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REDE NACIONAL DE CUIDADOS DE SAÚDE

UFCD 6557
ÍNDICE

1. Perspetiva histórica da Rede Nacional de Cuidados de Saúde


2. A Política de saúde
3. Sistema, subsistemas e seguros de saúde
4. Serviços e estabelecimentos do Sistema Nacional de Saúde em Portugal
5. Outros prestadores que intervêm no domínio da Saúde
6. Ambiente e cultura organizacional: noções gerais nas instituições de saúde
I. PERSPECTIVA HISTÓRICA DA REDE NACIONAL DE CUIDADOS DE SAÚDE
I. PERSPECTIVA HISTÓRICA DA REDE NACIONAL DE CUIDADOS DE SAÚDE

 Na atualidade consideramos que, em Portugal a Saúde é um Direito e um Dever, mas nem


sempre assim foi.

 A Constituição da República Portuguesa consagra o Artigo 64º à Proteção da Saúde.


I. PERSPECTIVA HISTÓRICA DA REDE NACIONAL DE CUIDADOS DE SAÚDE

 Artigo 64º - Saúde

 1. Todos têm direito à proteção da saúde e o dever de a defender e promover.


 2. O direito à proteção da saúde é realizado:

o Através de um serviço nacional de saúde universal e geral e, tendo em conta as condições


económicas e sociais dos cidadãos, tendencialmente gratuito.
o Pela criação de condições económicas, sociais e culturais que garantam a proteção da
infância, da juventude e da velhice, e pela maioria sistemática das condições de vida e de
trabalho, bem como pela promoção da cultura física e desportiva, escolar e popular, e ainda
pelo desenvolvimento da educação sanitária do povo.
I. PERSPECTIVA HISTÓRICA DA REDE NACIONAL DE CUIDADOS DE SAÚDE

 3. Para assegurar o direito à proteção da saúde, incumbe prioritariamente ao Estado:


o Garantir o acesso de todos os cidadãos, independentemente da sua condição económica, aos
cuidados da medicina preventiva, curativa e de reabilitação.
o Garantir uma racional e eficiente cobertura médica e hospitalar de todo o país.
o Orientar a ação para a socialização dos custos dos cuidados médicos e medicamentosos.
o Disciplinar e controlar as formas empresariais e privadas da medicina, articulando-as com o
serviço nacional de saúde.
o Disciplinar e controlar a produção, a comercialização e o uso dos produtos químicos,
biológicos e farmacêuticos e outros meios de tratamento e diagnóstico.

 4. O serviço nacional de saúde tem gestão descentralizada e participada.


I. PERSPECTIVA HISTÓRICA DA REDE NACIONAL DE CUIDADOS DE SAÚDE

 O direito à proteção da saúde concede-nos a


possibilidade de obter do Estado prestações ou
serviços que permitam a sua efetivação,
implicando, por isso, um dever do Estado.
I. PERSPECTIVA HISTÓRICA DA REDE NACIONAL DE CUIDADOS DE SAÚDE

 Deste modo, este direito não impõe apenas ao Estado a obrigação de criar condições para a
proteção da saúde, mas também lhe impõe que se abstenha de atuar de forma a prejudicar ou
fazer perigar a saúde dos cidadãos.

 Se bem que o Estado seja o principal destinatário do Artigo 64º, ele não é, contudo, o único. À
sociedade também compete a defesa e promoção da saúde. Este dever fundamental significa
que todos os cidadãos devem desenvolver atividades que prossigam aquelas finalidades.
I. PERSPECTIVA HISTÓRICA DA REDE NACIONAL DE CUIDADOS DE SAÚDE

 Ao longo do tempo, na história do nosso país, têm havido várias perspetivas e práticas no que
diz respeito à proteção social da saúde.

 Assistiu-se, “durante séculos, espontaneamente e em obediência a um dever de caridade, foi


prestada assistência sanitária aos indigentes enfermos por pessoas privada ou por instituições
públicas”, tendo cabido em especial às instituições particulares (com grande relevo para as
Misericórdias, que administravam a maior parte dos hospitais) a assistência no domínio da
saúde, desde a Idade Média.
I. PERSPECTIVA HISTÓRICA DA REDE NACIONAL DE CUIDADOS DE SAÚDE

 Desta forma, “por caridade procurou-se apoiar e curar os


doentes pobres nos hospitais. Ali se ministrava o socorro
gratuito aos doentes sem meios patrimoniais próprios para se
tratarem à sua custa”.
I. PERSPECTIVA HISTÓRICA DA REDE NACIONAL DE CUIDADOS DE SAÚDE

 O conceito e a expansão do direito geral e universal à saúde, com igualdade de oportunidades,


instala-se na Europa a partir de 1945 (no pós-guerra). As políticas sociais, nesta época, passam de
um modelo onde se contemplavam apenas os trabalhadores (através dos seguros sociais
obrigatórios) para um modelo universalizante que passa a abranger todos os cidadãos de cada país.
I. PERSPECTIVA HISTÓRICA DA REDE NACIONAL DE CUIDADOS DE SAÚDE

 Na década de 50, Portugal, geograficamente na Europa, mas dela repressivamente isolado


culturalmente, mantinha-se à margem do direito à saúde e do generalizado movimento de
institucionalização das políticas sociais.

 A ideologia do Estado Novo tinha, relativamente à Segurança Social e Saúde, uma atitude que
se alicerçava em todos os suportes culturais da caridade paternalista. Oficialmente, competia ao
Estado um papel supletivo das ações de solidariedade ético-religiosas, sintetizada no lema “dos
que podem aos que precisam” que existiu e foi resistindo.
I. PERSPECTIVA HISTÓRICA DA REDE NACIONAL DE CUIDADOS DE SAÚDE

 Síntese histórica:
I. PERSPECTIVA HISTÓRICA DA REDE NACIONAL DE CUIDADOS DE SAÚDE

 Assistência Pública (Até 1946)

o Assistência privada e pública.


o Importância das instituições particulares (Misericórdias).
o Serviços de Saúde da responsabilidade da iniciativa privada (exceção para os serviços de
sanidade geral – 4 hospitais).
o Caridade no apoio aos doentes.
o Ação curativa promovida pelo Estado nos seus hospitais era escassa.
o Ação preventiva: “polícia sanitária” (saúde pública).
I. PERSPECTIVA HISTÓRICA DA REDE NACIONAL DE CUIDADOS DE SAÚDE

 Assistência Pública e o Seguro Social Obrigatório (De 1946 a 1976)

o Publicação do Estatuto da Assistência Social e Organização da Assistência Social (1944 e 45 respetivamente).


o Papel supletivo no domínio da saúde assumido pelo Estado.
o Ação de profilaxia e defesa contra algumas doenças.
o São definidos responsáveis pelos encargos da assistência: organização, cadastro e
recenseamento de pobres e indigentes.
o Cuidados médicos da responsabilidade do indivíduo e família.
I. PERSPECTIVA HISTÓRICA DA REDE NACIONAL DE CUIDADOS DE SAÚDE

o Seguro Social Obrigatório (1935) – Previdência Social.


o Federação das Caixas de Previdência (1946) – permite a expansão dos serviços médico-
sociais à margem dos serviços assistenciais e “policiais” de saúde do Estado.
o Lei de Bases da Organização Hospitalar (1946) (construções hospitalares entregues às Misericórdias).
o Estatuto da Saúde e Assistência (Lei n.º 2120 de Julho de 1963).
o 1971 (Dec.-Lei n.º 413/71): ensaio reformista que reconhece direito à saúde, da promoção
de uma política unitária de saúde, de integração das atividades de saúde e assistência e do
planeamento central e descentralizado da execução; Não conseguiu a integração dos
Serviços Médico-sociais da Previdência para a criação de um sistema de saúde.
o Criação dos Centros de Saúde (1971).
I. PERSPECTIVA HISTÓRICA DA REDE NACIONAL DE CUIDADOS DE SAÚDE

 O Serviço Nacional de Saúde (De 1976 a 1990)

o Revolução de 25 de Abril de 1974: novo contexto político.


o Constituição da República Portuguesa (1976) institui o Serviço Nacional de Saúde (em 1979)
universal e gratuito.
o O SNS pretende a criação de uma organização estatal de prestação de cuidados a toda a
população, garantindo o acesso a todos os cidadãos em regime de gratuitidade.
I. PERSPECTIVA HISTÓRICA DA REDE NACIONAL DE CUIDADOS DE SAÚDE

o É atribuída ao Estado a incumbência de mobilizar os recursos financeiros indispensáveis ao


SNS para a sua implantação e realização.
o Lei do SNS: primeiro diploma que efetiva o direito universal e gratuito à saúde e que define o
conteúdo das prestações que são objeto daquele direito.
o Transferência dos Serviços Médico-sociais das Instituições de Previdência para a Secretaria
de Estado da Saúde (1977).
o Medicina Privada.
I. PERSPECTIVA HISTÓRICA DA REDE NACIONAL DE CUIDADOS DE SAÚDE

 A Reforma do Serviço Nacional de Saúde De 1990 à Atualidade

o Dificuldades financeiras de sustentação do SNS.


o Lei de Bases da Saúde (Lei n.º 48/90, de 24 de Agosto)
o Estatuto de Serviço Nacional de Saúde (Dec.-Lei n.º 11/93, de 15 de Janeiro) que
regulamenta a anterior.
o Financiamentopassa a ser da responsabilidade do Estado e de outras entidades,
nomeadamente dos beneficiários (com várias modalidades).
o Regime de convenção.
o Gestão privada de serviços de saúde.
o Alterações à Lei de Bases: criação dos chamados “Hospitais SA” (Sociedades Anónimas).
II. A POLÍTICA DE SAÚDE
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 2.1. Principais orientações europeias em matéria de saúde: estratégias e orientações


da Organização Mundial de Saúde
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 A Estratégia de Saúde constitui um compromisso coletivo para melhorar a saúde, no contexto


português e europeu do virar do século. Um compromisso amplamente inserido na sociedade
portuguesa, na justa medida em que corresponde a uma consulta alargada e a uma disposição
continuamente reforçada de diálogo e de participação.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 A Estratégia de Saúde pretende situar-nos na inevitável complexidade de um "sistema de


saúde" e das suas tendências evolutivas e contribui assim para aumentar a coerência das
iniciativas individuais e coletivas.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 A Estratégia de Saúde define metas concretas, a médio e a longo prazo, que explicitam o
"compromisso de saúde" em termos facilmente acessíveis e que permitem identificar a
contribuição de cada um para a sua realização.

 A Estratégia de Saúde constitui também um importante instrumento de informação,


comunicação e participação- estabelece códigos conceptuais e normaliza a linguagem em
termos que facilitam a análise e o debate da saúde.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 A Estratégia da Saúde promove o investimento na saúde,


identificando formas concretas para relacionar os objetivos
de desenvolvimento dos serviços de saúde, com melhorias
expressas nas metas de saúde.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 A Estratégia de Saúde constitui um quadro de referência para o estabelecimento de metas de


saúde a nível local, assim como para as iniciativas concretas que as permitam realizar.

 Os instrumentos de planeamento, direção e contextualização dos serviços de saúde e dos


parceiros sociais que se enquadram na Estratégia de Saúde devem refletir explicitamente os
seus princípios e objetivos.

 A Estratégia de Saúde fundamenta-se num conjunto de valores e princípios amplamente


reconhecidos no país e no contexto europeu em que se insere.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 A salvaguarda incondicional da dignidade humana, a solidariedade e a justiça social na


realização da saúde, a cidadania como expressão de autonomia e responsabilidades
democráticas, os princípios éticos na prática clínica e nas decisões individuais e coletivas sobre a
saúde, a equidade no acesso e utilização dos cuidados de saúde, a sustentabilidade das
soluções organizativas e financeiras na saúde e a especificidade do trabalho profissional, são
algumas das referências mais importantes.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 Visão do Plano Nacional de Saúde 2012-2016:

o Maximizar os ganhos em saúde, através do alinhamento em torno de objetivos comuns, da


integração de esforços sustentados de todos os sectores da sociedade, e da utilização de
estratégias assentes na cidadania, na equidade e acesso, na qualidade e nas políticas saudáveis.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 O PNS pretende:

o Maximizar os ganhos em saúde reconhecendo que são relativos, através de resultados de


saúde adicionais para a população, globalmente e por grupo etário, sexo, região, nível
socioeconómico e fatores de vulnerabilidade.
o Reforçar o Sistema de Saúde como a opção estratégica com maior retorno de saúde, social e
económico, considerando o contexto nacional e internacional (WHO, 2008), promovendo as
condições para que todos os intervenientes desempenhem melhor a sua missão.
oA forma como o PNS se propõe cumprir o seu objetivo e reforçar o Sistema de Saúde
constitui o seu modelo conceptual.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 O PNS assume os mesmos valores fundamentais dos sistemas de saúde europeus


(Conselho UE, 2006), nomeadamente:

o Universalidade, o que significa que ninguém pode ser excluído do acesso aos cuidados de saúde.
o O acesso a cuidados de qualidade.
o Equidade, implicando que todos têm idêntico acesso aos cuidados e direito à obtenção de
resultados em saúde, de acordo com as necessidades, independentemente do sexo, religião,
origem étnica, idade, estatuto social ou capacidade de pagar esses cuidados.
o Solidariedade, ou seja, que o regime financeiro do Sistema de Saúde garante a todos o
acesso aos cuidados de saúde.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 Dos princípios do PNS realçam-se:

o A transparência e a responsabilização, que permitam a confiança e valorização dos agentes e


que o sistema se desenvolva, aprendendo.
o O envolvimento e participação de todos os intervenientes nos processos de criação de saúde;
o Redução das iniquidades em saúde, como base para a promoção da equidade e justiça social
o A integração e continuidade dos cuidados.
o A sustentabilidade, de forma a preservar estes valores para o futuro.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 2.2. A Política Nacional de Saúde: estratégias e orientações


II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 2.2.1. Indicadores de saúde

 A proteção da saúde constitui um direito dos indivíduos e da comunidade que se efetiva pela
responsabilidade conjunta dos cidadãos, da sociedade e do Estado, em liberdade de procura e
de prestação de cuidados, nos termos da Constituição e da lei.

