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2ª aula

EVOLUÇÃO HISTÓRICA
DA MEDICINA EM PORTUGAL

Evolução histórica ,regulamentação ,ensino…


Enquadramento sócio temporal das ciências dentárias na sociedade portuguesa

“A evolução das ciências dentárias tem de ser enquadrada no contexto da evolução da


medicina em geral sob pena de não ser totalmente compreendida”
(Manuel Nunes,1999)
CONDADO PORTUCALENSE
(1095 – 1139)

Primeiros sinais de
organização assistencial:

ALBERGARIAS as primeiras
instituições de assistência!
Primeira semelhança com hospitais,

Palácio oferecido por D. Mafalda para “ internamento” =


Isolamento de doentes com lepra:

GAFARIAS ( 1117)!
Gafar = Contagiar Gafarias = contagiar com gafa ( lepra)

Rainhas D. Teresa …. D. Mafalda respetivamente mãe e mulher de D.


Afonso Henriques…Clero…Assistência física e espiritual!
• Continuavam a multiplicar-se mas ainda pouco
ALBERGARI vocacionadas para a assistência na doença
AS

• Fundada por D. Isabel mulher de D. Dinis e continuadas


por D. Leonor …
• A expansão das Misericórdias por todo o reino inseriu-
MISERICORDIA
se num esforço da Coroa em organizar a assistência.

• Que se estenderam até aos nossos dias


• Com funções variadas contemplando também a
MISERICORDIAS assistência na doença!
Cartão Saúde Misericórdias
NOVAS OCORRÊNCIAS
D. Leonor funda um hospital mais diferenciado, sem a
sujeição às ordens canónicas até então em vigor:

Hospital Termal Primeiro estabelecimento termal para


fins terapêuticos a nível mundial

Surgem os primórdios dos princípios de assepsia, com


introdução de regras de higiene hospitalar….com
resultados evidentes na redução da mortalidade!
O Hospital Real de Todos os Santos (HRTS)

HRTS

Lisboa, vista em perspetiva. Gravura em cobre, meados do Séc. XVI (Pormenor) (in G. Braun - Civitates Orbis Terrarum.., vol. V, 1593) (Fonte: Museu da Cidade).
Em meados do Séc. XVI, a cidade de Lisboa não sofrera grandes alterações desde o reinado de D. Manuel. Destaque, ao centro, para a representação do Terreiro do Paço e, mais a norte,
a Praça do Rossio, com os edifícios do Paço dos Estaus, ao fundo, e do Hospital Real de Todos os Santos, do lado direito. 59. Graça, L.(2000) –
O Hospital Real de Todos os Santos. Parte I
Século XVIII

Hospital de Santo António, cuja construção foi iniciada em 1770.


DOENÇAS INFETO CONTAGIOSAS DOENÇAS PROFISSIONAIS

Provedoria Mor da Saúde é criada em 1707 por decreto de 15 de


Dezembro
Corporações dos vários ofícios ou artes a que se seguem:
Junta de saúde ( 1813)
Comissão de saúde ( 1820)
ambas extintas em 1834

Associações e caixas de socorros por novas organizações de operários

Ex. Associação de Socorros Mútuos dos Empregados do Comércio com


sede em Lisboa
Leis de Saúde Pública :Publicadas no Regulamento do Conselho de
Saúde, na dependência do Ministério do Reino, em 1837.
 Definidas as condições de trabalho.
 Inspeção sanitária dos estabelecimentos.

Publicação de “Reforma na Saúde de Passos Manuel”


 Código Administrativo de 1842 - Pronuncia-se pela Defesa da
Saúde Pública.
 Reforma dos Serviços de Saúde e Beneficência ( 1901)
 Criação da DGS e da Direção Geral de Assistência, na dependência
do Ministério da Saúde e Assistência.(1911)
 Criado o Ministério do Trabalho (Depois da implantação a República):
 Gestão das condições de trabalho e saúde do trabalhador (1916)

MEDICINA DO TRABALHO como especialidade médica


1945- Lei nº 35108 de 7 de Novembro de 1945
Uma Delegação de Saúde em cada distrito e
Uma Sub Delegação em cada Conselho
Regulamentação para instituições particulares.

1946- Lei nº 2011

Bases da organização do serviço hospitalar

25 De Abril de 1946 – SNS por Decreto-lei nº 35311

Constituição das Caixas de Previdência


1958- Ministério da Saúde

1962- Decreto – Lei nº 44320 – Direção Geral dos


Hospitais

O deficiente compromisso do estado em assegurar a saúde dos cidadãos


originou a criação de Subsistemas de Saúde independentes

ADSE
Serviços Sociais do Ministério da Justiça
Serviços Sociais dos CTT e da Marconi (atualmente ASC-PT)
ADM para os três ramos das forças armadas
SAD-PSP
Outros…
( exemplos dados sem rigor cronológico e de nomenclatura)
Decreto – Lei nº 414/71
Carreiras dos Profissionais de Saúde

Extinção do Ministério da Saúde - substituído por Secretaria de


Estado da Saúde incorporada no Ministério dos Assuntos Sociais
Lei 56/79
Estabelecimento das bases do SNS

1983- Ministério da Saúde com a Sub Direção de Cuidados de Saúde


Primários e a Direção Geral dos Hospitais

DIVISÃO DE SAÚDE ORAL – 1983 (Decreto Lei nº 74C/84 de 2 Março – 1ª


série do nº 53 do Diário da República

1993- Fusão da Direção Geral de Cuidados de Saúde Primários + Direção


Geral dos Hospitais a cargo da DGS

DIVISÃO DE SAÚDE ORAL + DIVISÃO DE SAÚDE ESCOLAR


Da fundação da Nacionalidade até ao Séc. XII - Conhecimentos médicos escassos e
empíricos transmitidos de pessoa a pessoa.

A escolarização do ensino médico e o registo documental dos conhecimentos acontece em


Coimbra no Séc. XII , Por autorização régia e canónica no Mosteiro de Santa Cruz (
1131),onde o ensino da Medicina era destinado só aos clérigos e leigos

(Sousa, 1992 .538 em 66.Graça L,2000.

PRIMEIROS SINAIS DA TRANSMISSÃO DE CONHECIMENTO ORGANIZADA

Frei Gil de Santarém – (1185-1265) “ Tratado sobre Receitas, Benzeduras, Rezas e Magias”

Pedro Hispano, já no Séc. XIII (1213-1276) único Papa português, João XXI, publicou “Tesouro dos
Pobres “ descrição de curas à base de plantas, benzeduras e exorcismos
1289-1290 - Criado o Estudo Geral de Lisboa por D. Dinis com autorização do Papa, priores e
abades poderosos da época

1291- D. Domingos Annes Jardo cria um Colégio de Ensino Gratuito para Pobres (onde a
Medicina também era ensinada !...)
O Estudo Geral de Lisboa para Coimbra e 1290 até 1377 alterna entre Lisboa e Coimbra.
A partir de 1537 fica definitivamente em Coimbra
O ensino da medicina era constituído apenas por uma
disciplina denominada - Prima

(Só nos finais do Séc. XV (1493) D. João V cria a


segunda disciplina denominada Véspera)

Denominação determinada pelas horas canónicas em


que o ensino era ministrado.
Apesar do Estudo Geral de Lisboa o ensino continuava a acontecer tanto nas
escolas da época como fora delas:
D. Pedro I ( 1357) e o Mestre e Aviz ( 1384) proibiram o ensino fora das escolas.

