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PLANEJAMENTO

TRIBUTÁRIO

Luiz Eduardo Arraes dos Santos


DIREITO TRIBUTÁRIO

1. Sistema Tributário Nacional


É um sistema (ou conjunto) de normas. Organizadas interligadas, que visa a harmonia disciplinar de
um objeto.
“A Legislação sistematizada não dispõe somente por textos isolados, mas sobretudo pela conjugação
dos vários textos formando o contexto e o ordenamento.” (Curso de Direito Tributário, 11a ed Saraiva,
1993, p. 119)

1.1. Princípios Constitucionais


São princípios impostos pela Constituição Federal, que deverão ser observados, rigorosamente, pelo
legislador ordinário, no exercício do poder de tributar:

Art. 150 – Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à união, aos
Estados, ao Distrito Federal e aos municípios:

I- exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; (Princípio da Legalidade)


II- instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, proibida
qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida,
independentemente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos; (Princípio da
Igualdade Tributária)
III- cobrar tributos:
a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver
instituído ou aumentado; (Princípio da Irretroatividade da Lei Tributária)
b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou
aumentou; (Princípio da Anterioridade da Lei Tributária)
IV- utilizar tributo com efeito de confisco; (Princípio da Proibição de Tributo com Efeito de
Confisco)
V- estabelecer limitações ao tráfego de pessoas ou bens, por meio de tributos interestaduais ou
intermunicipais, ressalvada a cobrança de pedágio pela utilização de vias conservadas pelo
poder público;

Art. 151 – É vedado à união:

I- instituir tributo que não seja uniforme em todo o território nacional ou que implique distinção
ou preferência em relação ao Estado, ao Distrito Federal ou a município, em detrimento de
outro, admitida a concessão de incentivos fiscais destinados a promover o equilíbrio do
desenvolvimento sócio-econômico entre as diferentes regiões do país. (Princípio da
Uniformidade Geográfica)
Princípio da Legalidade
“A lei ordinária tem papel extremamente saliente no sistema tributário. É a ela que cabe
instituir e aumentar tributos.” (Curso de Direito Financeiro e de Direito Tributário. 2a ed.,
Saraiva, p. 116)

Princípio da Igualdade Tributária


“Todos os contribuintes que se encontrem na mesma situação devem ser tratados
igualmente.” (Prof. Celso Ribeiro Bastos)
O Principio da “Igualdade” é fundamental na vida democrática. As pessoas devem ser
tomadas com igualdade, pela lei. É a chamada igualdade jurídica das pessoas.
Tributariamente, o princípio da igualdade significa que todas as pessoas, indistintamente,
devem arcar com a mesma carga tributária, sem benefício ou privilégio de qualquer ordem.

Princípio da Irretroatividade da Lei Tributária


A Lei é sempre irretroativa, ou seja, não incide sobre fatos ocorridos no passado.
A Lei tributária jamais retroagirá, não se aplicará nunca aos fatos do passado, restrita sua
aplicação aos fatos futuros. Exceção: a retroatividade benigna.
Princípio da Anterioridade
Nenhum tributo pode ser cobrado no mesmo exercício financeiro em que foi instituído ou aumentado.
Exceções: impostos extraordinários de guerra; empréstimos compulsórios para atender a despesas
extraordinárias decorrentes de calamidade pública de guerra externa ou sua iminência.
Contribuições sociais: só podem ser exigidas após decorridos noventa dias da data da lei que as
houver instituído ou modificado (art. 195, § 6o CF). Elas poderão ser cobradas ainda no mesmo
exercício financeiro da publicação da lei que as instituiu ou aumentou.
Os seguintes impostos, ato do poder executivo, poderá alterar as alíquotas:
a) importação de produto estrangeiros;
b) de exportação;
c) produtos industrializados;
d) operações de crédito, câmbio e seguro.

Princípio da Proibição de Tributo com Efeito de Confisco


Ninguém é obrigado a prestar tributos ale de suas forças econômicas ou, particularmente, de sua
capacidade contributiva. Se lhe tomam tributos acima de seu potencial de contribuição, estão lhe
tomando o próprio patrimônio, ou seja, confiscando os seus bens, à medida que tal carga tributária não
é correlacionada à capacidade do contribuinte.
Princípio da Uniformidade Geográfica
“[...] se traduz na determinação imperativa de que os tributos instituídos pela União sejam uniformes em
todo território nacional.” (Prof. Paulo Barros de Carvalho)

1.2 Tributos
“Tributos é toda prestação compulsória, em moeda de cujo valor nela se possa exprimir, que não
constitua sanção de ato ilícito instituída em lei, e cobrada mediante atividade administrativa plenamente
vinculada” (art. 3o do CTN, Lei nº 5.172, de 25/10/10966)

Espécies de tributos
 Impostos
 Taxas
 Contribuições de melhoria

Impostos – é o tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma situação independente de qualquer
atividade estatal específica relativa ao contribuinte.
Taxa – é o tributo vinculado cuja hipótese de incidência consiste numa atuação estatal direta e
imediatamente referida ao obrigado.
Ex.: taxa em razão do exercício do poder de polícia;
taxa pela utilização efetiva do potencial de serviços públicos específicos e divisíveis, prestados ao
contribuinte ou postos à sua disposição
Contribuição de melhoria – é o tributo arrecadado dos proprietários de imóveis, valorizados por obras
públicas.
Nota  é o fato gerador que vai determinar a efetiva natureza do tributo, se se trata de um imposto, ou
se é uma taxa, se tal imposição é uma contribuição de melhoria.

1.3 Relação Jurídica Tributária


Características da obrigação tributária:
a) a sua compulsoriedade (imposição legal – independe da vontade do devedor e do credor);
b) Indisponibilidade (o credor/fisco) não pode abrir mao de seu direito;
c) Liquidada pelo próprio credor, pelo lançamento;
d) Enseja ação executiva (gera título executivo e autoriza execução direta);
e) Configura crime seu inadimplemento (o não pagamento da obrigação tributária caracteriza crime
de sonegação fiscal podendo resultar prisão do devedor/sonegador, se condenado no processo legal).
Elementos estruturais
1. Lei
2. Fato gerador
3. Sujeito ativo
4. Sujeito passivo
5. Objeto
1. Lei  que cria a situação a ocorrer com a incidência tributária sobre o ato.
Obrigação principal – é a obrigação de pagar o tributo;
Obrigação acessória – decorre da legislação tributária e tem por objeto o controle sistemático da fazenda
pública na apuração do cumprimento normal da obrigação tributária principal.
A obrigação acessória, pelo simples fato de sua inobservância, converte-se em obrigação principal
relativamente a penalidade pecuniária.

