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PROCESSO CIVIL

INVENTÁRIO E PARTILHA
• Introdução

1- Com a morte da pessoa natural, seus bens transmitem-se aos


sucessores legítimos e testamentários, por meio do fenômeno jurídico
chamado de “saisine”.

2- Para tanto é necessário a definição do que compõe o acervo


hereditário, além da individualização do que cabe a cada um dos
sucessores. Essas tarefas são desenvolvidas pelo inventário e partilha.
3- No inventário se busca identificar o patrimônio, com a indicação
dos bens (móveis e imóveis), créditos, débitos e quaisquer outros
direitos de natureza patrimonial que compõem o acervo hereditário

4- Na partilha se divide o acervo entre os sucessores, com a


adjudicação do quinhão hereditário a cada um deles.
• Espécies de Inventário

1- Extrajudicial

1.1- Previsto no art. 610 NCPC, e disciplinado pela Resolução 35/2007


do Conselho Nacional de Justiça (arts. 11 a 32).

1.2- Não é obrigatório, as partes podem optar pela via judicial ou


extrajudicial.

1.3- Pode ser utilizado por herdeiros maiores, capazes e estejam de


acordo com os termos do inventário e partilha levado a efeito pelo
Tabelionato.
1.4- A escritura pública só será lavrada na presença de advogado ou
de defensor público representando todas as partes, devendo sua
qualificação e assinatura constar do ato notarial.

1.5- A escritura pública serve como documento hábil para qualquer


ato de registro, sendo também documento competente para
levantamento de importância depositada em instituições financeiras.
2- Negativo

2.1- Interessa aos herdeiros o “inventário negativo” sempre que o de


cujus não deixar bens, mas deixar dívidas, visto que os herdeiros só
responderão por tais dívidas nos limites da herança.

2.2- Pode ser promovido pela via judicial, como pela extrajudicial
desde que atendidos os requisitos legais.

2.3- Sendo judicial, prova-se o óbito, ouve-se o MP e as fazendas, e o


juiz extinguirá o processo com a declaração, por sentença, da
inexistência de bens a partilhar.
3- Alvará judicial

3.1- É dispensado de inventário, o pagamento dos valores previstos


na Lei 6.858/1980 e no Art. 112 da Lei 8.213/1991, em quantia não
superior a 500 ORTN (hoje, R$ 32.985,00).

3.2- São liberados por meio de alvará: PIS/PASEP; restituição de


Imposto de Renda e outros tributos; depósitos bancários; cadernetas
de poupança; fundos de investimento e benefícios da previdência
social, não recebidos em vida pelo segurado.
4- Judicial

4.1- Competência

NCPC, Art. 23. Compete à autoridade judiciária brasileira, com


exclusão de qualquer outra:

II - em matéria de sucessão hereditária, proceder à confirmação de


testamento particular e ao inventário e à partilha de bens situados
no Brasil, ainda que o autor da herança seja de nacionalidade
estrangeira ou tenha domicílio fora do território nacional;
LINDB, Art. 10, §1º. A sucessão de bens de estrangeiros, situados no
País, será regulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou dos
filhos brasileiros, ou de quem os represente, sempre que não lhes seja
mais favorável a lei pessoal do de cujus.
NCPC, Art. 48. O foro de domicílio do autor da herança, no Brasil, é o
competente para o inventário, a partilha, a arrecadação, o
cumprimento de disposições de última vontade, a impugnação ou
anulação de partilha extrajudicial e para todas as ações em que o
espólio for réu, ainda que o óbito tenha ocorrido no estrangeiro.

Parágrafo único. Se o autor da herança não possuía domicílio certo, é


competente:
I - o foro de situação dos bens imóveis;
II - havendo bens imóveis em foros diferentes, qualquer destes;
III - não havendo bens imóveis, o foro do local de qualquer dos bens
do espólio.
4.2- Abertura do inventário

NCPC, Art. 611. O processo de inventário e de partilha deve ser


instaurado dentro de 2 (dois) meses, a contar da abertura da
sucessão, ultimando-se nos 12 (doze) meses subsequentes, podendo o
juiz prorrogar esses prazos, de ofício ou a requerimento de parte.

