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ASPECTOS BIOQUÍMICOS E

FISIOLÓGICOS DO TECIDO
ADIPOSO
Maria Aparecida Knychala
Paula Guimarães Rabelo
Rafaela Cristina dos Santos Peres

Junho de 2018
CONTEÚDO

• 1 – Anatomia, histologia, fisiologia


• 1.1 – Visão geral tecido adiposo propriedades e função
• 1.2 – Função
• 1.3 Origem
• 1.4 Classificação
• 1.4.1 Tecido adiposo branco unilocular WAT
• 1.4.2 Tecido adiposo multilocular marrom BAT

2 – O metabolismo do tecido adiposo


• 2.1 – Biossíntese de lipídeos - ácidos graxos, eicosanoides, triacilgliceróis e de fosfolipídios
de membrana
• 2.1.4 Colesterol, esteroides e isoprenóides: biossíntese, regulação e transporte
• 2.2 – Catabolismo dos ácidos graxos

3 – Hormônios
• 3.1 –Regulação da termogênese
• 3.2 – Hormônios do tecido adiposo
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TECIDO ADIPOSO OBSERVADO AO MICROSCÓPIO ÓPTICO


• É uma variedade especial de tecido conjuntivo no
qual se encontra o predomínio de células adiposas
(adipócitos), um tipo de célula que acumula gotículas
de lipídios em seu citoplasma
• Embaixo da pele, na hipoderme, modela a superfície
do corpo e ajuda no isolamento térmico do organismo
• Tem a importante função de servir como depósito de
energia: os triacilgliceróis (TGC) acumulados nos
adipócitos e usados para fornecer energia no intervalo
entre as refeições
• 20-25% do peso corporal nas mulheres e 15-20% nos
homens mas pode variar de 4% a >40%

JUNQUEIRA & CARNEIRO, 1999; Luo and Liu,2016


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TECIDO ADIPOSO: FUNÇÃO

• Regulação do metabolismo de forma


sistêmica – órgão endócrino
• Armazenamento de gordura, serve como
reserva energética do organismo
• Atua como isolante térmico, função
termogênica
• E indesejável em excesso – obesidade,
resistência à insulina DM2, dislipidemia
aterosclerose, esteatose hepática, HAS,
câncer

Luo and Liu, 2016; Divella et al 2016, Cozzo et al 2018


DISTRIBUTION OF WHITE AND BROWN/BEIGE ADIPOSE
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TISSUE IN ADULTS

• Subcutâneo x visceral
• Qual é o mais deletério?
WAT is organized into distinct depots, classified by
location as subcutaneous or intra-abdominal.
gluteal, and femoral, cranial, facial, behind the eye,
around joints, in MO, pericardial and within the
muscle, Intra-abdominal adipose tissue is located
within the peritoneum and includes the omental,
retroperitoneal, and visceral (mesenteric) fat.

BAT in adults exists as a heterogeneous tissue,


containing brown and beige adipocytes interspersed
with white adipocytes. BAT depots are located in the
cervical, supraclavicular, and paravertebral regions in
adults.

Hepler and Gupta, 2017; Luo and Liu,2016


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TECIDO ADIPOSO:
ORIGEM E CLASSIFICAÇÃO

• Bege induzido por estresse pelo frio ou por um


β3-adrenoceptores mitocôndrias morfologia
multilocular, dissipam energia armazenada sob a
forma de calor e expressão positiva de UCP1
localizado no interior mitocondrial e desacopla a
oxidação da síntese de ATP
• marrom
• Diferem na origem, morfologia, quantidade de
mitocôndrias e expressão termogênica
• Localiza-se em áreas determinadas, A
encontrados em grande quantidade em animais
hibernantes e em recém nascidos que ajudam
na formação de calor (termorregulação)
• Tem como principal função gerar calor

Ikeda, Maretich, Kajimura, 2018; Luo and Liu,2016


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TECIDO ADIPOSO:
ORIGEM E CLASSIFICAÇÃO

• Pré adipócitos, que por sua vez têm origem a


partir de células mesenquimais, macrófagos,
células endoteliais, fibroblastos e leucócitos
• Branco: adipócitos com tamanho de 25-30
micrometros e armazena energia extra como
TCGs
• Bege - intercalado
• Marrom
• Diferem na origem, morfologia, quantidade de
mitocôndrias e expressão termogênica

Luo and Liu,2016; Rodriguez et al, 2015; Divella et al 2016


TECIDO ADIPOSO OBESIDADE INFLAMAÇÃO 8

• Hipertrofia e hiperplasia de
adipócitos induzem uma
cascata inflamatória e
acúmulo de células imunes,
ativação de leucócitos,
células endoteliais
acopladas à angiogênese,
adipogênese e morte de
adipócitos.