Anos mais tarde D. João I cria a figura de “ Físico Mor” e tornou obrigatórias
provas finais (após o curso) perante o Físico Mor de que dependia o inicio do
exercício da profissão.
Séc. XIII a Medicina e a Cirurgia separam-se.
A cirurgia considerada uma arte menor era ensinada fora das escolas, individualmente e
empiricamente, sem regulamentação embora fosse também praticada nos hospitais - Estava a
cargo dos barbeiros e outros curandeiros…
1431- Por ordem do Cardeal D. Henrique o Estudo Geral é reformado.
1448- por ordem de D. Afonso V à semelhança do Físico Mor é criada a figura de “Cirurgião Mor”
Lei Régia de 23 de Abril de 1461 Ainda D. Afonso V:
 Retira aos “físicos” a função de boticários, impedindo-os de confecionar mezinhas –
 Incentiva a criação de especialidades
Séc. XV ainda:
 Primeiras autorizações para a prática de especialidades, depois de aprovados os candidatos
em provas específicas
1556- Novos estatutos para o curso de medicina
1556- Uma disciplina de PRATICA CLÍNICA, alteração da autoria do Cardeal D.
Henrique, com o ensino à cabeceira dos doentes
1559- Criada a Universidade de Évora
A medicina adquiriu um carácter científico para o qual muito contribuíram os
trabalhos escritos de nomes famosos portugueses:
 Garcia da Orta (1500-1568) – “ Os Colóquios dos Simples e drogas e Coisas
Medicinais da Índia”
 Amato Lusitano (1511-1568) – “ Centúrias de Curas Médicas” num total de sete
Os hospitais militares começam neste século a adquirir importância no ensino Especialmente na
formação de cirurgiões !…
Ribeiro Sanches (1699-1783), colaborador de Voltaire e Diderot na “ Enciclopédia ” propõe
reformas para o ensino de Medicina que são aceites pelo Marquês de Pombal ;

Disciplina de Higiene obrigatória no curso de Medicina e ainda foi o percursor de um órgão


semelhante à Ordem dos Médicos – Tribunal Médico
 Hospitais Militares que já se evidenciavam desde o Séc. XVII no ensino
contribuindo para a formação de cirurgiões vêm o seu esforço reconhecido com
a implementação do
Plano de Escola Regular e Científica de Medicina Operatória autorizado pelo
Alvará de 27 de Março de 1805 (Hospital da Marinha)
Alvará de 25 de Junho de 1825 cria o Curso de Cirurgia em Escolas Regulares
(Início das Escolas Médico Cirúrgicas de Lisboa Porto)
 O curso de Medicina passa a ser ministrado na faculdade de Medicina da
Universidade de Coimbra criada ao mesmo tempo que as faculdades de Matemática e
Filosofia.

Daí em diante as reformulações são consecutivas, mas sempre a reboque do progresso


científico!...

(Ferreira Gonçalves, 1990; José Hermano Saraiva, 1998;Manuel Lourenço, 1999)


Arte ou Ciência
Sistema Nacional de Saúde
Saúde Oral no Sec XXI
Em Portugal as referencias à medicina oral são mais recentes quando comparadas
com a Medicina em geral os primeiros registos de referências a problemas buco
dentários e soluções surgem a partir do Sec XIII (1247) data de uma receita de
botica para a dor de dentes: (Saraiva, Guerra, 1998)

“ Sumo de pepino ou leite de cadela no ouvido”

Só no Sec XV a Carta Régia de 28 de Outubro de 1448 sob a autoridade de D.


Afonso V, apareceram os primeiros sinais de regulamentação da então definida por
“ Arte Dentária” muito virada para a cirurgia.

Também no Século XV nos relatos dos Lusíadas sobre a viagem


de Vasco da Gama, Camões faz referências a doenças das gengivas
Evolução em Portugal…
Século XVI

Amato Lusitano – contemporâneo de Garcia da Orta :


 Refere no “ Centúrias de Curas Médicas”, o primeiro tratamento mecânico do palato num doente
sifilítico, em 1561e que é copiado por Ambroise Paré, 18 anos depois em 1579.
 Descreve diversos sinais, sintomas e até diagnósticos de patologias da cavidade oral, como odontalgias,
mobilidade dentária, ulcerações, tumores
 Com Garcia da Orta num livro por ele escrito livro, aparecem referencias a doenças da boca e a
tratamentos possíveis
Tomás Rodrigues da Veiga: “ Obturações “ com folha de ouro ou resina de aroeiro
Cristóvão Rodrigues de Oliveira publicou estatística sobre profissionais que se dedicavam à “ arte
dentaria” :

Dentistas – 8 Barbeiros autorizados – 19 Cirurgiões – 60


SEC XVII
 Primeira mulher com licença para exercer, mas só se não houvesse físico graduado ou
com licença – Isabel Jorge estava autorizada a tratar “ Frieiras das mãos e boca”
 Carta Régia determina o exame para exercer arte dentária dos barbeiros e cirurgiões do
reino perante o Cirurgião Mor (1629)
 Multa para atos não licenciados de extração de dentes (1631)
 Zacuto Lusitano – “De Medicorum Principium História”

Descreve a anatomia da língua, dentes, estruturas anexas como vasos sanguíneos e nervos,
mas descreve os dentes como ossos …pesquisou sobre língua e litiase de glândulas
salivares…tratamentos para dores dentes e hemorragias post extração.

 Rodrigo de Castro – “ De Universa Muliebrium Morborum Medicina” Descreve as


odontalgias como sintoma de gravidez !…
 João Pinheiro da Mata, cirurgião Vende preparados para odontalgias.
“SACA MUELAS”…Tira Dentes
“SACA MUELAS”…
SEC XVIII

 João Cardoso de Miranda refere uma casuística de 4.000 casos


observados referindo doenças das gengivas propondo também, curas
para patologias orais mais variadas.
 Cargos de Físico – Mor e Cirurgião – Mor são extintos por D. Maria I que
cria Real Junta do Proto-Medicato responsável pela emissão de licenças
para os “ arrancadores e dentes”.
 Feliciano de Almeida – Obra “Cirurgia Reformada “ emprega pela 1ª vez o
termo odontalgia
Dr. Mirandela (Francisco da Fonseca Henriques) – Obra “ Medicina Lusitana. Socorro Delphico”
Refere-se a :
Dentição, nascimento de dentes, dores de dentes, extrações sem dor, conservação para prevenção,
como tratar cáries pouco extensas ao efeito cauterizante com determinadas substancias como por
exemplo “água forte”, mezinhas e sangrias

Descrição de dentes amarelos


(dentes hipoplásicos!...)

