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Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ

FACULDADE DE ENGENHARIA ÊNFASE EM SISTEMAS DE POTÊNCIA

Disciplina: Transmissão de Energia Elétrica II

Modelagem Matemática para Catenárias de LT’s

Alunos:

Alan de Paula Anderson Ferreira Giovani Natal

Professor: Pós-DSc. José Eduardo Telles Villas

2013.1

Índice

Definição

Objetivo

Fatores Determinantes

Cabo Utilizado e suas Características

Tensões Mecâncias e Agentes Influenciadores

Equação da Catenária

Vãos Desnivelados

Aproximação entre as Curvas

Comparação entre Párabola e Catenária

Referências

Definição:

Um cabo estendido entre 2 (dois) Suportes Fixos sujeito apenas à força de seu próprio peso (Força Gravitacional), descreve uma Curva no Ar denominada CATENÁRIA.

Definição: Um cabo estendido entre 2 (dois) Suportes Fixos sujeito apenas à força de seu próprio

Objetivo:

Determinar a Altura Mínima entre o solo e os Condutores Suspensos

Determinar Altura das Torres.

Esforços sofridos pelos Condutores suspensos

Fatores Determinantes:

Diversos fatores de natureza elétrica, mecânica, ambiental e econômica condicionam o projeto de LT’s de alta tensão.

Os

2

(dois)

últimos

são

os

mais

díficeis

de

atender

requerendo uma solução satisfatória.

Os fatores elétricos são os que levam à determinação do tipo de condutor, a secção utilizada, ti´po de isoladores e número de condutores por fase.

Os fatores mecânicos estão relacionados com as forças resultantes da ação dos agentes atmosféricos (tempeatura,

vento,

gelo) nos

elementos

constituintes

da

LT

e

dos

próprios pesos desses elementos.

Cabo Utilizado:

Geralmente utiliza-se o cabo de alumínio com alma de aço (CAA) devido:

  • maior resistência mecânica reduzindo a altura das torres e o seu número (assim como o número de isoladores e ferragens).

  • menor peso (o que permite reduzir as flechas e aumentar o vão).

Características do Cabo:

Características Mecânicas e Elétricas (CAA x Aço)

Características do Cabo: Características Mecânicas e Elétricas (CAA x Aço)

Tensões Mecânicas:

A definição dos valores de tração máxima a aplicar nos vãos da LT é fator essencial visando condicionar todo o restante do projeto.

Para um melhor aproveitamento dos condutores o valor máximo a fixar é aquele a que os cabos irão estar sujeitos às condições atmosféricas mais desfavoráveis (incluindo a máxima pressão dinâmica do vento).

Tensões Mecânicas:

O projeto da LT deve garantir que a Tração Máxima admissível nos condutores não exceda 40% da Tração de Ruptura dos mesmos.

O

Limite

Máximo

de

Tensão

que

os

condutores

aguentam sem risco de Ruptura:

Tensões Mecânicas: • O projeto da LT deve garantir que a Tração Máxima admissível nos condutores

onde:

T R – tensão de ruptura dos condutores em daN

Agentes Influenciadores:

De acordo com a sua variação no tempo as ações são classificadas da seguinte forma:

  • Ações Permanentes – Ações horizontais devidas às componentes horizontais das trações máximas a que os condutores estão sujeitos e às ações verticais devidas ao seu próprio peso.

  • Ações Variáveis - Ações do vento e do gelo assim como as variações de temperatura que ocorrem ao longo do dia e de estação para estação.

Equação da Catenária:

Ponto de Partida para a Equação: Equilíbrio das Forças e dos Momentos atuantes em um elemento infinitesimal (ds) de uma cabo tensionado entre 2 pontos fixos.

Elemento infinitesimal de cabo ds e as forças atuantes sobre o mesmo
Elemento infinitesimal
de cabo ds e as forças
atuantes sobre o mesmo

Premissas:

1. Densidade Linear de Massa (m c ) e Seção Reta do Condutor são constantes ao longo do vão;

2. Forças atuantes sobre o elemento ds são:

  • Força devido à Aceleração da Gravidade (g = 9,81m/s²)

  • Força de Tração (S);

Premissas:

A Força de Tração atuante sobre o elemento ds deve ser decomposta em componentes horizontal e vertical.

