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TERRITORIALIZAÇÃO

Valéria Rodrigues Taveira


Médica de Família e Comunidade
 Por que estudar Territorialização?
Territorialização

 Pressuposto básico da Estratégia de Saúde


da Família, instituído pelo Ministério da Saúde
em 1994.

 Estratégia de Saúde da Família é um modelo


baseado em prevenção e promoção à saúde.
 De onde surgiu a primeira
recomendação de se organizar os
serviços médicos com base no território?
Relatório Dawson
 A territorialização foi introduzida por Dawson em 1920,
após a primeira Guerra Mundial, a partir da solicitação do
governo inglês para se buscar formas de organizar a
provisão de serviços de saúde à população.

 Modelo baseado em centros primários (assistência e


prevenção) e secundários de saúde, visitas domiciliares,
serviços complementares.
 O relatório Dawson tem sido considerado um dos
primeiros documentos que sintetizou um modo
específico de pensar políticas públicas de saúde
mediante a criação de Sistemas Nacionais.

 Pode-se considerar que as principais diretrizes do


Sistema Único de Saúde, aprovado na Constituição
de 1988 e regulamentado em 1990,foi baseado nesse
relatório.
 Como era a Saúde Pública antes da
Constituição de 1988?
História Saúde Pública Brasil
antes da Constituição 1988
 1923: Caixa de Aposentadoria e Pensão dos
ferroviários (aposentadoria, pensão e assistência
médica)
 1939: IAPs – Instituto de Aposentadoria e Pensão
(aposentadoria, pensão e assistência médica)
 1966: INPS: Instituto Nacional de Previdência Social
 1977: INAMPS (desmembrou o serviço de assistência
à saúde do INPS)
 1979: Centros de Saúde
No Brasil, a necessidade de se
demarcar o território dos serviços
de saúde surgiu a partir do
movimento de Reforma Sanitária
Brasileira (1970-1980), que
apontou algumas falhas relativas
ao setor de saúde e serviços
ofertados à população.
Falhas do Sistema de Saúde apontadas pelo Movimento de Reforma Sanitária

o Baixa cobertura assistencial em alguns segmentos


populacionais, principalmente os mais pobres e mais regiões
mais carentes.

o Desintegração das unidades de saúde, com excesso de oferta


de serviços em alguns lugares e ausência em outros;

o Excessiva centralização implicando decisões não apropriadas,


pela distância dos locais onde ocorrem os problemas;

o Irresolutividade, desperdício e fragmentação das ações e


serviços no enfrentamento aos problemas e necessidades
apontadas nas diferentes regiões e populações brasileiras.
A partir do Movimento de Reforma Sanitária

e dos debates na VIII Conferência Nacional

de Saúde criou-se o SUS aprovado

pela Constituição de 1988


Rede
As diretrizes
organizacionais do SUS
estabeleceram que as
ações e serviços de saúde
integrassem uma rede
descentralizada,
regionalizada e
hierarquizada.
Descentralização/Regionalização

A descentralização de ações e serviços


para os municípios gerou a necessidade
de se limitar cada sistema de saúde com
base no território e população definida.
Hierarquização
A reordenação do sistema ocorreu com a

descentralização em subsistemas

municipais que obedecem a uma

hierarquia administrativa sob a

responsabilidade das Secretarias

Estaduais de Saúde e apoio da União.


 Qual o conceito de território?
Território
Espaço delimitado com determinadas

características, naturais ou elaboradas

pelo homem, que definem o ambiente e

influenciam no processo saúde-doença da

população.
Território

O território é resultado de uma


produção histórica, ambiental e
social capaz de gerar uma
identidade própria com problemas e
necessidades sociais de caráter
homogêneo.
Territorialização

A territorialização é uma condição

para a obtenção e análise de

Informações sobre as condições de

vida e saúde da população.


 Qual a divisão do território a nível
municipal?
Divisões territoriais SUS

 Território - Distrito

 Território - área

 Território - microárea

 Território - moradia
TERRITÓRIO-DISTRITO

O distrito poderia se identificar com o


território do município, fazer parte dele ou,
ainda, constituir-se como um consórcio de
municípios.
O consórcio deveria compor uma rede de
municípios para interação de serviços,
elegendo-se o que apresentar maior
capacidade tecnológica e resolutiva para
ser a sede do distrito sanitário.
Distrito

Cuiabá
Cuiabá

Distrito
Distrito

Minicípio Sede
TERRITÓRIO-ÁREA

- Área: conjunto de microáreas, nem


sempre contíguas onde atua uma equipe
de saúde da família, e residem em torno
de 2.400 a 4.000 pessoas, sendo a
média recomendada de 3.000 pessoas.
 A área deve conter um valor máximo de
população de modo a permitir um
atendimento às suas demandas de
saúde.
Outros conceitos:

- Área de abrangência: território onde vive


a população que a equipe atende.

