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O TRABALHO COM

TEXTOS DE
CIRCULAÇÃO SOCIAL
Ana Cristina dos Santos;
Arthur Florentino;
Felipe Marinho da Silva Neto;
Raquel Araújo Luna;
Regimário C. Moura;
Sérgio dos Santos Lima.
A Princípio...

• “Todo trabalho com textos de circulação social deve estar


voltado para a plena leitura e compreensão deles”(p.13,
Grifo nosso)

• “É preciso refletir sobre as possibilidades de


interpretação, o que pressupõe sempre um passo muito
além da estrutura sintática, dos termos
empregados”(p.13)
O Trabalho com a Leitura
• “Ler textos que circulam socialmente é também agir como
cidadão, ou seja, é responder as perguntas que devem
pelos leitores, buscar respostas para elas, isto é, interagir
socialmente.” (p.13)

• “Cabe a escola viabilizar o acesso do aluno ao universo


dos textos que circulam socialmente, ensinar a produzi-
los e a interpretá-los.” (PCN, 1997, p.30)

• “A linguagem é uma forma de inter-ação: mais do que


possibilitar uma transmissão de informações de um
emissor a um receptor, a linguagem é vista como um
lugar de interação humana” (GERALDI, 1984, p.43)
• “Muito antes de produzir textos de circulação os alunos
devem estar habituados a identificar neles as marcas de
manipulação , de imposição de ideologias(...), não se
deseja descartar totalmente a produção de textos (...),
mas não pode a gramática ser um fim nos estudos de
leitura.”(p.14)
Demonstrativo de Material Pedagógico
MATERIAL AVALIAÇÃO SUGERIDA

• Programas humorísticos • De instância pública

• Outdoor • De instância pública

• Anúncios de produtos • De instância pública


Sugestões Propostas para
Explorar/Realizar Abordagens
• Poder de manipulação e persuasão;

• Poder de influência;

• Incentivo ao consumo;

• Público alvo;

• Figuras de linguagens que dão nuances e ambiguidade


ao texto.
O Gênero Notícia no Suporte Jornal

• Por que trabalhar com jornais?

• As transformações sofridas
Ex: jornal da tarde
• “O jornal inquieta-se muito com a notícia que deve
divulgar e busca aquela que não tenha sido veiculada na
tevê ou nas rádios” (p. 18)
O caso da Escola Base

• O que deve ser priorizado na análise realizada pelos


alunos:

Manipulação;
Persuasão;
Intenção;
Finalidade;
Questionar.
Televisão
“‘Visão à distância’. Do gr. telé: longe + lat. visio, visão”. (DUBOIS, 1973)

• Tecnologia ≠ Suporte ≠ Canal;


• Pré → Baird (1952) ou Zworykinn (1923) → Surgimento da tecnologia;
• Define-se “como suporte de um gênero um locus físico ou virtual com
formato específico que serve de base ou ambiente de fixação do gênero
materializado como texto” (MARCUSCHI, 2003 – p. 174. grifo nosso);
• “Tecnicamente, o canal seria o meio físico de transmissão de sinais; este é o
caso do rádio, da televisão e do telefone quando vistos como emissora ou
aparelho operando como canal de transmissão. Mas em certos casos o canal
pode ser confundido com o suporte dos sinais transmitidos por operarem
como lócus de fixação. Pode-se dizer que o canal se caracteriza como um
condutor e o suporte como um fixador”. (MARCUSCHI, 2008. grifo nosso)
Televisão

• O Dicionário de Lingüística de Jean Dubois et al. (1973:97.


grifo nosso) traz a seguinte definição para Canal:

