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TA 631 – OPERAÇÕES UNITÁRIAS I

(Transferência de quantidade de movimento)

Aula 22 – Transporte Pneumático


Transporte Pneumático

Quando a vazão da fase fluida excede a velocidade de sedimentação livre das


partículas, o leito fluidizado perde a sua identidade, pois as partículas sólidas são
transportadas pela corrente do fluido.

O transporte pneumático tem sua aplicação industrial destacada desde o


início do Século XX, devido a algumas de suas características principais:

Os baixos custos de manutenção e operação


A grande variabilidade de produtos transportados
A alta flexibilidade dos projetos, podendo haver o transporte
vertical e/ou horizontal, além de diversos sistemas de alimentação de sólidos.

O Transporte Pneumático se refere ao movimento de partículas sólidas em um


fluxo de gás através de tubos horizontais e/ou verticais. Os transportadores
pneumáticos podem ser usados para partículas que variam de pós finos a
pelotas, com densidades aparentes de 16 a 3200 kg/m3.
Os materiais tipicamente transportados são:

Alumina Cloreto de cálcio Gesso


Óxido de alumínio Negro de fumo Óxido de ferro
Alimento para bebês Cimento Caulim
Argila Café (cru, torrado, moído) Calcário
Barita Detergente Magnésio
Bauxita Feldspato Leite em pó
Bentonita Carvão Amendoim
Bórax Farinha Resina de PVC
Carbonato de cálcio Cinza Açúcar
Areia Fluorita E muito mais!

Um projeto adequado deverá prever o tipo de tubulação a ser utilizada, de


acordo com o grau de abrasividade e corrosão possivelmente gerados pela
composição dos materiais. O levantamento criterioso destas características
poderá exigir do projeto a utilização de materiais resistentes como aço inox ou
até mesmo PVC, sendo que os raios de curvatura deverão ser largos com a
possibilidade de "chapas de desgaste" que propiciem sua substituição.
Transporte pneumático: fases densa e diluída
O transporte pneumático em fase densa (alta pressão; >43psi) pode ser o
método mais confiável e eficiente para a manipulação de uma grande variedade
de sólidos secos a granel. A definição de transporte pneumático em fase densa
significa uma pequena quantidade de ar para movimentar uma grande
quantidade de sólidos a granel de forma pulsante em porções através da linha
de transporte. Baixas velocidades são utilizadas (0,2-5,0 m/s).

Video fase densa:


http://www.youtube.com/wat
ch?v=qSe1gWfEyIw&feature=
related

Video compressor:

http://www.youtube.com/watch?v
=rIqCkrCFSB0&feature=related
A baixa velocidade de transporte resulta em uma manipulação mais delicada
dos sólidos altamente abrasivos que não toleram degradação. Para muitos
materiais frágeis, granulares ou cristalinos, não existe processo mais adequado.

Os sistemas pneumáticos em fase diluída (baixa pressão; 14psi) utilizam grande


quantidade de ar para remover quantidades relativamente pequenas de
material em uma suspensão a altas velocidades (10-30 m/s). Utilizam
sopradores e/ou ventiladores.

Video ventilador centrífugo:

http://www.youtube.com/watch?v
=9Q5uwubweqo&feature=fvst
Transportar em regime de fase diluída ou fase densa ?

O engenheiro projetista tem quatro escolhas típicas para especificação de


um sistema de transporte pneumático.

1. Operação de fase diluída a vácuo


(sensíveis à distância comparado ao sistema de pressão, pois possui
diferencial máximo de pressão ser de 5,5 a 6,0 psi)
2. Operação de fase diluída sob pressão
(alcançam um diferencial de pressão de 12 psi facilmente)
3. Operação de fase diluída a vácuo-pressão
4. Operação em regime de fase densa sob pressão

A escolha entre operar em regime de fase diluída


ou densa, depende tipicamente das propriedades
dos sólidos. Por exemplo, a operação a uma
velocidade mais baixa é comum para os produtos
altamente abrasivos ou para aqueles que
degradam facilmente.
Por simplicidade, uma classificação sugerida por Klizing et al (1997) é dada na tabela abaixo,
onde tem-se valores para a razão entre vazão mássica do sólido e do fluído:
Dimensionamento de um transportador pneumático
O projeto requer a análise das propriedades do material que deve ser
transportado (tendência ao torreamento, a facilidade de fragmentação das
partículas e quaisquer possibilidades do pó explodir com a mistura com
oxigênio) e das condições operacionais, como as pressões, temperaturas, etc.

Existem equações disponíveis para se utilizar no dimensionamento de


equipamentos para transporte pneumático (veja por exemplo: Foust et al, 1982
p.571; Klizing et al, 1997), no entanto, a ampla variação das propriedades dos
sólidos e as tendências de os sólidos se aglomerarem e aderirem às superfícies
da parede, fazem com que o emprego destas equações seja problemático
(exceto quando se trata de sólidos que escorrem livremente, com dimensões
quase uniformes e elevada esfericidade).

