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Contabilidade Social

Introdução
Principais Agregados Macroeconômicos
Economia a Dois Setores Sem Formação de Capital
Economia a Dois Setores Com Formação de Capital
Economia a Três Setores: O Setor Público
Economia a Quatro Setores: O Setor Externo
Valores Reais e Nominais
Identidades Básicas da Contabilidade Nacional
Aspectos Conceituais

1
Contabilidade Social: Sistema de Contas Nacionais

O objetivo do sistema de contas nacionais é permitir a


mensuração e a agregação das atividades econômicas.

Característica: não considera os chamados bens e


serviços intermediários (que são absorvidos na produção
de outros produtos), ou seja, esse sistema considera
apenas os bens e serviços finais.

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Contabilidade Social
Sistema de Contas Nacionais
Contas Básicas:
- Produto Interno Bruto
- Renda Nacional Disponível
- Transações Correntes com o Resto do Mundo
- Capital
Conta Complementar:
- Conta Corrente das Administrações Públicas

3
Pressupostos básicos da contabilidade nacional

1. As contas procuram medir a produção corrente.


Não são considerados bens produzidos em período anterior, apenas a
remuneração do vendedor (que é remuneração a um serviço corrente)

2 .As contas referem-se a um fluxo (normalmente 1 ano):


Os agregados correspondem a variáveis fluxo (são consideradas ao longo de um
período – dimensão temporal).
Ex.: Consumo de bens e serviços, PIB, Exportações e Importações.

Obs.: Variáveis estoque: Valores tomados em determinado ponto de tempo. Ex:


Dívida interna e externa, a quantidade de moeda de um país.

A Contabilidade Social trabalha com fluxo, não apresenta um balanço patrimonial.

3. A moeda é neutra
É considerada apenas como unidade de medida e instrumento de trocas.
Não se preocupa com os agregados monetários Ex: Oferta de moeda, aplicações
financeiras.
4
Fluxo Circular de Renda – formação e distribuição de produto e renda
gerados pela atividade econômica

Inicialmente: Economia FECHADA, Sem GOVERNO e Sem FORMAÇÃO


DE CAPITAL

Economia estacionária
Economia a Dois Setores Poupança,
Investimento,
Depreciação = 0
Famílias

Empresas - Unid. Produtivas

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Fluxo monetário
Mercado de Bens e Serviços Fluxo real

Despesas de Consumo de Bens e Serviços DN = C

Fornecimento de Bens e Serviços


PN = pi.qi

Famílias Unid. Produtoras

Fornecimento dos Serviços dos Fatores de Produção


Remuneração aos Serviços dos Fatores de Produção
RN = w + j + a + l
6
Mercado de Fatores de Produção
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Remuneração dos serviços dos Fatores de Produção:
• Trabalho - remunerado pelo salário = w (wages)
• Terra - remunerado pelo aluguel
• Capital Físico - remunerado pelo Lucro
• Capital Monetário - remunerado pelo Juro

FLUXO DE RENDIMENTOS = FLUXO DE PRODUÇÃO


Custos de produção = pagamentos aos fatores de produção

LUCROS – remuneração aos donos das empresas


- fazem parte do custo de produção
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Economia FECHADA, Sem GOVERNO e sem FORMAÇÃO DE CAPITAL (a dois setores)

Três óticas de mensuração: Produto, Despesa e Renda

Produto Nacional (PN) = É o valor de todos os bens e


serviços finais produzidos em determinado período de tempo.

Setor Setor Setor


Primário Secundário Terciário
Agricultura Indústria Serviços
Pecuária Extração Comércio
Pesca mineral Comunicações 9
Sendo i -= 1, 2, 3, ... n bens e serviços finais

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Economia FECHADA, Sem GOVERNO e sem FORMAÇÃO DE CAPITAL (a dois setores)

Despesa Nacional (DN) = É o valor de todas as despesas


realizadas pelos agentes: consumidores, empresas, governo e
estrangeiros na compra de bens e serviços finais.

