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Thomas Kuhn

“A descoberta começa com a consciência da anomalia”.

Thomas Kuhn
(1922-1996)
Etapas da pesquisa científica em Kuhn

Estabelecimento de E assim por


um um
um
NOVO
TERCEIRO
paradigma
paradigma diante...
paradigma

NOVA
Revolução
Revolução NOVA
Ciência
Ciência
Científica
Científica Normal

NOVA
Ciência
Ciência NOVA
Consciência
Anomaliada
Extraordinária anomalia
- Crise
- Crise
A Anomalia e a emergência das
Descobertas Científicas

“A descoberta começa com a


consciência da anomalia”.
(T. Kuhn)
A Ciência na perspectiva de Kuhn

No livro A estrutura das


Revoluções Científicas,
Kuhn aborda a Ciência por
um viés historicista,
buscando mostrar a
insuficiência de entendê-la
apenas pelas abordagens
indutivistas e
falsificacionistas.
A Ciência na perspectiva de Kuhn

Segundo o enfoque historicista de Kuhn, a ciência


desenvolve-se segundo processo cíclico de etapas:

1. Estabelecimento de um paradigma.
2. Ciência normal.
3. Consciência da Anomalia e Crise.
4. Ciência Extraordinária.
5. Revolução científica.
6. Estabelecimento de um novo paradigma.
Abordagem introdutória

Kuhn começa falando que a “descoberta


[científica] começa com a consciência da
anomalia, isto é, com o
reconhecimento de que, de alguma
maneira, a natureza violou as
expectativas paradigmáticas que
governam a ciência normal” (KUHN,
2007, p. 78).

No entanto, para entender o que é essa “consciência de


anomalia”, é preciso retomar os conceitos de
“paradigma” e “ciência normal”.
Conceito de “Paradigma”
Para Kuhn, a produção científica só começa quando
existe um conjunto de regras, princípios teóricos,
métodos e instrumentos que, por ser amplamente
aceito por uma comunidade científica, tem por
objetivo guiar a pesquisa. Esse conjunto é o que
ele chama de Paradigma:

“Considero ‘paradigmas’ as realizações científicas


universalmente reconhecidas que, durante algum
tempo, fornecem problemas e soluções
modelares para uma comunidade de praticantes
de uma ciência” (KUHN, 2007, p. 13).
Conceito de “Ciência Normal”

O estabelecimento e a aceitação de um paradigma pela


comunidade científica geram o que Kuhn chama de
Ciência Normal.
Ou seja, um paradigma representa a Ciência madura,
através da qual as pesquisas posteriores se basearão.

“‘Ciência normal’ significa a pesquisa firmemente


baseada em uma ou mais realizações científicas
passadas. Essas realizações são reconhecidas durante
algum tempo por alguma comunidade científica
específica como proporcionando os fundamentos para
sua prática posterior” (KUHN, 2007, p. 29).
Conceito de “Ciência Normal”
Portanto, a Ciência Normal se caracteriza não pelo
trabalho solitário de pesquisadores com suas ideias e
métodos independentes, mas, principalmente, pela
confluência e obediência da maioria dos cientistas a
um programa específico de Ciência. Por exemplo:

Teoria
A Mecânica O Evolucionismo
Eletromagnética
de Newton de Darwin
de Maxwell
Consciência de Anomalia
Quando surge algum fenômeno que o programa
presente não consegue explicar (ou que sua
explicação seja falha), o cientista não deve negar todo
o paradigma, como faria o falsificacionista.

Quando isso acontece, o


cientista deve ter a
convicção de que a falha
não está no paradigma, mas
em algum procedimento
pessoal ou técnico.
Consciência de Anomalia

Se, depois de tomadas


todas as providências
para melhorar o
programa, a falha ainda
persistir, então esta
deverá ser colocada de
lado para futuras
pesquisas e será
chamada de Anomalia.
Consciência de Anomalia

Segundo Kuhn, a ciência normal é “uma atividade


que consiste em solucionar quebra-cabeças, é um
empreendimento altamente cumulativo” (p. 77).

