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BASES POLÍTICAS DO BRASIL História do Brasil

IMPÉRIO Prof. Lílian


D. PEDRO II NO CONTEXTO DO GOLPE DA
MAIORIDADE
* Finalizadas as Regências, iniciou-se o mais longo período
administrativo da história brasileira: o Segundo Reinado.
*Após o insucesso do processo descentralizador, estava clara para a
elite brasileira a necessidade de se manter o poder centralizado nas
mãos de D. Pedro II, para a perpetuação dos privilégios baseados na
posse de terras, no controle da renda e do poder político e na
manutenção do trabalho escravo.
*O imperador simbolizava o desejo pela unidade política do Brasil,
promovendo a coalizão social e política fundamental para manter a
aristocracia agrária no poder.
AINDA NO PERÍODO REGENCIAL
*Transformação dos partidos Progressista e Regressista em Partido
Liberal e Conservador
*Nessa fase, o Partido Liberal se preocupava em concretizar os
principais pontos do Ato Adicional, já o Partido Conservador queria
restringir a capacidade descentralizadora desse ato, o que conseguiu
através da Lei Interpretativa.
Compostos de facções políticas que buscavam o poder, não havia nas
propostas partidárias o eixo encaminhador de uma discussão que
pudesse democratizar a nação ou promover uma melhoria social.
Isso tem relação ao voto censitário.
Devido ao choque das rebeliões regenciais.
OS PRIMEIROS ANOS 1840-1848
*Após a ascensão de D. Pedro II, foi instaurado um ministério
composto de liberais, conhecido como Ministério dos Irmãos, devido
à presença dos irmãos Andradas (Antônio Carlos e Martim Francisco)
e dos irmãos Cavalcanti (Antônio Francisco e Francisco de Paula).

*Porém ele foi destituído para evitar atritos, e D. Pedro II convoca


novas eleições – as Eleições do Cacete: os liberais utilizaram todos os
instrumentos de opressão durante o processo eleitoral.

*Após o fraudulento pleito, ocorreu uma enorme pressão dos


conservadores junto ao imperador, que optou por colocá-los no
poder, dissolvendo o Ministério dos Irmãos.
*Os saquaremas retomaram o projeto de centralização do sistema
administrativo através das seguintes ações:
- reformulação do Código de Processo Criminal Penal, diminuindo o poder
regional;
- reorganização da Guarda Nacional, acabando com a eleição de seus
dirigentes e instituindo a nomeação;
- restauração do Conselho de Estado – órgão consultivo do Poder
Moderador que havia sido fechado temporariamente pelo Ato Adicional
de 1834;
- convocação de novas eleições, em 1º de maio de 1842.
O novo processo eleitoral promoveu a vitória dos conservadores por
meio dos mesmos métodos das “Eleições do Cacete”: o uso da
repressão, provocando a insatisfação dos liberais, pois perderam o
controle do gabinete e a maioria do Parlamento.
O reflexo imediato foi a eclosão de várias revoltas nas províncias de
São Paulo e Minas Gerais.
AS REVOLTAS LIBERAIS DE 1842
* Contestando as reformas e a exclusão do Partido Liberal do poder,
insurgentes paulistas iniciaram revoltas liberais, dominando algumas
cidades do interior, como Sorocaba, mas sendo derrotados pelas
tropas imperiais chefiadas pelo brigadeiro Lima e Silva, responsável
pela prisão de uma das lideranças do movimento, o antigo regente
padre Feijó.
*Avançando em direção a Minas Gerais, o futuro duque de Caxias
conseguiu desarticular a resistência coordenada pelo liberal Teófilo
Otoni.
*Demonstrando pouca organização, os revoltosos foram rapidamente
detidos. Alguns líderes do movimento enfrentaram o exílio ao serem
deportados para Portugal, sendo anistiados apenas em 1844, com a
posse de um gabinete composto de liberais.

