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Imunologia

BIBLIOGRAFIA

- IMUNOLOGIA PARA ODONTOLOGIA


José F. Hofling & Reginaldo B Gonçalves (Artmed, 2006)

- FUNDAMENTOS DE IMUNOLOGIA
Ivan M. Roitt & Peter J. Delves (Guanabara-Koogan, 2004)

- IMUNOLOGIA CELULAR E MOLECULAR


Abul K. Abbas e Andrew H. Lichtman (Ed Elsevier, 5ª ed)

- IMUNOLOGIA
Eli Benjamini, Richard Coico, Geoffrey Sunshine 4ªed.(Ed.
Guanabara Koogan, 2002)
•O estudo de todos os aspectos do
sistema imune, incluindo sua estrutura
e função, falhas e alterações, banco de
sangue, imunização e transplantes de
órgãos.
•Estudo do sistema imune do corpo, suas
funções e alterações.

•Ciência que trata dos mecanismos do


corpo que o protegem contra substâncias
anormais ou estranhas.
•Ramo da Medicina relacionado com a
estrutura e função do sistema imune e técnicas
laboratoriais envolvendo a interação de
antígenos com anticorpos específicos.
IMUNOLOGIA
• Um sistema complexo que é responsável por
distinguir-nos de tudo o que é estranho a nós e por
nos proteger contra infecções e substâncias
estranhas.
• O sistema imune trabalha procurando e matando
invasores.
IMUNOLOGIA
•Sistema do corpo que protege contra a invasão de
substâncias estranhas, tais como bactérias e vírus e de
células cancerosas.
IMUNOLOGIA

•O sistema de defesa contra doenças, composto de certas


células brancas e anticorpos.

•Anticorpos são proteínas que reagem contra bactérias e


outros materiais perigosos.
IMUNOLOGIA
•Sistema complexo através do qual o corpo resiste à
infecções por micróbios, tais como bactérias e vírus e
rejeita tecidos e órgãos transplantados
•O sistema imune pode também ajudar o corpo a lutar
contra alguns tipos de câncer
IMUNOLOGIA

•Sistema de defesa biológico que apareceu em


vertebrados para proteger contra a introdução de
material estranho (tais como pólen e microrganismos
invasores) e prevenir o corpo de desenvolver câncer.
Imunologia
• Estuda os mecanismos pelos quais o
organismo responde a antígeno(s), reconhece
a si e o que é estranho a si

• Distinguir o próprio (“self”) do alheio (“non-


self”)
IMUNOLOGIA

• Células do sistema imune são altamente organizadas como um


exército.
• Cada tipo de célula age de acordo com sua função.
IMUNOLOGIA

• Algumas são encarregadas de receber ou enviar mensagens de


ataque ou mensagens de supressão (inibição),
• Outras apresentam o “inimigo” ao exército do sistema imune,
• Outras só atacam para matar,
• Outras constroem substâncias que neutralizam os “inimigos” ou
neutralizam substâncias liberadas pelos “inimigos”.
Histórico
IMUNIDADE => immunis = isento

•Indíviduos que sobrevivem algumas


doenças infecciosas ficam protegidos
contra essas doenças
História da Imunologia
“Aqueles que sentiam mais pena pelos doentes e pelos que morriam eram
aqueles que haviam tido a praga eles próprios e não haviam morrido
dela. ....eles se sentiam seguros, uma vez que ninguém adquiriu a mesma
doença duas vezes, ou, se adquiriu, o segundo ataque nunca foi fatal.
Estas pessoas se sentiam afortunadas .................... e imaginavam que
elas poderiam nunca morrer de nenhuma outra doença no futuro.”

Tucídides, A guerra do Peloponeso, 430 a.C.


aqueles que se recuperavam das doenças serviam de
enfermeiros
HISTÓRIA DA IMUNOLOGIA

Robert Kock - Teoria dos Germes – 1877


Doenças causadas por microorganismos
HISTÓRIA DA IMUNOLOGIA
Louis Pasteur
1879-1881
• Atenuação de agentes por
passagens em outros
hospedeiros (galinhas e
ovelhas)
• Imunização no homem (raiva)
=> IMUNOLOGIA
HISTÓRIA DA IMUNOLOGIA
Elie Metchnikoff
1883

Teoria dos fagócitos


=> Fagocitose

Imunidade celular
HISTÓRIA DA IMUNOLOGIA
Behring e Kitasato
1890

Antitoxina da difteria

Imunidade humoral
HISTÓRIA DA IMUNOLOGIA
Celularistas Humoralistas

LOUIS PASTEUR, PAUL EHRLICH,


1822-1895 1854-1915
França Alemanha
HISTÓRIA DA IMUNOLOGIA
Paul Ehrlich
1898

Primeira teoria de
formação dos
anticorpos
(Teoria da cadeia lateral)
Teoria da Cadeia Lateral – Ehrlich -
1898