 O Estado promove e garante o acesso de todos os cidadãos aos cuidados de saúde nos limites
dos recursos humanos, técnicos e financeiros disponíveis.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 A promoção e a defesa da saúde pública são efetuadas através da atividade do Estado e de outros
entes públicos, podendo as organizações da sociedade civil ser associadas àquela atividade.

 Os cuidados de saúde são prestados por serviços e estabelecimentos do Estado ou, sob fiscalização
deste, por outros entes públicos ou por entidades privadas, sem ou com fins lucrativos.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 A política de saúde tem âmbito nacional e obedece às diretrizes seguintes:

o A promoção da saúde e a prevenção da doença fazem parte das prioridades no planeamento


das atividades do Estado.
o É objetivo fundamental obter a igualdade dos cidadãos no acesso aos cuidados de saúde,
seja qual for a sua condição económica e onde quer que vivam, bem como garantir a
equidade na distribuição de recursos e na utilização de serviços.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

o São tomadas medidas especiais relativamente a grupos sujeitos a maiores riscos, tais como
as crianças, os adolescentes, as grávidas, os idosos, os deficientes, os toxicodependentes e
os trabalhadores cuja profissão o justifique.
o Os serviços de saúde estruturam-se e funcionam de acordo com o interesse dos utentes e
articulam-se entre si e ainda com os serviços de segurança e bem-estar social.
oA gestão dos recursos disponíveis deve ser conduzida por forma a obter deles o maior
proveito socialmente útil e a evitar o desperdício e a utilização indevida dos serviços.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

o É apoiado o desenvolvimento do sector privado da saúde e, em particular, as iniciativas das


instituições particulares de solidariedade social, em concorrência com o sector público.
oÉ promovida a participação dos indivíduos e da comunidade organizada na definição da
política de saúde e planeamento e no controlo do funcionamento dos serviços.
o É incentivada a educação das populações para a saúde, estimulando nos indivíduos e nos
grupos sociais a modificação dos comportamentos nocivos à saúde pública ou individual.
o É estimulada a formação e a investigação para a saúde, devendo procurar-se envolver os
serviços, os profissionais e a comunidade.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 A política de saúde tem carácter evolutivo, adaptando-se


permanentemente às condições da realidade nacional, às
suas necessidades e aos seus recursos.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 2.3. A Lei de Bases da Saúde: os direitos e deveres


do utente que recorre aos serviços de saúde
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 2.3.1. Os Direitos do utente que recorre aos serviços de saúde

 2.3.1.1. Ser tratada com respeito pela dignidade e integridade humana

 É um direito humano fundamental, que adquire particular importância em situação de doença.


Deve ser respeitado por todos os profissionais envolvidos no processo de prestação de
cuidados, no que se refere quer aos aspetos técnicos, quer aos atos de acolhimento, orientação
e encaminhamento dos doentes.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 É também indispensável que o doente seja informado


sobre a identidade e a profissão de todo o pessoal que
participa no seu tratamento.

 Este direito abrange ainda as condições das instalações


e equipamentos, que têm de proporcionar o conforto e
o bem-estar exigidos pela situação de vulnerabilidade
em que o doente se encontra.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 2.3.1.2. Ser respeitada nas suas convicções culturais filosóficas e religiosas

 Cada doente é uma pessoa com as suas convicções culturais e religiosas. As instituições e os
prestadores de cuidados de saúde têm, assim, de respeitar esses valores e providenciar a sua
satisfação.

 O apoio de familiares e amigos deve ser facilitado e incentivado.


II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 Do mesmo modo, deve ser proporcionado o apoio espiritual requerido pelo doente ou, se
necessário, por quem legitimamente o represente, de acordo com as suas convicções.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 2.3.1.3. Ter acesso a cuidados apropriados ao seu estado de saúde e situação


psicossocial (promoção da saúde/Prevenção da doença, tratamento, reabilitação,
cuidados continuados, cuidados em fim de vida)

 Os serviços de saúde devem estar acessíveis a todos os cidadãos, de forma a prestar, em tempo
útil, os cuidados técnicos e científicos que assegurem a melhoria da condição do doente e seu
restabelecimento, assim como o acompanhamento digno e humano em situações terminais.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 Em nenhuma circunstância os doentes podem ser objeto de discriminação.

 Os recursos existentes são integralmente postos ao serviço do doente e da


comunidade, até ao limite das disponibilidades.

 Em situação de doença, todos os cidadãos têm o direito de obter dos


diversos níveis de prestação de cuidados (hospitais e centros de saúde)
uma resposta pronta e eficiente, que lhes proporcione o necessário
acompanhamento até ao seu completo restabelecimento.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 Para isso, hospitais e centros de saúde têm de coordenar-se,


de forma a não haver quaisquer quebras na prestação de
cuidados que possam ocasionar danos ao doente.

 O doente e seus familiares têm direito a ser informados das


razões da transferência de um nível de cuidados para outro e
a ser esclarecidos de que a continuidade da sua prestação
fica garantida.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 Ao doente e sua família são proporcionados os conhecimentos e as informações que se


mostrem essenciais aos cuidados que o doente deve continuar a receber no seu domicílio.
Quando necessário, deverão ser postos à sua disposição cuidados domiciliários ou comunitários.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 2.3.1.4. Ter privacidade na prestação de todo e qualquer cuidado ou serviço

 A prestação de cuidados de saúde efetua-se no respeito rigoroso do direito do doente à


privacidade, o que significa que qualquer ato de diagnóstico ou terapêutica só pode ser
efetuado na presença dos profissionais indispensáveis à sua execução, salvo se o doente
consentir ou pedir a presença de outros elementos.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 A vida privada ou familiar do doente não pode ser


objeto de intromissão, a não ser que se mostre
necessária para o diagnóstico ou tratamento e o doente
expresse o seu consentimento.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 2.3.1.5. Ver garantida a confidencialidade de dados associados ao seu processo


clínico e elementos identificativos que lhe dizem respeito

 Todas as informações referentes ao estado de saúde do doente – situação clínica, diagnóstico,


prognóstico, tratamento e dados de carácter pessoal – são confidenciais. Contudo, se o doente
der o seu consentimento e não houver prejuízos para terceiros, ou se a lei o determinar, podem
estas informações ser utilizadas.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 Este direito implica a obrigatoriedade do segredo profissional, a


respeitar por todo o pessoal que desenvolve a sua atividade nos
serviços de saúde.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 2.3.1.6. Ter direito à informação que abone a favor de uma melhor prestação de serviços

 Esta informação deve ser prestada de forma clara, devendo ter sempre em conta a
personalidade, o grau de instrução e as condições clínicas e psíquicas do doente.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 Especificamente, a informação deve conter elementos relativos ao diagnóstico (tipo de doença),


ao prognóstico (evolução da doença), tratamentos a efetuar, possíveis riscos e eventuais
tratamentos alternativos.

 O doente pode desejar não ser informado do seu estado de saúde, devendo indicar, caso o
entenda, quem deve receber a informação em seu lugar.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 2.3.1.7. Poder apresentar sugestões e reclamações

 O doente, por si, por quem legitimamente o substitua ou por organizações representativas,
pode avaliar a qualidade dos cuidados prestados e apresentar sugestões ou reclamações.

 Para esse efeito, existem, nos serviços de saúde, o gabinete do utente e o livro de reclamações.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 O doente terá sempre de receber resposta ou


informação acerca do seguimento dado às suas
sugestões e queixas, em tempo útil.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 2.3.2. Os deveres do doente que recorre aos serviços de saúde

1. O doente tem o dever de zelar pelo seu estado de saúde. Isto significa que deve procurar
garantir o mais completo restabelecimento e também participar na promoção da própria
saúde e da comunidade em que vive.

2. O doente tem o dever de fornecer aos profissionais de saúde todas as informações


necessárias para obtenção de um correto diagnóstico e adequado tratamento.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

3. O doente tem o dever de respeitar os direitos dos outros doentes.

4. O doente tem o dever de colaborar com os profissionais de saúde, respeitando as


indicações que lhe são recomendadas e, por si, livremente aceites.

5. O doente tem o dever de respeitar as regras de funcionamento dos serviços de saúde.

6. O doente tem o dever de utilizar os serviços de saúde de forma apropriada e de colaborar


ativamente na redução de gastos desnecessários.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 2.3.3. Regime legal da responsabilidade civil e penal por danos em saúde

 A responsabilidade civil consubstancia-se na obrigação de reparação de um dano, causalmente


resultante da intervenção do profissional médico.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 Para existir responsabilidade civil terão que verificar-se simultaneamente alguns pressupostos:

o Existência de uma conduta (ação ou omissão) voluntária de que resulte ilicitamente um dano
sofrido pelo doente.
o Existência de relação de causalidade adequada entre o dano sofrido e a ação ou omissão do agente.
o Atribuição da responsabilidade pelo dano ao agente, responsabilidade que pode ser de
natureza subjetiva (culpa ou dolo) ou objetiva (responsabilidade pelo risco).
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 O médico poderá assim ter que responder por um ato que ele próprio praticou (próprio) ou por
um ato praticado por outrem que esteja ao seu serviço.

 Nos termos do artigo 800.º 1 do Código Civil, o médico é contratualmente responsável pelos atos das
pessoas que utilizou no cumprimento das suas obrigações como se fossem praticados por si próprio.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 O médico tem o dever de agir com diligência e cuidado no exercício da sua profissão. Cabem
nestes deveres, sem pretensão de ser exaustivo, o “dever de informar e aconselhar, o dever de
prestar cuidados e o dever de se abstrair do abuso ou desvio de poder”.

 O primeiro dever – informar e aconselhar – está contido na exigência de esclarecimento livre e


informado ou esclarecido.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 O segundo dever – prestar cuidados – obriga o médico a praticar atos que adicionem aos
cuidados que são impostos aos cidadãos, no percurso da sua vida quotidiana na relação com os
outros cidadãos, os cuidados próprios não só da profissão como também os que advêm dos
conhecimentos adquiridos e possuídos lateralmente à profissão, tais como aqueles que resultam
da experiência pessoal na prática de determinado ato.

 O terceiro dever – de se abstrair do abuso ou desvio do poder – também inclui as situações em


que os meios empregados são desproporcionados, expondo o doente a riscos inúteis e/ou
desnecessários, com eventual omissão de normas de conduta e de segurança.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 2.4. Humanização na prestação de cuidados de saúde


II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 2.4.1. O cidadão como figura central do Sistema de Saúde

 O conhecimento dos direitos e deveres dos doentes, também extensivos a todos os utilizadores
do sistema de saúde, potencia a sua capacidade de intervenção ativa na melhoria progressiva
dos cuidados e serviços.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 Evolui-se no sentido de o doente ser ouvido em todo o processo de reforma, em matéria de


conteúdo dos cuidados de saúde, qualidade dos serviços e encaminhamento das queixas.

 A Carta dos Direitos e Deveres dos Doentes representa, assim, mais um passo no caminho da
dignificação dos doentes, do pleno respeito pela sua particular condição e da humanização dos
cuidados de saúde, caminho que os doentes, os profissionais e a comunidade devem percorrer
lado a lado.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 Assume-se, portanto, como um instrumento de parceria na saúde, e não de confronto,


contribuindo para os seguintes objetivos:

o Consagrar o primado do cidadão, considerando-o como figura central de todo o Sistema de Saúde.
o Reafirmar os direitos humanos fundamentais na prestação dos cuidados de saúde e, especialmente,
proteger a dignidade e integridade humanas, bem como o direito à autodeterminação.
o Promover a humanização no atendimento a todos os doentes, principalmente aos grupos vulneráveis.
o Desenvolver um bom relacionamento entre os doentes e os prestadores de cuidados de saúde e,
sobretudo, estimular uma participação mais ativa por parte do doente.
o Proporcionar e reforçar novas oportunidades de diálogo entre organizações de doentes, prestadores
de cuidados de saúde e administrações das instituições de saúde.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 2.4.2. A vulnerabilidade da pessoa humana

 A necessidade de proteção contra a vulnerabilidade e a doença é universal.

 Nos tempos modernos, pelo menos nos países ocidentais, o aumento da longevidade associada
ao isolamento social criou uma vulnerabilidade acrescida aos indivíduos mais idosos. A
prestação de cuidados de saúde é atualmente um encargo social, com custos elevadíssimos.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 Se é verdade que a Constituição da República Portuguesa garante


o direito à proteção da saúde, também é verdade que, a pobreza,
a posição social na comunidade e a cultura de cada um são
determinantes do seu estado de saúde e das suas modalidades
de recurso e de acesso aos cuidados de saúde.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 A educação para a saúde, ao permitir às pessoas uma escolha informada e a aceitação de


responsabilidade pela própria saúde, é o instrumento primordial para diminuir a diferença em
termos de assistência médica que separa os ricos dos pobres. A educação para a saúde é tão
importante quanto a justa distribuição de recursos escassos nos cuidados de saúde e quanto a
redução do risco de prejuízo de doentes mais vulneráveis.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 É fundamental a discussão e definição dos critérios a utilizar na


locação de recursos, de forma a garantir a igualdade na saúde e
na supressão do sofrimento e também de forma a impedir a
discriminação no acesso aos cuidados de saúde das populações
mais vulneráveis.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 2.4.3. A doença versus cuidados básicos de saúde

 Cuidados de saúde – Conjunto organizado de atividades médicas e paramédicas, gerais e de


especialidades, prestadas á população de forma coordenada, com o objetivo de assegurar a
cada indivíduo o melhor nível de saúde, através da promoção da saúde, da prevenção da
doença, bem como da cura dos doentes e recuperação dos diminuídos.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 Tipos de cuidados de saúde:

 Cuidados primários ou cuidados de base


 Intervenções médicas, paramédicas e médico-sociais, abrangendo a promoção da saúde e
prevenção da doença, diagnóstico e tratamento elementar ou a triagem ou encaminhamento
para instituições especializadas.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 Cuidados secundários ou cuidados hospitalares


 Intervenções visando o diagnóstico ou tratamento através de recursos mais diferenciados e
habitualmente em meio hospitalar.

