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RESPONSABILIDADE CIVIL

01. CONCEITO

Segundo Flávio Tartuce: “A responsabilidade civil surge em face do descumprimento obrigacional, pela desobediência
de uma regra estabelecida em um contrato, ou por deixar determinada pessoa de observar
um preceito normativo que regula a vida.”

Consoante Pablo Stolze: “Trazendo esse conceito para o âmbito do Direito Privado, e seguindo essa mesma linha de
raciocínio, diríamos que a responsabilidade civil deriva da agressão a um interesse
eminentemente particular, sujeitando, assim, o infrator, ao pagamento de uma compensação
pecuniária à vítima, caso não possa repor in natura o estado anterior de coisas.”

OBRIGAÇÃO X RESPONSABILIDADE

RESPONSABILIDADE JURÍDICA X RESPONSABILIDADE MORAL

RESPOSABILIDADE CIVIL X RESPOSABILIDADE PENAL


RESPONSABILIDADE CIVIL
02. CLASSIFICAÇÃO

A) RESPONSABILIDADE CONTRATUAL OU NEGOCIAL

Art. 389 do CC/02: Não cumprida a obrigação, responde o devedor por perdas e danos, mais juros e atualização
monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, e honorários de advogado.
Art. 390 do CC/02: Nas obrigações negativas o devedor é havido por inadimplente desde o dia em que executou o ato
de que se devia abster.
Art. 391 do CC/02: Pelo inadimplemento das obrigações respondem todos os bens do devedor.
Art. 392 do CC/02: Nos contratos benéficos, responde por simples culpa o contratante, a quem o contrato aproveite, e
por dolo aquele a quem não favoreça. Nos contratos onerosos, responde cada uma das partes por culpa, salvo as
exceções previstas em lei.
Art. 393 do CC/02: O devedor não responde pelos prejuízos resultantes de caso fortuito ou força maior, se
expressamente não se houver por eles responsabilizado.
Parágrafo único. O caso fortuito ou de força maior verifica-se no fato necessário, cujos efeitos não era possível evitar
ou impedir.
RESPONSABILIDADE CIVIL
02. CLASSIFICAÇÃO

B) RESPONSABILIDADE EXTRACONTRATUAL OU AQUILIANA

Art. 186 do CC/02: Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar
dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.

Art. 187 do CC/02: Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os
limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes.

Art. 188 do CC/02: Não constituem atos ilícitos:


I - os praticados em legítima defesa ou no exercício regular de um direito reconhecido;
II - a deterioração ou destruição da coisa alheia, ou a lesão a pessoa, a fim de remover perigo iminente.
Parágrafo único. No caso do inciso II, o ato será legítimo somente quando as circunstâncias o tornarem absolutamente
necessário, não excedendo os limites do indispensável para a remoção do perigo.
RESPONSABILIDADE CIVIL
>>> DE OLHO NA PROVA

Art. 927 do CC/02: Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo.
Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou
quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de
outrem.

- FUNÇÃO DA REPARAÇÃO CIVIL

A. COMPENSATÓRIA DO DANO À VÍTIMA;


B. PUNITIVA DO OFENSOR;
C. DESMOTIVAÇÃO SOCIAL DA CONDUTA LESIVA.
RESPONSABILIDADE CIVIL
- DOS ELEMENTOS DA RESPONSABILIDADE CIVIL

A) DA CONDUTA HUMANA
- POSITIVA
- NEGATIVA

Responsabilidade Civil por ato de Terceiro

Art. 932. São também responsáveis pela reparação civil:


I - os pais, pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia;
II - o tutor e o curador, pelos pupilos e curatelados, que se acharem nas mesmas condições;
III - o empregador ou comitente, por seus empregados, serviçais e prepostos, no exercício do trabalho que lhes competir,
ou em razão dele;
IV - os donos de hotéis, hospedarias, casas ou estabelecimentos onde se albergue por dinheiro, mesmo para fins de
educação, pelos seus hóspedes, moradores e educandos;
V - os que gratuitamente houverem participado nos produtos do crime, até a concorrente quantia.
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- DOS ELEMENTOS DA RESPONSABILIDADE CIVIL

Responsabilidade Civil por fato do animal

Art. 936. O dono, ou detentor, do animal ressarcirá o dano por este causado, se não provar culpa da vítima ou força
maior.