Divella et al 2016
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OBESIDADE E CÂNCER

Os diferentes mecanismos que


ligam a obesidade e câncer.
O excesso de tecido adiposo está
relacionado às alterações das
concentrações lipídicas na
circulação, aos níveis de oxigênio
reativo das espécies e à secreção
de adipocinas e hormônios
circulantes. A hipertrofia e a hipóxia
do tecido adiposo causam
inflamação crônica. Assim, citocinas
secretadas por tecido adiposo
inflamado, produção de fatores
angiogênicos, infiltração de
macrófagos M1 e resistência à
insulina associada à obesidade
podem favorecer a estimulação de
um microambiente favorável à
tumorigênese.
Divella et al 2016
TECIDO ADIPOSO:
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CLASSIFICAÇÃO

• Branco: Unilocular, poucos mitocôndrias, baixa taxa oxidativa


• células apresentam uma única gotícula de gordura predominante, que preenche quase todo o seu citoplasma ficando
o núcleo periférico. Ele é também conhecido como tecido adiposo comum ou amarelo, apesar de que sua cor varia
entre o branco e o amarelo-escuro. Essa variação na coloração é explicada pelo acúmulo de carotenoides dissolvidos
na gordura, que pode oscilar dependendo da dieta
• Forma o panículo adiposo, camada de gordura disposta sob a pele
• RN é de espessura uniforme, já em adultos o acúmulo é em determinadas posições, sendo a distribuição regulada por
hormônios

• Sintetiza moléculas como leptina e adiponectina


• Leptina  hormônio que participa da regulação da quantidade de tecido adiposo no corpo e na ingestão de
alimentos

• Branco adipócitos com tamanho de 25-30 micrometros


• marrom quantidade maior de mitocôndrias
• Bege morfologia multilocular, expressão positiva de UCP1 – proteína não acopladora – função termogênica – nova
estratégia de combate a obesidade e doenças metabólicas como resistência à insulina

JUNQUEIRA, Luiz Carlos Uchôa & CARNEIRO, José (1999). Histologia Básica 9ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. 474 páginas. ISBN 8527705168
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TECIDO ADIPOSO:
CLASSIFICAÇÃO

• Adipócitos marrons (BAT) têm origem


dos precursores Myf5+ linhagem
esquelética de músculos
• Formado por células que contêm
várias gotículas de gordura, ou seja,
possui vários vacúolos de gordura e
várias mitocôndrias, núcleo
localizado centralmente, multilocular
• Sua cor castanha é devido à
vascularização abundante e às
numerosas mitocôndrias, que fazem
gerar energia mais rápido

Ikeda, Maretich, Kajimura, 2018 ; Luo and Liu,2016


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LINHAGENS DE DESENVOLVIMENTO DE ADIPÓCITOS TERMOGÊNICOS

• Os adipócitos castanhos clássicos diferenciam-


se durante o desenvolvimento embrionário de
um subconjunto de precursores da derme e
músculos que expressam En1, Myf5 e Pax7
• O desenvolvimento de adipócitos beges em
depósitos WAT subcutâneos são estimulados por
estímulos endógenos e ambientais, incluindo
aclimação crônica ao frio, exercícios, ligantes
de PPARγ, lesões dos tecidos e caquexia
relacionada ao câncer
• Quando os estímulos externos são retirados, os
adipócitos beges recrutados adquirem
diretamente um fenótipo de gordura branca
com gotículas lipídicas uniloculares e sem
expressão de UCP1

Ikeda, Maretich, Kajimura, 2018


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METABOLISMO LIPÍDICO
• Ocorre no fígado, estes lipídios são provenientes de duas fontes: dos
alimentos ingeridos e da reserva orgânica
• Diariamente, nosso corpo produz cerca de 25g-105g de lipídios
• Estes lipídios estão geralmente sob forma de triacilgliceróis (TCG)
• O armazenamento de ácidos graxos na forma de TCG é o mais eficiente e
quantitativamente mais importante do que o de carboidratos na forma de
glicogênio.
• sinalização da necessidade de energia metabólica, promove-se a
liberação destes TCG com o objetivo de convertê-los em ácidos graxos
livres, os quais serão oxidados para produzir energia
• Outras formas de lipídio: fosfolipídios, o colesterol e as vitaminas lipossolúveis

JUNQUEIRA, Luiz Carlos Uchôa & CARNEIRO, José (1999). Histologia Básica 9ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. 474 páginas. ISBN 8527705168
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METABOLISMO LIPÍDICO
• Os TCG + fosfolípides + colesterol e seus ésteres + ácido graxos livres +
vitaminas lipossolúveis reagem no REL com proteínas, formando partículas
estáveis denominadas quilomícrons. A partir do próprio REL, forma-se um
vacúolo que engloba os quilomícrons. Estes vacúolo então se abrem para o
espaço extracelular e os seus conteúdos são captados pela linfa,
penetrando pelo ductos lactíferos e vasos linfáticos, chegando ao ducto
torácico e despejando-os na corrente circulatória venosa (os quilomícrons
não entram no sangue portal porque são demasiadamente grandes para
penetrar nos capilares intestinais).

