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Aulas: nº.7, nº.8, nº.9

Formadora: Mestre Goretti Moreira


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Aula 7

*Formas e prevenção de contágio


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Em caso de surto epidémico , como medida profilática, as creches e
jardins de infância, devem pedir a colaboração da Autoridade de Saúde
Local, e proceder de acordo com as suas orientações.
Quando não deve ir…

Parâmetros básicos pelos quais se guiam as creches e infantários:

- A febre avisa que o corpo está a enfrentar um vírus ou uma bactéria.


A partir dos 37 ou 37,5 graus, conforme a escola, avisa-se os pais para
que vão buscar a criança. Se já estiver em casa com febre, é melhor
não a levar sequer. Os antipiréticos baixar-lhe-ão a febre, mas
passadas poucas horas os pais serão chamados para irem buscar a
criança.
Quando não deve ir… (conti.)

- Os vómitos e diarreias costumam ter a sua origem nos vírus


intestinais, muito contagiosos; assim, quando a criança apresentar
algum destes sintomas também não deve ir à escola.
-São motivo para ficar em casa todas as doenças infeciosas ou
contagiosas, as que habitualmente terminam em “ite”: conjuntivite,
faringite, amigdalite, gastroenterite, otite… E ainda outras clássicas:
varicela, rubéola, gripe, infeções respiratórias…
Quando não deve ir… (conti.)

- As erupções cutâneas (com borbulhas ou manchas na pele) costumam


provir de uma doença contagiosa ou de uma reação alérgica. Assim, a
menos que tenhamos a certeza que se trata de uma reação alérgica,
são motivo para não ir à creche.
- Se a criança tiver piolhos deverá permanecer em casa até ter
terminado o tratamento e estarmos certos de que já não os tem.
Em casa está melhor…

O argumento mais comum é que devemos fazê-lo pelas outras crianças


para evitar o contágio. Contudo, o motivo mais importante para a
deixar em casa é que a criança necessita de dar descanso ao organismo
para enfrentar a doença. A criança que dá mostras de não estar bem
tem as defesas em baixo e está mais propensa a apanhar qualquer
infeção. Logo, necessita de apoio familiar.
Além disso, as crianças curam-se mais depressa em casa, com os
cuidados de um ser querido ou de uma pessoa que lhe dedique toda a
atenção. Quando são pequenos, o mais relevante é a afetividade na
recuperação. O benefício evidente de estar atento de imediato aos
sintomas é que a criança recuperará mais cedo graças aos cuidados dos
pais.
Em casa está melhor… (conti.)

E quando pode voltar à creche?


Quando não tiver febre nem outros sintomas e os virmos contentes e
preparados para voltar à rotina diária é um bom momento. As doenças
contagiosas que requerem antibiótico normalmente deixam de o ser
após 48-72 horas de estar a tomar o medicamento se a criança também
deixou de apresentar sintomas. Mas nem tudo é uma questão de
sintomas. Pode não ter sintomas mas estar ainda débil, cansado, com
os olhos tristes... Quem sabe ficou fraco ao tomar o antibiótico ou
necessita de mais dias para recuperar totalmente. É importante
respeitar o processo de recuperação até ao final. Se tivermos dúvidas,
é porque não está ainda tudo bem.
Em Suma…

Quando é que pode regressar?


- As alergias, por exemplo, não o impedirão de ir à escola.
- A tosse também não: às vezes ficam como “resíduo” de uma doença.
- Nem a expetoração. As crianças têm mucosidades muitas vezes, sem
estarem propriamente doentes por causa disso.

Podem recusar a entrada?


