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Montagem Soviética

Prof. Luiz Roveran


Sound Design e Criação de Vídeos — 2TJD/FIAP
Contexto histórico

● Revolução Russa: fevereiro a


outubro de 1917;
● Derrocada do regime czarista
em fevereiro de 1917, entra o
Governo Provisório;
● Outubro de 1917: queda do
governo provisório, bolcheviques
assumem.
Contexto histórico

● Ideologia marxista: dialética


materialista;
● Parte de uma subversão da
dialética hegeliana para observar
o mundo;
● Hegel: tese vs antítese = síntese;
● 1919: fundação da VGIK —
Escola de Cinema de Moscou.
Efeito Kuleshov

● Lev Kuleshov (1899 - 1970) desenvolve


um experimento com sucessões de
imagens;
● Buscava estudar os efeitos psicológicos
sobre a plateia, assim como possíveis
significados que saíam da Montagem;
● O experimento de Kuleshov consistia em
contrapor a mesma expressão de um ator
a três imagens diferentes: um prato de
comida, uma criança morta e uma mulher
em trajes libidinosos.
Sergei Eisenstein (1898 - 1948)

● Cineasta e teórico do audiovisual;


● Trabalhou no teatro antes de ir para o
cinema;
● Dirigiu filmes como O Encouraçado
Potemkin (1925), A Linha Geral (1927),
Alexander Nevsky (1938) e Ivan, O Terrível
(1944);
● Foi professor da Escola de Cinema de
Moscou e contemporâneo de Kuleshov.
Montagem ● Para ambos Kuleshov e
Eisenstein, a Montagem, ou seja,

soviética o choque entre duas imagens por


meio da edlção, consiste no
cerne do cinema;
● Montagem, segundo Eisentein: “é
uma ideia que nasce da colisão
de planos independentes —
planos até opostos um ao outro”
(EISENSTEIN, 2002, p.52).;
● “Combinação de planos
descritivos, de significados
únicos e conteúdo neutro, que os
insere em séries e contextos
intelectuais”.
● Toda Montagem tem edição, nem
toda edição contém Montagem.
Os cinco tipos de ● Eisenstein, no artigo Métodos de
Montagem (2002, pp.79-88),
Montagem enumera cinco tipos de
Montagem. Estes são:
● Métrica;
● Rítmica;
● Tonal;
● Atonal;
● Intelectual.
Montagem Métrica ● “O critério fundamental desta construção
são os comprimentos absolutos dos
fragmentos [de filme]”. (EISENSTEIN, 2002,
p.79);
● O conteúdo dos fragmentos pouco importa,
o cerne da Montagem Métrica jaz nas
relações rítmicas entre os cortes;
● Cria-se tensão pela aceleração dos cortes,
ou seja, pelo estreitamento da relação de
proporcionalidade;
● O ritmo não precisa, necessariamente, ser
percebido.
● Exemplos: Outubro, Requiem para um Sonho.
Montagem Rítmica ● Ainda leva em consideração a relação
temporal entre os cortes, contudo, o
conteúdo dos planos agora também é
relevante, principalmente o movimento
neles;
● “A tensão formal pela aceleração é aqui
obtida abreviando-se os fragmentos não
apenas de acordo com o plano
fundamental, mas também pela violação
deste plano. A violação mais efetiva é
conseguida com a introdução de material
mais intenso num tempo facilmente
distinguível”;
● Exemplos: Três Homens em Conflito, O
Encouraçado Potemkin, Os Intocáveis.
Eisenstein sobre • “A sequência da ‘escadaria de Odessa’, em
Potemkin, é um exemplo claro disto. Nela, a
marcha rítmica dos pés dos soldados descendo
Potemkin as escadas viola todas as exigências métricas.
Esta marcha, que não está sincronizada com o
ritmos dos cortes, chega sempre for a de
tempo, e esse mesmo plano se apresenta
como uma solução completamente diferente
em cada uma de suas novas aparições. O
impulso final da tensão é proporcionado pela
transferência do ritmo dos pés descendo para
outro ritmo — um novo tipo de movimento
para baixo — o próximo nível de intensidade
da mesma atividade — o carrinho de bebê
rolando escada abaixo. O carrinho funciona
como um acelerador, diretamente progressivo,
dos pés que avançam. A descida degrau a
degrau passa a descida de roldão”.
(EISENSTEIN, 2002, p.81)
Montagem Tonal ● Caracteriza-se pela conexão de
elementos (tons) em comum
entre os planos;
● Ao contrário da Montagem
Rítmica, não se atém a um
movimento no enquadramento
ou ao ritmo dos cortes;
● Esses elementos em comum
podem ser de natureza
simbólica, auditiva, visual, etc.
● Exemplos: O Senhor dos Anéis:
O Retorno do Rei, M, A Saga do
Judô.
Montagem Atonal ● Seguindo o crescimento da complexidade da
Montagem, baseia-se nos conceitos

(Overtonal) definidos nos outros tipos de Montagem já


mencionados, combinando-os;
● Aqui, diversos elementos (tons) se sobrepõe
e se intercalam, conectando os planos;
● Um exemplo é a cena do batismo, no final de
O Poderoso Chefão. Aqui, elementos de cor,
violência e religião se combinam para inferir
a ideia do verdadeiro batismo que é
apresentado na cena: o do nascimento de
Michael Corleone (Al Pacino) para o crime;
● Outro exemplo famoso é a famosa cena do
chuveiro de Psicose.
Montagem ●

Idealizada por Eisenstein;
Ao contrário dos outros tipos de
intelectual Montagem, que visavam estimular
respostas emocionais no público, a
Montagem Intelectual busca expressar
conceitos abstratos, tentando induzir o
espectador a refletir;
● Consiste na oposição de duas imagens
que apresentam conceitos opostos;
● Desse choque emerge uma nova ideia;
● Um exemplo clássico é a cena da luta
entre os primatas em 2001: Uma Odisseia
no Espaço.
Bibliografia

● EISENSTEIN, S. A Forma do Filme. São Paulo: Zahar,


2002;
● NITTY Gritty Studios. Eisenstein’s Methods of
Montage Explained. Disponível em
<https://www.youtube.com/watch?v=NtnTs90knro>;
● FILMMAKER IQ. The History of Cutting — The Soviet
Theory of Montage. Disponível em
<https://www.youtube.com/watch?v=JYedfenQ_Mw>.

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