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REABILITAÇÃO EM

PACIENTES AMPUTADOS
AMPUTAÇÃO
• Amputação é o termo utilizado para definir a
retirada total ou parcial de um membro,
sendo este um método de tratamento para
diversas doenças.
ETIOLOGIAS (CAUSAS PARA
AMPUTAÇÃO)
• Queimaduras
• Congelamento
• Congênitas : malformações
• Traumas: lesão por esmagamento
• Tumores: forma profilática do osteossarcoma
• Infecções: osteomielite
• Causas vasculares: Insuficiência vascular
periférica como consequência de diabetes,
aterosclerose, tromboses arteriais, outras.
DADOS
• aproximadamente 80% das amputações de
MMII são realizadas em pacientes com doença
vascular periférica e/ou diabetes.
FASE PRÉ-CIRÚRGICA
• O tratamento pré-operatório não pode ser realizado
com todos os pacientes.
• Geralmente são pacientes que apresentam uma
patologia em evolução e ainda lutam pela não
amputação, como os portadores de doenças arteriais
oclusivas crônicas, diabetes...
• Devem ser avaliados a ADM das articulações e a força
muscular, tanto do segmento envolvido como dos
membros contralaterais, o grau de independência do
indivíduo para a realização das AVDs, o
condicionamento físico, o suporte social e a forma de
enfrentamento do paciente diante da cirurgia.
• Estado psicológico.
PROGRAMA DE EXERCÍCIOS
NOS CASOS DE AMPUTAÇÃO DE MMII
• Objetivos: corrigir ou prevenir deformidades;
aumentar força, mobilidade e equilíbrio.
• Os membros superiores devem ser fortalecidos,
preparando o indivíduo para as transferências, a
independência no leito, o trabalho nas barras
paralelas e a condução de cadeiras de rodas.
• Em casos de amputações unilaterais, o membro
contralateral precisa ser monitorado e também
estimulado, visando-se ao fortalecimento e à
prevenção/correção de deformidades.
FASE PRÉ-CIRÚRGICA
• As posturas assumidas pelos pacientes nos períodos
que antecedem a cirurgia são um importante fator
causador de encurtamentos e deformidades.
• Desde esta fase, as orientações quanto ao
posicionamento do tronco, membros superiores e
inferiores devem ser disponibilizadas.
FASE PRÉ-CIRÚRGICA
• Evitar:
• Comportamentos que favoreçam a flexão de joelho,
a abdução, a rotação externa da coxa.
• O apoio de travesseiros e/ou cobertores sob as
articulações e o desalinhamento dos membros
inferiores.
• o imobilismo dos segmentos do membro superior
em determinadas posturas.
FASE PRÉ-CIRÚRGICA
• Treino de tarefas.
• Programas de fortalecimento e condicionamento
muscular também podem ser implementados.
• Exercícios respiratórios podem ser iniciados ainda na
fase pré-operatória, objetivando a manutenção da
capacidade vital e, com isso, a prevenção da
instalação de atelectasias no pós-operatório. Tal
abordagem é especialmente importante na tentativa
de reduzir o risco de pneumonias hospitalares na
fase pós-amputação.
• Avaliação frequente da pele e a rotina de alívios de
pressão precisam ser enfatizadas, na tentativa de se
prevenir o surgimento e/ou progressão de úlceras
por pressão.
Níveis de Amputação do Membro
Superior
• Desarticulação do ombro
• Transumeral
• Desarticulação do cotovelo
• Transradial
• Desarticulação do Punho
• Transcarpiana
Níveis de Amputação dos Membros

https://www.google.com.br/search?q=Desarticula%C3%A7%C3%A3o+do+quadril+amputa%C3%A7%C3%A3o&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwiOpbWfx_zdAhXEHpAKHT25Cj4Q_AUIDigB&biw=1093&bih
=501#imgrc=6f-KbHCj6OL60M:
HEMIPELVECTOMIA

https://www.google.com.br/search?q=Hemipelvectomia&source=lnms&tbm=isch&
sa=X&ved=0ahUKEwi67OKUxvzdAhUCGJAKHYekDLQQ_AUIDigB&biw=1093&bih=50
1#imgrc=lYE_PSJQTaHETM:

