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O Estado do Bem-Estar Social:

desenvolvimento e crise

Disciplina: Estado Contemporâneo

Profa. Ana Menezes


Desenvolvimento do Estado do Bem-
Estar Social
 Pós II Guerra: crescimento econômico aliado
à expansão de programas de bem-estar
social.
 Parceria bem sucedida entre a política
econômica e a política social.
 “Círculo virtuoso” entre a política econômica
keynesiana e o Welfare State: estímulo ao
crescimento econômico; arrefecimento dos
conflitos sociais; e, potenciação da produção
e da demanda efetiva.
 Visão otimista: progressiva e tranqüila a
expansão do Welfare State - Anos Dourados
do Capitalismo.
Estado do Bem-Estar Social: Definição

 Significa uma forma particular de


regulação social que se expressa pela
transformação das relações entre o
Estado e a economia, entre o Estado e
sociedade, a um dado momento do
desenvolvimento econômico.
Estado do Bem-Estar Social: Definição

 Tais transformações se manifestam na


emergência de sistemas nacionais
públicos ou estavelmente regulados de
educação, saúde, previdência social,
integração e substituição da renda,
assistência social e habitação que, a
par das políticas de salário e emprego,
regulam direta ou indiretamente o
volume, as taxas e o comportamento do
emprego e do salário da economia,
afetando, portanto, o nível de vida da
população trabalhadora.
Estado do Bem-Estar Social: Definição

 Tratam-se, portanto, de processos que,


uma vez transformada a própria
estrutura do Estado, expressam-se na
organização e produção de bens e
serviços coletivos, na montagem de
esquemas de transferências sociais, na
interferência pública sobre a estrutura
de oportunidades de acesso a bens e
serviços públicos e privados e,
finalmente, na regulação e distribuição
de bens e serviços sociais privados.
Estado do Bem-Estar Social: Tipologia

 O Estado do bem-estar social


respondeu basicamente às simultâneas
demandas por maiores igualdade e
segurança na economia de mercado.
 Todavia, as respostas a tais exigências
variaram segundo as especificidades
históricas e políticas dos diferentes
países e territórios, assim como
distintas concepções de justiça e
igualdade.
Estado do Bem-Estar Social: Tipologia

 Residual ou modelo Liberal - padrão no


qual a política social intervém ex-post
(quando os canais naturais de
satisfação das necessidades - o esforço
individual, a família, o mercado, as
redes comunitárias - mostram-se
insuficientes).
 A intervenção é de corte seletivo
(focaliza sobre os grupos ou indivíduos
vulneráveis), tem um caráter limitado no
tempo e cessa quando a situação
emergencial houver sido superada.
Estado do Bem-Estar Social: Tipologia

 Modelo Meritocrático-Particularista ou
Conservador - parte da premissa de
que cada um deve estar em condições
de resolver suas próprias
necessidades, com base no seu próprio
mérito, seu trabalho, nas suas
diferentes e particulares capacidades.
 A intervenção da política social ocorre
para corrigir distorções geradas pelo
mercado ou por desigualdade de
oportunidade. Complementa as
instituições econômicas e sociais.
Estado do Bem-Estar Social: Tipologia

 Institucional-Redistributivista ou Social-
Democrata - o mercado é incapaz de realizar,
por si só, uma alocação de recursos que
reduza a insegurança e elimine a pobreza,
atual ou futura.
 É a condição de cidadania que está na base
dessa concepção de política social como um
direito.
 Para ser exeqüível, os bens e serviços
sociais são produzidos pelo Estado e
distribuídos gratuitamente.
 Define um padrão mínimo de renda
considerado o patamar básico de vida digna
do cidadão.
Crise do Estado do Bem-Estar Social

 A crise dos anos 80 de baixo crescimento


com aceleração da inflação e desequilíbrios
financeiros dos Estados gerou um conflito
entre política econômica e política social -
destruição do “círculo virtuoso do pós-
guerra”.
 A crise, ao pôr a nu todas as tensões
estruturais do Welfare State possibilita,
segundo os conservadores, uma volta aos
sadios mecanismos do mercado, ou a
edificação de uma nova estrutura, segundo
os progressistas, assentada sobre novo tipo
de sociabilidade
Crise do Estado do Bem-Estar Social

 A crise dos anos 80 solapou as bases de


financiamento dos gastos sociais: diminuição
das receitas e/ou das contribuições sociais,
provocadas pela redução da atividade
econômica; pressões advindas do
desemprego e da inflação, que elevam os
custos e despesas sociais.
 A crise do Estado do Bem-Estar Social tem
diversas interpretações, a seguir veremos as
teses que estão em mais evidência.
Tese 1: O “Welfare State”não passa por
uma verdadeira crise; sofre uma mutação
 Tese comum aos progressistas: partem do
suposto da necessidade de se diminuir a
pobreza, a desigualdade e a injustiça social.
 Principais mudanças: a) Passagem de um
Estado do Bem-Estar para uma sociedade do
Bem-Estar; b) Constituição de um
mecanismo efetivo de combate à pobreza e
às desigualdades sociais; e, c) Constituição
de uma estrutura menos vulnerável às crises
econômicas.
Tese 2: O “Welfare State” é uma
estrutura perniciosa, perversa e falida do
Estado
 Argumento conservador: que tem inspirado
programas de governo ortodoxos de gestão da crise.
 O argumento gira em torno a 3 questões: a) Gastos
sociais ampliam os déficits públicos, que penalizam a
atividade produtiva e provocam inflação e
desemprego; b) Os programas sociais comprometem
o mecanismo de mercado; e, c) Elevados índices de
autoritarismo, causados pelo excesso de regulação e
intervenção do Estado.
 O Welfare State é uma concepção falida do Estado,
pois impede que os mecanismos de mercado
possam sanar a economia.
Tese 3: A crise do “Welfare State”é de
caráter financeiro-fiscal