DN = Despesas de Consumo (C)

Forma de aferição do Produto Nacional (a partir do mercado de bens e


serviços)
- A partir de quem vende (por ramo de origem) – PRODUTO NACIONAL
- A partir dos agentes de despesa (por ramo de destino) – DESPESA
NACIONAL

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Economia FECHADA, Sem GOVERNO e sem FORMAÇÃO DE CAPITAL (a dois setores)

Renda Nacional (RN) = É a soma dos rendimentos pagos às


famílias, que são proprietárias dos fatores de produção, pela
utilização de seus serviços produtivos, em um período de tempo.

RN = salários (w) + juros (j) + aluguéis (a) + lucros (l)

RN = w + j + a + l

A medida é feita pelo fluxo de rendimento


(mercado de fatores de produção)
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Economia FECHADA, Sem GOVERNO e sem FORMAÇÃO DE CAPITAL (a dois setores)

Três óticas de mensuração: Produto, Despesa e Renda

Identidade Básica das Contas Nacionais:

PN = DN = RN

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Economia FECHADA, Sem GOVERNO e sem FORMAÇÃO DE CAPITAL (a dois setores)

Como não existem estoques, tudo que se produz, vende-se.

Produção (PN) = Vendas (DN)

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Economia FECHADA, Sem GOVERNO e sem FORMAÇÃO DE CAPITAL (a dois setores)

No agregado são excluídas as compras de bens intermediários.


A empresa gasta com pagamentos a fatores de produção tudo o que
recebe pela venda de bens e serviços.

Renda Nacional
(RN)

Assim:
PN = RN

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Economia FECHADA, Sem GOVERNO e sem FORMAÇÃO DE CAPITAL (a dois setores)

Identidade Básica das Contas Nacionais:

PN = DN = RN

(mesmo removendo as hipóteses simplificadoras)

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Economia FECHADA, Sem GOVERNO e sem FORMAÇÃO DE CAPITAL (a dois setores)

Na prática (mede-se o PN) pelo:

Conceito de Valor Adicionado

Consiste em calcular o que cada ramo da atividade adicionou ao


valor do produto final, em cada etapa do processo produtivo.

Valor Adicionado = Valor Bruto de Produção – Consumo de Produtos


Intermediários

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Economia FECHADA, Sem GOVERNO e sem FORMAÇÃO DE CAPITAL (a dois setores)

Valor Adicionado = Valor Bruto de Produção – Consumo de Produtos


Intermediários

Valor Bruto de Produção (VBP) = faturamento, receita de vendas

Valor Adicionado = salários, juros, aluguéis e lucros

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Economia FECHADA, Sem GOVERNO e sem FORMAÇÃO DE CAPITAL (a dois setores)

Ex.: Valores (x Mil)


TRIGO FARINHA PÃO
a) Receita de Vendas (VBP) 100 400 1.000 PN=DN= 1.000
b) Compras Intermediárias 0 100 400
Valor adicionado (a-b) 100 + 300 + 600 = 1.000 = RN

Renda paga pelo setor de trigo aos fatores de produção (VA trigo)
Renda paga pelo setor de farinha aos fatores de produção (VA farinha)
Renda paga pelo setor de panificação aos fatores de produção (VA pão)
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Economia FECHADA, Sem GOVERNO e sem FORMAÇÃO DE CAPITAL (a dois setores)

Resumo
Existem 04 formas diferentes de medir o resultado econômico
de um país, todas conduzindo a um mesmo valor numérico:
Soma dos produtos finais das empresas produtoras (PN)
Soma das despesas dos agentes com o Produto Nacional (DN)
Soma de rendimentos de salários, juros, aluguéis e lucros (RN)
Soma de valores adicionados dos setores de atividade (RN)

Órgão Responsável (no Brasil) = IBGE


https://www.ibge.gov.br/estatisticas-novoportal/economicas/contas-
nacionais/9300-contas-nacionais-trimestrais.html?=&t=resultados
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Principais Agregados Macroeconômicos

Economia a dois setores, com Formação de Capital


• As Famílias além de consumir podem poupar.
• As Empresas além de produzir bens de consumo,
produzem e investem em bens de capital.

