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Habermas: o agir

comunicativo

Jürgen Habermas
(1929-...)
Teoria da Razão Comunicativa

Jürgen Habermas é um dos principais representantes


da segunda geração da Escola de Frankfurt,
continuando a discussão sobre a razão instrumental.

Porém, como viveu numa época posterior,


encontra-se diante de uma realidade
diferente, representada pela sociedade
industrial do capitalismo tardio (tecnologia,
produção em escala e consumo em massa).

Esse novo contexto levou-o a elaborar a teoria da


racionalidade comunicativa, que se contrapõe à
racionalidade instrumental.
Razão Instrumental x Razão Comunicativa

Habermas concorda com os autores da 1ª geração da


Escola de Frankfurt ao propor uma crítica à Razão
Instrumental comandada pela esfera político-
econômica.

No entanto, também propõe


outra modalidade de razão,
baseada na argumentação
crítica e autocrítica dos
modos de integração na social.

Esse novo tipo de racionalidade foi chamada de Razão


Comunicativa.
Agir Instrumental e Agir Comunicativo

Para o filósofo, cada modalidade de “razão” elabora


um tipo de “agir” específico:

Agir Instrumental: Agir Comunicativo:

Um tipo de ação baseada em Um tipo de ação baseada em


regras estratégicas que visam regras de interação simbólica
objetivos específicos e (debate) que visam o
orientados para o sucesso e a estabelecimento de critérios
eficácia da ação. Trata-se de para entendimento mútuo
um “agir-racional-com- (consenso). Trata-se de um agir
respeito-a-fins”, voltado para a linguístico voltado para o bem
apropriação material da estar comum e que deveria
Economia (dinheiro), Política reger as organizações
(poder) e Técnica (eficácia). artísticas, científicas e éticas.
Colonização do Agir Instrumental
Onde está o problema? O problema surge quando o Agir
Instrumental estende-se para outros domínios da
vida pessoal e social nos quais deveria prevalecer o
Agir Comunicativo.
A intromissão da ação instrumental
em outros domínios da vida empobrece
as relações afetivas e sociais: não se
avaliam as ações por serem justas ou
injustas, mas se são eficazes; ou seja,
os valores éticos e políticos são
tratados do ponto de vista técnico,
adequando-se aos fins propostos pelo
sistema (lucro e poder).
Colonização do Agir Instrumental

Para Habermas, a saída não


está em recusar o Sistema
(Economia, Política e
Técnica), mas em recuperar
o Agir Comunicativo
naqueles espaços em que
ele foi “colonizado” pelo
agir instrumental.

Isso significa que, para Habermas, a emancipação não


mais depende da revolução (como propôs Marx), mas do
aperfeiçoamento dos mecanismos de participação
dentro da sociedade, respeitando-se o Estado de direito.
Teoria do Agir Comunicativo

Desta maneira, em sua Teoria do


Agir Comunicativo, a proposta de
Habermas não apenas criticar a
Razão Instrumental, mas reelaborar
uma proposta de racionalidade ainda
não inaugurada na Modernidade: a
Razão Comunicativa.

Ao contrário da Razão Instrumental, a Razão


Comunicativa não está voltada para apenas para fins
administrativos (Economia e Política), mas sim para o
acordo dialógico e consensual, que inclui também os
interesses da cultura (Ciência, Moral e Arte).
Teoria do Agir Comunicativo

Por meio dessa teoria, Habermas critica a Filosofia


da Consciência da tradição moderna (Descartes e
Kant) por estar fundada em uma reflexão solitária,
centrada no sujeito.

Por isso, propõe outro


paradigma em que a razão
não seja monológica, mas
dialógica, como resultado do
processo de entendimento
intersubjetivo.
Agir Comunicativo e intersubjetividade

Ou seja, a racionalidade é exercida individualmente


(Razão monológica), mas por meio de sujeitos
situados historicamente, que, pela fala,
estabelecem uma relação intersubjetiva numa
comunidade comunicativa.

A Razão Comunicativa, por estar


baseada no diálogo
intersubjetivo, tende a eliminar
as coações exercidas pela
Razão Instrumental, que visa
apenas o capital.
Princípios para a validade do discurso

Essa “pluralidade de vozes” não paralisa a razão no


relativismo, uma vez que, por meio do procedimento
argumentativo, o grupo busca o consenso a partir
de princípios que visam assegurar a validade.

Portanto, a verdade não


resulta da reflexão isolada,
mas é exercida por meio do
diálogo orientado por regras
estabelecidas pelos
membros do grupo, numa
situação ideal de diálogo.
Situação ideal de fala

Portanto, a situação ideal de fala consiste em


evitar a coerção unilateral de um determinado tipo de
discurso e, ao mesmo tempo, dar condições para
todos os participantes exercerem seus atos de fala no
diálogo.

Para Habermas, o critério da


verdade não consiste na
correspondência do
enunciado com os fatos,
mas sim no consenso
discursivo.