Isso quer dizer que a ciência


normal não se propõe em
descobrir novidades no
terreno dos fatos ou da
teoria, mas aprofundar
conceitualmente os elementos
teóricos do paradigma
vigente.
Consciência de Anomalia

No entanto, na prática científica não é assim que


acontece em todos os momentos: por vezes, “a
pesquisa orientada por um paradigma” induz “a
mudanças [novidades] nesses mesmos
paradigmas que a orientam” (p. 78).
Noutro trecho, diz Kuhn:

“Depois que elas [novidades] se incorporam à


ciência, o empreendimento científico nunca
mais é o mesmo” (p. 78).
Consciência de Anomalia

Fica então mais clara a afirmação de Kuhn:

“A descoberta [científica]
começa com a consciência da
anomalia, isto é, com o
reconhecimento de que, de
alguma maneira, a natureza
violou as expectativas
paradigmáticas que
governam a ciência normal”
(KUHN, 2007, p. 78).
Anomalia e descoberta científica
Porém, a mudança de categorias por meio das
anomalias é realizada em meio a resistência e
dificuldades, justamente porque elas violam aquilo
que é habitual.

Somente a
familiaridade com
tais anomalias fará
com que se chegue à
consciência de que
algo não saiu
conforme o previsto.
Anomalia e descoberta científica

“A novidade somente emerge com


dificuldade contra um pano de
fundo fornecido pelas expectativas.
Inicialmente experimentamos
somente o que é habitual e
previsto, mesmo em circunstâncias
nas quais mais tarde se observará
uma anomalia. Contudo, uma
maior familiaridade da origem à
consciência de uma anomalia ou
permite relacionar o fato a algo
que anteriormente não ocorreu
conforme o previsto” (p. 91).
Anomalia e descoberta científica

Com isso, esse conceito de anomalia se converte em


descoberta somente quando ele passa a ser visto
não mais como divergência, mas como algo já
previsto num projeto científico já aceito:

“Essa consciência da anomalia


inaugura um período no qual as
categorias conceituais são
adaptadas até que o que
inicialmente era considerado
anômalo se converta no previsto.
Nesse momento completa-se a
descoberta” (p. 91).
A Crise e a emergência das Teorias
Científicas

“O significado das crises


consiste exatamente no fato de
que indicam que é chegada a
ocasião para renovar os
instrumentos”.
(T. Kuhn)
O surgimento da crise

Apesar da novidade não ser uma tarefa da ciência


normal, inevitavelmente ela aparece na
investigação científica:

quanto mais a ciência normal


aprofunda um paradigma de
forma conceitual (teórico) e
experimental (prático), mais ela
aumenta o conteúdo informativo
da teoria, dando assim, margem
para o surgimento de inúmeras
novidades e anomalias não
previstas pelo paradigma vigente.
O surgimento da crise
Desta maneira, quando os cientistas não conseguem
mais resolver essas anomalias sérias, pode começar
uma fase de desconfiança em relação à eficiência do
paradigma por parte da comunidade científica:

“A emergência de novas teorias


é geralmente precedida por um
período de insegurança
profissional pronunciada, pois
exige a destruição em larga
escala de paradigmas e
grandes alterações nos
problemas e técnicas da ciência
normal” (p. 95).
O surgimento da crise

É justamente no momento em que se instala a


desconfiança em trabalhar com determinado
programa, fazendo com que os pesquisadores não se
sintam mais seguros em praticá-lo, é que se inicia a
etapa que Kuhn chama de Crise da Ciência:

“Como seria de esperar, essa insegurança é gerada


pelo fracasso constante dos quebra-cabeças da
ciência normal em produzir os resultados
esperados. O fracasso das regras existentes é o
prelúdio para uma busca de novas regras” (p. 95).
O surgimento da crise

Segundo Kuhn, “a proliferação de versões de uma


teoria é um sintoma muito usual de crise” (p. 99).

Sendo assim, a proposta


de um novo paradigma
frequentemente está
atrelada a um período em
que a ciência normal
correspondente está em
crise, como foi o caso, por
exemplo, do paradigma
copernicano.
O surgimento da crise

Sobre isso, afirma Kuhn:

“Enquanto os instrumentos
proporcionados por um paradigma
continuam capazes de resolver os
problemas que este define, a
ciência move-se com maior rapidez
e aprofunda-se ainda mais através
da utilização confiante desses
instrumentos” (p. 105)

“O significado das crises consiste exatamente no fato de


que indicam que é chegada a ocasião para renovar os
instrumentos” (105).