•Cirurgia radical de remoção da metade


da pélvis e de todo membro inferior
homolateral.
•Indicações: Traumas complexos e
neoplasias;
•Não apresenta coto ósseo;
https://www.google.com.br/search?q=Hemipelvectomia&s
ource=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwi67OKUxvzdAh
UCGJAKHYekDLQQ_AUIDigB&biw=1093&bih=501#imgrc=83
DESARTICULAÇÃO DO QUADRIL

https://www.google.com.br/search?q=Desarticula%C3%A7%C3%A3o+do+quadril+amputa%C3%A7%C3%A3o&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwiOpbWfx_zdAhXEHpAKHT25Cj4Q_AUIDigB&biw=1093&bih
=501#imgrc=KiVjIMFw1uhfnM:
TRANSFEMURAL
3 níveis: Proximal, medial e distal;
Nível proximal aceito (8 cm abaixo
do Trocânter menor)

Preservar inserção do músculo


iliopsoas
https://www.google.com.br/search?q=Transfemoral+amputa%C3%A7%C3%A3o&source=lnms&tbm=isch
&sa=X&ved=0ahUKEwi-i9voyPzdAhUFgpAKHTh2Dn4Q_AUIDigB&biw=1093&bi
h=501#imgrc=BVnhgMSyN98WtM:

Curiosidades: Amputados
transfemorais –gasto energético
65% maior que não-amputados.
Cotos distais (alavanca
maior e maior controle
A inserção inadequada do adutor
sobre a prótese).
magno compromete 70% da força
adutora.
DESARTICULAÇÃO DO JOELHO
• Foi evitada por muito tempo e substituída pela
amputação transfemoral pela dificuldade estética e de
protetização.

• Verificou-se inúmeras vantagensm entre elas:


•Preconiza -se a preservação da patela
•Cicatriz na região póstero-inferior do coto
• Não há desequilíbrios musculares (não há
deformidades importantes – leve flexão do quadril).

• Nas amputações bilaterais:


•Bom equilíbrio na posição sentada;
•Facilidade nas transferências;
•Possibilidade de marcha sem prótese.
TRANSTIBIAL
•Musculatura posterior é rebatida anteriormente;
(Formação do coxim)
•Mioplastia e miodese (Melhoram o controle do coto,
propriocepção ,circulação local e diminui dor fantasma).

https://www.google.com.br/search?q=amputa%C3%A7%C3%A3o+transtibial&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwjj7JfNxPzdAhXDGJAKHUO7CTMQ_AUIDi
gB&biw=1093&bih=501#imgrc=1gY1RpMh5eCUgM:
TRANSTIBIAL
• Vantagens em relação à amputações mais altas:
• Preservação da articulação do joelho;
• Menor gasto energético durante a marcha;
• Facilidade para colocação e remoção da prótese;
• Marcha mais fisiológica.

• Desvantagem: Tendência a deformidade em flexão do


joelho.
SYME
• Etiologias
• Vascular
• Processos traumáticos
• Anomalias congênitas
• Deformidades adquiridas

Abaixo dos maléolos lateral e medial, conservando a


sindesmose Tibiofibular.
Vantagens :Espaço entre coto e solo permite
protetização com pé mecânico; marcha precoce (sem
protetização ) porém claudicante.
DESARTICULAÇÃO
INTERFALANGIANA
• Geralmente não apresentam problemas funcionais e
estéticos;
• Preferível amputação do que dedos não funcionais,
rígidos, dolorosos e deformados;
• Não alteram o equilíbrio e deambulação.
• Etiologia: Processos vasculares e traumáticos.

http://livrozilla.com/doc/212430/n%C3%ADveis-de-amputa%C3%A7%C3%A3o
DESARTICULAÇÃO
METATARSOFALANGIANA
•Amputações isoladas do 2º ao 5º podálico
não causam alterações significativas na
marcha;

•Amputação isolada do 2º e 3º dedo


isolados = deformidade importante em
hálux –valgo (joanete);

•Etiologias:
Vascular, neuropática e traumática.
DESARTICULAÇÃO
METATARSOFALANGIANA

Amputação do hálux = compromete fase de


impulso na marcha;