2. Fato gerador – é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. É a
descrição feita, pela norma, de um ato ou fato que ocorridos, gerarão a obrigação tributária.

3. Sujeito ativo – é uma pessoa jurídica de direito público interno (a união, os estados, o distrito federal e
os municípios) a quem a Constituição Federal conferiu a competência tributária.

4. Sujeito passivo – é a pessoa obrigada ao pagamento do tributo. Pode ser o contribuinte ou o


responsável (IRPF, INSS retido na folha).

5. O objeto – é o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária. O crédito tributário é um direito


subjetivo de um sujeito ativo de uma obrigação tributária e que lhe confere o poder de exigir do sujeito
passivo o respectivo objeto da obrigação.
2. SOCIEDADES EMPRESARIAIS E OS TRIBUTOS

2.1 Contribuintes
São contribuintes do IRPJ:
 As pessoas jurídicas
 As empresas individuais
Art. 146 do RIR/99

2.2 Empresários e Sociedades Segundo o Código Civil (Lei Nº 10.406/2002)


 Firma individual do passado  Hoje “Empresário”
“Considera-se Empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a
produção ou circulação de bens ou serviços.” (Art. 966 CC.)
 Sociedade Empresária: É aquela que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário
sujeito a registro.
Ex: Sociedade Limitada
Sociedade Anônima
 Sociedade Simples: As demais.
Ex: Sociedade Cooperativa
2.3 PESSOA FÍSICA E PESSOA JURÍDICA
Pessoa Física  É a pessoa natural, ou seja, o ser humano. (Art. 2º do CC)
Pessoa Jurídica  Começa a existência legal da pessoa jurídica de direito
Privado com a inscrição de seu ato constitutivo no respectivo registro. Para a existência legal da
pessoa jurídica é necessário o registro de seu ato constitutivo no órgão próprio (Junta Comercial ou
Registro Civil de Pessoas Jurídicas).

Quem a Legislação do Imposto de Renda considera Pessoa Jurídica


a) as pessoas jurídicas (sociedade); e
b) as empresas individuais (empresários).

3. CONTABILIDADE

“Um sistema de informação e avaliação cujo objetivo maior é fornecer informações úteis a seus
usuários, de forma a apóiá-los na tomada de decisões de natureza econômica e financeira ou na
formação de suas avaliações”. (FIPECAFI / Arthur Andersen)

“A contabilidade é, objetivamente, um sistema de informação e avaliação destinada a prover seus


usuários com demonstrações e análises de natureza econômica, financeira, física e de produtividade,
com relação à entidade objeto de contabilização”. (Manual de Contabilidade das Sociedades por ações)
SISTEMA DE INFORMAÇÕES CONTÁBEIS

POSIÇÕES FISCAIS
I- Todas as pessoas jurídicas sujeitas à apuração do lucro real, seja qual for o tipo societário adotado,
estão obrigados a elaborar, ao final de cada período de incidência de Imposto de Renda (Trimestral ou
Anual), com observância das leis comerciais (Lei Nº 6.4047/76), as seguintes demonstrações financeiras
(RIR/99, Art. 274, e PN nº 34/81):
1 - Balanço Patrimonial;
2 - Demonstração do resultado do período; e
3 - Demonstração de lucros e prejuízos acumulados.
II – Ao final de cada período de incidência do Imposto de Renda (trimestral ou anual), deverão ser
transcritas:
a) No livro Diário, as demonstrações financeiras previstas no Art. 274 do RIR/99; e
b) No livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), a demonstração do lucro real (Art. 275 do RIR/99).
III – O livro Diário, para efeito de prova a favor do comerciante .......................... (Reposta a pergunta 239
do livro Perguntas e Respostas Pessoa Jurídica 2000)
4. FORMAS DE TRIBUTAÇÃO DAS EMPRESAS
 Simples  Lucro Presumido  Lucro Arbitrado  Lucro Real

PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS:

SIMPLES – Sistema Integrado de Pagamento e Impostos e Contribuições das Microempresas e


empresas de Pequeno Porte.

Conceito – é um regime tributário diferenciado, simplificado e favorecido, aplicável às pessoas jurídicas


consideradas como microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP). (Lei nº 9.417/1996)

Características:
a) o sistema não é aberto a todas as pessoas jurídicas. Ha restrições quanto ao volume de receita e à
atividade exercida pelo contribuinte;
b) o SIMPLES é uma forma simplificada e unificada de recolhimento de tributos (IRPJ, CSLL, PIS,
COFINS, INSS empregador), por meio da aplicação de percentuais favorecidos e progressivos,
incidentes sobre uma única base de cálculo, a receita bruta;
c) a empresa que optar pelo SIMPLES estará dispensada da escrituração comercial para fins tributários.
No entanto, deverá manter o livro Caixa e o livro Registro de Inventário, além de toda a documentação e
papéis que serviram de base para escrituração desses livros.
Lucro Presumido – é uma forma simplificada de tributação pela legislação tributária da União através
de percentuais de presunção do lucro.

Características:
a) poderão optar pelo lucro presumido as pessoas jurídicas que não estejam obrigadas à tributação
com base no lucro real e a receita bruta, no ano-calendário anterior tenha sido igual ou inferior;
a.1 R$ 48.000.000,00
a.2 ao limite proporcional a R$ 4.000.000,00 multiplicados pelo número de meses de atividades no
ano, se inferior a 12.
b) Apuração é trimestral e manifestada por ocasião do pagamento da 1a quota DARF (código 2089);
c) A tributação com base no lucro presumido observa períodos de apuração trimestrais;
d) O lucro presumido deve ser determinado aplicando-se os percentuais abaixo sobre a receita bruta
de venda de mercadorias, produtos ou de prestação de serviços, apurada em cada trimestre.
ATIVIDADE GERADORA DA RECEITA
PERCENTUAL APLICÁVEL S/A RECEITA

Revenda, para consumo de combustível derivado de petróleo,


álcool etílico carburante e gás natural.
1,6%

Venda de mercadorias ou produtos, transporte de cargas,


serviços hospitalares, atividades imobiliárias.
8.0%

Serviços de transporte, exceto o de carga, outros serviços


prestados por empresas com receita bruta anual inferior a R$
120.000,00.
12,5%

Serviços em geral, intermediação de negócios, administração,


locação de bens imóveis.
32,0%
a) a receita bruta é produto da venda de bens (mercadorias ou produtos) nas operações de conta
própria, preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia, desses
valores devem ser excluídas as vendas canceladas, os descontos incondicionais e às devoluções de
vendas.
b) Apropriação pelo regime de Caixa – a receita proveniente de vendas de bens ou direitos ou de
prestação de serviços, cujo preço seja recebido a prazo ou em parcelas, poderá ser computada na
base cálculo do lucro presumido somente no mês do efetivo recebimento.