Onde: • • • • • • S - força de Tração atuante em ds; dS
Onde:
S - força de Tração atuante em ds;
dS - variação de tração que houve ao longo
do elemento ds;
V - componente Vertical da Tração S;
dV - variação da tração V ao longo do
elemento ds;
H - componente Horizontal da Tração S;
dH - variação da tração H ao longo do
elemento ds;

Equação da Catenária:

O Balanço das Forças na Direção Vertical:

  • (1)

(2)

Substituindo (1) em (2), obtém-se:

  • (3)

O Balanço das Forças na Direção Horizontal:

  • (4)

Integrando (4), percebe-se que:

H = Constante

(5)

A Componente Horizontal da Força de Tração S não varia ao longo da curva catenária

Equação da Catenária: • O Balanço dos Movimentos ao longo do centro de gravidade do elemento
Equação da Catenária:
O Balanço dos Movimentos ao longo do centro de gravidade do elemento ds
fornece:
(6)
Derivando (6) em relação a x obtém-se:
(7)
Igualando (3) e (7) obtém-se:
(8)
Rearranjando a equação (8) para integrá-la obtém-se:
(9)

Equação da Catenária:

Integrando ambos os lados de (9):

(10)

Isolando dy/dx:

(11)

Fazendo (12), a equação (11) pode ser reescrita como:

(13)

Utilizando a regra da cadeia em (13):

(14)

Equação da Catenária:

Isolando y em (12) e derivando em relação a u obtém-se:

(15)

Substituindo (15) e (13) em (14):

  • (16)

Sabendo que (17):

Integrando ambos os lados de (16) obtém-se:

(18)

Equação da Catenária:

Rearrumando (18):

Fazendo e isolando y obtém-se:

(19)

Fazendo o Vértice da Catenária (Ponto para o qual é medido a flecha) ter as coordenadas x=0 e pode obter qualquer Ponto da Catenária a partir de:

(20)

Onde x é igual a distância horizontal para qual se deseja saber a altura da catenária

Equação da Catenária:

Equação da Catenária: PONTO ESCOLHIDO PARA O EIXO DE REFERÊNCIA

PONTO

ESCOLHIDO PARA O EIXO DE REFERÊNCIA

Equação da Catenária: PONTO ESCOLHIDO PARA O EIXO DE REFERÊNCIA
Equação da Catenária • Pode-se obter, a partir desta, a distância entre qualquer ponto da catenária,
Equação da Catenária
• Pode-se obter, a partir desta, a distância entre qualquer ponto da catenária, e a
reta entre os pontos fixos A e B, que representam as torres de transmissão. Essas
distâncias são chamadas flechas da catenária e possui seu valor máximo no ponto
onde a reta AB tangencia a catenária.
(21)
onde:
H – desnível entre as torres representadas pelos pontos fixos A e B, e também é um
dos catetos da reta AB;
a – tamanho do vão, ou seja, a distância horizontal entre os pontos fixos A e B;
X
A – distância horizontal da origem até o ponto fixo A;
X – ponto qualquer na horizontal, para o qual se deseja saber o valor da flecha;
Para obter o valor da flecha máxima, basta fazer x=0 na equação (20), daí obtém-se:
(22)

Equação da Catenária:

Normalmente o comprimento do vão a, o desnível h, a densidade linear de massa dos cabos m c e a tração horizontal H são valores facilmente conhecidos para uma LT

aérea.

Caso os pontos fixos A e B estejam no mesmo nível (h=0), desta maneira o ponto X A estará situado em –a/2, devido à simetria em torno do eixo y.

(23)

Vãos Desnivelados:

• O Desnível (h) e o Vão da LT (a) serão obtidos a partir do sistema
O Desnível (h) e o Vão da LT (a) serão obtidos a partir do
sistema de equações (21) abaixo:
(21-a)
(21-b)
onde:
X a - distância entre a Torre A e o vértice;
X b – distância entre a Torre B e o vértice;

Vãos Desnivelados:

Catenária aproximada da Parábola: • Nas situações em que é possível desprezar o gradiente da tangente
Catenária aproximada da Parábola:
• Nas situações em que é possível desprezar o gradiente da tangente da equação
(8), ou seja, quando pode-se assumir uma distribuição uniforme de massa ao
longo do Vão e não ao longo da catenária pode-se utilizar a equação da parábola
para representar a catenária:
(8)
A equação (8) pode ser reescrita da seguinte forma:
(24)
Realizando 2 (duas) integrações consecutivas obtém-se:
(25)

