Você está na página 1de 61

 O constitucionalismo apesar de ser um termo

recente, está ligado a uma idéia bastante


antiga: a existência de uma Constituição nos
Estados, independentemente do momento
histórico ou do regime político adotado.

 Segundo Karl Loewenstein “a história do


constitucionalismo não é senão a busca pelo
homem político das limitações do poder
absoluto exercido pelos detentores do
poder”.
 Em sentido amplo, o constitucionalismo se
confunde com a própria história da Constituição.

 Em sentido mais restrito, o constitucionalismo


compreende duas noções identificadoras básicas:
 I- o princípio da separação dos poderes e a;
 II- garantia de direitos como instrumentos de
limitação do exercício do poder estatal
consagrados nas Constituições com o objetivo de
proteger as liberdades fundamentais.
 Nos dias de hoje o constitucionalismo está
associado a três idéias básicas:
 a) garantia dos direitos;
 b) separação dos poderes;
 c) princípio do governo limitado.
 1) Constitucionalismo antigo – período
compreendido entre a antiguidade e o final
do século XVIII.
 O Constitucionalismo antigo engloba as
experiências constitucionais que se
caracterizam como um “conjunto de
princípios não escritos ou consuetudinários
alicerçadores da existência de direitos
estamentais perante o monarca e
simultaneamente limitadores de seu poder”.
 São exemplos do constitucionalismo antigo:

 1) Estado hebreu
 “Lei do Senhor” limites bíblicos.
 Na época da estruturação de seu antigo Estado, os hebreus adotavam
constituições regidas por convicções da comunidade e por costumes
nacionais, que refletiam nas relações entre governantes e governados;

 Características:

 a) existência de leis não escritas ao lado dos costumes (principal fonte


dos direitos);
 b) forte influencia da religião, com a crença de que os líderes eram
representantes dos deuses na terra;
 c) tendência de julgar os litígios de acordo com as soluções dadas a
conflitos semelhantes.
 2) Grécia
 Democracia direta – Cidades- Estados gregas.
 Na Grécia existiu um Estado político plenamente
constitucional.

 Características:

 a) inexistência de constituições escritas;


 b) a prevalência da supremacia do Parlamento;
 c) a possibilidade de modificações das proclamações
constitucionais por atos legislativos;
 d) irresponsabilidade governamental dos detentores
do poder.
 3) Inglaterra

 O constitucionalismo ressurge como movimento de conquista das


liberdades individuais, impondo limites à atuação soberana e garantindo
direitos individuais em contraposição à opressão estatal. (império das
leis - Rule of law)

 Todo o poder político tem que ser legalmente limitado.

 Características

 a) supremacia do Parlamento;
 b) monarquia parlamentar;
 c) a responsabilidade parlamentar do governo;
 d) a independência do poder Judiciário;
 e) a carência de um sistema formal de direito administrativo;
 f) a importância das convenções constitucionais ( vários documentos
foram criados respeitando os direitos).
 2) Constitucionalismo Moderno – costuma ser utilizado
para designar a fase compreendida entre as revoluções
liberais ocorridas no final do século XVIII e a promulgação
das constituições pós–bélicas, a partir da segunda metade
do século XX.

 2.1 Constitucionalismo Clássico ou constitucionalismo


liberal clássico:

 O conceito de Constituição alcançou o atual estágio de


formalizações no fim do século XVIII, com o surgimento
das primeiras constituições escritas, rígidas, dotadas de
supremacia e orientadas por princípios decorrentes de
conhecimentos teórico-científicos.