CONCEITOS

POUPANÇA (S) = Parcela da RN não consumida no período


S = RN – C (C = Consumo)

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Economia a dois setores, com Formação de Capital

CONCEITOS

POUPANÇA (S) = Parcela da RN não consumida no período.

S = RN – C S = Poupança (Saving)
C = Consumo)

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Economia a dois setores, com Formação de Capital

PN = Bens de Consumo (C) + Bens de Investimento (I)

INVESTIMENTO (I) = Gasto com bens que aumentam a


capacidade produtiva da economia (Capacidade de gerar
Rendas Futuras = Taxa de Acumulação de Capital).
Obs.: Não foram consumidos no próprio período e que
serão utilizados para consumo futuro.

I = PN – C

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Economia a dois setores, com Formação de Capital

Quais bens são produzidos e não consumidos no período ?

Máquinas e equipamentos
Invest. em bens
Imóveis
de capital (Ibk)
Variação de estoques (produtos acabados E
e intermediários)
FBKF
(Força
Bruta de
Capital
I = Ibk + E Fixo)
Depende do mercado
24
Planejado
Tabela 7 - Formação bruta de capital fixo, valores correntes e constantes
e taxa de investimento - 2001-2015

Formação bruta de capital fixo


Formação bruta
(1 000 000 R$)
Ano de capital fixo /
Preços do Valores Variação em
PIB (%)
ano anterior correntes volume (%)
2001 222 351 242 337 1,3 18,4
2002 238 838 266 884 (-) 1,4 17,9
2003 256 250 285 262 (-) 4,0 16,6
2004 309 472 339 087 8,5 17,3
2005 345 721 370 219 2,0 17,1
2006 394 878 414 674 6,7 17,2
2007 464 237 489 532 12,0 18,0
2008 549 681 602 846 12,3 19,4
2009 589 982 636 676 (-) 2,1 19,1
2010 750 347 797 946 17,9 20,5
2011 852 478 901 927 6,8 20,6
2012 908 951 997 460 0,8 20,7
2013 1 055 584 1 114 944 5,8 20,9
2014 1 067 848 1 148 453 (-) 4,2 19,9
2015 988 284 1 069 397 (-) 13,9 17,8

Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Contas Nacionais. 25


Economia a dois setores, com Formação de Capital

Outras obs. sobre INVESTIMENTO

1ª - E = Et – Et-1 = Fluxo no ano.

2ª - Não se deve confundir Investimento no sentido vulgar


com investimento no sentido econômico. Ex.: Investir em
ações não representa aumento da capacidade produtiva, a
não ser que se esteja investindo, por exemplo, em instalações.

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Economia a dois setores, com Formação de Capital

3ª - O investimento em ativos de segunda mão (imóveis,


máquinas,...) não é contabilizado como investimento
agregado, sendo apenas uma transferência de ativos, que se
compensa: alguém “desinvestiu. Esses bens já foram
computados no passado.

4ª - Os bens de consumo duráveis (TV, automóveis,...),


embora não sejam consumidos no presente e gerem fluxo
de serviços no futuro, não são considerados como
investimento (há controvérsias).

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Economia a dois setores, com Formação de Capital

DEPRECIAÇÃO (d) = é o consumo de estoque (desgaste)


de capital físico, em dado período. Consequência: sucata
ou obsolescência.

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Economia a dois setores, com Formação de Capital

Investimento líquido (IL) ou formação líquida ou


acumulação líquida de capital = investimento novo
- depreciação

IL = IB - d

IL pode ser negativo, quando d > IB

PNL = PNB - d
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Economia a dois setores, com Formação de Capital

Produto nacional bruto e líquido

PNL = PNB - d

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Economia a dois setores, com Formação de Capital

A identidade S = I “ex-post”

Como: S = RN – C e
PN = RN
I = PN – C

Logo: S=I
31
Economia a dois setores, com Formação de Capital

PN = RN = 100. Com a venda do produto (PN)


as empresas remuneram as famílias (RN). Se as
famílias decidem consumir apenas 80 (C=80):

S = RN – C = 20

Parte de PN = 100 não foi comprada, pois as


famílias não gastaram tudo. Assim:

I= E = 20 e S = I = 20
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Economia a dois setores, com Formação de Capital

PN = 100.
Sendo: Bens de Consumo = 70
Bens de capital = 30 (Investimento)

RN = 100 (As famílias receberam 100)

Sobraram para as famílias 30 (corresponde à Poupança)

S = I = 30

33
Economia a três setores: O Setor Público

Receita Fiscal do governo:

Impostos Indiretos (Ti) = Incidem sobre bens e serviços.