NCPC, Art. 615. O requerimento de inventário e de partilha incumbe a


quem estiver na posse e na administração do espólio, no prazo
estabelecido no art. 611.
Parágrafo único. O requerimento será instruído com a certidão de
óbito do autor da herança.
NCPC, Art. 616. Têm, contudo, legitimidade concorrente:
I - o cônjuge ou companheiro supérstite;
II - o herdeiro;
III - o legatário;
IV - o testamenteiro;
V - o cessionário do herdeiro ou do legatário;
VI - o credor do herdeiro, do legatário ou do autor da herança;
VII - o Ministério Público, havendo herdeiros incapazes;
VIII - a Fazenda Pública, quando tiver interesse;
IX - o administrador judicial da falência do herdeiro, do legatário, do
autor da herança ou do cônjuge ou companheiro supérstite
4.3- Administrador provisório

4.3.1- O período de tempo entre o falecimento e a prestação de


compromisso do inventariante, a herança, que é transmitida
imediatamente aos herdeiros com o falecimento, deverá ser
administrada por alguém.
NCPC, Art. 613. Até que o inventariante preste o compromisso,
continuará o espólio na posse do administrador provisório.
NCPC, Art. 614. O administrador provisório representa ativa e
passivamente o espólio, é obrigado a trazer ao acervo os frutos que
desde a abertura da sucessão percebeu, tem direito ao reembolso das
despesas necessárias e úteis que fez e responde pelo dano a que, por
dolo ou culpa, der causa.
4.4- Inventariante

4.4.1- Trata-se de um auxiliar especial do juízo, que administra o


acervo hereditário e representa o espólio, em juízo e fora dele, até
que ocorra a partilha.

4.4.2- A inventariança é um múnus público, que exige a prestação de


um compromisso de desempenhar bem a função.
NCPC, Art. 617. O juiz nomeará inventariante na seguinte ordem:
I - o cônjuge ou companheiro sobrevivente, desde que estivesse convivendo
com o outro ao tempo da morte deste;
II - o herdeiro que se achar na posse e na administração do espólio, se não
houver cônjuge ou companheiro sobrevivente ou se estes não puderem ser
nomeados;
III - qualquer herdeiro, quando nenhum deles estiver na posse e na
administração do espólio;
IV - o herdeiro menor, por seu representante legal;
V - o testamenteiro, se lhe tiver sido confiada a administração do espólio ou
se toda a herança estiver distribuída em legados;
VI - o cessionário do herdeiro ou do legatário;
VII - o inventariante judicial, se houver;
VIII - pessoa estranha idônea, quando não houver inventariante judicial.
4.4.3- O STJ entende que essa ordem deve ser respeitada pelo juiz,
admitindo-se a sua inversão somente em casos excepcionais, quando
o juiz tiver fundadas razões para tanto.

4.4.4- A inventariança depende de capacidade civil, de forma que o


incapaz não poderá ser o inventariante.

4.4.5- Dentro de 20 dias contados do compromisso, o inventariante


fará as primeiras declarações; e após as avaliações dos bens restantes
no espólio, o inventariante fará suas últimas declarações.
4.4.6- Na representação processual do espólio, não se admitem atos
de disposição de direito, que demandem expressa manifestação do
titular do direito (no caso todos os herdeiros). Não pode o
inventariante, renunciar, reconhecer juridicamente pedido ou
transigir sem o consentimento de todos os herdeiros.

4.4.7- O inventariante depende do consentimento dos herdeiros para


alienar bens, pagar dívidas e realizar despesas de conservação dos
bens do espólio. Havendo resistência injustificada dos herdeiros, o
juiz pode autorizar a realização do ato.
4.4.8- As causas de remoção do inventariante estão previstas no art.
622 NCPC, mas é possível o juiz determinar a remoção por outra
causa não prevista em lei, que entenda ser desleal, ímproba ou
viciada de qualquer forma, garantido o contraditório.
4.5- Arrolamento sumário

4.5.1- Trata-se de um procedimento mais simples, rápido e


descomplicado, que o procedimento comum, com menos formalismo
que permite a transmissão da herança com maior facilidade.

4.5.2- É cabível o arrolamento quando houver herdeiro único, ou


quando todos os herdeiros forem capazes e existir acordo entre eles
quanto à partilha.

4.5.3- O art. 665 NCPC permite seja processado arrolamento com a


presença de incapaz, desde que concordem todas as partes e o
Ministério Público.
4.5.4- No prazo de dois meses, caberá aos herdeiros ou ao herdeiro
único, na petição inicial:

a) requerer ao juiz a nomeação do inventariante que já vem indicado


na própria petição inicial, não havendo necessidade de aplicação da
ordem legal do art. 617 NCPC e estando o inventariante dispensado
de compromisso;
b) declarar os títulos dos herdeiros e os bens do espólio;
c) reservar bens para o pagamento dos credores conhecidos;
d) atribuir o valor dos bens para fins de partilha.
4.5.5- As custas judiciais serão calculadas com base no valor atribuído
pelos herdeiros, cabendo ao fisco exigir a eventual diferença pelos
meios adequados ao lançamento de créditos tributários em geral.