Alíquota do Imposto
I- 15% sobre a totalidade do lucro presumido apurado no trimestre;
II- alíquota adicional de 10% sobre a parcela do lucro presumido trimestral que exceder R$
60.000,00.

Deduções e Compensações do Imposto Devido


Deduções: do imposto devido em cada trimestre podem ser deduzidos:
a) IRRF sobre as receitas computadas na determinação da base de cálculo do imposto
trimestral a saber:
I- Imposto retido na fonte sobre importâncias pagas ou creditadas por pessoas Jurídicas;
II- Imposto retido na fonte sobre importâncias recebidas de entidades da administração pública
federal, pelo favorecimento de bens ou serviços;
III- Imposto pago pela empresa.

Compensações: Devem ser informadas na DCTF:


I- Pagamentos indevidos ou a maior que o devido a título de Imposto de Renda;
II- Saldo negativo do Imposto de Renda apurado em períodos anteriores, ainda não
compensados;
Outros valores pagos a maior ou indevidamente.
EXEMPLO
1o Trimestre/2008
Receita de venda de mercado = $ 427.500,00 x 8% = 34.200,00
Receita de prestação de serviços = $ 28.500,00 x 32% = 9.120,00
Lucro presumido = 43.200,00
Rendimento de aplicação financeira = $ 3.325,00
Ganho de capital = $ 8.550,00
Base de cálculo = $ 55.195,00
Imposto (15%) = $ 8.279,25
(-) IRRF s/ Receitas =($ 665,00)
Imposto líquido a pagar = $ 7.614,25
PRAZO DE PAGAMENTO

O imposto apurado poderá ser pago em quota única até o último dia útil do mês subseqüente ao do
encerramento do período de sua apuração ou em até 3 quotas mensais, iguais e sucessivas.

LUCROS OU DIVIDENDOS DISTRIBUÍDOS AOS SÓCIOS

Os valores pagos a sócios ou acionistas ou titular de empresa tributado pelo lucro presumido, sob
título de lucros ou dividendos, ficam isentos do Imposto de Renda independente de apuração contábil,
porém limitado o valor da base de cálculo do Imposto de Renda (IRPJ), deduzido do valor devido
relativo aos seguintes tributos:
 do IRPJ (inclusive o adicional, quando devido);
 da Contribuição Social sobre o Lucro;
 da Contribuição ao PIS/PASEP; e
 da COFINS.
CASO
Base de cálculo do IRPJ devido no Trimestre $ 55.195,00
Imposto de Renda devido ($ 8.279,25)
Contribuição Social sobre o Lucro devida ($ 6.000,00)
PIS devido no Trimestre ($ 3.000,00)
COFINS devida no Trimestre ($ 14.000,00)
Valor distribuível com isenção do Imposto $ 23.915,75
(A partir do primeiro dia do Trimestre seguinte)

EMPRESA QUE APURAR O LUCRO LÍQUIDO CONTÁBIL SUPERIOR AO PRESUMIDO


Caso o lucro apurado via sistema de contabilidade, após o IRPJ devido seja superior ao antes
demonstrado, a totalidade do lucro líquido contábil poderá ser distribuído sem incidência do Imposto de
Renda. Se o lucro líquido apurado contabilmente for inferior ao valor determinado de acordo com as
regras do lucro presumido, prevalecerá a isenção sobre a distribuição do lucro presumido líquido do
Imposto e das contribuições devidas.

OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS DAS EMPRESAS TRIBUTADAS PELA MODALIDADE LUCRO


PRESUMIDO
a) Escrituração contábil ou livro caixa (toda movimentação financeira);
b) Escrituração do livro de Registro de Inventário;
c) DCTF;
d) Documentos em boa ordem enquanto não decorrer o prazo decadencial
LUCRO ARBITRADO

CONCEITO: Uma forma de apuração da base de cálculo do Imposto de Renda utilizada pela
Autoridade Tributária ou pelo contribuinte.

QUANDO A AUTORIDADE TRIBUTÁRIA ARBITRA O LUCRO:


a) A empresa obrigada à tributação com base no lucro real não mantiver escrituração na forma das
Leis Comerciais e Fiscais ou deixar de elaborar as demonstrações contábeis exigidas pela
legislação fiscal;
b) A escrituração revelar evidentes intuitos de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que
a tornem imprestável;
c) A empresa deixar de apresentar ao fisco os livros e os documentos da escrituração comercial e
fiscal (se submetida à tributação pelo lucro real) ou o livro caixa (se houver operado pela tributação
com base no livro presumido e não mantiver escrituração comercial);
d) Optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido, por estar obrigada à
tributação com base no lucro real;
e) Não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, livro razão ou
fichas utilizadas para resumir e totalizar, por conta e sub conta, os lançamentos efetivados no
Diário, exceto se, tendo optado pela tributação com base no lucro presumido, escriturar no livro
caixa toda a movimentação financeira, inclusive a bancária.
O AUTO ARBITRAMENTO:

a) É permitido a pessoa jurídica proceder o auto-arbitramento, quando conhecida a receita e desde


que ocorridas as hipóteses supras (a, b, c, d e e);
b) A apuração com base no lucro arbitrado e trimestral, ficando assegurada, nos trimestres não
submetidos ao arbitramento, a tributação com base no lucro real ou presumido;
c) O imposto apurado com base no lucro arbitrado terá por vencimento o último dia útil do mês
subseqüente ao do encerramento de cada período de apuração.

PERCENTUAIS APLICADOS SOBRE A RECEITA BRUTA

TIPOS DE ATIVIDADES GERADORAS DA RECEITA PERCENTUAIS APLICÁVEIS

 Revenda, para consumo, de combustível derivado do petróleo, álcool etílico


carburante e gás natural; 1,92%

 Venda de mercadorias ou produtos, serviços hospitalares, transportes de


9,6%
cargas;

 Serviços prestados cuja receita bruta não superior a 19,2%

 Serviços prestados pelas sociedades civis, intermediação de negócios,


hotelaria, locação de imóveis, construção para administração, por empreitada e 38,4%
outros serviços

 Bancos, seguradoras, financeiras em geral 45%


Atividade diversificada
Se a pessoa jurídica explorar atividades diversificadas, deverá ser aplicado, sobre a receita bruta de cada
atividades, o respectivo percentual.

