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Princípios do Direito Penal

1. Princípio da Culpabilidade
Por meio desse princípio, somente
poderá ser punido aquele a quem se
puder atribuir culpa. Isso limita o poder
punitivo do Estado.

Consequências:
Impede a responsabilidade objetiva
Permite a proporcionalidade da pena
2. Princípio da Coculpabilidade
Por meio desse princípio, a
culpabilidade do agente seria dividida
com o Estado, que não lhe proporcionou
as condições sociais necessárias.

Consequências:
Atenuação da pena do agente
3. Princípio da Humanidade das
Penas
As penas devem ser aplicadas levando em
conta a dignidade humana do condenado.

Propósitos:
Enfatizar a condição humana do condenado
Viabilizar a integração social
Evitar o sofrimento desnecessário do
condenado
4. Princípio da Intervenção Mínima
O Estado, ao usar o Direito Penal, deve
interferir o mínimo possível na esfera de
direitos do cidadão.

Subprincípios da intervenção mínima


Princípio da Subsidiariedade
Princípio da Fragmentariedade
Princípio da Dignidade Penal do Bem
Jurídico
4.1. Princípio da Subsidiariedade
O Direito Penal deve ser usado em
último caso (Ultima Ratio), dando
preferência para as outras formas de
resolução de conflitos.
4.2. Princípio da Fragmentariedade
O Direito Penal deve ser utilizado para
proteger os bens jurídicos mais importantes
contra as lesões mais graves.

Consequências:
Princípio da Insignificância ou bagatela
4.2.1. Princípio da Insignificância
Está relacionado ao valor do bem jurídico.
Exclui a tipicidade material do crime.

Não será considerado crime se houver:


Mínima ofensividade ao bem jurídico
Reduzido grau de reprovabilidade da conduta
Nenhuma Periculosidade social
Inexpressividade da lesão
4.3. Princípio da Dignidade Penal
do Bem Jurídico
Para ser protegido pelo Direito Penal, o
bem jurídico deve possuir referência
constitucional.
5. Princípio da Adequação Social
Por esse princípio, a conduta socialmente
aceita não merece relevância penal.
Exemplo: furar orelha de bebês, artes marciais,
tatuagem.

Observação:
O STJ entende que é crime a venda de CDs e
DVDs piratas
6. Princípio do Fato
Por esse princípio, o sujeito só pode ser
punido pelo fato que pratica e não pela
pessoa que é (Direito Penal do Autor)

Consequências:
Não importa se o acusado é bom ou mau,
rico ou pobre, negro ou branco, homem
ou mulher.
7. Princípio da Ofensividade ou
Lesividade
Exige que do fato praticado decorra lesão
ou perigo de lesão ao bem jurídico. É
direcionado ao legislador e ao aplicador
da norma.
7.1. Crimes de perigo concreto
Para que haja a punição deve haver a prova
de que houve o risco ao bem jurídico.

Exemplo: Crime de maus-tratos


Art. 136 - Expor a perigo a vida ou a saúde de pessoa
sob sua autoridade, guarda ou vigilância, para fim de
educação, ensino, tratamento ou custódia, quer
privando-a de alimentação ou cuidados
indispensáveis, quer sujeitando-a a trabalho
excessivo ou inadequado, quer abusando de meios
de correção ou disciplina:
7.2. Crimes de perigo abstrato
Nesse caso o risco ao bem jurídico não
precisa ser provado, pois é presumido.

Exemplo: Embriaguez ao volante


8. Princípio da Legalidade
Não há crime se a conduta não for prevista
em lei.

Subprincípios:
Legalidade estrita – somente
Anterioridade da lei penal
Extra-atividade
8.1. Princípio da Legalidade Estrita
Somente uma espécie normativa pode prever
crimes – A LEI.

Não se pode prever crimes por meio de


Decreto, Resolução, Portaria, Medida
Provisória, etc.
8.2. Princípio da Anterioridade da
Penal
A lei que define o crime deve existir antes da
prática da conduta (art. 5º, XXXIX, CF e art. 1ª,
CP).

