Você está na página 1de 85

Instituições Bancárias

1
Clientes, Produtos e Serviços Bancários

Quais os objectivos gerais de um banco?

 Porque é que os clientes recorrem aos bancos?

 Como se tipificam os clientes das instituições bancárias?

Quais os comportamentos que apresentam os clientes


bancários?
2
Objectivos gerais de um Banco
 Um banco, como qualquer organização económica,
tem em vista atingir vários objectivos, quer a curto
prazo, quer a médio e a longo prazo:
1. Rendibilidade dos seus capitais – um banco tem
de ser rentável;
2. Equilíbrio financeiro dos seus elementos
patrimoniais;
3. Crescimento de forma segura, se possível, ainda
mais do que a concorrência, aumentando a sua
quota de mercado;

3
Objectivos gerais de um Banco
 Para alcançar estes objectivos – rendibilidade,
equilíbrio financeiro, crescimento e segurança – é
necessário ter clientes e negociar produtos e
serviços.
 No entanto, como vivemos num mercado cada vez
mais competitivo, global e inovador, a análise da
estrutura dos clientes e dos produtos e serviços que
estes desejam é fundamental.

4
Tipificação dos clientes da Banca
 Os clientes são a razão de ser de qualquer empresa.
 É fundamental saber quem são os clientes que
recorrem ao banco e o que esperam do serviço
bancário para que depois se possam encontrar os
melhores produtos e serviços que satisfaçam as
suas necessidades.
 É necessário segmentar os clientes em grupos mais
pequenos e homogéneos, segundo critérios
apropriados a cada situação, criando depois os
produtos e os serviços pretendidos.

5
Tipificação dos clientes da Banca
 A segmentação inicia-se com os estudo do mercado de
clientes:

Clientes Empresas Entidades


Particulares Públicas

 Criam-se os produtos que satisfaçam as necessidades de


cada mercado – compra de casa, cartão de crédito,
financiamento ao investimento – e analisam-se quais os
comportamentos típicos dos clientes.
6
Clientes Particulares
Quais as variáveis ou factores de segmentação mais
utilizados pela banca no domínio do mercado de
particulares?
o Demográficas – idade, estado civil, sexo, profissão,
rendimento, património;
o Geográficas – residência na cidade ou aldeia, no
litoral ou interior;
o Psicográficas – classe social, estilo de vida, cultura,
personalidade;
o Comportamentais – atitudes, percepções,
necessidades.
7
Clientes Empresas
Para as empresas os critérios de segmentação mais
usados são:

o Dimensão

o Sector de actividade económica

o Localização Geográfica

8
Clientes Entidades Públicas
Os clientes entidades públicas vêm assumindo uma
grande importância para as instituições bancárias.

o Câmaras Municipais
o Institutos Públicos
o Hospitais
o Universidades
o Institutos Superiores Politécnicos
o Governos Regionais das Regiões Autónomas

9
Comportamentos Típicos dos Clientes

Verifica-se que os clientes de produtos e serviços


bancários têm vindo a obter:
o Melhor nível de instrução e mais conhecimentos
financeiros;
o Maior poder de compra, maior poder de
negociação;
o Escalão etário mais avançado, numa fase não
produtiva, portanto, menos propícia ao aforro;
o Maior propensão para o consumo, pelo que
recorrem mais ao crédito;
o Predominantemente urbanos.
10
Comportamentos Típicos dos Clientes
Do ponto de vista do banco, é necessário perceber que
os clientes:
o São pouco fiéis ao banco, sabem que existem produtos e
serviços alternativos;
o Têm maior apetência pelos meios tecnológicos, como
ATM, POS, Internet e banco telefónico;
o Querem obter um serviço perfeito;
o Querem flexibilidade e conveniência para satisfazer as
suas necessidades financeiras e de serviços;
o Têm motivações de compra e de venda, por vezes, muito
diversas;
o Exigem que a informação bancária lhes chegue em
tempo útil, em moldes fidedignos e fácil de entender.

11
Produtos de captação e aplicação de fundos
dos bancos
 O que é uma conta bancária?
 Como se podem classificar as contas bancárias?
Como proceder à identificação de contas bancárias?
Que tipos de depósitos bancários existem?
Quais são os intervenientes nas transferências
bancárias?
Que tipo de transferências bancárias existem?
Como funcionam os empréstimos bancários?

12
Contas Bancárias

A conta bancária serve para registar as


operações realizadas pelo depositante.
Esta também chamada de "conta
cliente" serve para registar as
operações realizadas entre esse titular
e o seu banco.

13
Contas Bancárias
 Fala-se em debitar a conta quando nela se efectua
qualquer lançamento a débito; pelo contrário, creditar
significa fazer um lançamento a crédito.

 A diferença entre as somas dos débitos e dos créditos


constitui o saldo, que pode ser devedor ou credor,
consoante o montante das importâncias lançadas a
débito seja maior ou menor do que as importâncias
lançadas a crédito. Se estes valores forem iguais, a
conta diz-se saldada.

14
Contas Bancárias
Para se abrir uma conta é necessário preencher uma
ficha, da qual constam a identificação do(s) titular(es)
e respectiva(s) assinatura(s), a utilizar em todos os
documentos (cheques, ordens de pagamento,
propostas de desconto, etc.)