O microrganismo se ligava a receptores pré-


formados em células, levando então essa célula
a produzir mais receptores (anticorpos),
portanto a especificidade era determinada
antes do encontro com o patógeno.
Teoria da Cadeia Lateral – Ehrlich -
1898
HISTÓRIA DA IMUNOLOGIA
Karl Landsteiner
1900

• Grupos sanguíneos
• Anticorpos naturais
• Transfusão sanguínea
HISTÓRIA DA IMUNOLOGIA
Burnet
1949-1953

Teoria da Seleção
Clonal: linfócitos
existem antes do
contato com o
antígeno e são
específicos
Teoria da Seleção Clonal

Linfócitos T e B de diferentes
especificidades (clones)
existem antes do contato com
agente
- Presença de receptores
específicos
Teoria da Seleção Clonal

- Cada linfócito apresenta


receptor contra uma molécula
em específica
- Após ligação com essa
molécula, o linfócito entra num
processo de ativação
- Linfócitos auto-reativos são
eliminados
HISTÓRIA DA IMUNOLOGIA
Zinkernagel
1974

descoberta da
especificidade das
respostas imunes
mediadas por células
T (restrição das
células T)
HISTÓRIA DA IMUNOLOGIA
Tonegawa
1978

descoberta do mecanismo
genético (recombinação
somática) que produz a imensa
variabilidade das
imunoglobulinas
IMPORTÂNCIA DO
ESTUDO DA
IMUNOLOGIA
Por que é importante?
• A importância do SI para saúde

– Respostas imunes defeituosas tornam o organismo


suscetível a sérias infecções, que podem levar a
morte.
Por que é importante?

• Vacinação é o método mais eficaz para proteger


os indivíduos contra infecções

• O único método que conduziu a erradicação de


uma doença humana.
Por que é importante?
• O aparecimento da AIDS nos anos oitenta enfatizou
a importância do sistema imune
Por que é importante?
• O impacto de imunologia vai além da proteção contra
doenças infecciosas.

• A resposta imune é a principal barreira contra o


transplante de órgãos
Por que é importante?
• Tratamento de câncer com base na
estimulação de respostas imunes

• Respostas imunes anormais


– Causa de muitas doenças
Denominações do sistema imunológico

“Sistema que dá imunidade ao indivíduo”


“Sistema de defesa do organismo”
“ Sistema que reconhece o self do non-self”

•Conceito de resposta imunológica


“Mecanismo pelo qual o organismo reconhece e responde
à substância que “considera” estranha”
Imunidade
Capacidade do organismo de
reconhecer substâncias que “considera”
estranhas
Reconhecimento
Metabolização
Neutralização
Eliminação

“Defesa do organismo”
Imunidade => Proteção

• Consequências desejáveis da Imunidade

• Resistência natural a infecção

• Resistência adquirida a infecção


Sistema Imunológico
• Falhas do seu funcionamento podem levar a:
• Imunodeficiências – Adquiridas ou Primárias

• Perda das defesas contra agentes infecciosos ou tumores

• Desregulação pode resultar em doenças


• autoimunes

• alergias
Proteção-Imunidade

• Consequências indesejáveis da Imunidade:

• Autoimunidade (lúpus, pênfigo, penfigóide)

• Hipersensibilidade (reações alérgicas)

• Rejeição (transplantes)
Resposta Imune

•Inata

•Adaptativa
Resposta imune Inata Resposta imune específica

Células e órgãos
especializados em defesa
Resposta Imune
• Inata
• Conjunto de sistemas bioquímicos, celulares e
humorais disponíveis contra infecções
• Não requer contato prévio com agente infeccioso
• Não gera memória imunológica
Resposta Imune
• Adaptativa

• Obtida durante a vida

• Altamente específica

• Requer contato prévio com um agente infeccioso para iniciar


Características da Resposta Imune
• Adaptativa

• Confere memória protetora contra o mesmo agente

• Dois grandes ramos

• Imunidade Humoral

• Imunidade celular
PROBLEMAS IMUNOLÓGICOS
1) Quem são os invasores?
Quem são os invasores?
Quem são os invasores?

VÍRUS

Hepatite A Hepatite B Hepatite C Herpes Polio

Sarampo Raiva HIV H5N1 Varíola


Quem são os invasores?

BACTÉRIAS

REGIÃO MICRORGANISMO INCIDÊNCIA


ANATOMICA %

PELE Staphylococcus epidermidis 85-100


104-106 Staphylococcus aureus 5-25
bact./cm2
Propionibacterium acnes 45-100
Corinebactérias aeróbicas 55
NARIZ &
NASOFARING
E
Staphylococcus epidermidis 90
Staphylococcus aureus 20-85
Pseudomonas auriginosa
OROFARINGE
Staphylococcus epidermidis 30-70

Quem são os invasores?