 Os direitos civis e políticos consagrados nos textos


constitucionais são apontados como a 1ª dimensão dos
direitos fundamentais ligados à liberdade.
 Neste periodo, podem ser identificados cinco
ciclos constitucionais formados por
 I- constituições revolucionárias setecentistas
(1787-1799);
 II – constituições napoleônicas ( 1799-1815);
 III – constituições legitimadoras da
restauração (1815-1830);
 IV – constituições liberais ( 1830 – 1848);
 V – constituições democráticas (1848 -1918).
 Essas constituições consagraram os direitos civis e políticos ( 1ª
dimensão dos direitos fundamentais ligada ao valor da liberdade);
 São exemplos do Constitucionalismo clássico:

 1) Constitucionalismo norte-americano

 Declaration of Rights do Estado da Virgínia de 1776


 Constituição da Confederação dos Estados Americanos de 1781

 Características:

 a) criação da primeira Constituição escrita e dotada de rigidez;


 b) a idéia da supremacia da Constituição;
 c) a instituição de controle de constitucionalidade;
 d) a forma federativa de Estado;
 e) o sistema presidencialista;
 f) a rígida separação e o equilíbrio entre os poderes estatais;
 g) o fortalecimento do Poder Judiciário;
 h) a declaração de direitos da pessoa humana.
 2) Constitucionalismo francês
 Revolução Francesa

 Características:

 a) manutenção da monarquia constitucional;


 b) a limitação dos poderes do Rei;
 c) a consagração do princípio da separação dos
poderes;
 d) distinção entre poder constituinte originário e
derivado.
 2. 2 Constitucionalismo social

 O marco histórico do constitucionalismo social ocorre com o fim


da Primeira Guerra Mundial.

 Constitucionalismo social: o Estado se transforma em um


prestador de serviços;

 Nesta fase surgem novos ciclos constitucionais (1919-1937).

 O estado abandona sua postura abstencionista para assumir um


papel decisivo nas fases de produção e distribuição de bens,
passando a interferir nas relações sociais, econômicas e laborais.

 Consagra-se os direitos sociais, econômicos e culturais nos


textos das Constituições (2ª dimensão dos direitos fundamentais
– ligados a igualdade)
 4) Constitucionalismo Contemporâneo ou
NEOCONSTITUCIONALISMO

 Após o fim da segunda guerra mundial (1945)

 A perplexidade causada pelos horrores cometidos durante a


guerra e a constatação de que a legalidade poderia ser utilizada
para justificar regimes autoritários e legitimar atrocidades
conduziram ao desenvolvimento de uma nova dogmática na qual
a dignidade da pessoa humana desponta como núcleo central do
constitucionalismo, dos direitos fundamentais e do Estado
Constitucional Democrático.

 Surgem direitos ligados à fraternidade (3ª dimensão) à


democracia, à informação e ao pluralismo ( 4ª dimensão). Há
autores que apontam, ainda, o surgimento de uma 5ª dimensão
de direitos fundamentais.
 Nesse periodo também ocorrem novos ciclos
constitucionais, onde as Constituições
passam a tratar de todos os assuntos –
Constituição Total;
 Surge a consagração de um extenso rol de
direitos fundamentais – terceira dimensão
dos direitos fundamentais – ligados à
fraternidade e também posteriormente –
quarta dimensão dos direitos fundamentais
ligados a pluralidade.
 Busca-se, dentro dessa nova realidade, não
mais apenas atrelar o constitucionalismo à
idéia de limitação do poder político, mas,
acima de tudo, buscar a eficácia da
Constituição, deixando o texto de ter um
caráter meramente retórico e passando a ser
mais efetivo, especialmente diante da
expectativa de concretização dos direitos
fundamentais.
 Importante destacar que as constituições de muitos países
latino-americanos, africanos, assim como as de alguns
países asiáticos, surgidas na segunda metade do século
passado, foram inspiradas nas constituições da
democracia clássica, apresentando poucos traços das
constituições socialistas. Por serem revestidas de um
aspecto preponderantemente formal, decorrente das
condições de desenvolvimento social e econômico, a
realidade constitucional nesses Estados acabou sendo bem
diferente daquela estabelecida no texto.