Art. 1º, CP - Não há crime sem lei anterior que


o defina. Não há pena sem prévia cominação
legal.
8.2. Extra-atividade da lei penal
Se divide em:
Ultra-atividade: a lei já foi revogada, mas
continua a ser aplicada a fatos ocorridos
durante o período em que esteve vigente.
Retroatividade: a lei nova retroage para
ser aplicada a fatos ocorridos antes de
sua vigência. OBS: só pode ocorrer se for
para beneficiar o réu (art. 5º, XL, CF)
9. Princípio da Intranscendentalidade
A pena não poderá passar da pessoa do
condenado (art. 5º, XLV, CF)
Exceção:
a) Obrigação de reparar o dano
b) Perdimento de bens
Essas penas são impostas aos
sucessores do réu, até o limite do valos
da herança transferida.
9. Princípio da Confiança
Todos devem esperar dos outros um
comportamento conforme as normas de
boa convivência em sociedade e que não
gere danos a terceiros.
9. Princípio da Proporcionalidade
É a relação de proporcionalidade que
deve existir entre crime e pena.

Aplica-se tanto na criação da lei como em


sua aplicação.
9. Princípio da Imputação Pessoal
Não se pode atribuir conduta criminosa a
quem não possua capacidade mental
suficiente para entender a ilicitude de sua
conduta.
Inimputáveis:
Menores de 18 anos
Doentes mentais
Embriagados involuntários
10. Princípio da Presunção de
Inocência
Ninguém pode ser considerado culpado
por crime algum antes do trânsito em
julgado da sentença penal condenatória
(art. 5º, LVII, CF)
Consequências:
Existência de inquérito policial e processo
criminal não significam que a pessoa é
culpada de nada.
Resolução de Questões
01. (CESPE – 2015 – TCE - RN –
INSPETOR)
Acerca do concurso de pessoas e dos
princípios de direito penal, julgue o item
seguinte.

Segundo o princípio da intervenção mínima,


o direito penal somente deverá cuidar da
proteção dos bens mais relevantes e
imprescindíveis à vida social.
02. (CESPE – 2014 – CÂMARA DOS
DEPUTADOS – CONSULTOR
LEGISLATIVO – ÁREA III)

Um dos princípios basilares do direito


penal diz respeito à não transcendência
da pena, que significa que a pena deve
estar expressamente prevista no tipo
penal, não havendo possibilidade de
aplicar pena cominada a outro crime.
03. (CESPE – 2014 – TJ/SE – TÉCNICO)
A respeito do princípio da legalidade, da
relação de causalidade, dos crimes
consumados e tentados e da
imputabilidade penal, julgue os itens
seguintes.

É legítima a criação de tipos penais por


meio de decreto.
04. (CESPE – 2014 – TJ/SE – TÉCNICO)
Julgue os itens seguintes, conforme o
entendimento dominante dos tribunais
superiores acerca da Lei Maria da Penha,
dos princípios do processo penal, do
inquérito, da ação penal, das nulidades e da
prisão.

Conforme o STF, viola o princípio da


presunção de inocência a exclusão de
certame público de candidato que responda a
inquérito policial ou a ação penal sem trânsito
em julgado de sentença condenatória.
05. (CESPE – 2014 – TJ/SE – TÉCNICO)
Julgue os itens seguintes, conforme o entendimento
dominante dos tribunais superiores acerca da Lei
Maria da Penha, dos princípios do processo penal,
do inquérito, da ação penal, das nulidades e da
prisão.

Conforme o STF, para que incida o princípio da


insignificância e, consequentemente, seja afastada
a recriminação penal, é indispensável que a
conduta do agente seja marcada por ofensividade
mínima ao bem jurídico tutelado, reduzido grau de
reprovabilidade, inexpressividade da lesão, e
nenhuma periculosidade social.
06. (CESPE - 2016 – TCE - PR –
AUDITOR - ADAPTADA)
Conforme o entendimento doutrinário
dominante relativamente ao princípio da
intervenção mínima, o direito penal
somente deve ser aplicado quando as
demais esferas de controle não se
revelarem eficazes para garantir a paz
social. Decorrem de tal princípio a
fragmentariedade e o caráter subsidiário
do direito penal.
07. (CESPE - 2016 - TCE-PR –
AUDITOR - ADAPTADA)
Ao se referir ao princípio da lesividade ou
ofensividade, a doutrina majoritária
aponta que somente haverá infração
penal se houver efetiva lesão ao bem
jurídico tutelado.
08. (CESPE - 2013 - STF - AJAJ)
Acerca dos princípios gerais que norteiam o
direito penal, das teorias do crime e dos
institutos da Parte Geral do Código Penal
brasileiro, julgue os itens a seguir.