 Regras de higiene
“Palito de ouro ou pau de lentisco e água fria, branqueamento com vinho + enxofre esfregando-se com pano
de linho áspero ou com pedra pomes requeimada e afogada em vinho branco ou aguardente ou ainda sal,
pó de coral, pó de casca de ovo, pó de alabastro…”

 Dentes supranumerários
“a erupcionar no céu-da-boca ou na “garganta…”
 1726-João Batista Grimaldi Francelino, natural de Malta intitulando-
se famoso dentista e fazendo-se anunciar:
“Especial engenho, que tem de embranquecer e conservar dentes e
as gengivas; de tirar sem dor os que doem, pondo outros no seu
lugar, arrancando raízes com tanta justeza, que se não percebe,
sem usar o boticão; mora na rua nova do Almada, defronte da Igreja
do Espírito Santo”.
 Pedro Gay, francês, prometia “transplantes de uma boca para
outra”…
 Diogo Migaud (dentista).
 João António Dufor (dentista, químico e botânico, dizendo-se
dentista do Rei da Sardenha).
1800- António d, Almeida – “Tratado Completo de Medicina Operatória”

Lamentava que a área de cirurgia dedicada aos dentes “só estivesse a cargo de
dentistas e estes só arrancavam dentes…”
Falou de: Cárie dentárias, hetero – transplantes dentários, fistulas salivares…

João Lopes Corrêa, cirurgião recomendava abstinência de doces porque


estragavam o esmalte…

Joaquim José dos Santos – dentista português aprovado pela Junta Proto-Medicato.
Foram surgindo mais profissionais. que se começavam a distribuir pelo país, com
competências cada vez mais variadas não só em termos de interpretação da doença
como também do seu tratamento, contribuindo ainda com publicações.

Adolfo Dumareil de Vity Exerceu em Lisboa e no Porto, possuía conhecimentos técnicos e


científicos reconhecidos, inventou instrumentos, foi dentista da Duquesa de Bragança e
seus filhos, de D. Maria II, D. Fernando, publicou variados livros e opúsculos (onze pelo
menos).
Em 1869 a lista de dentistas estrangeiros a exercer em Portugal é longa

A partir de 1868 e por existirem muitos dentistas estrangeiros em Portugal


surge o Decreto – Lei de 3 de Dezembro de 1868, publicado no Diário do
Governo de 1869, nº 135 e Artª 45

Obrigatório inscrição e matrícula nas Administrações Concelhias ou no


Comissariado da Polícia em Lisboa e no Porto, incorrendo em prisão quem
assim não procedesse…
(Carvalho, Augusto da Silva, 1934)
 Manuel Caroça 1898 – em Congresso Nacional apresenta o tema:

ORGANIZAÇÃO DOS ESTUDOS ODONTOLÓGICOS EM PORTUGAL

No Congresso Internacional de Medicina em Lisboa:

 Tiago Marques 1906 – apresentou o tema:

LA CARIE DENTAIRE DANS LA POPULATION PAUVRE DE LISBONNE

 Óscar Amado:

LES IMPLANTACIONS DES DENTS APRÉAS VINGT ANS De EXPERIENCE

 Amor Melo:

ANESTHESY BY ETHYL- CHLORIDE; A NEW METHOD FOR ITS ADMINISTRATION

UN CAS DE ABLATION DU MAXILAIRE INFERIEUR

 Teixeira Dinis:

LA PERLÉCHE, LA STOMTATIE ULCÉREUSE E LA MALADIE DE RIGA DANS LA POPULATION DE LISBONNE

(Carvalho Augusto da Silva, 1936)


 Foi suprimida a Real Junta do Proto-Medicato e recriado o Cirurgião Mor.

 A regulamentação sobre o exame para licenciamento de dentistas datado de


1870 manteve - se até cerca de 1911( já depois da implantação da República).

Ricardo Jorge em 1885 no relatório para o Conselho Superior de Instrução Pública
pede CURSOS ESPECIAIS PARA DENTISTAS

18 de Janeiro de 1911- o primeiro ministro da República Portuguesa António José


de Almeida por publicação em Diário de Governo :
Suspende os exames para licenciamento de dentistas
Entrega o exercício da profissão apenas a licenciados em Medicina.
 Diário do Governo de 22 de Fevereiro de 1911, Capítulo I, artigo 4- Reforma do Ensino
Médico - determina a criação da Disciplina de Estomatologia ( nunca passou do papel
e foi extinta em 1926 )

 25 de Maio de 1911 – Direção Geral da Instrução Secundária Superior e Especial cria a


Especialidade de Estomatologia a ser atribuída a licenciados em medicina

 1949 - Dr. Paiva Boléo sugere de novo a disciplina, no curso de medicina ou até a
criação de uma escola estomatológica

 1951- Dr. Fernandes Cruz, Diretor do Serviço de Estomatologia e Cirurgia Maxilo-


Facial do H. Santa Maria voltou a defender a criação da disciplina de Estomatologia
Pioneiro da Estomatologia – Tiago Marques

 Nasceu em 1877
 Licenciado em Medicina em 1904 em 1905 foi para Paris fazer a especialidade de
Estomatologista
 Director do serviço de Estomatologia do H. Santa Marta (hospital escolar na época)
 Foi contemporâneo da criação da especialidade em Portugal
 Conseguiu em 1917 o reconhecimento da Estomatologia pela a associação dos Médicos
Portugueses (precursora da OM)
 Presidente da Sociedade Portuguesa de Estomatologia ( SPE) com alvará de 1919 e com
26 sócios fundadores
 Co – autor da 1ª revista de estomatologia em 1934 e que passou a publicação regular em
1941
 Conseguiu a publicação em Decreto – Lei nº 1480 de 21 de Setembro de 1927 do Instituto
de Estomatologia embora este não tenha passado do papel.
 A determinação de que a odontologia só deveria ser exercida por
licenciados em medicina ou que deveria ser instituído o seu ensino
não foram cumpridos

 Havia em Portugal variados indivíduos de formações também elas


variadas a exercer a profissão de dentista., a confusão era grande no
campo das “ ARTES DENTÁRIAS” …

ODesde licenciados
governo em medicinaapesar
era tolerante, que defendiam tese nas
de haver áreas dentárias…
legislação aprovada sobre
como Augusto Simões ou Manuel Luís de Carvalho Cerqueira, o primeiro com o
assunto .
tema “ A dor na clínica dentária e o segundo com o tema Artrites alvéolo- dentárias crónicas

Até aos indivíduos curiosos e analfabetos…

Todos abriam livremente consultórios !...