4.5.6- Transitada em julgado a sentença de homologação de partilha


ou de adjudicação, será lavrado o formal de partilha ou a carta de
adjudicação e, em seguida, expedidos os alvarás referentes aos bens e
às rendas.

4.5.7- Após o trânsito, a Fazendo Pública será intimada da partilha, e


o ITCMD será lançado administrativamente, não ficando a fazenda
vinculada aos valores dos bens do espólio atribuídos pelos herdeiros.
4.6- Arrolamento comum

4.6.1- Mesmo havendo divergência entre os herdeiros e o valor dos


bens do espólio for igual ou inferior a 1.000 salários-mínimos, é
possível o inventário seguir na forma de arrolamento, mas, nesse
caso, o processo será de jurisdição contenciosa.

4.6.2- Instaurado o processo e designa-se o inventariante pela ordem


do art. 617 NCPC, que será dispensado de prestar compromisso, mas
deve apresentar as declarações já com a atribuição do valor dos bens
do espólio e o plano de partilha.
4.6.3- Os herdeiros serão citados e, havendo concordância com os
termos sugeridos pelo inventariante, o formal de partilha será
imediatamente expedido, com custas e tributo nos mesmos moldes
anteriores.

4.6.4- Havendo impugnação por qualquer das partes ou pelo


Ministério Público, o juiz nomeará um avaliador que terá prazo de 10
dias para apresentar laudo sobre o valor dos bens.

4.6.5- Ouvidas as partes sobre o laudo, o juiz determinando partilha,


julgando todas as reclamações e mandando pagar as dívidas não
impugnadas.
4.6.6- No arrolamento comum, o julgamento da partilha depende da
prova de quitação dos tributos relativos aos bens do espólio e às suas
rendas.
• Procedimento do inventário

NCPC, Art. 611. O processo de inventário e de partilha deve ser


instaurado dentro de 2 (dois) meses, a contar da abertura da sucessão,
ultimando-se nos 12 (doze) meses subsequentes, podendo o juiz
prorrogar esses prazos, de ofício ou a requerimento de parte.

1- Esse prazo de encerramento do inventário é dirigido ao órgão


jurisdicional, sendo, portanto, prazo impróprio.
2- Cumulação de inventários

NCPC, Art. 672. É lícita a cumulação de inventários para a partilha de


heranças de pessoas diversas quando houver:

I - identidade de pessoas entre as quais devam ser repartidos os bens;


II - heranças deixadas pelos dois cônjuges ou companheiros;
III - dependência de uma das partilhas em relação à outra.
3- Abertura

3.1- A abertura se dará a pedido de qualquer dos legitimados


previstos nos arts. 615 e 616 NCPC.

3.2- O instrumento para a abertura é a petição inicial, a qual segue as


exigências do art. 319 NCPC, tendo como peça indispensável a
certidão de óbito do de cujus.

3.3- Da data em que prestar o compromisso, o inventariante tem


prazo de 20 dias para apresentar as primeiras declarações, prazo que
pode ser prorrogado a requerimento do inventariante.
4- Primeira declarações

4.1- Devem constar das primeiras declarações do inventariante:

I - o nome, o estado, a idade e o domicílio do autor da herança, o dia e


o lugar em que faleceu e se deixou testamento;
II - o nome, o estado, a idade, o endereço eletrônico e a residência dos
herdeiros e, havendo cônjuge ou companheiro supérstite, além dos
respectivos dados pessoais, o regime de bens do casamento ou da
união estável;
III - a qualidade dos herdeiros e o grau de parentesco com o
inventariado;
a) os imóveis, com as suas especificações, números das matrículas e
ônus que os gravam;

b) os móveis, com os sinais característicos;

c) os semoventes, seu número, suas espécies e sinais distintivos;

d) o dinheiro, as joias com suas especificações;

e) os títulos da dívida pública, bem como as ações, as quotas e os


títulos de sociedade;

f) as dívidas ativas e passivas, indicando os títulos, a origem da


obrigação e os nomes dos credores e dos devedores.
4.2- Só se pode arguir sonegação ao inventariante depois de
encerrada as declarações, com a afirmação de que não existirem
outros bens a inventariar.
5- Citações

5.1- Após as primeiras declarações serão citados o cônjuge ou


companheiro, os herdeiros, os legatários.

5.2- Todas essas pessoas formarão litisconsórcio necessário, e


receberão uma cópia das primeiras declarações.