Ex.: ICMS, IPI.
Impostos Diretos (Td) = Incidem sobre as pessoas (físicas e
jurídicas. Ex.: IR, IPTU.

Contribuições à Prev. Social = Encargos Trabalhistas


recolhidos de empregados e empregadores.

Outras Receitas = taxas (pedágios), multas, aluguéis, etc

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Economia a três setores: O Setor Público

Gastos do Governo:

Gastos com ministérios, secretarias e autarquias =


Receitas provêm de dotações orçamentárias.
Serviços do governos são medidos pelas despesas:
• Despesas correntes ou de custeio;
• Despesas de capital.

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Economia a três setores: O Setor Público

Gastos do Governo:

Gastos das empresas e sociedades de economia


mista
• Receitas provêm da venda de bens e serviços no
mercado.
• Atuam como empresas privadas
• Nas contas Nacionais – entram no setor de produção

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Economia a três setores: O Setor Público

Gastos do Governo:

Gastos com transferências e subsídios


• Transferências do setor público para o setor privado
• Pagamentos a aposentados, ex-pracinhas, bolsas de
estudos, subsídios ao setor privado (trigo, leite)

Gastos > Receita Fiscal Déficit Primário (Fiscal)


Se:
Gastos < Receita Fiscal Superávit Primário (Fiscal)

Excluídos os juros 37
Economia a três setores: O Setor Público

Produto Nacional a Preços de Mercado e


Produto Nacional a Custo de Fatores

PNpm = É medido a partir dos valores pagos pelo consumidor


PNcf = É medido a partir dos valores pagos que refletem os
custos de produção, a remuneração dos fatores
(w + j + a + l).
Como é medido pela ótica dos rendimentos, é a
própria RNcf.

PNpm = RNcf + Ti - Sub


Associa-se, normalmente, Renda Nacional à RNcf e
Produto Nacional à PNpm 38
Economia a três setores: O Setor Público

Produto Nacional a Preços de Mercado e


Produto Nacional a Custo de Fatores

PNpm = RNcf + Ti - Sub

Ti – trata-se de encargos para as empresas

Sub – deve ser retirado do cálculo, pois reduzem os preços


pagos pelos consumidores

São utilizados Produto Nacional ao PNpm e Renda Nacional à


RNcf e não PNcf ou RNpm

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Economia a três setores: O Setor Público

CARGA TRIBUTÁRIA BRUTA E LÍQUIDA

Índice de Carga Imp. Indiretos + Imp. Diretos x100


=
Tributária Bruta PIBpm

Índice de Carga (Imp. Ind. + Dir.) – (Transf. + Sub.) x100


=
Tributária Líquida PIBpm

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Economia a três setores: O Setor Público

Carga tributária líquida


A definição mais básica e objetiva sobre a carga tributária líquida é a
equação: a carga tributária bruta (-) transferências de assistência,
previdência e subsídios.

A carga tributária líquida influencia a renda das famílias e reflete,


portanto, no impacto líquido da política fiscal sobre a renda disponível do
setor privado, sendo também o melhor indicador para efetuar
comparações internacionais.

A metodologia utilizada para medir a carga chama-se Padrão do Sistema


de Contas Nacionais - SCN, em linha com a adotada pelo IBGE. A
construção de série histórica contendo as transferências de assistência e
previdência, e subsídios (TAPS), efetuadas pelo governo ao setor privado
da economia.