 Cuidados terciários
 Conjunto de atividades médicas e médico-sociais visando a limitação das sequelas e a
reabilitação física, psíquica e social dos diminuídos.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 Cuidados continuados
 Intervenções sequenciais de saúde e/ou apoio social, decorrente da avaliação conjunta,
centradas na recuperação global das pessoas com perda de funcionalidade, ou em situação de
dependência, em qualquer idade, que se encontrem afetadas na estrutura anatómica ou nas
funções psicológica ou fisiológica, com limitação acentuada na possibilidade de tratamento
curativo de curta duração, suscetível de correção, compensação ou manutenção e que
necessitem de cuidados complementares e interdisciplinares de saúde de longa duração.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 Escalões de prevenção
de um sistema de saúde:
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 2.4.4.O contato com a dor

 Pela sua frequência e potencial de causar sofrimento e incapacidade, a dor, enquanto síndroma
clínico, transformou-se num verdadeiro problema de saúde pública. As suas graves
consequências ao nível da vida pessoal e familiar fazem, de resto, com que a dor se constitua
como uma das grandes áreas temáticas inscritas no domínio da psicologia da saúde.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 A dor é um fenómeno percetivo complexo, subjetivo e multidimensional e, na medida em que


constitui uma experiência única de cada indivíduo, os prestadores de cuidados de saúde só a
poderão avaliar de forma indireta.

 As disfunções causadas pela dor crónica, i.e., dor que se prolonga para além de 6 meses, têm
custos elevados, quer para a pessoa doente quer para a sociedade, constituindo-se como um
peso significativo e crescente nos custos globais da prestação dos cuidados de saúde.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 A compreensão da dor, enquanto fenómeno complexo que importa entender nas suas várias
dimensões, implica e questiona especialidades diversas e, por isso, obriga a uma abordagem
necessariamente multidisciplinar, que enfatize a natureza biopsicossocial do fenómeno da dor.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 A utilização dos serviços produtores de cuidados de saúde por parte de doentes com dor crónica
depende, sobretudo, da perceção da dor e da sua intensidade, mas depende igualmente da
idade, do sexo, de fatores culturais, socioeconómicos, da existência de sintomas depressivos e
da forma como a dor afeta as atividades diárias nos diferentes cenários sociais em que os
sujeitos se integram.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 Portugal é o único país europeu que celebra um Dia Nacional de Luta contra a Dor, o qual foi
instituído pelo Despacho n.º10324/99, de 30 de Abril, tendo sido aprovado em 2001 um Plano
Nacional de Luta contra a Dor, no qual se define o modelo organizacional a desenvolver pelos
serviços de saúde, bem como orientações técnicas promotoras de boas práticas profissionais na
abordagem da dor.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 2.4.5. A relação com o doente terminal

 O doente terminal é uma expressão que se refere àquele paciente em que a doença não
responde a nenhuma terapêutica conhecida e, consequentemente entrou num processo que
conduz irreversivelmente à morte. é aquele que tem, em média, 3 a 6 meses de vida, sendo
que esta avaliação deve ser baseada num conjunto de critérios de objetivação de prognóstico.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 Qualquer doente terminal em maior ou menor intensidade, além das emoções psicológicas que
experiencia, passa por uma sucessão de respostas emocionais únicas.

 Cada pessoa é um ser único, irrepetível e a forma como enfrenta a proximidade da morte é
também uma experiência singular, porém, dependente de uma multiplicidade de fatores: estado
físico e emocional, idade, valores, expectativas de vida, suporte familiar/social e mesmo da
relação com a equipa de saúde.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 Os direitos expressos na Carta dos Direitos do Doente Terminal, são:

o Ser tratado como pessoa humana até ao fim da vida: ou seja, todo o ser humano possui um
valor e uma dignidade intrínseca, que não se perde pelo facto de estar próximo da morte – a
dignidade da pessoa humana é o valor básico em que assenta a ordem jurídica portuguesa
(artigo1º da Constituição da República Portuguesa).
o Expressar os seus sentimentos e emoções relacionados com a proximidade da morte.
o Manter e expressar a sua fé, numa perspetiva de liberdade religiosa; toda a pessoa doente
tem direito a partilhar as suas convicções, a ter assistência religiosa ou a prescindir dela
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

o Ser cuidado por profissionais competentes e sensíveis capazes de comunicar, de


compreender as necessidades adequadas a cada momento e de ajudar a enfrentar os
momentos difíceis que antecedem a morte.
o Não sofrer indevidamente: o que implica a utilização dos meios necessários para combater a
dor no sentido de contribuir para a diminuição do sofrimento.
o Receber respostas adequadas e honestas às perguntas: isto é, ter a possibilidade de receber
de maneira gradual e respeitosa a informação que possa integrar (direito à verdade).
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

o Participar nas decisões que dizem respeito aos seus cuidados: subjacente a este direito está
a defesa da autonomia do doente enquanto pessoa humana – o direito de receber
informação (ou o de não ser informado) para que possa participar na escolha dos cuidados
que lhe são prestados ou que poderiam ser (desde que não contribua para o prejuízo de
terceiros) ou mesmo de não os receber (direito à recusa de tratamento).
o Manter a sua hierarquia de valores e de não ser descriminado.
o Ter o conforto e a companhia dos seus familiares e amigos ao longo de todo o processo da
doença e no momento da morte, o direito a não morrer só.
o Morrer em paz e com dignidade: todo o ser humano tem direito a viver a sua própria morte,
com a assistência humana e médica adequada às suas necessidades e a morrer no seu
ambiente familiar. Caso não seja possível, num ambiente o mais próximo do seu.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 No seu todo, estes direitos, refletem as necessidades reais quando se aproxima a morte, e em
simultâneo o dever dos profissionais de saúde de procurar atender essas necessidades.

 Na sociedade atual, privilegia-se o acompanhamento nos últimos tempos de vida, aliviando a


dor física e psicológica, e defende-se a qualidade de vida e não a sua duração. Portanto, nunca
será demais insistir no respeitar de todos os direitos da pessoa em estado terminal, para que
ela possa viver com dignidade o tempo de vida que lhe resta e, também, morrer com dignidade.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 2.5. A interculturalidade na saúde


II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 2.5.1. Mitos e factos sobre (I) migração

 A globalização trouxe a facilidade de mobilização de pessoas, novas oportunidades e novas


esperanças. Associada a esta realidade a crise económica atualmente vivenciada em muitos
países, veio impulsionar o movimento migratório o qual continua a procurar não só melhores
condições económicas e sociais, mas também intelectuais.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 Em Portugal, o INE (2011) regista 443 055 estrangeiros com título de residência válido,
constituindo a comunidade brasileira a maior população estrangeira residente em Portugal,
seguida pela população da Ucrânia, Cabo Verde, Roménia e Angola.

 Muitos migrantes são confrontados com fronteiras de identidade, vulnerabilidade e pobreza,


com fronteiras de comunicação, preconceito, estereótipo e racismo que os conduzem a
situações de sofrimento, desilusão, isolamento e exclusão, as quais podem afetar a sua
integração, saúde mental e física, acesso aos cuidados de saúde e prevenção, capacidade para
reclamar e defender os seus direitos e o exercício de cidadania.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 As diferenças sentidas a nível da educação, salário, estrato social,


práticas culturais, crenças e língua são notórias trazendo uma
diversidade e uma riqueza que deve ser considerada quando se cuida
desta população. Esta diversidade de culturas veio trazer aos
profissionais de saúde novos desafios, sobre os quais importa refletir.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 As questões da saúde e cidadania das populações migrantes estão no centro das preocupações
da União Europeia, onde se inclui Portugal. Com efeito, o direito à saúde constitui um direito
fundamental indispensável para o exercício dos outros direitos humanos.

 No contexto europeu, a Convenção Europeia de Assistência Social e Médica e a Carta Social


Europeia (2006) constituem instrumentos fundamentais para a garantia dos direitos de proteção
social e de saúde, em situação de igualdade com os nacionais, da população estrangeira
residente nos Estados membros do Conselho da Europa.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 Em Portugal, a legislação garante aos migrantes o direito


de acesso aos centros de saúde e hospitais do Serviço
Nacional de Saúde (SNS), independentemente da sua
nacionalidade, estatuto legal e nível económico
(Despacho 25 360/2001, Ministério da Saúde).
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 2.5.2. Saúde, Imigração e diversidade cultural

 A saúde é entendida como um bem precioso e é um elemento revelador do nosso bem-estar


físico, mental, social e económico. Os imigrantes são expostos a riscos acrescidos para a saúde
que decorrem de fatores como a segurança pessoal, situação familiar, as condições de vida,
falta de recursos económicos, falta de informação, barreiras linguísticas, discriminação e
estigmatização.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 Estes fatores estão presentes no contacto diário que os profissionais


de saúde estabelecem com estas populações e materializam-se no
quotidiano dos hospitais e dos centros de saúde.

 As diferenças culturais existentes, as desconformidades entre os


conceitos de saúde e doença e as expectativas distintas que
caracterizam cada grupo condicionam o acesso aos serviços de saúde.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 Paralelamente, o desconhecimento da cultura própria de cada migrante, das suas crenças e das
suas práticas, bem como os estereótipos associados a estas comunidades condicionam os
profissionais de saúde na prestação de cuidados.

 A saúde assume uma dupla faceta onde o direito a cuidados de saúde por parte de toda a
população, incluindo a população migrante, equilibra, ou deveria equilibrar, o dever de cuidar
por parte dos profissionais de saúde. É desta estabilidade que devem resultar os cuidados de
saúde individualizados, enquadrados num ambiente social e cultural único.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 Na acessibilidade aos cuidados ressaltam-se alguns fatores que dificultam a utilização dos
serviços de saúde pelos imigrantes: dificuldade na compreensão da língua, falta de informação,
dificuldade na comunicação com os técnicos de saúde, conceitos diferentes de saúde e doença
e recursos económicos escassos.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 Em simultâneo, é frequente constatar-se nos profissionais de saúde dificuldades na língua que


afetam a comunicação, a falta de formação sobre práticas relacionadas com a saúde
(comportamentos e atitudes), o desconhecimento sobre o direito e as condições de acesso ao
Serviço Nacional de Saúde e os estereótipos de poder que muitos profissionais ainda adotam
(“os migrantes é que têm de se adaptar”) condicionam esse acesso.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 A preocupação com esta temática levou as unidades de saúde a investirem na


formação dos seus profissionais, no estabelecimento de protocolos de
cooperação com outros países e com associações de migrantes, na produção de
material informativo, na identificação de boas práticas referentes aos migrantes.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 É fundamental encarar a saúde do migrante como bilateral, não nos limitando a formar os
profissionais. Temos também que criar condições que facilitem o recurso dos migrantes aos
serviços de saúde e repensarmos os nossos cuidados eliminando a inércia e os
constrangimentos de cada uma das partes.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 2.6. O género no acesso a cuidados de saúde


II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 A Igualdade de Género exige que, numa sociedade, homens e mulheres gozem das mesmas
oportunidades, rendimentos, direitos e obrigações em todas as áreas.

 As desigualdades de género estão presentes no estado de saúde de mulheres e homens, bem


como no acesso, na utilização e na participação nos cuidados de saúde e nos cuidados de longa
duração.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 Apesar de as mulheres viverem mais e durante mais tempo (número absoluto de anos) sem
incapacidade, vivem um período maior das suas vidas em situação de incapacidade (numa idade
mais avançada) comparativamente aos homens. As mulheres são também utilizadoras mais
frequentes dos cuidados de saúde e têm mais cuidados ao nível da prevenção e promoção da
saúde do que os homens.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 Contudo, as mulheres idosas têm maior probabilidade que os idosos de


se deparar com uma situação em que necessitem de cuidados de longa
duração: estas predominam no grupo etário mais velho, sendo que as
necessidades identificadas pelos/as próprios/as ao nível dos cuidados
de longa duração revelam uma maior incidência de dependência e
incapacidade com o avançar da idade.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 É também um facto conhecido que as mulheres são as principais prestadoras de assistência


informal a dependentes (filhos e pessoas idosas) e constituem a maior parte da força de
trabalho nos sectores social e da saúde.

