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Alimentos no

Direito de
Família

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Conceituação

• “Conjunto de meios materiais necessários para a


existência das pessoas, sob o ponto de vista físico,
psíquico e intelectual.” (FARIAS, p. 752).
• Em dinheiro (pensão alimentícia).
• In natura (naturais, coisas para consumo). (CC,
art.1.701)
• Incluem as despesas ordinárias e as despesas
extraordinárias.

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Fundamentos
• A obrigação a alimentos funda-se, sob o ponto de vista da
solidariedade: no art. 3º, I da CF/88.
• Em nível infraconstitucional temos: arts. 1.694 a 1.710 do
CC; arts. 206, par. 2º.
• ECA: art. 22 e EI: arts. 11 a 14.
• Normas residuais da Lei de Alimentos (Lei nº 5.478/68) e
algumas normas dispersas.

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Origem da Obrigação Alimentar no
Direito de Família
• Dever de sustento: dever dos pais com relação aos filhos
menores e incapazes (CC, art. 1.566, III). Presunção de
necessidade.
• Direito à assistência material entre cônjuges e
companheiros (CC, arts. 1.566, IV e 1.724 – durante o
casamento. Após, 1.694). Incumbe ao alimentário
demonstrar sua necessidade e a capacidade do devedor
(CC, art. 1.695).
• Parentesco (CC, arts. 1.694 e 1.696).
• Qualificação jurídica (Estatuto do Idoso).
• Autorizam a prisão civil.

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Ordem decorrentes do parentesco
• 1. Ascendentes: o grau mais próximo exclui o mais
remoto.
• 2. Descendentes: o grau mais próximo exclui o
mais remoto.
• 3. Irmão: primeiro os bilaterais, depois os
unilaterais.

• CC, art. 1.697.


• Não há obrigação entre os parentes afins.

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Filiação Socioafetiva: situação
geradora de obrigação alimentar?

• A caracterização da posse do estado de filho.

• A decisão do STF (2016) que reconheceu a tese da


multiparentalidade sustenta a tese do dever de
prestar alimentos do padrasto ou madrasta?

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Outras fontes normativas
• Convencionais ou voluntários: relação contratual
ou em sucessão testamentária (legado de
alimentos).

• Legais: alimentos indenizatórios (responsabilidade


civil). CC, art. 948, II.

• Não cabe prisão civil.

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Art. 1.694 do CC
• “Podem os parentes, os cônjuges ou companheiros pedir
uns aos outros os alimentos de que necessitem para viver
de modo compatível com a sua condição social, inclusive
para atender às necessidades de sua educação.”

• Objetivos dos alimentos: 1. Preservação do que o CC


chama “viver de modo compatível com a sua condição
social”, além de atender “às necessidades de sua
educação.” alimentos civis/côngruos + naturais (art.
1.694).

• Apenas “Alimentos naturais”: § 2º do art. 1694 do CC.


Entre cônjuges e companheiros
• De acordo com STJ, a fixação de alimentos entre cônjuges e
companheiros é excepcional.

• ALIMENTOS TRANSITÓRIOS/TEMPORÁRIOS: solução para casos em


que um dos cônjuges precisa de um tempo para voltar ao mercado
de trabalho.
• ALIMENTOS COMPENSATÓRIOS: os alimentos compensatórios, ou
prestação compensatória, não têm por escopo suprir as
necessidades de subsistência do credor, tal como ocorre com a
pensão alimentícia regulada pelo art. 1.694 do CC/2002, senão
corrigir ou atenuar eventual desequilíbrio econômico-financeiro
decorrente da ruptura do vínculo conjugal, em relação ao cônjuge
desprovido de bens e de meação. Função de reequilibrar o padrão
social e econômico do cônjuge, atingido pelo divórcio (caráter
indenizatório). STJ.
STJ
• RECURSOS ESPECIAIS. DIREITO DE FAMÍLIA. AÇÃO DE ALIMENTOS. EX-
CÔNJUGES. EXCEPCIONALIDADE. TRINÔMIO ALIMENTAR.
NECESSIDADE DA ALIMENTADA. AFERIÇÃO. MANUTENÇÃO DA
CONDIÇÃO SOCIAL ANTERIOR À RUPTURA DA UNIÃO. CAPACIDADE
FINANCEIRA DO ALIMENTANTE. GESTOR E USUFRUTUÁRIO DO
VULTUOSO PATRIMÔNIO FAMILIAR. 'QUANTUM' ALIMENTAR.
PROPORCIONALIDADE. ARTIGOS 1694, §1º E 1695, DO CÓDIGO CIVIL.
REVISÃO. SÚMULA 07⁄STJ. JUNTADA DE DOCUMENTO NA FASE
RECURSAL. POSSIBILIDADE. FORMA DE APURAÇÃO DOS LUCROS,
RESERVAS E DIVIDENDOS DAS SOCIEDADES ANÔNIMAS.
PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211⁄STJ.