Acréscimos à base de cálculos


O valor que se obtém pela aplicação dos percentuais determinantes do lucro arbitrado é denominado de
“lucro arbitrado da atividade”. A ele deve ser somados os ganhos de capital e as demais receitas
(rendimentos de aplicações financeiras, receita de aluguéis, descontos obtidos, etc.).

Alíquotas utilizadas para o cálculo do IRPJ


a) 15% s/ a totalidade da base de cálculo apurada;
b) adicional de 10% sobre a parcela da base de cálculo que exceder ao limite equivalente a R$ 20.000,00
multiplicados pelo número de meses do período de apuração R$ 60.000,00 para fins de apuração
trimestral.

Dedução do valor do imposto


a) o IRR na fonte sobre a receita computada na base de cálculo;
b) o Imposto de Renda eventualmente pago indevidamente em períodos anteriores.
 Do imposto devido com base no lucro arbitrado é vedada qualquer dedução sob o título de incentivo
fiscal.
Contribuição social sobre o lucro
Base de cálculo é resultante da somatória dos seguintes valores:
a) 12% da receita bruta auferida na venda de mercadoria e os produtos;
b) 32% da receita bruta auferida na venda de serviços;
c) os ganhos de capital, rendimentos de aplicações financeiras, receita de locação de imóveis.

Alíquota aplicável: 9% sobre o resultado supra.


Deduções admitidas
a) a CSL retida por órgão público;
b) A CSL retida por outra pessoa jurídica de direito privado.
Prazo de pagamento:
a) em quota única, até o último dia do mês subseqüente ao do encerramento do período de sua
aplicação;
b) ou em três (03) quotas mensais, iguais e sucessivas.
Lucros ou dividendos distribuídos – tributação sem incidência na fonte e na declaração
O valor correspondente à diferença entre a base de cálculo do imposto e a soma dos seguintes tributos e
contribuições devidos no período:
a) Imposto de Renda Pessoa Jurídica, inclusive o adicional, quando devido;
b) CSL
c) COFINS
d) PIS-PASEP
O lucro contábil, devidamente apurado pelo sistema de informação contábil, se for superior ao
apurado acima, prevalecerá no que tange a distribuição do lucro isento de tributação.

ESTUDO DE CASO
I- Determinação do Imposto de Renda
Base de Cálculo
Lucro arbitrado 2.475.000 (revenda de mercadorias) x 9,6% = $ 237.600,00
Rendimentos de aplicações financeiras = $ 30.000,00
Ganho de capital na alienação de bem = $ 18.750,00
= $ 286.350,00
Imposto Devido
 Imposto normal $ 286,350,00 x 15% =$ 42.952,50
 Adicional do IR =$ 286.350,00
(-)$ 60.000,00
$226.350,00 x 10% =$ 22.635,00
=$ 65.587,50
Dedução do IR Fonte
 Imposto retido na fonte ($ 6.000,00)
Imposto Líquido a pagar $ 59.587,50
II- Determinação da Contribuição Social sobre o Lucro
Base de cálculo
 12% s/ $ 2.475.000 =$ 297.000,00
 Rendimento de aplicações financeiras =$ 30.000,00
 Ganho de capital na aplicação de bem =$ 18.750,00
$ 345.750,00
Contribuição Social Devida
 $ 345.750,00 x 9% $ 31.117,50

Lucro que pode ser distribuído aos sócios isento de tributação (fonte e declaração)
1- Base de cálculo do IR ........................................... $ 286.350,00
2- (-) IR devido ......................................................... ($ 65.587,50)
3- (-) CSL devida ..................................................... ($ 31.117,50)
4- (-) PIS devido ...................................................... ($ 16.282,50)
5- (-) COFINS devida ............................................... ($ 75.150,00)
Valor distribuível ...................................................... ($ 98.212,50)
Arbitramento do Lucro no Caso de Receita Bruta não Conhecida
Quando não for conhecida a receita bruta, o lucro arbitrado, para fins de cálculo do Imposto de
Renda, será determinado, pela Receita Federal, mediante procedimento de ofício, utilizando
uma das alternativas de cálculo.
a) 1,5 do lucro real referente ao último período em que a pessoa jurídica manteve escrituração
de acordo com as leis comerciais e fiscais, atualizando monetariamente;
b) 0,04 da soma dos valores do ativo circulante, realizável a longo prazo e permanente,
existente no último balanço patrimonial conhecido, atualizado monetariamente;
c) 0,07 do valor do capital, inclusive sua correção monetária contabilizada como reserva de
capital, constante do último balanço patrimonial conhecido ou registrado nos atos de
constituição ou alteração da sociedade, atualizado monetariamente;
d) 0,05 do valor do patrimônio líquido constante do último balanço patrimonial conhecido,
atualizado monetariamente;
e) 0,4 do valor das compras de mercadorias efetivadas no mês;
f) 0,4 da soma, em cada mês, dos valores da folha de pagamento dos empregados e das
compras de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem;
g) 0,8 da soma dos valores devidos, ao mês, a empregados;
h) 0,9 do valor mensal do aluguel devido.
Considerações Finais sobre a Tributação do Lucro Arbitrado
 As empresas que optarem pela tributação com base no lucro arbitrado estão obrigadas a apresentar a
DIPJ anualmente;
 Do Imposto devido com base no lucro arbitrado é vedada qualquer dedução sob o título de incentivo
fiscal;

LUCRO REAL
Conceito: É o Lucro Líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou
compensações prescritas ou autorizadas na Legislação. (Art. 247 do RIR/99)
Apuração do Lucro Real
DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO
1- Receita Bruta de Vendas ................................... 1.000,00
2- (-) Deduções de Vendas ....................................... 206.504
Impostos Incidentes, Descontos Incondicionais
Devoluções
3- = Receita Líquida de Vendas ................................ 793.496
4- (-) Custo da Mercadoria Vendida .......................... 500.000
5- = Lucro Bruto ......................................................... 293.496
6- (-) Despesas Operacionais .................................... 193.496
Despesas com Vendas ................... 80.000
Despesas Administrativas .............. 60.000
Resultado Financeiro Líquido ........ 53.496
7- Resultado operacional .......................................... 100.000
8- (+) Ganho de Capital ............................................. 20.000
9- Resultado antes dos Impostos .............................. 120.000
10- (-) Provisão para a Contribuição Social ................. 10.000
11- = Resultado após a CSLL ...................................... 109.200
LUCRO REAL
Lucro Líquido ................................................ 109.200
Adições ao Lucro Líquido
-Custos, despesas, encargos, perdas, provisões participações e quaisquer outros valores deduzidos
na apuração do resultado que, de acordo com a Legislação do Imposto de Renda, não sejam
dedutíveis.
Exclusões do Lucro Líquido
- Devem ser excluídos os rendimentos, as receitas, os resultados e quaisquer outros valores
computados a crédito de conta de resultado que, de acordo com a Legislação do Imposto de
Renda, não são computados no lucro real.
1- Lucro Real (Lucro Trimestral) ......................................

