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Capítulo 1

O UNIVERSO DA ANÁLISE
DAS DEMONSTRAÇÕES
CONTÁBEIS
DISCIPLINA: Análise das Demonstrações Contábeis
CURSO: Ciências Contábeis
TURMA: 4º Período
DOCENTE: Lívia Miranda
Eunápolis (BA)
Julho de 2018
Conteúdo do Capítulo
1 O UNIVERSO DA ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS (DC)
1.1 Breve histórico;
1.2 Conceito;
1.3 Objetivo e finalidade da análise das Demonstrações Contábeis;
1.4 Dados versus informações;
1.5 Sequência do processo contábil;
1.6 Setor de Contabilidade versus Análise de Balanços;
1.7 Usos e usuários da análise das Demonstrações Contábeis (DC);
1.8 A importância e a necessidade da análise das Demonstrações Contábeis
(DC);
1.9 A lógica da Máquina Empresa
1.10 Demonstrações Contábeis que explicam o Balanço Patrimonial
1.11 Tripé de Decisões da Empresa
1.12 Demonstrações contábeis suscetíveis de análise;
1.13 Uma sugestão de roteiro para avaliar a qualidade e a credibilidade das
Demonstrações Contábeis (DC);
1.14 Contabilidade como sistema de mensuração e informação.
Uma pergunta importante ...

O que podemos fazer


para extrair maiores
informações dos
demonstrativos
contábeis?
Analisando as formas de pensar

Informações Decisão

Tempo

Registro
A análise financeira e de balanços não
se constitui numa mera apuração de
índices cujas formas já se encontram
montadas ou formalizadas?

Onde reside, então, a complexidade e a


dificuldade?
• Apurar ou calcular índices é uma tarefa
bastante simplista.
• O grande desafio do problema em questão é
justamente a análise ou interpretação
destes cálculos ou dos índices extraídos.
• Calcular é muito simples, mas não é uma
atividade que se encerra em si.
Indispensável é reforçar a necessidade de
bem interpretar os dados e informações.
HISTÓRICO
Segundo MARION (2012, p. 20): “É comum afirmar que a
análise das Demonstrações Contábeis é tão antiga quanto a
própria Contabilidade.”
EU TINHA 5
CARNEIRINHOS,
AGORA TENHO 8
CARNEIRINHOS.

A análise da variação da
riqueza era realizada entre a
comparação de dois
inventários em momentos
distintos.
HISTÓRICO Continuação ...
 No início da contabilidade, ela tinha como finalidade avaliar a
riqueza da Igreja e dos donos de rebanhos.
 No final do século XIX, os banqueiros americanos
condicionaram a cessão de empréstimos a apresentação das
demonstrações (praticamente o balanço) por partes das
empresas que solicitavam crédito.

Balanço Balanço Patrimonial


Demonstração do
Balanço Econômico Resultado do Exercício
Demonstração dos
Balanço Financeiro Fluxos de Caixa
HISTÓRICO Continuação ...
DESENVOLVEU-SE MAIS AINDA COM:
 O surgimento dos Bancos Governamentais;
 Abertura do Capital das Empresas, possibilitando a
participação de pequenos ou grandes investidores como
acionistas (escolha de empresas “mais” bem-sucedidas);
 Operações a prazo de compra e venda de mercadorias entre
empresas;
 Os gerentes interessados na avaliação da eficiência
administrativa e na preocupação do desempenho de seus
concorrentes;
Os funcionários, na expectativa de identificarem a melhor
situação econômico-financeira.
CONCEITO
Análise Financeira ou de Balanço constitui-se em um processo
de meditação sobre os Demonstrativos Contábeis, objetivando
uma avaliação da situação da empresa, em seus aspectos
operacionais, econômicos, patrimoniais e financeiros.
PADOVEZE (2004, p.215)
A Análise de Balanços objetiva extrair informações das
Demonstrações Financeiras para a tomada de decisões.
MATARAZZO (2010, p.15)
A análise de Balanços é uma técnica contábil que consiste no
exame e na interpretação dos dados contidos nas
demonstrações contábeis, com o fim de transformar esses dados
em informações úteis aos diversos usuários da Contabilidade.
RIBEIRO (2012)
OBJETIVO E FINALIDADE
Propicia as avaliações do patrimônio da empresa e das
decisões tomadas, tanto em relação ao passado (retratado nas
demonstrações financeiras) como em relação ao futuro
(espelhado no orçamento financeiro).
MATARAZZO (2010)

A finalidade da análise de Balanços é transformar os dados


extraídos das demonstrações financeiras em informações úteis
para a tomada de decisões por parte das pessoas
interessadas.
RIBEIRO (2009)
DADOS versus INFORMAÇÕES

Partindo-se da definição de Matarazzo, é oportuno ressaltar


que as demonstrações contábeis contêm uma série de dados
que, quando analisados, tornam-se informações.

