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TERCEIRIZAÇÃO – ANÁLISE

DO SISTEMA BRASILEIRO

Prof.: Dalton Leal


HISTÓRICO
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 No Mundo - o trabalho desempenhado através de uma terceira
pessoa vem sendo, há muitos séculos, utilizado no seio de
nossa sociedade, pautado na premissa de se transferir, sob a
responsabilidade e risco do mandante, a atribuição parcial ou
integral da produção de uma mercadoria ou realização de um
serviço.
 Muito embora hoje, o objetivo da terceirização seja o de
isolada ou conjuntamente especializar tarefas, diminuir custos,
descentralizar a produção ou de se substituir temporariamente
trabalhadores, a sua origem remonta o século XVI, na França,
quando, sob a égide do Rei Luís XVI, foi instituído um grupo
denominado Fermier, de natureza privada, através do qual foi
institucionalizada a cobrança dos impostos, de cuja memória
remonta a morte de Lavoisier e outros cobradores de impostos
na guilhotina, em praça pública,
Prof.:em 1793.
Dalton Leal
HISTÓRICO DA
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TERCEIRIZAÇÃO
 Origem 2 - sistema nominado de putting-out-
system, na Alemanha, denominado de
Verlagsystem,
Verlagsystem e consistia em uma forma de
trabalho utilizada pelos tecelãos e fiandeiros,
com auxílio de familiares, agregados ou até
mesmo empregados, de produção em domicílio
e com instrumentos próprios, de peças
encomendadas pelos comerciantes que, por
sua vez, cediam-lhes a matéria-prima e parte
da remuneração.
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Origem 3 – França. Este mesmo sistema também foi


chamado de façonismo e foi empregado em nosso país
apenas no século XIX.
De origem francesa (à façon), execução de um serviço
sem que o prestador tivesse a propriedade da matéria-
prima, e bem assim sinalizou os primórdios do modelo
flexível da produção e a utilização da força de trabalho
por um terceiro, novamente em franca utilização nos
tempos atuais.

Evolução - indústria têxtil – criação da carda mecânica na


Inglaterra.

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 É este contexto, oriundo do homem versus a máquina,
na Inglaterra, que guarda a origem da terceirização,
com o intuito de se alavancar a produção, bem como o
lucro, visto que no final do século XVIII, alguns
comerciantes já adquiriam tecidos e encomendavam
acabamentos em oficinas próprias localizadas em Leeds
ou nas aldeias de West Riding, bem assim, afastando
esta produção do centro fabril e urbano, justamente
para escapar da ação dos “luditas”, cada vez mais
crescente, porquanto exigiam o impedimento do uso das
cardas mecânicas, invocando o Estatuto de Eduardo VI,
e o dos Artífices Elizabetanos, que reconhecia o ofício
aos que tivessem registro de ao menos 07 (sete) anos
como aprendizes, e o Estatuto de Felipe e Maria, que,
por sua vez, restringia a quantidade de teares em
função do número de mestres.

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 Este corpo legislativo, após muita pressão da classe patronal,
pari passu à supressão perene do movimento ludista, foi
revogado pelo Parlamento Inglês em 1809, que abriu todas as
comportas ao trabalho fabril com uso irrestrito de máquinas,
crianças, adoção do truck system e adoção do quantum
salarial pelo patrão e excepcionalmente, em caso de conflito,
pelo magistrado.
 Afinal, os ludistas acreditavam na restituição de um
protecionismo legal, na luta pela dignidade no trabalho, pela
constante reinvindicação de direitos, a exemplo de salários
melhores, proteção ao trabalho da mulher e do menor,
sindicalização, livre negociação mediante arbitragem e
estabilidade aos mestres, porquanto almejavam uma
comunidade democrática, na qual o crescimento industrial
seria regulado em consonância a prioridades técnicas e o lucro
estaria subordinado às necessidades humanas.
 Entretanto, o ludismo foi realmente esfacelado, com a prisão e

a morte de seus líderes, desaguando em novas condições de


venda da força de trabalho, caminhado, bem assim, para o
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processo de “naturalização” do putting-out-system.
 Nesse interim, a terra, antes ocupada por gerações de vassalos e
pequenos camponeses, foi, entre os séculos XIII e XIV, paulatinamente
dando espaço às pastagens para o comércio, desaguando na
construção de latifúndios, o que certamente levou ao êxodo de milhões
de trabalhadores aos centros urbanos, já na condição de proletários,
que, sem mais, foram obrigados a vender a sua força de trabalho -
único bem - por preço irrisório que mal lhe garantiam a subsistência,
pois a terra, antes ligada à cultura e consumo familiar, expandia-se, de
igual forma, à agricultura capitalista.
 Nesse cenário, vê-se, pois, que a expropriação dos camponeses é
considerada a infância da acumulação primitiva de capital, pois que
redesenhou as relações sociais mantidas entre as pessoas na área rural
e nos burgos e muitos deles, com franca dificuldade de adaptação
foram postos à margem nos centros urbanos, e pari passu à grande
oferta, muitos deles desaguaram em prática de roubos e mendicância,
formando assim o proletariado, uma multidão de pessoas transitando
pelas cidades em busca de comida.
 A burguesia, portanto, detentora do conjunto de riquezas, arquitetou e
concluiu os seus desideratos de absorção do proletariado, rompendo
com a velha ordem e instituindo uma nova concepção de relação de
trabalho.
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De conseguinte, o trabalho dito como livre (escape das amarras contidas na
escravatura e ou na servidão medieval), foi considerado como ponto de partida
essencial da subordinação empregatícia necessária a dar azo à mão de obra
trabalhadora, descortinando, pois, a Idade Moderna, porquanto passou a se
constituir um fator, uma ferramenta da produção aos emergentes proprietários
de seus meios e nesta condição estava hábil a ter a sua força de trabalho
contratada através de um acordo de vontades que desaguou na relação de
emprego e este universo jurídico que ali se alinhavava, trazia a base dos atos
jurídicos que valiam tal como a lei entre as partes