As contas bancárias podem classificar-se em:

 Singulares

É a conta bancária que tem apenas um titular.


15
Contas Bancárias
 Colectivas
É a conta bancária que tem vários titulares. Estas podem ser:

 Conjuntas
Quando as ordens de levantamento têm de ser assinadas por
todos os titulares (por exemplo, os cheques e ordens de
pagamento devem ser assinados por todos os titulares). Só
assim não será se se tiverem constituído mandatários
recíprocos ou tiverem conferido mandato a um terceiro. Na
praxe bancária é costume denominar as contas conjuntas
como "conta e".

16
Contas Bancárias
 Solidárias
Quando a conta pode ser movimentada por
qualquer um dos seus titulares (basta a assinatura
de um dos titulares nos cheques, recibos, etc.). Ao
contrário das contas conjuntas onde vigora o
regime da conjunção, aqui vigora o regime da
solidariedade (art. 512º CC).

Neste tipo de contas o banco pode, quando o saldo


da conta se mostre devedor, exigir de cada um dos
titulares o saldo em dívida.

17
Contas à Ordem, Contas com Pré-Aviso,
Contas a Prazo

Uma vez que as contas bancárias são constituídas


através dos depósitos, entende-se que a conta à
ordem é o mesmo que depósito à ordem, que a
conta com pré-aviso é o mesmo que depósito com
pré-aviso e a conta a prazo é o mesmo que depósito
a prazo.

18
Identificação das Contas

NIB – Número Identificação Bancária (21 dígitos)

Ex: 0123 1234 12345678901 34

0123 - Código do Banco


1234 - Código do Balcão
12345678901 - Número de Conta
34 - Dígito de Controlo

19
Identificação das Contas

IBAN – Número de Identificação para transferências


dentro do espaço Económico Europeu. (25 caracteres)

Ex: PT50 0123 1234 12345678901 34

PT50 - Prefixo do país


0123 1234 12345678901 34 - NIB

BIC - Código de Identificação Bancária do Swift.

Para que sejam realizadas as transferências


transfronteiras são necessários os números do IBAN e
BIC.
20
Depósitos Bancários

Os depósitos bancários podem classificar-se em:

 Depósitos à ordem

 Depósitos a prazo

 Depósitos com aviso prévio

 Contas especiais de depósitos

21
Depósitos Bancários
Depósitos à Ordem

O depositante pode movimentar, em qualquer momento, o dinheiro à


ordem, por meio de cheque, cartão de crédito, ordem de transferência
ou de pagamento. Ou seja, de acordo com o disposto no art. 1º do DL
430/91, de 02/11 «a qualquer momento os titulares deste tipo de conta
têm a faculdade de exigir do banco o pagamento, total ou parcial, do seu
crédito; por sua vez o banco é obrigado a ter o montante respectivo à
disposição do titular. No depósito à ordem, o débito do banco
depositário é um débito disponível ou livre. Por isso, os depósitos
desta espécie se denominam depósitos livres.

As contas de depósito à ordem das pessoas singulares vencem juros a


taxas muito baixas e variáveis, de acordo com as instituições bancárias.
Os juros são lançados em conta, no início de cada ano, líquido de IRS. As
contas de depósitos à ordem das sociedades comerciais, em regra, não
vencem juros.

22
Depósitos Bancários
Depósitos a Prazo

O depositante só deve movimentar o dinheiro depositado a


prazo após ter expirado o tempo acordado (3 meses, 6
meses, 1 ano, etc.), se pretender beneficiar de juros mais
elevados. A taxa de juro é superior à dos depósitos à ordem
e é variável de acordo com o prazo de depósito.

Caso o depositante movimente a conta, ou parte antes do


prazo ter expirado, os juros a receber são calculados a taxas
bastante inferiores (neste caso diz-se os depósitos a prazo
são mobilizáveis antecipadamente ao contrário do que
acontece com os depósitos não mobilizáveis
antecipadamente - art. 1º n.º 5 DL 430/91).

23
Depósitos Bancários
Depósitos com Aviso Prévio

O depositante pode movimentar a conta, desde que tenha


avisado por escrito o banco da sua pretensão, dentro do
prazo estabelecido em cláusula especial. Em geral, o
levantamento deve ser feito nos dias seguintes ao
vencimento do depósito. Se tal levantamento não se
efectuar, o banco transfere a importância respectiva para a
conta à ordem do seu cliente. Os juros destes depósitos são
superiores aos dos depósitos à ordem. Ao contrário do que
acontece nos levantamentos, o titular/depositante pode
fazer várias entregas para crédito da conta (art. 1º n.º 3 DL
430/91).

24
Depósitos Bancários

Contas Especiais de Depósito

As contas abaixo mencionadas dizem-se especiais


por exigirem determinados requisitos para a sua
constituição. As mais vulgares são a conta
poupança-habitação, a conta poupança emigrante e
a conta poupança reformado.

