde

• Notificação Compulsória
• Atenção Primária
• Atenção Secundária
• Atenção Terciária
• ACS e PSF – papel privilegiado de prevenção nas
comunidades
• ATENÇÃO às crianças e adolescentes hospitalizados
ou em abrigos e que também podem sofrer com a
violência institucional
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Mapa da Rede de Apoio Social


em sua Cidade

• Conselho de Direitos da Criança e do Adolescente


• Foruns de Defesa dos Direitos da Criança e do
Adolescente
• Conselho Tutelar
• Juizado ou Varas de Infância e Juventude
• Delegacia Especializada de Proteção à Criança e
Adolescente (DPCA)
• Ministério Público
• Rede Nacional de Direitos Humanos
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Importância do envolvimento comunitário

• UM MUNICÍPIO COMEÇA A SER SAUDÁVEL


QUANDO SEUS ORGANIZADORES LOCAIS,
TÉCNICOS E CIDADÃOS ADQUIREM O
COMPROMISSO PÚBLICO E INICIAM JUNTOS O
PROCESSO DE MELHORAR CONTINUAMENTE
AS CONDIÇÕES DE VIDA E BEM ESTAR DE SEUS
HABITANTES.
• DIREITOS DE SAÚDE E DE CIDADANIA FAZEM
PARTE DE UMA DEMOCRACIA
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Direitos de Saúde

Reduzir doenças Ponte entre as


Diminuir custos necessidades e
Elos recursos
comunitários
populacionais
Saúde de todos

Prevenção Maximizar
primordial os esforços

Investir no futuro:
melhor rendimento
Conexão Afetiva dos recursos.
CURSO DE SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA

Conclusão: Prevenção é a Solução !

• Atividades de educação em saúde nas escolas, empresas, clubes e


comunidades;
• Informações sobre desenvolvimento da sexualidade saudável e
prevenção da gestação, de DSTs-HIV, de situações de violência;
• Resolução de conflitos intra-familiares;
• Redes de suporte e apoio social e cultural;
• Canais de comunicação e mídia e tecnologia: sem hipocrisias e
“duplas mensagens” sexuais!
• Campanhas de alertas e prevenção da violência e exploração
sexual contra CRIANÇAS e ADOLESCENTES.
• Disque Denúncia: 100