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O F I L M E DA M U L H E R -

M A R AV I L H A E A
R E P R E S E N TA Ç Ã O
FEMININA
DANIELA MARINO – ECA/USP
DSDOMINGUES@HOTMAIL.COM
Os veículos não estão à
disposição para o
desenvolvimento dos
potenciais humanos,
mas foram cooptados
pelo sistema
capitalista, por quem
tem dinheiro, e se
tornaram grandes
empresas. Os veículos,
portanto, perderam
sua condição inicial
para a produção de
lucros. (ADORNO,
1989)
STRANGE LIKE ME –
ESTRANHA COM EU
( GAV I N AU N G
“O estudo da representação do
feminino diz respeito à forma como
as meninas e mulheres são
imaginadas por autores e autoras, de
como ganham materialidade e
inteligibilidade discursiva dentro das
mais diversas obras.”( Valéria Silva)
“A estereotipagem, lembremos, é a
operação que consiste em pensar o
real por meio de uma representação
preexistente, um esquema coletivo
cristalizado. Assim, a comunidade
avalia e percebe o indivíduo segundo
um modelo pré-construído da
categoria por ela difundida e no
interior da qual ela o classifica”
(AMOSSY, 2005, p. 125-6).
“POR QUE A MULHER-
MARAVILHA É TÃO
IMPORTANTE?”

“A representatividade refere-se a
identificação de um indivíduo com um
grupo, cultura ou movimento social.
A representatividade é importante pois
trata da nossa necessidade de
AFILIAÇÃO, ou seja, da identificação,
aceitação social e projeção das nossas
características - que podem ser físicas,
comportamentais ou sociais - na
sociedade em que vivemos.
A noção de pertencimento proporciona
as pessoas EMPODERAMENTO E
AUTONOMIA.” (Andréa Lagareiro)
“Sentir-se REPRESENTADO é mais do que compartilhar
algumas características,
É sentir que com elas se pode fazer, ser e pensar o que
quiser, ainda que a sociedade as considere
fragilidades.