Considere que Manoel, penalmente imputável,


tenha sequestrado uma criança com o intuito de
receber certa quantia como resgate. Um mês
depois, estando a vítima ainda em cativeiro,
nova lei entrou em vigor, prevendo pena mais
severa para o delito. Nessa situação, a lei mais
gravosa não incidirá sobre a conduta de Manoel.
09. (CESPE – 2011 – TRE-ES – ANALISTA
JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA)
A lei penal que beneficia o agente não apenas
retroage para alcançar o fato praticado antes
de sua entrada em vigor, como também,
embora revogada, continua a reger o fato
ocorrido ao tempo de sua vigência.
10. (CESPE – 2012 – TJ-AC – TÉCNICO
JUDICIÁRIO)
Os sucessores daquele que falecer antes
de cumprir a pena a que tiver sido
condenado poderão ser obrigados a
cumpri-la em seu lugar.
Teoria do Crime
Infração penal
Se divide em contravenção penal e crimes.

Contravenção penal:
Infração penal de menor potencial ofensivo a que
se aplica pena de prisão simples e multa (Decreto
Lei 3.688/41)

Crime:
Infração penal de maior potencial ofensivo a que se
aplica penas de reclusão ou detenção, cumulada ou
alternativamente com multa (CP outras lei
esparsas)
Conceito analítico de crime
Crime é um fato
Típico: Deve possuir tipicidade
Ilícito: É contrário ao Direito
Culpável: Alguém pode ser
punido por ele
Elementos da TIPICIDADE
. Tipicidade em sentido estrito
(previsão na lei)
. Conduta (com dolo ou culpa)
. Resultado
. Nexo de causalidade (entre a
conduta e o resultado)
Para que haja crime, esses elementos
devem existir.
A ilicitude é presumida. Mas, se
houver alguma excludente, o
fato deixa de ser crime.
Excludentes da ilicitude
Legítima defesa
Estado de necessidade
Estrito cumprimento do dever legal
Exercício regular de um direito
Elementos da culpabilidade
Imputabilidade
Exigibilidade de conduta diversa
Potencial consciência da ilicitude
Excludentes da culpabilidade
Inimputabilidade
Inexigibilidade de conduta diversa
Ausência de potencial consciência da ilicitude
1. (CESPE – 2009 – Escrivão da Polícia
Federal)
São elementos do fato típico: conduta,
resultado, nexo de causalidade, tipicidade e
culpabilidade, de forma que, ausente
qualquer dos elementos, a conduta será
atípica para o direito penal, mas poderá ser
valorada pelos outros ramos do direito,
podendo configurar, por exemplo, ilícito
administrativo.
1. (CESPE – 2012 – TJ/DFT –
Técnico Judiciário)

Considera-se crime toda ação ou


omissão típica, antijurídica e culpável.
2. (CESPE – 2012 – TJ)
No tocante à culpabilidade, à ilicitude e às
suas respectivas excludentes, julgue os itens
que se seguem.

Em sede de inimputabilidade penal, basta


simplesmente que o agente padeça de
alguma enfermidade mental e que a referida
doença seja comprovada mediante prova
pericial para isenção de pena ou de
culpabilidade.
3. (CESPE – 2008 – MP/RR – Oficial
de Promotoria)
A diferença entre crime e contravenção
penal consiste na aplicação de pena de
reclusão ao primeiro e, ao segundo, pena
de detenção ou multa.
Tempo do Crime
Art. 4º, CP - Considera-se praticado o
crime no momento da ação ou omissão,
ainda que outro seja o momento do
resultado.