 Por isso, foram necessárias algumas décadas para que as


características do constitucionalismo contemporâneo
efetivamente se verificassem nesses países.
 a) Estado constitucional de direitos:
 A Constituição passa a ser o centro do
sistema, marcada por uma intensa carga
valorativa.
 Adquire o caráter de norma jurídica, dotada
de imperatividade, superioridade, e
centralidade.
 Tudo deve ser interpretado a partir da
Constituição.
 b) Conteúdo axiológico ( incontestável)da
constituição:
 Incorporação explícita de valores e opções
políticas ( como a redução das desigualdades
sociais – art. 3º III da CF, e a prestação da
educação por parte do Estado – art. 23, V e
205 CF) nos textos constitucionais;
 Promoção da dignidade humana e dos
direitos fundamentais;
 c) Concretização dos valores constitucionais e
garantia de condições dignas mínimas:

 Deverão ser resguardados as condições de


dignidade e dos direitos dentro, ao menos,
de patamares mínimos.

 Reaproximação entre o Direito e a Ética; o


Direito e a Moral; o Direito e a Justiça.
 Segundo José Roberto Dromi: o futuro do
constitucionalismo estaria no equilíbrio entre as
concepções dominantes do constitucionalismo moderno e
os excessos praticados no constitucionalismo
contemporâneo , sendo as constituições influenciadas por
sete valores fundamentais:

 I – a verdade;
 II- a solidariedade;
 III – o consenso;
 IV – a continuidade;
 V – a participação;
 VI – a integração;
 VII – a universalização.
 Verdade: a Constituição não pode mais gerar falsas
expectativas;

 Solidariedade: trata-se de nova perspectiva de


igualdade, sedimentada na solidariedade dos povos,
na dignidade da pessoa humana e na justiça social;

 Consenso: a constituição do futuro deverá ser fruto


de consenso democrático;

 Continuidade: ao se reformar a constituição, a


ruptura não pode deixar de levar em conta os
avanços já conquistados.
 Participação: consagra-se a idéia de democracia
participativa e de Estado de Direito Democrático,
afastando a indiferença social;

 Integração: entre os povos dos diversos Estados. Uma


integração espiritual, moral, ética e institucional.
Cabe as futuras constituições propiciar mecanismos
de integração supranacional.

 Universalização: refere-se à consagração dos direitos


fundamentais internacionais nas constituições
futuras, fazendo prevalecer o princípio da dignidade
da pessoa humana de maneira universal e afastando,
assim, qualquer forma de desumanização.
 O termo Constituição possui diversos
significados ligados a idéia de “modo de ser
de alguma coisa” e, por extensão, de
organização interna de seres e entidades.

 Assim, todo Estado possui uma Constituição


(modo de ser do Estado);
 Paolo Di Ruffìa aponta 3 conteúdos jurídicos referentes ao
termo Constituição:

 1) em sentido substancial ( ou objetivo): é o conjunto de


normas jurídicas fundamentais, escritas ou não escritas,
que estabelecem a estrutura essencial do Estado.

 2) em sentido formal: normas jurídicas distintas das


legislativas ordinárias em razão de seu processo de
formação mais difícil, mais solene e mais longo.

 3) em sentido documental: um particular ato normativo


solene que encerra a maioria das normas
substancialmente constitucionais.
 Assim temos a seguinte definição:

 CONSTITUIÇÃO pode ser, em termos jurídicos


o conjunto sistematizado de normas
originárias e estruturantes do Estado que tem
por objeto nuclear os direitos fundamentais,
a estruturação do Estado e a organização dos
poderes.
 O Conteúdo das constituições é variável no
tempo e no espaço.

 A Constituição brasileira de 1988 tem como


objeto, basicamente, os direitos e garantias
fundamentais; a estrutura e organização do
estado e de seus órgãos; o modo de
aquisição e a forma de exercício do Poder; a
defesa da Constituição, do Estado e das
Instituições democráticas; e os fins
socioeconômicos do Estado.
 A Constituição, embora se apresente como
um todo unitário e orgânico possui normas
que tratam dos mais variados assuntos.

 Para classificar esses assuntos, temos a


classificação de José Afonso da Silva, que
agrupa os elementos da Constituição de 1988
em cinco categorias.
 1) elementos orgânicos: se manifestam em
normas reguladoras da estrutura do Estado e do
poder (EX: Das Forças Armadas; Da Segurança
Pública; Da Organização do Estado; Da
Organização dos Poderes; Da Tributação e do
orçamento).

