Você está na página 1de 39

Semiologia Ginecológica:

Atendimento à mulher na atenção básica de saúde

Mirtes Guimarães Souza


Ginecologista e Obstetra
Capítulo I

Princípios fundamentais

I - A Medicina é uma profissão a


serviço da saúde do ser humano e
da coletividade e será exercida
sem discriminação de nenhuma
natureza.

II - O alvo de toda a atenção do


médico é a saúde do ser humano,
em benefício da qual deverá agir
com o máximo de zelo e o melhor
de sua capacidade profissional.
Introdução
Semiologia
Semiologia Ginecológica:
estudo dos
sinais e
Semeion: sintomas
sinal / sintoma referentes às
modificações
Logus: funcionais e às
razão ou racionalização doenças
mamárias e do
aparelho genital
feminino.
Abordagem da mulher em Ginecologia

 Clínica Ginecológica

 Planejamento Familiar

 Doenças Sexualmente Transmissíveis



 Câncer de colo de útero e de mama

 Climatério
Consultório Ginecológico
Etapas do atendimento ginecológico

1. Acolhimento: Início de um projeto terapêutico e de


uma relação de vínculo, através de uma postura
neutra, respeitosa e isenta de julgamentos.

2. Identificação: nome, data e hora, número do


prontuário, profissão, estado civil, idade, cor,
endereço, telefone, responsável.
Etapas do atendimento ginecológico
3. Anamnese:

 Queixa principal
 História da doença atual
 Revisão de sistemas
 Antecedentes mórbidos pessoais e familiares
 Medicamentos em uso
 Hábitos de vida e imunizações
 Antecedentes ginecológicos, sexuais e obstétricos
Etapas do atendimento ginecológico

4. Exame Físico

 Geral: peso, altura, IMC, PA, palpação da tiróide,


circunferência e exame abdominal, MMII (deve
incluir uma observação geral do organismo).

 Ginecológico: inspeção e palpação das mamas e


genitália externa e interna
Exame clínico das mamas
(Telarca/9 anos)
Exame das mamas

e expressão aréolo-papilar
Métodos de registro do exame das mamas
1. Localização por quadrante ou método do
relógio.
2. Tamanho em centímetros.
3. Forma (redonda, oval).
4. Delimitação em relação aos tecidos
adjacentes (bem circunscritos,
irregulares).
6. Consistência (amolecida, elástica, firme,
dura).
6. Mobilidade em relação a pele e tecidos
subjacentes.
7. Dor a palpação focal.
8. Aspecto das erupções, eritemas, retração,
depressão, nevos, tatuagens.
Detecção precoce do câncer de mama

• Autoexame

• O exame clínico das mamas deve fazer parte do atendimento


integral à mulher em todas as faixas etárias e deve ser realizado
anualmente para mulheres com 40 anos ou mais, e a partir dos 35
anos para mulheres de alto risco.

• Rastreamento mamográfico entre 50 e 69 anos, com


periodicidade nunca superior a 2 anos, e a partir de 35 anos para
as mulheres de risco elevado.

• Biópsia
Mulheres de alto-risco:

 um ou mais parentes de primeiro grau (mãe, irmã ou filha) com câncer


de mama antes de 50 anos;
 um ou mais parentes de primeiro grau (mãe, irmã ou filha) com câncer
de mama bilateral ou câncer de ovário;
 história familiar de câncer de mama masculina;
 lesão mamária proliferativa com atipia comprovada em biópsia

Principais fatores de risco: obesidade e tabagismo

www.inca.gov.br
Classificação do BI-RADS
(Breast Image Reporting and Data System)
Exame da Genitália externa/ posição
ginecológica ou litotomia
Exame ginecológico
 Órgãos genitais externos:
Vulva
Inspeção
Palpação

 Órgãos genitais internos:


Vagina, Útero, Tubas Uterinas e
Ovários
Exame especular
Toque vaginal

 Inspeção do ânus
e toque retal (quando indicado)
Material para exame ginecológico
Exame da genitália externa
1. Inspeção estática da pele e mucosas
(vulva, períneo e ânus) / avaliar:
distribuição de pêlos, trofismo,
presença de úlceras, verrugas,
fissuras, lacerações, bolhas,
edemas e secreções; afastando os
grandes lábios teremos melhor
avaliação do intróito vaginal.