*Parte da explicação do longo período do governo de D. Pedro II foi


sua habilidade e jogo político de alternância de liberais e
conservadores no poder.
O “PARLAMENTARISMO ÀS AVESSAS”
Em 1847, D. Pedro II organizou a política brasileira sob a orientação
parlamentarista, com a criação do cargo de presidente do Conselho
de Ministros, que deveria cumprir a função de primeiro-ministro na
estrutura administrativa do Brasil.
Porém, no caso brasileiro, o primeiro-ministro se encontrava
subordinado à autoridade do Poder Moderador, ou seja, a D. Pedro
II, diferente da Inglaterra.
*Assim, a disputa entre o Partido Liberal e o Partido Conservador se restringia
ao controle do cargo de presidente do Conselho de Ministros, atendendo aos
interesses políticos de D. Pedro II, que se afastava do conflito partidário para
governar sem enfrentar oposições.
*Nota-se que, no parlamentarismo brasileiro, diferentemente do inglês, o peso
do eleitor na decisão política era limitado, assumindo o imperador, via Poder
Moderador, o protagonismo político
*Da mesma forma, essa organização política gerava um esvaziamento do
debate político nacional através da atuação arbitrária de Pedro II. Durante
todo o Segundo Reinado, 21 gabinetes ficaram sob o controle dos luzias
(liberais) e 15 ficaram sob o controle dos saquaremas (conservadores).
REVOLUÇÃO PRAIEIRA (PERNAMBUCO,
1848-1850)
* Um grupo de liberais pernambucanos contestava o controle
político da província pelas oligarquias regionais, em especial a
família Cavalcanti de Albuquerque, que tinha representantes no
Partido Liberal e no Partido Conservador.
Para demonstrar a insatisfação, os liberais radicais (praieiros)
fundaram o jornal Diário Novo, principal veículo de comunicação da
oposição, localizado na Rua da Praia, em Recife
Em 1848, o Diário Novo publicou um manifesto revolucionário para a
população, intitulado Manifesto ao Mundo, contendo as principais
reivindicações do movimento, entre as quais merecem destaque:
*voto livre e universal;
*plena liberdade de divulgar os pensamentos através da imprensa;
*extinção do Poder Moderador;
*introdução do federalismo e da República no Brasil;
*reforma no Poder Judiciário.
Durante a Revolução Praieira, a temática da escravidão foi objeto de
divergência. Alguns setores do movimento se manifestavam favoráveis ao
abolicionismo, posição conflitante com os grupos elitistas, que
participavam das manifestações apenas por questões políticas.
Há divergências entre historiadores sobre o apoio à abolição da Rev.
Praiera.
Apesar da luta armada dos praieiros pelas reformas liberais, o
movimento foi massacrado pelas tropas fiéis ao Governo Federal.
Alguns líderes foram presos, mas anistiados no ano de 1851.
ESTABILIZAÇÃO POLÍTICA E
CONCILIAÇÃO
Após o conflito da Revolução Praieira, o cenário político do Império
se estabilizou.
Os atritos entre liberais e conservadores permaneceram minimizados,
haja vista a semelhança nas propostas dos dois grupos, evidenciada
na articulação política ocorrida entre os anos de 1853 e 1858 pelo
marquês de Paraná. Este conseguiu promover a união entre o
Partido Liberal e o Partido Conservador dentro de um projeto
administrativo conhecido como fase da conciliação, no qual os dois
partidos governariam juntos.
ECONOMIA
*O país estava em crise desde a Independência, gastos dos outros
reis, etc.
*A mudança do quadro econômico veio durante o Segundo Reinado
através da entrada brasileira no mercado de exportação de um
produto primário: o café.
*Introduzido no Brasil em 1727, o café era utilizado apenas na
agricultura de subsistência, não tendo função comercial. Somente no
século XIX o produto adquiriu um amplo mercado para exportação,
principalmente na Europa.
*Como a economia das colônias francesas, que já comercializavam
café, estava em crise, o Brasil intensificou o plantio da cultura no Sudeste.
A partir de 1825, a área plantada alastrou-se pela região do Vale do
Paraíba, seguindo o padrão do açúcar, ou seja, utilizando mão de obra
escrava em grandes latifúndios.

*A região do Vale do Paraíba foi a grande responsável pelo avanço da


economia cafeeira até os anos de 1870, quando o Oeste Paulista
conseguiu ultrapassar a produção do Vale.