25
Depósitos Bancários
Conta Poupança-Habitação

Esta conta é constituída pelo prazo mínimo de um ano


e renovável por iguais períodos de tempo. Este
depósito visa - aquisição/construção de casa própria
ou para arrendamento; a aquisição de terrenos para
construção; a beneficiação e/ou a ampliação de casa
própria; a amortização de empréstimos contraídos
para aquisição, construção ou beneficiação de
habitação própria. A esta conta está associado um
benefício fiscal, podendo deduzir-se à colecta 25% do
montante aplicado, até ao limite definido para cada ano
civil.
26
Depósitos Bancários
Conta Poupança Emigrante

São contas apenas para emigrantes, que tenham


feito prova do seu estatuto. Os depósitos podem ser
feitos por cheque ou transferência bancária e, em
certos casos, em divisas (dólares, por exemplo),
mediante prova de proveniência das mesmas. Os
juros destas contas são superiores aos das contas
de depósito a prazo.

27
Depósitos Bancários

Conta Poupança Reformado

Destinam-se a reformados, cuja pensão mensal no


momento da abertura da conta não exceda o triplo
do salário mínimo nacional. Estas contas vencem
juros à taxa dos depósitos a prazo de 181 dias a um
ano, e os juros produzidos por um capital ate
7.481,97€ estão isentos de IRS.

28
Transferências Bancárias

É uma movimentação de fundos entre contas


bancárias.

As transferências bancárias podem ser:

 Interbancárias: Entre dois bancos diferentes.

 Intrabancárias: Entre duas contas do mesmo


banco.

29
Transferências Bancárias
As transferências bancárias têm dois intervenientes
que são denominados:

► Ordenante: Pessoa que ordena a movimentação


de fundos.

► Beneficiário: Pessoa quem beneficia/ recebe os


fundos.

30
Tipos de Transferências Bancárias
Os tipos de transferências bancárias existentes são:

 A crédito: A ordem é dada pelo próprio titular da conta.

 A débito directo: É ordenada pelo credor/beneficiário nos termos


acordados pela lei.

 TEI: Transferência Electrónica Interbancária.

 Transferências domésticas (internas): São transferências que


ocorrem entre instituições de crédito do mesmo país.

 Transferências transfronteiras: São transferências que ocorrem


entre instituições de crédito de diferentes países.

31
Empréstimos Bancários

O actual Código Civil não contempla a figura


jurídica de empréstimo propriamente dito, mas
considera dois tipos de contrato – o comodato e o
mútuo.

32
Empréstimos Bancários

Comodato

Conforme o disposto no art. 1129º do CC «é o


contrato pelo qual uma das partes - comodante -
entrega à outra - comodatário - certa coisa, móvel ou
imóvel, para que se sirva dela com a obrigação de a
restituir. O comodato é um contrato gratuito».
Ex: O Estado emprestou à Delegação do Porto da
Ordem dos Advogados, o prédio em que esta
funciona.

33
Empréstimos Bancários

Mútuo

Conforme o disposto no art. 1142º CC «é o contrato pelo


qual uma das partes – mutuante – empresta a outra –
mutuário – dinheiro ou outra coisa fungível, ficando a
segunda obrigada a restituir outro tanto do mesmo
género e qualidade».

O contrato de mútuo distingue-se do contrato de


comodato uma vez que pode ser gratuito ou oneroso
(quando se cobra algo pelo empréstimo efectuado).

34
Empréstimos Bancários

Dispõem ainda os seguintes artigos:

1143º do CC - «O contrato de mútuo deve ser escrito nas


seguintes condições: Documento assinado pelo mutuário:
empréstimo entre 997,59€ e 14.963,93€; Por escritura pública:
empréstimo superior a 14 963,93€».

1145º CC – «o mútuo pode ser gratuito ou oneroso, no caso das


partes fixarem pagamento de juros».

1146º CC – «O contrato de mútuo é considerado usurário no


caso das taxas de juro praticadas excederem as taxas legais,
em 3% ou 5 % consoante haja ou não garantia real».

35
Empréstimos Bancários
EMPRÉSTIMO COMERCIAL

O contrato de empréstimo diz-se comercial, quando se cede um


bem a outrem para que dele se sirva em acto mercantil (art. 394º
CC). De acordo com o art. 395º do CC, este contrato é sempre
retribuído. Se o empréstimo comercial foi realizado entre
comerciantes, qualquer documento serve como meio de prova,
independentemente da quantia em causa. Se um ou ambos os
intervenientes não forem comerciantes então é necessário
respeitar os seguintes requisitos formais:

Documento assinado pelo mutuário: entre €997,59 e €14 963,93

Escritura pública: superior a €14 963,93

36
Empréstimos Bancários
EMPRÉSTIMOS OBRIGACIONISTAS

As obrigações são títulos de crédito com força executiva, pois basta a sua
apresentação para se poder exigir os direitos que conferem e representam
fracções iguais de um empréstimo. Os seus detentores têm o direito de receber
juros periodicamente e o reembolso numa determinada data.

Principais características:

 São títulos negociáveis e transmissíveis, podendo estar cotados em Bolsa de


Valores;

 São títulos análogos e emitidos em série;

 Os títulos não podem ser fraccionados;

 As obrigações têm os seguintes elementos: A taxa de juro, o valor nominal, o


preço de emissão, o valor de reembolso e o método de amortização.

