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Gases Industriais

Hidrogênio e Gás de Síntese

● Letícia Lara
● Mateus Vomlel
● Natalia Rezende
● Pamela Bruna
Gases Industriais
❖ São grupos de gases fabricados e vendidos em indústrias
ou até mesmo a um consumidor final, que desempenham
diversas funções em diferentes processos. São utilizados
em uma gama extensa de aplicações, como siderurgia,
âmbito hospitalar, entre outros.

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Principais gases da indústria
● Acetileno;
● Argônio;
● Dióxido de Carbono;
● Dióxido de Enxofre;
● Gás de Síntese;
● Hélio;
● Hidrogênio;
● Monóxido de Carbono;
● Nitrogênio;
● Óxidos Nitrosos;
● Oxigênio.
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Hidrogênio

Figura 1: Representação da molécula


de gás Hidrogênio.
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Hidrogênio

❖ O Hidrogênio é o elemento mais abundante de


todo o universo;

❖ É o quarto elemento mais abundante na Terra,


encontrado na forma de compostos químicos tais
como hidrocarbonetos e água.

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História
❖ 1493–1541: Foi o primeiro gás produzido artificialmente
por Paracelso por meio da reação química entre metais
e ácidos fortes;
❖ 1766: Henry Cavendish foi o primeiro a reconhecer o
gás hidrogênio como uma discreta substância, ao
identificar o gás de uma reação ácido-metal como "ar
inflamável" e descobrindo mais profundamente, em
1781, que o gás produz água quando queimado.
6
História

❖ 1783: Antoine Lavoisier deu ao elemento o nome de


hidrogênio (do grego (hydro), água e (genes), gerar)
ao reproduzir a descoberta de Cavendish, onde água
é produzida quando hidrogênio é queimado.

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Aplicações

❖ Os primeiros dirigíveis usavam


hidrogênio como seu gás de
impulsão.

Figura 2: Dirigível Hindenburg, 1936.

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Aplicações

❖ Célula a combustível:

Transforma energia química em


energia elétrica. O hidrogênio é o
único combustível que
proporciona correntes de
interesse prático.
Figura 3: Protótipos de células a
combustível da SAFCell

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Aplicações

❖ Indústria Petroquímica e Refino:

As modernas refinarias precisam do


hidrogênio para processos de
hidrotratamento e de
hidrocraqueamento.

Figura 4: Indústria de Refino.

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Fabricação

❖ O hidrogênio é obtido quase que exclusivamente de


hidrocarbonetos e água. Estes materiais são
decompostos pela energia, que pode ser elétrica,
química ou térmica.

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Fabricação

Fluxograma 1: Obtenção e aplicação do H2


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Fabricação
Via fontes renováveis

❖ Método eletrolítico;

Vias não renováveis

❖ Gaseificação do carvão;
❖ Processo de reforma a vapor.

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Método eletrolítico

❖ Produz hidrogênio de elevada pureza ( 99,7% );


❖ A eletrólise da água consiste na quebra de sua
molécula em hidrogênio e oxigênio de acordo com a
seguinte equação:

2 H2O(L) eletricidade 2H2(g) + O2(g)

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Método eletrolítico

❖ O hidrogênio se concentra
no cátodo e o ânodo atrai
o oxigênio.
❖ São necessárias tensões
de aproximadamente 2,0 a
2,5 V.
Figura 5 : Sistema empregado para eletrólise
da água.
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Método eletrolítico

❖ Produção de aproximadamente 198 (L) de H2 por


KW/H ;
❖ Sistema de alto custo;
❖ Tecnologia limpa e não poluente.

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Processo de Gaseificação
❖ É a conversão da biomassa, ou de um
combustível sólido, em um gás
energético, através da oxidação
parcial a temperaturas elevadas.