Teoria da Atividade
Lugar do Crime
Art. 6º - Considera-se praticado o crime
no lugar em que ocorreu a ação ou
omissão, no todo ou em parte, bem como
onde se produziu ou deveria produzir-se
o resultado.

Teoria da Ubiquidade
1. (CESPE – 2013 – PC/DF – Escrivão de
Polícia)

Na definição de lugar do crime, para os


efeitos de aplicação da lei penal brasileira, a
expressão “onde se produziu ou deveria
produzir-se o resultado” diz respeito,
respectivamente, à consumação e à
tentativa.
João desferiu 5 tiros em Manoel em uma
festa na cidade de Perdigão. Socorrido e
levado para a cidade de Divinópolis,
Manoel lá faleceu. Dessa forma, o
processo penal contra João correrá em
Divinópolis, pois lá ocorreu o resultado
morte.
Com intenção de matá-lo, João desferiu 5
tiros em Manoel em uma festa na cidade
de Perdigão. Socorrido e levado para a
cidade de Divinópolis, Manoel lá faleceu
1 mês depois. Dessa forma, a prescrição
do crime de homicídio começará a correr
na data da morte de Manoel.
Dolo
Consciência e vontade de:
Praticar a conduta
Provocar o resultado
Ex: o agente quer dar o tiro para matar.
Dolo eventual
Consciência e vontade de praticar a
conduta, assumindo o agente o risco de
produzir o resultado.
Culpa
Consciência e vontade de praticar a conduta.

A conduta é voluntária, mas o resultado é


involuntário e ocorre pela ausência de
cuidado objetivo, por meio de:
Negligência
Imprudência
Imperícia
1. (CESPE – 2013 – PC/BA – Investigador de Polícia)
Considerando que, em determinada casa noturna, tenha
ocorrido, durante a apresentação de espetáculo musical,
incêndio acidental em decorrência do qual morreram
centenas de pessoas e que a superlotação do local e a
falta de saídas de emergência, entre outras
irregularidades, tenham contribuído para esse resultado,
julgue os itens seguintes.

A causa jurídica das mortes, nesse caso, pode ser


atribuída a acidente ou a suicídio, descartando-se a
possibilidade de homicídio, visto que não se pode supor
que promotores, realizadores e apresentadores de shows
em casas noturnas tenham, deliberadamente, intenção
de matar o público presente.
2. (CESPE – 2013 – PC/DF – Agente de
Polícia)

O crime culposo advém de uma conduta


involuntária.
3. (CESPE – 2013 – DPF – Perito Criminal)

A respeito das responsabilidades civil e penal do


médico, julgue o item a seguir.

A imprudência caracteriza-se pela omissão


daquilo que razoavelmente se faz, ajustadas as
condições emergentes às considerações que
regem a conduta normal dos negócios humanos.
4. (CESPE – 2013 – PC-BA – Delegado de Polícia)

Suponha que em naufrágio de embarcação de


grande porte, tenha havido tombamento das
cabines e demais dependências, antes da
evacuação da embarcação e resgate dos
passageiros e, em razão desse fato, os
sobreviventes tenham sofrido diversos tipos de
lesões corporais e centenas tenham morrido por
politraumatismo e afogamento.

Caso seja comprovada imperícia, negligência ou


imprudência da tripulação, esta poderá responder
judicialmente pelo crime de homicídio em relação
às mortes ocorridas no naufrágio.
Crime consumado
Quando ocorre todos os elementos previstos
no tipo penal (art. 14, I, CP)

Crime tentado
Quando o agente inicia o ato, mas não
consuma por fato alheio à sua vontade. O
agente responde pelo crime com diminuição
de pena – a diminuição é proporcional ao iter
criminis (art. 14, II e P.U,. CP)
Desistência voluntária
Quando o agente inicia o ato, mas não
consuma por que não quer (art. 15, CP)

Arrependimento eficaz
O agente executa o ato, mas impede que
o resultado final ocorra (art. 15, CP)
Crime omissivo
Quando o agente não age para evitar o
resultado

Se divide em:
Crime omissivo próprio
Crime omissivo impróprio (comissivo por
omissão)
Crime omissivo próprio
O agente responde pelo crime de omissão
previsto no art. 135, CP.