Adições ao Lucro Líquido (sem esgotá-las)


1) Pagamentos efetivados à Sociedade Civil de prestação de serviços profissionais ao exercício de
profissão legalmente regulamentada, quando a beneficiária for controlada, direta ou indiretamente, por
pessoas físicas que sejam diretores, gerentes ou controladores da pessoa jurídica que pagar ou creditar
os rendimentos, bem como pelo cônjuge ou parente de primeiro grau (pai/mãe, filho(a), sogro(a), genro
ou nora) das referidas pessoas;
2) Depreciação de bem que tenha sido objeto de depreciação acelerada sob o título de incentivo fiscal,
contabilizada a partir do momento em que a soma da depreciação acumulada normal, registrada na
escrituração comercial, com a depreciação acumulada incentivada, registrada no LALUR, atingir 100%
do custo de aquisição do bem;
3) Contribuição Social sobre o lucro (CSL) que tenha sido contabilizada como despesa do período;
4) Depreciação, amortização, manutenção, reparo, construção, impostos, taxas, seguros,
contraprestação de arrendamento mercantil e aluguel de bens, móveis e imóveis, não relacionados
intrinsecamente com a produção ou a comercialização dos bens e serviços e outros ...
Exclusão do Lucro Líquido (sem esgotá-las)

1) Resultado positivo da avaliação, pela equivalência patrimonial, de participações societárias em


sociedades coligadas ou controladas, caracterizadas como investimento relevante;
2) Lucros e dividendos recebidos de participações societárias não sujeitas à avaliação pela equivalência
patrimonial;
3) Parcela do lucro de empreitada ou fornecimento de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica
de direito público ou empresa sob seu controle, empresa pública, sociedade de economia mista ou sua
subsidiária, proporcional ao valor das receitas desses contratos computadas no resultado e não recebidas
até o encerramento do período-base. (Art. 409 do RIR/99);
4) Ganho de capital auferido na alienação de bens do ativo permanente realizada no período-base
(venda a longo prazo), cujo preço deve ser recebido, no todo ou em parte, após o término do ano-
calendário subseqüente ao da contratação, se houver opção pelo deferimento da tributação (art. 421 do
RIR/99) e outras.

NOTAS

 A empresa deve manter sistema de informação contábil regular (Diário e Razão), elaborar
periodicamente Balancete de Verificação, Escriturar o Livro LALUR e o Livro Registro de Inventário e
elaborar as demonstrações contábeis regulares.
 O contribuinte do IRPJ com base no lucro real deverá elaborar demonstração do lucro real que deverá
ser transcrita no LALUR.
Periodicidade Trimestral ou Anual de Apuração do Lucro Real

As empresas tributadas com base no lucro real é permitido apurar o lucro real e, conseqüentemente,
determinar o Imposto de Renda efetivamente devido:
a) Trimestralmente; ou
b) Anualmente.
Trimestralmente – Com base no valor efetivamente devido no trimestre.
Anualmente – Com pagamentos mensais por estimativa.

 A Contribuição Social sobre o lucro observa a mesma periodicidade de apuração e o mesmo critério de
pagamento definidos para a IRPJ.

 Lucro Real Anual – Pagamento do Imposto por Estimativa


 Opcionalmente, a empresa poderá apurar o lucro real no decorrer do ano, mediante levantamento de
balanços ou balancetes periódicos, com base nos quais poderá reduzir ou suspender os pagamentos
mensais do imposto.

COMPENSAÇÃO DOS PREJUÍZOS FISCAIS


Os prejuízos fiscais de períodos de apuração anteriores poderão ser compensados com o lucro real
apurado no período-base, respeitado o limite máximo de 30% do lucro real.
IMPOSTO E ADICIONAL DEVIDOS SOBRE O LUCRO REAL

a) O imposto devido sobre o lucro real é calculado à alíquota de 15% incidente sobre o lucro real,
acrescido de;
b) Adicional de 10% incidente sobre a parcela do lucro real que ultrapassar o limite de R$ 20.000,00
multiplicado pelo número de meses do respectivo período de apuração (Art. 541 e 542 do rir/99).

5 REAVALIAÇÃO DE ATIVOS
Conceito: Significa a adoção do valor de mercado para os bens reavaliados, abandonando-se para estes
o principio do custo original.
Objetivo: Que o balanço reflita os ativos a valores mais próximos aos de reposição.
Laudo de Avaliação: A avaliação dos bens (que dará base à reavaliação) deve ser efetuada por três
peritos ou por empresa especializada, nomeados em Assembléia Geral Extraordinária convocada com
essa finalidade.
 A reavaliação é restrita a bens tangíveis ao ativo imobilizado.
 O valor da reserva de reavaliação deve ser computado na determinação do lucro real, em cada
período de apuração, no montante do aumento do valor dos bens reavaliados que tenha sido realizado no
período, inclusive mediante:
a) alienação, sob qualquer forma;
b) depreciação, amortização ou exaustão;
c) baixa por depreciação.
Exemplos: Terrenos 80.000
Edifícios 150.000
Depreciação acumulada-edifícios (30.000)
Valor contábil dos bens 200.000
A empresa decidiu reavaliar tais bens, o respectivo laudo de avaliação indicou os seguintes valores:
Terrenos 140.000
Edifícios 210.000
Valor contábil dos bens 350.000
I- Reavaliação do terreno
D – Terreno 60.000
C – Reserva de reavaliação 60.000
II- Baixa da depreciação acumulada do edifício
D – Depreciação acumulada 30.000
C – Edifício 30.000
III- Reavaliação do edifício
D – Edifício 90.000
C – Reserva de reavaliação 90.000
IV- Registro por ocasião da realização da reserva de reavaliação
D – Reserva de reavaliação 300
C – Lucro ou prejuízo acumulado 300
 A parcela realizada da Reserva de Reavaliação é creditada em Lucros ou Prejuízos acumulados,
portanto, não transita por conta de resultado do período base da realização;
 Esse valor deve ser adicionado ao Lucro líquido, no LALUR, é à base de cálculo da CSLL.

