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Ética Profissional

Do Advogado. Atividades Privativas da Advocacia e


Mandato Judicial
Prof. Savio Chalita
1. Atividades Privativas da Advocacia (art. 1° a 4°
EOAB)

Art. 1º São atividades privativas de advocacia:


I - a postulação a qualquer órgão do Poder Judiciário e
aos juizados especiais; (Vide ADIN 1.127-8)

Nem sempre será obrigatória a figura do advogado.


Exceções:
a) JECs:
- Estadual até 20 Sm no JE (apenas na 1ª instância)
- Até 60 Sm no JF (apenas na 1ª instância)
b) HC e Revisão Criminal (em qualquer instância)
c) Justiça do Trabalho (Vara do Trabalho e TRT)
-exceto Ação Rescisória, Cautelar, MS, recurso extraordinária (STF) e
recursos de competência do TST
d)Justiça de Paz
-celebração de casamento
e) Ação de Alimentos (Lei 5.478/68)
-Possibilidade do Juiz da Vara especializada (ou Criminal) fixar
alimentos (art. 22, V, Lei 11.340/06)
f) Medidas Protetivas (Lei Maria da Penha)

E na Separação, Divórcio e Inventário extrajudiciais (“em cartório”)?


R: Obrigatório, por força da Lei 11.441/07 – incluiu o art. 1.124-A, CC)

Atuação junto ao INPI (Registro de Marcas e Patentes)?


R: É facultativo. (Agente de Propriedade Industrial e Advogados)
Art. 1º (...)
II - as atividades de consultoria, assessoria e
direção jurídicas.

- Diretoria, gerência
- Empresa pública, privada, inclusive instituições
financeiras.

Estagiário pode preencher estes cargos?


R: Não, pois lhe falta a totalidade das condições do art.
8°, EOAB. Ou seja, não é advogado, não pode!
Art. 1° (...)
§ 2º Os atos e contratos constitutivos de pessoas
jurídicas, sob pena de nulidade, só podem ser admitidos a
registro, nos órgãos competentes, quando visados por
advogados.

Exemplos: Fundações, Associações, Ltdas, Estatuto de


Partido Político

Exceção à Regra:
-ME
-EPP
-EIRELI (Apenas quando vier acompanhado de declaração
de enquadramento em ME ou EPP. Caso contrário, PRECISA
de visto de Advogado)
IMPORTANTE:
- A prática de atos privativos da Advocacia por quem não
esteja habilitada = art. 47, Lei de Contravenções Penais,
além de responsabilidade civil e administrativa;
- Art. 4°, EOAB, dispõe que o ato será NULO (“NATIMORTO”)

Art. 47. Exercer profissão ou atividade econômica ou


anunciar que a exerce, sem preencher as condições a que por
lei está subordinado o seu exercício:
Pena – prisão simples, de quinze dias a três meses, ou
multa, de quinhentos mil réis a cinco contos de réis
Art. 1° (...)
§ 3º É vedada a divulgação de advocacia em conjunto
com outra atividade.

“Advocacia e Imobiliária”
“Advocacia e Xerox”
“Advocacia e Seguros”
“Advocacia e Contabilidade”
Quem pode exercer a advocacia?

Aqueles inscritos em definitivo junto a OAB (exceto licenciados


e cancelados), atendidos os requisitos do art. 8°, EOAB;

 Advogado autônomo ou empregado;


 Integrantes da Advocacia-Geral da União;
 Procuradoria da Fazenda Nacional;
 Defensores Públicos (E, DF, U);
 Integrantes da Procuradoria e Consultoria Jurídica (E, DF, U
e entidades de administração indireta e fundacional)
Os advogados públicos submetem-se ao duplo controle ou
duplo regime:

 Quanto à Função pública que exercem – estarão


submetidos à legislação Própria da carreira que integre;

 Quanto a inscrição junto a OAB, sua regularidade,


infrações ético-disciplinares- estarão submetidos ao
EOAB;

EOAB

Legislação
Própria da
Carreira
Provimento 167/2015

-Altera o art. 6º do Provimento n. 144/2011, que “Dispõe


sobre o Exame de Ordem”, inserindo os seus §§ 1º, 2º e
3º.
- Dispensa o Exame de Ordem aqueles:
a)oriundos da Magistratura e do Ministério Público e os
bacharéis alcançados pelo art. 7º da Resolução n.
02/1994, da Diretoria do CFOAB.

b) advogados públicos aprovados em concurso público


de provas e títulos realizado com a efetiva participação da
OAB, e que estejam há mais de 05 (cinco) anos no
exercício da profissão.
- Prazo de 6 meses a contar da publicação do Provimento
2. Mandato
 Contrato por meio do qual o mandatário recebe
poderes de atuação em nome do mandante.
Outorga de poderes.