“Canal (termo técnico da teoria da comunicação) é o meio pelo


qual são transmitidos os sinais do código, no curso do
processo da comunicação; é o suporte físico necessário à
manifestação do código sob a forma de mensagem. Estão neste
caso os cabos elétricos para a telegrafia ou para a comunicação
telefônica, a página para a comunicação escrita, as faixas de
freqüência de rádio, os sistemas mecânicos de natureza
diversa. No caso da comunicação verbal, o ar é o canal pelo
qual são transmitidos os sinais do código lingüístico.”
Os Aspectos da Televisão em Sala de Aula e
em Contextualização
• Monologia: “a própria forma como a televisão é concebida bloqueia o
estímulo ao diálogo.” (p. 21);

• Fragmentação/Redundância como colaboração/intenção para


memorização: “exatamente porque tudo é tão interrompido, a própria tevê
cria a redundância, a repetição com a finalidade de localizar o
telespectador” (p. 22);

• Credibilidade/Confiabilidade de informações: “Tudo o que ela noticia é


lido como verdade. O peso de crença na tevê é enriquecido pelo fato de
ela também trabalhar com a imagem.” (p. 23. grifo nosso);
→ Efeito hipnótico (processo inerte) X Efeito crítico (processo criativo)
• Contextualização social: “a tevê ganhou status de solução, não de
problemas, mesmo que muitas críticas tenham sido tecidas a ela desde
que surgiu. (p. 26)
Telespectador x Audiência
1. Audiência;

2. Telespectador = valor de mercado;

3. Desconsideração dos valores éticos.


Autoridade e Liberdade em Risco

• Televisão veicula informações com caráter dogmático.


Isso pode colocar em xeque a autoridade e/ou valores
defendidos por qualquer pessoa;

• A televisão pode levantar a imagem de alguém ou


denegri-la.
Risos e Humor na Tv: Por que rimos? De
que rimos?
• Perpetuação de estereótipos errados ou preconceituosos;

• Humor quase que limitado a bordões;

• Substituição do “humor consciente” pelo “humor


inconsciente”;

• Vídeo: Danilo Gentili responde a Roberto Justus.


A Opção pela Rede Aberta

•O estudo da rede aberta de televisão é a mais


recomendada devido a assiduidade de seus
telespectadores;

• Pode ensejar o estudo da TV por assinatura.


Outdoor
• “Pelo reconhecimento da
influência que possuem os
outdoors na sociedade do
consumo.” (p.32)

• “Pelo espaço ocupado por


estes na sociedade
brasileira, sendo parte da
paisagem urbana.” (p.32)
• “Ler criticamente o outdoor consiste, portanto, em
reconhecer nele os recursos textuais, bem como seu
papel na composição do espaço urbano.” (p33)
Gibis e histórias em quadrinhos
• “O gibi é lido na infância, e
não raramente a leitura
segue até a fase adulta.”
(p.30)

• “A leitura desse gênero de


texto admite um trabalho
com qualquer gibi ou
quadrinho.” (p.31)
• “Os modelos de relação social são vistos como uma
possibilidade para a vida.” (p.31).

• “ A função fundamental da arte dos quadrinhos, que é


comunicar ideias e histórias por meio de certas imagens
(como pessoas ou coisas) no espaço.”
(EISNER,2010.p.39).
• “As histórias em quadrinhos apresentam uma
sobreposição de palavra e imagem, e, assim é preciso
que o leitor exerça as suas habilidades interpretativas
visuais. As regências da arte (por exemplo, perspectiva,
simetria, pincelada) e as regências da literatura (por
exemplo, gramática, enredo, sintaxe) superpõe-se
mutualmente. (EISNER,2010.p.2)
• Os autores apontam para a relação entre os quadrinhos e
a construção de identidade.

