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Pragmatismo e Neopragmatismo

Prof. Paulo Rogério


1. Pragmatismo e
Neopragmatismo

“Verdadeiro é o
que funciona”.
O Pragmatismo
O Pragmatismo desenvolveu-se nos Estados Unidos a
partir do final do século XIX e, a partir do séc. XX,
orientou-se em diferentes tendências.

Herdeiro da tradição do
empirismo inglês (Locke, Hume
e Stuart Mill), o pragmatismo
buscou libertar-se da
metafísica racionalista.

Todavia, também não aderiu completamente ao


empirismo, pois ambas as ideias não conseguiram
resolver as relação entre razão e experiência.
Crítica ao Fundacionismo
Crítica ao Fundacionismo
Fundacionismo trata-se da tendência epistemológica que
entende a verdade e o conhecimento como crença
justificada, ou seja, como uma estrutura que se ergue
baseada em fundamentos certos e seguros, como na
metafísica tradicional.

Geralmente os filósofos
buscam justificar uma teoria Por exemplo: em
baseando-se em outra, em Descartes, a
ideia “Penso, logo
outra e mais outra, até
existo” é a base
chegar a uma ideia que seja para afirmar todo
o ponto de partida e que o racionalismo.
sustente todas as demais.
Crítica ao Fundacionismo

Ou seja, utilizando-se da
metáfora de um edifício,
todos os tijolos são
sustentados por um alicerce
(uma fundação).

Para contrariar essa ideia (fundacionismo), o


pragmatismo propõe o conceito de experiência como
um conjunto de relações que os seres humanos
estabelecem entre si e com o meio, de modo a
facilitar as ações e práticas futuras.
Crítica ao Fundacionismo

Deste modo, o teste da verdade não é uma ideia


“base” do passado, mas a experiência presente como
uma atividade conceitual capaz de guiar as ações
futuras em relação ao ambiente.

Ou seja, os conceitos de
experiência não são
ideias abstratas, mas
instrumentos que ajudam
o ser humano a orientar
sua ação prática.
Crítica ao Fundacionismo

“Para o pragmatismo, a experiência é substancialmente


abertura para o futuro: uma característica básica será
a possibilidade de fundamentar uma previsão. [...]
Desse ponto de vista, uma 'verdade' é, não porque
possa ser confrontada com os dados acumulados da
experiência passada, mas sim por ser suscetível de um
qualquer uso na experiência futura. [...] Nesse sentido,
a tese fundamental do pragmatismo é a de que toda a
verdade é uma regra de ação, uma norma para a
conduta futura”.
(ABBAGNANO, Nicola. História da Filosofia)
Crítica ao Fundacionismo

A verdade depende, portanto, dos resultados


práticos alcançados pela ação. Vale lembrar que o
pragmatismo filosófico não reduz grosseiramente a
verdade à utilidade.
Por exemplo, para o
pragmatista William James
uma proposição é
verdadeira quando
“funciona”, isto é, quando
permite que nos orientemos
na realidade, levando-nos de
uma experiência a outra.
Representantes do Pragmatismo

Charles S. Peirce Wlliam James John Dewey


(1839-1914) (1842-1910) (1859-1952)
Charles S. Peirce: falibilismo

Iniciador do pragmatismo, propôs o


conceito de falibilismo (conceito mais
tarde usado por Popper), teoria pela
qual se afirma que não podemos
estar absolutamente certos de
nada.

Ao analisar a linguagem, Peirce observa que o


pensamento produz “hábitos de ação” derivados de
certas crenças, que, por sua vez, tranquilizam as
dúvidas humanas. Por este motivo que nem todas as
crenças podem levar a bons resultados.
Charles S. Peirce: falibilismo
Segundo Peirce, somente aquelas crenças que se
originam da ciência e que podem ser confirmadas
pela experiência são capazes de conduzir à ação de
maneira eficaz e produzir bons resultados.

Porém, ainda assim, nenhuma prova


cientifica é “para sempre”, pois a
todo momento pode ser contestada
por uma nova experiência.

Mais tarde, trocou o nome de sua teoria para


pragmaticismo.
William James: funcionalismo

James entende o pragmatismo


como um método que nos ajuda a
olhar os fatos e avaliar os efeitos
práticos, a fim de nos orientar
adequadamente em nossa
experiência.

Neste sentido, James tem uma concepção


instrumental da verdade: a utilidade e a
função (enquanto capacidade de operar e de
agir) são, portanto, determinantes para
identificar a ideia verdadeira.
William James: pragmatismo moral

No campo da moral ocorre o mesmo: o bem e o


mal distinguem-se em função da sua utilidade e
importância para a vida.

Isso pode ser notado no seu livro A


vontade de Crer, no qual James
afirma que se pode crer em tudo o
que se queira, mesmo nas
verdades que não foram
demonstradas, como na fé religiosa.
John Dewey: instrumentalismo
Seguidor de James, o pragmatismo de Dewey é uma
espécie de instrumentalismo.
Tendo em vista que é
importante que as ideias
estejam ligadas à prática,
para Dewey elas são
propriamente instrumentos
para resolver problemas:
O grau de sua relevância e eficácia para alcançar este
fim é o que garante ou não a sua validade. Por isso as
ideias não são verdades ou falsidades absolutas, porque
podem ser corrigidas ou aperfeiçoadas.
O Neopragmatismo

Richard Rorty Donald Davidson Hilary Putnam


(1931-2007) (1917-2003) (1926...)
Rorty: o relativismo linguístico
Rorty recusa-se a buscar a “verdade objetiva”,
criticando a epistemologia tradicional, segundo a qual
a mente humana teria a capacidade de espelhar a
natureza e atingir sua representação precisa.

Propõe uma nova concepção de


filosofia antiplatônica, ou seja,
não essencialista assistemática.
Platão
Como os demais pragmatistas, rejeita o
fundacionismo, isto é, a noção de verdade última
como fundação de todas as outras.
Rorty: o relativismo linguístico
No entanto, enquanto os pragmatistas clássicos
referem-se à “experiência”, os neopragmatistas falam
em “linguagem” de modo não tradicional:

Concepção tradicional Concepção neopragmática

O objetivo da linguagem é O objetivo da linguagem é


descobrir a essência ligar objetos uns aos outros,
escondida das coisas de modo a compreender sua
(essencialismo) função (pragmatismo)

Por exemplo, não podemos saber o que é uma mesa,


a não ser ligando-a com conceitos como: “madeira”,
“cor castanha”, “dura”, “pesada”, “velha” etc.
Rorty: o relativismo linguístico

Rorty abandona de vez a tentativa de atribuir à


noção de verdade um papel explicativo.
Para ele, o significado das coisas (versões e crenças)
está sempre em aberto, aperfeiçoando-se na
comunidade através da reflexão e do diálogo,
capaz de buscar as novas crenças e novas
descrições de um mundo em mutação.
Além de Rorty, são representantes desse movimento,
evidentemente com diferenças de enfoques e de
conclusões, Hilary Putnam (1926) e Donald
Davidson (1917-2003).