 Na política da saúde é preocupação do Ministério integrar nas políticas, estratégias e programas


de saúde as diferentes necessidades dos homens e das mulheres, assim como as medidas
necessárias para adotá-las adequadamente. Algumas atuações que pretendemos promover na
área da saúde são:
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

o A adoção sistemática de iniciativas destinadas a favorecer a promoção específica da saúde


das mulheres, assim como a prevenir a sua discriminação.
o A promoção da investigação científica que atenda às diferenças entre homens e mulheres em
relação à proteção da saúde, especialmente no que se refere ao acesso aos meios de
diagnóstico e terapêutico, tanto nos aspetos clínicos como assistenciais.
o Sempre que seja possível, será incentivada a obtenção e tratamento de dados, desagregados por
sexo, nos registos, inquéritos, estatísticas ou outros sistemas de informação médica e sanitária.
o A presença equilibrada de mulheres e homens nos postos diretivos e de responsabilidade
profissional do conjunto do SNS.
oA integração do princípio de igualdade na formação de todos os que trabalham nas
diferentes organizações de saúde, garantindo a capacidade para detetar e assistir as
situações de violência de género.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 Uma primeira etapa neste sentido consiste em adquirir conhecimentos adequados acerca das
necessidades e do estado de saúde das mulheres e dos homens, respetivamente, bem como
acerca do seu acesso, utilização e participação nos cuidados de saúde e nos cuidados de longa
duração.
II. A POLÍTICA DE SAÚDE

 Apenas tendo acesso a esta informação, seguida da adaptação das


políticas a fim de reduzir as desigualdades de género, poderão os
sistemas de cuidados de saúde e cuidados de longa duração
responder de forma mais adequada às necessidades específicas
das mulheres e dos homens.
III. SISTEMA, SUBSISTEMAS E SEGUROS DE SAÚDE
III. SISTEMA, SUBSISTEMAS E SEGUROS DE SAÚDE

 3.1. O Sistema Nacional de Saúde


III. SISTEMA, SUBSISTEMAS E SEGUROS DE SAÚDE

 O sistema de saúde é constituído pelo Serviço Nacional de Saúde e por todas as entidades
públicas que desenvolvam atividades de promoção, prevenção e tratamento na área da saúde,
bem como por todas as entidades privadas e por todos os profissionais livres que acordem com
a primeira a prestação de todas ou de algumas daquelas atividades.

 O Serviço Nacional de Saúde abrange todas as instituições e serviços oficiais prestadores de


cuidados de saúde dependentes do Ministério da Saúde e dispõe de estatuto próprio.
III. SISTEMA, SUBSISTEMAS E SEGUROS DE SAÚDE

 O Ministério da Saúde e as administrações regionais de saúde podem contratar com entidades


privadas a prestação de cuidados de saúde aos beneficiários do Serviço Nacional de Saúde
sempre que tal se afigure vantajoso, nomeadamente face à consideração do binómio qualidade-
custos, e desde que esteja garantido o direito de acesso.
III. SISTEMA, SUBSISTEMAS E SEGUROS DE SAÚDE

 A rede nacional de prestação de cuidados de saúde abrange os estabelecimentos do Serviço


Nacional de Saúde e os estabelecimentos privados e os profissionais em regime liberal com
quem sejam celebrados contratos nos termos do número anterior.

 Tendencialmente, devem ser adotadas as mesmas regras no pagamento de cuidados e no


financiamento de unidades de saúde da rede nacional da prestação de cuidados de saúde.
III. SISTEMA, SUBSISTEMAS E SEGUROS DE SAÚDE

 O controlo de qualidade de toda a prestação de cuidados de saúde está sujeito ao mesmo nível
de exigência.

 Os planos e programas de ação com âmbito nacional ou regional são aprovados por despacho
do Ministro da Saúde.

 Os planos e programas das instituições e dos serviços são aprovados nos termos dos respetivos
regulamentos.
III. SISTEMA, SUBSISTEMAS E SEGUROS DE SAÚDE

 A gestão das instituições e dos serviços obedece aos seguintes princípios

o A comparticipação orçamental do Estado é estabelecida com base em planos financeiros no


quadro do planeamento geral do Estado.
o Os planos financeiros devem cobrir períodos anuais ou plurianuais com base em programas
propostos pelas ARS.
o Os membros dos órgãos de administração são responsáveis pelo cumprimento da lei e pela
realização dos objetivos e metas constantes dos planos e programas aprovados.
III. SISTEMA, SUBSISTEMAS E SEGUROS DE SAÚDE

 As instituições e serviços podem estabelecer contratos com


outras entidades, designadamente com empresas e
organizações profissionais, para prestação de cuidados aos seus
associados ou segurados.
III. SISTEMA, SUBSISTEMAS E SEGUROS DE SAÚDE

 3.2. O Serviço Nacional de Saúde (SNS)


III. SISTEMA, SUBSISTEMAS E SEGUROS DE SAÚDE

 O Serviço Nacional de Saúde, adiante designados por SNS, é um conjunto ordenado e


hierarquizado de instituições e de serviços oficiais prestadores de cuidados de saúde,
funcionando sob a superintendência ou a tutela do Ministro da Saúde.

 O SNS tem como objetivo a efetivação, por parte do Estado, da responsabilidade que lhe cabe
na proteção da saúde individual e coletiva.
III. SISTEMA, SUBSISTEMAS E SEGUROS DE SAÚDE

 O Serviço Nacional de Saúde caracteriza-se por:

o Ser universal quanto à população abrangida.


o Prestar integradamente cuidados globais ou garantir a sua prestação.
o Ser tendencialmente gratuito para os utentes, tendo em conta as condições económicas e
sociais dos cidadãos.
o Garantir a equidade no acesso dos utentes, com o objetivo de atenuar os efeitos das
desigualdades económicas, geográficas e quaisquer outras no acesso aos cuidados.
o Ter organização regionalizada e gestão descentralizada e participada.
III. SISTEMA, SUBSISTEMAS E SEGUROS DE SAÚDE

 O SNS organiza-se em regiões de saúde. As regiões de saúde dividem-se em sub-regiões de


saúde, integradas por áreas de saúde.

 As regiões de saúde são as seguintes:


o a) Do Norte, com sede no Porto.
o b) Do Centro, com sede em Coimbra.
o c) De Lisboa e Vale do Tejo, com sede em Lisboa.
o d) Do Alentejo, com sede em Évora.
o e) Do Algarve, com sede em Faro.
III. SISTEMA, SUBSISTEMAS E SEGUROS DE SAÚDE

 Cada uma das regiões de saúde tem correspondência ao nível II da


Nomenclatura de Unidades Territoriais para Fins Estatísticos (NUTS). As
sub-regiões correspondem às áreas dos distritos do continente.

 As áreas de saúde correspondem às áreas dos municípios, podendo ser


estabelecidas modificações nesta divisão, com o acordo dos municípios interessados.
III. SISTEMA, SUBSISTEMAS E SEGUROS DE SAÚDE

 As instituições e os serviços classificam-se segundo a natureza das suas responsabilidades e o


quadro das valências efetivamente exercidas, nos termos a definir em portaria do Ministro da
Saúde.

 Às instituições e serviços podem ser atribuídas responsabilidades nacionais ou inter-regionais,


quer exercendo uma atividade de orientação e coordenação em áreas especializadas, quer na
prestação de cuidados.
III. SISTEMA, SUBSISTEMAS E SEGUROS DE SAÚDE

 3.3. Os Sistemas de seguros de saúde


III. SISTEMA, SUBSISTEMAS E SEGUROS DE SAÚDE

 Podem ser celebrados contratos de seguro por força dos quais


as entidades seguradoras assumam, no todo ou em parte, a
responsabilidade pela prestação de cuidados de saúde aos
beneficiários do SNS.
III. SISTEMA, SUBSISTEMAS E SEGUROS DE SAÚDE

 Os contratos a que se refere o número anterior não podem, em caso algum, restringir o direito
de acesso aos cuidados de saúde e devem salvaguardar o direito de opção dos beneficiários,
podendo, todavia, responsabilizá-los, de acordo com critérios a definir.

 O regime de seguros é definido em portaria conjunta dos Ministros das Finanças e da Saúde.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 4.1. Estruturas do Ministério da Saúde


IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 4.1.1. Serviços Centrais

 Ministério da Saúde
 O Ministério da Saúde, abreviadamente designado por MS, é o departamento governamental
que tem por missão definir e conduzir a política nacional de saúde, garantindo uma aplicação e
utilização sustentáveis dos recursos e a avaliação dos seus resultados.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 Na prossecução da sua missão, são atribuições do MS:

o Assegurar as ações necessárias à formulação, execução, acompanhamento e avaliação da


política nacional de saúde.
o Exercer, em relação ao Serviço Nacional de Saúde, abreviadamente designado por SNS,
funções de regulamentação, planeamento, financiamento, orientação, acompanhamento,
avaliação, auditoria e inspeção.
o Exercer funções de regulamentação, inspeção e fiscalização relativamente às atividades e
prestações de saúde desenvolvidas pelo sector privado, integradas ou não no sistema de
saúde, incluindo os profissionais neles envolvidos.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 Secretaria-geral

 A Secretaria-geral, abreviadamente designada por SG, tem por missão assegurar o apoio
técnico e administrativo aos gabinetes dos membros do Governo integrados no MS e aos demais
órgãos, serviços e organismos deste ministério que não integram o SNS, nos domínios da
gestão de recursos internos, do apoio técnico-jurídico e contencioso, da documentação e
informação e da comunicação e relações públicas.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 Inspeção-Geral das Atividades em Saúde

 A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde, abreviadamente designada por IGAS, tem por
missão auditar, inspecionar, fiscalizar e desenvolver a ação disciplinar no sector da saúde, com
vista a assegurar o cumprimento da lei e elevados níveis técnicos de atuação em todos os
domínios da atividade e da prestação dos cuidados de saúde desenvolvidos quer pelos serviços,
estabelecimentos e organismos do MS, ou por este tutelados, quer ainda pelas entidades
privadas, pessoas singulares ou coletivas, com ou sem fins lucrativos.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 Direção-Geral da Saúde

 A DGS, abreviadamente designada por DGS, tem por missão regulamentar, orientar e coordenar
as atividades de promoção da saúde e prevenção da doença, definir as condições técnicas para
a adequada prestação de cuidados de saúde, planear e programar a política nacional para a
qualidade no sistema de saúde, bem como assegurar a elaboração e execução do Plano
Nacional de Saúde (PNS) e, ainda, a coordenação das relações internacionais do MS.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências

 O Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências, abreviadamente


designado por SICAD, tem por missão promover a redução do consumo de substâncias
psicoativas, a prevenção dos comportamentos aditivos e a diminuição das dependências.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 Alto Comissariado para a saúde

 O Alto-Comissariado da Saúde (ACS), serviço central do Ministério da Saúde (MS) integrado na


administração direta do Estado e dotado de autonomia administrativa, tem como objetivos:

o Coordenar e articular as políticas públicas de preparação e execução do Plano Nacional de Saúde e


dos programas específicos de âmbito nacional, em particular das áreas consideradas prioritárias
o Coordenar as atividades do MS nas áreas do planeamento estratégico e das relações internacionais.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 Autoridade para os serviços de sangue e transplantação

 A ASST tem por missão fiscalizar a qualidade e segurança da dádiva, colheita, análise,
processamento, armazenamento e distribuição de sangue humano e de componentes
sanguíneos, bem como garantir a qualidade da dádiva, colheita, análise, manipulação,
preservação, armazenamento e distribuição de órgãos, tecidos e células de origem humana.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 4.1.2. Serviços Regionais

 As Administrações Regionais de Saúde, I. P., abreviadamente designadas por ARS, I. P., têm por
missão garantir à população da respetiva área geográfica de intervenção o acesso à prestação
de cuidados de saúde, adequando os recursos disponíveis às necessidades e cumprir e fazer
cumprir políticas e programas de saúde na sua área de intervenção.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 Estes serviços são constituídos pelas seguintes ARS:

o ARS do Norte.
o ARS do Centro.
o ARS de Lisboa e Vale do Tejo.
o ARS do Alentejo.
o ARS do Algarve.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 As ARS, I. P., prosseguem, no âmbito das circunscrições territoriais respetivas,


designadamente as seguintes atribuições:

a. Executar a política nacional de saúde, de acordo com as políticas globais e sectoriais,


visando o seu ordenamento racional e a otimização dos recursos.
b. Participar na definição das medidas de coordenação intersectorial de planeamento, tendo
como objetivo a melhoria da prestação de cuidados de saúde.
c. Assegurar o planeamento regional dos recursos humanos e materiais, incluindo a execução
dos necessários projetos de investimento, das instituições e serviços prestadores de
cuidados de saúde, supervisionando a sua afetação.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

d. Orientar, prestar apoio técnico e avaliar o desempenho das instituições e serviços


prestadores de cuidados de saúde, de acordo com as políticas definidas e com as
orientações e normativos emitidos pelos serviços e organismos centrais competentes nos
diversos domínios de intervenção.
e. Afetar recursos financeiros às instituições e serviços prestadores de cuidados de saúde
integrados ou financiados pelo SNS e acompanhar e avaliar o seu desempenho, de acordo
com as orientações definidas pela ACSS, I. P..
f. Licenciar as unidades privadas prestadoras de cuidados de saúde nos termos da lei.
g. Desenvolver, consolidar e participar na gestão da Rede Nacional de Cuidados Continuados
Integrados, de acordo com as orientações definidas.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 4.1.3.Institutos Públicos

 Administração Central do Sistema de Saúde, I. P.


 A Administração Central do Sistema de Saúde, I. P., abreviadamente designada por ACSS, I. P.,
tem por missão assegurar a gestão dos recursos financeiros e humanos do MS e do SNS, bem
como das instalações e equipamentos do SNS, proceder à definição e implementação de
políticas, normalização, regulamentação e planeamento em saúde, nas áreas da sua
intervenção, em articulação com as administrações regionais de saúde no domínio da
contratação da prestação de cuidados.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 INFARMED — Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, I. P.