37
Empréstimos Bancários
A amortização do empréstimo por obrigações pode ser efectuada
através de um único reembolso ou de vários reembolsos. As
funções dos empréstimos obrigacionistas são:

 Financiar o investimento em capital intensivo;

 Reforçar o fundo de maneio;

 Superar as dificuldades de obtenção de crédito bancário;

 Permitir uma melhor planificação financeira das empresas;

 Permitir canalizar a poupança para o ciclo produtivo da


economia.

38
Empréstimos Bancários

A Remuneração dos Empréstimos

Os empréstimos, quase sempre vencem juros que


podem ser pagos no final do período do
empréstimo – juro postecipado ou normal – ou no
início do mesmo – juro antecipado.

39
Empréstimos Bancários

40
Empréstimos Bancários
Neste último caso, a importância a receber no início do
prazo do empréstimo corresponde ao valor do empréstimo
deduzido dos juros. No entanto, o montante a pagar na data
do vencimento é o valor do empréstimo.

 C – valor nominal do empréstimo, ou seja, o valor acordado entre as


partes;

 C' – valor actual do empréstimo, valor efectivamente recebido no


início do período do empréstimo;

 J – juro do empréstimo.

41
Títulos de crédito
 Que tipos de títulos de crédito existem?
 Quais as características dos títulos de crédito?
Quais as características de um vale postal?
Quais os principais elementos de uma livrança?
Que diferenças existem entre uma livrança e uma letra?
Que tipo de transferências bancárias existem?
Como funcionam os empréstimos bancários?

42
Títulos De Crédito
 Vale Postal
 Letra
 Cheque
 Livrança

Características:

 Autonomia - O portador tem o direito que está expresso no título de


crédito independentemente das obrigações entre o primitivo credor e o
devedor.

 Literalidade - O título de crédito vale aquilo que nele está escrito.

 Transmissibilidade - O título de crédito é transmissível o que vai


permitir em certos casos o seu recebimento antes do seu vencimento.

43
Vale Postal
Título de Crédito emitido pelos CTT

É uma ordem de pagamento que permite uma transferência de fundos, através dos CTT,
para qualquer destinatário. Para emitir um vale postal é necessário que, em qualquer
estação dos CTT:

 Seja preenchido o impresso próprio;

 Seja entregue a quantia a transferir;

 Seja paga a taxa do serviço prestado.

 O preenchimento do vale postal obedece a regras inscritas nos próprios documentos, no


entanto, convém salientar algumas cautelas que não devem ser esquecidas:

 Escrever de forma legível;

 Não deixar espaços entre os dígitos da quantia;

 Inutilizar os espaços antes do valor numérico e depois do valor por extenso.


44
Vale Postal
 Quando são admitidos: O cliente que deseja efectuar o pagamento
preenche em qualquer balcão dos correios, o impresso adequado e
entrega a respectiva quantia em dinheiro. O remetente paga aos
correios um prémio de emissão cujo valor varia consoante a quantia a
transferir.

 Entrega e Pagamento: A estação dos correios valida o vale e


encaminha-o para os centros de distribuição como correspondência,
entregando-o no domicílio do destinatário.

 Serviços Adicionais: A pedido do cliente e mediante uma taxa


adicional, o destinatário pode receber o montante do vale no seu
domicílio, através do carteiro. O vale pode ainda ser enviado
telegraficamente.

 Vales Internacionais: Os vales podem igualmente ser enviado de e


para o estrangeiro, pagando os correios o respectivo valor em Portugal
ou no país de destino.

45
Livrança

É um documento representativo de um empréstimo


bancário.
A Livrança é um título de crédito através do qual
uma pessoa (devedor ou subscritor) promete
pagar ao seu credor (beneficiário/portador) ou à
sua ordem certa quantia em determinada data.

46
Livrança
De acordo com o art. 75º da LULL (Lei Uniforme das Letras e Livranças)
a livrança deve conter:

 A palavra « livrança » inserida no próprio texto do título e expressa na


língua empregue para a redacção desse título;

 A promessa pura e simples de pagar uma quantia determinada;

 A época de pagamento;*

 A indicação do lugar onde deve ser efectuada o pagamento;**

 O nome da pessoa a quem ou à ordem de quem deve ser paga;

 A indicação da data e do lugar em que a livrança é passada;***

 A assinatura de quem passa a livrança (subscritor).


47
Livrança
 A livrança em que não se indique a época de pagamento
entende-se que é pagável à vista.

 Na falta de indicação especial quanto ao lugar de pagamento


entende-se que a livrança é pagável no local em que foi
passada que se considera ser o do domicilio do subscritor da
livrança.

 A livrança que não contenha indicação do local onde foi


passada considera-se como tendo sido passada no local
indicada ao lado do nome do subscritor (art. 76º da LULL).

 São aplicáveis às livranças, na parte em que não contrariem a


natureza deste escrito, as disposições relativas às letras (art.
77º LULL).

48
Exemplo de uma livrança:

49
A principal diferença entre Letra e
Livrança:
 A letra é uma ordem de pagamento de uma
determinada quantia e deve ser aceite pelo sacado;

 A livrança representa uma promessa de pagamento


de uma determinada quantia e não está sujeita a
aceite.

