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Departamento de Materiais e Tecnologia

PMM - 311

Mecânica da Fratura

Alfeu Saraiva Ramos

Novembro / 2010 1
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Ensaio de Tenacidade à Fratura

 Permite compreender o comportamento dos materiais que


contêm trincas ou outros defeitos internos de pequenas
dimensões pela análise da máxima tensão que um material
pode suportar na presença desses defeitos.

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Esboço do Ensaio de Tenacidade à Fratura,


Representação dos CDPs e Resultados Obtidos

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Sobre o Ensaio de Tenacidade à Fratura

 Consiste da aplicação de uma força ou tensão de tração ou


flexão em um corpo-de-prova com um entalhe e uma pré-
trinca obtida por fadiga, induzindo a um estado triaxial de
tensões.

 Possibilita a determinação do valor da intensidade de


tensão que causa o crescimento da trinca e a subsequente
fratura do material.

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Principais Parâmetros que Influenciam a


Tenacidade à Fratura de Metais e Ligas

 Configuração geométrica do corpo-de-prova.

 Propriedades do material.

 Fator de intensidade de tensão (K).

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Principais Fatores a Serem Considerados em


Projetos de Engenharia

 máxima tensão de trabalho (σ).

 máximo comprimento de trinca admissível (2a).

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Mecânica da fratura quantifica relação entre:

– propriedades dos materiais

– nível de tensão

– presença de trincas

– mecanismo de propagação

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Concentradores de tensão:

 Resistência à fratura é função das forças de coesão entre os


átomos. Resistência teórica é aprox. (E/10) --> E = módulo
de elasticidade.

 Resultados experimentais apontaram valores de 10 à 1000X


menor que a resistência teórica.

 1920 Griffith propôs que esta discrepância estava


relacionada à presença de defeitos ou trincas
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 Devido à capacidade de amplificar uma tensão aplicada, esses


defeitos são conhecidos como FATORES DE CONCENTRAÇÃO
DE TENSÃO;

 A amplificação de tensões não está restrita à defeitos


microscópicos, podendo ocorrer em descontinuidades internas
de dimensões macroscópicas: vazios, arestas vivas, entalhes...

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Concentrador de tensão
snom

Superfície smax

Tensão
e
trincas
2a
internas
s0

x
snom
 
0.5 

 a 0.5
smax  s   a  
2s
0 1 2
   
 
0  
 t 
  t  
t  crack' s radius of curvature 10
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Teoria de Griffith

 Em 1922 Griffith propôs a primeira relação entre a tensão aplicada


a um material e o tamanho da trinca (válida apenas para materiais
frágeis);
2.E. s “Placa semi-infinita, com
s  espessura desprezível e estado
a plano de tensões”

, onde: s é a tensão aplicada, E (Pa) é o modo de elasticidade, s


(Pa.m) é a energia superficial especifica e a (m) é a metade do
tamanho da trinca.
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Teoria de Griffith

 Admitindo-se um estado de deformações e espessuras grandes,


em comparação com o comprimento da trinca, tem-se:

2.E. s
s 
 .a.(1 n 2 )
, onde: n é o coeficiente de Poisson.

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Teoria de Irwin

 Introduziu o termo relacionado com a deformação plástica sofrida


pelo material:

E.
s 
 .a
, onde:  é a força de extensão da trinca ou taxa de dissipação de
energia de deformação elástica, propriedade do material possível
de ser obtida em laboratório, a qual indica que para um valor crítico
() a trinca se propagará rapidamente.
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Teoria de Irwin

 Para uma placa finita de largura (w) com uma trinca central de
comprimento 2a, a força de extensão da trinca para carregamento
em condições de tração é dada por:

s 2 .w   .a 
  
1 n .tg 
2

E  w 
 Pode-se observar que a resistência à fratura diminui com o
aumento do comprimento da trinca.

