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A Crítica da Consciência em

Sartre

“Mão com a esfera


espelhada”, de M. C.
Escher - 1935
Crítica de Sartre

O ponto de partida da crítica de Sartre acontece a


partir do cogito em Descartes.

Segundo Descartes, o
cogito é a verdade primeira
que fundamenta a
existência do sujeito. Ou
seja, trata-se de uma
consciência que põe a si
mesma como intuição de
uma identidade metafísica.
Crítica de Sartre

Noutras palavras, para


Descartes, a existência do
cogito equivale afirmar o
sujeito como o
fundamento de sua
própria existência e da
existência dos objetos
que o circundam, através
da representação.
Crítica de Sartre

Para Sartre, não há como


afirmar uma consciência
absoluta e isolada de si
mesma e das coisas, pois,
na base da própria
consciência existe uma
dimensão irrefletida e
originária que ele chamou
de intencionalidade.
Base teórica: A Fenomenologia

Para fazer uso do conceito de


intencionalidade, Sartre
fundamenta sua “filosofia da
consciência” na Fenomenologia
de Husserl (1859-1958), uma
vez que ela critica tanto o
racionalismo cartesiano
(crença no sujeito), como
também o empirismo
positivista (crença no objeto).
O que é a Fenomenologia?

O termo fenômeno (phainomenon) significa “o que


aparece”. Desta maneira, a fenomenologia aborda os
objetos do conhecimento não como eles “são” na
essência, mas como “aparecem” e são representados
à consciência.

Para Sartre, fenomenologia


trata do processo pelo qual
examina-se o fluxo da
consciência, ao mesmo tempo
que é capaz de representar um
objeto fora de si.
O conceito de “Intencionalidade”

A ideia básica da
fenomenologia adotada
por Sartre é a
intencionalidade, que
significa “dirigir-se para”,
“visar alguma coisa”.
Ou seja, toda
consciência é
intencional por sempre
visar algo fora de si.
Refutação do racionalismo e empirismo

A fenomenologia critica a filosofia


tradicional por desenvolver uma
metafísica cuja noção de ser é vazia e
abstrata, voltada apenas para a
explicação.

No entanto, também critica o


positivismo cientificista cuja noção
de conhecimento está voltada apenas
para a experimentação da matéria.
Consciência Intencional

A noção de uma consciência intencional contraria:

Os Racionalistas Os Empiristas
(como Descartes): (como Locke):

ao afirmar que não há Ao afirmar que não há


consciência pura e objeto em si, já que o
separada da realidade, objeto é sempre para um
porque toda consciência é sujeito que lhe dá
consciência de alguma coisa. significado.
Consciência fenomenológica

Por conta disso, tanto a Fenomenologia como também


Sartre desconsideram qualquer indagação a respeito
de uma consciência ou realidade em si, separada
da relação intencional do sujeito que conhece o
objeto.
Portanto, não existe um puro
ser “escondido” atrás das
aparências ou do fenômeno: a
consciência desvela
progressivamente o objeto por
meio de seguidos perfis, de
perspectivas mais variadas.
Consciência em Sartre

Isso significa que, para Sartre, não há nunca a


adequação absoluta da consciência consigo
mesma, (como pensava Descartes e o idealismo
em geral).

A consciência pode
apenas intuir-se na
exterioridade como
relação a outra coisa.
Consciência em Sartre

O cogito não pode mais ter a


pretensão de que o Mundo
(tanto físico como
“psíquico”) se reduza a suas
representações. Algo lhe
escapa e este excesso é
constitutivo de sua
estrutura intencional
originária.
Consciência em Sartre

Em O Ser e o Nada, Sartre apresenta a fórmula


intencional da consciência em sua versão definitiva:

“A consciência é consciência de
alguma coisa: significa que a
transcendência é estrutura
constitutiva da consciência, quer
dizer, a consciência nasce tendo
por objeto um ser que ela não
é” (SARTRE, 1997, p. 34).
Consciência em Sartre

Com isso, Sartre refuta definitivamente o


solipsismo, pois a tese da intencionalidade da
consciência, levada, por Sartre, às últimas
consequências, situa o cogito em um fundo de ser
que lhe escapa e do qual ele não é a origem da
própria consciência.