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PROPOSTA

Abordar as teorias da origem do


fenômeno religioso, seus
desdobramentos históricos e sociais,
assim como as relações inter-religiosas
dentro esfera pública e da democracia no
Brasil.
OBJETIVOS
Conhecer a origem e a diversidade do
fenômeno religioso;
Abordar o diálogo inter-religioso na esfera
pública;
Debater sobre a participação político-religiosa
na democracia brasileira;
Apontar a contribuição da ética cristã para a
ação política.
PROGRAMA
Módulo I: 16/06/2018

Teorias da origem do fenômeno religioso;


Os monoteísmos, a cultura e a política
ocidental;
A diversidade religiosa na história;
Tema 1:

TEORIAS SOBRE A ORIGEM DO


FENÔMENO RELIGIOSO
 O fenômeno religioso tem sua origem
tanto em fatores culturais quanto em fatores
biológicos.
 A consideração de que a religião é um
comportamento cultural é o modo tradicional
de estudar este fenômeno.
Na década de 90, muitos estudiosos passaram
a considerar também a base biológica do
comportamento religioso.
Todos os povos possuem um comportamento
religioso. O fenômeno religioso é universal.
“... religião pode ser definida como um
sistema de crenças em uma divindade ou
poder super-humano e práticas de adoração
ou outros rituais direcionados a tal divindade
ou poder” (BORTOLONI; YAMAMOTO, 2013, p.
224).
As contribuições das CCR nos fornecem o
pressuposto de que há elementos pré-
culturais na cognição humana.
Há predisposições cognitivas que independem
de particularidades culturais.
As “ferramentas mentais” restringem o
pensamento e a expressão religiosa.
A tese central é a de que teríamos mentes
predispostas para aceitar e propagar conceitos
religiosos.
As primeiras manifestações religiosas são datadas por volta de 60.000 anos e dizem
respeito à forma como os mortos eram sepultados.
Hipótese de JUSTIN BARRET:

A reação dos primeiros homens a qualquer


som ou vestígio na floresta fez com que ele
desenvolve uma tendência animista. O traço
universal da religião é o antropomorfismo
(Stewart Guthrie).
Hipótese de GERVAIS e NORENZAYAN:

O comportamento religioso é uma forma de


adaptação biológica para a vida em grupo.
Este comportamento seria um facilitador da
interação dentro do grupo e as crenças
religiosas reforçariam a cooperação.
Relação entre religião, natureza e cultura:

a) Religião é um produto cultural;


b) Religião tem uma base biológica;
Desde a origem, o homem se adaptou à
natureza formando crenças de como as coisas
funcionam e como lidar com elas. O nosso
cotidiano está repleto de informações deste
tipo, porém, somente algumas possuem
status de religião.
Elementos constitutivos da religião:

As crenças dizem respeito ao modo como um


grupo concebe o Sagrado e se relaciona com
ele. Há geralmente uma separação entre o
sagrado e o profano. O indivíduo utiliza essas
representações para explicar o sentido dos
eventos fortes da vida como o nascimento, a
puberdade, o casamento e a morte. As
crenças formulam regras de comportamento
diante do sagrado e do profano.
As práticas religiosas se referem ao
procedimento como o homem religioso se
relaciona no seu cotidiano ou em dias sagrados
com a divindade. Os rituais são as ações de
vivência da fé e da comunicação com o divino e
os ritos são as estruturas que sustentam esses
comportamentos. São exemplos dessas práticas a
missa, o culto protestante, a sessão espírita.
Alguns ritos relacionados com o nascimento,
casamento e morte referem-se a mudança de
estado ou de papel social do crente.
Os símbolos são objetos, gestos, expressões e
palavras que identificam uma crença. Os
símbolos sintetizam e gravam o conteúdo da
crença. Eles são mais palpáveis do que os
dogmas e tocam o sentimento de fé das
pessoas. Símbolos são abstrações de
experiências fixadas em formas perceptíveis,
são representações concretas de idéias,
crenças ou juízos.
Tema 3:

A DIVERSIDADE RELIGIOSA NA
HISTÓRIA
A religião é tão antiga quanto a humanidade.
Os cientistas Ioan Couliano e Marija Gimbutas
defendem que não há atividade religiosa antes
dos 60.000 anos. Porém, Mircea Eliade afirma
que até mesmo o primeiro hominídeo tinha
uma consciência humana. O marco mais
aceito para origem da religião é 6 mil anos na
África.
a) As religiões são muito diversas;
b) Elas são organismos vivos;
c) Há religiões que nascem, há religiões que
morrem;
e) Sua perpetuação depende do contexto;
f) Há religiões que se misturam (sincretismos);
a) Religiões abraâmicas: Judaísmo, islamismo e
cristianismo. Os monoteísmos que têm suas
raízes em Abraão.
b) Religiões indianas: São Hinduísmo, budismo,
jainismo e siquismo. Elas têm comum os
conceitos de dharma e de karma.
c)Religiões da Ásia Oriental: São o
Confucionismo, taoísmo e xintoísmo. Elas
compartilham o conceito de Tao.
d) Religiões ameríndias: As religiões indígenas
brasileiras podem ser classificadas pelas
culturas tupi-guarani e macro-jê.
e) Religiões africanas: Há uma grande
variedade na África. No Brasil, estão presente
o Candomblé e a Umbanda.
Tema 2:

OS MONOTEÍSMOS, A CULTURA E
A POLÍTICA OCIDENTAL
Cristianismo, Islamismo e Judaísmo
• Segundo o site World Atlas, as religiões
monoteístas são as mais influentes no mundo.
O cristianismo possui 2,22 bilhões de adeptos;
o islamismo tem 1 bilhão e 605 milhões. Elas
ocupam o primeiro e segundo lugar entre as
religiões. Em oitavo lugar, está o judaísmo que
tem 13, 9 milhões.
• A exigência de se crer em um só Deus levaram
essas três religiões a oscilarem na história
entre tolerância e intolerância. Por natureza,
os politeísmos tendem a ser tolerantes
porque admitem a existência de vários
deuses, logo podem haver também vários
cultos.
Diz-se da crença em vários deuses. O
monoteísmo refere-se à crença em
um só deus.
Tema 4:

AS RELIGIÕES NO BRASIL:
CARACTERÍSTICAS E INTER-RELAÇÕES
• Segundo o Censo de 2010, o Brasil continua
majoritariamente católico, mas vem perdendo
fiéis. O neo-pentecostalismo tem crescido
muito. Os católicos eram 91,8% na década de
70, agora somam 64,6%. Os evangélicos
saltaram neste período de 5,2% para 22,2%.
Os reflexos da mudança religiosa no país estão
no comportamento, nas normas morais e na
política.
Matrizes Religiosas

• a) Matriz cristã-católica;
• b) Matriz indígena;
• c) Matriz africana.
1 - Matriz cristã católica
• A matriz hegemônica na formação
institucional do país é o cristianismo. Até
poucas décadas a normatividade religiosa
brasileira era tomada a partir do catolicismo.
Mas oficialmente desde o início do regime
republicano que há um esforço em laicizar o
Estado.
• Em segundo lugar, se considerou no país o
protestantismo que vinha ganhando terreno
desde as primeiras décadas do século XX. Toda
a formatação de liberdade religiosa teve como
centro o catolicismo. Tais considerações
impediram muito tempo em se conhecer com
mais profundidade as demais religiões do
Brasil.
Matriz indígena
• As religiões indígenas foram as primeiras a
sofrer uma interferência com a chegada dos
missionários jesuítas em 1549. O esforço dos
jesuítas era converter os indígenas à fé
católica. Era uma tarefa difícil porque eles
desconheciam a cultura dos povos indígenas.
A experiência começa no litoral com os
tupinambás.
• O encontro entre jesuítas e indígenas gerou
um choque cultural. Os portugueses
consideram os costumes indígenas como
maus. Era uma dificuldade para os
missionários verem os indígenas nus
assistindo à missa. O amancebamento das
índias com os colonos, a antropofagia, as
bebedeiras de cauim, poligamia, os rituais dos
pajés, tudo era motivo de incômodo para os
missionários.
Matriz africana
• Com a escravidão negra, vieram as religiões de
matriz africana. O primeiro contato entre
escravos e senhor foi também de choque
cultural. Ao ter de assumir a religião do
senhor, os escravos desenvolveram uma
sincretização entre elementos católicos e
africanos. Até os anos 30, essas religiões se
restringiam aos descendentes de africanos.
• Formaram-se vários segmentos religiosos
como candomblé na Bahia, xangô em
Pernambuco e Alagoas, tambor de mina no
Maranhão e Pará, batuque no Rio Grande do
Sul, macumba no Rio de Janeiro. Esses
elementos se uniram ao catolicismo e também
às tradições indígenas.
REFERÊNCIAS
• BORTOLONI, Tiago; YAMAMOTO, Maria Emília. Surgimento e
manutenção do comportamento religioso. Estudos de
Psicologia, v. 18, n. 2, p. 223-229, 2013.
• LARAIA, Roque de Barros. As religiões indígenas: O caso tupi-
guarani. Revista USP, São Paulo, n. 67, 2005.
• MONTEIRO, Paula. Religião, Pluralismo e Esfera Pública no
Brasil. Novos Estudos, n. 74, p. 47-65, 2006.
• PRANDI, Reginaldo. Referências sociais das religiões afro-
brasileiras: Sincretismo, branqueamento e africanização.
Horizontes Antropológicos, Porto Alegre, ano 4, n. 8, p. 151-
167, 1998.