• Uma vez na circulação, os quilomícrons passam através dos sinusóides


hepáticos, que possuem descontínua, caem no espaço de Disse e são
ofertados à vilosidades dos hepatócitos.

JUNQUEIRA, Luiz Carlos Uchôa & CARNEIRO, José (1999). Histologia Básica 9ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. 474 páginas. ISBN 8527705168
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METABOLISMO LIPÍDICO
• Dos quilomícrons, o hepatócito remove os TCGs, hidrolisando-os em ácidos
graxos livres e glicerol
• Ácidos graxos livres (AGL) são usados para o metabolismo energético ou
são esterificados no RER, onde são conjugados, formando lipoproteínas que
são exportadas pelo hepatócito e utilizadas por outros órgão.
• Fosfolípides sintetizados no hepatócito pela esterificação de grupos hidroxila
do glicerol para ácido fosfórico e ácidos graxos; eles dão estabilidade à
molécula lipoprotéica, além de serem importantes na formação das
membranas celulares.
• Os TCG no RER podem ainda servir como fonte energética, ao serem
convertidos em colesterol e ésteres que, incorporando fosfolípides, são
oxidados em corpos cetônicos.

JUNQUEIRA, Luiz Carlos Uchôa & CARNEIRO, José (1999). Histologia Básica 9ª ed.
Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. 474 páginas. ISBN 8527705168
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METABOLISMO LIPÍDICO
• Os quilomícrons são também ofertados aos adipócitos após serem
convertidos em ácidos graxos livres e glicerol pela ação de lipases
lipoprotéicas existentes nas células endoteliais dos capilares, abundantes no
tecido adiposo
• O glicerol é ofertado ao fígado onde é reutilizado

JUNQUEIRA, Luiz Carlos Uchôa & CARNEIRO, José (1999). Histologia Básica 9ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. 474 páginas. ISBN 8527705168
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METABOLISMO LIPÍDICO
• A biossíntese requer a participação de um intermediário de três carbonos,
a malonil-CoA, que não está envolvido na degradação dos ácidos graxos

• Via de síntese dos ácidos graxos


• Regulação da via e biossíntese dos ácidos graxos de cadeia mais longa,
dos ácidos graxos insaturados e dos seus derivados eicosanoides

Nelson & Cox 6.ª Ed. 2013


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REGULAÇÃO DA SÍNTESE DOS ÁCIDOS GRAXOS

Nas células de vertebrados, tanto a regulação alostérica


como a modificação e covalente dependente de
hormônios influenciam o fluxo dos precursores para a
formação de malonil-CoA
Além da regulação momento a momento da atividade
enzimática, essas vias são reguladas no que se refere à
expressão gênica.

Quando ocorre ingestão de excesso de ácidos graxos


poli-insaturados, a expressão de genes que codificam
enzimas lipogênicas no fígado é suprimida. A regulação
desses genes é mediada por uma família de receptores
proteicos nucleares chamados PPAR

Nelson & Cox 6.ª Ed. 2013


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MODO DE AÇÃO DOS PPAR

• Proteínas de uma família de fatores de


transcrição ativados por ligantes, receptores
ativados por proliferadores de peroxissomos
(PPAR) respondem a mudanças nos lipídeos
por expressão de genes envolvidos no
metabolismo de gorduras e de carboidratos

Nelson & Cox 6.ª Ed. 2013


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METABOLISMO LIPÍDICO
• PPAR – Receptores ativado peroxissomo proliferativo – membro da
superfamília de receptores nucleares - reguladores mestres da
adipogênese
• Deficiência na expressam resulta em lipodistrofia
• Alvo terapêutico no tratamento de obesidade e doenças relacionadas
• Tiazolidinedionas agonistas de PPARγ melhoram a sensibilidade à insulina e
o controle glicêmico

Luo and Liu,2016


INTEGRAÇÃO METABÓLICA PELOS 21

PPAR

As isoformas do PPAR regulam a homeostasia


da glicose e dos lipídeos por meio de efeitos
coordenados sobre a expressão gênica no
fígado, no músculo e no tecido adiposo