Marcha lenta e sobrecarga em flexores do


quadril
DESARTICULAÇÃO
METATARSOFALANGIANA
Amputação dos artelhos sobrecarregam cabeça dos
metatarsos e elevam pressão local

Úlceras plantares (Risco maior em alterações


vasculares e neuropáticas)

http://livrozilla.com/doc/212430/n%C3
%ADveis-de-amputa%C3%A7%C3%A3o
AMPUTAÇÃO
TRANSMETATARSIANA
• Etiologia: Vasculares e traumáticas;
• Obs: Em processos infecciosos pode ser feita uma
incisão em raio deixando o pé funcional porém
assimétrico.

Na marcha : fase de
desprendimento do antepé
fica prejudicada.

http://livrozilla.com/doc/212430/n%C3%ADveis-de-amputa%C3%A7%C3%A3o
TARSOMETATARSIANA

• Indicações: Predomínio vascular;

• Desvantagens: Deformidade em flexão


plantar; Dificuldade na
• Protetização, Limitação na carga distal
total.

http://livrozilla.com/doc/212430/n%C3%
ADveis-de-amputa%C3%A7%C3%A3o

http://livrozilla.com/doc/212430/n%C3%ADveis-de-amputa%C3%A7%C3%A3o
AMPUTAÇÃO DE
CHOPART
• Conhecida como amputação do retropé;
• Etiologias: Vascular, infecciosas, traumáticas e
tumorais (raras).

• Obs:Amputação
não- funcional
• Descarga de peso pode
ser dolorosa
FASE PÓS-CIRURGICA IMEDIATA
• Transferências, deslocamentos.
• Pacientes com bom condicionamento físico e sem
alterações cognitivas podem iniciar o treino de
marcha nesta fase.
• Inicia-se este treino em barras paralelas com duplo
apoio de membros superiores. Inicialmente, é
importante o paciente se habituar à nova anatomia e
ao seu centro de gravidade; portanto, é importante
realizar exercícios de transferência de peso no
membro não amputado.
FASE PÓS-CIRURGICA IMEDIATA
• O treino de marcha pode progredir da
seguinte forma: barras paralelas, andador,
muletas tipo axilar ou canadense.
• Devem ser ainda utilizados obstáculos,
rampas, escadas e terrenos irregulares para
esse treino.
ORIENTAÇÕES