Crime omissivo impróprio (comissivo por


omissão)
O agente responde pelo crime que resultar
da sua omissão.
É aplicado aos chamados “garantes”, que
são aqueles que tem o dever de agir para
evitar o resultado
1. (CESPE – 2013 – TJ/SE – Técnico
Judiciário)
A respeito do princípio da legalidade, da
relação de causalidade, dos crimes
consumados e tentados e da imputabilidade
penal, julgue os itens seguintes.

No direito penal brasileiro, as penas previstas


para os crimes consumados são as mesmas
previstas para os delitos tentados.
Concurso de crimes
Ocorre quando o agente pratica mais de
um crime na mesma situação.

O concurso de crimes pode ser:


a) Concurso Material
b) Concurso Formal
c) Crime continuado
Concurso Material
Ocorre quando o agente pratica mais de
um crime por meio de mais de uma
conduta.
Ex: o agente rouba, agride e estupra.

Solução penal: ACÚMULO DE PENAS


soma-se as penas de todos os crimes
Concurso Formal
Ocorre quando o agente pratica mais de um
crime por meio de uma só conduta.
Ex: o agente joga uma pedra em um veículo,
danificando o veículo e lesionando o
motorista.

Solução penal: EXASPERAÇÃO


Aplica-se a pena do crime mais grave com
aumento.
Se as penas forem iguais, usa-se qualquer
uma delas.
Concurso Formal
Ocorre quando o agente pratica mais de um crime
por meio de uma só conduta.
Ex: o agente joga uma pedra em um veículo,
danificando o veículo e lesionando o motorista.

Solução penal: EXASPERAÇÃO


Aplica-se a pena do crime mais grave com aumento.
Se as penas forem iguais, usa-se qualquer uma
delas.

OBS: se o agente tinha a intenção de praticas os dois


crimes, usa-se a regra do concurso material. Nesse
caso temos o CONCURSO FORMAL IMPRÓPRIO
Crime continuado
Ocorre quando o agente pratica mais de um
crime da mesma natureza e nas mesmas
condições de tempo e lugar.
Ex: o agente furta um celular, rouba um carro
para fugir e ao sair atropela uma pessoa.

Solução penal: EXASPERAÇÃO


Aplica-se a pena do crime mais grave com
aumento.
Se as penas forem iguais, usa-se qualquer
uma delas.
1. CESPE – 2015 – DPE/PE – Defensor
Público.
Com relação ao concurso de crimes,
julgue o seguinte item.

O concurso formal próprio distingue-se do


concurso formal impróprio pelo elemento
subjetivo do agente, ou seja, pela
existência ou não de desígnios
autônomos.
2. CESPE – 2013 – SEGESP/AL –
Papiloscopista.

Acerca de aplicação da lei penal, concurso


de crimes e culpabilidade, julgue os próximos
itens.

Se uma pessoa com um único disparo de


arma de fogo matar duas pessoas, poderá
responder por concurso formal impróprio de
crimes.
3. CESPE – 2012 – PC/AL – Delegado de
Polícia.

O acréscimo da pena em razão do crime


continuado é fixado de acordo com o iter
criminis percorrido pelo agente, porquanto na
continuidade delitiva, os vários delitos que a
integram são considerados como crime
único.
Concurso de Pessoas
Ocorre quando mais de uma pessoa
contribui para a prática do crime e todas
respondem por esse crime, na medida da
sua culpabilidade.

Para que haja concurso de agentes, e


todos sejam punidos pelo mesmo crime,
é necessário que haja liame subjetivo.
Autor: é quem pratica o verbo do contido
no tipo penal;

Coautor: é quem, junto com o autor,


pratica o verbo contido no tipo penal:

Partícipe: é quem de qualquer forma


auxiliar para a prática do crime.
Se a participação foi de menor
importância, ocorre redução da pena.

Se algum dos agentes só quis participar


de crime menos grave, responderá por
esse crime, mas se era previsível
resultado mais grave, terá aumento de
pena.
Não são consideradas as condições e
circunstâncias de caráter pessoal, salvo
quando elementares do crime.

Ex: se dois agentes praticam um furto e um


deles é reincidente, esta circunstância
agravante não alcança o outro.