Sim. Se a criança vai à escola e apresenta sintomas evidentes de estar
doente ou de doença contagiosa. Não permitirão a sua entrada até ter
alta médica. É uma forma de proteger todas as crianças, os outros e a
ele próprio.
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Fatores de risco Medidas de controlo

Número de crianças por sala Respeitar a legislação/normas que


referem o número máximo de
crianças por sala
Crianças cuidadas em conjunto Crianças separadas em grupos por
independente da faixa etária faixa etária.
Estado vacinal desatualizado Normas e monitorização da vacinação
de crianças e funcionários
Uso de fraldas de pano Utilização de fraldas descartáveis

Fraldas usadas sem roupas sobre as Utilização de roupas sobre as fraldas


mesmas (maior contaminação
ambiental)
*

Fatores de risco Medidas de controlo

Contaminação das mãos após Rotina da lavagem das mãos, com


determinadas atividades (uso da casa orientação para os momentos em que
de banho, troca de fraldas, assoar o a lavagem deve acontecer
nariz)
Contato com sangue e secreções Uso de precauções padrão
Trocar de fraldas Rotina de troca de fraldas para
diminuir o risco de entrar em contato
com urina e fezes
Troca de fraldas e manuseio de Funcionários não acumulam funções
alimentos realizados pela mesma de trocar fraldas e preparar e
pessoa manipular alimentos
*

Fatores de risco Medidas de controlo

Contaminação da superfície onde Área de troca independente e


ocorre a troca de fraldas desinfetada após cada uso, com
encaminhamento adequado das
fraldas usadas
Contaminação ambiental Rotina de limpeza de superfícies
Contaminação de brinquedos Rotina de limpeza de brinquedos
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Aula 8

*Sinais e sintomas da criança doente


Conjuntivites

O primeiro cuidado a ter com os olhos é protegê-los da radiação


ultravioleta através do uso de óculos de sol. Com isto, estamos a evitar
que, aos 15 anos, tenham sofrido tanta acumulação de ultravioletas
que levem a queimaduras irreversíveis na retina. Assim como a pele se
queima, também os olhos (porque as radiações estão na luz) se
queimam. A luz, o cloro das piscinas, o vento, a areia e outros fatores
podem causar conjuntivite. É essencial limpar a areia e o sal,
sobretudo antes de dormir. Lavem bem os olhos dos vossos filhos antes
de deitar e sempre que necessário, e se estiverem muito irritados,
podem aplicar um colírio descongestionante.
Dores de cabeça

Comer gelados pode dar dores de cabeça, provavelmente por reação


vasomotora devida ao frio. A dor começa alguns segundos depois de
ingerir o gelado, sobretudo se isso for feito muito rapidamente e pode,
aliás, acontecer com qualquer outro alimento ou bebida frios. Cerca de
um minuto depois de a dor começar atinge o máximo e depois começa
a desaparecer, quase não se sentindo passados mais ou menos cinco
minutos. Na maior parte dos casos, localiza-se na testa, mas pode
surgir em qualquer local. É uma dor tipo facada ou latejante, e pode
mesmo ser violenta, causando choro. A dor tem muito mais
probabilidades de acontecer se o alimento frio chegar diretamente à
parte de trás do céu da boca, comparativamente à parte da frente.
Não há necessidade de nenhum tratamento especial
Dores de ouvido

Com o calor aumentam as inflamações e infeções dos ouvidos,


designadamente por otites externas (no canal auditivo externo) ou
por barotraumatismo decorrente dos mergulhos. As queixas da otite
externa são dor, comichão, secreções e diminuição da audição. A
otite média dá dor, febre e está geralmente associada a nariz
ranhoso. A otite barotraumática manifesta-se por dor intensa.
Faringites e amigdalites

No verão, devido às condições climatéricas e maior exposição ao sol,


mudanças de temperatura, etc, estas doenças podem surgir com
alguma frequência. A maioria destas infeções são causadas por vírus,
mas também podem surgir por bactérias. Os sintomas são febre (mais
alta nas bacterianas), dor de garganta, amigdalite e por vezes
conjuntivite. O tratamento deve ser sintomático, ficando em casa até
não ter febre e mais dois dias. Se forem causadas por bactérias
dever-se-á dar um antibiótico.
Gastroenterites

O tempo quente é um fator de risco para as gastroenterites provocadas


por alimentos deteriorados.
Para as evitar, vale a pena, pois, tomar alguns pequenos cuidados:
- abastecer-se em estabelecimentos com boas condições de limpeza e
onde não haja mistura de alimentos;
- ver os prazos de validade inscritos nas embalagens;
- ver o seu estado de conservação;
- não comprar produtos congelados que se apresentem moles ou
deformados pois é sinal que já foram descongelados e voltados a
congelar;
- cozinhar sempre com as mãos bem lavadas;
Gastroenterites (conti.)