 O INFARMED — Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, I. P.,


abreviadamente designado por INFARMED, I. P., tem por missão regular e supervisionar os
sectores dos medicamentos de uso humano e dos produtos de saúde, segundo os mais
elevados padrões de proteção da saúde pública e garantir o acesso dos profissionais da saúde e
dos cidadãos a medicamentos e produtos de saúde de qualidade, eficazes e seguros.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 Instituto Nacional de Emergência Médica, I. P.

 O Instituto Nacional de Emergência Médica, I. P., abreviadamente


designado por INEM, I. P., tem por missão definir, organizar,
coordenar, participar e avaliar as atividades e o funcionamento do
Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM), por forma a garantir
aos sinistrados ou vítimas de doença súbita a pronta e correta
prestação de cuidados de saúde.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 Instituto Português do Sangue e da Transplantação, I. P.

 O Instituto Português do Sangue e da Transplantação, I. P., abreviadamente designado por


IPST, I. P., tem por missão garantir e regular, a nível nacional, a atividade da medicina
transfusional e de transplantação e garantir a dádiva, colheita, análise, processamento,
preservação, armazenamento e distribuição de sangue humano, de componentes sanguíneos,
de órgãos, tecidos e células de origem humana.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, I. P.

 O Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, I. P., abreviadamente designado por INSA,
I. P., é o laboratório do Estado que tem por missão contribuir para ganhos em saúde pública
através da investigação e desenvolvimento tecnológico, atividade laboratorial de referência,
observação da saúde e vigilância epidemiológica, bem como coordenar a avaliação externa da
qualidade laboratorial, difundir a cultura científica, fomentar a capacitação e formação e ainda
assegurar a prestação de serviços diferenciados, nos referidos domínios.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 4.1.4. Grupos de Missão

 Grupo técnico para a reforma hospitalar


 O grupo técnico para a reforma hospitalar tem por missão propor um conjunto de medidas que
visem reorganizar a rede hospitalar através de uma visão integrada e racional do sistema de
saúde que permita:
o a) Melhorar o acesso e a qualidade das prestações de saúde;
o b) Melhorar a eficiência hospitalar;
o c) Garantir a sustentabilidade económica e financeira;
o d) Melhorar a governação e o desempenho dos profissionais ao serviço dos hospitais;
o e) Reforçar o protagonismo e o dever de informação aos cidadãos.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 Grupo técnico para o desenvolvimento dos cuidados de saúde primários


 Este grupo tem as seguintes competências:

o Propor e manter atualizado um quadro de orientação estratégica geral, publicamente


disponível, que constitua um guia de referência para o desenvolvimento dos CSP.
o Propor medidas para assegurar a cobertura total do País, de forma a que todos os utentes
tenham acesso a CSP.
o Apoiar o meu Gabinete na concertação e harmonização técnicas dos contributos dos
principais atores envolvidos no desenvolvimento dos CSP.
o Preparar instrumentos conceptuais e de orientação prática nos domínios e aspetos essenciais para o
desenvolvimento dos CSP, tendo sempre por referência a obtenção de resultados e bem–estar.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

o Estudar, propor e supervisionar a execução de modelos de desenvolvimento contínuo e de


avaliação de competências de governação e de gestão dos órgãos e elementos dirigentes.
o Elaborar relatos periódicos sucintos e objetivos dos progressos verificados quanto ao
desenvolvimento organizacional dos CSP e à evolução dos resultados conseguidos.
o Propor a constituição e funcionamento temporários de grupos técnicos específicos, por
tempo delimitado, com objetivos precisos, desde que tal não envolva custos adicionais,
salvaguardando -se apenas as despesas de deslocação e ajudas de custo a que haja lugar.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 4.1.5. Outros

 Entidade Reguladora da Saúde


 A Entidade Reguladora da Saúde, abreviadamente designada por ERS, é independente no
exercício das suas funções, estando sujeita à tutela do MS, enquanto autoridade de supervisão
e regulação do sector da saúde, nos termos previstos na lei e no respetivo estatuto.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 Conselho Nacional de Saúde

 O Conselho Nacional de Saúde é um órgão de consulta do Governo relativamente à política


nacional de saúde, cuja missão, competências, composição e modo de funcionamento constam
de diploma próprio.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 4.2. A Rede Nacional dos Cuidados de Saúde


IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 4.2.1. Cuidados Diferenciados

 4.2.1.1. Conceito e filosofia de atuação

 Tipicamente associados aos hospitais, os cuidados diferenciados procuram dar resposta a


situações não tratadas no primeiro nível.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 Constituem um nível mais especializado prestando cuidados em diferentes valências, tendo


funções de diagnóstico, tratamento e reabilitação dos doentes, prestados em regime de
ambulatório ou internamento.

 As duas áreas que lhe estão associadas e que, atualmente, constituem o centro do debate são a
Qualidade e a Segurança do Doente, sendo que todo o processo pressupõe o envolvimento e
liderança dos prestadores diretos de cuidados de saúde, assumindo responsabilidade nos
cuidados prestados, de forma integrada, com qualidade clínica e eficiente utilização de recursos.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 Cerca de 70% dos hospitais pertencem ao SNS e o que os diferencia, enquanto hospital, resulta
do facto de ser um estabelecimento que presta cuidados de saúde com internamento.

 Estas instituições, para além de desempenharem um importante papel no contexto em que estão
inseridas, relacionado, essencialmente, com o tipo específico de bens que produzem, têm também a
responsabilidade perante a tutela de promoção e proteção da saúde e prevenção da doença.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 Por outro lado, os hospitais, grandes consumidores de


recursos (humanos, capital, tecnologia e conhecimento), são
as organizações que mais sofrem com as pressões de
mudança que ocorrem, quer do lado da procura, quer da
oferta de cuidados, necessitando, por isso, de um
enquadramento de administração com os seus órgãos de
governo e uma equipa profissional de gestores.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 4.2.1.2. Modelo de cuidados e intersetorialidade

 Embora prestem um grande número de serviços, estes podem ser agrupados em 6 categorias
principais:
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 1) Internamento: Conjunto de serviços que prestam cuidados de saúde a indivíduos que, após
serem admitidos ocupam cama (ou berço de neonatologia ou pediatria) para diagnóstico,
tratamento ou cuidados paliativos, com permanência de pelo menos 24 horas.

 2) Consulta Externa: Unidade orgânico-funcional de um hospital onde os doentes, com prévia


marcação, são atendidos para observação, diagnóstico, terapêutica e acompanhamento, assim
como para pequenos tratamentos cirúrgicos ou exames similares.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 3) Urgência: responsável pelo atendimento de casos de emergência (situação clínica onde


existe falência de uma ou mais funções vitais) ou de urgência (embora não exista a falência de
funções verificada numa emergência, existe esse risco). Atualmente com dois níveis, médico-
cirúrgica e polivalente (este último a funcionar como médico-cirúrgica na sua área de influência,
e capaz de prestar serviços mais diferenciados numa zona mais alargada), a nova rede de
referenciação proposta introduz mais um nível, o Serviço de Urgência Básico.

 4) Bloco Operatório: Unidade orgânico-funcional, constituída por um conjunto integrado de


meios humanos, físicos e técnicos, destinada à prestação de tratamento cirúrgico ou realização
de exames que requeiram elevado nível de assepsia e em anestesia geral.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 5) Meios Complementares de Diagnóstico e Terapêutica: Compreende todo o tipo de


exames realizados com o intuito de ajudar o médico na elaboração do seu diagnóstico.

 6) Hospital de Dia: Serviço de um estabelecimento de saúde onde os doentes recebem, de


forma programada, cuidados de saúde, permanecendo durante o dia sob vigilância, não
requerendo estadia durante a noite.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 4.2.1.3. Composição da Rede hospitalar

 Em 2002 foi aprovado o novo Regime Jurídico da Gestão Hospitalar.


(Lei n.º 27/2002 de 8 de Novembro)
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 O novo RJGH introduziu o conceito de «rede de prestação de cuidados de saúde» que abrange
os estabelecimentos do SNS, os estabelecimentos privados que prestem cuidados aos utentes
do SNS e outros serviços de saúde, nos termos dos contratos celebrados, incluindo os
profissionais em regime liberal com quem sejam celebradas convenções, prevendo-se, ainda, a
possibilidade de adoção de quatro formas jurídicas de hospitais:

o Estabelecimentos públicos dotados de personalidade jurídica, autonomia administrativa,


financeira, com ou sem autonomia patrimonial.
o Estabelecimentos públicos dotados de personalidade jurídica, autonomia administrativa,
financeira e patrimonial e natureza empresarial.
o Sociedades anónimas de capitais exclusivamente públicos.
o Estabelecimentos privados.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 O modelo alternativo aos hospitais do ―sector público administrativo (SPA) passou a ser de SA.
Em Dezembro de 2002, foi aplicado este estatuto simultaneamente em 34 hospitais públicos, do
qual resultou a constituição de 31 SA (por constituição de centros e grupos de hospitais) que
ganharam práticas de controlo financeiro inerentes à natureza do seu estatuto jurídico.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 Em 2005, após três anos de modelo de gestão SA, foi adotado um novo modelo que, pela
publicação do DL n.º 93/2005, de 7 de Junho, procedeu à transformação dos 31 hospitais SA
em Entidades Públicas Empresariais (EPE).
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 Neste caso, a gestão continua a ser privada, o financiamento continua a ser público, a ideia
continua a ser a adequação dos instrumentos de gestão à especificidade da natureza da
atividade de prestação de cuidados de saúde, com vista ao bom funcionamento, quer a nível
operacional, quer a nível de racionalidade económica das decisões de investimento, mas no qual
é permitida uma maior intervenção a nível das orientações estratégicas de tutela e
superintendência a exercer pelos Ministros das Finanças e da Saúde.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 Dando continuidade ao processo de empresarialização das unidades hospitalares integradas no


SNS, foram sendo sucessivamente constituídos sob a forma de EPE diversos hospitais e,
simultaneamente, assistimos ainda à constituição de diversos centros hospitalares, modelo que
procura melhorar a capacidade de resposta, otimizando serviços, através de uma gestão
integrada das várias unidades hospitalares.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 Quanto à diferenciação dos serviços prestados, estes dividem-se em 4 níveis dentro do SNS:

o 1) Hospitais distritais (HD), asseguram as valências básicas à população abrangida pelo mesmo.
o 2) Hospitais centrais (HC), além dos serviços de nível D da sua área, proporcionam
cuidados diferenciados na área de abrangência e fora desta, de acordo com as redes de
referenciação específicas para cada especialidade médica. Localizam-se nos grandes centros
urbanos, embora a sua área de influência conjunta seja a totalidade do país (o que pode
levantar problemas de acesso e iniquidade para populações longe desses grandes centros).
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

o 3) Hospitais especializados (HE), prestam serviços muito diferenciados, tendo um número


reduzido de valências. Não estão diretamente acessíveis ao doente, devendo estes ser
referenciados por outra unidades de atendimento mais geral.
o 4) Hospitais de nível 1 (HN1), destinados a convalescentes e doentes de evolução
prolongada, atualmente desempenham um papel equiparado ao nível dos HD, sendo tratado
neste trabalho de modo indiferenciado com estes.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 De referir que embora exista esta categorização, alguns HC são mais


especializados em determinadas valências que outros, acabando por
funcionar na prática como hospitais especializados de referência.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 4.2.2. Cuidados primários

 4.2.2.1. Conceito e filosofia da Rede de Cuidados primários

 Norteada pelo princípio da diversidade na oferta e pela liberdade de escolha dos cidadãos, como
melhor forma de assegurar e promover a avaliação dos cuidados de saúde, a rede de prestação de
cuidados de saúde primários tem como missão constituir a primeira linha e a base de toda a rede
de cuidados de saúde em geral, tendo como principal referência a ação dos centros de saúde e dos
médicos de família, sem prejuízo de incentivos a novos modelos de gestão e de organização.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 Tendo em consideração que o médico de família se consagrou no plano nacional e internacional


como um profissional com preparação e habilitações para a prestação independente e
autónoma de cuidados de saúde de clínica geral, considera-se que o objetivo da rede de
prestação de cuidados de saúde primários é o de garantir a todos os cidadãos o seu médico de
família, tendencialmente com a especialidade de medicina geral e familiar, assegurando, desta
forma, em todas as áreas geográficas, o acesso universal, geral e tendencialmente gratuito de
todos os cidadãos à saúde, consagrado na Constituição.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 Com efeito, o Estado tem de assumir a responsabilidade de


providenciar os cuidados de saúde primários aos cidadãos e
às famílias, promovendo a constituição de equipas de saúde
multiprofissionais, que incluam médicos, pessoal de
enfermagem, psicólogos, assistentes sociais, administrativos
e outros profissionais de saúde.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 4.2.2.2. Criação e implementação

 A prestação de cuidados de saúde primários, considerada em todos os sistemas e políticas de


saúde como a principal via de acesso aos cuidados de saúde em geral, necessita de ser
repensada, no nosso país, por forma a atingir o propósito fundamental de prestar aos cidadãos
mais e melhores cuidados de saúde.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 Entendeu, assim, o Governo promover as indispensáveis alterações legislativas, consideradas


inadiáveis no plano estrutural e funcional, na perspetiva de evolução do atual sistema de
organização dos cuidados de saúde primários para um novo modelo, doravante designado por
rede de prestação de cuidados de saúde primários, mais próximo dos cidadãos, das suas
famílias e comunidades, simultaneamente mais eficiente, socialmente mais justo e solidário.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 Esta nova rede de prestação de cuidados de saúde primários, para


além de continuar a garantir a sua missão específica tradicional de
providenciar cuidados de saúde abrangentes aos cidadãos, deverá
também constituir-se e assumir-se, em articulação permanente
com os cuidados de saúde ou hospitalares e os cuidados de saúde
continuados, como um parceiro fundamental na promoção da
saúde e na prevenção da doença.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 Esta nova rede assume-se, igualmente, como um elemento determinante na gestão dos
problemas de saúde, agudos e crónicos, tendo em conta o primado da pessoa, a sua dimensão
física, psicológica, social e cultural, sem discriminação de qualquer natureza, através de uma
abordagem e práticas clínicas centradas na globalidade da pessoa humana e nos melhores
padrões de qualidade assistencial, orientados para o indivíduo, para a sua família e a
comunidade em que se insere.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 Através da criação desta rede de prestação de cuidados de saúde primários, os cidadãos e a


sociedade, em atitude de complementaridade com as responsabilidades sociais do Estado, estarão
em melhores condições de intervir, avaliar e julgar a criação e o desempenho de novos modelos de
organização e de gestão dos serviços de saúde, e deste modo contribuir para inverter as políticas
conservadoras, responsáveis pela ineficácia do nosso sistema de saúde tradicional.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 4.2.2.3. Modelo de cuidados e intersetorialidade

 A prestação de cuidados de saúde primários rege-se pelos seguintes princípios:


o Liberdade de escolha, pelo cidadão, do seu médico de família.
o Cobertura de todos os cidadãos, através da sua livre inscrição num único centro de saúde, sendo
dada prioridade, no caso de carência de recursos, aos residentes na respetiva área geográfica.
o Acesso, por motivo de doença súbita ou acidente, de qualquer cidadão a qualquer centro de saúde.
o Prestação de cuidados de saúde com humanidade e respeito pelos utentes.
o Atendimento dos utentes com qualidade, eficácia e em tempo útil.
o Cumprimento das normas de ética e deontologia profissionais.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 Para efeitos de prestação de cuidados de saúde primários, são utentes de cada centro de saúde
os indivíduos nele inscritos, devendo identificar-se, sempre que a ele recorram, através do
respetivo cartão de utente.