5.3- Serão intimados a Fazenda Pública, o Ministério Público, se


houver herdeiro incapaz ou ausente, e o testamenteiro, se houver
testamento.
5.4- As citações e intimações serão realizadas pelo Correio, sendo
publicado edital para convocação de interessados incertos ou
desconhecidos.
6- Impugnações

6.1- Realizadas as citações, inicia-se o prazo comum de 15 dias para as


partes se manifestarem sobre as primeiras declarações, nos próprios
autos do inventário, podendo alegar:

a) erros, omissões e sonegação de bens;


b) reclamação contra a nomeação do inventariante; e
c) contestar a qualidade de quem foi incluído como herdeiro.

6.2- A reclamação contra a nomeação do inventariante feita na


impugnação só se limita à discussão sobre inversão da ordem legal,
falta de capacidade ou idoneidade para o exercício da função.
6.3- No caso de acolhimento de cada uma das matérias impugnadas, a
solução será:

i) a determinação de retificação das declarações;

ii) a nomeação de outro inventariante, respeitando a ordem legal;

iii) Se a discussão sobre a qualidade de herdeiro demandar a


produção de prova não documental, o juiz levará a discussão para as
vias ordinárias, suspendendo o andamento do inventário.
6.4- A decisão da impugnação tem natureza interlocutória, sendo
recorrível por agravo de instrumento.
6.5- Após o prazo para as impugnações, a Fazenda Pública também
terá o prazo de 15 dias para informar ao juízo o valor dos bens
imóveis descritos nas primeiras declarações, de acordo com seu
cadastro imobiliário.
6.6- Ainda após a citação, o herdeiro que recebeu bem(ns) doado(s)
pelo de cujus, deve trazê-lo(s) à colação, entrando na partilha o que
excedeu a sua legítima.
6.7- Se o herdeiro negar o recebimento, o juiz remeterá as partes às
vias ordinárias, não podendo o herdeiro receber o seu quinhão
hereditário, enquanto pender a demanda.
7- Avaliação

7.1- Resolvidas as impugnações, se houverem, o juiz nomeará um


perito para avaliar os bens do espólio, dando-se preferência ao
avaliador judicial nas comarcas em que existir.

7.2- Se o autor da herança era comerciante em firma individual ou


sócio de sociedade não anônima, o juiz indicará perito contador para
levantar o balanço ou apurar haveres.

7.3- A avaliação dos bens do espólio deve seguir as regras de


avaliação de bem penhorado em execução de pagar quantia certa do
art. 872 NCPC.
7.4- A perícia será dispensada se todos os herdeiros forem maiores e
capazes e:

a) a Fazenda Pública concordar expressamente com os valores


indicados nas primeiras declarações; ou

b) os sucessores concordarem com os valores indicados pela Fazenda


Pública;

7.5- Se os herdeiros concordarem com os valores indicados pela


Fazenda Pública, a avaliação prosseguirá aos demais.
7.6- Realizada a avaliação as partes serão intimadas para se
manifestarem no prazo comum de 15 dias.

7.7- Se a impugnação for sobre o valor atribuído aos bens pelo perito,
o juiz a decidirá de plano. Se impugnação for sobre outra matéria,
não cabe decisão de plano, ouve-se as demais partes e o perito para,
então, decidir sobre a impugnação.

7.8- Acolhida a impugnação, o juiz determinará que o perito retifique


a avaliação.

7.9- A decisão da impugnação tem natureza interlocutória, sendo


recorrível por agravo de instrumento.
8- Últimas declarações

8.1- Aceito o laudo de avaliação ou resolvidas as impugnações, cabe


ao inventariante prestar as últimas declarações, onde poderá aditar,
complementar ou emendar as primeiras declarações.

8.2- As últimas declarações estabelecem a herança definitiva a ser


partilhada entre os herdeiros.

8.3- As parte serão intimadas para se manifestarem sobre as últimas


declarações no prazo comum de 15 dias. O juiz solucionará eventuais
controvérsias, por decisão recorrível por agravo de instrumento.
9- Cálculo do imposto

9.1- Após a oitiva das partes a respeito das últimas declarações,


proceder-se-á ao cálculo do imposto de transmissão causa mortis
com base no valor dos bens na data da avaliação.

9.2- O ITCMD é um tributo de lançamento por declaração, mas como


o valor dos bens já foi determinado pela avaliação, o cálculo do
imposto é administrativo pela Fazenda Pública.