Staphilococcus aureus 35-40
Streptococcus pneumoniae 0-50
Streptococcus alfa e não- 24-99
hemolíticos
BACTÉRIAS Branhamella catarhalis 10-97
REGIÃO Haemophilus influenzae
MICRORGANISMO 5-20
INCIDÊNCIA
ANATOMICA Haemophilus parainfluenzae 20-35
%
Neisseria meningitidis 0-15
BOCA
PELE Staphylococcus epidermidis 85-100
104-106&
Saliva Staphylococcus aureus 5-25
bact./cm2
dentes
108 bact./ml Propionibacterium acnes 45-100
saliva Staphylococcus epidermidis
Corinebactérias aeróbicas 75-100
55
11 2
10
NARIZ bact./cm
&
placa
NASOFARING
E Staphylococcus aureus 75-100
Streptococcus
Staphylococcusmitis
epidermidis 100
90
Streptococcus
Staphylococcussalivarius
aureus 100
20-85
Lactobacilos
Corinebactérias aeróbicas 95
5-80
Actinomyces israeli
Branhamella catarrhalis 100
12
Após Haemophilus influenzae 25-100
12
antibioticotera Bacterioides fragilis
Klebsiella pneumoniae 90
pia Bacterioides oralis
Escherichia coli 90
Candida albicans
Pseudomonas auriginosa 6-50
OROFARINGE
PROBLEMAS IMUNOLÓGICOS
1) Quem são os invasores?
2) Por que SI nem sempre protege?
3) Por que não conseguimos produzir novas vacinas?
4) Por que fazemos respostas inapropriadas (alergias)?
5) Por que temos doenças auto-imunes?
6) Por que rejeitamos transplantes de órgãos?
7) Por que nosso estado emocional pode influenciar a R.I.?
Qual a maior fonte de substâncias estranhas
que entramos em contato diariamente?
POR QUE MONTAMOS RESPOSTA IMUNE
CONTRA MATERIAIS INÓCUOS?
Como as emoções influenciam
o Sistema Imune?
Classificação da resposta imunológica

a) Primária e secundária
b) Ativa e passiva
c) Inata e adaptativa
d) Humoral e celular
•Conceito de resposta primária

“É a resposta imunológica que ocorre quando o organismo


entra em contato pela primeira vez com o antígeno.”
AG

Sistema macrofágico

Sistema linfóide (T e B) (IgM)


(Formação de células memória)
Conceito de resposta secundária

•“Já houve contato prévio com o antígeno”


AG

Sistema macrofágico

Sistema linfóide (IgG)


(T memória e B memória)
• Resposta mais rápida e mais intensa
Vacinas
Classificação da resposta imunológica

 Primária e secundária
b) Ativa e passiva
c) Inata e adaptativa
d) Humoral e celular
Classificação da resposta imunológica
•Resposta ativa
• Recebe antígenos
• Haverá resposta imunológica

•Vacinações ou imunizações
•Exemplos de resposta ativa

- Toxóide Tetânico
Diftérico

- Bactérias atenuadas
Mycobacterium tuberculosis
•Exemplos de resposta ativa

- Vírus vivos atenuados


Vírus da poliomielite (Sabin - vo)
Vírus do sarampo
Vírus da rubéola
- Vírus mortos
Vírus da poliomielite (Salk - injetável)
•Exemplos de resposta passiva
•Resposta passiva
• recebe produtos da resposta imune
a) Linfócitos B

b) Linfócitos T

c) Monócitos
•Resposta passiva: recebe produtos da resposta imune
a) Produtos de linfócitos B
Recebe anticorpos Melhora a defesa

* Recém-nascido IgG materna


IgA do colostro
* Antitoxinas Diftérica
Tetânica
* Soro
•Resposta passiva: recebe produtos da resposta
imune

b) Produtos de linfócitos T e de monócitos

Citocinas

•Interferon 
• IL–3
• IL-2
IMUNIDADE
NATURAL = PRÓPRIA DOENÇA

ATIVA
ARTIFICIAL= VACINA ( Antígeno
atenuado -longa duração)
IMUNIDADE

NATURAL = ALEITAMENTO
PASSIVA
ARTIFICIAL= SOROTERAPIA.
( Anticorpos – curta duração)
Quais as diferenças entre reação
imunológica ativa e passiva?
O que é resposta imunológica
primária e secundária?
Classificação da resposta imunológica

 Primária e secundária
 Ativa e passiva
c) Inata e adaptativa
d) Humoral e celular
Conceito e componentes da resposta inata