Por esta razão é que a análise de balanços objetiva extrair


informações e não dados.

Reforçando esta ideia, pode-se


caracterizar ou diferenciar dados de
informações:
DADOS
 tecnicamente, são os itens básicos de informação, antes de
serem processados por um sistema, ou seja, alimentam, dão
entrada no sistema;
 representam algo puro cujo conteúdo não permitirá a
compreensão e nem mesmo o julgamento sob determinado
assunto;
 consistem em qualquer elemento identificado em sua forma
bruta, que por si só não conduz a uma compreensão de
determinado fato ou situação;
 são os números ou descrição de objetos ou eventos que,
isoladamente, não provocam nenhuma reação no leitor.
INFORMAÇÕES
 são os relatórios, os resultados do processamento dos
dados;
 as informações são produzidas, saem do sistema, seja este
manual ou computacional;
 são conjuntos de dados sobre algo ou sobre alguém, ou seja,
o dado manuseado (trabalhado) que servirá de base para
alguma decisão;
 enumeram o resultado da análise dos dados que permitirá a
tomada de decisões ou a execução de algumas ações;
 representam, para quem as recebe, uma comunicação que
pode produzir reação ou decisão, freqüentemente
acompanhada de um efeito-surpresa.
SEQUÊNCIA DO PROCESSO CONTÁBIL

Com base nas demonstrações contábeis, o analista


efetua o exame e a coleta de dados, transformando-os
em quocientes, coeficientes etc., analisa-os e
interpreta-os, chegando a conclusões que são
apresentadas por meio de relatórios.
Setor de Contabilidade versus Análise de Balanços

SETOR DE PROCESSO CONTÁBIL


CONTABILIDADE
 Fatos
 Escrituração
 Apuração
 Demonstrações

EXAME E
PADRONIZAÇÃO

COLETA DE DADOS

CÁLCULO DOS
INDICADORES

SETOR DE ANÁLISE DE INTERPRETAÇÃO DOS


BALANÇOS QUOCIENTES

ANÁLISE VERTICAL E
ANÁLISE HORIZONTAL

COMPARAÇÃO COM
PADRÕES

RELATÓRIO
Usos e usuários da análise das Demonstrações
Contábeis
São muitos os usuários que recorrem a ela, seja para conhecer a
rentabilidade do Capital investido nas Entidades e o grau de
solvência para o cumprimento das suas Obrigações, seja para
avaliar o desempenho das Entidades, de acordo com interesses
específicos.

Alguns exemplos:
 Bancos
 Fornecedores
 Administradores
 Público Investidor
 Sindicatos de Classe
 Governo
A IMPORTÂNCIA E A NECESSIDADE DA ANÁLISE
Uma boa análise da situação econômica e financeira do
correntista, do fornecedor, do cliente, da própria empresa etc.
poderá evitar a ocorrência de situações desagradáveis, como:

 o correntista, por falta de liquidez, deixar de saldar seus


compromissos com os bancos;
 os fornecedores deixarem de cumprir prazos, atrasando a entrega de
mercadorias, produtos e serviços;
 empresas vencedoras de concorrências públicas deixarem de cumprir
suas Obrigações, não fornecendo Mercadorias ou deixando de construir
obras;
empresas deixarem de fabricar produtos a preços competitivos,
perdendo mercado para concorrentes etc.
A IMPORTÂNCIA E A NECESSIDADE DA ANÁLISE
Continuação ...
Pela análise de Balanços é possível aquilatar (apurar/avaliar) a
situação econômica e a situação financeira da Entidade.

Por Exemplo:

A análise da situação econômica é feita com base nos


elementos integrantes da Demonstração do Resultado do
Exercício.