Fonte: Ministério da Fazenda, 2018


http://www.fazenda.gov.br/assuntos/politica-fiscal/atuacao-spe/carga-tributaria-liquida 41
Economia a três setores: O Setor Público

Discriminação 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016
Carga Tributária Bruta 32,1% 31,4% 32,4% 33,6% 33,3% 33,7% 33,5% 32,3% 32,5% 33,4% 32,6% 32,6% 31,9% 32,1% 32,4%

(-)Transferências p/ Previdência e Assistência


14,0% 14,3% 14,0% 14,3% 14,6% 14,5% 14,0% 14,8% 14,3% 14,5% 14,5% 14,7% 15,4% 16,4% 17,4%
Social e Subsídios (TAPS)

RPPS (previdência servidor público) 4,7% 4,4% 4,3% 4,2% 4,2% 4,2% 4,1% 4,2% 4,0% 4,0% 4,0% 3,9% 4,1% 4,3% 4,4%

RGPS (previdência e assistência social - setor


5,9% 6,3% 6,3% 6,6% 6,7% 6,6% 6,3% 6,6% 6,4% 6,3% 6,5% 6,5% 6,8% 7,2% 7,9%
privado)

Saques do FGTS e PIS/Pasep 1,9% 2,0% 1,7% 1,5% 1,4% 1,5% 1,5% 1,5% 1,3% 1,4% 1,4% 1,5% 1,5% 1,7% 1,8%

Fundo de Amparo ao Trabalhador (inclui seguro-


0,5% 0,5% 0,5% 0,6% 0,6% 0,7% 0,7% 0,8% 0,8% 0,8% 0,8% 0,9% 0,9% 0,8% 0,9%
desemprego)

Benefício ao deficiente e ao idoso 0,2% 0,3% 0,4% 0,4% 0,5% 0,5% 0,5% 0,6% 0,6% 0,6% 0,6% 0,6% 0,6% 0,7% 0,8%

Outros Benefícios (inclui Bolsa-Família) 0,3% 0,3% 0,4% 0,4% 0,4% 0,4% 0,4% 0,5% 0,5% 0,5% 0,6% 0,6% 0,6% 0,6% 0,6%

Subsídios 0,1% 0,2% 0,1% 0,2% 0,2% 0,2% 0,1% 0,2% 0,2% 0,5% 0,1% 0,1% 0,3% 0,6% 0,4%

Inst. Privadas Sem Fins Lucrativos 0,3% 0,3% 0,4% 0,4% 0,4% 0,4% 0,4% 0,4% 0,5% 0,5% 0,5% 0,5% 0,6% 0,6% 0,6%

Carga Tributária Líquida 18,1% 17,1% 18,4% 19,3% 18,8% 19,2% 19,5% 17,5% 18,2% 18,9% 18,2% 17,9% 16,5% 15,7% 15,0%

Fonte: Ministério da Fazenda, 2018

42
Economia a três setores: O Setor Público

Carga tributária - % PIB


40.0%

35.0%

30.0%

25.0%

20.0%

15.0%

10.0%

5.0%

0.0%

2010

2014
2002

2003

2004

2005

2006

2007

2008

2009

2011

2012

2013

2015

2016
Carga Tributária Bruta Carga Tributária Líquida 43
Economia a quatro setores: O Setor Externo

EXPORTAÇÕES (X) = são as compras dos estrangeiros


de nossos bens e serviços. São os gastos do setor externo
com nossas empresas.

IMPORTAÇÃO (M) = São nossas aquisições de bens do


exterior. Parte da renda gerada no país que “vaza” para fora.

44
Economia a quatro setores: O Setor Externo

Renda Líquida dos fatores Externos (RLFE) = é a


remuneração dos ativos pertencentes aos estrangeiros.

Divide-se em Renda enviada ao exterior (RR) e Renda


recebida do exterior (RE)

45
Economia a quatro setores: O Setor Externo

Renda Enviada ao Exterior (RE) = parte do que foi


produzido internamente não pertence aos nacionais (Ex.:
capital e tecnologia). A remuneração desses fatores vai para
fora do país, na forma de remessa de lucro, royalties, juros.
São chamados de serviços de fatores

Renda Recebida do Exterior (RR) = recebemos renda


devido à produção de nossas empresas operando no exterior.