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• 1. Controvérsia em torno da viabilidade da estipulação de alimentos civis entre
os ex-cônjuges, bem como se o “quantum” fixado deve ser adequado à
manutenção da realidade social vivenciada pelo ex-casal à época da ruptura da
união, estando pendente a partilha de vultuoso patrimônio comum.[...]
• 3. Segundo a orientação jurisprudencial do STJ, com esteio na isonomia
constitucional, a obrigação alimentar entre cônjuges é excepcional, de modo
que, quando devida, ostenta caráter assistencial e transitório.
• 4. A perenização da obrigação alimentar, a excepcionar a regra da
temporalidade, somente se justifica quando constatada a impossibilidade
prática de o ex-cônjuge se inserir no mercado de trabalho em emprego que lhe
possibilite, em tese, alcançar o padrão social semelhante ao que antes detinha,
ou, ainda, em razão de doença própria ou de algum dependente comum sob
sua guarda. Precedentes específicos.
• 5. A conjuntura familiar dos recorrentes, retratada nas instâncias ordinárias, se
amolda à situação excepcional descrita, reconhecendo-se a incapacidade de
autossustento do cônjuge que pleiteou os alimentos.
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• 6. Nos termos do art. 1.694 do Código Civil, os alimentos devidos entre
cônjuges destinam-se à manutenção da qualidade de vida do credor,
preservando, o tanto quanto possível, a mesma condição social desfrutada na
constância da união, conforme preconizado na doutrina e jurisprudência desta
Corte. [...]
• 8. Inexistência de risco de “bis in idem” em razão da autora ter postulado em
ação própria alimentos compensatórios, uma vez que esta ação foi julgada
extinta sem julgamento do mérito, decisão mantida por esta Terceira Turma no
REsp n.º 1655689⁄RJ.
• 9. Hipóteses de cabimento dos alimentos compensatórios (indenizatórios) que
não se confundem com as dos alimentos civis devidos entre cônjuges (art.
1.694, do Código Civil), vinculados estritamente às necessidades daquele que
os recebe, de caráter assistencial e suficiente para que o alimentando viva de
modo compatível com a sua condição social. [...]
• (STJ. REsp 1726229 / RJ. RECURSO ESPECIAL 2017/0186219-4. Min. Paulo
de Tarso Sanseverino. J. 15.5.2018).
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• RECURSO ESPECIAL. CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. DIREITO DE FAMÍLIA.
ALIMENTOS COMPENSATÓRIOS. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO
JURISDICIONAL. NÃO REALIZAÇÃO DA AUDIÊNCIA DE CONCILIAÇÃO.
JULGAMENTO ANTECIPADO DA LIDE. DEMANDA EXTINTA POR
IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA DO PEDIDO E AUSÊNCIA DE INTERESSE
PROCESSUAL. 1. Pretensão da demandante, ora recorrente, de
recebimento de alimentos compensatórios.[...] 4. Entendimento
prevalente no Superior Tribunal de Justiça no sentido da natureza
excepcional dos alimentos compensatórios no ordenamento jurídico
brasileiro, em razão de seu caráter indenizatório. 5. Ausência de
interesse processual, na espécie, pois não finalizada a partilha de
bens, tendo a demandante, em seu nome, diversos bens que
integravam o patrimônio comum.6. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO.
• (STJ. REsp 1655689/RJ. RECURSO ESPECIAL 2013/0342284-3. Min.
Paulo de Tarso Sanseverino. J. em 12.12.2017).
TJSC
• (...) Parcela da doutrina e da jurisprudência sustentam a existência dos
chamados alimentos compensatórios, que cumpririam funções diversas: (1)
reequilíbrio econômico financeiro dos companheiros, amparando o mais
desprovido, ou (2) indenizar o outro pela fruição exclusiva de bem comum. - No
que diz com a primeira função (melhor seria chamá-los de alimentos sociais),
não se presta o instituto a, como se possível fosse, manter o padrão social
ostentado à época da união estável; devem ser arbitrados, isso sim, à vista da
nova condição que ostentam (normalmente de maiores dificuldades). Tocante à
segunda finalidade, é dizer que, aqui, de alimentos não se trata, porquanto não
serve a verba a fixar contraprestação pelo uso exclusivo de patrimônio comum
pelo companheiro adverso, para o que deve valer-se o interessado dos meios
ordinários a evitar o enriquecimento ilícito de condômino.

• (TJSC, Agravo de Instrumento n. 2013.036314-6, Rel. Des. Henry Petry Junior,


5ª Câmara de Direito Civil, j. 30/10/2013).

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Características
• Personalíssimos: não podem ser objeto de cessão ou de
natureza hereditária.
• Irrenunciáveis (CC, art. 1.707 – STJ).
O Superior Tribunal de Justiça já entendeu que, não
havendo vínculo de parentesco entre cônjuges, é
plenamente válida a renúncia aos alimentos efetivada no
acordo de separação judicial não mais podendo recobrá-lo,
sendo essa também a orientação de alguns Tribunais no
país (STJ. Recurso Especial n. 701.902/SP. Rel: Min. Nancy
Andrighi. 3ª Turma. Julgado em 15.09.2005).

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• Impossibilidade do reconhecimento de renúncia tácita:
• RECURSO ESPECIAL - AÇÃO DE ALIMENTOS DEDUZIDA EM FACE DE EX-
CÔNJUGE - AUSÊNCIA DE PEDIDO DE FIXAÇÃO DO ENCARGO NO
DIVÓRCIO LITIGIOSO - IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA E RENÚNCIA TÁCITA
RECONHECIDAS NA SENTENÇA DE PRIMEIRO GRAU - MANUTENÇÃO DA
EXTINÇÃO DO FEITO, SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO (ART. 267, VI, DO
CPC), PELO ACÓRDÃO LOCAL. INSURGÊNCIA DA ALIMENTANDA.
• 1. Tese de violação ao art. 1.704 do Código Civil. Acolhimento.
Alimentos não pleiteados por ocasião do divórcio litigioso.
Requerimento realizado posteriormente. Viabilidade. Impossibilidade
jurídica afastada. Renúncia tácita não caracterizada. 2. Não há falar-se
em renúncia do direito aos alimentos ante a simples inércia de seu
exercício, porquanto o ato abdicativo do direito deve ser expresso e
inequívoco.

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• 3. Em atenção ao princípio da mútua assistência, mesmo após o
divórcio, não tendo ocorrido a renúncia aos alimentos por parte do
cônjuge que, em razão dos longos anos de duração do matrimônio, não
exercera atividade econômica, se vier a padecer de recursos materiais,
por não dispor de meios para suprir as próprias necessidades vitais
(alimentos necessários), seja por incapacidade laborativa, seja por
insuficiência de bens, poderá requerê-la de seu ex-consorte, desde que
preenchidos os requisitos legais. 4. Recurso especial provido, a fim de
afastar a impossibilidade jurídica do pedido e determinar que o
magistrado de primeiro grau dê curso ao processo.