A análise da situação financeira é feita com base nos dados


constantes do Balanço Patrimonial e DFC
Enfim, é possível sintetizar ainda uma série de razões para
realçar quão importante é esta análise para as empresas:

• se bem manuseada, pode se constituir num excelente e


poderoso "painel de controle" da administração;
• se não for feita a partir de uma contabilidade "manipuladora"
ou "normatizante", pode trazer resultados bastante precisos;
• é uma poderosa ferramenta à disposição das pessoas que
se relacionam ou pretendem relacionar-se com a empresa,
ou seja, os usuários da informação contábil ou financeira,
sejam eles internos ou externos;
• permite diagnosticar o empreendimento, revelando os pontos
críticos e permitindo apresentar um esboço das prioridades
para a solução dos problemas;
• permite uma visão estratégica dos planos da empresa, bem
como estima o seu futuro, suas limitações e suas
potencialidades.
Lógica da Máquina “Empresa”:
Gerar retorno aos capitais nela investidos,
mantendo liquidez adequada

Gerar
Aplicar os Receitas
Captar Recursos para cobrir
Recursos (Investimento) Custos e
Despesas

Apurar
Possibilitando resultados
o retorno do positivos
investimento (Lucro)
Demonstrações Contábeis que explicam o Balanço
Patrimonial
Demonstrações
DVA Explica a distribuição da Renda Gerada Pela Empresa (PIB) Demonstrações
dos Fluxos de
das Mutações
Caixa
do PL
Explica as
Balanço Patrimonial Explica as
Variações no
Passivo variações do PL
caixa Ativo
Circulante Ano 1 Ano 2 Circulante Ano 1 Ano 2
Disponível xxx Xxx Fornecedor xxx Xxx
Dup. Rec. xxx Xxx Banco Pg. xxx Xxx
Estoque xxx Xxx Div. Pg. xxx Xxx
Total xxx Xxx Total xxx Xxx
Demonstração
Ñ Circulante do Resultado
Demonstr.
E.L.P. do Exercício
Origens/Apli
c. de Ñ Circulante Patr. Explica como
Recursos Realizável LP
se obteve o
Investimento Líquido
Explica as xxx Xxx Capital xxx Xxx
Lucro
variações no Imobilizado xxx Xxx Reservas xxx Xxx
capital de giro Ajustes
(-) Depr. Ac. xxx Xxx Lucro xxx Xxx
Intangível

Total xxx Xxx Total xxx Xxx


TOTAL xxx Xxx TOTAL xxx Xxx

Explica os critérios A credibilidade das


NE contábeis PA demonstrações
TRIPÉ DE DECISÕES DA EMPRESA

(situação econômica)
RENTABILIDADE

FONTE: Adaptado de MARION (2012)


MARION (2012) evidencia que:
1) uma boa análise deve ser feita com base no tripé de
decisões da empresa:
1.1) Liquidez ou Situação Financeira
1.2) Endividamento ou Estrutura de Capital
1.3) Rentabilidade ou Situação Econômica

2) a análise do tripé pode ser feita em três níveis, de acordo


com a necessidade dos usuários:
2.1) Introdutório
2.2) Intermediário
2.3) Avançado
NÍVEIS DE ANÁLISE, segundo MARION (2012)

NÍVEL INTERMEDIÁRIO
ANÁLISE DA
DOAR
ANÁLISE DOS
ALAVANCAGEM FLUXOS DE
FINANCEIRA CAIXA
ESTRUTURA DE NECESSIDADE
CAPITAL SITUAÇÃO CAPITAL DE
ESTRUTURA DE FINANCEIRA GIRO
CAPITAL
NÍVEL INTRODUTÓRIO
INDICES DE
ATIVIDADE
SITUAÇÃO
ECONÔMICA

MODELO DU LUCRATIVIDADE
PONT
ANÁLISE DO PRODUTIVIDADE
VALOR MVA
AGREGADO
INDICADORES DIVIDENDOS POR
COMBINADOS NÍVEL AVANÇADO AÇÕES

PROJEÇÕES BALANCED
LIQUIDEZ
DINÂMICA NÍVEL DE SCORECARD
PREÇOS EVA
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
SUSCETÍVEIS DE ANÁLISE
 Balanço Patrimonial (BP);
 Demonstração do Resultado do Exercício (DRE);
 Demonstração de Origens e Aplicação de Recursos (DOAR)
ñ é mais obrigatório;
 Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA);
 Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL);
 Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC) direto e indireto;
 Demonstração do Valor Adicionado (DVA);
 Notas Explicativas das Demonstrações Financeiras (NE);
 Parecer da Auditoria;
Uma sugestão de
roteiro para
avaliar a
qualidade e a
credibilidade das
Demonstrações
Contábeis (DC)
1º Passo
 Averiguar se estamos de posse de todas as Demonstrações
Contábeis (inclusive notas explicativas);