6 PROVISÕES CONTÁBEIS

Conceito: são os reconhecimentos de obrigações ou perdas de ativos de valor ainda não


completamente definidos, cuja constituição:
a) debita-se a conta de resultado que representa a “perda” ou “despesa” que está sendo provisionada;
b) credita-se a conta de provisão, classificada no:
b.1. ativo, como conta redutora, no caso de provisões para perda de ativos;
b.2. passivo, no caso de provisões para exigibilidades.

Provisões dedutíveis: na determinação do Lucro Real e da base de cálculo da contribuição social


sobre o lucro, somente são dedutíveis, como custo ou despesa operacional, as seguintes deduções:
a) provisão para pagamento de férias de empregados;
b) provisão para pagamento do 13o salário dos empregados;
c) provisões técnicas das companhias de seguro;
d) provisão para perda de estoque de livros constituída pelas pessoas jurídicas que exerçam as
atividades de editor, distribuidor e livreiro.
7 INCENTIVOS FISCAIS
Conceito: como o nome diz, os incentivos fiscais são incentivos legais, com objetivos definidos, que
permitem o menor desembolso de recursos pelas empresas.

7.1 Bens de Consumo Eventual


A aquisição de bens de consumo eventual (materiais utilizados de forma esporádica no processo
produtivo) cujo valor não exceda a 5% do custo total dos produtos vendidos no período de apuração
anterior, poderá ser registrada diretamente como custo. (RIR/99, art. 290, parágrafo único)
Exemplo: Materiais destinados a restaurar a integridade ou a apresentação de produtos danificados.
Embalagens especiais para atender determinadas necessidades de transporte. Produtos para retificar
deficiências reveladas pelas matérias-primas os produtos intermediários.

7.2 Indústria Calçadista


O valor da aquisição de formas para calçados e o de facas e matrizes (moldes) utilizadas na produção
de calçados, são admitidas como custo de produção (IN SRF Nº 104/1987).
7.3 Bens cujo custo pode ser deduzido direto como custo de produção ou despesa operacional
(Art. 301 do RIR/99):
I- Bens cujo prazo de vida útil não ultrapassa o período de um ano (sem limite de valor de aquisição);
II- Bem cujo custo unitário de aquisição não seja superior a R$ 326,61 mesmo que o prazo de vida útil
seja superior a um ano;
Exceção: bens que, unitariamente considerados, não tenham condições de prestar utilidade a empresa
adquirinte (Ex: materiais de construção) e bens utilizados na exploração de atividade que requeira o
emprego concomitante de um conjunto desses bens (Ex: cadeiras em cinema, vasilhames, botijões de
gás, etc.)
7.4 Hotelaria e Restaurantes
O valor de aquisição de louças e guarnições de cama, mesa e banho utilizadas por empresas que
explorem o serviço, de hotelaria, restaurante e atividades similares, são admitidas como custo dos
serviços de despesa operacional. (IN SRF 172/89)

7.5 Depreciação Acelerada Contábil


Em relação a bens móveis, poderão ser adotados, em função do número de horas diárias de operação,
os seguintes coeficientes de depreciação acelerada (RIR/99, art. 312):
a) Dois turnos de 8 horas...........................1,5;
b) Três turnos de 8 horas...........................2,0.
Ex: Máquina opera 16 h por dia  10% x 1,5 = taxa anual de 15%
Máquina opera 24 h por dia  10% x 2,0 = taxa anual de 20%
7.6 Equipamentos Emissores de Cupom Fiscal

As empresas que exploram a atividade comercial de venda de produtos e serviços foram autorizadas a
promover depreciação acelerada dos equipamentos emissores do cupom fiscal, novos, adquiridos entre
01/01/95 e 31/12/95, calculada aplicação da taxa de depreciação usualmente admitida. (lei n° 8.981/95,
art.103 e art. 137).

7.7 Bens Utilizados na Atividade Rural

Os bens do ativo permanente imobiliário, exceto a terra NVA, adquirido por pessoa jurídica que explore a
atividade rural, para uso nessa atividade, podem ser depreciados integralmente no próprio ano da
aquisição. (MP nº 2.159-70/2001, Art. 6º e RIR/99 Art. 314)
8 FUSÕES, CISÕES E INCORPORAÇÕES DE EMPRESAS

 Premissas
I- Reorganização de sociedade de um grupo de empresas em face da conjuntura Sócio-Econômica;
II- Reorganização de sociedade objetivando o planejamento sucessório e a proteção do patrimônio da
entidade e de seus sócios;
III- Reorganização de sociedade para efeito de planejamento fiscal com o objetivo de minimizar a
carga tributátria;
IV- Abertura de empresas privadas familiares ao mercado de capital; etc...

 Desafios que envolvem o assunto


I- Deixar lucro e tentar conciliar interesses de natureza societária entre quotistas e acionistas;
II- Perceber e solucionar os reflexos tributários, seja quanto à época em que a reorganização seja
feita, seja quanto à incidência dos diversos tributos nas operações pós a reorganização;
III- Aspectos operacionais, organizacionais e de sistemas;
IV- Aspectos financeiros ou de financiamento que requeiram novos recursos dos atuais acionistas, de
novos acionistas ou financiamento de terceiros;
V- Outros fatores, como legislação específica do setor, aspectos relacionados ao pessoal, como
legislação trabalhista e previdenciária, sindical, etc...
 Conceitos (Lei 6404/76)
I- Incorporação
“É a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhe sucede em todos
os direitos e obrigações”. (Art. 227 da Lei nº 6.404/76)
1º 2º 3º
HSBC + HSBC = BAMERINDUS