• STJ. REsp 1073052 / SC. RECURSO ESPECIAL 2008/0153518-7. Rel.


Min. Marco Buzzi. J. em 11.06.2013.

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• Atualidade (art. 1.710).
• Futuridade (presente e futuro).
• Imprescritibilidade (salvo prestações já fixadas). Alimentos
fixados em favor de filho menor de 18 anos, não haverá
fluência do prazo prescricional (art. 197, II e 198, I).
• Impenhorabilidade (é a regra, mas possível a penhora dos
alimentos para pagamento de outra obrigação de mesma
natureza).
• (In) Transmissibilidade (CC, art. 1.700). De acordo com o
STJ, a transmissão ao espólio diz respeito apenas às
dívidas vencidas e enquanto durar o processo.
• CIVIL. AÇÃO ORDINÁRIA. RECONHECIMENTO E DISSOLUÇÃO DE UNIÃO
ESTÁVEL. CELEBRAÇÃO DE ACORDO COM FIXAÇÃO DE ALIMENTOS EM
FAVOR DA EX-COMPANHEIRA. HOMOLOGAÇÃO. POSTERIOR
FALECIMENTO DO ALIMENTANTE. EXTINÇÃO DA OBRIGAÇÃO
PERSONALÍSSIMA DE PRESTAR ALIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE DE
TRANSMISSÃO AO ESPÓLIO. 1. Observado que os alimentos pagos pelo
de cujus à recorrida, ex-companheira, decorrem de acordo celebrado
no momento do encerramento da união estável, a referida obrigação,
de natureza personalíssima, extingue-se com o óbito do alimentante,
cabendo ao espólio recolher, tão somente, eventuais débitos não
quitados pelo devedor quando em vida. Fica ressalvada a
irrepetibilidade das importâncias percebidas pela alimentada. Por
maioria. 2. Recurso especial provido.
• STJ. REsp. nº 1.354.693 - SP (2012/0232164-8). Rel. Min. Antonio
Carlos Ferreria. J. em 26.11.2014.
• CIVIL E PROCESSUAL CIVIL - EXECUÇÃO DE ALIMENTOS
CONTRA ESPÓLIO - EXTINÇÃO DO FEITO POR ILEGIMITIDADE
PASSIVA AD CAUSAM - INCONFORMISMO -
RESPONSABILIDADE DO ESPÓLIO QUANTO ÀS PARCELAS
ALIMENTARES VENCIDAS APÓS O FALECIMENTO DO
ALIMENTANTE - ACOLHIMENTO - SENTENÇA CASSADA -
RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. O espólio é parte
legítima para figurar no pólo passivo de execução de
alimentos vencidos após a morte do alimentante.
• TJSC. Relator: Apelação Cível n. 2009.046148-7, de
Blumenau Rel. Des. Monteiro Rocha. Órgão Julgador:
Quarta Câmara de Direito Civil. Data: 08/10/2009.

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• E o credor que é herdeiro?
• DIREITO CIVIL. OBRIGAÇÃO. PRESTAÇÃO. ALIMENTOS. TRANSMISSÃO.
HERDEIROS. ART. 1.700 DO NOVO CÓDIGO CIVIL. 1 - O espólio tem a
obrigação de prestar alimentos àquele a quem o de cujus devia,
mesmo vencidos após a sua morte. Enquanto não encerrado o
inventário e pagas as quotas devidas aos sucessores, o autor da ação
de alimentos e presumível herdeiro não pode ficar sem condições de
subsistência no decorrer do processo. Exegese do art. 1.700 do novo
Código Civil. 2 - Recurso especial conhecido mas improvido.

• STJ. RECURSO ESPECIAL Nº 219.199 - PB (1999/0052547-7). Rel. Min.


Fernando Gonçalves. J. em 10.12.2003.

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• Irrepetibilidade. É a regra. Possibilidade de,
excepcionalmente, restituir-se alimentos claramente
indevidos, por notória infração ao princípio do não-
enriquecimento sem causa, conforme os arts. 884-885 do
CC. Ex: art. 1.708 do CC.

• Incompensabilidade. É a regra, pois o crédito a alimentos,


por se referir à mantença do indivíduo, não pode ser objeto
de compensação. Vide art. 373, II do CC. Exceção: STJ,
para evitar o enriquecimento sem causa.
Irrepetibilidade
• AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO DE ALIMENTOS. DISCUSSÃO SOBRE OS
EFEITOS DA SENTENÇA DE EXONERAÇÃO DA OBRIGAÇÃO ALIMENTÍCIA.
EFICÁCIA. RETROATIVIDADE. EXEGESE DO ART. 13, CAPUT, E § 2º, DA LEI N.
5.478/1968. MARCO INICIAL. CITAÇÃO. PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS.
RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. "No julgamento do EREsp n.
1.181.119/RJ, Relator o Ministro Luis Felipe Salomão, Relatora p/ Acórdão a
Ministra Maria Isabel Gallotti, DJe de 20/6/2014, estabeleceu que 'Os efeitos
da sentença proferida em ação de revisão de alimentos - seja em caso de
redução, majoração ou exoneração - retroagem à data da citação (Lei
5.478/68, art. 13, § 2º), ressalvada a irrepetibilidade dos valores adimplidos e
a impossibilidade de compensação do excesso pago com prestações
vincendas'" (STJ, AgRg no AREsp n. 713267/RS, rel. Min. Marco Aurélio Bellizze,
j em 4-8-2015, DJe 17-8-2015).