•Inata ou inespecífica
•“O organismo responde sempre da mesma forma,
independentemente do antígeno.” (Varia só a
quantidade)
Conceito e componentes da resposta
adaptativa (específica)

•“O organismo reage de diferentes formas,


dependendo do antígeno” (Varia a
qualidade)
Componentes da resposta inata

* Barreira mecânica
* Fagócitos: quimiotaxia e fagocitose
* Sistema complemento
* Células NK
Barreira Mecânica
• É a primeira defesa existente no organismo
integrando a resposta imunológica inata ou
inespecífica
Barreira Mecânica
•É difícil para os microrganismos penetrarem
nos tecidos e órgãos enquanto a barreira
mecânica estiver intacta e em perfeita
funcionalidade
Pele

• É considerada o maior órgão do corpo humano


• É constituída por tecido epitelial ( epiderme) e por tecido conjuntivo
denso não modelado ( derme).
Resposta inata por meio da pele

Barreira mecânica

Pele
- Glândulas sudoríparas
Ácido lático
Ácido úrico
- Glândulas sebáceas
Triglicérides
Ácidos graxos

Descamação
Resposta inata por meio das mucosas

Barreira mecânica

Mucosas
-Sistema mucociliar
Integridade e funcionalidade
- Secreções
- Lactoferina
-  1-antitripsina: inibe a elastase de fagócitos
- Lisozima: rompe memb. citoplasmática

Descamação
Resposta inata

Barreira mecânica
Estômago
- pH ácido

Intestino
- Peristaltismo intestinal
- Flora bacteriana normal
- Muco
- Peptídeos
Resposta inata
Barreira mecânica

Espirros, tosse
- Eliminam patógenos

Febre
- IL-1, TNF, IL-6
Componentes da resposta inata

 Barreira mecânica
* Fagócitos: quimiotaxia e fagocitose
* Sistema complemento
* Células NK
Mecanismos básicos da imunidade inata

• Fagocitose • Quimiotaxia

• Citotoxicidade
Inflamação
O que é?

• chamada de processo inflamatório


• é uma resposta natural do organismo contra uma infecção ou
lesão do tecido com o objetivo de destruir os agentes agressores

•Ela faz parte do sistema imunológico


Inflamação Aguda

•Liberação de mediadores químicos aumenta a permeabilidade vascular


causando a inflamação aguda
•Dor-calor-rubor-tumor
Inflamação Aguda
• A Proteína C Reativa

• Concentração sérica aumenta 1000X durante a resposta


aguda bacteriana

• Liga-se a um grande número de microorganismos

• Ativa o sistema complemento resultando na deposição de


C3b na superfície dos microorganismos
Proteínas e Moléculas da Inflamação
Sangue
- Proteínas que atuam na inflamação

• Proteína C reativa: opsonização (72horas)

• 2-macroglobulina: inibe proteases plasmáticas

•  1-antitripsina: inibe proteases plasmáticas


Proteínas e Moléculas da Inflamação
Sangue
- Proteínas que atuam na inflamação

• Amilóide A sérica: quimiotática para neutrófilos, linfócitos e


monócitos

• Transferrina: transportadora de ferro

• Fibrinogênio: degrada fibrina, proliferação de fibroblastos

•  1-glicoproteína ácida: expressão de moléculas de


adesão
FEBRE

O aumento de determinadas citocinas, denominadas


pirógenos endógenos, que emitem mensagens para o
hipotálamo, leva ao aparecimento da febre.
Entre os pirógenos endógenos importantes encontram-se
•IL-1 e TNF => sintetizadas por monócitos e macrófagos

•IL-6 => secretada por linfócitos T auxiliares


Componentes Celulares
Fagócitos
Fagocitose é a ingestão e a digestão de
partículas sólidas por células.
A fagocitose pode ser um mecanismo de
alimentação, mas sua função principal é de defesa.
CÉLULAS FAGOCITÁRIAS

Fagócitos

Neutrófilos
Monócitos-macrófagos
Eosinófilos
RECEPTORES DE FAGÓCITOS

Existem diferentes receptores nas células fagocitárias:


• reconhecimento entre o próprio e o não-próprio
=> provocam o início da resposta inata
RECEPTORES DE FAGÓCITOS

Existem diferentes receptores nas células fagocitárias:


•receptores de sinalização
=> promovem a seqüência da resposta adaptativa após a
inata

• tipo de receptor permite a fase inicial das atividades biológicas


dos fagócitos
RECEPTORES DE FAGÓCITOS
Origem dos fagócitos mononucleares
Fagócitos mononucleares
Monócitos/macrófagos
(fagócitos profissionais)
Origem – Células primordiais (medula óssea)

Promonócitos (medula óssea)


IL-3
Monócitos (3 dias no sangue periférico)

Macrófagos (tecidos e cavidades)