 As normas de inscrição para os residentes ou deslocados temporariamente são fixadas por


despacho do Ministro da Saúde.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 Os serviços e entidades prestadores de cuidados de saúde primários devem pautar a sua gestão
pelos seguintes princípios:

o Desenvolvimento da atividade de acordo com planos de atividade anuais e respetivos


orçamentos, no respeito pelo cumprimento dos objetivos definidos.
o Garantia aos utentes da prestação de cuidados de saúde com qualidade, acompanhada de
uma gestão criteriosa dos recursos disponíveis.
o Financiamento das atividades, com base numa capitação ponderada em função dos objetivos
estabelecidos e dos utentes inscritos.
o Gestão integrada dos recursos disponíveis e partilhados pelas diferentes unidades.
o Articulação funcional da rede de prestação de cuidados de saúde primários com as restantes
redes de prestação de cuidados de saúde.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 O centro de saúde pode dispor de extensões, situadas em


locais da sua área de influência, devendo atuar sempre
como um todo funcional na prossecução do objetivo de
proporcionar aos utentes uma maior proximidade dos
cuidados de saúde.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 O centro de saúde articula-se funcionalmente com as restantes unidades prestadoras de


cuidados, respeitando, em cada região de saúde, as orientações quanto a unidades funcionais
de saúde existentes, a definir por despacho do Ministro da Saúde.

 O centro de saúde articula-se funcionalmente com os órgãos locais e distritais da segurança


social e autarquias locais, de forma a possibilitar uma prestação de cuidados global e
continuada aos seus utentes.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 4.2.2.4. Composição da Rede

 A rede de prestação de cuidados de saúde primários é constituída pelos centros


de saúde integrados no Serviço Nacional de Saúde (SNS), pelas entidades do
sector privado, com ou sem fins lucrativos, que prestem cuidados de saúde
primários a utentes do SNS nos termos de contratos celebrados ao abrigo da
legislação em vigor, e, ainda, por profissionais e agrupamentos de profissionais
em regime liberal, constituídos em cooperativas ou outras entidades, com
quem sejam celebrados contratos, convenções ou acordos de cooperação.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 A rede de cuidados de saúde primários promove, simultaneamente, a saúde e a prevenção da


doença, bem como a gestão dos problemas de saúde, agudos e crónicos, tendo em conta a sua
dimensão física, psicológica, social e cultural, sem discriminação de qualquer natureza, através
de uma abordagem centrada na pessoa, orientada para o indivíduo, a sua família e a
comunidade em que se insere.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 Os serviços e entidades integrados na rede de prestação de cuidados de saúde primários podem


revestir uma das seguintes figuras jurídicas:

o Serviços públicos de prestação de cuidados de saúde primários, dotados de autonomia


técnica e administrativa, designados por centros de saúde.
o Entidades privadas, com ou sem fins lucrativos, com quem sejam celebrados contratos ou acordos.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 O referido não prejudica a gestão de serviços do SNS por outras entidades, públicas, privadas,
com ou sem fins lucrativos, cooperativas ou outras entidades, mediante a celebração de
contratos de gestão, contratos-programa, convenções e acordos para a prestação de cuidados
de saúde primários.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 4.2.3. Cuidados continuados/integrados

 4.2.3.1. Conceito e filosofia da Rede de Cuidados continuados Integrados

 Estão a surgir novas necessidades de saúde e sociais, que requerem respostas novas e
diversificadas que venham a satisfazer o incremento esperado da procura por parte de pessoas
idosas com dependência funcional, de doentes com patologia crónica múltipla e de pessoas com
doença incurável em estado avançado e em fase final de vida.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 Tais respostas devem ser ajustadas aos diferentes grupos de pessoas em situação de
dependência e aos diferentes momentos e circunstâncias da própria evolução das doenças e
situações sociais e, simultaneamente, facilitadoras da autonomia e da participação dos
destinatários e do reforço das capacidades e competências das famílias para lidar com essas
situações, nomeadamente no que concerne à conciliação das obrigações da vida profissional
com o acompanhamento familiar.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 Promover a funcionalidade, prevenindo, reduzindo e adiando as incapacidades, constitui uma


das políticas sociais que mais pode contribuir para a qualidade de vida e para a consolidação de
uma sociedade mais justa e solidária.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 Entende-se por ”Cuidados continuados integrados» o conjunto de intervenções sequenciais de


saúde e ou de apoio social, decorrente de avaliação conjunta, centrado na recuperação global
entendida como o processo terapêutico e de apoio social, ativo e contínuo, que visa promover a
autonomia melhorando a funcionalidade da pessoa em situação de dependência, através da sua
reabilitação, readaptação e reinserção familiar e social.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 Os cuidados continuados destinam-se a colmatar uma lacuna, realmente existente na sociedade


portuguesa, no que se refere à escassez de respostas adequadas que satisfaçam as
necessidades de cuidados de saúde decorrentes de situações de dependência, resultantes de
doença de evolução prolongada, que se estima virem a aumentar nas próximas décadas.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 4.2.3.2. Criação e implementação

 A RNCCI, que se constitui como um novo modelo organizacional criado pelos Ministérios do
trabalho e da Solidariedade Social e da Saúde, é formada por um conjunto de instituições
públicas e privadas, que prestam cuidados continuados de saúde e de apoio social. Estas novas
respostas promovem a continuidade de cuidados de forma integrada a pessoas em situação de
dependência e com perda de autonomia.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 É criada, pelo Decreto-lei nº 101/ 2006, de 6 de Junho, a Rede Nacional de Cuidados Continuados
Integrados, no âmbito dos Ministérios da Saúde e do Trabalho e da Solidariedade Social.

 A Rede é constituída por unidades e equipas de cuidados continuados de saúde, e ou apoio


social, e de cuidados e ações paliativas, com origem nos serviços comunitários de proximidade,
abrangendo os hospitais, os centros de saúde, os serviços distritais e locais da segurança social,
a Rede Solidária e as autarquias locais.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 A Rede organiza-se em dois níveis territoriais de operacionalização, regional e local.

 Constitui objetivo geral da Rede a prestação de cuidados continuados integrados a pessoas que,
independentemente da idade, se encontrem em situação de dependência.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 Constituem objetivos específicos da Rede:

o A melhoria das condições de vida e de bem-estar das pessoas em situação de dependência,


através da prestação de cuidados continuados de saúde e ou de apoio social.
o A manutenção das pessoas com perda de funcionalidade ou em risco de a perder, no domicílio,
sempre que mediante o apoio domiciliário possam ser garantidos os cuidados terapêuticos e o
apoio social necessários à provisão e manutenção de conforto e qualidade de vida.
o O apoio, o acompanhamento e o internamento tecnicamente adequados à respetiva situação.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

o A melhoria contínua da qualidade na prestação de cuidados continuados de saúde e de apoio social.


o O apoio aos familiares ou prestadores informais, na respetiva qualificação e na prestação dos cuidados.
o A articulação e coordenação em rede dos cuidados em diferentes serviços, sectores e níveis
de diferenciação.
oA prevenção de lacunas em serviços e equipamentos, pela progressiva cobertura a nível
nacional, das necessidades das pessoas em situação de dependência em matéria de cuidados
continuados integrados e de cuidados paliativos.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 4.2.3.3. Modelo de cuidados e intersetorialidade

 Os cuidados continuados integrados incluem-se no Serviço Nacional de Saúde e no sistema de


segurança social, assentam nos paradigmas da recuperação global e da manutenção, entendidos
como o processo ativo e contínuo, por período que se prolonga para além do necessário para
tratamento da fase aguda da doença ou da intervenção preventiva, e compreendem:

o A reabilitação, a readaptação e a reintegração social.


o A provisão e manutenção de conforto e qualidade de vida, mesmo em situações irrecuperáveis.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 A Rede baseia-se num modelo de intervenção integrada e articulada que prevê diferentes tipos
de unidades e equipas para a prestação de cuidados de saúde e ou de apoio social e assenta
nas seguintes bases de funcionamento:

o Interceção com os diferentes níveis de cuidados do sistema de saúde e articulação prioritária


com os diversos serviços e equipamentos do sistema de segurança social.
o Articulação em rede garantindo a flexibilidade e sequencialidade na utilização das unidades e
equipas de cuidados.
o Coordenação entre os diferentes sectores e recursos locais.
o Organização mediante modelos de gestão que garantam uma prestação de cuidados efetivos,
eficazes e oportunos visando a satisfação das pessoas e que favoreçam a otimização dos
recursos locais.
o Intervenção baseada no plano individual de cuidados e no cumprimento de objetivos.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 4.2.3.4. Composição da Rede: equipas coordenadoras, unidades e equipas


prestadoras e hospitalares

 A coordenação da Rede processa-se a nível nacional, sem prejuízo da coordenação operativa,


regional e local.

 A coordenação da Rede a nível nacional é definida, em termos de constituição e competências,


por despacho conjunto dos Ministros do Trabalho e da Solidariedade Social e da Saúde.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 A coordenação da Rede a nível regional é assegurada por cinco equipas constituídas,


respetivamente, por representantes de cada administração regional de saúde e dos centros
distritais de segurança social.

 A coordenação da Rede aos níveis nacional e regional deve promover a articulação com os
parceiros que integram a Rede, bem como com outras entidades que considerem pertinentes
para o exercício das suas competências.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 A coordenação da Rede a nível local é assegurada por uma ou mais equipas, em princípio de
âmbito concelhio, podendo, designadamente nos concelhos de Lisboa, Porto e Coimbra,
coincidir com uma freguesia ou agrupamento de freguesias.

 As equipas coordenadoras locais são constituídas por representantes da administração regional


de saúde e da segurança social, devendo integrar, no mínimo, um médico, um enfermeiro, um
assistente social e, facultativamente, um representante da autarquia local.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 A prestação de cuidados continuados integrados é assegurada por:

o Unidades de internamento.
o Unidades de ambulatório.
o Equipas hospitalares.
o Equipas domiciliárias.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 Constituem unidades de internamento as:

o Unidades de convalescença.
o Unidades de média duração e reabilitação.
o Unidades de longa duração e manutenção.
o Unidades de cuidados paliativos.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 Constitui unidade de ambulatório a unidade de dia e de promoção da autonomia.

 São equipas hospitalares as:


o Equipas de gestão de altas.
o Equipas intra-hospitalares de suporte em cuidados paliativos.

 São equipas domiciliárias as:


o Equipas de cuidados continuados integrados.
o Equipas comunitárias de suporte em cuidados paliativos.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 4.2.4. Cuidados paliativos

 4.2.4.1. Conceito e filosofia da Rede

 A cultura dominante da sociedade tem considerado a cura da doença como o principal objetivo
dos serviços de saúde. Num ambiente onde predomina o carácter premente da cura ou a
prevenção da doença, torna-se difícil o tratamento e o acompanhamento global dos doentes
incuráveis, com sofrimento intenso.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 A Organização Mundial de Saúde considera os cuidados paliativos como uma prioridade da


política de saúde, recomendando a sua abordagem programada e planificada.

 Também o Conselho da Europa, reconhecendo existirem graves deficiências e ameaças ao


direito fundamental do ser humano a ser apoiado e assistido na fase final da vida, recomenda a
maior atenção para as condições de vida dos doentes que vão morrer, nomeadamente para a
prevenção da sua solidão e sofrimento.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 Considerando que os cuidados paliativos estão reconhecidos como um elemento essencial dos
cuidados de saúde que requer apoio qualificado, como uma necessidade em termos de saúde
pública, como um imperativo ético que promove os direitos fundamentais e como uma
obrigação social, surge o Programa Nacional de Cuidados Paliativos.