PPAR α e PPAR δ, PPARβ regulam a utilização


dos lipídeos

PPAR γ regula o armazenamento dos lipídeos


e a sensibilidade de vários tecidos à insulina

Nelson & Cox 6.ª Ed. 2013


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REGULAÇÃO DA SÍNTESE DE TRIACILGLICERÓIS PELA INSULINA

Insulina estimula a conversão dos carboidratos e das


proteínas da dieta em gordura

Diabetes mellitus tipo 1 (precisam de insulina)


Ou tipo 2 (são insensíveis)

Diminuição da síntese de ácidos graxos, e a acetil-


CoA proveniente do catabolismo dos carboidratos e
das proteínas é desviada para a produção de corpos
cetônicos

Pessoas com cetose grave exalam cheiro de


acetona, de modo que essa condição é, às vezes,
confundida
com embriaguez

Nelson & Cox 6.ª Ed. 2013


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CICLO DO TRIACILGLICEROL - TCG

As moléculas de TCG são degradadas e


ressintetizadas em um ciclo durante o jejum

Parte dos ácidos graxos liberados pela lipólise dos


TCG no tecido adiposo passa para a corrente
sanguínea e o restante é utilizado para ressintetizar
TCG.

Ácidos graxos liberados no sangue são utilizados para


fornecer energia (p. ex., no músculo)

No fígado são utilizados para a síntese de TCG

É transportado pelo sangue de volta ao tecido


adiposo, onde os ácidos graxos são liberados pela
lipase lipoproteica extracelular (hormônios glucagon
e adrenalina)

captados pelos adipócitos e reesterificados em TCG

Nelson & Cox 6.ª Ed. 2013


REGULAÇÃO DA GLICERONEOGÊNESE 24

Os hormônios glicocorticoides estimulam a gliceroneogênese e a


gliconeogênese no fígado, enquanto suprimem a gliceroneogênese no
tecido adiposo (pela regulação recíproca do gene que expressa a PEP- DM 2 AGL elevados no sangue interferem com a utilização da glicose nos
carboxicinase [PEPCK] no tecido adiposo e fígado, aumentando o fluxo músculos e promovem RI
pelo ciclo do TCG
Tiazolidinedionas ativam um receptor nuclear chamado de receptor ativado
Glicerol formado pela degradação dos triacilgliceróis no tecido adiposo é por proliferador do peroxissomo γ (PPAR-γ), que induz a atividade da
liberado no sangue e transportado para o fígado, onde é convertido, em PEPcarboxicinase.
glicose, e parte é convertida em glicerol-3-fosfato pela glicerol-cinase
Elevam a velocidade da gliceroneogênese, aumentando a síntese de TCG no
Nelson & Cox 6.ª Ed. 2013
tecido adiposo e reduzindo a quantidade de AGL na corrente sanguínea
BIOSSÍNTESE DA
FOSFATIDILSERINA ATÉ FOSFATIDILETANOLAMINA 25

E FOSFATIDILCOLINA

Nelson & Cox 6.ª Ed. 2013


BIOSSÍNTESE DE COLESTEROL 26

➊ condensação de três unidades de acetato, formando um


intermediário de seis carbonos, mevalonato

➋ conversão do mevalonato em unidades de isopreno ativadas

➌ polimerização das seis unidades de isopreno com 5 carbonos,


formando o esqualeno linear, com 30 carbonos

➍ ciclização do esqualeno para formar os quatro anéis do núcleo


esteroide, com uma série de mudanças adicionais (oxidações,
remoção ou migração de grupos metil)

é catalisada inicialmente por uma monoxigenase com o co-


substrato NADPH e posteriormente por ciclase e o produto é
ciclizado na etapa seguinte, formando o colesterol

As unidades isoprenóides estão demarcadas pelas linhas tracejadas


em cor-de-rosa

Nelson & Cox 6.ª Ed. 2013


DESTINOS METABÓLICOS DO 27
COLESTEROL
Os ésteres de colesterol são formados no fígado pela ação da acil-CoA-
colesterol aciltransferase (ACAT). Essa enzima catalisa a transferência de um
Onde ocorre a síntese ácido graxo da
do colesterol? coenzima A para o grupo hidroxil do colesterol, convertendo o colesterol em uma
forma mais hidrofóbica e evitando que eles entrem nas membranas
Como o colesterol é armazenado no fígado?
A esterificação converte
o colesterol em uma
forma
ainda mais hidrofóbica
para armazenamento e
Transporte