• TJSC. Agravo de Instrumento n. 2015.038231-7, de Balneário Camboriú.


Relator: Des. Fernando Carioni. J. em 07/10/2015.

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• AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO DE ALIMENTOS. MINORAÇÃO
DO ENCARGO NO CURSO DA DEMANDA. COMPENSAÇÃO DOS VALORES
PAGOS A MAIS. IMPOSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA IRREPETIBILIDADE
DOS ALIMENTOS. PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS. DECISÃO
MANTIDA. RECURSO DESPROVIDO.
"Os valores pagos a título de alimentos são, em quaisquer
circunstâncias, irrepetíveis, pois presumem-se utilizadas na
sobrevivência do alimentado. Por força de expressa determinação legal,
há também vedação à compensação de dívida, com as parcelas
percebidas a título de alimentos" (STJ, REsp n. 1440777/SP, rel.
Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, j. em 26-8-2014, DJe 4-9-
2014).
• TJSC. Agravo de Instrumento n. 2015.034478-8, de Criciúma. Relator:
Des. Fernando Carioni. J. em 15.01.2016.

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Incompensabilidade (e exceção)
• RECURSO ESPECIAL. CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. DIREITO DE FAMÍLIA. EXECUÇÃO DE
ALIMENTOS. OBRIGAÇÃO FIXADA EM PECÚNIA. ABATIMENTO DE PRESTAÇÃO "IN
NATURA". POSSIBILIDADE. PAGAMENTO DE ALUGUEL, TAXA DE CONDOMÍNIO E IPTU DO
IMÓVEL ONDE RESIDIA O ALIMENTADO. DESPESAS ESSENCIAIS. ENRIQUECIMENTO
INDEVIDO. 1. Controvérsia em torno da possibilidade, em sede de execução de
alimentos, de serem deduzidas da pensão alimentícia fixada exclusivamente em pecúnia
as despesas pagas "in natura" referentes a aluguel, condomínio e IPTU do imóvel onde
residia o exequente. 2. Esta Corte Superior de Justiça, sob o prisma da vedação ao
enriquecimento sem causa, vem admitindo, excepcionalmente, a mitigação do princípio
da incompensabilidade dos alimentos. Precedentes. 3. Tratando-se de custeio direto de
despesas de natureza alimentar, comprovadamente feitas em prol do beneficiário,
possível o seu abatimento no cálculo da dívida, sob pena de obrigar o executado ao
duplo pagamento da pensão, gerando enriquecimento indevido do credor.4. No caso, o
alimentante contribuiu por cerca de dois anos. de forma efetiva, para o atendimento de
despesa incluída na finalidade da pensão alimentícia, viabilizando a continuidade da
moradia do alimentado. 5. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO.
• STJ. REsp 1501992 / RJ. RECURSO ESPECIAL 2014/0316510-8. Rel. Min. Paulo de Tarso
Sanseverino. J. em 20.03.2018.

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FIXAÇÃO DO QUANTUM ALIMENTÍCIO:
O TRINÔMIO NECESSIDADE DE QUEM, RECEBE X
CAPACIDADE CONTRIBUTIVA DE QUEM PAGA X
PROPORCIONALIDADE

• Possibilidade X necessidade (CC, art. 1.694, § 1º).


• Razoabilidade (doutrina e jurisprudência): cabe ao juiz, não apenas
verificar se há efetiva necessidade do titular, mas também a
possibilidade do devedor e se o montante exigido é razoável e o grau de
razoabilidade do limite oposto a este. O requisito da razoabilidade está
presente no texto legal, quando alude a “na proporção das
necessidades”.
• Não é mera operação matemática, pois tanto o credor quanto o
devedor de alimentos devem ter assegurada a possibilidade de “viver
de modo compatível com as suas necessidades”.

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• “A necessidade varia de cada indivíduo. O montante
de alimentos variará de acordo com cada interessado. A necessidade
deflui do tipo de roupa, do lugar que é frequentado pelo alimentando, o
transporte, a necessidade de concorrência com os outros [...] Tudo
entra no fator necessidade [...] A necessidade advém mais do padrão
de vida que os autores possuíam. Como se viu, não é apenas a
necessidade de encontrarem-se alimentados e vestidos, com
frequência a boa escola, uma vez que têm bom padrão social. É a
necessidade de terem bons trajes, de vez que frequentam segmento
social elevado. Há, pois, necessidade”.

• (RIZZARDO, Arnaldo. Direito de família. Rio de Janeiro: Aide, 1994. v. 2.,


p. 693).

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• AÇÃO DE DIVÓRCIO. HOMOLOGAÇÃO DO DESATE E PARTILHA JÁ
ENFRENTADOS EM PRIMEIRO GRAU. PERDA DO OBJETO. ALIMENTOS.
ART. 1.694, § 1º, DO CPC. CASAL JOVEM EM IDADE PRODUTIVA.
CONTRIBUIÇÃO FAMILIAR DURANTE O TEMPO DO CASAMENTO.
ADEMAIS, RELAÇÃO QUE NÃO PERDUROU POR EXTENSO ESPAÇO DE
TEMPO. VERBA INDEVIDA À EX-ESPOSA. RECURSO DESPROVIDO.

• TJSC. Agravo de Instrumento n. 2015.073669-9, da Capital –


Continente. Relatora: Desa. Maria do Rocio Luz Santa Ritta. J. em
23.2.2016.

