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A POÉTICA BARROCA DE

GREGÓRIO DE MATOS

• O BARROCO

• A DANÇA DOS CONCEITOS


• fusionismo
• feísmo
• Gongorismo
• marinismo
CONCEITO: Barroco

• ESTILO ARTÍSTICO QUE PREDOMINOU NA


SEGUNDA METADE DO SÉCULO XVII EM
QUE OS ARTISTAS TENTAM CONCILIAR
ASPECTOS CONFLITANTES.
QUE CONFLITOS SÃO ESTES?

• ANTROPOCENTRISMO X TEOCENTRISMO
• CARNE X ESPÍRITO
• PECADO X PERDÃO
• TERRA X CÉU
• JUVENTUDE X VELHICE
• VIDA X MORTE
• RAZÃO X EMOÇÃO
QUE HOMEM É ESTE?

• ANGUSTIADO
• DIVIDIDO
• DESCONTENTE
• PESSIMISTA
• TENSO
CORRENTES BARROCAS

• CULTISMO

• JOGO DE PALAVRAS
• TROCADILHOS
• ARTIFÍCIOS DA LINGUAGEM
• (Gôngora)
CORRENTES BARROCAS

• CONCEPTISMO
• JOGO DE IDEIAS
• EXERCÍCIO DA LÓGICA - SILOGISMO
• IDEIA REBUSCADA
• PERSUASÃO
• (Vieira)
GREGÓRIO DE MATOS GUERRA

• ESTUDOU EM COIMBRA
• FOI JUIZ EM LISBOA
• VIÚVO, TRABALHA NA ARQUIDICOCESE
BAIANA
• BOÊMIO
• POETA
• BOCA DO INFERNO
A POESIA DE GREGÓRIO

• NÃO PUBLICOU SUA OBRA EM VIDA


• POSSUI POEMAS:
• RELIGIOSOS -
• LÍRICOS
• SATÍRICOS
A POESIA LÍRICA
Anjo no nome, Angélica na cara! • Se pois como Anjo sois dos meus altares,
Isso é ser flor, e Anjo juntamente: • Fôreis meu Custódio, e a minha guarda.
Ser Angélica flor e Anjo florente, • Livrara eu de diabólicos azares.
Em quem, então em vós, se uniformara:
• Mas vejo, que por bela, e por galharda,
Quem vira tal flor, que não a cortara, • Posto que Anjos nunca dão pesares,
Do verde pé, da rama florescente; • Sois Anjo, que me tenta , e não me guarda
E quem um Anjo vira tão luzente;
Que por seu Deus, não o idolatrara
• DESENGANOS DA VIDA METAFORICAMENTE

É a vaidade, fábio, nesta vida, • É nau, enfim, que em breve ligeireza


Rosa, que de manhã lisonjeada, • Com presunção de Fênix generosa,
Púrpuras mil, com ambição dourada, • Galhardias apresta, alentos preza:
Airosa rompe, arrasta presumida.
• Mas ser planta, ser rosa, ser nau vistosa
É planta, que de abril favorecida, • De que importa, se aguarda sem defesa
Por mares de soberba desatada, • Penha a nau, ferro a planta, tarde a
Florida galeota empavesada, rosa?
Sulca ufana, navega destemida.
ANALISANDO O POEMA

• A VAIDADE É:

• ROSA - LISONJEADA -AMBICIOSA

• PLANTA - FAVORECIDA

• NAU - DESTEMIDA - LIGEIRA


DE QUE ADIANTA A VAIDADE
SE ESPERA ....

• PENHA - A NAU [ROCHEDO]

• FERRO - A PLANTA [MACHADO, TESOURA]

• TARDE - A ROSA [PERDE O BRILHO,


DESPETALA-SE]

• DE QUE ADIANTA VIVER ...


ASSIM, SE A VIDA É
PASSAGEIRA .....

• CARPE DIEM -

• APROVEITE O DIA, VIVA A SUA VIDA


TEMÁTICA DO SONETO
• FUGACIDADE DA VIDA -
EFEMERIDADE DAS COISAS

• CARACTERÍSTICAS
• CARPE DIEM
• INVERSÃO
• MÉTRICA E RIMA
• SEMEADURA E RECOLHA
• GRADAÇÃO
• ANTÍTESE [IMPLÍCITA]
POESIA RELIGIOSA
A JESUS CRISTO NOSSO SENHOR

Pequei, Senhor, mas não por que hei pecado, • Se uma ovelha perdida, e já cobrada
Da vossa alta clemência me despido : • Glória tal e prazer tão repentino
Porque, quanto mais tenho delinqüido, • Vos deu, como afirmais na sacra história:
Vos tenho a perdoar mais empenhado.

Se basta a vos irar tanto pecado, • Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada;


A abrandar-vos sobeja um só gemido: • Cobrai-a; e não queirais, pastor divino,
Que a mesma culpa, que a vos há ofendido, • Perder na vossa ovelha a vossa glória.
Vos tem para o perdão lisonjeado.
ANALISANDO O POEMA
• FORMA: SONETO
• VERSOS: DECASSÍLABOS
• ESQUEMA DE RIMA: ABBA - ABBA - CBD- CBD
• TEMÁTICA : RELIGIOSA - A CERTEZA DO PERDÃO
• CORRENTE: CONCEPTISMO - USO DA LÓGICA
• FIGURAS: ANTÍTESE, INVERSÃO, METÁFORA

O SILOGISMO DO POEMA

• TODO PECADOR DEVE SER PERDOADO


• [COMO AFIRMA A SACRA HISTÓRIA]

• EU SOU PECADOR

• LOGO, DEVO SER PERDOADO


POESIA SATÍRICA
SONETO
• NESTE MUNDO É MAIS RICO, O QUE MAIS RAPA:
• QUEM MAIS LIMPO SE FAZ, TEM MAIS CAREPA:
• COM SUA LÍNGUA AO NOBRE O VIL DECEPA:
• O VELHACO MAIOR SEMPRE TEM CAPA

• MOSTRA O PATIFE DA NOBREZA O MAPA:


• QUEM TEM MÃO DE AGARRAR, LIGEIRO TREPA;
• QUEM MENOS FALAR PODE, MAIS INCREPA:
• QUEM DINHEIRO TIVER, PODE SER PAPA.
• A FLOR BAIXA SE INCULCA POR TULIPA;
• BENGALA HOJE NA MÃO, ONTEM GARLOPA,
• MAIS ISENTO SE MOSTRA, O QUE MAIS CHUPA.

• PARA A TROPA DO TRAPO VAZO A TRIPA,


• E MAIS NÃO DIGO, PORQUE A MUSA TOPA
• EM APA, EPA, IPA, OPA, UPA.
OUTROS POEMAS
A cada canto um gande Conselheiro Muitos Mulatos desavergonhados,
que nos quer governar cabana e vinha: trazendo pelos aos Homens nobres;
não sabem governar sua cozinha posta nas palmas toda a picardia
e querem governar o Mundo inteiro

Em cada porta um bem frequente Olheiro Estupendas usuras nos mercados:


da vida do Vizinho e da Vizinha, todos os que não furtam, muito
pesquisa, escuta, espreita, esquadinha pobres:
eis aqui a Cidade da Bahia
para levar à Praça e ao Terreiro.

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