50
Cheque
 Quais os principais elementos de um cheque?
 Quais as formas de emissão de um cheque?
 Podemos endossar um cheque?
 Como funciona o aval de um cheque?
 Quais as formas de pagamento de um cheque?
 Quais as regras para o preenchimento de um cheque?

51
Cheque
 O cheque é uma ordem de pagamento à vista, dada
pelo depositante – sacador – ao seu banqueiro –
depositário ou sacado para que lhe pague a si
(sacador) ou a outra pessoa – beneficiário –
determinada quantia.

 Presentemente todas as instituições bancárias


utilizam o mesmo modelo de cheque – cheque
normalizado – que foi criado com o objectivo de
permitir o tratamento informático da informação nele
contida: por isso, se deve ter alguns cuidados na sua
utilização, como seja não dobrar, rasgar, molhar ou
escrever fora dos campos específicos.
52
Cheque
Art. 1º Lei Uniforme dos Cheques (LUC): os elementos que deve conter
um cheque.

 Todo o cheque que não contenha os requisitos mencionados no referido


art.1º LUC, não produz efeitos como cheque, salvo nos seguintes casos:

 Falta de indicação do lugar de pagamento. Entende-se que o cheque é


pagável no lugar indicado ao lado do nome do sacado. Se foram
indicados vários locais ao lado no nome do sacado, o cheque é pagável
no primeiro local indicado. Na ausência destas indicações ou de
qualquer outra entende-se que o cheque é pagável no lugar onde o
sacado tem o seu estabelecimento principal.

 O cheque sem indicação do local de emissão considera-se passado no


local indicado ao lado do nome do sacador.

53
As Formas de Emissão do Cheque

 Cheque Nominativo: É o cheque que contém o nome da


pessoa deve ser pago ou à sua ordem, isto é, a quem ele seja
transmitido por endosso. O cheque nominativo à ordem é
transmissível por endosso, enquanto que o cheque
nominativo não à ordem não pode ser endossado.

 Cheque ao Portador: É o cheque que não contém o nome da


pessoa a quem deve ser pago, e pode ser pago a quem o
apresentar a pagamento. O cheque ao portador transmite-se
por simples entrega. Todos os cheques que tenham o nome
de um beneficiário seguido da expressão «ou ao portador»
são considerados cheques ao portador e, para que sejam
nominativos, é necessário riscar aquela expressão.

54
As Formas de Emissão do Cheque

 Cheque Cruzado: É o cheque definido pelo art. 37º LUC. O


cruzamento dos cheques tem como objectivo reduzir os
riscos de extravio, roubo e falsificação. O cruzamento pode
ser geral ou especial.

 Cruzamento Geral: Entre duas linhas paralelas figura uma


das seguintes expressões «banqueiro», «banco» ou outra
equivalente. Só pode ser pago pelo sacado a um banqueiro ou
a um cliente do sacado (art. 38º LUC).

 Cruzamento Especial: Entre duas linhas figura o nome do


banco. Um cheque com cruzamento especial só pode ser pago
pelo sacado ao banqueiro designado ou, se este é o sacado, ao
seu cliente.

55
As Formas de Emissão do Cheque

 Cheque a Levar em Conta: O sacador ou o portador de


um cheque pode proibir o seu pagamento em
numerário, inserindo transversalmente na face do
cheque a cláusula «para levar em conta» ou outra
equivalente. Neste caso, o sacado só pode fazer a
liquidação do cheque por transferência de uma conta
para a outra (art. 39º LUC).

 Cheque Visado: É o cheque ao beneficiário a existência
de provisão. Contém na face a palavra «visado» ou «bom
para pagamento», o nome e a data, colocados pelo
banco que emitiu o cheque, garantindo, assim, ao seu
beneficiário uma boa cobrança.

56
Endosso
Todo o cheque, com ou sem cláusula expressa «à ordem», é transmissível
por endosso. Caso o cheque tenha estipulado «pagável» a favor de uma
determinada pessoa, com a cláusula «não à ordem» ou outra equivalente,
não é transmissível por endosso.

 O endosso deve ser puro e simples. Considera-se não escrita qualquer


condição a que ele esteja subordinado. É nulo o endosso parcial, assim
como também é nulo o endosso feito pelo sacado.

 O endosso ao portador vale como endosso em branco. O endosso deve ser


escrito no cheque ou numa folha anexa. Deve ser assinado pelo endossante
e pode ser um endosso completo (designa o beneficiário) ou em
branco/incompleto, em que não se designa o beneficiário.

 Salvo estipulação em contrário, o endossante garante o pagamento. O


endossante pode proibir novo endosso e, neste caso, não garante o
pagamento às pessoas a quem o cheque for posteriormente endossado
(art. 18º LUC).
 Artigo 14º LUC

57
Compensação

É o processo de apuramento das posições dos


devedores e credores, através do qual os bancos
participantes efectuam entre si cobranças e
pagamentos mútuos, designadamente de cheques
recebidos em depósitos de outros bancos. O Sistema
de Compensação Interbancárias (SICOI) é um
sistema regulado pelo Banco de Portugal que visa
operacionalizar a compensação dos cheques e
outros instrumentos de pagamento.