II- Fusão
“É a operação pela qual se unem duas ou mais sociedades para formar sociedade novo, que lhes
sucederá em todos os diretos e obrigações”. (Art. 228 da Lei nº 6.404/76)
1º 2o 3o
ANTÁRTICA+ BRAHMA = ANTÁRTICA
III- Cisão
“É a operação pela qual a companhia transfere parcelas do seu patrimônio para uma ou mais
sociedades, constituída para esse fim, ou já existentes, extinguindo-se a companhia cindida, se
houver versão de todo o seu patrimônio, e dividindo-se o seu capital, se parcial a versão”. (Art. 229,
Lei nº 6.404/76)
1º 2º 3o
CAMA EMESA = CAMA + MESA
9 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO
Conceitos:
a) Planejamento: Decisões presentes (atuais) visando o futuro da organização. “Nesse ambiente de
turbulências e de grande competição entre empresas, a única saída para os gestores alcançarem
seus objetivos é planejar cuidado somente as ações que pretendem empreender, reavaliando, de
tempos em tempos, o desempenho efetivado contra o desempenho planejado”. Prof. Armando Catelli
b) Planejamento Tributário
I- “O estudo, organização e a implementação de ações que permitam às empresas garantir a
economia nos gastos com tributos, em conformidade com os normativos que regem o Sistema
Tributário Nacional, por meio de prática de atos e negócios jurídicos na mais estrita legalidade e que
se apresentem como opções com o menor ônus fiscal”. (Alan Corrêa)
II- “Planejamento tributário ou elisão fiscal com o conjunto de procedimentos que projetam a
redução do custo dos empreendimentos com o pagamento de tributos”. (Sarandy)
III “Técnica gerencial que visa projetar as operações industriais, os negócios mercantis e as
operações de serviços, visando conhecer as obrigações e os encargos tributários inseridos em cada
uma das respectivas alternativas legais pertinente para, mediante meios e instrumentos legítimos,
adotar aquela que possibilite a anulação, redução ou adiamento do ônus fiscal”. (Borges)
Termos:
1. Elisão Fiscal: É o ato lícito praticado pelo agente passivo da obrigação tributária em
conformidade com a legislação vigente, sendo precedente a ocorrência do fato gerador, tomou a
intenção de suprimi-lo, reduzi-lo ou postergá-lo.
2. Elusão Fiscal: É o fenômeno pelo qual o contribuinte, mediante a organização planejada de
atos lícitos, mas desprovidos de “causa” (simulados ou com fraude à Lei) tenta evitar a subsunção
de ato ou negócio jurídico ao conceito normativo do fato típico e a respectiva imputação da
obrigação tributária.
Subsunção – Do latim, sumo, ere, tomar, assumir, com o prefixo sub, em lugar de; então, subsumo,
ere, literalmente, tomar o lugar de.
3. Evasão Fiscal: É o ato lícito praticado pela agente passivo da obrigação tributária com vistas à
eliminação, redução ou postergação de recolhimento de um determinado tributo. Portanto, há
necessidade de um fato gerador já ocorrido, condição “sine qua non”, para que haja a evasão fiscal.
c) Prática de Planejamento Tributário
c.1 Opção pelo melhor Regime de Tributação
SIMPLES
Vantagens: Simplificação de pagamento (único DARF-SIMPLES – Dia 20 o vencimento)
Alíquotas Reduzidas
Regime de Caixa / INSS do Empregador
Desvantagens: Empresa que possui baixa lucratividade.
Pouca mão-de-obra empregada.
Limite de faturamento / Nem todas as atividades são permitidas.
Percentual de participação no capital-social.
Lucro Presumido
Vantagens: Simplicidade na apuração do IRE CSLL.
Menor quantidade de documentos exigidos pelo fisco.
Alta lucratividade (empresas que).

Desvantagens: Nem todas as empresas podem optar.


Se a empresa operar com prejuízo, mesmo assim paga IR e CSLL.
Não aproveita estoque de prejuízos fiscais.

NOTA  É necessário verificar se os demais valores a serem adicionados ou excluídos da base


de cálculo (Ex: Ganhos de capital, rendimentos de aplicações financeiras, etc...) possuem valor
significante na apuração dos valores a pagar.
LUCRO REAL
Vantagens: Se tiver prejuízo fiscal não paga IR e CSLL
Aproveitamento em períodos posteriores, dos prejuízos fiscais, limitado, a 30% do Lucro
Real.

Desvantagens: Para empresas com alta lucratividade.


Custo de manutenção do sistema de informação contábil.

NOTA  PIS Lucro Real – alíquota 1,65%


COFINS Lucro Real – alíquota 7,6%
Ambos sobre o faturamento com aproveitamento de créditos, custos, despesas e insumos.
PIS Lucro Presumido – alíquota 0,65%
COFINS Lucro Presumido – alíquota 3%
CASO 1

DADOS

Faturamento

Mês/Ano Valor Despesas anuais Valor

01/2005 98.000 CMV 852.480

02/2005 94.000 Salários 42.600

03/2005 92.000 ICMS 49.536

04/2005 97.000 Energia elétrica 5.960

05/2005 101.000 Depreciação 21.600

06/2005 80.000 Desp. financeiras 8.160

07/2005 90.000 Pró-labore 10.800

08/2005 105.000 Despesas gerais 56.800

09/2005 110.000 Total das desp. anuais $ 1.047.936

10/2005 101.000

11/2005 114.000

12/2005 70.000

Total $ 1.152.000
CÁLCULO DO SIMPLES

Mês/Ano Faturamento Receita acumulada Alíquota VR. SIMPLES

01/2005 98.000 98.000 5,4% 5.292

02/2005 94.000 192.000 5,4% 5.076

03/2005 92.000 284.000 5,8% 5.336

04/2005 97.000 381.000 6,2% 6.014

05/2005 101.000 482.000 6,6% 6.666

06/2005 80.000 562.000 6,6% 5.280

07/2005 90.000 652.000 7,0% 6.300

08/2005 105.000 757.000 7,4% 7.770

09/2005 110.000 968.000 7,8% 8.580

10/2005 101.000 1.082.000 8,2% 8.262

11/2005 114.000 1.152.000 8,6% 9.804

12/2005 70.000 8,6% 6.020

TOTAL SIMPLES $ 80.420


CÁLCULO DO LUCRO PRESUMIDO

Imposto/Contribuição Base de Cálculo Alíquota Valor

PIS/PASEP 1.152.000 0,65% 7.488

COFINS 1.152.000 3% 34.560

IRPJ= $ 1.152.000X8% 92.160 15% 13.824

CSLL = 1.152.000X12% 138.340 9% 12.441

INSS SALÁRIOS 42.600 27,8% 11.843

INSS PRÓ-LABORE 10.800 20% 2.160

Total Imposto e Contribuições $ 82.316


APURAÇÃO DO LUCRO REAL
1- Receita bruta de vendas 1.152.000
2- (-) Deduções das vendas (88.449)
3- = Receita líquida de vendas 1.063.551
4- (-) CMV (852.480)
5- = Lucro bruto 211.071
6- (-) Despesas operacionais (159.923)
7- = Lucro antes dos IR e CSLL 51.148
Adições 
Exclusões 
Lucro Real 51.148
CÁLCULO DO LUCRO REAL