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• APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE EXONERAÇÃO DE ALIMENTOS PEDIDO DE
EXONERAÇÃO AO ARGUMENTO DE MODIFICAÇÃO DA SITUAÇÃO
FINANCEIRA DO AUTOR. SENTENÇA DE PROCEDÊNCIA.
RECURSO DA REQUERIDA. PLEITO PELA MANUTENÇÃO DA OBRIGAÇÃO
ALIMENTAR. ALEGAÇÃO DE SER A ÚNICA RENDA AUFERIDA PARA FAZER
FRENTE ÀS SUAS NECESSIDADES BÁSICAS ALÉM DA IMPOSSIBILIDADE
DE SUA INSERÇÃO NO MERCADO DE TRABALHO EM FACE DA SUA
IDADE (CINQUENTA E SEIS ANOS). INSUBSISTÊNCIA. ALTERAÇÃO DA
SITUAÇÃO ECONÔMICA DO ALIMENTANTE DEMONSTRADA. EXEGESE DO
ART. 1.699 DO CÓDIGO CIVIL.

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• RECEBIMENTO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA PELA RECORRENTE POR
APROXIMADAMENTE NOVE ANOS, TEMPO SUFICIENTE A SUA INSERÇÃO
NO MERCADO DE TRABALHO. AUSÊNCIA, ADEMAIS, DE PROVAS DE SUA
INCAPACIDADE PARA A ATIVIDADE LABORAL. ROMPIMENTO DO VÍNCULO
CONJUGAL QUE NÃO PODE TRANSFORMAR-SE EM INSTRUMENTO DE
SUBSISTÊNCIA IRRESTRITA E PERMANENTE. SENTENÇA MANTIDA.
RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO.

• TJSC. Apelação Cível n. 2015.091099-6, de São José. Relatora: Desa.


Denise Volpato. J. em 23.02.2016.

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Alimentos: obrigação solidária ou
subsidiária?
• Os alimentos constituem obrigação derivada do princípio da
solidariedade, mas não é “obrigação solidária”. A obrigação
solidária não se presume: decorre de lei ou da vontade
expressa das partes (CC, art. 265).

• Não é obrigação solidária porque o credor de alimentos não


pode escolher livremente um para pagá-los integralmente,
uma vez que deve observar a ordem dos graus de
parentesco em linha reta, que é infinita, e a de parentesco
colateral, que é finita.
• Quanto mais próximo o parente, mais identificado fica o
devedor, por força de lei (“recaindo a obrigação nos
próximos em grau” – art. 1696 do Código Civil).

• Em primeiro lugar são chamados os ascendentes, depois


os descendentes, e apenas na falta destes, os colaterais,
que constituem as classes de parentesco. Dentro da
mesma classe, os de grau mais próximos preferem os mais
distantes. Dentro do mesmo grau, os parentes assumem
obrigação necessariamente pro rata, em quotas
proporcionais aos recursos financeiros de cada um.
Ordem decorrentes do parentesco
• 1. Ascendentes: o grau mais próximo exclui o mais
remoto.
• 2. Descendentes: o grau mais próximo exclui o
mais remoto.
• 3. Irmão: primeiro os bilaterais, depois os
unilaterais.

• CC, art. 1.697.


• Não há obrigação entre os parentes afins.

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Art. 12 da Lei 10.741/03
(Estatuto do Idoso)

• Art. 12. A obrigação alimentar é


solidária, podendo o idoso optar
entre os prestadores.

• A solidariedade não se presume: ou


decorre da lei ou da vontade das
partes.

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• DIREITO DE FAMÍLIA. AÇÃO DE ALIMENTOS. [...] DISPENSABILIDADE DA
INTERVENÇÃO DOS DEMAIS DESCENDENTES NO PROCESSO.
OBRIGAÇÃO SOLIDÁRIA À LUZ DO ART. 12 DO ESTATUTO DO IDOSO (LEI
N. 10.741/03). PLEITO QUE VISA À MINORAÇÃO DA VERBA ALIMENTAR
AO ARGUMENTO DE QUE A QUANTIA É EXORBITANTE. CONJUNTO
PROBATÓRIO DOS AUTOS DEVIDAMENTE CONSIDERADO PELA
MAGISTRADA A QUO AO ESTIPULAR O QUANTUM DEVIDO. AUTORA QUE
POSSUI 72 ANOS DE IDADE E APRESENTA PROBLEMAS DE SAÚDE.
DECISÃO JUDICIAL QUE ATENDE AO PRINCÍPIO DA
PROPORCIONALIDADE INSCULPIDO NO ART. 1.694, § 1º, DO CÓDIGO
CIVIL. VERBA ALIMENTAR MANTIDA. RECURSO DESPROVIDO.
• TJSC. Apelação Cível n. 2010.015604-7, de Lages. ReL. Marcus Tulio
Sartorato. Órgão Julgador: Terceira Câmara de Direito Civil. Data:
04/06/2010.
A culpa em sede de Alimentos
• CC, art. 1.694, § 2º “Os alimentos serão apenas os
indispensáveis à subsistência, quando a situação de
necessidade resultar de culpa de quem os pleiteia”.

• CC, art. 1.704, § único “Se o cônjuge declarado culpado


vier a necessitar de alimentos, e não tiver parentes em
condições de prestá-los nem aptidão para o trabalho, o
outro cônjuge será obrigado a assegurá-los, fixando o juiz o
valor indispensável à sobrevivência.”

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Alimentos pós-divórcio
• Até a EC 66/2010 a doutrina e a jurisprudência
sustentavam que, dissolvido o casamento válido pelo
divórcio, desapareceriam as obrigações entre os ex-
cônjuges, salvo aquelas fixadas na sentença de
divórcio.

• Se não fossem fixados alimentos na sentença, nenhum


dos ex-cônjuges teria o direito de pedi-la
posteriormente, eis que a mútua assistência é própria
do casamento.