58
Aval
 De acordo com o art. 25º LUC, "o pagamento dum cheque pode ser
garantido no todo ou em parte do seu valor por um aval. " Esta
garantia pode ser dada por um terceiro excepto o sacado, ou
mesmo por um signatário do cheque. O aval é dado sobre o cheque
ou sobre "folha anexa".

Podemos ter:

 Aval Completo: Exprime-se pelas palavras "bom para aval" ou por


qualquer outra expressão equivalente e é assinado pelo avalista.

 Aval Incompleto: Constituído pela assinatura do avalista na face do


cheque.

O avalista deve indicar a pessoa por quem se responsabiliza, já que


na falta dessa indicação considera-se o aval prestado ao sacador. O
avalista é obrigado da mesma forma que a pessoa que ele garante.
Desde que pague o cheque, adquire os direitos dele resultantes
contra o garantido e contra os obrigados para com este.
59
Pagamento
 O cheque é um título pagável à vista.

 Os prazos de apresentação do cheque a pagamento: art.


29º LUC.

 Os prazos estabelecidos começam a contar a partir da


data de emissão do cheque. O portador não pode
recusar um pagamento parcial do sacado, podendo, no
entanto, exigir que desse pagamento se faça menção no
cheque.

 Artigo 34º LUC

60
Preenchimento do cheque
 Depositário/Sacado
 Código da Conta
 Titular da Conta - Depositante/Sacador
 Quantia em algarismos
 Local de emissão
 Data de emissão
 Assinatura do depositante
 Nome do beneficiário (que pode ser indicado ou não)
 Importância por extenso
 Zona interbancária, número da conta e n.º do cheque

61
Exemplo de um cheque por preencher

62
Letra
 Quais os principais elementos de uma letra?
 Quais os principais intervenientes numa letra?
 O que significa o saque de uma letra?
 O que é o aceite de uma letra?
 O que significa dar o aval a uma letra?
 Como funciona o desconto bancário?
 Como preencher uma letra?
 Quando se dá o vencimento e pagamento de uma letra?
63
Letra
A letra é um título de crédito à ordem sujeito a formalidades, pelo qual
uma pessoa – sacador – ordena a outra – sacado – que lhe pague a si ou
a terceiro – tomador – certa importância em determinada data.

Art. 1º Lei uniforme das Letras e Livranças (LULL) – Requisitos da


Letra.

Na letra a quantia é indicada por extenso e por algarismos; quando não


se verifica a coincidência entre estes dois valores o que prevalece é o
valor por extenso (art. 6º LULL).

Não são considerados como essenciais, para que a letra tenha validade,
os seguintes requisitos:

 Época de pagamento
 Lugar de pagamento
 Lugar de emissão
64
Intervenientes da Letra
 Sacador: Pessoa que dá a ordem de pagamento, sacando a letra.

 Sacado: Pessoa a quem é dada a ordem de pagamento e que tem de aceitar a letra,
responsabilizando-se pelo seu pagamento (art. 1º LULL).

 Tomador: Pessoa a quem o sacador transmite todos os direitos emergentes da letra.


O tomador pode ser o próprio sacador através da expressão "a mim..." Ou outra
equivalente (art. 3º al. 1 LULL). Normalmente indica-se o nome do tomador e a
expressão"... ou à sua ordem". No entanto, mesmo que esta expressão não conste
considera-se que a letra é naturalmente endossável, ou seja, que é à ordem (art. 11º
al. 1 LULL).

 Aceitante: Pessoa que assume o compromisso de pagar a letra

 Portador: Pessoa que apresenta a letra a pagamento. O portador da letra tanto pode
ser o sacador, o tomador ou um endossado.

 Avalista: Pessoa que garante o pagamento da letra.

 Endossado: Pessoa a quem o sacador ou endossante transmite a letra por meio de


endosso.

65
Saque
É a declaração através da qual o sacador dá a ordem
de pagamento. Ou seja, o sacador ordena e ao
mesmo tempo formula a promessa de que a pessoa
indicada para efectuar o pagamento vai honrar esse
compromisso, ou seja, vai pagar. Assim, na hipótese
da pessoa indicada não pagar o sacador vai ter quer
o substituir e pagar ele a dívida titulada. Significa
isto que o sacador é garante do pagamento; mas
também garante que a pessoa indicada para pagar,
o sacado, vão aceitar a letra. O sacador apenas pode
deixar de garantir o aceite, nunca o pagamento (art.
9º LULL).

66
Aceite
 Aceite é o acto pelo qual o sacado se obriga a pagar
a letra na data de vencimento (art. 28 al. 1 LULL).
Antes do aceite o sacado não está obrigado a pagar
nenhum crédito. No entanto, a recusa de aceite dá
ao portador da letra a possibilidade de agir contra
os endossantes, sacador e demais responsáveis (art.
43º LULL).

 Com o aceite o sacado passa a designar-se aceitante.

 Artigo 23º LULL

67
Aceite
 O aceite deve ser inscrito na própria letra e
assinado pelo sacado. O aceite pode ser:

 Completo: Constituído pela palavra «aceite»,


«aceito», «aceitamos» ou qualquer outra
equivalente, seguida da assinatura do sacado.