 2) elementos limitativos: estão consubstanciados


nas normas definidoras dos direitos e garantias
fundamentais, as quais impõem limites à atuação
dos poderes públicos ( caráter negativo). Por
exigirem prestações materiais e jurídicas do
Estado (caráter positivo), e não um abstenção, os
direitos sociais não se incluem nessa categoria.
 3) elementos socioideológicos: revelam a ideologia
que permeia o conteúdo constitucional, podendo ser
identificados nas normas que consagram os direitos
sociais e que integram a ordem econômico-
financieira e a ordem social.

 4) elementos de estabilização constitucional: se


encontram consubstanciados nas normas destinadas
à solução dos conflitos constitucionais, à defesa da
Constituição, do Estado e das instituições
democráticas.

 Encontram-se contemplados, ainda, nas normas que
estabelecem os meios e técnicas para a alteração da
Lei Fundamental (CF, art. 60).
 5) elementos formais de aplicabilidade: são
consagrados nas normas que estatuem regras
de aplicação da Constituição, como o
Preâmbulo, o Ato das Disposições
Constitucionais Transitórias e o § 1º do art.
5º.
 1) Concepção sociológica

 Segundo Ferdiand Lassalle as questões constitucionais não são jurídicas, fazendo


uma distinção entre Constituição jurídica (ou escrita) e Constituição real ( ou
efetiva);

 Assim os fundamentos sociológicos das constituições são os fatores reais do


poder, constituídos pelo conjunto de forças politicamente atuantes na
conservação das instituições jurídicas (monarquia, grande burguesia,
banqueiros...);

 Esses fatores formam a Constituição real de um país, que é, em essência, a soma


dos fatores reais do poder que regem uma nação.

 De tal modo, a Constituição escrita ou jurídica só será boa e duradora quando


corresponder a Constituição real e tiver suas raízes nos fatores do poder que
regem o país. Caso não haja esta correspondência, inevitavelmente, a Constituição
jurídica ( folha de papel) irá sucumbir diante dos fatores reais de poder.

 Prevalece a vontade daqueles que titularizam o Poder.


 2) Concepção política

 Segundo Carl Schmitt o fundamento de uma Constituição não está


contido em outras normas jurídicas ou em si mesma, mas na vontade
política concreta que a antecede.

 A Constituição surge como uma decisão política do poder constituinte


na determinação da forma concreta de conjunto pela qual se pronuncia
ou decide a unidade política.

 A validade das leis constitucionais pressupõe uma Constituição e tem


esta como base, pois toda lei, inclusive as constitucionais, tem como
fundamento de validade uma decisão política anterior tomada por um
Poder ou autoridade politicamente existente.

 A distinção entre Constituição e leis constitucionais só é possível, no


entanto, porque a essência da Constituição não está contida em uma lei
ou em uma norma. No fundo de toda normação reside uma decisão
política do titular do poder constituinte.
 3) Concepção jurídica

 Para Hans Kelsen o jurista não precisa se socorrer da sociologia ou da política


para buscar o fundamento da Constituição;

 O fundamento dela se encontra no plano jurídico;

 A Constituição é norma pura, puro “dever ser”.

 De tal modo tem-se a distinção entre:

 a) sentido lógico-jurídico: a Constituição consiste em uma “norma fundamental


hipotética”.

 Fundamental: por ser o fundamento de validade da Constituição em sentido


jurídico-positivo.

 Hipotética: por só existir hipoteticamente, como norma metajurídica pressuposta,


fruto de uma convenção social indispensável para que a Constituição jurídica e,
por conseqüência, todo o ordenamento jurídico tenham validade.
 De tal modo, a Constituição em sentido
lógico-jurídico é o fundamento de validade
da Constituição em sentido jurídico-positivo.

 b) sentido jurídico-positivo: compreendida


como o conjunto de normas que regula a
produção de outras normas, ou seja, a
Constituição como norma positiva suprema.
 4) Concepção normativa

 Segundo Konrad Hesse a Constituição configura não só uma


expressão do ser, mas também do dever-ser.