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• “Quando se trata de divórcio, irrelevante a circunstância de
que tenha ou não ocorrido renúncia aos alimentos. É
suficiente que, por ocasião da dissolução do vínculo
matrimonial, nada tenha sido estipulado acerca de pensão
alimentícia, para que, independente da renúncia, os
alimentos não possam mais ser buscados. Isso porque
faltará ao pretendente um dos pressupostos da obrigação
alimentar, que – ao lado da necessidade e da possibilidade
– é o vínculo”.
• (SANTOS, Luiz Felipe Brasil).
• Alimentos. Ação improcedente. Pretensão de ex-cônjuge
que no divórcio consensual dispensou o auxílio do outro,
sem qualquer ressalva. O divórcio extingue todo o vínculo
conjugal existente por força do casamento, inclusive o
dever de mútua assistência. Recurso improvido.

• TJSP. Apelação Cível n. 6159234600. Relator: Des. Maia da


Cunha. 4ª Câmara de Direito Privado. Julgado em
18.12.2008.
Após EC 66/2010
• Após a EC. 66/2010, que possibilitou o divórcio direto,
alguma doutrina e o STJ sinalizaram pela possibilidade de
alimentos após o divórcio, desde que não tenha havido
renúncia expressa:
• RECURSO ESPECIAL - AÇÃO DE ALIMENTOS DEDUZIDA EM
FACE DE EX-CÔNJUGE - AUSÊNCIA DE PEDIDO DE FIXAÇÃO
DO ENCARGO NO DIVÓRCIO LITIGIOSO - IMPOSSIBILIDADE
JURÍDICA E RENÚNCIA TÁCITA RECONHECIDAS NA
SENTENÇA DE PRIMEIRO GRAU - MANUTENÇÃO DA
EXTINÇÃO DO FEITO, SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO (ART.
267, VI, DO CPC), PELO ACÓRDÃO LOCAL. INSURGÊNCIA DA
ALIMENTANDA.
• [...] 3. Em atenção ao princípio da mútua assistência, mesmo após o
divórcio, não tendo ocorrido a renúncia aos alimentos por parte do
cônjuge que, em razão dos longos anos de duração do matrimônio, não
exercera atividade econômica, se vier a padecer de recursos materiais,
por não dispor de meios para suprir as próprias necessidades vitais
(alimentos necessários), seja por incapacidade laborativa, seja por
insuficiência de bens, poderá requerê-la de seu ex-consorte, desde que
preenchidos os requisitos legais. 4. Recurso especial provido, a fim de
afastar a impossibilidade jurídica do pedido e determinar que o
magistrado de primeiro grau dê curso ao processo.

• STJ. REsp 1073052 / SC. RECURSO ESPECIAL 2008/0153518-7. Rel.


Min. Marco Buzzi. J. em 11.06.2013.

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• Alimentos. Ex-marido interdito. Necessidades
demonstradas. Dever de mútua assistência que persiste
após o divórcio. Sentença mantida. Recurso improvido.

• TJSP. Apelação Cível n. 593.747.4/4-00. 8a Câmara de


Direito Privado. Relator: Caetano Lagrasta. Julgado em
12.11.2008.
• O fundamento maior para a continuação do dever de
prestar alimentos pós-divórcio está calcado no dever de
solidariedade familiar que não pode ser desprezado, não
obstante a ruptura do vínculo conjugal.

• Portanto, possível a concessão dos alimentos, desde que


não tenha havido renúncia.
Obrigação Alimentar Avoenga
• A obrigação é dos pais e, na ausência destes, transmite-se
aos ascendentes (aos avós), que são os parentes em grau
imediato mais próximo (CC, art. 1.698). Convocação pelo
autor, a teor do art. 238 do CPC.

• No caso de grau de parentesco subsequente, p.ex., pais e


avós, estes apenas complementam o valor devido pelos
primeiros, que tiverem rendimentos insuficientes.
• Trata-se de obrigação subsidiária, não pode, em regra, a
ação ser diretamente ajuizada contra os avós, sem
comprovação de que o devedor originário esteja
impossibilitado de cumprir com o seu dever.
STJ
• O STJ tem entendido que se trata de obrigação sucessiva e também
complementar (Resp. 579385/SP). Ou seja, se o pai não está pagando
nada ou pouco, mister chamar-se os avós.

• DIREITO CIVIL. AÇÃO DE ALIMENTOS. RESPONSABILIDADE DOS AVÓS.


OBRIGAÇÃO SUCESSIVA E COMPLEMENTAR. 1. A responsabilidade dos
avós de prestar alimentos é subsidiária e complementar à
responsabilidade dos pais, só sendo exigível em caso de
impossibilidade de cumprimento da prestação ou de cumprimento
insuficiente pelos genitores. 2. Recurso especial provido.
• STJ. REsp 831497 / MG. RECURSO ESPECIAL n.
2006/0053462-0. Min. João Otávio de Noronha. J. em 04.02.2010.
• AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE
ALIMENTOS. OBRIGAÇÃO DO AVÔ PATERNO. RESPONSABILIDADE
SUBSIDIÁRIA E COMPLEMENTAR. NECESSIDADE DE ESGOTAMENTO
DOS MEIOS PROCESSUAIS PARA LOCALIZAÇÃO DO GENITOR. AGRAVO
DESPROVIDO. 1. A obrigação dos avós de prestar alimentos aos netos é
subsidiária e complementar, tornando imperiosa a demonstração da
inviabilidade de prestar alimentos pelos pais, mediante o esgotamento
dos meios processuais necessários à coerção do genitor para o
cumprimento da obrigação alimentar, inclusive por meio da decretação
da sua prisão civil, prevista no art. 733 do CPC, para só então ser
possível o redirecionamento da demanda aos avós. 2. Agravo interno
desprovido.
• STJ. AgInt no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 740.032 - BA
(2015/0164009-2). Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze. J. em 21.09.2017.
TJSC
• AGRAVO DE INSTRUMENTO - AÇÃO DE ALIMENTOS - FIXAÇÃO DE
ALIMENTOS PROVISÓRIOS - PAI QUE RESIDE FORA DO PAÍS -
IMPOSSIBILIDADE DE CUMPRIR COM A OBRIGAÇÃO ALIMENTAR -
OBRIGAÇÃO SUBSIDIÁRIA DOS AVÓS PATERNOS - EXEGESE DO ART.
1.696 DO CÓDIGO CIVIL EM VIGOR - OBSERVÂNCIA DO BINÔMIO
NECESSIDADE/POSSIBILIDADE - ART. 1.694, § 1º, DO CÓDIGO CIVIL
ATUAL - DECISÃO INTERLOCUTÓRIA MANTIDA - RECURSO NÃO PROVIDO.
Faltando o pai com o dever de prestar alimentos, por estar residindo
fora do país, devem os avós prestar alimentos aos netos na ausência
daquele, porque tal obrigação é extensiva a todos os ascendentes,
conforme regra insculpida no art. 1.696 do Código Civil em vigor.

