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Movimento Superflat:

por baixo da superfície

Carina Cardoso
Pós-Graduação em Estudos Japoneses - UFRJ
RECORTE HISTÓRICO
• Boom artístico em 1960: forte importação de obras ocidentais, surgimento
de “imitações” no Japão; exportação de cerâmicas e pinturas japonesas
• Bolha econômica de 1980:
• colapso da indústria artística
• a pintura passa a não conectar com os consumidores: com a era digital o
design passa a ser considerado uma forma de arte
• A arte migra de um conceito japonês para um ocidental
• Em 1990, a última moda era a arte de celebridades e a “arte ilustrativa feliz”
• Anos 2000: fusão entre arte e entretenimento
• Expectativas para o futuro
BASE ARTÍSTICA
• Inspirações:
• Excêntricos do período Edo, com tendências expressionistas: Iwasa Matabei,
Sansetsu Kano, Jakuchu Ito, Shohaku Soga, Rosetsu Nagasawa e Kuniyoshi
Utagawa  Similaridades com o mangá e arte de pôster contemporâneos
(Nobuo Tsuji)
• No século XIX, essa excentricidade vai se expressar nas linhas do anime
contemporâneo  Yoshinori Kanada
• Eroticismo e grotesquerie
• Técnica: Apagar os interstícios e deixar o observador ciente da planaridade
da imagem
• Sensibilidade japonesa única e original
INSPIRAÇÕES
Sansetsu Kano (séc. XVI)
INSPIRAÇÕES
Matabei Iwasa
(séc. XVI)
INSPIRAÇÕES
Yoshinori Kanada -
Kanda Style (anos
1970)
INSPIRAÇÕES
Kyoko Okazaki
(anos 1980)
TAKASHI MURAKAMI
• Nascimento: Tóquio, 1962
• Formado em Nihonga, pintura tradicional japonesa, pela Universidade
Nacional de Belas Artes e Música de Tóquio
• Trabalha tanto com Belas Artes como na produção de mídias comerciais
(parceria Louis Vuitton)
• Inspirações: pintores clássicos japoneses, anime, mangá
• Sucesso reverso: lançou-se no mercado internacional para depois importar
seus trabalhos para o Japão
• Criador do Manifesto Superflat
• Presidente da Kaikai Kiki Co. Ltd.
TRABALHOS DE MÍDIA COMERCIAL:
KANYE WEST, PHARRELL & LOUIS VUITTON
YOSHITOMO NARA
• Nascimento: Aomori, 1959
• Bacharel e Mestre em Belas Artes pela Universidade de Belas Artes e Música
de Aichi; estudou também na Kunstakademie Düsseldorf, na Alemanha
• Inspiração: uma justaposição da inocência de uma criança de mangá com
cenas de filmes de terror
• Temas: suas obras frequentemente mostram crianças com pouco ou quase
nenhum cenário, porém sempre com expressões reveladoras ou mesmo
com armas e símbolos de agressão
• Suas obras representam uma reação à rígida convenção social japonesa
CHIHO AOSHIMA
• Nascimento: Tóquio, 1974
• Formada em Economia pela Universidade de Hosei
• Autodidata em Adobe Illustrator, começou a criar suas obras através desta
ferramenta; posteriormente passou adicionar a elas pinturas a mão
• Temas: algo entre realidade inocente e sonhos controversos
• Inspiração: Ukiyo-e, superflat, shoujo manga e lolicon
• Além de exibir seus trabalhos pelo Japão, duas de suas obras ilustram as
galerias de duas estações de metrô de Londres
AYA TAKANO
• Nascimento: Saitama, 1976
• Formada em História da Arte
• Trabalhou como Designer na Nintendo
• Temas: imagens futurísticas e fantasia, animais fantásticos e paisagens
urbanas
• Inspira-se em anime, Ukiyo-e (especialmente em Shunga), Renascença
italiana e Expressionismo
20471120 – Masahiro Nakagawa - Moda
Katsushige Nakahashi - Guerra

Dokonjo Gaeru – Yasumi Yoshizawa Hiro Sugiyama – Retratos Abstratos


CONCLUSÃO
• Embora não seja o único movimento artístico japonês
contemporâneo, é um dos mais reconhecidos pelo
ocidente
• Congrega técnicas clássicas de Belas Artes, com mídias
digitais, comércio e entretenimento
• Nasce da necessidade de construção de uma identidade,
mas se deixa permear pela cultura ocidental
• É um movimento de manifesto, mas que está sempre em
busca de respostas para o futuro