 Assim, a Constituição é mais do que um simples reflexo das


condições fáticas de sua vigência, a Constituição possui uma
força normativa capaz de imprimir ordem e conformação à
realidade política e social.

 A Constituição real e a Constituição jurídica estão em relação de


coordenação.

 A Constituição não se realiza por si, mas pode impor tarefas,


que quando realizadas transformam-se em força ativa.

 Entretanto, para que possa se converter em força ativa, faz-se


indispensável a vontade da Constituição.
 A vontade da constituição se origina:

 I – da compreensão da necessidade e do valor de


uma ordem normativa inquebrantável, que
proteja o Estado contra o arbítrio desmedido.

 II – da compreensão de que essa ordem


constituída é mais do que uma ordem legitimada
pelos fatos;

 III – da consciência de que essa ordem não logra


ser eficaz sem o concurso da vontade humana.
 5) Concepção culturalista

 Todas as concepções analisadas possuem aspectos


complementares que levam a conclusão de que a Constituição,
em toda sua complexidade, possui fundamentos diversos.

 A partir disso, surge a idéia de Constituição total, com aspectos


econômicos, sociológicos, jurídicos e filosóficos, a fim de
abranger o seu conceito em uma perspectiva unitária.

 Assim na concepção culturalista a Constituição é ao mesmo


tempo resultante da expressão cultural de um determinado
momento histórico, atuando também como um elemento
conformador do sentido de alguns aspectos desta cultura ( como
estrutura e fins do Estado e do modo de exercício e limites do
poder político)..
 I- Constituição-lei

 Essa definição parte do pressuposto de que a


Constituição é uma lei como qualquer outra, sem
supremacia sobre as demais normas e sem poder
de conformação (ajuste) do legislador.

 As normas constitucionais serviriam apenas


como uma diretriz para a atuação legislativa.

 Tal entendimento não se mostra compatível com


ordenamentos jurídicos dotados de constituições
rígidas, como é o caso do Brasil.
 II – Constituição-fundamento/ Constituição total

 A Constituição é o fundamento não só das


atividades relacionadas ao Estado, mas também
de toda a vida social, cuja regulação deve estar
consagrada nela.

 O legislador deve interpretar e conferir


efetividade às normas constitucionais.

 A atividade legislativa é concebida como um


mero instrumento de realização da Constituição.
 III – Constituição-moldura

 A palavra moldura é utilizada para designar a


Constituição que serve apenas como limite à atuação
legislativa.

 A Constituição atua como uma espécie de moldura


dentro da qual o legislador pode atuar, preenchendo-
a conforme a oportunidade política.

 à jurisdição constitucional caberia apenas controlar


“se” ( não “como”) o legislador atuou dentro da
moldura constitucionalmente estabelecida.
 IV- Constituição dúctil / Constituição suave

 Segundo Gustavo Zagrebelsky o papel da Constituição é o de


assegurar as condições possíveis para uma vida em comum,
tendo em vista as sociedade pluralistas, com diversidade de
interesses, ideologias e projetos.

 A Constituição deve ser compreendida mais como um centro a


alcançar que como um centro do qual partir.

 Suave ou dúctil: pois a Constituição deve acompanhar a


descentralização do Estado e refletir o pluralismo social, político
e econômico.

 Enfim, a ductibilidade constitucional deve ser associada a


coexistência e compromisso com uma visão política de
integração através da rede de valores e procedimentos
comunicativos.
 1) Quanto a forma:

 a) constituições escritas: são formadas por um


conjunto de normas de direito positivo constantes de
um só código ou de diversas leis.

 Objetivos: estabilidade, previsibilidade, racionalidade


e publicidade de suas normas (segurança jurídica).

 Primeiras constituições escritas: Confederação dos


Estados norte-americanos – 1776; Confederação dos
Estados Unidos da America- 1787.
 b) constituições não escritas (inorgânicas,
costumeiras ou consuetudinárias): são
aquelas cujas normas se originam,
sobretudo, dos precedentes judiciais, das
tradições, costumes e convenções
constitucionais.