9.3- Em PE, o contribuinte pode tirar cópias e abrir um processo físico


perante a SEFAZ, ou utilizar o e-Fisco, para o cálculo do tributo, onde a
alíquota é de 5% sobre a avaliação dos bens.
10- Pagamento das dívidas

10.1- Antes da partilha, os credores podem requerer ao Juiz o


pagamento das dívidas vencidas e vincendas.

10.2- O credor apresentará pedido incidental de habilitação do


crédito, comprovando a dívida por prova literal.

10.3- Havendo concordância das partes com o pedido, o Juiz


determinará a separação de dinheiro ou de bens suficientes para o
pagamento, os quais podem ser adjudicados pelo credor.
10.4- Para as dívidas vincendas, o Juiz, ao julgar habilitado o crédito,
mandará que se faça separação de bens para futuro pagamento.

10.5- Em qualquer caso, se a impugnação do herdeiro se fundar em


quitação, não haverá a reserva prévia de bens para o pagamento da
dívida.
11- Herdeiro preterido

11.1- Em havendo sido deixado de fora do rol de herdeiros, e tomando


conhecimento do inventário, o herdeiro preterido pode pedir seu
ingresso, desde que o faça até a partilha.

11.2- Ouvidas as partes, o Juiz decidirá em 15 dias. Sendo necessária


instrução, o pedido será remetido para as vias ordinárias, e o Juiz
determinará a reserva do quinhão ao requerente até que se resolva o
litígio.
12- Partilha

12.1- Em sendo apenas um herdeiro, os bens lhe serão


imediatamente adjudicados ao final do inventário.

12.2- Encerrada a fase de inventário, o juiz intimará as partes para


que formulem pedido de quinhão no prazo comum de 15 dias. Cabe
às partes indicarem os bens que lhes interessam para fazerem parte
de seu quinhão.

12.3- Se um herdeiro for nascituro, seu quinhão será reservado em


poder do inventariante até o seu nascimento.
NCPC, Art. 648. Na partilha, serão observadas as seguintes regras:

I - a máxima igualdade possível quanto ao valor, à natureza e à


qualidade dos bens;

II - a prevenção de litígios futuros;

III - a máxima comodidade dos coerdeiros, do cônjuge ou do


companheiro, se for o caso.
12.4- O Juiz decidirá sobre a necessidade de alienação de bens para
pagamento de dívidas do espólio ou para a partilha do preço na
hipótese de bens insuscetíveis de divisão cômoda e não
comportáveis no quinhão do sucessor ou do cônjuge sobrevivente.

NCPC, Art. 651. O partidor organizará o esboço da partilha de acordo


com a decisão judicial, observando nos pagamentos a seguinte ordem:
I - dívidas atendidas;
II - meação do cônjuge;
III - meação disponível;
IV - quinhões hereditários, a começar pelo coerdeiro mais velho.
NCPC, Art. 652. Feito o esboço, as partes manifestar-se-ão sobre esse
no prazo comum de 15 (quinze) dias, e, resolvidas as reclamações, a
partilha será lançada nos autos.

NCPC, Art. 654. Pago o imposto de transmissão a título de morte e


juntada aos autos certidão ou informação negativa de dívida para com
a Fazenda Pública, o juiz julgará por sentença a partilha.

12.5- Do formal de partilha constarão as seguintes peças:


I - termo de inventariante e título de herdeiros;
II - avaliação dos bens que constituíram o quinhão do herdeiro;
III - pagamento do quinhão hereditário;
IV - quitação dos impostos;
V - sentença.
NCPC, Art. 656. A partilha, mesmo depois de transitada em julgado a
sentença, pode ser emendada nos mesmos autos do inventário,
convindo todas as partes, quando tenha havido erro de fato na
descrição dos bens, podendo o juiz, de ofício ou a requerimento da
parte, a qualquer tempo, corrigir-lhe as inexatidões materiais.
NCPC, Art. 657. A partilha amigável, lavrada em instrumento público,
reduzida a termo nos autos do inventário ou constante de escrito
particular homologado pelo juiz, pode ser anulada por dolo, coação,
erro essencial ou intervenção de incapaz, observado o disposto no
§4º do art. 966.

Parágrafo único. O direito à anulação de partilha amigável extingue-


se em 1 (um) ano, contado esse prazo:

I - no caso de coação, do dia em que ela cessou;


II - no caso de erro ou dolo, do dia em que se realizou o ato;
III - quanto ao incapaz, do dia em que cessar a incapacidade
NCPC, Art. 658. É rescindível a partilha julgada por sentença:

I - nos casos mencionados no art. 657;


II - se feita com preterição de formalidades legais;
III - se preteriu herdeiro ou incluiu quem não o seja.