❖ O principal produto da gaseificação é


uma mistura de gases: CO, H2, CO2, Figura 6: Representação de um Gaseificador
CH4, S.
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Processo de Gaseificação

Uma instalação de gaseificação é constituída por:


❖ pré-processamento
❖ gaseificador
❖ tratamento do gás
❖ sistema de controle
❖ tratamento dos resíduos

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Gaseificação do Carvão
❖ Atualmente, o carvão constitui ainda uma das maiores fontes de
energia no mundo, sendo utilizado como combustível na produção de
eletricidade e calor e, em menor escala, na manufatura do coque.

Figura 7: Depósitos de carvão mineral. Figura 8: Carvão Mineral.


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Gaseificação do Carvão

As principais reservas de carvões brasileiros estão localizadas na


região Sul, nos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina:

❖ Os carvões gaúchos são do tipo sub-betuminoso, apresentando


elevado teor de cinzas e médio a baixo teor de enxofre.
❖ Os carvões catarinenses são betuminosos, com alto teor de
cinzas e de enxofre.
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Gaseificação do Carvão

A gaseificação de carvão mineral pode ser desenvolvida em


três tipos de reatores principais:

❖ Leito móvel
❖ Leito arrastado
❖ Leito fluidizado

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Gaseificação do Carvão

❖ Processo Lurgi

O processo Lurgi ocorre num


gaseificador de leito móvel, a pressões
de até 30 atm.

Figura 9: Gaseificador Lurgi.

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Gaseificação do Carvão

❖ Processo Koppers-Totzek

Este gaseificador é o mais


importante dos reatores de leito
arrastado. Trabalha a pressão
atmosférica e a uma maior
temperatura.
Figura 10: Gaseificador Koppers-Totzek

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Gaseificação do Carvão

❖ Processo Winkler

Gaseifica-se o carvão mineral, num


leito fluidizado, com vapor de
água e oxigênio à pressão
atmosférica.

Figura 11: Gaseificador Winkler


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Gaseificação do Carvão
❖ As composições típicas dos gases obtidos são as seguintes:

Tabela 1: Composição (base seca), % molar

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Purificação do hidrogênio
Remoção do dióxido de carbono e do sulfeto de hidrogênio:

❖ Processo da monoetanolamina (MEA);


❖ Processo de carbonato de potássio a quente;
❖ Processos de solubilização em solventes.

Remoção de H2O, CH4, C2H6, CO, Ar e N2:

❖ Adsorção com alternância térmica;


❖ Adsorção com alternância de pressão;
❖ Purificação criogênica em fase líquida. 26
Processo de reforma a vapor
❖ Método mais comum de produção de H2 em indústrias
químicas.
❖ Produtos com altas concentrações de H2.

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Processo de reforma a vapor
Matéria prima

❖ A conversão em outra forma de energia deve ser fácil para


o uso final.
❖ Deve ter alta eficiência.
❖ Deve ser seguro.

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Processo de reforma a vapor

Tabela 2: Matéria prima e processo.

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Processo de reforma a vapor

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Figura 12: Fluxograma da obtenção do hidrogênio a partir do propano. 31
Figura 13: Reator de reforma
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Armazenamento e transporte do hidrogênio
❖ O hidrogênio tem a menor densidade no estado gasoso e o
segundo ponto de ebulição.

❖ O hidrogênio pode ser armazenado em alta pressão, no estado


líquido em contêineres criogênicos, ou quimicamente ligados a
certos metais.

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Armazenamento e transporte do hidrogênio

As principais formas de se armazenar hidrogênio são:

❖ Reservatórios de Gás Hidrogênio Comprimido;


❖ Reservatórios para Hidrogênio Líquido;
❖ Hidretos Metálicos;
❖ Adsorção de Carbono;

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Armazenamento e transporte do hidrogênio

❖ Reservatórios de Gás Hidrogênio Comprimido

Sistemas de armazenamento de gás em


alta pressão são os mais comuns e
desenvolvidos para armazenamento de
hidrogênio.

Figura 15: Cilindro contendo


hidrogênio.
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Armazenamento e transporte do hidrogênio

❖ Reservatórios para Hidrogênio Líquido

Para atingir o estado líquido o hidrogênio


deve estar abaixo do seu ponto de ebulição
(-253 °C) na pressão ambiente num tanque
muito bem isolado.