 Incompleto ou em Branco: É constituído apenas


pela assinatura do sacado.

68
Aceite
 O aceite pode ser parcial, ou seja, referir-se apenas a uma
parte da dívida. Havendo aceite parcial considera-se que há
uma recusa de aceite em relação à dívida excedente com os
mesmos efeitos, em relação a esta parte, da recusa total de
aceite.

 Se o aceitante introduzir qualquer modificação na letra (por


exemplo, na data de vencimento considera-se que houve uma
recusa de aceite).

 O aceite deve ter a data do dia em que foi efectuado, caso se


trate de uma letra pagável a certo termos de vista ou que se
deva apresentar o aceite dentro de determinado prazo.

 Artigo 25º LULL

69
Aval
 O aval é a garantia dada por um terceiro - avalista - ao pagamento total ou
parcial da letra. Tal garantia pode ser dada por qualquer signatário da
letra. O aval inscreve-se na letra ou numa folha anexa e pode ser:

 Aval Completo: Quando é constituído pela expressão "bom para aval" ou


por qualquer outra equivalente seguida da assinatura do avalista.
 Aval Incompleto ou em Branco: Quando é constituído apenas pela
assinatura do avalista. O aval deve fazer referência à pessoa a quem é dado.
Na falta da sua indicação considera-se que é ao sacador, visto que sendo ele
o "criador da letra" é também o primeiro responsável pelo seu pagamento.

 O avalista é responsável pelo pagamento da letra. No entanto, no caso de


ter de a pagar, tem o direito de exigir a importância paga (o chamado
direito de regresso), tanto da pessoa a favor de quem foi dado o aval como
de qualquer signatário para com esta obrigado. O aval pode ser parcial, ou
seja, referir-se apenas a uma parte da dívida.

 Artigos 30º e 32 LULL

70
Endosso
 Toda a letra, mesmo que não envolva expressamente a cláusula à
ordem, é transmissível por endosso. Endossar uma letra consiste na
transferência de todos os direitos dela emergentes, feita pelo
endossante, a favor de outrem que se designa por endossado. O
endosso deve ser efectuado na letra ou numa folha anexa, e pode
ser:

 Endosso Completo: Constituído pelo nome do endossado, seguido


da assinatura do endossante. "Pague-se a ..... ou à sua ordem", data e
assinatura.

 Endosso Incompleto ou em Branco: Constituído apenas pela


assinatura do endossante. O endosso de uma letra não pode ser
parcial.

 Para que a letra não seja endossável é necessário que o sacador ou


um endossante insira na letra as palavras "não à ordem" ou
equivalente (art. 11 al. 2).

71
Endosso
 O endossante da letra, salvo cláusula em contrário, garante
tanto a aceitação como o pagamento da letra. O endossante
pode proibir um novo endosso ("sem garantia"; "sem
responsabilidade", etc.), e caso se verifique, não garante o
pagamento às pessoas a quem a letra for posteriormente
endossada. Esta cláusula só aproveita ao endossante que a
apôs e não aos posteriores.

 Artigo 15º LULL

 O endosso não pode estar sujeito a nenhuma condição;

 O endosso transmite o crédito na sua totalidade, não


podendo este ser transmitido em parte (art. 12º LULL).

72
O Desconto Bancário
 O desconto comercial é a operação de crédito bancário que
tem como objectivo pagar aos seus depositantes, antes da
data do vencimento, títulos de crédito (letras) que estes
têm direito a receber.

 O banco surge, assim, como um substituto do cliente do


depositante e paga a dívida ao depositante antes do
expirado o prazo do crédito, ficando com o direito de, na
data do vencimento, receber do cliente do seu depositante.
Nestas operações os bancos cobram juros e despesas,
colocando à ordem do depositante o valor nominal dos
títulos, deduzidos de encargos (juros e despesas), ou seja,
coloca à disposição do depositante o valor líquido do
desconto.

 Em termos práticos, o desconto da letra consiste num


empréstimo bancário até à data do vencimento da letra.
73
Preenchimento de uma letra

74
Preenchimento de uma letra

75
Vencimento
Por vencimento da letra deve entender-se a data em que o portador pode
exigir o seu pagamento. De acordo com o art. 33º LULL, o vencimento pode
ser:

 À vista: A letra é pagável no dia da sua apresentação. Deve apresentar-se a


pagamento no prazo de um ano a contar da sua data, salvo decisão em
contrário do sacador ou endossante (art. 34º LULL).

 A termo de vista: "À vista pagará V. Ex. ª "......". A letra é pagável no prazo
nela indicado, contando-se a partir da data do aceite, ou da data do
protesto por falta de aceite. "A 30 dias pagará V. Ex. ª ....." (art. 35º LULL).

 A termo de data: A letra vence-se decorrido o prazo nela estabelecido que


é contado a partir da data do saque. "A 2 meses de data pagará V. Ex. ª ....".

 Em dia fixo: A letra vence-se no dia nela fixado. "A 21 de Março do


corrente ano pagará V. Ex. ª ...".