 Ordem dos Médicos:
Criada por Decreto-lei nº 29171 de 24 de Novembro de 1938

 Regulamento da Carteira Profissional dos Odontologistas Portugueses :


Despacho do Sub-secretário de Estado das Corporações e Previdência Social, em 20 de
Dezembro de 1939,
Publicado no Diário do Governo, 1ª série, nº 25 de 30 de Janeiro de 1940 –
O que dizia o Regulamento da Carteira Profissional dos Odontologistas
Portugueses?
“Só poderiam exercer aqueles que obtivessem a carteira profissional e só podia obter a
mesma, os indivíduos habilitados a exercer a profissão odontológica pelas leis do país,
perante as quais apenas os licenciados em Medicina preenchiam os requisitos”

Contudo em caso de recusa era permitido o recurso para o Instituto Nacional de


Trabalho e Previdência !...
Posição do Sindicato dos Cirurgiões Dentistas ( Odontologistas) face ao
Regulamento da Carteira Profissional dos Odontologistas
Portugueses:

Determinou que todos os sindicalizados com documentação em ordem


poderiam obter a carteira profissional.
Definiu quem não poderia exercer e ficava sujeito a ação legal
Quem não poderia exercer e ficava sujeito a acção legal

1-Sem carteira Profissional

2-Exercício clandestino

3-Odontologistas com mais de um consultório em que os serviços


são prestados por exerçam indivíduos não autorizados

4-Licenciados em Medicina que “ encobrissem indiferenciados


Assumidas as necessidades de formação
específica foi escolhido o modelo que até
hoje tomou forma e se consolidou.

ESCOLAS DE MEDICINA DENTÁRIA


 Outubro 1974 – No decurso das Jornadas da Sociedade Portuguesa de
Estomatologia foi anunciada a intenção Governamental de lançar o
ensino da Medicina Dentária em Portugal

 Julho 1975 – Comissão Instaladora da Escola Superior de Medicina


Dentária da Universidade de Lisboa toma posse Decreto-Lei nº 262/75 de
6 de Junho

 1977/1978 - Início do Primeiro Curso, com plano de estudos aprovado


pela portaria nº 917/81 e alterado pela portaria nº 364/90
Primeiro só ENSINO PÚBLICO…. mais tarde também ENSINO
PRIVADO.
 Assistentes Dentários
 Estomatologistas
 Cirurgiões Dentistas
 Cirurgiões Maxilo-Faciais
 Clínicos Gerais
 Higienistas Orais
 Médicos Dentistas
 Odontologistas
 Protésicos

Sobre a descrição da variedade de profissionais seguiu – se apenas uma ordem alfabética !...
 Pouco desenvolvido no campo da saúde oral sobretudo prevenção secundária começa a
alargar o seu raio de ação:
Cheques dentista não só para crianças e jovens mas também para idosos, portadores
de doenças infetocontagiosas e prevenção do cancro oral

 Poucos profissionais em estabelecimentos estatais, alguns estomatologistas ( E) e desde


2016/2017 abertura de vagas no SNS para Médicos Dentistas ( MD)

Mas sem carreira específica –


equiparados a técnicos superiores !

 Hospitais militares onde aí sim têm uma carreira de Médicos Dentistas


Prestação não privada é assegurada por subsistemas que estabelecem protocolos
com privados por não terem resposta suficiente nos seus estabelecimentos de saúde

ADSE
ADM
ACSPT
SSCGD
SAMS e SAMS QUADROS

Prestação a partir de Seguros de Saúde ( a partir de 2003)

Prestação por planos de Saúde que estão a invadir o mercado cada vez mais com
pouca ou nenhuma supervisão das ordens profissionais e muito pouco monitorizada,
apenas na maioria dos casos após reclamações

Estão a ser dados os primeiros passos em apoio domiciliário


 4.500 (49% mulheres) e (52% Homens)
 Generalistas - 4.432

 Em meio Hospitalar – desconhecido


 Forças Armadas +-35
 SNS – Nenhum
 Estomatologistas – 635
 Odontologistas – 550
 Até 1990 havia ainda um acordo com o Brasil para permitir a pratica livre de profissionais qualificados. A
partir da entrada de Portugal na EU passou a ser necessário o reconhecimento dos seus diplomas por universidades
públicas portuguesas.

A partir de 2003 – contar com mais cerca de 350 Médicos Dentistas por ano
 Muito reduzidas as vagas para estomatologia ( em 2011, 5 para todo o pais)
 Não são autorizados novos Odontologistas
Técnicos de prótese dentária
 Curso de 3 anos (bacharelato) ou mais e ano e obtêm o diploma de licenciatura
(bi - etápica) – Antes de Bolonha
 Só podem executar próteses, dependem do Ministério a Saúde mas podem
também estar inscritos na Associação de Técnicos Dentários (não obrigatório).
 Trabalham em Laboratórios de Prótese, não estão autorizados a trabalhar
directamente com o doente.
 Cada técnico dedica-se geralmente a áreas específicas da Prostodontia
 Em 2003 eram cerca de 5.500
ASSISTENTES DENTÁRIOS

 Sem formação ainda uniformizada permitem o exercício da Medicina Dentária a


4 mãos, preparam equipamentos , instrumentos e materiais, recebem os
doentes, executam tarefas de contabilidade imediatas…

 Existem cursos geralmente de horário


pós laboral, públicos e privados

 Têm uma associação própria


Associações Profissionais de Direito Público:

 MD – Ordem dos Médicos Dentistas ( OMD)


 ESTOMATOLOGISTAS – Ordem dos Médicos (OM)
 ODONTOLOGISTAS – Não têm organismo similar
Associações Profissionais de Direito Privado:

ANDEP- Associação Nacional dos Dentistas Portugueses


( Odontologistas)
APHO- Associação Portuguesa de Higiene Oral ( Higienistas )
Associação Portuguesa de Técnicos de Prótese Dentária ( Técnicos de prótese)
Sindicato Nacional dos Protésicos Dentários ( Técnicos de prótese)

Associação dos Industriais de Prótese ( Técnicos de prótese)


Associações de Direito Privado com Fins Científicos

SPEMD- Sociedade Portuguesa de Estomatologia e Medicina Dentária


SPSOIP- Sociedade Portuguesa de Saúde Oral Infantil e Prevenção

APSO- Associação Portuguesa de Saúde Oral


APIOB- Associação Portuguesa de Implantologia e Biomateriais
APCO- Associação Portuguesa de Cirurgia Oral
APMO- Associação Portuguesa de Medicina Oral

Grupo de Prevenção Dentária

Sociedade Portuguesa de Ortodontia


Sociedade Portuguesa de Prostodontia
ADAM- Associação de Estudos de Medicina Dentária do Arquipélago da Madeira

APSPPPE- Associação Portuguesa de Saúde Oral Para Pacientes Portadores de Patologias Especiais
Código de Ética
Estabelecido pelas Associações OMD e OM controla a conduta e o comportamento
ético.

Inclui a definição de capacidades ou competências exigidas à prática da


profissão, regras de publicidade e implementação da educação contínua.