- evitar confecionar refeições feitas com ovos crus ou mal passados,


como por exemplo maioneses e musses, pois constituem um risco
especial de toxi-infecção, por alteração fácil por ação do calor;
- as saladas e a fruta crua são excelentes alimentos, especialmente
apetecíveis nesta época do ano. No entanto, devem, sempre, ser
lavados em água potável e corrente;
- relativamente aos alimentos já confecionados que sobram, conservá-
los no frigorífico logo que arrefeçam, de preferência em recipientes
herméticos.
Insolação

É provocada pela exposição excessiva ao sol. Provoca intensa falta de


ar, dor de cabeça, náuseas e tontura, temperatura do corpo elevada,
pele quente, avermelhada e seca, extremidades arroxeadas e até
inconsciência. Na insolação ocorre também desidratação e o indivíduo
apresenta queimaduras que, em estágios mais avançados e graves, leva
à formação de bolhas na pele. Ao primeiro sinal, é aconselhado que a
pessoa procure a sombra além de se hidratar de forma adequada. Em
casos graves de queimadura e de aumento da temperatura corporal é
necessário procurar o médico.
Micoses

No verão são muito comuns as micoses, que se manifestam através de


manchas esbranquiçadas principalmente nos braços, nas costas e no
pescoço. Com o bronzeamento do resto da pele, vão-se tornando mais
evidentes. O fungo que causa a doença normalmente já está presente
na pele e reproduz-se mais rápido quando há calor e humidade. Para
evitar, é preciso secar bem o corpo após o banho e usar roupas de
tecidos que não retêm o suor, como algodão e linho. Pode aplicar-se
uma pomada ou creme antifúngico mas a pele manter-se-á branca.
Picadas de inseto

As crianças são alvos apetecíveis. Algumas fazem grandes reações


alérgicas que, por vezes, têm que ser mesmo medicadas no serviço de
urgência. Há vários produtos no mercado para o antes (sprays,
aparelhos de ligar à eletricidade, etc) e para o depois (cremes,
pomadas). Há que levar os produtos necessários e não deixar janelas
abertas com as luzes acesas.
Síndroma boca-mão-pé

É uma doença comum em crianças em idade pré-escolar. Aparecem


aftas e erupções avermelhadas e dolorosas que surgem nas mãos, pés e
nádegas. A criança pode ter febre e as aftas dificultam a alimentação.
Deve por isso optar-se por comida mole e fria (gelados!) e aplicar um
analgésico nas aftas. O restante tratamento é sintomático.
Sudamina

Com o calor, as crianças passam a suar mais e, por vezes, isso pode
causar lesões na pele (manchas e pequenas borbulhas) que podem
infetar quando coçadas. Não é necessário tratamento especial e
previne-se em parte evitando o excesso de roupa e mudando-a quando a
criança está suada.
*
Aula 9

* Medicamentos: regras de utilização e de administração


Atenção à utilização inconsciente e imoderada de antibióticos!

É imperioso explicar que as viroses não se tratam com antibióticos. A


maioria das doenças virais são transitórias e têm cura espontânea.
Deste modo, desde que a criança nasce o seu sistema imunitário está a
ser constantemente estimulado. Mesmo as crianças mais pequenas, mais
susceptíveis a infeções por terem menos defesas, são capazes de pôr
em alerta os seus sistemas imunitários.

Atenção: A alta prevalência de doenças transmissíveis nos infantários,


associadas ao maior uso de antibióticos, têm contribuído para o
surgimento de organismos multirresistentes.
Para que servem e quando devem ser tomados!

Se é verdade que todos os medicamentos à venda nas farmácias são


eficazes e seguros, também o é que todos podem ter efeitos
secundários, principalmente se não forem utilizados corretamente, na
situação adequada, na dose certa e pelo tempo adequado.
Alguns medicamentos, como os antibióticos podem mesmo alterar de
forma importante o equilíbrio que existe no organismo entre as
bactérias protetoras e as agressivas e deixar a criança vulnerável para
contrair mais infeções ou infeções mais graves se o seu uso for indevido.
Por todas estas razões é importante que os pais, não sendo médicos,
tenham algumas noções básicas sobre os medicamentos mais comuns,
principalmente os que são de venda livre nas farmácias, para que os
utilizem corretamente.
Para que servem e quando devem ser tomados! (conti.)