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 Em 1948 George Dwin estendeu a teoria de Griffith para os metais:

E  s   p 
s 
a
• onde s é a tensão aplicada, E é o modo de elasticidade, s é a
energia especifica armazenada à medida que o material é
plasticamente deformado e a é o tamanho da trinca. p energia de
deformação plástica associada a extensão da trinca.
K
• Como o numerador é uma propriedade do material, tem-se: s 
a
• Onde K é o fator intensidade de tensão.
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Fator de Intensidade de Tensão (K)


 Serve como um fator que define a magnitude do campo de tensão
causado por uma determinada trinca, que depende da
configuração geométrica da trinca e da carga aplicada.
 É usado para especificar a fratura frágil...é chamado de
tenacidade à fratura (Kc).
 Para uma dada forma de defeito ou trinca, vários fatores de
calibração podem estar envolvidos, ou seja, K=y1.y2.y3.σ.(a)0,5
; onde y1, y2, y3 são funções de posicionamento da trinca, direção de
propagação, entre outros. 16
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Valores típicos de tenacidade à fratura em


deformação plana (KIC) e o limite de escoamento
de alguns materiais à temperatura ambiente

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σe = tensão de escoamento
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Análise de Tensões nas Trincas


• Existem 3 modos de deslocamento da superfície da trinca para
materiais isotrópicos:

Modo I Modo II Modo III


(de abertura ou tração) (de deslizamento ou (de rasgamento)
cisalhamento puro) 18
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Análise de Tensões nas Trincas – Modo I


 Condições para a fratura depende da interação das
características do material, como o tenacidade à fratura, com os
detalhes do projeto, tensões atuantes e o comprimento da trinca.
 Para seleção de materiais, deve-se obedecer as relações:

K1C  y.s .  .a

, onde σ é a tensão de projeto e y é o fator adimensional


correspondente à configuração geométrica do corpo-de-
prova e da trinca.
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Esboço da relação tensão admissível (σ) x


comprimento da trinca (a) – Modo I

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Sistema de Coordenadas e Estado de Tensões em


um Elemento de Volume Próximo da Ponta da Trinca

. f x . 
K
sx 
2. .r
. f y . 
K
sy 
2. .r
. f xy . 
K
s xy 
2. .r
r...é a distância do ponto de análise até a ponta da trinca.
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θ...é o ângulo formado entre o ponto analisado e a origem do sistema.
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Tensão Plana e Deformação Plana –


Utilização de σz
 Para o caso de chapas finas, onde σz não pode aumentar
apreciavelmente na direção da espessura, tem-se tensão plana.

 Para o caso de chapas grosseiras, cria-se uma condição de


triaxialidade de tensões, denominada deformação plana, sendo:

s z  n .s x  s y 

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Esboço do Estado de Tensão em uma Placa com


uma Trinca em Função de Sua Espessura

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Tenacidade à Fratura
• Supondo que seja medido o valor da tensão no instante da
fratura de um material em ensaio,
• Usando as equações anteriores, pode ser determinado o
FATOR INTENSIDADE DE TENSÃO CRÍTICO, Kc, ou
tenacidade à fratura, como é geralmente chamado.
• Para o modo 1 de abertura da trinca, é conhecido como KIC
• Em amostras com espessura maior que:
2
 K IC 
B  2,5 
 se 
Kc é chamado de tenacidade à fratura em deformação plana
B... Relação entre a espessura do cdp e o comprimento da trinca. 24
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Divisão da Mecânica da Fratura e Respectivos Ensaios


• A mecânica da fratura pode ser dividida em duas categorias
em função do comportamento do material:

- Linear-elástica (KIC, KC): esta parte trata da propagação


instável da trinca, caracterizando um modo de fratura frágil, que
apresenta pequena deformação plástica na região próxima da
ponta da trinca. Entre os principais parâmetros determinados
nessa metodologia podem ser citadas: TENACIDADE À
FRATURA EM DEFORMAÇÃO PLANA e TENACIDADE À
FRATURA EM TENSÃO PLANA.
- Elastoplástica (J, CTOD): estuda o início da propagação da
trinca na região onde ocorre deformação plástica.
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Tenacidade à Fratura em Deformação Plana


• Esse método envolve o ensaio de cdps entalhado com pré-trinca
causada por fadiga sob tração ou flexão, obtendo-se um gráfico
de carga aplicada versus deslocamento da abertura da entalhe.
• O valor de KIC obtido em deformação plana significa a
resistência à propagação da trinca em condições severas de
triaxialidade de tensões, ambiente neutro e com níveis de
crescimento de trinca, Da=2%, para o caso de deformações
plásticas pequenas.
• Quando comparado com o tamanho da trinca e as dimensões do
cdp, esse resultado pode ser considerado o menor valor limite
de tenacidade à fratura.