• TJSC. Agravo de instrumento n. 2004.000500-8, de Criciúma. Relator:


Wilson Augusto do Nascimento. Órgão Julgador: Terceira Câmara de
Direito Civil. Data: 30/04/2004.
• APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO DE ALIMENTOS - GENITOR FORAGIDO, EM
LUGAR INCERTO E NÃO SABIDO - IMPOSSIBILIDADE DE CUMPRIR COM
A OBRIGAÇÃO ALIMENTAR - OBRIGAÇÃO SUBSIDIÁRIA DOS AVÓS
PATERNOS - LEGITIMIDADE PASSIVA - EXEGESE DO ART. 1.696 DO
CÓDIGO CIVIL EM VIGOR - SENTENÇA CASSADA - RECURSO PROVIDO.
Faltando o pai com o dever de prestar alimentos, por estar em lugar
incerto e não sabido, esta obrigação se transfere aos avós, em relação
aos netos, eis que extensiva a todos os ascendentes, conforme regra
insculpida no art. 1.696 do Código Civil em vigor.

• TJSC. Ap. Cível 2004.011341-2, Maravilha. Relator: Wilson Augusto do


Nascimento. Órgão Julgador: Terceira Câmara de Direito Civil. Data:
10/09/2004.
• APELAÇÃO CÍVEL. FAMÍLIA E PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DE ALIMENTOS
AVOENGOS. FIXAÇÃO EM 20% DO SM. - PARCIAL PROCEDÊNCIA NA
ORIGEM. RECURSO DO AUTOR. QUANTUM. MAJORAÇÃO. BINÔMIO
OBSERVADO. DESACOLHIMENTO. - A obrigação alimentar dos avós,
fundada no parentesco (solidariedade familiar), é complementar,
transitória, excepcional e, sobretudo, subsidiária, de modo que inviável
cogitar da fixação de alimentos contra os avós quando não
demonstrada a 'falta' dos pais. - Sopesadas as necessidades do
alimentando que, in casu, são presumidas, em razão da sua idade,
bem como as possibilidades dos alimentantes, já no limite, mister a
rejeição da pretensão de aumento. SENTENÇA MANTIDA. RECURSO
DESPROVIDO.
• TJSC. Apelação Cível n. 0304228-83.2016.8.24.0019, de Concórdia.
Relator: Des. Henry Petry Junior. J. em 10.10.2017.

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• AGRAVO DE INSTRUMENTO - AÇÃO DE ALIMENTOS -
PROGENITOR DESEMPREGADO - ENCARGO ATRIBUÍDO AO
AVÔ PATERNO - AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA
INCAPACIDADE FINANCEIRA - ILEGITIMIDADE PASSIVA AD
CAUSAM - PREFACIAL ACOLHIDA - EXTINÇÃO DO FEITO - ART.
267, VI, DO CPC - RECURSO PROVIDO
Para que ocorra a legitimação do avô paterno em
responder pelo sustento de seu neto em ações de
alimentos, faz-se necessária a comprovação robusta de
incapacidade financeira do progenitor para o encargo, sob
pena de extinção da pretensão, por falta das condições da
ação.
• TJSC. Agravo de Instrumento n. 2006.015270-9, de
Criciúma. Relator: Fernando Carioni. J. em: 22/08/2006.
Avós paternos e maternos
• ALIMENTOS. PRETENSÃO DE OBRIGAR OS AVÓS PATERNOS A
COMPLEMENTAR O PENSIONAMENTO FORNECIDO PELO GENITOR PARA
EVITAR MUDANÇAS RADICAIS NO PADRÃO DE VIDA DA CRIANÇA APÓS A
SEPARAÇÃO DE FATO DOS PAIS.
A obrigação dos avós é complementar e subsidiária a dos pais, desta
forma aqueles só serão obrigados a fornecer o valor necessário para
subsidiar as necessidades básicas da criança, quando devidamente
comprovado que os pais estão impossibilitados ou ausentes.
Os alimentos avoengos, prima facie, não se destina a manter o padrão
de vida da criança mantido inclusive por liberalidade dos avós, caso o
genitor não guardião forneça alimentos dentro da sua possibilidade
financeira.

• (TJSC. Agravo de Instrumento nº 2016.004140-7, de Braço do Norte.


Relator: Des. Gilberto Gomes de Oliveira. J. em 3.5.2016).
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Doutrina e Jurisprudência atuais
• Admissibilidade de pleito contra genitor e avô,
simultaneamente.
• Possibilidade do pedido de complementação, de forma
subsidiária, comprovada a impossibilidade de pagamento
do necessário. A obrigação alimentar neste caso é divisível.
• Excepcionalmente, pedido diretamente contra avós,
comprovada a impossibilidade desde logo.
• Prisão civil dos avós? “O cumprimento da prisão civil em
regime semiaberto ou em prisão domiciliar é
excepcionalmente autorizado quando demonstrada a idade
avançada do devedor de alimentos ou a fragilidade de sua
saúde”. (STJ).
Revisão, Exoneração e Extinção dos
Alimentos
• Art. 1.701 do CC. Após a maioridade, a obrigação será
decorrente do parentesco (até a conclusão dos estudos).