Conselho de Ética
Pode ser chamado a pronunciar-se sobre uma queixa de um profissional feita por
um doente e pode sancioná-lo se comprovados os factos:
Suspendendo temporariamente
Suspendendo definitivamente
Mas também pode ser chamado a pronunciar-se sobe uma agressão de um doente
ao profissional
As reclamações dos doentes podem ser feitas por dois motivos:

 Foram quebradas as condições do contracto; neste caso obriga apenas à acção de


um assessor legal

 Posto em causa o acto médico e neste caso tem de haver peritagem. Por um Director
Clínico se instituição hospitalar ou subsistema ou por um médico externo e
independente, no caso de se tratar de prática privada.
 Em Portugal não é permitida publicidade, mas web sites podem ser utilizados se a
associação profissional respectiva o autorizar.

 Existe o seguro de responsabilidade civil para os profissionais

 Empresas profissionais são autorizadas e podem até não pertencer a dentistas. Neste
caso têm de ser dirigidas por um Director Clínico, Estomatologista ou Médico Dentista.

 Em termos fiscais existe legislação diferente caso se trate de uma empresa


constituída apenas por clínicos ou ao contrário tenha uma composição de sócios
variada.
 ERS
 ARS
 SIRAPA
 Departamento de radiações ionizantes
 Laboratório Nacional de Energia e Tecnologia Industrial
 Serviço Nacional de Bombeiros
 Autoridades locais (Câmaras Municipais e Centros de Saúde)
 Empresas de Higiene e Segurança no trabalho
Saúde Oral no SÉCULO XXI

“Todo o cidadão europeu deverá ter acesso a


cuidados de saúde oral de elevada qualidade,
providenciados por profissionais treinados,
qualificados, competentes, capazes de se adaptarem
e utilizarem sempre a última tecnologia”
In November 2007CED RESOLUTION
CED- Council of European Dentists
1- Importância crescente das doenças orais com impacto na economia de um país
2- Aumento do tempo de vida das populações que modifica percentualmente a faixa
etária dos doentes e exige novas atitudes médicas
3- Maior a evidência da associação entre Saúde oral e Saúde em geral
4- Aumento das doenças associadas a aspectos comportamentais
5- Populações multifacetadas étnica e culturalmente, com situações clínicas e atitudes
muito particulares
6- Avanços da ciência, investigação e tecnologia
 Que compreenda as necessidades da sociedade contribuindo para reduzir o
impacto das doenças orais

 Atuando ao nível da prevenção, funcionando como educador para a saúde.


 Tratando sem descurar, a interligação entre a saúde oral e a saúde
sistémica, procurando e fomentando a colaboração com outros profissionais
de saúde.
 Que esteja atento a todas as mudanças científicas , tecnológicos , sociais,
promovendo a formação ao longo da vida
 Que contribua para o avanço científico e tecnológico
“Assim será aconselhável que a formação dentária seja
subordinada a uma orientação mais médica.
Também o conhecimento básico adquirido durante o
ensino deverá ser entendido apenas como um primeiro
patamar da formação que continuada ao longo a vida
permitirá ao dentista prevenir e tratar as doenças orais”
In November 2007CED RESOLUTION
CED- Council of European Dentists
Capítulo II- A Equipa, A Gestão,
As Atribuições
EXERCÍCIO DA
MEDICINA DENTÁRIA
- Objetivos
O exercício da Medicina Dentária tem por objetivos principais:

 Prestar cuidados no âmbito da implementação da saúde oral, prevenindo, ensinando,


diagnosticando e tratando consequências da doença oral ou manifestações orais de
doenças sistémicas

 Permitir o sustento do profissional e família mediante um salário ou rendimento obtidos


pelo exercício da sua profissão.
O exercício da Medicina Dentária está englobado
CONCEITO
no DE SERVIÇO
sector profissional da prestação de serviços.

Se o ato médico for


executado
Se o ato médico for
Se um doente
executado em
procurar o
sintonia com as
consultório
perspetivas o doente
E SE ESTE VOLTAR

Foi consumado o
serviço
Acto médico - serviço – confiança…
MAS:

O ACTO MÉDICO tem de ser mais que uma prestação de serviços


mesmo que para efeitos burocráticos assim seja definido…

O doente só volta se além de lhe ter sido prestado um serviço


adquiriu confiança.

Logo a confiança é mais importante que o serviço!


Tem de ser constituída uma equipa,
Criado e equipado o espaço de prestação de acordo com legislação própria,
Serem seguidas práticas adequadas depois do diagnóstico:

Técnicas terapêuticas, cuidados complementares de higiene, esterilização,


segurança … e relação profissional de saúde/ doente adequada!
MATERIAIS
DENTÁRIOS Anatomia
DIVERSOS Fisiologia
Bioquímica
Farmacologia
Meios
auxiliares de
EQUIPAMENTOS diagnóstico
Psicologia
etc…

Terão de se conjugar:
Conhecimentos técnico – científicos com interação entre pessoas, instalações,
equipamentos, materiais…

LEGISLAÇÃO
EXERCÍCIO DA MEDICINA DENTÁRIA
1- Equipa
Variada mas não indiferenciada !
1-Competência técnico profissional (formação adquirida )

 Médicos Dentistas ( Mestrado Integrado)


 Higienistas ( licenciatura)
 Assistentes Dentários ( cursos profissionalizantes)
 Rececionistas ( cursos profissionalizantes)
 Técnicos de Prótese ( licenciatura)
2- Gestão de recursos humanos

3- Cumprimento das regras de proteção Manutenção de condições de


saúde, higiene e segurança de pessoas e instalações

4- Ações regulares de formação


Gestão de conflitos, Segurança e Higiene no Trabalho, Socorrismo,
Prevenção, combate e atitudes em situações de incêndio, Novas
tecnologias…

5- Instalações adequadas ( de acordo com legislação recente)

6- Horários de trabalho/ períodos de descanso legislados e acordados


Equipa diferenciada e bem gerida é chave
para o sucesso…
Diretor Clínico
outros clínicos
Generalistas,
especialistas

Higienistas
Técnicos de
Assistentes Dentárias Nem sempre presentes
prótese
Rececionistas Formação escolar
Sempre necessários
Sempre presentes definida
Formação escolar
Formação escolar ainda Funções
definida
não Específicas e
Raramente trabalham
uniformizada complementares
nas mesmas instalações
Rececionista:
 Atender chamadas telefónicas
 Receção e despedida do doente
 Receção de representantes de produtos dentários e ou
farmacológicos
 Gestão da agenda
 Tarefas de arquivo
 Registo de todas as operações
 Facturação
 Gestão da correspondência
Clínico:
 Assistência ao doente

Prevenção, diagnóstico e tratamento das doenças dos dentes, boca e maxilares,


como generalista ou como especialista.