Macrófagos
Denominações dos macrófagos

• Macrófagos livres
• Macrófagos alveolares
• Macrófagos pleurais
• Macrófagos peritoneais
• Células de Küpffer
• Células dendríticas
• Células de Langerhans
• Osteoclastos
• Células mesangiais glomerulares
• Histiócitos
QUIMIOTAXIA

Quimiotaxia é o fenômeno pelo qual as


células migram em linha reta em direção a
algum fator que as atrai
=> denominados fatores quimiotáticos
QUIMIOTAXIA

Para que haja atividade fagocitária, os


fagócitos deixam a circulação sangüínea

No meio extra-vascular, os fagócitos


dirigem-se por quimiotaxia ao local onde deverá
ocorrer a resposta imunológica
RECEPTORES DE FAGÓCITOS
Mecanismos básicos da
imunidade inata
Sistema Complemento
CONCEITO
• É um conjunto de no mínimo 30 proteínas plasmáticas
• Podem fazer parte da resposta imunológica
• Tem como resultado final a formação de
• Fatores quimiotáticos
• Anafilatoxinas
• Opsonização
• Lise de células ou de microrganismos
Sistema Complemento
• Anafilatoxinas
•fragmentos protéicos
•se ligam aos receptores específicos da superfície
celular e promovem a inflamação aguda
Sistema Complemento
• Opsonização
• processo que facilita a ação do sistema imunológico
por fixar opsoninas ou fragmentos do complemento na
superfície bacteriana, permitindo a fagocitose
Atividades do sist. complemento
Sistema Complemento
CONCEITO
• Ativação de várias proteínas plasmáticas
• Atuam como uma cascata de amplificação
Sistema Complemento

• Esse sistema funciona na imunidade inata e


adaptativa para defesa contra agentes microbianos,
resultando na lise de microorganismos pelo chamado
Complexo de Ataque a Membrana (MAC)
Ativação
• Via Clássica
• é desencadeada por ligação de C1 ao complexo Ag-Ac

• Via Alternativa
• por ligação de C3b -C3bBb(C3-convertase) a diversas
superfícies ativadoras
Cascata de ativação do complemento
SISTEMA COMPLEMENTO
 Ambas as vias convergem e levam à
formação dos mediadores
inflamatórios e do Complexo de
Ataque à Membrana (MAC)
Células NK
Células NK

•Têm um papel importante no combate


•infecções virais e células tumorais

•Exterminadoras Naturais (Natural Killer)


•atividade citotóxica contra células tumorais de diferentes
linhagens

•As células NK são componentes importantes na defesa


imunitária não especifica
Células NK

• Não são células fagocíticas

• Destroem as outras células através da degranulação e


libertação de enzimas que ativam os mecanismos de
apoptose da célula atacada
Células NK
Conceito e componentes da resposta
adaptativa (específica)
•“O organismo reage de diferentes formas,
dependendo do antígeno” (Varia a qualidade)

Características
* Memória
* Especificidade
* Heterogeneidade

Componentes:
* Resposta humoral (B)
* Resposta celular (T)
RESPOSTAS IMUNES
ADQUIRIDAS

IMUNIDADE IMUNIDADE
HUMORAL CELULAR

Linfócitos B
Mediada por
linfócitos T

Mediada por
Contra microorganismos
anticorpos intracelulares

Contra microorganismos Podem ativar diferentes Destruição e lise das


extracelulares e suas toxinas mecanismos efetores células infectadas

Facilitam Desencadeiam
a fagocitose a liberação de
mediadores inflamatórios

Mastócitos
•Onde se originam as células B e T?
Tecidos linfóides
Órgãos Linfóides

ÓRGÃO LINFÓIDE

• É um agrupamento de muitos linfócitos

• São as células responsáveis pela imunidade


adaptativa

• Ocorre a maturação dos linfócitos, resultando


em diferentes sub-populações
Anatomia e funções dos tecidos linfóides

• São classificados em
• órgãos geradores (primários)
• onde os linfócitos expressam inicialmente os receptores de antígenos e
atingem a maturidade fenotípica e funcional

• órgãos periféricos (secundários)


• onde as respostas dos linfócitos aos antígenos são iniciadas e
desenvolvidas
Anatomia e funções dos tecidos linfóides

• Órgãos linfóides geradores


• Medula óssea
• dá origem a todos os linfócitos
• onde as células B amadurecem
• Linfócitos bursa-equivalentes ou timo-independentes (linfócitos B ou
células B)
• Timo
• células T se desenvolvem e atingem um estado de competência funcional
• Timo-dependentes (linfócitos T ou células T)
Anatomia e funções dos tecidos
linfóides

• Os órgãos e tecidos linfóides secundários


• Linfonodos
• Baço
• Sistema imunológico associados às mucosas
Origem da imunidade celular e humoral