 Este Programa integra-se no Plano Nacional de Saúde 2004 – 2010, devendo ser entendido
como um contributo do Ministério da Saúde para o movimento internacional dos cuidados
paliativos, que, nas últimas décadas, preconizou uma atitude de total empenho na valorização
do sofrimento, como objeto de tratamento e de cuidados de saúde ativos e organizados.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 Os cuidados paliativos, no âmbito do presente Programa, incluem o apoio à


família, prestados por equipas e unidades específicas de cuidados paliativos,
em internamento ou no domicílio, segundo níveis de diferenciação.

 Têm como componentes essenciais: o alívio dos sintomas; o apoio


psicológico, espiritual e emocional; o apoio à família; o apoio durante o luto
e a interdisciplinaridade.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 No âmbito do presente Programa os


cuidados paliativos dão corpo a princípios e a
direitos que constituem universalmente a sua
base e o seu carácter específico:
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 1. Princípios
 A prática dos cuidados paliativos assenta nos seguintes princípios:

o Afirma a vida e encara a morte como um processo natural.


o Encara a doença como causa de sofrimento a minorar.
o Considera que o doente vale por quem é e que vale até ao fim.
o Reconhece e aceita em cada doente os seus próprios valores e prioridades.
o Considera que o sofrimento e o medo perante a morte são realidades humanas que podem
ser médica e humanamente apoiadas.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

o Considera que a fase final da vida pode encerrar momentos de reconciliação e de


crescimento pessoal.
o Assenta na conceção central de que não se pode dispor da vida do ser humano, pelo que não
antecipa nem atrasa a morte, repudiando a eutanásia, o suicídio assistido e a futilidade
diagnostica e terapêutica.
o Aborda de forma integrada o sofrimento físico, psicológico, social e espiritual do doente.
o É baseada no acompanhamento, na humanidade, na compaixão, na disponibilidade e no
rigor científico.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

o Centra-se na procura do bem-estar do doente, ajudando-o a viver tão intensamente quanto


possível até ao fim.
o Só é prestada quando o doente e a família a aceitam.
o Respeita o direito do doente escolher o local onde deseja viver e ser acompanhado no final da vida.
o é baseada na diferenciação e na interdisciplinaridade.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 2. Direitos
 A prática dos cuidados paliativos respeita o direito do doente:

o A receber cuidados.
o À autonomia, identidade e dignidade.
o Ao apoio personalizado.
o Ao alívio do sofrimento.
o A ser informado.
o A recusar tratamentos.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 4.2.4.2.Modelo de cuidados e intersetorialidade

 A criação de unidades de cuidados paliativos, ao abrigo do presente Programa, deve ser progressiva e
coordenada pelas Administrações Regionais de Saúde, de forma a satisfazer as necessidades não
satisfeitas localmente e a ser assegurada a existência de locais de formação diferenciada.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 As unidades de cuidados paliativos podem prestar cuidados em regime de internamento ou


domiciliário e abranger um leque variado de situações, idades e doenças.

 De forma a garantir uma gama completa de cuidados paliativos e a respeitar o princípio da


continuidade de cuidados, deve ser assegurada, por cada Administração Regional de Saúde,
uma efetiva articulação entre os diferentes tipos e níveis de cuidados paliativos existentes no
seu espaço geográfico. Esta articulação obriga à definição de critérios e respetivos protocolos de
articulação e referenciação.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 Sendo os doentes com cancro um grupo significativo nos utilizadores dos cuidados paliativos, os
hospitais com serviços ou unidades de oncologia médica devem ser considerados como
prioridade na criação de formas e modelos estruturados de prestação de cuidados paliativos.

 Os cuidados paliativos devem ser planeados, ao abrigo do presente Programa, em função dos
seguintes níveis de diferenciação:
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 Ação Paliativa

 1. Representa o nível básico de paliação e corresponde à prestação de ações paliativas sem o


recurso a equipas ou estruturas diferenciadas.
 2. Pode e deve ser prestada quer em regime de internamento, quer em regime domiciliário, no
âmbito da Rede Hospitalar, da Rede de Centros de Saúde ou da Rede de Cuidados Continuados.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 Cuidados Paliativos de Nível I

o São prestados por equipas com formação diferenciada em cuidados paliativos.


o Estruturam-se através de equipas móveis que não dispõem de estrutura de internamento
próprio mas de espaço físico para sediar a sua atividade.
o Podem ser prestados quer em regime de internamento, quer em regime domiciliário.
o Podem ser limitados à função de aconselhamento diferenciado.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 Cuidados Paliativos de Nível II

 1. São prestados em unidades de internamento próprio ou no domicílio, por equipas


diferenciadas que prestam diretamente os cuidados paliativos e que garantem disponibilidade e
apoio durante 24 horas.
 2. São prestados por equipas multidisciplinares com formação diferenciada em cuidados
paliativos e que, para além de médicos e enfermeiros, incluem técnicos indispensáveis à
prestação de um apoio global, nomeadamente nas áreas social, psicológica e espiritual.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 Cuidados Paliativos de Nível III

 Reúnem as condições e capacidades próprias dos Cuidados Paliativos de Nível II acrescidas das
seguintes características:

o Desenvolvem programas estruturados e regulares de formação especializada em cuidados paliativos.


o Desenvolvem atividade regular de investigação em cuidados paliativos; possuem equipas
multidisciplinares alargadas, com capacidade para «responder a situações de elevada exigência e
complexidade em matéria de cuidados paliativos, assumindo-se como unidades de referência.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 As estruturas e recursos necessários ao funcionamento


das unidades de cuidados paliativos dependem,
naturalmente, do seu tipo, nível de diferenciação e do
movimento assistencial decorrente das necessidades
das comunidades em que estão inseridas.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 4.3. A articulação entre as diferentes estruturas


do Sistema Nacional de Saúde em Portugal:
circuitos e modelo operativo
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 Dada a existência de vários tipos de prestadores, cada um deles com a sua hierarquia e níveis
de cuidados específicos, é de extrema importância garantir um reencaminhamento eficaz dos
utentes dentro do sistema, de modo a garantir um uso racional e eficiente dos recursos
disponíveis. Para tal recorre-se às chamadas redes de referenciação hospitalar (RRH).
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 Estas redes, concebidas tendo em conta as necessidades da população e os recursos disponíveis


em cada região (e consoante a especialidade médica em causa), procuram por isso articular e
interligar os diferentes tipos/níveis de cuidados, explorando a sua complementaridade e
tentando maximizar a rentabilidade dos mesmos. É por isso de extrema importância o estudo
destas redes, e o desenvolvimento de mecanismos e técnicas que tentem avaliar a sua eficácia
e o impacto de alterações às mesmas.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 A referenciação entre os cuidados primários e secundários assume


particular importância já que sendo o Médico de Família no CS
aquele que faz a avaliação inicial da situação, decidindo a forma como
o doente será abordado, têm uma grande influência nos gastos do
sistema e na carga de trabalho dos cuidados secundários, o que reforça
a relevância de se estudar este tipo de referenciação.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 De seguida apresenta-se um diagrama de um modelo desenvolvido, onde


de forma esquemática são apresentados os serviços considerados no
modelo, assim como as interações (na forma de entrada e fluxo de utentes)
que se estabelecem entre estes.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 As setas a vermelho representam as


entradas diretas de utentes no sistema
(em valores absolutos de procura).
Estas entradas podem ser ou nos
cuidados primários (no seu papel de
gatekeepers) ou nos serviços de
urgência nos cuidados secundários.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 A partir deste ponto, todos os restantes movimentos de utentes


são tratados de acordo com o esquema de referenciação utilizado
(e de uma forma probabilística), tendo-se de calcular a
probabilidade de, após utilizar um dos serviços de entrada,
transitar para outro serviço ou sair do modelo.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 Podemos distinguir estas transições em dois tipos, as que se estabelecem entre os níveis (setas
a amarelo) e aquelas que se estabelecem dentro do nível de cuidados secundários (a castanho).

 No primeiro tipo temos o envio de doentes dos CS para o serviço de urgência ou referenciados
para uma consulta externa num hospital, e o reenvio de doentes do serviço de internamento
para uma consulta de ambulatório com o médico de família.
IV. SERVIÇOS E ESTABELECIMENTOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE EM PORTUGAL

 No segundo, a castanho as transferências que se estabelecem dentro do nível de cuidados


secundários, quer sejam inter-hospitalares (no modelo são contemplados os casos de
transferências entre serviços de urgência ou de internamento) ou intra-hospitalares
(internamento após entrada pela urgência ou remarcação de consultas externas).
V. OUTROS PRESTADORES QUE INTERVÊM NO DOMÍNIO DA SAÚDE
V. OUTROS PRESTADORES QUE INTERVÊM NO DOMÍNIO DA SAÚDE

 5.1. Segurança Social


V. OUTROS PRESTADORES QUE INTERVÊM NO DOMÍNIO DA SAÚDE

 As instituições particulares de solidariedade social com objetivos específicos de saúde intervêm


na ação comum a favor da saúde coletiva e dos indivíduos, de acordo com a legislação que lhes
é própria e a presente lei.

 As instituições particulares de solidariedade social ficam sujeitas, no que respeita às suas


atividades de saúde, ao poder orientador e de inspeção dos serviços competentes do Ministério
da Saúde, sem prejuízo da independência de gestão estabelecida na Constituição e na sua
legislação própria.
V. OUTROS PRESTADORES QUE INTERVÊM NO DOMÍNIO DA SAÚDE

 Os serviços de saúde destas instituições podem ser subsidiados financeiramente e apoiados


tecnicamente pelo Estado e pelas autarquias locais.

 As instituições ou serviços do SNS e os da segurança social devem cooperar nos programas e


ações que envolvam a proteção social das populações em risco ou carência.
V. OUTROS PRESTADORES QUE INTERVÊM NO DOMÍNIO DA SAÚDE

 São áreas preferenciais de cooperação, entre outras:

o Programas gerais de promoção da saúde, prevenção e tratamento da doença, em especial


quanto a idosos, deficientes e pessoas em situação de dependência e apoio à maternidade.
o Programas coordenados de ação social e saúde nas grandes aglomerações urbanas.
o Prevenção, prestação de cuidados e reabilitação das doenças da área laboral.
V. OUTROS PRESTADORES QUE INTERVÊM NO DOMÍNIO DA SAÚDE

 5.2. Sector Privado


V. OUTROS PRESTADORES QUE INTERVÊM NO DOMÍNIO DA SAÚDE

 O Estado apoia o desenvolvimento do sector privado de prestação de cuidados de saúde, em


função das vantagens sociais decorrentes das iniciativas em causa e em concorrência com o
sector público.

 O apoio pode traduzir-se, nomeadamente, na facilitação da mobilidade do pessoal do Serviço


Nacional de saúde que deseje trabalhar no sector privado, na criação de incentivos à criação de
unidades privadas e na reserva de quotas de leitos de internamento em cada região de saúde.
V. OUTROS PRESTADORES QUE INTERVÊM NO DOMÍNIO DA SAÚDE

 A articulação do SNS com as atividades particulares de saúde faz-se nos termos seguintes:

o No planeamento da cobertura do território pelo SNS podem ser reservadas quotas para o
exercício das atividades particulares.
o Os médicos do SNS com atividade liberal podem assistir os doentes privados nos
estabelecimentos oficiais, em condições a estabelecer em diploma próprio.
o As ARS podem celebrar contratos ou convenção com médicos não pertencentes ao SNS ou
com pessoas coletivas privadas para a prestação de cuidados aos seus utentes.
V. OUTROS PRESTADORES QUE INTERVÊM NO DOMÍNIO DA SAÚDE

 2 - Os estabelecimentos privados e os profissionais de saúde que trabalhem em regime liberal e


que contratem nos termos do número anterior integram-se na rede nacional de prestação de
cuidados de saúde e ficam obrigados:

o A receber e cuidar dos utentes, em função do grau de urgência, nos termos dos contratos
que hajam celebrado.
o A cuidar dos doentes com oportunidade e de forma adequada à situação.
o A cumprir as orientações emitidas pelas ARS.
V. OUTROS PRESTADORES QUE INTERVÊM NO DOMÍNIO DA SAÚDE

 5.3. Poder Local


V. OUTROS PRESTADORES QUE INTERVÊM NO DOMÍNIO DA SAÚDE

 As autarquias locais participam na efetivação do direito à saúde, bem como no desenvolvimento do


Serviço Nacional de Saúde na sua área de jurisdição e no quadro das atribuições fixadas por lei.

 As autarquias locais participam em especial na definição de políticas e ações de saúde pública,


na manutenção da rede de equipamentos de saúde, no funcionamento dos órgãos consultivos e
de acompanhamento do Serviço Nacional de Saúde.
V. OUTROS PRESTADORES QUE INTERVÊM NO DOMÍNIO DA SAÚDE

 Os SLS são criados por portaria do Ministro da Saúde, sob proposta dos conselhos de
administração das administrações regionais de saúde, adiante designadas ARS, ouvidas as
autarquias locais.

 De acordo com os princípios e critérios geográficos definidos para efeito do planeamento


regional, a iniciativa pode partir dos serviços prestadores de cuidados de saúde em associação
com outras entidades públicas, designadamente as comissões de coordenação regional e as
autarquias locais.
V. OUTROS PRESTADORES QUE INTERVÊM NO DOMÍNIO DA SAÚDE

 5.4. Articulação intersectorial entre as estruturas/


organismos do Sistema Nacional de Saúde e outros
prestadores que também intervêm no domínio da saúde
V. OUTROS PRESTADORES QUE INTERVÊM NO DOMÍNIO DA SAÚDE

 O Serviço Nacional de Saúde assenta nos cuidados primários de saúde que devem situar-se
junto das comunidades.

 Deve ser promovida a articulação efetiva entre os vários níveis de cuidados de saúde,
garantindo permanentemente a circulação recíproca e confidencial da informação clínica
relevante sobre os utentes.