Os nomogramas mostrados adiante, juntamente com as tabelas adicionais,


podem ser usados para um projeto inicial. As informações empíricas de projeto
usadas no exemplo a seguir, assumem que o ar é o gás de arraste, mas para um
projeto preliminar, estas cartas serão suficientes para outros gases, como
nitrogênio.
Exemplo: Projetando um sistema de transporte pneumático de sólidos

Admita um sistema com os seguintes parâmetros:

 Comprimento: 200 pés de tubo reto com 4” de diâmetro interno


 Acessórios: 2 cotovelos de 90 graus
 Densidade aparente: 60 lb/ft3 (960 kg/m3)
 Vazão mássica de sólidos desejada: 25.000 lb/h (cerca de 11.340 kg/h)

Etapa - 1: Determine o comprimento equivalente da tubulação para o sistema

Assumindo que cotovelos de 90 graus têm um comprimento equivalente de 25


pés (7,6 m), para o nosso exemplo temos um comprimento equivalente = 200 ft
+ 2 (25 ft) = 250 ft
Etapa - 2: Escolha uma velocidade de gás
inicial para mover as partículas

Usando a tabela ao lado, escolhemos a


velocidade inicial de gás.

Para nosso sistema temos uma velocidade


inicial de gás de 7150 ft/min (2179m/min).
Etapa - 3: Vazão de ar exigido

Na Carta 1, trace uma linha


reta da velocidade inicial para
o diâmetro do tubo e
prolongue a linha para
encontrar a vazão de ar. Para
nosso sistema, nós
começaremos com um tubo
comum de 4 polegadas de
diâmetro.
Este procedimento resulta
uma vazão de ar inicial de 610
ft3/min.

Usando Q=v.A é a mesma


coisa (até mais preciso que a
leitura)
Etapa - 4: Encontre a relação de
sólidos

Na Carta 2 trace uma linha


conectando a vazão de ar da Etapa
3 (610 ft3/min) e a capacidade
requerida do sistema (25000 lb/h).
Esta linha cruzará a linha de relação
de sólidos no centro.

Para nosso sistema, temos uma


relação de sólidos de cerca de 9,5.
Se a relação de sólidos estiver acima
de 15, reinicie os cálculos para um
diâmetro de tubulação superior ao
escolhido anteriormente.
Etapa - 5: Determine o fator de projeto
para o seu sistema

Na Carta 3, faça a partir do valor do


diâmetro do tubo (4”) para o volume de gás
(610 ft3/min) e leia o fator de projeto na
linha central. Para nosso sistema, isto dá um
fator de projeto igual a 90.
Etapa - 6: Determine a perda de pressão
no sistema
Na Carta 4, faça uma linha a partir do
comprimento equivalente do sistema
para o fator de projeto e estenda esta
linha para a linha no centro do quadro.
Agora, conecte o ponto de interseção
entre a primeira linha e a linha do centro
9,5
com a relação de sólidos no extremo 250ft
90 86
direito. Leia a perda de pressão do
sistema no ponto de interseção com esta
linha. Para nosso sistema, é
aproximadamente 12,5 psi (86 kPa). Se a
perda de pressão for maior que 12 psi
para sistemas de pressão (diluida ou
densa) ou 5 psi para sistemas de vácuo,
reinicie os cálculos com outro valor de
diâmetro. Embora nosso exemplo tenha
uma queda de pressão que
provavelmente é muito alta, nós
continuaremos para a Etapa -7.
Etapa - 7: Determine a potência
útil requerida pelo sistema

Na Carta 5, conecte a perda de


Ignorar a linha azul!
pressão do sistema com a vazão
de gás e leia as exigências de 86
potência útil na linha central. Para
nosso sistema, este valor
seria 48 HP.

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Exercício:
Na fabricação de leite em pó, após as partículas serem secas em um spray
dryer, elas são transportadas pneumaticamente do fundo do secador para
ciclones de separação no topo da fábrica. Numa fábrica que produz 10000
lb/h de produto, o transportador é um tubo de 2,5” de diâmetro interno.
O leite em pó tem dimensões médias de 600.10^6 m, e sua densidade
aparente no fundo do silo do spray dryer é de 20 lb/ft3. Calcule a perda de
pressão na tubulação admitindo que a pressão atmosférica age logo após
o produto entrar no ciclone.

Respostas:
Comprimento equivalente = 110ft
Velocidade do gás = 4120 ft/min (1256 m/min)
Vazão do gás = 140 ft3/min
Relação de sólidos = 4,3
Fator de projeto = 40
Perda de pressão = 7kPa
(potência indisponível pelo nomograma)

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