Catenária aproximada da Parábola:

Escolhendo novamente a origem no vértice que fornece f MÁX , C 1 =C 2 =0, e a equação

(25) pode ser reescrita para:

(26)

Para esta aproximação as flechas podem ser calculadas a partir de:

(27)

Para obter a flecha máxima a equação (23) será expandidade em Série de Taylor:

Catenária aproximada da Parábola: Escolhendo novamente a origem no vértice que fornece f , C =C

(28)

+++

...

Catenária aproximada da Parábola: Escolhendo novamente a origem no vértice que fornece f , C =C

Para cálculos da flecha máxima pelo método aproximado será considerado apenas o primeiro termo

Comparação entre Parábola e Catenária:

Visando facilitar

os

cálculos,

podemos

substituir

a

equação da catenária pela equação da parábola (válido

para vãos inferiores a 500 m).

Comparação entre Parábola e Catenária: • Visando facilitar os cálculos, podemos substituir a equação da catenária

Comparação com base nos pontos de mínimo das curvas

Comparação entre Parábola e Catenária:

Comparação entre Parábola e Catenária: Interseção das duas curvas, nos pontos de fixação I e S

Interseção das duas curvas, nos pontos de fixação I e S

Comparação entre Parábola e Catenária:

O erro relativo expresso em percentual de retração em substituição da curva catenária exata pela curva parábola pode ser calculado fazendo:

(29) onde:
(29)
onde:

C – parâmetro da curva catenária. a – comprimento útil.

O erro permissivo depende do caso individual. Quando o erro absoluto é maior do que 0,10 m, a catenária deve ser usada.

Hoje em dia, os afundamentos do condutores são exclusivamente calculados por programas de computador, onde as equações exatas podem sempre ser adotadas sem qualquer esfoço.

Comparação entre Parábola e Catenária:

Exemplo: Um condutor ACSR 304-ALI/49-ST1A, de acordo com a Norma EM 50182, se afundou em vãos com 800 e 400 de comprimento com uma força de tensão horizontal de 14 kN correspondente a uma tensão de tração de 40 N/mm 2 . O pâramento C é obtido por:

Comparação entre Parábola e Catenária: Exemplo: Um condutor ACSR 304-ALI/49-ST1A, de acordo com a Norma EM

O erro relativo da aproximação da parábola será de 0,2% de acordo com um vão de 400 m e se 1,0% para um vão de 800 m.

Comparação entre Parábola e Catenária: Exemplo: Um condutor ACSR 304-ALI/49-ST1A, de acordo com a Norma EM

Tabela obtida a partir da equação (29)

Comparação entre Parábola e Catenária:

O correspondente afundamento é calculado usando a curva catenária é:

Comparação entre Parábola e Catenária: O correspondente afundamento é calculado usando a curva catenária é: e

e usando a parábola é:

Comparação entre Parábola e Catenária: O correspondente afundamento é calculado usando a curva catenária é: e

Os

erros,

portanto,

são 0,04

e

0,69 m respectivamente.

No caso

de vãos

com

comprimentos maiores que 500 m, o cálculo do afundamento usando a parábola é

suficiente se um erro de 0,1 m é aceito.

Referências:

Bezerra, F.V.C - "Projeto Mecânico de Linhas Aéreas de Transmissão", Departamento de Eletrotécnica da UFRJ, Brasil, 2010.

Kiessling F., Nefzger P., Nolasco J.F. et all. “Overhead power Lines, Planning,Design, Construction”, Singer, 2003, Berlim.

Severino, J.F.B., "Sistema Digital de Medição Direta da Flecha em Linhas de Transmissão com o Uso de Sensores Ópticos e Comunicação Via Tecnologia GPRS", Departamento de Pós- Graduação da UFJF, Juiz de Fora, 2006.

Sequeira, N.J.F., "Projecto de Linha Aérea de Alta Tensão conforme a Norma EN50341-1", Departamento de Mestrado em Engenharia Eletrotécnica da FEUP, Porto, Portugal, 2009.