• Revisão e exoneração: art. 1.699 do CC.

• Extinção: art. 1.708 do CC.

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• Maioridade: não é automática a extinção.
• Morte do credor.
• Alteração substancial no binômio ou trinômio alimentar, ou
desaparecimento de um dos requisitos (CC, art. 1.699).
• Uma nova união do devedor de alimentos pode gerar
alteração no binômio.
• Comportamento indigno do credor de alimentos.

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Investigação de paternidade
• Súmula 277 do STJ: “Julgada procedente a investigação de
paternidade, os alimentos são devidos a partir da citação”.

• Demanda segue o procedimento comum e cumulada com


alimentos terá como foro a residência ou domicílio do
alimentando (Súmula 1, STJ).

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Alimentos Gravídicos
• Lei n. 11.804/2008, que visa a garantir o direito da
gestante buscar alimentos do suposto pai durante a
gravidez. “Indícios da paternidade”.

• Perdurarão até o nascimento da criança; após o


nascimento são convertidos em pensão alimentícia em
favor do menor de idade, até que uma das partes solicite a
sua revisão (art. 6º).

• Se posteriomente acusar que não é o pai, cabe ação de


regress contra o verdadeiro genitor.

.
• AGRAVO DE INSTRUMENTO. INTERLOCUTÓRIA INDEFERINDO PEDIDO
DE ALIMENTOS GRAVÍDICOS. LEI N. 11.804/2008. INDÍCIOS DE
PATERNIDADE. INSUFICIÊNCIA DO CONJUNTO PROBATÓRIO INAUGURAL
APRESENTADO. ÔNUS RECAÍDO À GESTANTE. QUESTIONAMENTO A
DESAFIAR INSTRUÇÃO PROBATÓRIA. DECISÃO DE INDEFERIMENTO
MANTIDA. RECURSO DESPROVIDO. A gestante tem o direito de
perceber, durante o período de gravidez, um verba alimentar do
suposto pai. Contudo, é ônus seu demonstrar os indícios da
paternidade atribuída ao agravado, não bastando o mero apontamento
puro e simples.

• (TJSC. Agravo n. 2012.029011-8. Rel: Fernando Carioni. Origem: São


Bento do Sul. Orgão Julgador: Terceira Câmara de Direito Civil. Julgado
em: 14/08/2012).

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Finalidade dos Alimentos
• Alimentos definitivos ou regulares: fixados por sentença proferida em
ação de alimentos ou decisão judicial que tragam pedido de alimentos
cumulativamente ou quando decorrem de acordo celebrado entre as
partes. Comportam revisão (não há coisa julgada material. CC, art.
1.699).
• Alimentos provisórios: fixados antes da sentença em Ação de Alimentos
com rito especial, bastando que se comprove a existência da obrigação
alimentícia (art. 4ª, Lei 5.478/68). Devidos a partir da citação do réu
(art. 13, § 2º, Lei de Alimentos).
• Alimentos provisionais: fixados para manter a parte que pleiteia no
curso da lide. Fixados em antecipação de tutela ou liminar concedida
em medida cautelar de separação de corpos em ações em que não há
a prova pré-constituída (ex: investigação de paternidade e dissolução
de união estável).

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Não pagamento
• Na execução, pode o credor optar: 1. penhora de bens do devedor; 2.
se for servidor público, descontos juntamente com as parcelas a
vencer, até o montante de 50% (CPC, art. 912 c/c § 3º, art. 528); 3.
prisão civil (art. 5º, LXVII do CF/88 e CPC, art. 911, parágrafo único),
para prestações devidas há mais de 3 meses e as que se vencerem
posteriormente, no curso do processo. Súmula 309 do STJ.
• Lembre-se: “O atraso de uma só prestação alimentícia, compreendida
entre as três últimas atuais devidas, já é hábil a autorizar a prisão do
devedor, nos termos do art. 528,§ 3º do NCPC). No caso de devedor
contumaz, não se precisa esperar. Devedor idoso? (STJ.RHC 91642 /
MG. RECURSO ORDINARIO EM HABEAS CORPUS 2017/0291632-1. Rel.
Min. Nancy Andrighi. J. em 06.03.2018).
• Outros mecanismos: 1. Inserção do nome no cadastro do Serasa (CPC,
§ 1º do art. 528 c/c 517). 2. Protesto do título judicial (CPC, art. 528);
levantamento do FGTS (STJ).
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Lei Maria da Penha – Lei nº
11.340/2006
• Em seu art. 22, inciso V, permite a fixação de alimentos, a
título de medida protetiva de urgência.

• Fixadas judicialmente e houver mora superior a 15 dias,


incide automaticamente multa de 10% (CPC, art. 523, §
1º).

• Se os alimentos foram firmados em transação extrajudicial,


é preciso aforar ação executiva para que efetivada a
citação e, com o inadimplemento, incida a multa.

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Bibliografia Recomendada

• CAHALI, Yussef Said. Alimentos. São


Paulo: RT, 2013.
• FARIAS, Cristiano Chaves de. Curso de
Direito Civil. Famílias. Atualizada de
acordo com o novo CPC. Salvador:
Juspodium, 2016.
• FONTANELLA, Patrícia. Alimentos Pós-
Divórcio. In: Direito de Família e das
Sucessões. São Paulo: Gen editora,
2009.
• MADALENO, Rolf. Direito de Família.
São Paulo: Gen: Forense, 2017.
• TARTUCE, Fernanda. Processo civil no
Direito de Família. 3 ed., São Paulo:
Gen/Método, 2018.