 O acesso aos cuidados de saúde obedece ao princípio de utilização hierarquizada da rede


sanitária, salvo nos casos de urgência.
V. OUTROS PRESTADORES QUE INTERVÊM NO DOMÍNIO DA SAÚDE

 O Serviço Nacional de Saúde é estruturado com respeito pelos princípios de complementaridade


dos sectores privado e social com o sector público, funcionando de forma articulada de modo a
garantir a continuidade e coerência das atividades de proteção e promoção da saúde.
V. OUTROS PRESTADORES QUE INTERVÊM NO DOMÍNIO DA SAÚDE

 Quando as suas disponibilidades forem insuficientes para garantir a cobertura de algum tipo de
cuidados de saúde à população de uma determinada área, o Sector Público de Saúde poderá
recorrer aos serviços prestados pela iniciativa privada.

 A participação complementar dos serviços privados será formalizada através de contratos ou


convénios, observando-se as normas de direito público.
V. OUTROS PRESTADORES QUE INTERVÊM NO DOMÍNIO DA SAÚDE

 Os profissionais e estabelecimentos de saúde do


sector privado têm o dever de colaborar com as
autoridades sanitárias em tudo o que disser respeito
ao fornecimento de dados para a informação
sanitária e para a vigilância epidemiológica
V. OUTROS PRESTADORES QUE INTERVÊM NO DOMÍNIO DA SAÚDE

 5.5. As novas áreas de abordagem aos cuidados de saúde


V. OUTROS PRESTADORES QUE INTERVÊM NO DOMÍNIO DA SAÚDE

 5.5.1.Linhas de atendimento telefónico

 Linhas de emergência
V. OUTROS PRESTADORES QUE INTERVÊM NO DOMÍNIO DA SAÚDE

 Saúde 24

 808 24 24 24
 Horário 24 horas/dia

 É um serviço de atendimento telefónico, de Triagem, Aconselhamento e Encaminhamento,


Assistência em Saúde Pública e Informação Geral de Saúde, para todos os utentes do SNS.
V. OUTROS PRESTADORES QUE INTERVÊM NO DOMÍNIO DA SAÚDE

 Linha de emergência – intoxicações

 808 250 143


 Horário Permanente

 O CIAV (Centro de Informação Antivenenos do INEM) é um centro médico de informação


toxicológica. Presta informações referentes ao diagnóstico, toxicidade, terapêutica e prognóstico
da exposição a tóxicos - humanas e animais - e de intoxicações agudas ou crónicas.
V. OUTROS PRESTADORES QUE INTERVÊM NO DOMÍNIO DA SAÚDE

 Linhas de apoio

 Linha cancro

 808 255 255


 Horário Dias úteis: 09h00-22h00

 É uma linha de apoio, que visa informar e apoiar a pessoa com cancro e a sua família ou
amigos, em aspetos que digam respeito à doença, associações de doentes, direitos dos doentes
e instituições ou centros de tratamento.
V. OUTROS PRESTADORES QUE INTERVÊM NO DOMÍNIO DA SAÚDE

 Linha do medicamento

 800 222 444


 Horário Das 9 às 18 horas

 Informação aos profissionais de saúde, público em geral e agentes do sector sobre


medicamentos, produtos de saúde e atividades conexas.
V. OUTROS PRESTADORES QUE INTERVÊM NO DOMÍNIO DA SAÚDE

 Linha SOS deixar de fumar

 808 20 88 88
 Horário Dias úteis - das 13 às 21 horas

 É uma linha de apoio, aconselhamento e informação a quem quer deixar de fumar.


V. OUTROS PRESTADORES QUE INTERVÊM NO DOMÍNIO DA SAÚDE

 Linha SOS SIDA

 800 20 10 40
 Horário 17h30-21h30

 É um serviço de aconselhamento telefónico gratuito que funciona a nível nacional. O


atendimento é realizado por técnicos com formação específica na área do VIH/Sida e do
aconselhamento telefónico.
V. OUTROS PRESTADORES QUE INTERVÊM NO DOMÍNIO DA SAÚDE

 Linha Vida – SOS Droga

 14 14
 Horário Dias úteis: 10h00 - 20h00

 A Linha Vida – SOS Droga foi fundada com o objetivo de criar um acesso rápido à informação e
de proporcionar aconselhamento e encaminhamentos na área da toxicodependência. É um
serviço anónimo, confidencial e gratuito.
V. OUTROS PRESTADORES QUE INTERVÊM NO DOMÍNIO DA SAÚDE

 Linha contra o cancro

 808 255 255


 Horário Dias úteis: 09h00-18h00

 É uma linha de apoio psicológico, aconselhamento e informação a doentes com cancro e seus familiares.
V. OUTROS PRESTADORES QUE INTERVÊM NO DOMÍNIO DA SAÚDE

 Linha rara

 707 100 200


 Horário Dias úteis - das 9 às 19 horas

 A Linha Rara é uma plataforma de apoio e informação que se propõe a escutar, informar e
aconselhar os portadores de doenças raras e seus familiares, profissionais de saúde/acção
social, estudantes, professores e o público em geral, no que respeita às doenças raras e aos
direitos dos seus portadores.
V. OUTROS PRESTADORES QUE INTERVÊM NO DOMÍNIO DA SAÚDE

 Linha SOS Grávida

 808 20 11 39
 Horário Dias úteis - das 10h às 18h

 Linha de informação, apoio e assistência a grávidas.


V. OUTROS PRESTADORES QUE INTERVÊM NO DOMÍNIO DA SAÚDE

 Linha verde sobre medicamentos e gravidez

 800 20 28 44
 Horário Das 9h00 às 13h30 e das 14h30 às 17h00

 Está integrada no SIMeG - Serviço de Informação sobre Medicamentos e Gravidez.


 O SIMeG é um Serviço do Ministério da Saúde que tem como objetivo a disponibilização e
divulgação de informação fidedigna quanto às questões específicas da utilização de
medicamentos e meios de diagnóstico, em função da gravidez e aleitamento.
V. OUTROS PRESTADORES QUE INTERVÊM NO DOMÍNIO DA SAÚDE

 Sexualidade em linha

 808 222 003


 Horário De segunda a sexta-feira: das 10 às 19 horas. Sábado: das 10 às 17 horas.
 Informação/aconselhamento aos jovens e adultos na área da Saúde Sexual e Reprodutiva.
Confidencial e anónimo.
V. OUTROS PRESTADORES QUE INTERVÊM NO DOMÍNIO DA SAÚDE

 5.5.2. Sítios na Internet de aconselhamento e apoio


V. OUTROS PRESTADORES QUE INTERVÊM NO DOMÍNIO DA SAÚDE

 Doenças respiratórias  INFARMED


 www.infarmed.pt/
 www.doencasrespiratorias.dgs.pt/

 Instituto Português do Sangue I.P.


 Entidade reguladora da saúde
 www.ipsangue.org/
 www.ers.pt

 Observatório Português dos Sistemas


 INEM de saúde
 www.inem.pt/  www.observaport.org/

 Plataforma Contra a Obesidade


 Saúde 24
 www.plataformacontraaobesidade.dg
 www.saude24.pt/ s.pt/PresentationLayer/
V. OUTROS PRESTADORES QUE INTERVÊM NO DOMÍNIO DA SAÚDE

 Portal da saúde
 www.portaldasaude.pt

 Unidade de missão dos cuidados de


 Portal do utente saúde primários
 https://servicos.min-
saude.pt/utente/portal/paginas/default.aspx  www.mcsp.min-saude.pt/

 Saúde reprodutiva
 Unidade de missão dos Cuidados
 www.saudereprodutiva.dgs.pt/
Continuados

 SICAD; I. P.  www.rncci.min-
 (ex-Instituto da Droga e da Toxicodependência,
saude.pt/rncci/Paginas/ARede.aspx
I.P.)
 www.idt.pt/PT/Documents/index.html
VI. AMBIENTE E CULTURA ORGANIZACIONAL: NOÇÕES GERAIS NAS
INSTITUIÇÕES DE SAÚDE
VI.AMBIENTE E CULTURA ORGANIZACIONAL: NOÇÕES GERAIS NAS
INSTITUIÇÕES DE SAÚDE

 A cultura da organização também a aceitação ou recusa de experiências, valores ou


procedimentos. De facto, o desenvolvimento da cultura organizacional é realizado pela
integração, em maior ou menor escala, de novos elementos constituintes, num processo
contínuo que ocorre ao longo de toda a vida da organização.
VI.AMBIENTE E CULTURA ORGANIZACIONAL: NOÇÕES GERAIS NAS
INSTITUIÇÕES DE SAÚDE

 Adicionalmente, e aceitando que para os colaboradores atuarem num contexto e alinhamento


específico, é necessário que estes detenham uma perceção continuada e estabilizada da
realidade organizacional, a consciência dos factos e fenómenos na organização, o significado e
o propósito das ações leva a emergência de padrões normativos que ficam, por inerência,
“legitimados” na estrutura.
VI. AMBIENTE E CULTURA ORGANIZACIONAL: NOÇÕES GERAIS NAS
INSTITUIÇÕES DE SAÚDE

 Os valores centrais que caracterizam a organização serão então muitas vezes a base do
desenvolvimento de normas, às quais é associada a necessidade de uma posição de aprovação
ou rejeição face a atitudes e crenças específicas, assim como a agir numa determinada direção.

 É através destes processos e mecanismos, e da interação provocada entre sujeitos e


organização, que a macroestrutura cultural da organização se desenvolve e evoluí. De facto,
vários investigadores reconhecem que a organização é, ela própria, produtora de fenómenos de
natureza cultural.
VI. AMBIENTE E CULTURA ORGANIZACIONAL: NOÇÕES GERAIS NAS
INSTITUIÇÕES DE SAÚDE

 Acreditamos, que nos dias de hoje é impossível aos


profissionais de saúde trabalharem isoladamente,
quer devido à complexidade das situações
apresentados pelos utentes dos serviços de saúde,
quer devido ao desenvolvimento tecnológico, quer
ainda à explosão e fragmentação do conhecimento.

 Os técnicos de saúde fazem parte de uma equipa e


como tal, devem saber executar as suas atividades
em interação para que a melhoria da prestação de
cuidados seja alcançada.
VI. AMBIENTE E CULTURA ORGANIZACIONAL: NOÇÕES GERAIS NAS
INSTITUIÇÕES DE SAÚDE

 Pressupõe-se que os elementos da equipa contactem


entre si frequentemente e prestem cuidados de
saúde integrados. Nesta perspetiva, de forma a
responder eficazmente a todas as solicitações
colocadas pelos utentes, torna-se indispensável que
os profissionais de saúde juntem esforços no sentido
de realizar um verdadeiro trabalho em equipa.
VI. AMBIENTE E CULTURA ORGANIZACIONAL: NOÇÕES GERAIS NAS
INSTITUIÇÕES DE SAÚDE

 Este trabalho deve ser baseado na cooperação (entre os diversos modelos) e em contacto
regular, face a face, envolvidos numa ação coordenada, cujos membros contribuam de maneira
empenhada, competente e responsável para a realização de uma determinada atividade.

 Nesta vertente, o trabalho em equipa é condicionado por diversos pressupostos, de acordo com
a OMS, válidos para as organizações de saúde:
VI. AMBIENTE E CULTURA ORGANIZACIONAL: NOÇÕES GERAIS NAS
INSTITUIÇÕES DE SAÚDE

 Partilha de objetivos comuns


 Em que cada membro da equipa deve ter uma definição clara e precisa da missão da equipa;

 Compreensão e aceitação dos papéis e funções de cada um.


 Neste caso, um grupo só está em condições de trabalhar em conjunto, como uma equipa depois
de todos os seus membros conhecerem e aceitarem os papéis uns dos outros, ou seja, quem
deve fazer o quê para que a equipa atinja os seus objetivos ou metas;
VI. AMBIENTE E CULTURA ORGANIZACIONAL: NOÇÕES GERAIS NAS
INSTITUIÇÕES DE SAÚDE

 Existência de recursos humanos e materiais suficientes


 A falta de um destes elementos compromete o trabalho em equipa; a título de exemplo
referimos alguns Centros de Saúde com um número escasso de profissionais de saúde;

 Cooperação ativa e confiança mútua


 onde as pessoas se exprimam livremente e sem receio. Também é necessário que dentro e fora
dos serviços haja um clima propício à criação e funcionamento das equipas de trabalho, o que
implica estar atento ao meio ambiente pertinente da equipa (Centro de Saúde e Comunidade);
VI. AMBIENTE E CULTURA ORGANIZACIONAL: NOÇÕES GERAIS NAS
INSTITUIÇÕES DE SAÚDE

 Liderança adequada e eficaz, com uma rede de comunicação circular, aberta e multidirecional
 O líder deve emergir do grupo e não ser imposto. No primeiro caso, a equipa de trabalho
implica uma comunicação aberta, multidirecional, embora menos eficiente (em termos de custos
homem/hora) mas mais eficaz.

 O Centro de Saúde, enquanto sistema aberto, por excelência, dificilmente pode funcionar de
outro modo, sob pena de caminhar para a entropia e disfuncionamento. Pelo contrário, na casa
de um grupo hierárquico tradicional, há uma unidade de comando em que a comunicação é
fechada e unilateral.
VI. AMBIENTE E CULTURA ORGANIZACIONAL: NOÇÕES GERAIS NAS
INSTITUIÇÕES DE SAÚDE

 Mecanismos de feedback e de avaliação


 As atitudes e comportamentos terão que ser necessariamente
avaliadas, pois só assim se conseguirá obter um funcionamento de
uma equipa e assegurar a sua direção.
6557. REDE NACIONAL DE CUIDADOS DE SAÚDE