- Área de influência: se baseia numa


lógica assistencial, gerada, muitas
vezes, pela pressão da demanda
espontânea.
Território - Área
 Como demarcar o território?
Territorialização
 Corresponde:

a) demarcação de limites das áreas de


atuação dos serviços;
 Os limites da área devem considerar
barreiras físicas e vias de acesso e
transporte da população às unidades de
saúde.
b) reconhecimento do ambiente,
população e dinâmica social existente
nessas áreas;
 A área deve conter uma população mais
ou menos homogênea do ponto de vista
socioeconômico e epidemiológico,
caracterizando “áreas homogêneas de
risco”.
 c) estabelecimento de relações
horizontais com outros serviços
adjacentes e verticais com centros de
referência.
 Como conhecer o território?
A partir de uma coleta sistemática de dados

identificaremos os problemas e necessidades da

população, com determinação de populações

expostas a risco, prioridades, vulnerabilidades

e as relações inter-espaciais, os quais geram

necessidade de intervenção.
TERRITÓRIO MICROÁREA

 Subdivisão do território-área.
 Conjunto de famílias que congrega, no
máximo, 750 habitantes, constituindo a
unidade operacional do agente de
saúde.
 O agente deve ser um morador da sua
microárea de atuação há pelo menos
dois anos.
TERRITÓRIO-MORADIA

 Espaço de vida de uma micro-unidade


social.

 Tem como objeto a prática da


vigilância à saúde.
FONTE DE INFORMAÇÃO

 A principal fonte de informação é a família,


seguida por microárea, área, segmento e
município, através dos quais os dados podem
ser agregados para a geração de relatórios.
Familia 5 / 076
JAC, masculino, 35 anos, HAS
MSC, feminino, 30 anos, DM2
TSC, masculino, 10 anos,Obesidade
Sistema de Informação Geográfica (SIG)

 Objetivo: construção de mapas que


permitam a geração de indicadores
voltados para a gerência do PSF ao
nível urbano.
 Obstáculo: falta de base digital
Considerações finais

 Território é o resultado de uma acumulação de


situações históricas, ambientais, sociais que
promovem condições particulares para a
produção de doenças.
 Reconhecimento do território é um passo
básico para a caracterização da população e
de seus problemas de saúde, bem como para
avaliação do impacto de serviços sobre os
níveis de saúde dessa população.
Referencias Bibliográficas
 GUSSO, Gustavo D. F., LOPES, Jose M. C. Tratado de Medicina de Família e
Comunidade – Princípios, Formação e Pratica. Porto Alegre: ARTMED, 2012, 2222p.
 Bezerra ACV, Dos “Territórios da Saúde” a “Saúde dos Territórios”: Relações
entre Saúde e Ambiente na perspectiva da descentralização do acesso aos serviços de
Saúde no estado de Pernambuco. Anais XVI Encontro Nacional de Geógrafos; 2010.
 MIRANDA, Ary (org.) Território, Ambiente e Saúde. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2008.
272p.
 AUGUSTO, Lia Giraldo da Silva. Abordagens Integradas para Vigilância em Saúde
Ambiental: a experiência da Chapada do Araripe. 183-204p. In: MONKEN, Maurício et al.O
Território na Saúde: construindo referencias para análises em saúde e ambiente. In:
MIRANDA, Ary (org.) Território, Ambiente e Saúde. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2008.
23-42p.
 MONKEN, Maurício et al. O Território na Saúde: construindo referencias para análises em
saúde e ambiente. In: MIRANDA, Ary (org.) Território, Ambiente e Saúde. Rio de Janeiro:
Editora Fiocruz, 2008. 23-42p.
 BARCELLOS, C. & MONKEN, M. O território na promoção e vigilância em saúde. In:
Fonseca, Angélica Ferreira (Org.). O território e o processo saúde-doença. Rio de Janeiro:
EPSJV/Fiocruz, 2007. 177-224p.

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