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Quebra de uma haste de um cavalo mecânico

Informações sobre a amostra;


Haste polida
f = 1 1/4 in
Comprimento: 6700 mm
Material: aço inoxidável
Quebra de uma haste de um cavalo mecânico

Estado geral da peça


A Figura apresenta o estado geral da haste fornecida pelo
cliente, com uma das extremidades roscada e a outra
apresentando a região onde ocorreu a fratura.
Quebra de uma haste de um cavalo mecânico

A Figura 02 apresenta a parte da haste rompida da maneira


como é montada no clamp em serviço.
Quebra de uma haste de um cavalo mecânico

As Figuras seguintes apresentam em vista de topo a montagem


da haste no clamp na posição em que ocorreu a ruptura da
mesma, segundo informações do cliente.
Nota-se que a área de contato entre a superfície interna do
clamp em cada posição axial em apenas quatro posições
radiais.
Quebra de uma haste de um cavalo mecânico

As Figuras seguintes apresentam fotografias de lados


diametralmente opostos da extremidade da haste próxima à
seção fraturada, com detalhes de marcas de deformação
plástica (amassamento) na superfície da peça, conforme
indicado pelas setas. Essas imperfeições, dependendo do
estado de tensão em que a peça é submetida, caracterizam
pontos de concentração de tensão, que podem ocasionar o
rompimento prematuro do elemento mecânico.
Quebra de uma haste de um cavalo mecânico

As Figuras seguintes apresentam fotografias do clamp fechado,


aberto e aberto em zoom nas duas partes móveis. Nota-se que
existem regiões que se apresentam mais brilhosas o que indica
a ocorrência de deformação plástica. Essas deformações
localizadas (conforme indicado pelas setas) reforçam mais uma
vez a hipótese da existência de pontos de contato em apenas
quatro posições radiais e estão associados à geometria dos
dentes internos do clamp.
Quebra de uma haste de um cavalo mecânico
Quebra de uma haste de um cavalo mecânico

Para demonstrar o tipo de contato existente entre a haste e o


clamp, conforme comentado acima, usou-se o artifício de
montar-se o conjunto haste-clamp com a haste coberta por
massa de modelar. Conforme apresentado nas Figuras 11 e 12,
verifica-se que realmente as áreas de contato entre as peças
são muito localizadas e com distribuição não homogênea, o que
contribui para o desequilíbrio de cargas durante a montagem,
que tem influência significativa para sua estabilidade mecânica.
Quebra de uma haste de um cavalo mecânico
Quebra de uma haste de um cavalo mecânico

A figura a seguir apresenta o estado geral da superfície de


fratura com indicação de regiões características. Pode-se
observar basicamente três regiões com diferentes aspectos de
rugosidade: uma região com textura análoga a marcas de praia,
outra com textura lisa e a última com textura rugosa. Observam-
se também, pontos que indicam nucleação de trincas, conforme
indicados pelas setas, cuja propagação, ocasionou a ruptura da
haste.
Quebra de uma haste de um cavalo mecânico

Detalhe da superfície de fratura da haste


Quebra de uma haste de um cavalo mecânico

Resultados
A figura a seguir apresenta a superfície de fratura da amostra
estudada com detalhe de regiões específicas. Notam-se
basicamente três regiões distintas onde são apresentados
pontos de nucleação de trincas (A, B, C, D, E e F) a partir da
superfície da peça e se propagando na direção do centro da
mesma, até atingirem um tamanho crítico para ruptura.
A presença de “degraus” nesta superfície indica que as trincas
se propagaram a partir de planos diferentes e paralelos.
A presença de linhas curvas (marcas de praia), principalmente a
partir dos pontos (A), (B) e (C) indicam propagação lenta de
trincas e com velocidade variável que ocorre em função das
solicitações cíclicas a qual a peça é submetida em serviço, ou
seja, carregamento e descarregamento.
Quebra de uma haste de um cavalo mecânico

A região com topografia mais plana e lisa é onde a velocidade


de propagação de trinca é bastante elevada e contínua e se
prolonga até a região onde ocorre o rompimento brusco da
haste e que apresenta topografia com textura rugosa devido à
ocorrência de fratura intergranular.
Quebra de uma haste de um cavalo mecânico

Superfície de fratura da haste em estudo com detalhes das regiões analisadas


Quebra de uma haste de um cavalo mecânico

As duas próximas figuras apresentam em detalhe o ponto (A) e


(B) da, respectivamente. Estes conforme já comentado, são
regiões onde ocorreu nucleação de trincas. Nota-se que sua
superfície é lisa, o que caracteriza uma propagação de trinca
lenta.

Ponto A Ponto B
Quebra de uma haste de um cavalo mecânico

A figura a seguir apresenta a micrografia com a


topografia do ponto (C) e representa um outro ponto
próximo aos locais de propagação de trincas. Nota-
se um degrau com dois planos com topografias
diferentes e representam o encontro de duas trincas
que se propagaram em planos diferentes e paralelos.
Quebra de uma haste de um cavalo mecânico

O mesmo comportamento é notado também nas figuras


seguintes, que representam a topografia dos pontos (D), (E) e
(F), respectivamente.
Quebra de uma haste de um cavalo mecânico

As figuras a seguir apresentam a topografia das regiões (M) e


(N), respectivamente. A primeira apresenta uma textura em
forma de “marcas de praia”, que caracteriza uma região cuja
velocidade de propagação de trinca é lenta e variável,
característico do processo de fadiga. Na segunda, a textura tem
característica de uma fratura frágil, ou seja, se apresenta de
forma irregular devido à ocorrência do colapso instável da peça,
e, portanto, o rompimento brusco da mesma.
Quebra de uma haste de um cavalo mecânico
Quebra de uma haste de um cavalo mecânico

As características descritas acima são típicas de


comportamento de fratura provocada por fadiga, que neste
caso, teve início a partir de diversos pontos de nucleação de
trincas. Essas trincas propagaram-se no mesmo plano e em
planos paralelos diferentes, até atingir um tamanho crítico para
a tenacidade à fratura do material e tensão aplicada, originando
o rompimento repentino da haste. A partir destas constatações
é necessário analisar as prováveis causas que originaram a
fadiga na peça.
Quebra de uma haste de um cavalo mecânico

Analisando-se as posições radiais na superfície de fratura e


comparando-se com as características da superfície externa da
mesma, conforme figura a seguir, observa-se que todas as
trincas tiveram origem a partir das regiões que apresentava
deformação da superfície, ocorrida devido à montagem e à
geometria das superfícies internas do clamp. Isso ocorreu pela
elevada concentração de tensão nestas regiões, tendo em vista
que o esforço que deveria estar sendo distribuído ao longo de
toda a seção reta da peça, se concentrou em quatro pontos
específicos e mais intensamente do lado do pino do clamp.
Contribuíram também para a ruptura, prováveis esforços de
flexão que ocorrem em função de desvio lateral da coluna em
relação ao eixo axial.
Quebra de uma haste de um cavalo mecânico
Quebra de uma haste de um cavalo mecânico

Conclusões
1°) O rompimento da haste foi provocado por fadiga mecânica,
sendo originada pela propagação de trincas nucleadas a partir
de duas regiões da superfície da mesma.
2°) O processo de fadiga ocorrido na peça que provocou a sua
ruptura teve como causa a elevada concentração de tensão em
quatro pontos específicos, devido às características
geométricas e à pequena área de contato entre o clamp e a
superfície da haste.

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