Ex: se um particular ajuda um servidor


público a praticar peculato, ele responde por
peculato, pois sabia que ele era servidor
público e essa condição é elementar do crime
de peculado.
Autoria colateral

Ocorre quando dois ou mais agentes


praticam conduta criminosa idêntica, no
mesmo contexto, mas um não sabia da
existência ou da intenção do outro
agente.

Nesse caso não há concurso de pessoas.


1. CESPE – 2006 – DPE/DF –
Procurador)
Acerca da ação penal nos crimes contra
os costumes, julgue os itens a seguir.

Quando dois indivíduos, um ignorando a


participação do outro, concorrem, por
imprudência, para a produção de
resultado lesivo, respondem, ambos
isoladamente, pelo resultado, ante a
ausência de vínculo subjetivo.
2. CESPE – 2015– TCE/RN – Inspetor)
Acerca do concurso de pessoas e dos
princípios de direito penal, julgue o item
seguinte.

No concurso de pessoas, o auxílio


prestado ao agente, quando não iniciada
a execução do crime, é passível de
punição.
3. CESPE – 2015 – TJ/DF – Técnico
Judiciário)
Em relação à improbidade administrativa, ao
concurso de pessoas e às hipóteses de extinção da
punibilidade, julgue o item subsecutivo.

Caracteriza-se a autoria colateral na hipótese de


dois agentes, imputáveis, cada um deles
desconhecendo a conduta do outro, praticarem
atos convergentes para a produção de um delito
a que ambos visem, mas o resultado ocorrer em
virtude do comportamento de apenas um deles.
4. CESPE – 2015 – TJ/DF – Técnico
Judiciário)
No que se refere a concurso de pessoas,
aplicação da pena, medidas de segurança e
ação penal, julgue os itens a seguir.

Em se tratando de autoria colateral, não


existe concurso de pessoas.
5. CESPE – 2013 – TJ/DF – Técnico
Judiciário)
Se determinada pessoa, querendo chegar
rapidamente ao aeroporto, oferecer pomposa
gorjeta a um taxista para que este dirija em
velocidade acima da permitida e, em razão
disso, o taxista atropelar e,
consequentemente, matar uma pessoa, a
pessoa que oferecer a gorjeta participará de
crime culposo.
Ação Penal
Classificação da Ação penal
Condicionada
Ação Penal Pública
Ação Penal Incondicionada
Ação penal Privada
Ação Penal Pública

É proposta somente pelo Ministério


Público.

A peça processual oferecida pelo MP


é a DENÚNCIA.
Ação Penal Pública
Incondicionada

O MP age por conta própria e não


precisa da provocação da vítima.

A maioria dos crimes previstos no CP


é de ação penal pública
incondicionada.
Ação Penal Pública
Condicionada

Para que o MP ofereça a denúncia é


necessário que a vítima faça uma
REPRESENTAÇÃO (diz que quer
processar o acusado).

Quando o crime for de APP


condicionada, o CP expressamente o
diz.
Representação

Não exige forma específica. O ofendido pode fazer


na Delegacia ou no Fórum.

Poderá ocorrer a retratação da representação até o


oferecimento da Denúncia pelo MP.

Prazo para fazer a representação:


6 MESES a contar de quando souber quem é o
autor da infração.

Exceção: Lesão corporal leve e culposa (30 dias)


Ação Penal Privada

Nesse caso, a ação só pode ser ajuizada


pelo ofendido e o MP só acompanha o
processo.

Prazo para oferecimento da Queixa-


crime: 6 MESES a contar de quando
souber quem é o autor da infração.
O direito de queixa pode ser
renunciado de duas formas:

Expressa: feita por escrito


Tácita: quando o ofendido não
oferece a queixa-crime no prazo legal
ou desiste da ação proposta.

A renúncia equivale a perdão.


Características do perdão

Se for concedido a um dos querelados, se


estende a todos.

Se for dado por um dos ofendidos, não prejudica


os demais

Deve haver a aceitação do querelado.