Imposto/Contribuição Base de Cálculo Alíquota Valor

IRPJ 51.148 15% 7.672

CSLL 51.148 9% 4.603

PIS/PASEP- crédito $888.200 x 1,65% = 14.655 1.152.000 1,65% 4.353

COFINS – crédito $ 888.200 x 9,6% = 67.503 1.152.000 7,6% 20.049

INSS salários 42.600 27,8% 11.843

INSS pró-labore 10.800 20% 2.160

Total 50.680
COMPARATIVO SIMPLES, LUCRO PRESUMIDO E LUCRO REAL

Imposto/Contribuição SIMPLES Lucro Presumido Lucro Real

SIMPLES 80.4208 - -

PIS/PASEP - 7.488 4.353

COFINS - 34.560 20.049

IRPJ - 13.824 7.672

CSLL - 12.442 4.603

INSS Salários - 11.843 11.843

INSS pró-labore - 2.160 2.160

Total 80.420 82.316 50.680


CASO 2
Remuneração dos Sócios – escolha da melhor forma de remunerar dirigentes
Pró-labore
Vantagens: Dedução como despesa operacional
Desvantagens: Contribuição ao INSS (20%)
Tributação na pessoa física (fonte e declaração)
INSS do sócio 11% limitado ao teto de contribuição

Dividendos
Vantagens: Isento de tributação na fonte e declaração da PF
Desvantagens: Não deduzem o IR e a CSLL
Distribuição condicionada a existência de lucros

Juros sobre o capital próprio


Sistemática: Aplicação da taxa TJLP s/ o PL
Dedução como despesa limitada a variação da TJPL
Condição a existência de lucro
Sujeito a retenção na fonte (recuperável em 15%)
Comparação entre as formas de remuneração dos sócios
Cálculo do IRPJ e da CSLL

Pró-labore Juros TJLP Dividendos

Lucro líquido antes dos juros e pró-labore 1.000.000 1.000.000 1.000.000

Pró-labore 600.000  

INSS patronal 20% 120.000  

Juros TJLP  600.000 

Lucro líquido antes do IRPJ e da CSLL 280.000 400.000 1.000.000

Adições e exclusões   

Lucro real 280.000 400.000 1.000.000

CSLL 9% 25.200 36.000 90.000

IRPJ 15% + adicional 10% 46.000 76.000 226.000

Lucro líquido após o IRPJ e CSLL 208.800 288.000 684.000

Distribuição de lucros   600.000

Lucro líquido à disposição 208.800 288.000 84.000


Contribuição da carga tributária

Pró-labore Juros TJLP Dividendos

INSS patronal 20% 120.000  

CSLL 9% 25.200 36.000 90.000

IRPJ 15% + adicional 10% 46.000 76.000 226.000

Ônus da empresa sub-total 191.200 112.000 316.000

IRPF – tabela progressiva 159.924  

IRPF sobre juros TJLP 15%  90.000 

Contribuição ao INSS 276  

Ônus do sócio- subtotal 160.200 90.000 

Total da carga tributária 351.400 202.000 316.000


CASO 3
Depreciação acelerada pelo uso
As taxas de depreciação são fixadas, considerando-se um turno norma de 8 horas de trabalho
diário.
Se o bem estiver trabalhando mais que 8 horas pó dia, evidentemente estaria se esgotando mais
que o normal. Daí permite-se acelerar as taxas de depreciação normal para os seguintes casos,
como exemplo taxa normal de 10%.
Turnos Coeficientes Taxa de depreciação

8 hs 1,0 10%

16 hs 1,5 15%

24 hs 2,0 20%

Comprovação: mapas de produção


Cartões de ponto dos operadores da máquina
Outros tipos de comprovação
CASO 4
Estoques Obsoletos – Ativo Circulante
Há empresas que têm em estoque, matérias-primas, produtos intermediários, embalagens e até
mercadorias obsoletas.
Os inventários repetem-se por anos, refletindo valores representativos de estoques que não têm mais
utilidades.
Por que continuar com eles? Por que não tornar o ativo do balanço como realmente realizável.
Alguns cuidados devem ser adotados: emissão de NF citando que se trata de venda de produtos
inservíveis, no estado em que se encontram, ou ainda, “ponta de estoque”.

Menor o estoque final maior o custo da mercadoria vendida


Ei + c – ef = CMV
10 + 8 – 7 = 11 * maior o CMV  menor o lucro
10 + 8 – 5 = 13
10 + 8 – 4 = 14
CASO 5 - Leasing – arrendamento mercantil
Por essa operação, adquire-se de uma empresa de leasing (financeira) um determinado bem do ativo
permanente-imobilizado, fixa-se o valor residual e paga-se, mensalmente, determinado aluguel que são
considerados despesas dedutíveis para efeito de IR e CSLL.
Em lugar de adquirir um bem diretamente de seu fornecedor, a operação passa por uma empresa
de leasing, fazendo com que os aluguéis sejam contabilizados como despesa.

CASO 6 - Provisões diversas


Diminuição do lucro, contabilizando-se despesas, é vantajoso para todas as empresas e deve ser
aproveitada.
A constituição de provisões implica em redução do lucro, sem que haja dispêndio efetivo de numerário,
resulta menos IR e CSLL.
Provisões aceitas pelo fisco: provisão para férias e provisão para 13o salário.

CASO 7 - Cisão social parcial


Por ela, a empresa transfere parcelas do seu patrimônio para uma ou mais sociedades, constituídas para
esse fim, ou para aquelas já existentes, extinguindo-se a companhia cindida, se houver versão de todo
patrimônio, ou dividindo-se o seu capital, se parcial a versão.
Se a empresa estiver incidindo no pagamento adicional de 10% do IR, há casos em que se torna
possível uma cisão parcial. Se a empresa possui duas linhas de produtos diferentes ou dois
segmentos diversos, há que se estudar a possibilidade de se ter, por uma cisão, duas empresas
distintas. Cada uma delas se dedica a um determinado produto, de tal sorte que, subdividindo o
faturamento e, por conseguinte o lucro, muito provável não incidirá o adicional de 10%.
10 AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO

Avaliar um desempenho significa julgá-lo ou atribuir-lhe um conceito diante de expectativas


preestabelecidas.

Etapas do Processo de Avaliação de Desempenho


1. Determinação dos padrões de desempenho (objetivos, metas, orçamentos, custo-padrão, etc.);
2. Observação do desempenho realizado;
3. Análise do desempenho, mediante classificação, acumulação, comparação (padrão versus real) e
identificação de eventuais desvios e de suas respectivas causas;
4. Interpretação desses desvios e de suas respectivas causas; e
5. Conclusão ou emissão de um parecer, de um julgamento ou de um conceito sobre o desempenho.

Instrumentos de avaliação
 orçamento empresarial
 custo padrão