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Interpretação dos Resultados do Ensaio


 É necessário calcular um resultado condicional (KQ), obtido
graficamente.
 Assim, estabelece-se KI = KQ

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Interpretação dos Resultados do Ensaio


 Procedimento:
- constrói-se uma reta secante partindo
da origem, defasada 5% de inclinação
da parte linear inicial plotada,
correspondente a 2% de aumento no
comprimento da trinca para ensaios de
tração ou flexão
- Ps é definida como a carga da
interseção da secante OPs com a curva
- a carga Ps utilizada para determinar
KQ é determinada como:
(a) se todas as cargas da curva desde a
origem até a interseção com a secante
forem menores que Ps, então
considera-se Ps = PQ (Tipo I da Figura). 28
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Interpretação dos Resultados do Ensaio


(b) no entanto, se existirem cargas
maiores que precedem Ps , como
nos tipos II e III, então a carga
máxima passará a ser PQ.

 Se a relação Pmáx/PQ < 1,1


...condições aceitáveis

 Se KQ satisfaz B, então
KQ=KI....caso contrário, deve-se
ensaiar outro corpo-de-prova maior
ou com entalhe mais severo.
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Configurações de Corpos-de-Prova

(a) compacto para ensaios com (b) entalhe Chevron ou cunha, mais
cargas de tração e pré-trinca utilizado para materiais frágeis, não
necessitando de pré-trinca

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Elastoplástica (J. CTOD)

 Esta parte da tenacidade à fratura estuda o início da propagação


estável da trinca na região onde ocorre deformação plástica.

 É fortemente influenciada pelas propriedades do material.

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Objetivos do Ensaio de Tenacidade à Fratura


 Analisar a influencia de parâmetros como composição,
tratamento térmico e operações de fabricação (soldagem e
conformação mecânica) na tenacidade à fratura de materiais
novos ou já existentes.

 Para controle da qualidade e especificações de aceitação na


manufatura de componentes, nas ocasiões em que as
dimensões do produto são suficientes para a confecção de
corpos-de-prova requeridos para a determinação de K1C.

 Para a avaliação de componentes em serviço, estabelecendo


a adequação do material para a aplicação especificada,
quando as condições de tensão são pré-determinadas. 32
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Informações Adicionais Sobre o Ensaio de


Tenacidade à Fratura

 Faz-se a identificação do plano e da direção da fratura em


relação à geometria do produto, a qual é feita por duas
letras:
- a primeira representa a direção normal ao plano da trinca.
- a segunda, a direção esperada da propagação da trinca (já
que a tenacidade à fratura de um material depende da
orientação e da propagação da trinca em relação à
anisotropia do material, que é função do trabalho mecânico
sofrido pelo material e da direção de crescimento de grão).

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Representação das direções e orientação do plano


da trinca para seções: (A) planas, (B) retangulares
e (C) cilíndricas

L...comprimento
T...largura
S...espessura
R...raio 34
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Principais parâmetros que influenciam o


comportamento dos materiais no caso da
tenacidade à fratura
 internos: anisotropia do material, composição química,
tamanho de grão cristalino

 externos: temperatura, taxa de deformação, meio


ambiente.

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Procedimentos para melhorar os valores de


tenacidade à fratura
 tamanho dos defeitos pode ser reduzido por técnicas como limpeza de
impurezas no metal líquido ou por conformação a quente
 ductilidade excessiva na ponta da trinca pode dificultar seu
crescimento, devendo-se assim reduzir tal característica
 espessura: materiais rígidos ou espessos apresentam valores de
tenacidade à fratura inferiores àqueles com espessura delgada
 taxa de aplicação de carga, em que valores altos reduzem a tenacidade
à fratura
 aumento da temperatura, ocasionando um aumento nos valores de K1C
 refinamento do tamanho de grão cristalino, melhorando a resistência
mecânica. 36