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A ENTREVISTA LÚDICA E O

LUDODIAGNÓSTICO

Prof. Leandro Matos

Psicodiagnóstico
 É uma técnica expressiva, projetiva a qual o
brincar, equivale a associação livre do
adulto. Permitindo um estudo e o
diagnóstico do funcionamento mental da
criança.

 A técnica lúdica tem fundamentos teóricos


em vários estudiosos da psicanálise. Como
Freud, Melanie Klein, Ana Freud, Winnicott
e Etc.
 Freud descobriu a psicologia da infância a partir
de sua psicanálise com adultos. Ao analisar
adultos, ele descobriu que as lembranças deles
estavam associadas a conflitos vivenciados na
infância.
 Pediu então que seus colegas coletassem
observações de seus próprios filhos. A análise
do pequeno Hans foi uma dessas anotações, que
veio a confirmar a teoria de Freud a respeito do
desenvolvimento infantil

 A partir de então elaborou sua teoria sobre a


sexualidade infantil.
 Tanto Klein com Anna apoiavam a idéia de
Freud de que por meio do brinquedo a
criança expressa e elabora sua angústia. A
repetição que observamos no brincar da
criança demonstra uma situação de
ansiedade em que o sujeito inverte seu
papel passivo para ativo, onde ele controla
a ansiedade.
 Melanie Klein pode ser considerada como a
iniciadora da técnica psicanalítica para crianças,
preconizando a aplicação do jogo.

 Contudo Freud foi o primeiro estudioso que


refletiu sobre a função e o mecanismo
psicológico da atividade lúdica infantil.

 Através da análise da brincadeira , de seu


próprio neto.
 Freud compreendeu que através da brincadeira
a criança não estava meramente se divertindo,
pelo contrário estava dominando a situação que
de outra forma seria impossível.

 “As crianças repetem, nas suas brincadeiras,


tudo que a vida lhes causou profunda impressão
e, brincando, se tornam senhoras da situação”
(FREUD, 1976).

 “... Brincam para fazer alguma coisa que, na


realidade fizeram com ela.“
 Através do brinquedo a criança tem a
possibilidade de realizar o desejo dominante
para sua faixa etária, por exemplo, o de ser
grande e de fazer o que fazem os adultos.

 A criança não só realiza seus desejos, mas


domina sua realidade através da projeção, o
brinquedo é ponte (um meio de comunicação)
que permite ligar o mundo externo e interno, a
realidade objetiva e a fantasia.
 Freud estabeleceu os marcos referenciais da
técnica do jogo, demonstrando que o brincar
não é só uma passagem de tempo para viver
situações prazerosas, mas também uma maneira
de elaborar circunstâncias traumáticas.

 Este mecanismo é possível porque a criança,


desde a tenra idade, tem a capacidade de
simbolizar.

“O brincar é a linguagem típica da criança,


equipara-se a associação livre e aos sonhos dos
adultos”.
Cuidados na utilização da
ferramenta!
 Contudo devemos compreender que, na
entrevista lúdica, por ser uma técnica de
avaliação, não se deve interpretar os dados
como em uma sessão psicotarapeutica.

 Bem como, no psicodiagnóstico infantil


costuma-se entrevistar os pais, antes de ver a
criança e deve-se combinar que eles conversem
com a criança sobre a ida dele ao psicólogo.
 As instruções específicas de uma
entrevista lúdica consistem em oferecer a
criança a oportunidade de brincar como
deseje, esclarecendo sobre os objetivos,
os papéis e a ajuda.

A entrevista lúdica consiste em


compreender as hipóteses, esclarecer
dúvidas e estabeler um vínculo de
trabalho.
 Em função das características da atividade,
é mais adequado trabalhar em uma sala
preparada para brincar, se possível
próximo a um banheiro ou cozinha para
ter acesso a água
Material Lúdico

 Deve ser apresentado sem uma ordem


aparente, em caixas ou armários, sempre
com as tampas ou portas abertas
devendo ser adequado para atender
crianças de diferentes idades, sexo e
interesses.
 Para fins diagnósticos não há necessidade
de uma caixa com material lúdico para
cada criança, pois qualquer tipo de
brinquedo, mesmo que sejam os mais
simples, oferecem possibilidades lúdicas
projetivas.

 Já para uma sessão psicoterapeutica é


necessário considerar a individualidade
dos materiais.
Material Lúdico
Estruturados Não- estruturados
 Família de bonecos  Lapis preto
 Família de animais selvagens  Caixa de lápis coloridos
e domésticos  Borracha
 Casinha com quarto,  Guaches coloridos
cozinha, sala e banheiro  Pincel
 Carros, caminhões  Apontador
(cegonha)
 Cola e fita adesiva
 Bola
 Tesoura
 Soldados, policiais
 Massa de modelar
 Telefone
 Barbante
 Porto com barquinhos
 Papéis laminados
 Aeroporto e posto de
combustível  Papel sulfite
 Jogos  Papel colorido, etc
 Brinquedos de encaixe
A hora do Jogo

 Analisar uma hora do jogo diagnóstica


não é tarefa fácil, é preciso estar
familiarizado com material teórico de
cunho analítico, pois a linha central de
interpretação é a análise das fantasias
inconscientes a partir do jogo.
 Uma análise detalhada da hora do jogo
permite:
a) A conceituação do conflito atual do
paciente
b) Coloca em evidência seus principais
mecanismos de defesa e ansiedades
c) Avalia o tipo de conteúdo e de
transferências que pode despertar.
d) Põe de manifesto as fantasias do doente,
do sofrimento e da cura
Considerações
 Através de indicadores de como a criança se aproxima
do brinquedo, sua atitude no início e no final da hora do
jogo, sua localização no consultório, sua atitude
corporal, escolha do brinquedo, jogos, modalidade,
tolerância a frustração e adequação á realidade. (Não se
esquecendo da idade e evolução cognitiva de cada
criança).

 A entrevista lúdica diagnóstica é uma técnica de


avaliação clínica muito rica, que permite compreender a
natureza do pensamento infantil, fornecendo
informações significativas do ponto de vista evolutivo,
psicopatológico e psicodinâmico, possibilitando formular
diagnósticos e prognósticos.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
PSICODIAGNÓSTICO V
(Jurema Alcides Cunha)

LUDODIAGNÓSTICO
(Rosa Maria Lopes Affonso)