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Mestranda: Laryssa Custódio de França

 “As agências reguladoras são autarquias de regime especial,


instituídas em razão do fim do monopólio estatal e são
responsáveis pela regulamentação, controle e fiscalização de
serviços públicos, atividades e bens transferidos ao setor
privado”(MARINELA,Fernanda).
 Privatização. Estado neoliberal. Década de 90.
 Inspiração anglo-saxônica.
 Com o intuito de reduzir o déficit público e sanear as finanças
públicas, o Governo Federal criou o Programa Nacional de
Desestatização (PND), que permitia a transferência à
iniciativa privada de atividades que o Estado exercia de forma
dispendiosa e indevida.
 Papel inédito de concessão, permissão e autorização de
serviços, além do controle de atividades econômicas
monopolizadas, elencadas no art. 177, da CF.
 Autarquias: “são pessoas de direito público que gozam de
liberdade administrativa nos limites da lei que as criou.
Não são subordinadas a órgão nenhum do Estado, mas
apenas controladas, tendo direitos e obrigações distintos do
Estado. Os seus negócios e recursos são próprios, haja vista
que desfrutam da personalidade jurídica e autonomia
financeira e administrativa, independentemente de
provirem do orçamento ou de serem produto da atividade
da própria pessoa jurídica” (MARINELA, Fernanda).
 Conceito de autarquia positivado no art.5º, I do Decreto-lei
nº 200/67: “o serviço autônomo, criado por lei, com
personalidade jurídica, patrimônio e receita próprios, para
executar atividades típicas da Administração Pública, que
requeiram, para seu melhor funcionamento, gestão
administrativa e financeira descentralizada”.
 Autarquias de regime especial:
 Universidades, a priori.
 Conceito que rotulava as pessoas jurídicas que
desfrutavam de um teor de independência
administrativa em relação aos poderes controlados
exercidos pelos órgãos da Administração Pública
direta.
 Advento da Reforma Administrativa brasileira:
surgimento de outras autarquias qualificadas como de
regime especial (Agências reguladoras).
 Regulação –Direito brasileiro– Reforma do Estado.
Privatizações e a necessidade de regular as atividades objeto de
concessão a empresas privadas para segurar a regularidade na
prestação dos serviços e o funcionamento equilibrado da
concorrência. (DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella)
 Regulação econômica: “conjunto de regras de conduta e de
controle da atividade privada pelo Estado, com a finalidade de
estabelecer o funcionamento equilibrado do mercado” (DI
PIETRO, Maria Sylvia Zanella)
 Regulação social: proteção ao interesse público e dos usuários
dos serviços públicos exclusivos e não-exclusivos do Estado.
 Estado providência/ produtor de bens e serviços (welfare
state). Intervenção direta.
 Estado regulador. Intervenção indireta.
 Regulatory agency, independent governmental
commission established by legislative act in order to set
standards in a specific field of activity, or operations, in the
private sector of the economy and to then enforce those
standards. Regulatory agencies function
outside executive supervision. Because the regulations that
they adopt have the force of law, part of these agencies’
function is essentially legislative; but because they may also
conduct hearings and pass judgments concerning adherence
to their regulations, they also exercise a judicial function—
often carried out before a quasi-judicial official called
an administrative law judge, who is not part of the court
system.
 Surgimento após a independência estadunidense.
 Common law courts – inspiração britânica. Base para “adoção de toda
a sistemática de limitação de poderes dos servidores estatais e de
controle de seus atos através de medidas judiciais” (JUSTEN FILHO,
Marçal).
 Regular as atividades de particulares de interesse público
 Welfare state : ordem econômica.
 Desenvolvimento da malha ferroviária ( The first regulatory agency
was the Interstate Commerce Commission (ICC), established by
Congress in 1887 to regulate the railroads (and, later, motor carriers,
inland waterways, and oil companies). It was abolished in 1996 but long
served as the prototype of such an agency).
 Para Marçal Justen Filho, o modelo estadunidense de agência
reguladora teve sua gênese com a criação da comissão (public utilities)
no Estado de Rhode Island (1839), função de orientar e incentivar as
empresas ferroviárias. A partir de 1844 foram criadas agência quue cada
vez mais recebiam uma parcela de poderes efetivos.
 As primeiras - agências estaduais. Em um segundo estágio -
competência Federal.
 Para Alexandre de Moraes, o que impulsionou o modelo
norte-americano de agências reguladoras foi a edição em
1946 da Lei de Procedimento Administrativo
(Administrative Procedure Act - APA) que padronizou os
procedimento a serem adotado por todas.
 §551, APA – a Administração Pública dos EUA é formada
por agências dotadas de um elevado grau de especialidade,
com autonomia financeira e administrativa em relação ao
próprio Poder Executivo e componentes para editar normas
específicas ao setor econômico vinculado.