Responsabilidade Civil por fato da coisa

Art. 937. O dono de edifício ou construção responde pelos danos que resultarem de sua ruína, se esta provier de falta de
reparos, cuja necessidade fosse manifesta.
Art. 938. Aquele que habitar prédio, ou parte dele, responde pelo dano proveniente das coisas que dele caírem ou forem
lançadas em lugar indevido.
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- DOS ELEMENTOS DA RESPONSABILIDADE CIVIL

B) O DANO

Para Pablo Stolze: “Nesses termos, poderíamos conceituar o dano ou prejuízo como a lesão a um interesse jurídico
tutelado — patrimonial ou não —, causado por ação ou omissão do sujeito infrator.”

>>> DANO REPARÁVEL

a) a violação de um interesse jurídico — patrimonial ou moral;


b) a efetividade ou certeza;
c) subsistência.

Art. 944. A indenização mede-se pela extensão do dano.


Parágrafo único. Se houver excessiva desproporção entre a gravidade da culpa e o dano, poderá o juiz reduzir,
eqüitativamente, a indenização.
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- DOS ELEMENTOS DA RESPONSABILIDADE CIVIL

- DAS ESPÉCIES DE DANO

A) MORAL

Segundo Pablo Stolze: “Trata-se, em outras palavras, do prejuízo ou lesão de direitos, cujo conteúdo não é pecuniário, nem
comercialmente redutível a dinheiro, como é o caso dos direitos da personalidade, a saber, o direito à vida, à integridade
física (direito ao corpo, vivo ou morto, e à voz), à integridade psíquica (liberdade, pensamento, criações intelectuais,
privacidade e segredo) e à integridade moral (honra, imagem e identidade)”

B) PATRIMONIAL

1) o dano emergente — correspondente ao efetivo prejuízo experimentado pela vítima, ou seja, “o que ela perdeu”;
2) os lucros cessantes — correspondente àquilo que a vítima deixou razoavelmente de lucrar por força do dano, ou seja, “o
que ela não ganhou”.
3) perda de uma chance – oportunidade dissipada de obter futura vantagem ou de evitar prejuízo em razão de uma prática.
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- DOS ELEMENTOS DA RESPONSABILIDADE CIVIL

- DANO EM RICOCHETE

Para Pablo Stolze: “Conceitualmente, consiste no prejuízo que atinge reflexamente pessoa próxima, ligada à vítima direta
da atuação ilícita. É o caso, por exemplo, do pai de família que vem a perecer por descuido de um segurança de banco inábil,
em uma troca de tiros. Note-se que, a despeito de o dano haver sido sofrido diretamente pelo sujeito que pereceu, os seus
filhos, alimentandos, sofreram os seus reflexos, por conta da ausência do sustento paterno.”
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- DOS ELEMENTOS DA RESPONSABILIDADE CIVIL

- NEXO CAUSAL: Causa é o antecedente fático que, ligado por um vínculo de necessariedade ao resultado danoso,
determinar este último como uma consequência sua, direta e imediata.

ATENÇÃO:

A) CAUSA CONCORRENTE: Quando a atuação da vítima favorece a concorrência do dano, há concorrência de causas.

A) CONCAUSA: Outra causa que, juntando-se à principal concorre para o resultado. Ela não inicia, nem interrompe o nexo
causal, apenas o reforça. Ex: Sujeito que em razão de disparo da arma de fogo, vem a falecer do susto e não do ferimento.

DOLO X CULPA

A) DOLO: Conduta intencional


B) CULPA Strictu sensu: 1) Conduta Voluntária com resultado involuntário; 2) Previsão ou previsibilidade; 3) falta de
cuidado, cautela, diligência ou atenção
RESPONSABILIDADE CIVIL
- EXCLUDENTES DE RESPONSABILIDADE CIVIL

A) ESTADO DE NECESSIDADE: agressão a um direito alheio, de valor jurídico igual ou inferior àquele que se pretende
proteger.

B) LEGÍTIMA DEFESA: uso moderado e proporcional dos meios necessários para repelir injusta agressão, atual ou
iminente, a seu direito. Trata-se de uma repulsa à agressão.

C) EXERCÍCIO REGULAR DE DIREITO E ESTRITO CUMPRMENTO DO DEVER LEGAL: Se alguém atua


escudado pelo Direito, não poderá estar atuando contra esse esmo direito. Ex: lesão física em luta de MMA.

D) CASO FORTUITO (imprevisível) OU FORÇA MAIOR (pode ser previsto, mas é inevitável. Ex: terremoto)

E) CULPA EXCLUSIVA DA VÍTIMA: Ex: suicida que se joga em uma rodovia

F) FATO DE TERCEIRO: quando comportamento de terceiro – não sendo o agente, nem a vítima – rompe o nexo causal.