Medula óssea
célula primordial
Linfócito

Timo Medula óssea


Linfócitos T linfócitos B

Linfonodos, baço, MALT

Imunidade celular Imunidade humoral


MEDULA ÓSSEA
•HEMATOPOIESE: PRODUÇÃO DAS CÉLULAS DO
SANGUE
Sem medula óssea funcional o
sistema imunológico
irá à falência
MEDULA ÓSSEA

•Como órgão hematopoiético, dá origem


a todos os linfócitos a partir da célula
primordial linfóide

•A maioria desses linfócitos migra para o


timo, diferenciando-se em linfócitos T
MEDULA ÓSSEA
•Uma minoria permanece na medula óssea, que agora irá
atuar como órgão linfóide central, promovendo a
maturação dessas células e originando os linfócitos bursa
equivalentes
TIMO

•Na vida embrionária, o timo é o primeiro órgão linfóide a aparecer

•Ao nascimento, pesa cerca de 10 a 15 gramas, atingindo seu peso


máximo na adolescência, com 15 a 30 gramas
TIMO

•Após a adolescência, o timo regride progressivamente, diminuindo de


peso, tendo o menor tamanho no idoso

•A involução tímica no decorrer da vida tem relação com a


observação de maior número de infecções virais e menor defesa
antitumoral em idosos
TIMO
• As principais funções são
• maturação ou diferenciação de linfócitos
•produção de hormônios
• Tomosina
• Timopoetina
• Fatores tímicos humorais

• A principal função dos hormônios tímicos é


promover a maturação de linfócitos
TIMO

• A maturação ocorre por


• ganho de grupamentos moleculares na superfície da célula
• denominados grupos de diferenciação
• designados pela sigla CD (cluster of differentiation), que
são geralmente glicoproteínas
TIMO
• CD1 (cluster 1 of differentiation), CD2, CD5 e CD7 são grupos de
diferenciação que aparecem desde as fases iniciais da maturação
• Indica imaturidade desses linfócitos
• Existem aproximadamente 350 CD identificados (2009)
TIMO
• O aparecimento de CD3, CD4, CD8 e TCR na membrana celular linfocítica
indica
•linfócitos T atingiram a maturação
•estão aptos a combater antígenos
Maturação de linfócitos timo-dependentes
Timo

Maturação de linfócitos T

CD1
CD3
CD2 CD4
CD5 CD8
TCR
CD7

T imaturo T maturo
TCR

•O receptor da célula T dá especificidade ao linfócito


TCR

•O receptor da célula T dá especificidade ao linfócito

•Desde sua diferenciação, o linfócito já está predestinado a


atuar contra determinadas substâncias, dependendo do TCR
que apresente
TCR

•O receptor da célula T dá especificidade ao linfócito

•Desde sua diferenciação, o linfócito já está predestinado a


atuar contra determinadas substâncias, dependendo do TCR
que apresente

• Torna inerente ao linfócito a habilidade de defesa contra


determinado agente
TCR
ÓRGÃOS LINFÓIDES PERIFÉRICOS

• Estão distribuídos por todo o organismo

•propiciando um encontro mais rápido com antígenos

•Linfonodos, o baço e o tecido linfóide associado à mucosa


(MALT)

•O principal fenômeno

•Diferenciação final

•Proliferação de linfócitos
LINFONODOS (gânglios linfáticos)
•São estruturas ovais situadas ao longo do sistema linfático

Estão localizados em diversas regiões do organismo e “filtram a linfa”


(líquido drenado a partir do interstício e sangue)
LINFONODOS (gânglios linfáticos)
•Contêm linfócitos B na região cortical e linfócitos T na área paracortical
LINFONODOS (gânglios linfáticos)
•Apresentam vários vasos linfáticos

•aferentes por onde penetram os antígenos

•vaso linfático eferente por onde saem linfócitos que já atuaram na resposta
imunológica
LINFONODOS (gânglios linfáticos)
Entrada de antígenos e localização de linfócitos timo-dependentes e bursa-
equivalentes
BAÇO
• É o órgão linfóide que contém a maior quantidade de linfócitos do
organismo
• É constituído por polpa vermelha e branca
BAÇO
•Na polpa vermelha há destruição de células danificadas ou
envelhecidas
BAÇO
•A polpa branca coleta antígenos e retém linfócitos
• se encontram linfócitos T em torno da arteríola central
•no centro germinativo acham-se os linfócitos B
Baço

B B
Arteríola TT T B B Centro
central T B germinativo
B
T T T B B

Polpa branca do baço

•Há proliferação desses linfócitos com aumento do órgão, na


dependência da intensidade da resposta imunológica
TECIDO LINFÓIDE ASSOCIADO ÀS MUCOSAS
(MALT)