*Deve-se ressaltar que, tanto na produção realizada no Vale do Paraíba


quanto na do Oeste paulista, não houve a ruptura brasileira com o modelo
tradicional de divisão internacional do trabalho, permanecendo a nação
dependente de gêneros primários.
*Essa rápida queda da produção do Vale do Paraíba se explica pelo
desgaste do solo e pela ausência de uma racionalidade na produção, que
se baseava nos conceitos arcaicos do Período Colonial, sendo a elite da
região incapaz de empreender a modernização da produção.
*Exemplo disso foi a insistência dos fazendeiros do Vale do Paraíba em
utilizar o regime de trabalho escravocrata, não investindo na mão de
obra livre, que poderia fornecer maior lucro.
*Terra roxa
*Mão de obra imigrante
A expansão do café na região Sudeste também estimulou a formação
da malha ferroviária brasileira, fundamental para o escoamento da
produção nos portos do Rio de Janeiro e São Paulo. O país
apresentou um salto de 14,5 km de estradas de ferro em 1854 para
13 980 km em 1899, sendo que 8 713 km estavam na região
cafeeira.
* Socialmente, a riqueza oriunda do café foi responsável pela
projeção política dos fazendeiros do Sudeste, chamados de barões
do café, que foram fundamentais para as mudanças nos rumos
políticos do país na transição do Império para a República.
AÇÚCAR
*Não se pode esquecer, porém, de que, no século XIX, o Brasil teve
outros tipos de produção agrícola que foram importantes para o
desenvolvimento da economia nacional. Merece destaque a produção
do açúcar, do algodão e do cacau.
*Durante praticamente todo o Segundo Reinado, o AÇÚCAR manteve
a condição de segundo principal produto de exportação, perdendo
apenas para o café. Isso mostra que, apesar da concorrência das
Antilhas e do açúcar de beterraba da Europa, a produção açucareira
brasileira ainda detinha uma considerável importância econômica.
ALGODÃO
*Um dos períodos em que o açúcar perdeu a posição de segundo
lugar na exportação brasileira foi durante os anos de 1861 a 1870,
quando o Brasil apresentou um aumento na venda do ALGODÃO
para a Europa.
*Essa exportação esteve associada à queda da produção norte-
americana em virtude da Guerra de Secessão, permitindo um rápido
e curto processo de desenvolvimento da região do Maranhão,
principal área de plantio de algodão no país.
BORRACHA
*Já no final do século XIX, foi a vez da borracha assumir um papel
importante nas exportações nacionais. Nesse período, as economias
inglesa e norte-americana necessitavam desse produto para a
fabricação de componentes da indústria automobilística.
*Porém, a borracha brasileira mostrou-se cara para os países
industrializados, já que o extrativismo era realizado no meio de
floresta e o trabalho manual era lento e dispendioso. A solução
encontrada pela Inglaterra e pelos EUA foi o plantio de seringais na
Ásia, o que levou a uma repentina queda das exportações
brasileiras, promovendo a decadência econômica da região.
O DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL
A indústria do Período Imperial encontrava alguns obstáculos para promover
seu desenvolvimento, como a manutenção da mão de obra escrava, o que
restringia o mercado consumidor e potencial, e os privilégios comerciais obtidos
pela Inglaterra (acordo de 1810 e renovação no ano de 1827), responsáveis
pelo fracasso das manufaturas nacionais, que não conseguiam concorrer com
os produtos ingleses. Apesar do cenário adverso para o desenvolvimento
industrial nacional, o Brasil assistiu à formação das suas primeiras manufaturas
com a contribuição dos seguintes elementos:
TARIFA ALVES BRANCO
O ministro da Fazenda, Manuel Alves Branco, elevou os impostos de
importação a uma taxa de 60% para os produtos que tivessem
similares no Brasil. Já os produtos que não fossem fabricados em
território nacional pagariam apenas 30% de taxa de importação.
Assim, a elevação dos preços das mercadorias estrangeiras foi
fundamental para incentivar a indústria do Brasil Império.
DESVIO DO CAPITAL ANTES INVESTIDO
NA COMPRA DE ESCRAVOS
Após o ano de 1850, o governo brasileiro, pressionado pelos
interesses ingleses, proibiu o tráfico de escravos no Brasil através da
Lei Eusébio de Queirós. Como havia um considerável investimento no
lucrativo comércio de escravos, o fim do tráfico acarretou o
excedente de capitais que passaram a ser investidos em outros
setores da economia, entre os quais, a indústria.
LUCROS PROVENIENTES DO CAFÉ
Parte considerável do que era conseguido com as exportações de
café era investida em outros ramos da economia, merecendo
destaque as atividades industriais. Isso explica o fato de São Paulo e
Rio de Janeiro terem uma predominância no processo de
desenvolvimento industrial brasileiro, já que o café esteve ligado
diretamente à economia desses estados no final do século XIX e início
do século XX.
INICIATIVAS PARTICULARES
Entre os grandes responsáveis por esses empreendimentos, destaca-se
Irineu Evangelista de Souza, mais conhecido como barão e depois
Visconde de Mauá.
*Construção das primeiras estradas de ferro, para facilitar o
escoamento do café aos portos brasileiros;
*Construção de um estaleiro;
*Fundação de bancos;
*Implantação da iluminação a gás do Rio de Janeiro;
*Criação da companhia de bondes;
*Construção do primeiro cabo telegráfico submarino ligando o Brasil
à Europa.
O desenvolvimento da indústria brasileira está diretamente ligado à
história do Visconde de Mauá. Porém, por falta de incentivo
governamental, já que o Império estava atrelado aos interesses da
elite agrária, e com a pressão do capital estrangeiro, Mauá viu seus
empreendimentos entrarem em falência no ano de 1878.