 Organização e gestão da clínica ( pode prescindir entregando a pessoal


especializado – Gestores)
 Cirurgia ODONTOPEDIATRIA

 Dentisteria TERAPEUTICA
ESPECIAL
 Endodontia
 Periodontologia
 Prostodontia
CIRURGIA
ODONTOGERIATRIA
 Ortodontia
MAXILO-
 Medicina Dentária Preventiva FACIAL

GRÁVIDAS

CIRURGIA ORTOGNÁTICA
IMPLANTOLOGIA
Higienista:

Promoção da saúde oral


Educação sanitária
Atuação direta com medidas de higiene e prevenção:
 Destartarização
 Aplicação de fluor
 Aplicação de selantes

Pode ainda atuar como assistente do clínico.


Assistente Dentária:

Pode realizar funções desde a receção do doente até ao acompanhamento e colaboração durante a
consulta.

 Preparação e disposição prévia ou a pedido de materiais e instrumentos específicos


 Revelação de radiografias ou preparativos para a radiografia digital…
 Lavagem , desinfeção , empacotamento, esterilização de materiais e instrumentos
 Limpeza e desinfeção das instalações em especial grandes equipamentos
 Supervisão da manutenção de equipamentos e stocks de materiais
MEDIDAS HIGIENOSANITÁRIAS PREVENTIVAS DA
INFEÇÃO CRUZADA

Todos os instrumentos utilizados na consulta de medicina dentária têm de ser


lavados, desinfetados e esterilizados.
As 4 fases:
1- A limpeza antes da esterilização ( manual, mecânica, ultras sónica)
2- O acondicionamento ( individualmente ou em grupo, em caixas ou mangas
próprias…)
3- A esterilização propriamente dita
CALOR HÚMIDO (vapor pressurizado)
CALOR SECO, PRODUTOS QÍMICOS GASOSOS
4- A conservação asséptica.
Todas as superfícies limpas e desinfetadas, nomeadamente embalagens de
materiais de tratamento.

Sempre que possível utilizar descartáveis


Empacotamento:

Preparação para esterilização em auto clave


Técnico de Prótese:
 Interpretação dos dados objetivos enviados pelo médico e respetiva informação clínica

 Desenho e confeção de dispositivos de reabilitação

 Trabalho independente ou privativo da clínica


Dispositivos confeccionados pelo
O que se pode pedir para o laboratório de prótese:
Técnico de Prótese:

PRÓTESE REMOVÍVEL
PRÓTESE FIXA
PRÓTESE SOBRE IMPLANTES
PRÓTESE COMBINADA
APARELHOS DE ORTODONCIA
MOLDEIRAS PARA DIVERSAS FINALIDADES
CONSERTOS
Restaurações por método indireto

Inlays
Onlays
Ortopantomografia de doente portador de prótese fixa
total inferior sobre implantes
EXERCÍCIO DA MEDICINA
DENTÁRIA
2-Gestão da prestação
1-Atitudes que promovem um serviço

 O gestor deve dar bons motivos para que o doente fale do seu consultório a outros

as más notícias são as que correm mais rapidamente…


Doente Confiante

Relaxado, sorridente…
 Manter um horário regular de funcionamento
 Providenciar uma resposta eficaz em situação de emergência mesmo na ausência do médico
 Actuar sempre na observância dos princípios éticos
 Praticar serviços de qualidade
 Reconhecer as necessidades de cada doente, dedicando tempo para o ouvir, respeitando os
seus conceitos e reconhecendo o direito à livre escolha
 Informar de forma inteligível todas as alternativas de tratamento
 Sossegar os doentes relativamente a receios pré instalados
 Escolher empregados qualificados
 Introduzir os membros da equipa nas decisões
 Encorajar um ambiente “ familiar”
 Promover a constante atualização
 Atuar sempre em segurança
 Participar em atividades comunitárias
EXERCÍCIO DA MEDICINA
DENTÁRIA
3-Instalações
INSTALAÇÕES … pré - requisitos

• Amplitude
• Boa iluminação
• Cores adequadas
• Facilidade de higienização
• Equipamentos ergonómicos
• Acessibilidade para pessoas com mobilidade
reduzida
• Segurança, com sinalética adequada
Zona de Receção
Sala de espera
Sanitários

INSTALAÇÕES
Gabinete de
COMPLEMENTARES
Esterilização
Sala de tratamento Armazém de materiais
Lavagem, desinfeção,
Sala de Radiologia Sala de máquinas
empacotamento e
Recolha de lixos
esterilização
ESTERILIZAÇÃO
A disposição da sala de esterilização deve permitir um
percurso lógico e seguro:

Cuba ultrassónica obrigatória


Seladora

sujos desinfecção lavagem empacotamento

esterilização
lixos Reutilizáveis Autoclave

armazenamento
Produtos contaminados com sangue e
objetos cortantes - Contentores especiais
Separação de lixo reciclável do comum
Equipamentos para a sala
de esterilização

Cuba de
desinfecção

Lavagem
Lavagem ultrassónica
mecânica

autoclave
secadora
seladora
ARMAZENAMENTO

Materiais e fármacos devem ser agrupados:


 Indicação de utilização
 Classificação

Stocks devem ser regulados pelo período de validade de cada material ou fármaco

Produtos considerados perigosos devem :


 Ser avaliados regularmente
 Armazenados segundo determinadas condições
 Estarem acompanhados de instruções sobre a sua natureza e propriedades e ainda sobre atitudes a tomar
em caso de acidente
Os materiais classificam-se em função
do risco de exposição das pessoas.
Alto risco para a saúde
 Cancerígenos
 Microrganismos patogénicos
 Resíduos contaminados
 Desinfetantes corrosivos e muito concentrados
 Substâncias com acido fluorídrico ou fenol

Stocks mínimos, contentores herméticos especialmente se forem


produtos voláteis, boa ventilação local protegidos de fogo ou
outras fontes e calor, ou vezes exigem refrigeração …
Risco médio
 Mercúrio
 Gases
 Anestésicos
 Alguns produtos de limpeza
 Materiais para conserto de próteses
 Líquidos de revelação de Rx
 Ácidos ( ortofosfórico, maleico, sulfúrico, tricloroacético…)
Pouco ou nenhum risco:
• Materiais de impressão e modelo
• Materiais e obturação
• Materiais de fixação
• Materiais de higienização dentária

Atenção à foto sensibilidade de alguns ou à sensibilidade ao grau de


humidade da atmosfera
Alguns exigem armazenamento em frigorífico
Alguns podem ser inflamáveis
Legislação específica e rigorosa sobre :

• Abertura de consultórios • Obrigatoriedade de


MD inscrição:
• Normas de proteção ERS
radiológica e
licenciamento de ARS
equipamentos de SIRAPA
radiologia
• Assuntos fiscais
• Recolha de resíduos
• Proteção contra incêndios
• Medicina do trabalho
• Projeto de prevenção de
• Formação anual dos acidentes
funcionários em áreas
específicas
• Etc…etc!
História Clínica
A.Amorim

111
Conceito
Noções prévias
Colheita da história clínica
Estrutura da História Clínica

112
História clínica - CONCEITO

É uma etapa essencial no ato médico.