2. Inspeção dinâmica/Manobra de
Valsalva (esforço), para avaliação de
prolapsos.

3. Palpação
Sífilis secundária Hímen imperfurado Herpes genital

Condiloma acuminado Prolapso genital Dermatite fúngica


Exame dos genitais internos/ Especular
A introdução, abertura e retirada do
espéculo na vagina devem ser
realizados com o máximo de
delicadeza e com o tamanho do
espéculo adequado à paciente.
Observar:

 Vagina: paredes e fundos de saco


(coloração, rugosidade, trofismo,
comprimento, elasticidade), presença
de secreções, cistos, tumorações,
fístulas, aderências.

 Colo uterino: localização, forma,


volume, OE, cistos, polipos, ectopias,
miomas, focos de endometriose.
Exame Especular
Cervicite Útero didelfo

Candidíase vaginal Polipo endocervical


Exame especular
e procedimentos diagnósticos
 Coleta de material para citologia oncótica (Papanicolaou), exame a fresco,
biologia molecular e teste pós-coito.
 Colposcopia e biópsias (colo e vagina).
 Polipectomia cervical.
 Histeroscopia.
 Inserção e retirada de DIU.
 Curetagem uterina.
 Punção de fundo de saco de Douglas para coleta de folículos ovarianos
em fertilização assistida e investigação do conteúdo intra-abdominal.
Coleta de material para citologia oncótica
(Papanicolaou)

 De acordo com as Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do


Câncer do Colo do Útero pelo MS/Inca, de 2011, o exame deve ser
priorizado para mulheres com atividade sexual e idade entre 25 e
64 anos, a cada três anos, se os dois primeiros exames anuais forem
normais.

 Para mulheres com mais de 64 anos e que nunca foram


avaliadas através do exame citopatológico, é necessário realizar dois
exames com intervalo de um a três anos. Se ambos forem
negativos, podem ser dispensadas de exames adicionais.
Coleta de material para Citologia oncótica
(Papanicolaou)

•Recomendações para a coleta:

•Não estar menstruada.


• Não ter relações sexuais e não realizar duchas vaginais
ou usar drogas intra-vaginais (creme, óvulo) nas 48
horas que antecedem o exame
Colo normal Ectopia + Cervicite HPV/ Ácido acético
Colposcopia
Teste de Schiller/ Colposcopia
Toque vaginal bimanual
 Manobra para avaliar os órgãos
genitais internos, realizada com os
dedos indicador e médio
lubrificados, introduzidos na
vagina no sentido posterior,
deprimindo a fúrcula perineal;
polegar abduzido, anular e mínimo
fletidos na direção da palma da
mão.
 Procedimento anatomicamente
fácil, permitindo-nos palpar a
totalidade das paredes vaginais, o
colo uterino e as estruturas que os
circundam, o corpo uterino,
trompas, ovários e tecidos
próximos.
Toque vaginal

O que pode dificultar:

 a localização intra-pélvica profunda do útero, trompas, ovários


e respectivos ligamentos;

 peculiaridades anatômicas e respectivas posições destes


órgãos;

 outros órgãos e tecidos interpostos entre o corpo uterino, as


trompas e os ovários (entre a mão intra-vaginal e a abdominal);

 o grau de contração (ansiedade, nervosismo, dor) e a espessura


da parede abdominal de cada mulher.
Posições do útero na cavidade pélvica

ÚTERO EM POSIÇÃO HABITUAL ÚTERO RETROVERTIDO


Toque retal
Indicações

 Avaliação de paramétrios
 Tumores, processos inflamatórios e hemorróidas
 Vaginismo
 Agenesia de vagina
 Septos vaginais
 Pós-irradiação
 Hímen íntegro
 Hipoestrogenismo acentuado/ mulheres menopausadas
Etapas do atendimento ginecológico
 Impressão diagnóstica

 Exames complementares:
Laboratoriais,
Exames de imagem (MMG, USG, TC, RM)
Biópsias

 Plano terapêutico
Referências Bibliográficas
 bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/tecnico_citopatologia_caderno_referencia_1
.pdf
 Druszcz RMB, Botogoski SR, Pires TMS. Semiologia ginecológica: o atendimento da
mulher na atenção primária à saúde. Arq Med Hosp Fac Cienc Med Santa Casa São
Paulo. 2014;59
 Febrasgo / Semiologia Ginecológica
 Medicina, Ribeirão Preto, Simpósio: Semiologia especializada 29: 80-87, jan./mar.
1996 CapÌtulo VIII
 Ministério da Saúde. Manual em câncer de mama
 OMS. Revista da Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer
 Programa Harvard Medical School-Portugal
 Programa de Saúde da mulher- Cariacica-ES
 www.saúde.ufpr.br . Anamnese e exame ginecológico. DISCIPLINA DE SAÚDE
MATERNO-INFANTIL
Obrigada!