As modificações geram
um produto mais
hidrofóbico

Como o colesterol é
transportado no
sangue?
Nelson & Cox 6.ª Ed. 2013
LIPOPROTEÍNAS
E TRANSPORTE DOS LIPÍDEOS 28

Via exógena  dieta (azul)


1. Quem sintetiza os quilomícrons?
Via endógena ( vermelho)

A extração dos lipídeos da VLDL converte, gradualmente, parte da


VLDL
em LDL, que transporta o colesterol para os tecidos extra-
hepáticos ou de
volta para o fígado

Fígado capta LDL, remanescentes de VLDL (chamadas de


lipoproteínas de densidade intermediária, ou IDLs)

os remanescentes de quilomícrons por endocitose mediada por


receptor
O excesso de colesterol nos tecidos extra-hepáticos é
transportado de volta ao fígado como HDL pelo transporte reverso
do colesterol (roxo)

C representa colesterol
EC representa ésteres de colesterol

Nelson & Cox 6.ª Ed. 2013


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CAPTAÇÃO DO COLESTEROL
POR ENDOCITOSE MEDIADA
POR RECEPTOR

Como é a captação
do colesterol?

Nelson & Cox 6.ª Ed. 2013


A REGULAÇÃO DA FORMAÇÃO DE COLESTEROL
EQUILIBRA A SUA SÍNTESE COM A CAPTAÇÃO A 30
PARTIR DA ALIMENTAÇÃO E O ESTADO ENERGÉTICO

Insulina promove a desfosforilação


(ativação) da HMG-CoA redutase

Glucagon promove sua fosforilação


(inativação)

Proteína cinase dependente de AMP,


AMPK, quando ativada por baixa [ATP]
em relação a [AMP], fosforila
inativando-a.

Oxiesteróis metabólitos de colesterol


estimulam a proteólise por meio da HMG-
CoA redutase

Nelson & Cox 6.ª Ed. 2013


REGULAÇÃO DA SÍNTESE DE COLESTEROL POR SREBP PROTEÍNAS 31
DE LIGAÇÃO AOS ELEMENTOS REGULADORES DE COLESTEROL

Níveis de esterol diminuem, os sítios


SCAP proteína ativadora da clivagem de ligação esterol na Insig SCAP Age no núcleo, aumentando a transcrição de genes
e uma terceira proteína de estão desocupados, o complexo regulados por esterol Insig é direcionada para degradação
membrana, Insig pelo acoplamento de várias moléculas de ubiquitina.
migra para o Golgi e a SREBP é
(de insulin-induced gene protein)
SCAP e a Insig atuam como sensores clivada gerando um domínio
de esterol regulatório
(N e C representam as extremidades amino e carbóxi das proteínas)
Nelson & Cox 6.ª Ed. 2013
PAPEL DAS CÉLULAS ESPUMOSAS NA FORMAÇÃO DAS PLACAS 32

ATEROSCLERÓTICAS

Nelson & Cox 6.ª Ed. 2013


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HORMÔNIOS ESTEROIDES
DERIVADOS DO COLESTEROL

Nelson & Cox 6.ª Ed. 2013


ÁCIDOS GRAXOS

Ácidos Geração
Oxidação
graxos de energia

ATP
Elétrons
ÁCIDOS GRAXOS

Acetil-
Oxidada CoA
a CO2

Ciclo do
Ácido
cítrico

Conservação de energia
ÁCIDOS GRAXOS

• Triacilgliceróis

Combustíveis de armazenamento;
Alta energia de oxidação;
Insolúveis;
Armazenados em grandes quantidades nas células.
ÁCIDOS GRAXOS
• Triacilgliceróis Insolubilidade

Emulsificados antes de serem


digeridos por enzimas no
intestino
Carregados no sangue ligados à
proteínas que neutralizam a sua
insolubilidade

Coenzima A

Oxidação gradativa do grupo


β-oxidação acil graxo na posição C-3 ou β
DIGESTÃO, MOBILIZAÇÃO E TRANSPORTE DE
GORDURAS

NELSON, D.L. & COX, M.M.


LEHNINGER, 2014
DIGESTÃO, MOBILIZAÇÃO E TRANSPORTE DE
GORDURAS
Quilomícron

Apolipoproteínas

Proteínas de ligação a lipídeos no


sangue, responsáveis pelo transporte
de triacilgliceróis, fosfolipídeos,
colesterol e ésteres de colesterol entre
os órgãos. Atuam como sinalizadores
na absorção e no metabolismo do
conteúdo dos quilomícrons.