A história clínica conduz ao raciocínio de diagnóstico e


contribui para o tratamento do doente !

Tem de ser corretamente obtida e registada


( escrita).
Tem valor legal funcionando como documento , constituindo prova
em julgamento.

113
Informação básica complementar…
Astenia, adinamia, anorexia,
perda de peso, diaforese,
Sintoma- cianose, icterícia, palidez,
• Pode ser geral ou especifico hipertermia….

• Manifestação subjetiva de • Icterícia das cirroses e


doença icterícia das anemias
hemolíticas
Sinais e sintomas • Perda de peso numa doença
comuns a muitas do foro neoplásico e perda de
situações patológicas peso numa perturbação do
Sinal foro psicológico
• Manifestação objetiva de • Anemia em situações de
doença perda sanguínea ou em
doenças infeciosas,
neoplásicas ou outras sem
perda sanguínea;

114
Síndrome ou sindroma
Conjunto de sinais e/ou sintomas que identificam uma situação mas
não a doença propriamente dita
Calor + rubor+ dor = inflamação
Doença
Caracterizada por 5 fases:

1ªFase - FASE DE INCUBAÇÃO ( Sem manifestação);


2ªFase - FASE PRODRÓMICA ( Algumas manifestações possibilitam um
diagnóstico);
3ªFase - FASE DE INSTALAÇÃO (As manifestações caracterizam regra geral
a doença);
4ªFase - FASE DE RESOLUÇÃO;
5ªFase – RECUPERAÇÃO Versus MORTE.
115
Condições exigíveis para a Colheita da história
clínica

• Ambiente adequado
Tranquilidade , ausência de ruído, iluminação adequada, temperatura
amena

• Atitude adequada
Sintonia, atenção, cuidado a ver e ouvir

O profissional de saúde tem de estar atento, saber ouvir, mas também ser capaz de
interromper, e muito importante ….gerar empatia...

EMPATIA É UM PILAR FUNDAMENTAL NA RELAÇÃO MÉDICO DOENTE


A relação médico doente forja-se e pode ser condicionada pelo
primeiro olhar
• O médico deve gerar empatia mas não paternalismo;
• O médico deve manter uma relação de respeito nunca de falsa
superioridade;
• A relação médico doente tem de se sustentar em relação de confiança.

Os primeiros dados recolhidos na entrevista ao doente podem


condicionar todo o processo seguinte.

O médico deve estar atento a dados variados:


Postura, atitude, expressão facial, indumentária, articulação verbal, tom de
voz, riqueza simbólica e de linguagem, … 117
 1- Identificação
 2- Anamnese
 3- Exame objetivo
 4- Formulação de hipóteses de
Estrutura da HC diagnóstico
 5- Meios auxiliares de diagnóstico
 6- Diagnóstico definitivo
 7- Proposta terapêutica
 8- Prognóstico

118
Identificação do doente
Estrutura da Nome: Primeiro dado importante
HC para se estabelecer contacto

Quem é?
Idade: Existe probabilidade
Onde mora? prognóstica em função da idade

Que profissão exerce ( há


quanto tempo)? ou
Local de nascimento: Existe
exerceu ( durante probabilidade prognóstica em
quanto tempo)? função da geografia – doenças de
distribuição geográfica

Qual a importância Estado civil: Importante na


destes dados? compreensão do agregado
familiar e suas doenças
Onde mora ? a exposição Exemplos com significado

Estrutura da ambiental pode alertar


para algum tipo e  Fumos e poeiras de cimenteiras por
exemplo em Alverca, Alhandra, Sesimbra-

HC patologia

doenças respiratórias variadas

Radiações – por exemplo de radão na


Guarda- maior propensão para o
aparecimento de neoplasias

 Fumos  Maior conteúdo de determinados


elementos na água de fornecimento
 Poeiras público por ex. de arsénio, em zonas ricas
em granito, de flúor, de chumbo ou mesmo
enxofre, podendo contribuir para
intoxicações, insuficiência renal, fluorose ,
 Radiações etc

 Água com teores diferentes  Regiões da Beira interior onde por iodo
reduzido existe maior propensão para
de variados elementos situações de hipotiroidismo


 Tipo de alimentação mais Determinado tipo de alimentação onde a
couve entre exageradamente, propicia
comum também o hipotiroidismo , também era
comum na beira interior
Importância do
conhecimento da Movimentos repetitivos
exposição poeiras/ fumos/ inalação química
profissional
Posições forçadas e repetidas

Infeções cruzadas

121
Consequência de determinados hábitos
e de hábitos Importante para o diagnóstico:

122
Motivo de consulta :
O que o traz cá ? Regista-se tal como foi dito pelo doente ou familiares

Queixas atuais – Sobre o que o levou a vir à consulta que é a doença atual

• Referidas pelo doente ou por acompanhante no caso do primeiro ser criança ou


deficiente
• Necessário deixar falar durante breves minutos, depois:

Orientar o discurso esclarecendo as manifestações referidas


Rever queixas não referidas por sistemas, preparando o despiste de doenças
concomitantes

123
1- Perguntar sobre passado pessoal ,
geral e patológico

• Hábitos tabágicos, alcoólicos, outros,


etc…
• Algumas doenças têm manifestações
tardias diferentes das iniciais
• Algumas doenças preexistentes exigem
que o clínico na sua área seja obrigado a
atitudes específicas

HISTÓRIA PREGRESSA

124
2- Perguntar sobre passado familiar , presente geral e patológico

• Doença coronária
• Doenças degenerativas
• Doenças metabólicas
• Hemoglobinopatias
• Doenças familiares do foro endocrinológico
• Situações familiares de doenças neoplásicas

3- EXAME OBJETIVO

• Observação
• Palpação
• Percussão
• Auscultação

125
Observação:
Sinais Vitais
Dados do exame objetivo que traduzem o estado funcional de funções fundamentais à
manutenção da vida
• Fácies ( expressão, mímica…) – em muitas situações patológicas o FACIES é característico:
Doenças endócrinas, psiquiátricas, perturbações genéticas

126
• Fácies ( expressão, mímica…) –
em muitas situações patológicas o facies é
característico: Doenças endócrinas, psiquiátricas,
perturbações genéticas

Facies do Sindrome de Down, Acromegália,


Hipotiroidismo e Hipertiroidismo …

Sinais de disfunção da Tiroide 127


Síndrome de Down
Cor de pele e mucosas:
sinal de anemia, de icterícia, cianose, sinais de traumatismos