2.1 Mandato Judicial


 É o contrato para que o mandatário possa atuar
judicialmente em nome do mandatário,
administrando-lhe e defendendo-lhe seus
interesses;
 Expresso pela PROCURAÇÃO AD JUDICIA
 Procuração deve ser juntada aos autos na sua
primeira manifestação;
Exceção?
 Em caso de urgência, para evitar preclusão,
decadência ou prescrição o advogado poderá atuar
sem procuração, que deverá ser apresentada em 15
dias (prorrogável por mais 15 dias, por despacho do
juiz).
E se não for apresentada a procuração no
prazo?
CPC Antigo (art. 37, parágrafo Novo CPC (art. 104, §§1° e 2°)
único)

Ato inexistente Ato ineficaz àquele em cujo


nome (o ato) fora praticado
 A Procuração, Pública ou Particular (mais comum – não
é necessário reconhecimento de firma), será de:

a) Foro em Geral
- Amplos poderes para atuar judicialmente em nome do
mandante.

b) Poderes Especiais
- Poderes específicos de atuação (consta ao final da
procuração).

c) Apud acta
- Indicação verbal pelo cliente na própria audiência (“apud
acta”= no próprio ato).
2.2 Extinção do Mandato
-Tácita ou Expressa

a) TÁCITA: Extinção do feito; arquivamento.


b) EXPRESSA: Se dará através de Renúncia (pelo advogado),
Revogação (pelo mandante – cliente), substabelecimento sem
reserva de poderes, juntada de nova procuração.

b.1) Renúncia: Advogado renuncia à outorga de poderes que


lhe foram conferidos. Não depende de vontade do
mandante para aceitar. Para isso, cabe-lhe desincumbir da
obrigação da dupla forma de comunicação (art. 45, CPC/ art.
112, NCPC):
I- Carta AR ao cliente
II – ao juiz, fazendo prova da Carta AR recebida
 O advogado atuará nos 10 dias seguintes à comunicação de
Renúncia ao Juiz (o termo inicial não é a comunicação ao
cliente!).
 Se novo advogado for constituído, prazo não precisa ser
cumprido;
 Se não for constituído advogado após o prazo de 10 dias, juiz
nomeará novo defensor.

b.2) Revogação
- O cliente revoga a outorga dos poderes;

- Não depende de vontade do mandatário (Advogado)


para aceitar
- O advogado possui direito aos honorários proporcionais à
atuação nos autos;
- Não há prazo a ser cumprido pelo advogado;
b.3) Substabelecimento sem Reservas de Poderes
- O advogado substabelece a outro advogado os poderes que
lhe foram conferidos. Não há “reserva de poderes”;
- É necessário prévio e inequívoco conhecimento a seu cliente,
sob pena de “abandono ou desamparo dos feitos” (art. 12,
CED)

b.4) Juntada de nova Procuração


- Não é o meio mais adequado (preferencialmente as formas
anteriores – Subs. s/ reservas e Revogação- , se a intenção é a
“troca de advogado”)
-Art. 14, NCED (antigo art. 11), dispõe que o advogado “não
deve aceitar procuração de quem já tenha patrono constituído,
sem prévio conhecimento deste, salvo por motivo
plenamente justificável ou para adoção de medidas judiciais
urgentes e inadiáveis. “
Questão 1:

A empresa Consumidor Ltda., composta por contadores,


despachantes, arquitetos e engenheiros, divulga, semanalmente,
sua agenda de defesa judicial dos direitos dos consumidores,
não possuindo advogados nos seus quadros. Notificada pelo
órgão seccional da OAB, alega que as atividades de consultoria
jurídica não seriam privativas dos advogados. Diante desse
quadro, à luz das normas estatutárias, é correto afirmar que é
atividade privativa da advocacia:

(A) a postulação nos Juizados Especiais.


(B) a consultoria e assessoria jurídicas.
(C) a impetração de habeas corpus.
(D)a divulgação conjunta da advocacia com outras atividades.
Gabarito:

B) a consultoria e assessoria jurídicas.

Fundamentação:
Art. 1º São atividades privativas de advocacia:

I - a postulação a qualquer órgão do Poder Judiciário e aos


juizados especiais; (Vide ADIN 1.127-8)

II - as atividades de consultoria, assessoria e


direção jurídicas.