• “Personagens com as quais as crianças vão se


identificando vão sendo incorporados ao longo dos anos
em que se lê. De super heróis a anti-heróis, todos estão a
serviço de uma identidade.” (p.31)
SEQUÊNCIA DIDÁTICA
Da escrita à prática social
Sequência Didática

APRESENTAÇÃO PRODUÇÃO MÓDULO MÓDULO MÓDULO PRODUÇÃO


DA SITUAÇÃO INICIAL 1 2 N FINAL

• 6 Encontros
• Temática: O trabalho com textos de circulação social. Uma
abordagem da Grafic Novel Bordados numa perspectiva de
ensino de autonomia critico-reflexiva.
• Objetivo: Suscitar discusões que possam levar os discentes a
leitura e compreensão das funçoes sociais que esses textos
exercem.
APRESENTAÇÃO PRODUÇÃO MÓDULO MÓDULO MÓDULO PRODUÇÃO
DA SITUAÇÃO INICIAL 1 2 N FINAL

• Apoiando-se na BNCC (2018), foram definidos os


objetivos a serem alcançados;
• Fundamentado em Roxane Rojo (2012) propor o
Facebook como recurso pedagógico.
A Multimodalidade em Foco
Cartun
Tira
Pôster de Filme
Beleza Americana (1999) Preciosa (2009)
Campanha Comunitária
PROCESSOS DE LEITURA
“[...] o sentido de um texto é construído na interação
texto-sujeitos e não algo que preexista a essa
interação”
(KOCH, 2008, p. 11, grifos do autor)
Memes
Memes
Poesia Concreta
Competências BNCC
1. “Compreender o funcionamento das diferentes
linguagens [...] e mobilizar esses conhecimentos na
recepção e produção de discursos nos diferentes campos
de atuação social e nas diversas mídias [...]”;

2. “Compreender os processos identitários, conflitos e


relações de poder que permeiam as práticas sociais de
linguagem [...]”

3. “Utilizar diferentes linguagens para exercer, com


autonomia e colaboração, protagonismo e autoria na vida
pessoal e coletiva, de forma crítica, criativa, ética e
solidária”
Competências BNCC

4. “Compreender as línguas como fenômeno (geo)político,


histórico, social, variável, heterogêneo e sensível aos
contextos de uso [...]”

5. “Mobilizar práticas de linguagem no universo digital,


considerando as dimensões técnicas, críticas, criativas,
éticas e estéticas [...]”
Referências
ABREU, Karen Cristina Kraemer; SILVA, Rodolfo Sgorla da. Histórias e
tecnologias da televisão. 2011. Disponível em:
<http://www.bocc.ubi.pt/pag/abreu-silva-historia-e-tecnologias-da-
televisao.pdf>. Acesso em: 29 set. 2016.

BRASIL, Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica.


Parâmetros curriculares Nacionais. Ensino Fundamental: Língua
Portuguesa. Brasília. MEC/SEF. 1997,P.30.

DUBOIS, Jean et al. Dicionário de linguística. Tradução de Frederico


Pessoa de Barros et al. São Paulo: Cultrix, 1973.

EISNER, Will. Quadrinhos e arte sequencial. São Paulo: Martins


Fontes, 1989.

GERALDI, João Wanderley. O texto na sala de aula – leitura e


produção. 4ª ed. Cascavel, PR: Assoeste, 1984,P.43-44.
Referências
KOCH, Ingedore Villaça. Ler e Compreender: os sentidos do texto.
2.ed. 2ª reimpressão. São Paulo: Contexto, 2008.

MARCUSCHI, Luiz Antônio. A questão do suporte dos gêneros


textuais. Língua, lingüística e literatura, João Pessoa, v. 1, n.1, p. 9-40,
2003.

MARCUSCHI, Luiz Antônio. Produção textual, análise de gêneros e


compreensão. São Paulo: Parábola, 2008.

PORTELLA, Oswaldo O. Vocabulário etimológico básico do acadêmico


de letras. Revista Letras https://revistas.ufpr.br/letras/article/view/19320

ROJO, Roxane. Pedagogia dos multiletramentos: diversidade cultural e


de linguagem na escola. In: MOURA, Eduardo; ROJO, Roxane.
(Orgs.). Multiletramentos na escola. São Paulo: Parábola Editorial,
2012