12
9
1. Temperatura e grau de humidade pele fria e húmida = colapso circulatória, pele muito seca e com
prega = desidratação, Vermelha e quente = inflamação…
2. Relação idade-estatura-peso (adequada, magreza, obesidade)
3. Mobilidade ( limitação de movimentos pode constituir um alerta para procurar determinadas
patologias específicas ou ainda explicar comportamentos detetados como por ex. higiene
deficiente,…)
4. Movimentos respiratórios
5. Medição de TA
6. Pulso - frequência, regularidade, ritmo, amplitude
7. Estado de consciência –
7.1Vigil - grau e tipo de colaboração, orientação no tempo e no espaço
7.2.Perda consciência:
Limitada no tempo – perdas fugazes de consciência:
Síncopes (redução global de irrigação cerebral por insuficiência ventricular direita -hipotensão
ortostática, perturbação do SN autónomo, tosse sincopal ou falência ventricular esquerda ou síncope
vaso depressora por stress )
Hipoglicémia
Epilepsia
Prolongada no tempo – Coma com os seus diferentes graus
Exame objetivo da cabeça e pescoço
Observação direta ou instrumental
Simetrias ou assimetrias de olhos, nariz, pavilhões auriculares, cor,
hidratação, presença de sinais anormais , massas ou descolorações, hálito
Palpação –
De músculos da cabeça e pescoço procurando zonas dolorosas,
hipertróficas ou atróficas, massas, gânglios, língua, etc
Percussão –
De dentes para avaliar dor à percussão e mobilidade , evidência de
patologia periodontal, ou mesmo o som que num dente não vital é diferente
Auscultação !?
A ser efetuada servirá para avaliar permeabilidade das carótidas, registo de
estalidos e outros ruídos articulares da ATM…
131
Exame objectivo

Perfil de prognata, ortognata, retognata

Descoloração cutânea localizada


Incisivos centrais superiores desgastados Por processo inflamatório
Inversão da linha do sorriso problemas oclusais?
EXAME OBJETIVO EXTRA ORAL

Assimetria da face por processo inflamatório

Ângulo naso- labial acentuado e pouco


acentuado alteram o tipo de nariz

132
Exame objetivo intraoral

133
Observação direta e instrumental

PALPAÇAO

134
História clínica
• Identificação
Anamnese
• Anamnese:
Motivo de consulta significa recordação, reminiscências, conjunto
de informações que fazem parte da história
Doença Atual clínica do doente até ao momento do exame
História Pregressa Objetivo
Historia Familiar
• Exame Objetivo:
Observação História Pregressa
Palpação
História patológica que aconteceu
Percussão antes da doença atual
Auscultação

135
Evolução do ato médico
História Clínica + Exame Objetivo

Diagnóstico Provisório

Meios Auxiliares de diagnóstico

Diagnóstico Definitivo

136
Evolução do acto médico
História Clínica + Exame Objetivo + Raciocínio
Clínico + Meios Auxiliares de Diagnóstico

DIAGNÓSTICO DEFINITIVO

ELABORAÇÃO DO PLANO
TERAPÊUTICO

137
Evolução do acto médico

Meios Auxiliares de Diagnóstico:

• Testes de vitalidade dentária


• Transiluminação
• Radiológicos
• Ecografia
• Tomografia
• Ressonância Magnética
• Exames laboratoriais
138
Meios Auxiliares de Diagnóstico

1- Testes de vitalidade dentária

• Elétricos
• Térmicos

2- Transiluminação - FOTI

Que informação?

139
Meios Auxiliares de Diagnóstico

1-Testes de vitalidade dentária

• Elétricos
• Térmicos

2- Transiluminação - FOTI

Que informação?
Meios Auxiliares de Diagnóstico

Radiológicos
1- Intra Orais
• Radiografia apical
• Radiografia Bite Wing
• Radiografia Oclusal
2- Extra Orais
• Ortopantomografia
• Telerradiografia de perfil do crânio e face
• ATM
• Seios perinasais

141
PARA ORTOPANTOMOGRAFIAS
E TELERADIOGRAFIAS

Radiografias intra-orais

Com película Digital

142
Ortopantomografia
Radiografias apicais

143
STATUS RADIOLÓGICO

144
Ecografia ou ultra- sonografia
Ecografia ou ultra- sonografia • Os aparelhos de ultra-som em geral
utilizam uma freqüência variada dependo
do tipo de transdutor, desde 2 até 14 Mhz,
• Método diagnóstico que aproveita o eco emitindo através de uma fonte de cristal
produzido pelo som para ver em tempo piezoelétrico que fica em contacto com a
real as reflexões produzidas pelas pele e recebendo os ecos gerados, que
estruturas e órgãos do organismo.
são interpretados através de leitura
informática . Quanto maior a frequência
• A transmissão de onda sonora pelo meio, maior a resolução obtida.
permite observar as propriedades • A ultra-sonografia permite também,
mecânicas dos tecidos.
através do efeito doppler conhecer o
sentido e a velocidade de fluxos
• Conforme a densidade e composição das sanguíneos.
estruturas, a atenuação e mudança de • Não utiliza radiação ionizante, como na
fase dos sinais emitidos varia, sendo radiografia e na tomografia
possível a tradução numa escala de
cinza, que formará a imagem dos órgãos computorizada, é um método inócuo,
internos. barato
ECOGRAFO

146
TOMOGRAFIA ( TAC)

• Baseia-se nos mesmos princípios • Para obter uma TAC, o paciente é


que a radiografia convencional. colocado numa mesa que se
• Tecidos com diferente composição desloca para o interior de um anel
absorvem a radiação X de forma de cerca de 70 cm de diâmetro.
diferente.
• TAC indica a quantidade de • À volta deste encontra-se uma
radiação absorvida por cada parte ampola de Raios-X, num suporte
do corpo analisado circular designado gantry.
(radiodensidade).
• Traduz essas variações numa • Do lado oposto à ampola
escala de cinzentos, produzindo encontra-se o detetor responsável
uma imagem. por captar a radiação e transmitir
• Cada pixel da imagem essa informação ao computador
corresponde à média da absorção ao qual está conectado.
dos tecidos nessa zona.
Esses dados são então processados pelo
TAC computador, que analisa as variações de
absorção ao longo da secção observada, e
reconstrói esses dados sob a forma de
uma imagem.

A “mesa” avança mais um pouco,


repetindo-se o processo para obter uma
nova imagem, alguns milímetros ou
centímetros mais abaixo.

Permite um estudo em fatias


ou secções transversais…

148
149
TAC EM REABILITAÇÃO COM IMPLANTES

150
Ressonância Magnética

O efeito da ressonância magnética nuclear


fundamenta-se basicamente na absorção ressonante
de energia eletromagnética na faixa de frequências
das ondas de rádio.
Mais especificamente nas faixas de VHF.

equipamento de ressonância magnética


Consiste em aplicar em um paciente não emite radiação de raios -x
submetido a um campo magnético intenso, somente radiofrequência
ondas com frequências iguais às dos núcleos na ordem de 63 MHz -VHF,
(geralmente do 1H da água) além de forte campo magnético
dos tecidos do corpo que se quer examinar. gerado pelo supercondutor.
Tais tecidos absorvem a energia em função
da quantidade de água do tecido.

151