 Ex: Constituição israelense, a Constituição


Inglesa.
 2) Quanto à sistemática/ unidade documental

 a) codificadas (orgânicas ou unitextuais): são as


constituições cujas normas se encontram
inteiramente contidas em um só texto, formando
um único corpo de lei com princípios e regras.

 b) não codificadas (inorgânicas, pluritextuais ou


legais); são as constituições escritas formadas
por normas esparsas ou fragmentadas em vários
textos como a Constituição da Alemanha nazista
de 1934.
 3) Quanto à origem:

 a) Constituições outorgada ou imposta:decorrem de um ato


unilateral da vontade política soberana do governante como a
Constituição brasileira de 1824, outorgada por D. PedroI

 b) Constituições pactuadas ou pactuais: substituíram o modelo


de Constituição outorgada, marcando a transição da monarquia
hereditária para a monarquia representativa.

 c) Constituições democráticas ou populares, dogmáticas, votadas


ou promulgadas: são constituições elaboradas por um órgão
constituinte composto de representantes do povo, eleitos para
fim específico de elaborar a Constituição ( Assembléias
Constituintes). O governo deve se apoiar no consentimento dos
governantes e traduzir a vontade do popular.
 4) Quanto ao modo de elaboração:

 a) Constituições históricas: são formadas


lentamente por meio do tempo, na medida em
que os usos e costumes vão se incorporando à
vida estatal.

 b) Constituições dogmáticas: resultam dos


trabalhos de um órgão constituinte
sistematizador das idéias e princípios
fundamentais da teoria política e do direito
dominante naquele momento.
 5) Quanto à identificação das normas constitucionais ou quanto
ao conteúdo:

 a) constituições em sentido material: é composta por princípios e


regras que têm como objeto os direitos fundamentais, a
estruturação do Estado e a organização dos poderes.

 È o conjunto de normas estruturais de uma dada sociedade


política.

 b) Constituição em sentido formal: conjunto de normas jurídicas


produzidas por um processo mais árduo e mais solene que o
ordinário, como o propósito de tornar mais difícil a sua
alteração. Pressupõe uma Constituição escrita.

 Segundo Jorge Miranda: pode-se afirmar que o conceito de


Constituição em sentido formal engloba o de Constituição em
sentido material.
 6) Quanto à estabilidade

 a) constituições imutáveis: surgiram com a pretensão de eternidade e


que, por isso, não podiam ser modificadas sob pena de maldição dos
deuses. Ex: Código de Hamurabi, Lei das XII Tábuas;

 b) constituições fixas: são aqueles que não podiam ser modificadas


senão pelo mesmo poder constituinte que as elaborou, quando
convocado para isso.

 c) Constituições rígidas: somente podem ser modificadas mediante


procedimentos mais solenes e complexos que p processo legislativo
ordinário.

 Possuem exigências formais especiais: debates amplos, prazos, quorum


qualificado, podendo conter matérias insuscetíveis de modificação (
cláusulas pétreas).

 Adotada pela maioria dos Estados modernos.


 Obs.: Segundo Alexandre de Moraes quando uma
Constituição rígida contém pontos imutáveis ( cláusulas
pétreas) devem ser consideradas super-rígidas. (CF/88
art. 60 §4º)

 d) constituições semirígidas ou semiflexíveis: são as que


contêm uma parte rígida e outra flexível.

 e) constituições flexíveis ou plásticas: reduzem-se as


normas legais, não possuindo nenhuma supremacia sobre
as demais.

 Assim, as leis criadas pelo Parlamento passam a ter o


mesmo valor das leis constitucionais, as quais podem ser
distinguidas, não pela foram de sua elaboração, mas pelo
seu conteúdo.
 7) Quanto à extensão

 a) constituições concisas/ breves/sumárias/sucintas/


básicas ou clássicas: são aquelas que contêm apenas
princípios gerais ou que enunciam regras básicas de
organização e funcionamento do sistema jurídico
estatal.
 Ex: Constituição norte-americana.

 b) constituições prolixas/ analíticas ou


regulamentares: contêm matérias que, por sua
natureza, são alheias ao direito constitucional.
Tratam ora de minúcias de regulamentação, ora
regras pertinentes ao campo da legislação ordinárias.
 8) Quanto à função ou estrutura:

 a) constituição-garantia ( Constituição-quadro, estatutária ou


orgânica): é concebida como estatuto organizatório, como
simples instrumento de governo, responsável pela definição de
competências e regulação de processos.

 b) constituições programáticas (diretiva ou dirigente): contem


normas definidoras de tarefas e programas de ação a serem
concretizados pelos poderes públicos.