NELSON, D.L. & COX, M.M. LEHNINGER, 2014


DIGESTÃO, MOBILIZAÇÃO E TRANSPORTE DE
GORDURAS
Várias combinações de lipídeos e proteínas
produzem partículas de densidades
diferentes, variando de quilomícrons e
Ruim? lipoproteínas de densidade muito baixa
(VLDL), a lipoproteínas de densidade muito
alta (VHDL)
Bom?

Os remanescentes dos quilomícrons,


desprovidos da maioria dos seus TAG, mas
ainda contendo colesterol e apolipoproteínas,
se deslocam pelo sangue até o fígado

precursores para a síntese de corpos


oxidados para fornecer energia cetônicos
DIGESTÃO, MOBILIZAÇÃO E TRANSPORTE DE
GORDURAS

Mobilização dos
triacilgliceróis
armazenados no
tecido adiposo

Jejum

NELSON, D.L. & COX, M.M. LEHNINGER, 2014


DIGESTÃO, MOBILIZAÇÃO E TRANSPORTE DE
GORDURAS

• Os ácidos graxos são ativados e transportados para dentro das


mitocôndrias;
 Ciclo da carnitina (3 reações enzimáticas):
1ª reação: Formação de acil-CoA graxo (acil-CoA-sintetase)
Ácido graxo + CoA + ATP ↔ acil-CoA graxo + AMP + Ppi
2ª reação: Formação acil-graxo-carnitina (carnitina aciltransferase I)
Os ácidos graxos destinados à oxidação mitocondrial ligados ao grupo
hidroxil da carnitina;
3ª reação: (carnitina-aciltransferase II)
Acil-graxo é transferido da carnitina para a coenzima A intramitocondrial.
DIGESTÃO, MOBILIZAÇÃO E TRANSPORTE DE
GORDURAS
Acil-CoA graxo

Inibida pela
malonil-CoA
Entrada de ácido graxo na mitocôndria pelo transportador
acil-carnitina/carnitina.
NELSON, D.L. & COX, M.M. LEHNINGER, 2014
β-OXIDAÇÃO

Oxidação dos ácidos graxos de cadeia longa à


acetil-CoA

Geração de energia em muitos organismos e


tecidos

β-oxidação
β-OXIDAÇÃO

• Os elétrons retirados dos ácidos graxos durante a oxidação passam pela


cadeia respiratória síntese de ATP;
• A acetil-CoA produzida a partir dos ácidos graxos pode ser
completamente oxidada a CO2 no ciclo do ácido cítrico, resultando em
mais conservação de energia.

4 etapas
β-OXIDAÇÃO

Etapas da oxidação de ácidos


graxos saturados
VIA DA β-OXIDAÇÃO

NELSON, D.L. & COX, M.M. LEHNINGER, 2014


VIA DA β-OXIDAÇÃO

NELSON, D.L. & COX, M.M. LEHNINGER, 2014


VIA DA β-OXIDAÇÃO

NELSON, D.L. & COX, M.M. LEHNINGER, 2014


VIA DA β-OXIDAÇÃO

NELSON, D.L. & COX, M.M. LEHNINGER, 2014


VIA DA β-OXIDAÇÃO

Ciclo do ácido
cítrico
NELSON, D.L. & COX, M.M. LEHNINGER, 2014
β-OXIDAÇÃO

Gasto de 2 ATP Ganho líquido = 106 ATP


NELSON, D.L. & COX, M.M. LEHNINGER, 2014
OXIDAÇÃO DE ÁCIDOS
GRAXOS INSATURADOS

A maioria dos ácidos graxos nos TAG e


fosfolipídeos de animais e plantas é
insaturada, tendo uma ou mais ligações
duplas.

Ligações → configuração cis

Duas enzimas auxiliares são


necessárias para a β-
oxidação dos ácidos graxos
insaturados comuns: uma
isomerase e uma redutase
NELSON, D.L. & COX, M.M. LEHNINGER, 2014
OXIDAÇÃO DE ÁCIDOS GRAXOS
INSATURADOS

Ácido graxo
monoinsaturado

Qual seu nome popular?

NELSON, D.L. & COX, M.M. LEHNINGER, 2014


OXIDAÇÃO DE ÁCIDOS GRAXOS
INSATURADOS

Ácido graxo poli-


insaturado

NELSON, D.L. & COX, M.M. LEHNINGER, 2014


OXIDAÇÃO DE ÁCIDOS GRAXOS
DE CADEIA ÍMPAR

Ácidos graxos de cadeia ímpar

Ciclo do
ácido cítrico

NELSON, D.L. & COX, M.M. LEHNINGER, 2014


REGULAÇÃO DA SÍNTESE E DA DEGRADAÇÃO
DOS ÁCIDOS GRAXOS

NELSON, D.L. & COX, M.M. LEHNINGER, 2014


CORPOS CETÔNICOS
• O acetil-CoA formado no fígado durante a oxidação dos ácidos graxos
pode entrar no ciclo do ácido cítrico ou sofrer conversão a corpos
cetônicos para exportação a outros tecidos