Não se admite perdão depois do trânsito em


julgado da sentença condenatória.
Prazo para oferecimento da
ação penal

Pelo MP
15 dias (réu solto) e 5 dias (réu
preso)

Pelo Ofendido
6 meses
Ação Penal Privada
subsidiária da Pública

Em caso de Ação Penal Pública, se o


MP não oferece a denúncia no prazo
legal, ofendido poderá ajuizar a Ação
Penal no lugar do MP.
1. CESPE – 2014 – TJ/SE – Técnico
Judiciário)
No que se refere a concurso de pessoas,
aplicação da pena, medidas de segurança e
ação penal, julgue os itens a seguir.

Salvo disposição expressa em contrário, o


direito de queixa ou de representação do
ofendido decai no prazo de seis meses,
contado do dia em que tiver ocorrido o crime.
2. CESPE – 2013 – TJ/DF – Técnico
Judiciário)
Considere que Carlos tenha ameaçado seu
amigo Maurício de mal injusto e grave, razão
por que Maurício, na delegacia de polícia,
representou contra ele. Nessa situação
hipotética, sendo o crime de ação penal
pública condicionada, se assim desejar,
Maurício poderá retratar a representação até
o oferecimento da denúncia pelo MP.
Extinção da Punibilidade
A extinção da punibilidade é o
fenômeno que impede que o Estado-
juiz inicie ou continue a persecução
penal contra o agente que praticou
uma infração penal.

É caracterizada pela ocorrência de


determinados fatos.
São fatos que extinguem a punibilidade:

A morte do agente
Concessão de graça, anistia ou indulto
Retroatividade de lei que deixa de
considerar o fato como crime.
Prescrição
Decadência
Perempção
Renúncia ao direito de queixa
Perdão aceito acusado
Retratação do agente (quando a lei
admite)
Perdão judicial (quando a lei permite)
Prescrição

Ocorre quando o Estado-juiz não


consegue condenar o acusado dentro de
determinado lapso de tempo.

O prazo de prescrição é calculado com


base na pena máxima de cada crime.
Exemplo:
Os crime com pena máxima inferior a 1
ano prescrevem em 3 anos, como no
caso do crime de omissão de socorro que
tem pena de 1 a 6 meses ou multa.

O prazo de prescrição começa a contar


da data do crime.
1. CESPE – 2008 – MP/RR – Oficial de
Promotoria)

Nos crimes de ação penal privada, a


prescrição, a perempção e o perdão
extinguem a punibilidade do agente.
2. CESPE – 2015 – TJ/DF– Técnico
Judiciário)

Em relação à improbidade administrativa, ao


concurso de pessoas e às hipóteses de extinção
da punibilidade, julgue o item subsecutivo.

Sendo a punibilidade requisito do crime sob o


aspecto formal, excluída a pretensão punitiva,
não estará caracterizado o crime.
3. CESPE – 2015 – TJ/DF– Técnico
Judiciário)

Em relação à improbidade administrativa, ao


concurso de pessoas e às hipóteses de extinção
da punibilidade, julgue o item subsecutivo.

A possibilidade de ocorrência da decadência,


causa de extinção da punibilidade com efeito ex
tunc, subsiste após o início da ação penal
condicionada ou da ação penal privada.
4. CESPE – 2013 – PC/DF – Escrivão de
Polícia)

Acerca do direito penal, julgue os itens


subsecutivos.
Na contagem dos prazos de prescrição e
decadência, e assim também na contagem do
prazo de cumprimento da pena privativa de
liberdade, deve-se incluir o dia do começo.
5. CESPE – 2013 – TJ/DF – Técnico
Judiciário)

A anistia representa o esquecimento do crime,


afastando a punição por fatos considerados
delituosos, e constitui ato privativo do presidente
da República.
NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL: 1 Princí
pios gerais: aplicação da lei processual no tempo,
no espaço em relação às pessoas; sujeitos da
relação processual; inquérito. 2 Ação penal. 2.
1 Conceito, condições e pressupostos processu
ais. 3 Juiz, Ministério Público, acusado, defens
or, assistentes e auxiliares da justiça. 4 Atos d
as partes, dos juízes, dos auxiliares da justiça
e de terceiros. 5 Prazos: características, princípi
os e contagem. 6 Citações e intimações.