 Desejável ter em mãos as Demonstrações de três períodos;

 Com as publicações em colunas comparativas, teremos, de


posse uma única publicação, dois períodos: exercício atual e
exercício anterior;

Em seguida, deveremos averiguar a credibilidade das


Demonstrações (Parecer da Auditoria).
QUALIDADE DAS DEMONSTRAÇÕES

Uma análise do Parecer de Auditoria deve ser feita


para se averiguar se a qualidade dos relatórios é
boa.
A falta deste parecer reduz a confiança que podemos
ter para fins de análise.
Não havendo o parecer, deverão ser tomados alguns
cuidados, recomenda-se ao analista uma dose maior
de conservadorismo.
2º Passo
• Preparar as DC de forma conveniente para análise;

Essa etapa denomina-se:

RECLASSIFICAÇÃO DE ITENS DAS DEMOSNTRAÇÕES


CONTÁBEIS

MARION (2012) salienta:


Mesmo quando nos deparamos com DC padronizadas, não
significa que seja dispensável um tratamento mais rigoroso de
ajustes, de reclassificação de contas.
CONTABILIDADE COMO SISTEMA DE
MENSURAÇÃO E INFORMAÇÃO

• Jaedicke e Sprouse, em seu livro Fluxos contábeis,


Editora Atlas, p. 20 a 25, afirmam que a Contabilidade
se trata de um sistema de mensuração contábil.
• Na verdade, trata-se de um sistema de informação
que apresenta um sistema de mensuração como
parte do processamento e inclui:

Fase de coleta de dados.


Fase de ajustes.
Saídas do sistema
As saídas do sistema contábil podem ser
classificadas em quatro categorias:
o Relatórios sobre a posição financeira em determinado
momento (Balanço Patrimonial).
o Relatórios sobre mudanças (Fluxos) durante determinado
período:
Demonstração de Resultados.
Demonstração dos Fluxos de Caixa.
o Dados para planejamento e controle de lucro, principalmente
dados e relatórios de orçamento, de experiência real em
comparação com previsões de orçamento.
o Dados para estudos especiais que podem ser necessários a
decisões relativas a investimentos de capital, combinação de
produtos etc.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ASSAF NETO, Alexandre. Estrutura e análise de balanços: um enfoque econômico-
financeiro. São Paulo: Atlas, 2002.
BRAGA, Hugo Rocha. Demonstrações contábeis. Estrutura, análise e interpretação.
São paulo: Atlas, 2003.
IUDÍCIBUS, Sérgio de. Análise de balanços. Livro texto e livro de exercícios. São
paulo: Atlas, 1998.
IUDÍCIBUS, Sérgio de; MARION, José Carlos. Contabilidade Comercial. São Paulo:
Atlas, 2006.
MARION, José Carlos. Contabilidade empresarial. Livro Texto.São Paulo: Atlas, 1998.
____. Contabilidade empresarial. Livro de exercícios.Texto.São Paulo: Atlas, 1998.
____. Análise das demonstrações contábeis. Contabilidade empresarial. São Paulo:
Atlas, 2002.
MATARAZZO, Dante C. Análise financeira de balanço: abordagem b´asica e gerencial.
São Paulo: Atlas, 2003.
NEVES, Silvério das; VICECONTI, Paulo E. V. Contabilidade Básica. Estrutura das
demonstrações financeiras. São Paulo: Frase, 2004.
SANTI FILHO, A . de. Análise de balanços para controle gerencial. São Paulo: Atlas,
1993.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Princípios fundamentis e
normas brasileiras de contabilidade. Brasília: CFC, 2006.
INFORMAÇÕES OBJETIVAS PUBLICAÇÕES JURÍDICAS LTDA. Textos
legais. São Paulo: IOB, 2002/2008.
IUDÍCIBUS, Sérgio de; MARION, José Carlos. Curso de contabilidade para
não contadores: Para as áreas de administração, economia, direito e
engenharia.. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2000.
RIBEIRO, O. M. Estrutura e análise de balanços fácil. São Paulo: Saraiva,
1999.
SOBANSKI, J. J. Prática de orçamento empresarial: um exercício
programado. São Paulo: Atlas, 2000.
SÁ, Antonio Lopes. Dicionário de contabilidade. 9. ed. São Paulo: Atlas,
1995.
MENSAGEM
"Comece fazendo o que é necessário,
depois o que é possível, e de repente
você estará fazendo o impossível.“

São Francisco de Assis