Figura 16: Container criogênico.


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Armazenamento do hidrogênio

❖ Hidretos Metálicos
Alguns metais absorvem o
hidrogênio gasoso sob
condições de alta pressão e
Figura 17: Hidreto metálico.
temperatura moderada para
formar os hidretos metálicos.

Figura 18: Absorção de hidrogênio


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em hidretos metálicos.
Armazenamento e transporte do Hidrogênio

❖ Adsorção de Carbono

Certas estruturas de carbono, como


as nanofibras e os nanotubos de
carbono, têm uma grande
capacidade de adsorver hidrogênio. Figura 19: Nanotubos de carbono

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Armazenamento e transporte do Hidrogênio
❖ O transporte e distribuição do hidrogênio podem ocorrer
através de uma variedade de modelos de fornecimento via
gasoduto, via transporte rodoviário e ferroviário para volumes a
granel, produção no local e cilindros.

Figura 20: Exemplo de gasoduto. Figura 21: Transporte do hidrogênio pela Air Products. 39
Gás de síntese

Figura 22: Empregos do gás de síntese

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História
❖ A primeira vez que uma
máquina foi criada para a
produção específica
desse gás foi em 1920,
criada pelo francês
Georges Imbert.

Figura 23: George Imbert,


inventor da máquina de
gasogênio 41
Figura 25: Jornais abordando o uso de Gás de síntese como combustível, no Brasil.
42
Gás de Síntese:
❖ A sua composição final, irá depender a que fim o gás de
síntese será destinado e por meio de qual processo ele foi
obtido, variando em concentrações atômicas de H2 e CO.

Tabela 3: Gás de síntese em diferentes estruturas moleculares, e aplicações 43


Produção do Gás de Síntese

 Pode ser particionada em 4 etapas, para produção via


gaseificação.

 Processo semelhante à produção de gás hidrogênio por


reforma a vapor.

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Produção do Gás de Síntese
 Etapas:
• Secagem;
• Pirolise;
• Combustão;
• Gaseificação.

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Produção do Gás de Síntese
❖ Na secagem, é removida a água do combustível a ser
usado;
❖ Na pirólise, ocorre a vaporização das partes voláteis, e
fragmentação das partículas sólidas, em torno de 300ºC.
❖ Combustão é a etapa endotérmica onde energia é
transferida à produção do gás, reduzindo a parcela de CO e
ampliando a parcela de hidrogênio, esta pode ser
alimentada pelo próprio gás de síntese, ocorre em até
700ºC.
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Produção do Gás de Síntese
 Equações para a combustão:

2C + O2 ⇌ 2CO + 58 000 cal por mol (44g).


C + O2 ⇌ CO2 + 97 000 cal por mol.
2CO + O2 ⇌ 2CO2 + 136 000 cal por mol.
CO2 + C ⇌ 2CO - 38 000 cal por mol.

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Produção do Gás de Síntese
 Quando vapor d’água é adicionado à combustão,
quantidades significativas de hidrogênio são produzidas.
C + H2O ⇌ CO + H2 ⇌ - 28 000 cal por mol.
C + 2H2O ⇌ CO2 + 2H2 - 18 000 cal por mol.
CO + H2O ⇌ CO2 + H2 + 9 400 cal por mol.

 E a etapa de gaseificação, etapa em que os


hidrocarbonetos reagem com o agente gaseificante,
podendo contar com uso de catalisador, gerando CO e H2.
Ocorre acima de 700ºC 48
 A reforma auto térmica combina a oxidação parcial
(combustão) com a reforma a vapor em um reator,
impulsionando o processo endotérmico, que foi
desenvolvido pela empresa Haldor Topsøe no final dos
anos 50.
 Ideal para sintetizar ácido acético, éter dimetílico e
policarbonatos, a partir da reforma de CH4, e CO2.
 A utilização de níquel e metais nobres como: Rh, Pd, Pt, Ru
como catalisadores é viável,que por apresentarem alta
estabilidade, excelente atividade e seletividade tornaram-
se bastante atrativos para os métodos de conversão de gás
natural.
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Fluxograma Haldor-Topsoe, reforma autotérmica Gas to liquid

Figura 26: Fluxograma Haldor-Topsoe.