 C) constituição-balanço ( Constituição registro): é aquela que


descreve e registra, periodicamente, o grau de organização
política e das relações reais de poder.
 Adotada pela extinta União Soviética de tempos em tempos fazia
um balanço do estágio em que se encontra a evolução para o
socialismo.
 9) Quanto à dogmática

 a) constituições ortodoxas: são as que adotam


apenas uma ideologia política informadora de
suas concepções, afastando o pluralismo. EX:
Constituição Chinesa de 1982.

 b) constituições ecléticas (compromissórias,


compósitas ou heterogêneas): são aquelas que
procuram conciliar ideologias opostas. Pluralista.
 10) Quanto à origem da decretação:

 a) autoconstituição: é elaborada por órgãos


do próprio Estado que irá organizar
(decretada de dentro do Estado);

 b) heteroconstituição: quando decretada de


fora do Estado, seja por uma organização
internacional, seja por outros Estados.
 11) Quanto ao conteúdo ideológico:

 a) Constituições liberais (negativas): exigem uma


abstenção estatal, consagram garantias de
liberdade.

 b)Constituições sociais: estão consagrados não


apenas direitos ligados à liberdade, mas também
direitos sociais, econômicos e culturais, ligados à
igualdade, cuja implementação exige uma
atuação positiva do Estado.
 12) Quanto à finalidade

 Partindo a análise da pretensão constitucional de ser


um instrumento definitivo ou de transição:

 a) pré-constituição/ constituição provisória ou


constituição revolucionária: tem por finalidade definir
o regime de elaboração e aprovação da Constituição
formal e estruturar o poder político, eliminando os
resquícios do antigo regime.

 b) constituição definitiva ( ou de duração indefinida


para o futuro: produto final do processo constituinte.
 13) Quanto à legitimidade do conteúdo
constitucional:

 a) constituição semântica: apenas uma constituição


de fachada, meramente formal, por não consagrar
um conteúdo mínimo de bondade e justiça;

 b) constituição normativa: é qualificada como um


conceito de valor (dever-ser), sendo composta por
um conjunto de normas que garantem os direitos e
liberdades, impõem limites aos poderes e
estabelecem a representatividade do governo.
 14) Classificação Ontológica – Karl
Loewestein
 É baseada na concordância das normas
constitucionais com a realidade do processo
do poder, a partir da premissa de que a
Constituição é aquilo que os detentores e
destinatários do poder fazem dela na prática.
 a) constituição normativa: a constituição
para ser efetiva terá que ser observada por
todos os interessados e terá que estar
integrada na sociedade estatal e esta nela.
 b) constituição nominal: a função primária da
constituição nominal é educativa, seu objetivo é,
em um futuro mais ou menos distante,
converter-se em uma constituição normativa e
determinar realmente a dinâmica do processo de
poder no lugar de se submeter a ele.

 c) constituição semântica: é a utilizada pelos


dominadores de fato, visando sua perpetuação
no poder. A Constituição se destina não à
limitação do poder político, mas a ser um
instrumento para estabilizar e eternizar a
intervenção destes dominadores.
 A Constituição brasileira de 1988 é
classificada por alguns como normativa
(Pedro Lenza) e por outros como nominal
(Bernardo Fernandes).
 A atual Constituição brasileira pode ser classificada como:

 Escrita;
 codificada;
 democrática;
 dogmática;
 formal;
 rígida ou super-rígida;
 prolixa;
 dirigente;
 eclética;
 autoconstituição;
 social;
 definitiva.