 Direito Administrativo – “Direito das Agências”
 Agências reguladoras – regulatory agency (vida pública).Competências normativas
capazes de afetar direitos, liberdades ou atividades econômicas dos administrados.
 Agências executivas – executive agency – quadro dirigentes são de livre disposição do
Chefe do Estado.
 Agências independentes – independency agency (grupo direto) Dirigentes com mandato e
e estabilidade.
 Agências não-regulatórias – non-regulatory agency (financeiro, objetivos específicos).
Prestação de serviços sociais sem envolvimento de atividades de regulamentação.
 “A qualificação de uma agência como executiva deriva da natureza das competências
atribuídas a ela, enquanto a classificação como independente resulta do vínculo mantido
entre ela (e seus diretores) e os Poderes Executivos e Legislativo. A agência executiva se
contrapõe à regulatória, enquanto a independente se diferencia da não independente.
Quando muito, pode admitir-se que as agências independentes desempenham atividades
regulatórias, enquanto aquelas executivas geralmente são não independentes.
 Para Joaquim Benedito Barbosa Gomes, o que denominamos de agência reguladora é
denominada no direito norte-americano de Independent Regulatory Commission, e
corresponde a “uma entidade administrativa autônoma e altamente descentralizada, com
estrutura colegiada, sendo os membros nomeados para cumprir um mandato fixo do qual
eles só podem ser exonerados em caso de deslize administrativo ou falta grave”
 Trobriand Cricket
 As Autoridades Administrativas Independentes, adotadas pela França –
Estado Unitário
 AAIs – não tem assento constitucional, não possuem personalidade
jurídica, são consideradas extensão do Estado. Não são absolutamente
independentes – rígidos princípios constitucionais.
 Intervencionismo -> atuação suave e flexível, droit mou, droit flow.
 AAI’s: criadas por lei, vínculo jurídico de membros pode ser de natureza
contratual ou estatutário, forte dependência orçamentária, financeira e
administrativa, com a vinculação do parlamento.
 JUSTEN FILHO: as AAI’s são: “Autoridades no sentido de que algumas
(e não todas) dispõem de competência decisórias, além de poderes de
proposição ou aconselhamento”.
 “AAI’s têm a importante tarefa de zelar permanentemente pelo respeito
e pela correta aplicação das normas legais e regulamentares. No
exercício dessa fiscalização, podem, notadamente investigar o
comportamento dos administrados e aplicar-lhes sanções. Podem,
também ordenar que os infratores ajustem suas condutas irregulares
(poder de injunção)” (AUAD, Denise).
 Agencificação, criação de entidades com maior ou menor grau de
independência. Itália, França, Espanha. Inspiração do direito
estadunidense.
 “A agência reguladora, do modo como foi concebida no direito
brasileiro, é função de interesse público na busca da eficiência
da administração. A busca do interesse público, em todas essas
dimensões, é uma obrigação. Deveria orientar a produção
normativa do Poder Legislativo. Deveria fixar os parâmetros da
ação e dos projetos do Poder Executivo. É o referencial para toda
a atuação do Poder Judiciário” (GODOY, Arnaldo Sampaio de
Moraes).
 Modelo híbrido.
 Submissão aos três poderes. Autonomia orçamentária,
financeira.
 “São identificadas quatro dimensões que caracterizam uma
agência reguladora: a independência decisória, a independência
de objetivos, a independência de instrumentos e a
independência financeira” (WALD, Arnoldo; MORAES, Luiza
Rangel de).
 Intervenção na economia com observância aos princípios da
especialidade e legalidade. Imparcialidade, critérios técnicos.
 Regime do Pessoal: CLT -> Estatutário.
 Regime especial: maior estabilidade e independência.
 Poder Executivo: Art.84,II (direção de Administração Pública Federal).
Autarquias fazem parte da Administração Pública (art. 37, XIX, CF/88)
e estão submetidas constitucionalmente as diretrizes traçados pelo
Presidente da República.
 Integrantes da Administração Pública Indireta. Dependencia financeira
dos recursos da Administração Direta.
 Designação dos diretores do órgão
 “A garantia da dispensa imotivada, inamovibilidade dos diretores e dos
métodos de escolha e destituição” de seus integrantes, aliada “a devida
autonomia financeira, com geração de recursos próprios por meio de
imposição de taxa de regulamentação ou de fiscalização, instituída na
própria lei de criação do ente regulador, possui o ingrediente especial
da independência das agências, ou seja, estas providências possuem a
finalidade de adotarem as aludidas agências de flexibilidade e
autonomia, capaz de gerar independência administrativa”
 Poder Legislativo: “a atuação normativa das agências reguladoras
será restrita as questões técnicas, que não ultrapassem os limites
impostos por sua lei de regência, nem conflite com os princípio
constitucionais, notadamente o princípio da legalidade”. (SILVA,
Franceclaudio Tavares da).
 Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional:
[...]
V - sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do
poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa;
[...]
X - fiscalizar e controlar, diretamente, ou por qualquer de suas
Casas, os atos do Poder Executivo, incluídos os da administração
indireta”.
 Princípio da unicidade da jurisdição (a França adota o sistema dualista
de jurisdição administrativa e judicial) – possibilidade de apreciação do
Poder Judiciário dos atos da Administração Pública e do Legislativo,
pois nenhuma lei poderá excluir da aprecioação do executivo lesão ou
ameaça a direito (art. 5º, XXXV, CF)
 Autonomia plena em relação ao orçamento e com capacidade a sua
capacidade extrafiscal, pela cobrança de taxas e contribuições.
 “com relação a autonomia administrativa, ela não é plena, pois há uma
relativa dependência administrativa em relação ao Poder Executivo,
normativa em relação ao Legislativo e jurisdicional em relação ao Poder
Judiciário”(SILVA, Franceclaudio Tavares da).
 A Agência Nacional de Telecomunicações é considerada a de maior
autonomia, pois segundo o art. 8º da Lei 9.472/97: “A natureza de
autarquia especial conferida à Agência é caracterizada por
independência administrativa, ausência de subordinação hierárquica,
mandato fixo e estabilidade de seus dirigentes e autonomia financeira”.
 O alcance do poder da delegação
 Constituição, que em princípio só admite delegação para fiel
cumprimento da lei, competência privativa do Presidente da República
 Limite do poder de regular e normatizar as diversas atividades (deve-se
ater aos aspectos técnicos, providências subalternas à lei, disciplinadas
por meio de regulamento)
 Princípio da legalidade
 Necessidade de maior flexibilização da Administração para exercer
funções de controle normativo e regulador
 Princípio da eficiência: incorpora as responsabilidades pelo risco e
institucional em nome da obrigação imposta ao poder público, ao
exercer funções reguladoras no mercado, evitar assimetrias de
informação que funcionem como um incentivo para comportamento
oportunistas dos agentes privados (FERRAZ JUNIOR, TÉRCIO
SAMPAIO). Eficiência como base constitucional de delegação de poder
e de seus limites por força da responsabilidade pela solidariedade de
meios e fins.
 “Entende-se assim, a possibilidade que uma delegação (instrumental)
venha a inserir-se na competência do Estado como agente normativo e
regulador da atividade econômica, basicamente nas funções de
fiscalização e incentivo, ambas em termos do princípio da eficiência”.
 “Ressalvadas algumas leis esparsas que preveem audiências
públicas, consulta pública e instrumentos semelhantes (na
maior parte dos casos sem caráter obrigatório), não existe a
imposição, como regra geral, de participação do cidadão
no processo de elaboração das normas baixadas pelas
agências, o que contribui para retirar-lhes grande parte da
legitimidade” (DI PIETRO)
 Novo tipo de direito – resultado de negociação, consenso,
participação dos interessados.(nível inferior às normas
estatais, inclusive regulamentos baixados pelo Chefe do
Executivo). Atos normativos – interpretação de normas ou
conceitos indeterminados, especialmente de natureza
técnica. Atribuições próprias do poder concedente.
 Serviços públicos propriamente ditos – ex:
ANEEL(Agência Nacional de Energia Elétrica), ANATEL
(Agência Nacional de Telecomunicações) , ANTT (Agência
Nacional de Transportes Terrestres), ANTAQ(Agência
Nacional de Transportes Aquaviários) , ANAC (Agência
Nacional de Aviação Civil) .
 Atividades de fomento a fiscalização de atividade
privada: ANCINE - Agência Nacional de Cinema,
introduzida inicialmente, via Medida Provisória nº 2.228-
01/01,para dispor sobre políticas relativas à atividade
cinematográfica
 Atividades econômicas integrantes da indústria do
petróleo: tem-se a ANP – Agência Nacional do Petróleo.
 Atividades que o Estado e particular prestam – Ex.: ANVISA
– Agência Nacional de Vigilância Sanitária, objetivo de proteger a
saúde da população em geral. ANS – Agência Nacional de Saúde
Suplementar, controladora das entidades que oferecem planos de
saúde.
 Agência reguladora do uso de bem público. Ex.: ANA –
Agência Nacional de Águas.
 OBS: existem instituições com o nome de agência que são só
autarquias, não seguindo o regime especial e que portanto não
são verdadeiras agências reguladoras como: ADENE (Agência de
Desenvolvimento do Nordeste) e a ADA (Agência de
Desenvolvimento da Amazônia) assim como também existe tal
denominação para identificar órgão da Administração Direta,
como a ABIN (Agência Brasileira de inteligência). Cuidado
também com alguns serviços sociais autônomos que estão
recebendo a denominação de Agência como Apex-Brasil e ABDI.
 Também há autarquias de regime especial que não receberam
denominação de agências como a CVM (Comissão de Valores
Mobiliários