Quando um personagem se assemelha a um grupo/


comunidade e é capaz de grandes feitos, é natural
que esse sentimento seja transmitido ao público
representado ali.” (A. Lagareiro)
SUPER-HERÓIS COMO
RECURSOS PARA PROMOÇÃO
DE RESILIÊNCIA EM CRIANÇAS
E ADOLESCENTES
“Os pacientes de uma oncologia pediátrica de um hospital
no Brasil, o Hospital A. C. Camargo Center, em São Paulo,
receberam uma “superajuda” no tratamento do câncer
infantil, nomeada Super Fórmula. Na tentativa de reforçar a
esperança das crianças e alimentar a sua vontade de lutar
contra o câncer (Wilson, 2013), a ala da oncologia pediátrica
do hospital A.C. Camargo Center foi transformada em Sala
da Justiça, alusão ao local da equipe de super-heróis nas
HQs publicadas e promovidas pela DC Comics. Heróis como
Batman, Aquaman, Mulher Maravilha, Lanterna Verde, entre
outros da Liga da Justiça, fazem muito sucesso e são
amplamente aceitos pelas crianças. A ala hospitalar foi toda
redecorada: a sala de brinquedos transformou-se em Sala
da Justiça e, nas portas e corredores, foram postos adesivos
com a fachada apresentando uma entrada exclusiva para os
pequenos heróis” (A.C. Camargo Center, 2014). (GV
Weschenfelder)
• Nos anos 90 a desenhista
Gail Simone (Batgirl,
Deadpool...) fez uma lista que
ela chamou the Women in
Refrigerators. Essa lista
indicava uma série de
personagens femininas que
haviam sido brutalmente
assassinadas ou passaram
por traumas severos para
que suas participações
ajudassem a desenvolver a
narrativa de protagonistas
masculinos. O nome se deve
ao episódio de Lanterna
verde #54 quando o herói
encontra sua namorada
morta em um refrigerador.
REALIZADA PELO
I N S T I T U T O E M PA R C E R I A
COM A 21ST CENTURY
F O X E A E M P R E S A J.
W A LT E R T H O M P S O N
INTELLIGENCE, A
PESQUISA BUSCOU
RESPONDER A TRÊS
P E R G U N TA S P R I N C I PA I S :
* SE A AGENTE DE
“ARQUIVO X” MELHOROU
A PERCEPÇÃO DE
MULHERES EM RELAÇÃO
A O C A M P O D E AT UA Ç Ã O
DA PERSONAGEM
*SE ELA AS INSPIROU A
SEGUIREM UMA
C A R R E I R A D E E X ATA S O U
BIOLÓGICAS
* S E E S P E C TA D O R A S
MULHERES VEEM A
PERSONAGEM COMO UM
MODELO A SER SEGUIDO
Segundo o estudo, a existência desse
“efeito Scully” já vinha sendo
especulada havia duas décadas, mas
ainda não tinha sido confirmada. Mais
de duas mil mulheres responderam ao
questionário on-line elaborado pelo
estudo. As participantes eram todas
mulheres americanas de 25 anos ou
mais. Parte delas tinha algum
envolvimento com as áreas de ciência,
tecnologia, engenharia e matemática
(STEM, na sigla em inglês) – se
formaram em uma dessas disciplinas
e/ou trabalham hoje com elas. Além
disso, 61% haviam sido espectadoras
ocasionais ou não assistiram a
“Arquivo X”, enquanto 39% haviam sido
espectadoras de frequência média a
intensiva da série.
O MALE GAZE
“Laura Mulvey (1975) desenvolveu o
conceito de male gaze quando, ao
fazer a distinção analítica entre
emissão e recepção, analisou o
espectador ideal, argumentando
que as imagens oferecidas por
Hollywood tinham o objetivo de
fomentar o prazer visual masculino,
que ela “interpreta com os
paradigmas da psicanálise,
incluindo scopophilia e voyeurismo”
O conceito de gaze tem,
fundamentalmente, a ver com a
relação entre o prazer e as
imagens. Male gaze é aqui
desenvolvido no sentido do poder
de quem olha e do desapossamento
de quem é olhado,salientando-se
igualmente a dimensão do olhar
colonizador.” (Angélica Lima Cruz)
“Assistir ao filme da Mulher-Maravilha foi como usar óculos pela
primeira vez. Eu não percebia como tinha que espremer meus
olhos para enxergar através do olhar masculino, até que um dia
não precisei mais”.
“ A AU S Ê N C I A DA S
MULHERES NA
INDÚSTRIA TEM
I M PAC T O N A F O R M A
COMO AS MULHERES
S Ã O A P R E S E N TA DA S
NAS HQS
A M E R I C A N A S. ”
( VA L É R I A F E R N A N D E S
DA S I LVA )
O maior legado da Mulher-
Maravilha é justamente
proporcionar que tantas
questões sejam trazidas à
tona, gerando reflexões,
discussões e análises que
indicam que estamos diante de
uma grande mudança ou que,
ao menos, podemos ter
esperança em relação a isso.
Pela primeira vez na história,
temos um filme de super-
heróis dirigido e protagonizado
por mulheres, mas que tem o
mesmo alcance e poder de
entretenimento que qualquer
outro filme de ação.
REFERÊNCIAS:
ADORNO, Theodor W. A Indústria Cultural. In:COHN, Gabriel (org). Comunicação e Indústria Cultural. São Paulo,
T.A. Queiroz, 1989.

. BRAGA, Amaro X.; SILVA, Valéria Fernandes da. (Orgs). Representações do Feminino nas Histórias em Quadrinhos
Edufal, Maceió, 2015.

ROBINSON, L. S. Wonder Women: feminism and superheroes. New York: Routledge, 2004.

LINKS
https://www.nexojornal.com.br/expresso/2018/05/14/Como-%E2%80%98Arquivo-X%E2%80%99-inspirou-mulheres-a-
seguir-carreira-nas-ci%C3%AAncias

https://omelete.com.br/filmes/noticia/mulher-maravilha-os-numeros-os-recordes-e-o-publico-da-estreia/

https://www.buzzfeed.com/jasminnahar/homens-descritos-como-mulheres-
livros?utm_term=.enMJD9Drm#.bsq63M3xl

https://thexcastblog.wordpress.com/2016/10/04/the-scully-factor/

http://prosalivre.com/video-mulheres-ficcao-cientifica/

https://revistaptp.unb.br/index.php/ptp/article/view/3415/966

https://journals.openedition.org/rccs/3685
OBRIGADA!