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Empregos do gás de síntese
❖ O gasogênio pode ser empregado a diversos fins, dentre
eles: Hidrotratamento e Hidrocraqueamento em refinarias
de petróleo, síntese de amônia, uso na Reação FT para
síntese de alcenos, síntese de metanol e álcoois de maior
peso molecular, síntese de aldeídos, ácido fórmico, ácido
acético, éter dimetílico e hidrocarbonetos.
❖ Produção de combustíveis gasosos à ceras.

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Figura 27: Válvula termostática

Figura 28: Célula de gás de síntese.

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Química Fischer-Tropsch
 É um processo químico para produção de hidrocarbonetos
líquidos (gasolina, querosene, gasóleo e lubrificantes) a
partir do gás de sintese.

 Surgiu em 1920 na Alemanha, e teve grande emprego a


partir de 1936 para suprir escassez de petróleo, pelo uso de
gás de síntese produzido a partir carvão mineral.

 A produção FT representou 9% da produção de


combustíveis estimada na guerra alemã e 25% de
combustível para automóvel naquela época. 53
Química Fischer-Tropsch

Gás de síntese para produção de hidrocarbonetos, via Fischer-Tropsch

 Condições da reação FT:


• Elevadas pressões favorecem a formação de alcanos de
cadeia longa.
• É operado na faixa de temperatura de 150-300°C, pois
temperaturas elevadas favorecem a produção de CH4.
• Pode ser usado para síntese de diversos hidrocarbonetos, de
gases, até ceras. 54
 As reações principais de Fischer-Tropsch são:
• Adsorção de CO sobre a superfície do catalisador;
• Início de polimerização mediante formação de radical
metilo (por dissociação do CO e hidrogenação);
• Polimerização por condensação (adição de CO e H2 e
liberação de água);
• Terminação(cessa a formação de intermediários)
• Dessorção do produto.
 A velocidade de reação está limitada pela polimerização
por condensação. 55
Figura 29: Fluxograma de produção do gasogênio, e produto final de emprego do
gás de síntese 56
Conclusão

Hidrogênio
❖ Decréscimo dos combustíveis e a poluição;
❖ Energia contida em 1 kg de hidrogênio é três vezes maior
do que a energia contida em 1 kg de gasolina;
❖ 96% da produção atual de hidrogênio é realizada através
da reforma de hidrocarbonetos

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Conclusão

Gás de Síntese
❖ Grande importância histórica
❖ Gama de utilidades extensa
❖ Flexibilidade energética

Ambos os gases (gasogênio e hidrogênio) apresentam


grande evolução em sua síntese e aplicabilidade desde
suas descobertas.
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Referências Bibliográficas
• Armazenamento de Hidrogênio. Disponível em:
http://ambientes.ambientebrasil.com.br/energia/celula_combustivel/
armazenamento_de_hidrogenio.html.
• Carvão Mineral. Disponível em:
https://www.todoestudo.com.br/geografia/carvao-mineral.
• Gás de síntese. Disponível em:
https://pt.wikipedia.org/wiki/G%C3%A1s_de_s%C3%ADntese.
• Fischer-Tropsch. Disponível em:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Processo_de_Fischer-Tropsch

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Referências Bibliográficas

• Antônio C. C. de Souza e José L Silveira.Ensinando os princípios


básicos da reforma a vapor para a produção de hidrogênio. Uep, 2004.
• SHREVE, R. Norris; Brink Jr, Joseph A. Indústria de processos químicos.
4ª edição. Gen, 1997.
• Gasogênio. Disponível em:
https://www.infoescola.com/combustiveis/gasogenio/.
• José Marcelo Cagemi. Gases industriais.Unifeb, 2012.

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