Para febre ou dores

Analgésicos e antipiréticos

Estes são os reis dos medicamentos para crianças. O paracetamol é mesmo o


medicamento mais utilizado em todo o mundo em pediatria. São bastante
seguros e eficazes, mas têm indicações específicas e podem acarretar alguns
perigos.
Para que servem e quando devem ser tomados! (conti.)
Paracetamol

O paracetamol é utilizado em situações de febre ou dores ligeiras a moderadas


tais como síndromes gripais, reações dolorosas a vacinas, dores de cabeça,
dores de dentes, de ouvidos, traumáticas, musculares ou articulares. No
entanto, não deve ser dado a bebés antes dos três meses de vida sem antes
consultar o médico, pois nos bebés é muito importante investigar de imediato a
causa de qualquer febre.

A dose recomendada em cada toma deverá ser de 10 mg por cada quilo de peso
da criança. Assim, por exemplo, uma criança com 10 quilos deverá tomar (10
mg x 10 Kg =) 100 mg de cada vez. Existe algum intervalo de confiança pelo que
a quantidade de medicação não tem de ser excessivamente rigorosa. De uma
forma geral podem ser utilizadas as doses indicadas na tabela. As doses podem
ser tomadas cada seis a oito horas (três a quatro vezes por dia) consoante a
gravidade da situação.
Para que servem e quando devem ser tomados! (conti.)
Quando evitar?

Este medicamento apenas não deve ser dado se a criança manifestou


anteriormente qualquer alergia ao paracetamol, o que é uma situação muito
rara. Pode ser tomado com bebidas ou alimentos. Após a abertura do frasco de
xarope, o medicamento pode ser utilizado por um período de 12 meses, desde
que conservado num local seco e fresco (temperatura inferior a 25ºC).

O maior perigo associado ao paracetamol é a utilização de doses excessivas, que


podem provocar uma intoxicação. Esta situação é muito grave pois pode
provocar lesões no fígado que podem ser fatais. Felizmente as doses necessárias
para provocar uma intoxicação são muito mais elevadas do que as necessárias
para o tratamento da febre ou dores. Mas em situações em que uma criança
pequena apanha um frasco de xarope aberto, podem acontecer desastres...
Para que servem e quando devem ser tomados! (conti.)
Ibuprofeno

O ibuprofeno pode ser utilizado nas situações em que possam existir febre ou
dores ligeiras a moderadas. Em relação ao paracetamol é geralmente mais
potente e os dois podem ser utilizados em conjunto, ou de forma alternada, nas
situações mais graves. É muito frequente o médico aconselhar a utilização
alternada destes dois medicamentos, de forma a que a criança possa tomar um
deles cada quatro horas. Não deve ser dado a crianças com menos de seis meses
sem antes consultar o médico.

A dose recomendada em cada dia deverá ser de 20 mg por cada quilo de peso da
criança. Assim, por exemplo, uma criança de 12 Kg poderá tomar (20 mg x 12 Kg
=) 240 mg num dia. Existe algum intervalo de confiança pelo que a quantidade de
medicação não tem de ser excessivamente rigorosa. De uma forma geral podem
ser utilizadas as doses indicadas na tabela.
Para que servem e quando devem ser tomados! (conti.)
Ibuprofeno

As doses podem ser tomadas cada seis a oito horas (três a quatro vezes por dia).
Este medicamento não deve ser dado se a criança manifestou anteriormente
alergia ao ibuprofeno, o que é uma situação rara.
Deve ser evitado em crianças com varicela pois aumenta o risco de surgirem
algumas complicações. Deve também ser evitado, se possível, em crianças com
asma, rinite, urticária ou tendência alérgica pois aumenta o risco de desencadear
ou agravar uma crise.

O ibuprofeno deve ser tomado de preferência depois das refeições. Após a


abertura do frasco de xarope, o medicamento pode ser utilizado por um período
de 12 meses, desde que conservado num local seco e fresco (temperatura inferior
a 25ºC).

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