76
Contagem do prazo para Vencimento da
Letra
 Dispõe o artigo 36º LULL «O vencimento de uma letra
sacada a uma ou mais meses de data ou de vista será na
data correspondente do mês em que o pagamento se deve
efectuar. Na falta de data correspondente, o vencimento
será no último dia desse mês; Quando a letra é sacada a
um ou mais meses e meio de data ou de vista, contam-se
primeiro os meses inteiros; Se o vencimento for fixado
para o princípio, meado ou fim do mês, entende-se que a
letra será vencível no primeiro, no dia quinze, ou no
último dia desse mês; As expressões "oito dias" ou "quinze
dias" entendem-se, não como uma ou duas semanas, mas
como um prazo de oito ou quinze dias efectivos; A
expressão " meio mês", indica um prazo de quinze dias.

77
Apresentação da Letra a Pagamento

 Letras sujeitas a pagamento à vista – a


apresentação tem de ser feita no prazo de um ano a
contar da sua data.

 Nos restantes modos de vencimento – no dia


marcado para o vencimento ou num dos dois dias
úteis seguintes.

78
Pagamento
 O pagamento da letra deve ter lugar no dia do seu
vencimento, ou num dos dois dias úteis seguintes. O sacado
que paga a letra pode exigir que ele lhe seja entregue com o
respectivo recibo, em regra passado no verso da letra.

 O portador da letra não pode recusar um pagamento parcial


da mesma, podendo o sacado exigir que se faça menção na
letra do pagamento efectuado, bem como que lhe seja
passado recibo.

 O portador não pode ser obrigado a receber o valor da letra


antes da data do vencimento.

 Artigos 38º e 40º LULL

79
Lugar do pagamento

Pode ser expressamente indicado na letra ou não;


no caso de o não ser o lugar de pagamento passa a
ser o que consta ao lado do nome do sacado que,
aliás, também é considerado como o do seu
domicílio (art. 2º al. 3 LULL). A letra pode ser
pagável, por ordem do sacador, no domicílio de
terceiro noutra localidade. Neste caso estaremos
perante uma letra domiciliada (art. 4º LULL).

80
Protesto
 Protesto por falta de aceite: Deve ser efectuado nos prazos fixados para
apresentação ao aceite (art. 21º e art. 23º LULL).

 Protesto por falta de pagamento: Deve ser efectuado num dos dois dias
úteis seguintes à data do vencimento (art. 44º LULL).

 O protesto tem lugar no Cartório Notarial da área do local indicado para o


aceite ou para pagamento e, na falta dessa indicação, no notário do
domicílio da pessoa que deva aceitar ou pagar. O protesto é constituído por
um termo ou instrumento de protesto do qual fará parte uma cópia da
letra.

 No dia da apresentação a protesto ou no primeiro dia útil imediato, o


notário notificará o facto por carta registada a quem deva aceitar ou pagar,
incluindo todos os responsáveis para com o portador.

 Decorridos cinco dias a partir da expedição das cartas, e até ao décimo dia
a contar da apresentação da letra a protesto, serão lavrados, pela ordem
das apresentações, os instrumentos de protesto das letras que não tenham
sido retirados pelos apresentantes.

81
Cobrança
A cobrança de uma letra pode ser efectuada pelo portador -
cobrança directa - ou através do banco - cobrança bancária. Para
que o banco proceda à cobrança de uma letra, deve o portador,
antes da data de vencimento, preencher uma proposta de cobrança
e, conjuntamente, entregar o título endossado em branco.

Por esta operação o banco cobra ao endossante:

 Comissão de Cobrança: Percentagem ou permilagem calculada


sobre o valor da letra, mas limitada por valores mínimos e
máximos.

 Imposto de Selo: Percentagem calculada sobre o valor da comissão


de cobrança, cobrada a favor do Estado.

 Portes: Importância variável, destinada a custear despesas de


comunicação.
82
Prescrição

Determina o artigo 70º LULL «Todas as acções contra o


aceitante relativas a letras prescrevem em três anos a
contar do seu vencimento; As acções do portador contra
os endossantes e contra o sacador prescrevem num ano, a
contar da data do protesto feito em tempo útil, ou da data
do vencimento se se trata de letra contendo a cláusula
"sem despesas": As acções dos endossantes uns contra os
outros e contra o sacador prescrevem em seis meses a
contar do dia em que o endossante pagou a letra ou em
que ele próprio foi accionado». Dispõe ainda o artigo
71º LULL «A interrupção da prescrição só produz efeito
em relação à pessoa para quem a interrupção foi feita».

83
Reforma da Letra
Muitas vezes, na data do vencimento, o aceitante não pode pagar a
letra, solicitando a sua substituição total ou parcial por um ou mais
títulos. A este procedimento dá-se o nome de reforma da letra, que
pode ser total ou parcial.

 Reforma total: Quando a letra vencida é substituída por uma outra


ou outras; o valor da letra pode incluir, ou não, as despesas e os
juros da reforma.

 Reforma parcial: Quando o sacado amortiza (paga) parte da letra


vencida; sobre o remanescente incidirão juros.

 Os encargos de reforma são de conta do sacado e englobam o


prémio de desconto da nova letra, o custo do impresso, ou do
pagamento do imposto de selo através do registo das letras sacadas
e, ainda, outras despesas caso existam (despesas de recâmbio, de
protesto etc.).

84
BOM ESTUDO!!!

85