Acetona → exalada

Transportados pelo sangue


para tecidos extra-
hepáticos onde são
convertidos a acetil-CoA e
oxidados no ciclo do ácido
cítrico
CORPOS CETÔNICOS

Formação
de corpos
cetônicos a
partir de
acetil-CoA

Matriz
mitocondrial
do fígado

NELSON, D.L. & COX, M.M. LEHNINGER, 2014


CORPOS CETÔNICOS

D-β-Hidroxibutirato como
combustível


Sintetizado no fígado, passa pelo
sangue e é destinado para outros
tecidos, onde é convertido em
acetil-CoA

NELSON, D.L. & COX, M.M. LEHNINGER, 2014


TERMOGÊNESE
CONCEITO

• Energia na forma de calor ao nível


dos tecidos vivos.

• A quantidade de calor produzida é


diretamente proporcional à taxa de
metabolismo corporal (40-60%).
• Tem variações de acordo com:
• Sexo;
• Idade;
• Exercício físico;
• Ovulação (0,5°C);
TERMOGÊNESE
TEMPERATURA

• Homeotérmico:
• Manutenção da temperatura
corporal dentro de um certo
intervalo (36.1º - 37.2ºC).
• Núcleo homeotérmico X
camada poiquiloterma.
MECANISMOS DE PROTEÇÃO
CONTRA A VARIAÇÃO TÉRMICA
Frio Calor

• Comportamento; • Comportamento;
• Vasoconstrição; • Vasodilatação;
• Ereção pilosa; • Sudorese;
• Termogênese sem • Salivação;
tremor (t. marrom); • Aumento da
• Termogênese com frequência
tremor (t. muscular). respiratória;
CENTRO INTEGRADOR
NEURÔNIOS ADRENÉRGICOS SIMPÁTICOS

Radiação
• Evaporação
• Temperaturas
normais: 1L/h;
• Temperaturas
elevadas: 2-
3L/h.

convecção
TERMOGÊNESE QUÍMICA
UCP – UNCOUPLING PROTEIN MITOCHONDRIAL;

• Ligação de ácidos graxo


em sítios no canal de
prótons –
aceptor/doador;

• “flip-flop – desprotonado
x protonado.
ATIVAÇÃO DE NERVOS
SIMPÁTICOS

• lipase triglicerídica adiposa (ATGL),


lipase sensível a hormônio e
monoacilglicerol lipase (MGL).

• Serina treonina quinases:


• Proteíno-quinases ativadas por
mitógenos
• Quinase extracelular de regulação de
sinal
REGULAÇÃO DA UCP1

PPARy -
Ácido
proliferador de
retinóico
peroxissomo γ

Ligantes •Controla a
nucleares de adipogênese e a
ácidos graxos ou homeostase
seus derivados energética.
RECEPTORES ATIVADOS POR
PROLIFERADORES DE PEROXISSOMOS
(PPAR)
• Expresso: figado, tecido adiposo
(branco e marrom);

• Envolvido na diferenciação de
fibroblastos;

• Fígado: Ativa genes para captação e


β-oxidação de ácidos graxos e a
formação de corpos cetônicos no
jejum;

• ↑HDL e ↓triacilgliceróis;
PPAR e β
• β:
• Musculo e fígado: 9 genes da β-oxidação;
• Dissipação de energia-Desacoplamento de mitocôndrias.
• Camundondo geneticamente modificados não ocorre acúmulo de gordura no fígado.
• Impede obesidade em db/db
REGULAÇÃO DA UCP1

Nucleotídeos
Prostaglandinas
GDP e ADP

•Inibem
Se ligam a
expressão x
UCP1 parte
COX -
interna - AGL
escurecimento
• HTs, proteína óssea morfogenetica 8B,
Estradiol e peptídeo 1 semmelhante a
glucagon  inibem AMPK VMH
• Grelina, Adponectina, resistina e
amilina  estímulo simpático –
• Leptina nucleo arqueado LEPR-B
• IRICINA: Ativada pela PGC1α durante
execício físico: UCP1 e termogênese
• NP: ativa a p38 MAPK  expressão de
Ucp1, Pgc1α e outros genes da
termogênese.