•São os órgãos linfóides periféricos encapsulados ou não,


encontrados ao longo das mucosas

• Ocorre a resposta adaptativa humoral e/ou celular das mucosas


Tecido linfóide associado às mucosas
(MALT)

Classificação
* Galt – tecido linfóide associado ao sistema digestivo

* Balt – tecido linfóide associado aos brônquios

* Tecido linfóide associado ao geniturinário


OS INVASORES DO ORGANISMOS E
OS MECANISMOS DE DEFESA
Interleucinas
• São PROTEINAS

• Produzidas principalmente por CÉLULAS T, MACRÓFAGOS e


células teciduais

• Funções

• Maioria envolvida na ativação dos linfócitos

• Indução da divisão de outras células


Interleucinas

•IL-1: Aumenta produção de proteína C reativa

•IL-2: induz a expansão clonal, estimulação de células NK

•IL-3: estimula a produção de muco

•IL-4: proliferação de células B; papel importante na resposta


alérgica e estimulação da produção de IgE
Interleucinas

•IL-5: desenvolvimento e estimulação das células B e eosinófilos

•IL-6: Aumenta produção de proteína C reativa

•IL-7: envolvidas na sobrevivência das células B, T e NK

•IL-8: quimiotáticas para neutrófilos e linfócitos T

•IL-9: estimula os mastócitos


Interleucinas

•IL-10: inibe a produção da citocina Th1, suprime função dos macrófagos e


ativa linfócitos B

•IL-11: sintetizada pelos fibroblastos do estroma medular

•IL-12: estimulação das células NK e células T a produzirem IFN, indução das


células Th1

•IL-13: estimulação do crescimento e diferenciação das células B e inibe


macrófagos
Interleucinas
•IL-14: fator de crescimento para células B e inibe síntese
de imunoglobulinas

•IL-15: fator de crescimento de células NK

•IL-16: quimiotático para certas células imunitárias

•IL-17: Indução da produção de citocinas

•IL-18: potencializa ações da IL-12, estimula produção de IFN


AS RESPOSTAS Th1 E Th2

Defesa mediada por fagocitose

Células B de memória

Plasmócitos

• são uma sub-divisão de células T


- APC entra em contato com linfócito T “virgem” que expressam um tipo especial
- conforme as interleucinas a resposta será 1 ou 2 de antígeno nas suas superfícies
- o desenvolvimento de uma resposta inibe a outra
Interferon (IFN)

•PROTEÍNA produzida pelas células do organismo para defendê-lo de


agentes

•externos como vírus e bactérias

•células tumorais

•Os interferóns induzem um estado de resistência antiviral em células


teciduais não infectadas
Interferón (IFN)

• O vírus, ao replicar-se, vai ativar o gene codificante do interferón

•Após a síntese proteica, a proteína sai da célula e entra na corrente


sanguínea, até chegar às células vizinhas que ainda não foram
atacadas

•A proteína liga-se à membrana celular dessas células e ativa o gene


codificante de proteínas antivirais
Interferón (IFN)

•Estas proteínas antivirais, por sua vez, vão impedir a replicação


do vírus, quando este tentar replicar-se nessas células

• são produzidos na fase inicial da infecção e constituem a


primeira linha de resistência a muitas viroses
Interferon (IFN)
Imunoglobulinas

CONCEITO

• São proteínas plasmáticas efetoras da resposta


imunológica
Imunoglobulinas

Diversas atividades biológicas

• combatem diversas substâncias

• apresentam ações diretas na defesa do organismo

• funcionam como anticorpos


• Quando unidos a antígenos
Imunoglobulinas
Uma das características das imunoglobulinas é que
se combinam exclusivamente com a substância que
induziu a sua formação
Imunoglobulinas
• ESTRUTURA

• são todas construídas a partir das mesmas unidades


básicas
ESTRUTURA BÁSICA DAS IMUNOGLOBULINAS

• Constituído

• Duas cadeias polipeptídicas leves - “L” (light)

• Duas cadeias polipeptídicas pesadas - “H” (heavy)

• Estando unidas entre si por pontes dissulfeto


Imunoglobulinas

• ESTRUTURA BÁSICA
• Cadeias leves e Pesadas
• Pontes dissulfeto
• Regiões Variáveis (V) e Constantes (C)
• Região da dobradiça
Imunoglobulinas
• ESTRUTURA BÁSICA
• A. Cadeias leves e Pesadas
• Todas as imunoglobulinas têm uma estrutura de quatro cadeias como
unidade básica
• duas cadeias leves idênticas e duas cadeias pesadas idênticas
Imunoglobulinas
• ESTRUTURA BÁSICA
• B. Pontes dissulfeto
• 1. Pontes dissulfeto intercadeia
• Mantém as cadeias pesada e leve juntas
• 2. Pontes dissulfeto intracadeia
• Dentro de cada uma das cadeias
Imunoglobulinas
• ESTRUTURA BÁSICA
• C. Regiões Variáveis (V) e Constantes (C)
• ambas as cadeias pesadas e leves podem ser divididas em
duas regiões baseando-se na variabilidade da seqüência de
aminoácidos
• 1. Cadeia leve - VL e CL
• 2. Cadeia Pesada - VH e CH
Estrutura das Imunoglobulinas
• Uma zona constante que determina a função
efetora