RLFE = RR – RE
46
Economia a quatro setores: O Setor Externo

PIB = É a renda devida à produção dentro dos limites


territoriais do país.

PNB = renda que pertence efetivamente aos nacionais,


incluindo a renda recebida de nossas empresas no exterior, e
excluindo a renda enviada para o exterior pelas empresas
estrangeiras localizadas no Brasil.

47
Economia a quatro setores: O Setor Externo

PNB = PIB + RLFE

Se : RE > RR RLFE < 0 PNB < PIB


RE < RR RLFE > 0 PNB > PIB

No Brasil, RLFE < 0, desta forma, chama-se RLEE


48
A fórmula da Despesa Nacional (DN)

DN = C + I + G + X – M

C = despesa das famílias com bens de consumo


I = despesa com bens de capital e variação de estoques
G = gastos do governo
X = exportações
M = importações
X-M = despesas líquidas do setor externo

49
A fórmula da Despesa Nacional (DN)
DN = C + I + G + X – M

As importações (M) aparecem, pois embutidas nas demais


despesas agregadas (C, I, G, X).

A Despesa Agregada é apresentada a preços de mercado, já


que são valores finais.

No Brasil, utiliza-se mais o conceito de Despesa Interna que


Nacional.
Não é calculada a depreciação pois, são utilizados os
conceitos agregados em termos brutos.

DIBpm = C + I + G + X – M 50
REVISÃO
Bruto
Depreciação
Líquido

pm
Governo
cf

Interno (territorial)
Estrangeiros
Nacional
51
52
Exercício de Contas Nacionais

Dados em bilhões de reais:


salários pagos ás famílias (w) ..................................300
juros, aluguéis e lucros pagos (j+a+l) ......................450
depreciação de ativos fixos (d) ..................................25
impostos indiretos (Ti) ..............................................100
impostos diretos (Td) .................................................88
subsídios do governo a empresas privadas (sub)......10
outras receitas correntes do governo (ORec) ............20
renda enviada ao exterior (RE).....................................7
renda recebida do exterior (RR)...................................2
pagamentos de aposentadoria (Tr).............................40

53
Exercício de Contas Nacionais

E sabendo-se que os valores dos w, j, a, l são brutos, no


sentido de que ainda não foram descontados os impostos
diretos, a depreciação e a renda enviada do exterior, e
não incluída a renda recebida do exterior, pede-se:

a) RIBcf
b) RILcf
c) RNLcf
d) PNBpm
e) PIBpm
f) Índice de CTB
g) Índice de CTL 54
a) RIBcf = w + j + a + l = 300 + 450 = 750

b) RILcf = RIBcf - depreciação = w + j + a + l – depreciação = 750 – 25 = 725

c) RNLcf = RILcf + RLFE = RILcf + RR – RE = 725 +2 – 7 = 720

d) PNBpm = RNLcf + depreciação + Impostos Indiretos - Subsídios


= 720 + 25 + 100 -10 = 835

55
e) PIBpm = PNBpm – RLFE = 835 – (2 - 7) = 840

f)

g)

56
Custo de fatores = remuneração dos serviços dos fatores
produtivos

Preços de mercado – inclui governo (impostos indiretos e


subsídios)

Líquido – exclui depreciação

Nacional – soma renda dos fatores externos

Interno – subtrai renda dos fatores externos

Carga tributária líquida – subtrai transferências e subsídios

57
Valores REAIS e NOMINAIS

PIB 2004 = R$ 1.957.751,2130


PIB 2005 = R$ 2.170.584,5034

Crescimento de 10,87%

Este crescimento é resultado do aumento em pi.