 Os problemas de continuidade e ampliação


dos gastos sociais do Estado decorrem da
questão de financiamento.
Tese 4: A crise do “Welfare State” é
produzida pela centralização e
burocratização excessivas

 A burocratização excessiva dos programas


sociais e a centralização exagerada dos
processos decisórios são os principais
elementos que inibem ou obstaculizam a
democracia, por um lado, e que chegam a
provocar crises de má administração ou de
caráter entrópico, de outro.
Tese 5: A crise do “Welfare State”deve-
se à sua perda de eficácia social

 A fraca eficácia do Welfare State deve-se ao


fato de que os “programas sociais” não têm
nem nunca tiveram efetividade social.
Tese 6: A crise do “Welfare State” é uma
crise de legitimidade
 As raízes da crise devem ser buscadas na
ausência de coesão social, baixa ou nula
legitimidade dos programas sociais estatais.
 Desconfiança em relação à capacidade e
eficiência do Estado.
 Fragmentação da opinião pública.
 O que está em questão é a “habilidade” em
criar a coesão do todo social.
Tese 7: A crise do “Welfare State”deve-
se ao colapso do pacto político do pós-
guerra
 O “acordo social” politicamente instituído a
partir de formas não radicais de confronto de
classes e as condições propícias de
crescimento possibilitaram a montagem e
expansão do Estado do Bem-Estar.
 A crise econômica que se inicia nos anos 70,
ao reduzir o crescimento, põe em cheque as
bases políticas sobre as quais repousavam
as políticas redistributivas estatais.
 Esgotamento da forma particular de
regulação estatal baseada em políticas
sociais e numa polítrica econômica de corte
keynesiano.
Tese 8: A crise do “Welfare State decorre
de sua incapacidade de responder aos
novos valores
 Uma espécie de “revolução cultural” estaria
ocorrendo, substituindo os valores materiais
por uma gama de valores pós-materialistas,
alterando a estrutura da opinião pública e
gerando demandas que as instituições
políticas e sociais estariam sem condições de
atender.
 A ética do trabalho por aspirações à
liberdade;
 O raciocínio lógico por impulsos e êxtase;
 O culto da ciência e da técnica é denegrido;
 A ordem hierárquica por igualdade e
democracia.
Tese 8: Continuação

 Um outro argumento enfatiza a questão do


desenvolvimento da “economia subterrânea” nas
condições da crise atual.
 A economia clandestina, profunda ou informal é
explicada tanto como uma reação às elevadas
cargas fiscais, quanto como nova forma social, não
mercantil, não monetária, fundada em nova
solidariedade e comunidade.
 Ora, à medida que se sabe ser o poder de taxação
um dos atributos essenciais do Estado, os
comportamentos próprios da economia subterrânea
são entendidos como atingindo diretamente a base
de financiamento e a legitimidade política do Estado.
Conclusões
 Em síntese, as críticas conservadoras ao Welfare
State dizem respeito a:
– Estado social inibe os investimentos, pois drena,
através dos impostos, um montante excessivo de
recursos financeiros.
– Sob o Estado social, os sindicatos, procurando
garantir a estabilidade no emprego, tendem a
levar a um acomodamento dos trabalhadores,
prejudicando seu desempenho e produtividade.
– Estado social leva a um “crescimento
decrescente” acompanhado de um “crescimento
de expectativas”.
– O Estado social, possuindo uma legislação social
onerosa, afugenta algumas grandes empresas
que, por seu turno, deixam de se instalar, deixam
de investir ou fogem para “espaços” mais
acolhedores
Conclusões

 Também do lado da esquerda as críticas ao Estado


de bem-estar social têm sido freqüentes e podem ser
resumidas nos seguintes tópicos:
– O Estado de bem-estar social acaba não atendendo de
forma conseqüente às reivindicações trabalhadoras, pois
acaba não solucionando as causas dos problemas vividos
pelos trabalhadores, como quando, por exemplo, ao invés
de solucionar o desemprego, cria o salário desemprego;
– Caráter repressivo do Estado do bem-estar social, pois a
burocracia do Estado social ao executar políticas sociais,
exerce, também, uma função de controle social;
– As políticas sociais oscilam de acordo com o crescimento ou
não da economia, quando todos ganham ou perdem;
– O Estado social gera, na classe operária, uma concepção
falsa quanto aos problemas sociais, fazendo-a dirigir-se, no
caso de uma pendência, não aos patrões, mas ao Estado,
burocratizando, dessa forma, as demandas sociais.
Conclusões

 Com a crise do Welfare State ressurgem as


teses liberais: não à regulação econômica
pelo Estado; não à sua intervenção social;
sim ao Estado reduzido, encolhido, mínimo.
Tudo é claro, em nome da maior liberdade,
da ampliação da democracia.
 Uma dupla ilusão permeia esta visão:
reversão do Estado e reversão da economia
às condições do livre mercado (sem
monopólios).
 Todavia, é baseado nesta visão que muitas
propostas de reformas do Estado foram
colocadas em prática, inclusive a brasileira.