• Uma zona variável que determina a


especificidade
Funções de cada domínio das imunoglobulinas
Imunoglobulinas
• D. Região da dobradiça
• Esta é a região com a qual os braços da
molécula de anticorpo formam umY
• Flexível
• Faz com que os braços assumam
ângulos variáveis, quando ligados ao
antígeno
Imunoglobulinas
• FUNÇÕES GERAIS

A. Ligação a antígeno

B. Funções Efetoras
Imunoglobulinas
• FUNÇÕES GERAIS
A. Ligação a antígeno

• Cada imunoglobulina liga-se a um determinante


antigênico específico
Imunoglobulinas
• FUNÇÕES GERAIS
B. Funções Efetoras

• Freqüentemente a ligação de um anticorpo a um antígeno


não tem efeito biológico direto

• Os efeitos biológicos significantes são conseqüência de


“funções efetoras” secundárias de anticorpos
Mecanismos efetores da R.I. contra bactérias
extracelulares e toxinas
NEUTRALIZAÇÃO

` ` ` `

Y Bloqueia ligação com células Bloqueia a toxina

Y
Previne invasão Previne toxicidade
Imunoglobulinas
B. Funções Efetoras
• 1. Fixação ao complemento
• liberação de moléculas biologicamente ativas
• resulta na lise de células

• 2. Ligação a vários tipos celulares


• Células fagocitárias, linfócitos
Complemento
Atividades biológicas das imunoglobulinas

• Atividades
•primárias – resultado das ligações aos antígenos

•Secundárias – próprias de cada classe ou subclasse

Ex.: IgG atravessa placenta


Atividades biológicas primárias das imunoglobulinas

1) Lise
* Ação direta nas membranas celulares

2) Neutralização
* Recobrindo a porção deletéria da substância

3) Aglutinação
* Agregação de anticorpos a certas bactérias
Atividades biológicas primárias das imunoglobulinas

4) Precipitação
* União a substâncias solúveis formando complexos insolúveis

5) Opsonização
* Facilitam a fagocitose

6) Ativação do complemento
CLASSES DE IMUNOGLOBULINAS
• Podem ser divididas em cinco classes diferentes
• Todas a imunoglobulinas de uma mesma classe tem
regiões constantes de cadeia pesada muito similares
• 1. IgG
• 2. IgM
• 3. IgA
• 4. IgD
• 5. IgE
PROPRIEDADES DAS IG
•IgG
• A mais versátil imunoglobulina porque é capaz de realizar
todas as funções das moléculas de imunoglobulinas
a) é a principal Ig no soro - 75%
b) é a principal Ig em espaços extra vasculares
c) Transferência placentária - é a única classe de Ig que
atravessa a placenta
PROPRIEDADES DAS IG
• IgG
d) Fixação do complemento
e) Ligação a células
– Macrófagos, monócitos, PMN's e alguns linfócitos
têm receptores para a IgG
• O anticorpo prepara o antígeno para ser “comido” pelas células
fagocitárias
Propriedades das Ig

IgA
• É a 2a Ig mais comum no soro
• Principal classe de Ig em secreções – lágrimas, saliva,
colostro, muco
• Uma vez que é encontrada em secreções é importante
na imunidade local (mucosa)
• Pode se ligar a algumas células - PMN's e alguns
linfócitos
Principais atividades biológicas da IgA

1) Neutraliza toxinas
2) Ação antiviral
3) Aglutinadora
4) Ação em pili bacteriano
Propriedades das Ig

IgM
• É a terceira Ig mais comum no soro
• É a primeira Ig a ser feita pelo feto
• A primeira Ig a ser feita por uma célula B virgem
quando é estimulada pelo antígeno
• É uma boa fixadora do complemento
• São muito eficientes em levar à lise de microrganismos
Propriedades das Ig

IgD
• Encontrada em baixos níveis no soro
• Primariamente encontrada em superfícies de célula B
onde funciona como um receptor para antígeno
• Liga complemento IgD
YY Y
YY
Linfócito B
maturo
Propriedades das Ig

IgE
• é a Ig menos comum
• Envolvida em reações alérgicas
• Ligação do alergeno à IgE nas células
resulta na liberação de vários mediadores
farmacológicos que resulta em sintomas
alérgicos
• Não fixa complemento