É necessário diferenciar o produto nominal do real.
PIB - preços de mercado
Data R$ (milhões) Variação (%)
1995 705.991,5529 -
1996 854.763,6078 21,07
1997 952.089,1961 11,39
1998 1.002.351,0192 5,28
1999 1.087.710,4561 8,52
2000 1.199.092,0709 10,24
2001 1.315.755,4678 9,73
2002 1.488.787,2552 13,15
2003 1.717.950,3964 15,39
2004 1.957.751,2130 13,96
2005 2.170.584,5034 10,87
2006 2.409.449,9221 11,00
2007 2.720.262,9378 12,90
2008 3.109.803,0890 14,32
2009 3.333.039,3554 7,18
2010 3.885.847,0000 16,59
2011 4.376.382,0000 12,62
2012 4.814.760,0000 10,02
2013 5.331.619,0000 10,73
2014 5.778.953,0000 8,39
2015 5.995.787,0000 3,75
2016 6.259.227,7899 4,39
2017 6.559.940,2598 4,80 59
Fonte: IPEADATA, 2018
PIB - preços de
mercado - var. real
Data anual - (% a.a.)
1996 2,21
1997 3,39
1998 0,34
1999 0,47
2000 4,39
2001 1,39
2002 3,05
2003 1,14
2004 5,76
2005 3,20
2006 3,96
2007 6,07
2008 5,09
2009 -0,13
2010 7,53
2011 3,97
2012 1,92
2013 3,00
2014 0,50
2015 -3,55
60
2016 -3,46
Fonte: IPEADATA, 2018
2017 0,99
Variação do PIB – (%)

25.00

20.00

15.00

10.00

5.00

0.00

-5.00
PIB - preços de mercado - var. real anual - (% a.a.)
PIB - preços de mercado - var. nominal anual - (% a.a.)

Fonte: IPEADATA, 2018


61
Valores REAIS e NOMINAIS

PN Nominal (ou PN Monetário): PN a preços correntes do ano


PN2000 = pi2000 . qi2000 - produto de 2000, avaliado a preços de 2000.
PN2001 = pi2001 . qi2001 - produto de 2001, avaliado a preços de 2001.
PN2002 = pi2002 . qi2002 - produto de 2002, avaliado a preços de 2002.

PN Real (ou PN deflacionado): PN a preços constantes de


determinado ano (chamado ano-base).
PNREAL 2000 = pi2000 . qi2000 Preços permanecem constantes em
2000. Elimina-se a influência dos
PNREAL2001 = pi2000 . qi2001 preços (Inflação), supondo inflação
PNREAL2002 = pi2000 . qi2002 zero. Com isso tem-se apenas o
crescimento real. 62
Valores REAIS e NOMINAIS

Deflacionamento:

Desta forma, elimina-se a influência dos preços:

P = índice de preços
Q = índice de quantidade
63
64
Identidades básicas da contabilidade nacional

a) Produto = Despesa = Renda


PIB = DIB = RIB

b) DIB = C + I + G + X – M (ótica da despesa)

c) RIB = C + S + T (ótica da renda)

Substituindo b e c em a:
C+I+G+X–M=C+S+T
I+G+X–M=S+T
I+G+X=S+T+M
I = S + (T – G) + (M – X)
65
Identidades básicas da contabilidade nacional

d) I = S + (T – G) + (M – X)
Poupança Saldo do Setor
Privada Saldo do Externo
Governo

Poupança Poupança
Interna Externa

Iglobal = Sglobal

66
Identidades básicas da contabilidade nacional

I = S + (T – G) + (M – X)

M > X – poupança externa positiva


X > M – poupança externa negativa

Em termos reais:
M = importação de recursos reais (máquinas), aumento da
capacidade de produção – representa poupança externa
positiva

Financeiramente:
X = entrada de divisas, aumento das reservas
M = saída de divisas, redução das reservas
67
Identidades básicas da contabilidade nacional

e) PIB =C+I+G+X–M
1. Contabilidade Social – identidade contábil
Macroeconomia – posição de equilíbrio entre oferta e demanda
agregadas de bens e serviços

2. Rearranjando:
PIB + M = C + I + G + X
PIB + M = oferta global

68
Identidades básicas da contabilidade nacional

f) PIB =C+I+G+X–M
1. C + I + G = E – absorção interna de bens e serviços ou
absorção interna
2. X – M – despesa líquida externa

Rearranjando:
PIB = (C + I + G) + X – M
PIB = E + X - M
PIB – E = X - M

Se: PIB > E implica que X > M – Produção interna superou a


despesa doméstica, gerando superávit comercial no setor
externo.

69

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