• FGF21 - Fator de crescimento do


Fibroblasto 21
• cAMP - liberação de FGF21;
• regulador metabólico: homeostase
da glicose, sensibilidade à insulina
e cetogênese (obesos resistência);
LEPTINA

• Produzida no tecido adiposo branco,


pardo, plascenta e estômago;
• Sintese e taxa sanquínea proporcional ao
tamanho do adpocito;
• ↑ ingestão de alimentos ↓após poucas
horas de inanição:
• Farra alimentar se mantem alta por horas;

• Lipólise periférica;
• Distribuição de gordura;
REGULAÇÃO DO
COMPORTAMENTO
ALIMENTAR E GASTO
ENERGÉTICO

hormônio estimulante de α-
melanócito (α-MSH)

proopiomelanocortina
LEPTINA

Fosfoinositideo-3-quinase
Adiponectina

• Prodizida pelos adpócitos; Interação com AMPK


• Auxiliam na sensibilização de tecídos para
a ação da insulina;
• Protegem contra aterosclerose e inibem
resposta inflamatórias: Hipotálamo
• Adesão monócitos, transformação de
macrófagos, proliferação e migração de
celulas da musculatura lisa vascular;
Aumento da
captação de nutriente

Reduz gasto
energético
ADPONECTINA

Fosfofrutocinase2
FAS1- ácido graxo-
sintase
ACC – acetil CoA
carboxilase
INIBIÇÃO DE SINTESE DE AG
INIBIÇÃO DA SINTESE DE
COLESTEROL

Inibe a sintese de
lipídeos e
estimula o seu
consumo.
HORMÔNIOS TIREOIDIANOS E
NORADRENALINA
• Expressão de varios receptores no TA;
• Trabalho sinergico para termogênese completa;
• Converção de T4 em T3 pela enzima assegura ação da noradrenalina no TA;
• TRα1 asegura resposta noradrenalina;
• TRβ1 ↑UCP1;
MECANISMO DE AÇÃO DE
HORMÔNIOS DO TECIDO ADIPOSO
INIBIDOR-1 DO ATIVADOR DO
PLASMINOGÊNIO (PAI-1)
• Células musculares lisas endoteliais e vasculares são os principais produtres
do PAI-1:
• Estimulada pela insulina, glicocorticóides, angiotensina II, alguns ácidos graxos
e, mais potentemente, por citocinas como TNF-α e fator de crescimento
transformador;
• Reduzida por catecolaminas
• Quanto maior o tamanho das células adiposas e a massa do tecido
adiposo, maior é a contribuição da produção de gordura para o PAI-1
circulante;
ANGIOTENSINOGÊNIO
• Produz todos os componentes do sistema renina-angiotensina-aldosterona
(SRAA), incluindo o angiotensinogênio (AGT), a renina, a enzima conversora
da angiotensina I e o receptor tipo1da angiotensina II;
• A nutrição regula os níveis de proteína e mRNA (jejum↓) ;
• Agiotensina II:
• síntese de prostaciclina, a diferenciação de adipócitos e a lipogênese;
• Hipertensão e homeostasia;
• Induzir e potencializar a alteração da forma das plaquetas humanas;
• Peptídeos RAAS: atuam sobre a vasculatura - regular a pressão arterial e
respostas cardiovasculares em indivíduos obesos;
RESISTINA
• É um peptídeo secretado pelos adpócitos e principalmente por monócitos
e macrófagos humanos;
• Níveis circulantes - aumentados na obesidade:
• resistência à insulina;
• regulação negativa da sinalização da adiponectina e indução da resistência do
fator de crescimento de fibroblastos 21 (FGF21).
• diabetes tipo 2 em roedores;
• Aumenta a express de MCP-1- lesões ateroscleroticas;
• ativa a via de sinalização da ERK1 / 2 no hipotálamo – inibe termogênese.
RESISTINA
FATOR DE NECROSE TUMORAL
• Proteína trans membrana que é clivada
e liberada na corrente sanguínea;
• Produto macrofágico - distúrbios
metabólicos da inflamação crônica e
malignidade;
• Anorexia, perda de peso e resistência à
insulina;
• Hepatócitos e Miócitos - induz proteína
fosfatase 2C e inibe AMPK ↓ a oxidação
de ácidos graxos;
• Inibe lipase lipoprotéica e estimular
lipase hormônio sensível – regula
tamanho do adpócito;
INTERLEUCINA 6
• 30% vem do tecido adiposo – viceral;
• Níveis plasmáticos intimamente ligados com a massa corporal e concentrações
plasmáticas de ácidos graxos livres;
• TNF e interleucina-1 (IL-1).
• Risco aumentado de doença arterial coronariana, aterosclerose e angina
instável;
• Inibe a via de sinalzação da insulina e sua recaptação;
• lipoproteína lipase, induz a lipólise e aumenta a captação de glicose.
TNF E IL6