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A CIVILIZAÇÃO DO RENASCIMENTO

JEAN DELUMEAU
DELUMEAU, JEAN. A CIVILIZAÇÃO DO RENASCIMENTO. V. I. LISBOA:
ESTAMPA, 1994. P. 121

 “Enquanto se afirmavam as nações da Europa, tal como o principio e a realidade da monarquia absoluta, enquanto
as viagens e conquistas de além-mar transformavam as correntes e o ritmo da economia e a arte e a cultura –
raças ao melhor conhecimento da Antiguidade e também a maior atenção prestada ao mundo exterior e a
técnicas mais seguras – se orientavam para percorrer novos caminhos, como não havia a mutação geral da
sociedade, agora mais activa, mais urbanizada e mais instruída, mais laica do que nos séculos XlI e XIII, de atingir
em profundidade a própria religião – uma religião que informava toda a vida quotidiana e que penetrava no
coração de cada um? No meio de pestes terríveis, de repetidas guerras e de aflitivas lutas civis, numa Europa
Ocidental e Central abalada par brutais reviravoltas da conjuntura econômica, a Igreja de Cristo parecia navegar à
deriva para o abismo. Mas o século XVI viu-a recuperar e, ao mesmo tempo, quebrar-se e mostrar a luz do dia. O
escandaloso espectáculo do ódio entre os seus filhos.” (p. 121)
DELUMEAU, JEAN. A CIVILIZAÇÃO DO RENASCIMENTO. V. I. LISBOA:
ESTAMPA, 1994. P. 121

 O Cisma e a divisão do papado por 39 anos – a divisão da cristandade europeia entre o papa francês Clemente
VII e o papa italiano Urbano VI.

 O concílio de Constança – o desejo de pôr fim ao Cisma e também o combate à heresia de João Huss, bem
como de “reformar a Igreja na sua cabeça e nos seus membros”.
DELUMEAU, JEAN. A CIVILIZAÇÃO DO RENASCIMENTO. V. I. LISBOA:
ESTAMPA, 1994. P. 121

 “A vontade de reforma vinha, essencialmente, da base. [...]” (p. 123)

 “[...] Das solas dos pés ao cocoruto da cabeça, não há no corpo da igreja uma única parte sã.” (p. 121)

 “A partir do momento em que Frei Martinho – sem a mínima intenção de revoltar-se contra Roma - afixou, em
31 de Outubro de 1517, as suas 95 teses na porta da Igreja de Wittenberg, a fractura da catolicidade avançou com
desconcertante rapidez. [...]” (p. 126)
DELUMEAU, JEAN. A CIVILIZAÇÃO DO RENASCIMENTO. V. I. LISBOA:
ESTAMPA, 1994. P. 121

 “A morte de Lutero (1546) provocou no interior da confissão de Augsburgo uma crise que durou perto de
quarenta anos. Mas, quando o luteranismo já estava a perder a perder fôlego, Calvino· (1509-1564) deu nova vida
e nova força à Reforma. [...]” (p. 128)

 “A vontade de defesa da Igreja Romana, na verdade amputada mas não destruída, afirmou-se principalmente a
partir do reinado de Paulo III (l534-J549), Foi ele, com efeito, que aprovou os estatutos da Companhia de Jesus
(1540), que criou o Santo Ofício (1542), que convocou para Trento (1545) o concílio ecumênico que Lutero
pedira mas do qual o papado desconfiava por causa dos precedentes de Constança e de Basileia. [...]” (p. 129)
DELUMEAU, JEAN. A CIVILIZAÇÃO DO RENASCIMENTO. V. I. LISBOA:
ESTAMPA, 1994. P. 121

 “[...] O concílio, apesar de uma existência difícil – estendeu-se por dezoito anos e foi dissolvido duas vezes –
realizou uma obra considerável. Clarificou a doutrina, conservou as boas obras – ou seja, a liberdade – na obra da
salvação, conservou os sete sacramentos, afirmou com força a presença real na eucaristia, iniciou a redação de um
catecismo, obrigou os bispos a residir e os padres a pregar e decidiu a criação de seminários. Mas este concílio foi
também uma recusa de diálogo com os protestantes. definitivamente classificados como ‘heréticos’. [...]” (p. 129)

 “A criação do Index de uma obra cujo autor recebera, trinta anos antes, a oferta de um chapéu cardinalício – e
que Erasmo recusara para continuar livre – era um sinal dos tempos e um indicador, entre muitos outros, do
endurecimento de posições. [...]” (p. 131)

 Os príncipes representavam as nações e as novas formas religiosas significavam uma nova autonomia política.