• durante o período de cicatrização o coto de


amputação não deve ser mantido imobilizado,
iniciando as mobilizações no coto entre 24 a
48 horas após a cirurgia de amputação.
• Além disso, o paciente deve ser orientado
sobre o correto posicionamento no leito
hospitalar.
ORIENTAÇÕES QUANTO AO
POSICIONAMENTO NO LEITO
• Manter o MMII alinhado
• Não colocar travesseiro em baixo do coto e
entre as pernas, pois evitará contraturas
musculares.
• Não posicionar o coto de amputação para
fora do leito.
• Evitar ficar na cama com o coto fletido.
• Evitar flexionar os joelhos em amputações
transtibiais quando estiver sentado.
• Evitar o posicionamento inadequado no leito de
flexão, abdução, RE de coxa e flexão de joelho
quando amputado de perna (transtibial)
• Na postura sentada, aos pacientes com
amputação em nível igual ou inferior ao
transtibial, deve ser fornecido um apoio para coto
de amputação, o qual deve manter o joelho em
extensão.
• Além disso, nesta fase é importante manter a
mobilidade das demais articulações corporais.
• Ainda nesta fase, deve ser iniciado o enfaixamento
compressivo do coto de amputação para reduzir e
evitar o aumento do edema residual, estimular o
metabolismo do coto e modelar e preparar o coto para
futura protetização.
• Independente do tipo de técnica utilizada para o
enfaixamento, é importante salientar que a maior
compressão esteja distalmente ao coto e essa pressão
deve ser gradativamente diminuída em direção
proximal ao segmento amputado.
• Em níveis transfemurais, o enfaixamento deve ser
estendido até a cintura pélvica do paciente.
FORTALECIMENTO E ENDURANCE DOS
OUTROS SEGMENTOS CORPORAIS
• Programa de fortalecimento muscular global
• Exercícios isométricos na musculatura do coto,
independente do nível de amputação.
• Exercícios isotônicos concêntricos ou
excêntricos e com diferentes tipos de carga.
• Priorizar o fortalecimento no membro não
amputado para aumentar sua potência ,
resistência e equilíbrio
CINESIOTERAPIA ESPECÍFICA PARA O
COTO
• O objetivo será o combate às retrações
musculares e o fortalecimento.
• No amputado acima do joelho, existe uma
tendência às contraturas em flexão e abdução
, que são mais evidentes nos cotos curtos.
• Deve-se fortalecer mais as musculaturas
adutoras , extensoras e rotadoras internas de
coxo femural e extensora de joelho em caso
de amputação abaixo do joelho .
DESSENSIBILIZAÇÃO DO COTO
• Deve-se orientar o paciente a como
dessensibilizar o coto utilizando técnicas de
massagem (tomando os cuidados necessários
com a ferida cirúrgica), utilizando diversos
estímulos sensoriais (água quente e fria,
diferentes texturas), realizando cocontrações e
exercícios utilizando o espelho.
ETAPAS DE DESSENSIBILIZAÇÃO
1º - Algodão
2º - Esponja de face fina
3º - Esponja de face grossa
4º - Lixa fina
5º Lixa grossa
6º - Calor superficial pode ser utilizado, com o
objetivo pré-cinético
AVALIAÇÃO PRÉ-PROTÉTICA
• Devem ser anotadas as características gerais
do coto: localização, forma (globoso ou
cônico), presença de cicatriz hipertrófica,
aderências cicatriciais, infecção, distúrbios de
sensibilidade, enxertia, neuroma e espículas
ósseas.
AVALIAÇÃO ESPECÍFICA
• Deverão ser feitas medidas de comprimento,
desde a linha articular mais próxima até o
ápice do coto, e medidas de perimetria a
partir de 5cm do ápice do coto.
FASE PROTÉTICA – AMPUTAÇÃO DE
MMII
• Orientar o paciente a fazer o uso correto da
prótese.
• É importante orientá-lo a calçar e retirar a
prótese.
• Orientar como realizar a transferência de peso
para o membro protetizado, subir e descer
escadas e rampas, sentar e levantar, desviar
de obstáculos e andar em terrenos irregulares.
FASE PROTÉTICA – AMPUTAÇÃO DE
MMSS
• É importante treinar o paciente a realizar a
preensão, adaptar-se ao peso dos objetos e à
nova sensibilidade.
• Treino de AVD’s
• Enfaixamento
https://www.youtube.com/watch?v=Qrstjn1ZuQ
M
TIPOS DE PRÓTESES
• Não Funcionais
Próteses Estéticas ou Passivas
PRÓTESES FUNCIONAIS
• Próteses ativas (mecânicas) - fonte energia
interna (propulsão muscular) .
PRÓTESES FUNCIONAIS
• Próteses Mioelétricas - fonte energia externa
(energia extracorpórea)
PRÓTESES FUNCIONAIS
• Híbridas:ativa + mioelétrica (fonte interna +
externa)
• Biônica (fabricante Ossur): os movimentos da
prótese podem simplesmente ser controlados
com o cérebro.
PRÓTESE
• Encaixe da prótese
A confecção individual do encaixe é de
importância fundamental para a qualidade da
prótese. O encaixe é dividido em encaixe
interno (ou cartucho) e externo (ou soquete).
REFERÊNCIAS
• CARVALHO, J. Amputações de membros inferiores: em
busca da plena reabilitação. São Paulo: Manole, 2003.
• O’SULLIVAN, S.; SCHMITZ, T. Fisioterapia Avaliação e
Tratamento. 4. ed. São Paulo: Manole, 2004.
• LUCCIA, N.; SILVA, E. S. Aspectos técnicos de
Amputações de Membros Inferiores. In: PITTA, G. (Ed.).
Angiologia e cirurgia vascular: guia ilustrado. Rio de
Janeiro: Guanabara Koogan, 2003.
• GANZ, D. Tratado de Reabilitação Princípios e Prática.
3. ed. São Paulo: Manole, 2002.