Certamente, a Revolução Industrial teve como marca registrada a criação da


classe operária e de igual forma, a liberdade com que as relações se
desenhavam neste contexto empregatício, com exacerbada liberdade
econômica, que fez com que houvéssemos a imposição de contratação de
crianças, mulheres, jornadas longas, salários irrisórios, condições de higiene
absolutamente incompatíveis à higidez humana, certamente desaguando em
grande índice de acidentes de trabalho.

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A essa altura, via-se tímida a intervenção estatal, o que fez com que Marx,
àquela época, desmontasse este - então - novo conceito de liberdade de
contratação, visto que a legislação que tratava sobre a questão trabalhista era
ínfima, e exemplo do Código napoleônico de 1804 detinha 2.000 artigos
tratando acerca da propriedade privada e apenas 7 (sete) tratavam sobre
trabalho, e mais ainda proibia a greve, fundação de sindicatos e de
associações recreativas de empregados e em eventual demanda acerca de
salários, deveria prevalecer o alegado pelos patrões.

O Estado, em verdade, atuava a serviço da burguesia, em desfavor dos


camponeses e trabalhadores proletários, criando uma armadura contrária aos
detentores da força de trabalho, concedendo ao capitalista toda a riqueza
material ali construída.

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 Com efeito, todo este contexto histórico fez eclodir o modelo


de Estado denominado Liberal, e através dele primou-se
pela estrita liberdade nas relações econômicas e
contratuais, assim como pela não intervenção estatal nas
relações privadas e especificamente na relação de emprego,
o que certamente desaguou na carência legislativa com
relação ao hipossuficiente e abriu, a passos largos, a
possibilidade de exploração desumana do trabalhador.
 Assim, o trabalho era livre ao cidadão, mas marcado pela
subordinação, ora construída pelo capitalismo no tocante ao
modo de realização do serviço, sem qualquer intervenção na
vida pessoal do obreiro e doravante, tal modelo tornou-se o
tipo principal ao sistema de produção capitalista.
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 Nesta época houve um renascimento das ideias já
preconizadas por Adam Smith, grande pensador, o
qual já refutava qualquer tipo de intervenção
estatal nos atos de comércio, porquanto naturais e
despiciendos de regulamentação, acreditando,
assim, que uma “mão invisível” regia o mercado e
guardava a fonte de riqueza de toda sociedade.
 Nessa mesma toada, John Locke, chamado de “pai
do individualismo liberal”, também sinalizava como
parâmetro do Estado Liberal a não intervenção
estatal nas questões econômicas e sociais.
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 Importante ressaltar que a esta altura, já se encontravam
consolidados os direitos fundamentais de primeira dimensão, mas
que de toda forma, mantinham a não intervenção estatal sobre a
individualidade, mormente propriedade e vida, porquanto também
consagravam a liberdade.
 Ao Estado, cabia apenas ofertar a estrutura necessária a que a
indústria prosperasse, mantendo apenas em riste a ordem pública,
muito bem insculpida e traduzida na expressão laissez-faire,
laissez-passer, do Código de Napoleão Bonaparte, deixando, em
brancas nuvens, a livre concorrência na sociedade dita como
contemporânea.
 Certamente, cristalinamente influenciados pelo Positivismo Jurídico,
o comando do Estado Liberal de direito pautava-se, bem assim, na
concepção de que os intérpretes deveriam aplicar a lei de forma
mecânica, à luz do valor e balizas mínimas preconizadas pela
segurança jurídica. Prof.: Dalton Leal
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 Nesse contexto, o contrato de trabalho tornou-se um mero


contrato de adesão, já que o patrão estipulava livremente
todas as suas cláusulas e ao trabalhador, restava tão
somente ofertar a sua mão de obra tida como livre, muito
embora não detivesse qualquer liberdade em negociar
cláusulas, bem como recusar as que entendesse como
injustas.
 De conseguinte, despontaram neste cenário, como já dito,
pois, duas classes antagônicas: a burguesia e o proletariado,
cuja exploração do trabalho foi denominada por Marx como
“mais valia”, traduzida na “expressão precisa do grau de
exploração da força de trabalho pelo capital ou do
trabalhador pelo capitalista
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 Para Hegel, este processo de alienação era traduzido como “[...]


processo essencial à consciência e pelo qual ao observador
ingênuo o mundo parecia constituído de coisas independentes uma
das outras, e indiferentes à consciência.”
 Hegel cria que a razão era a ideia dominante, mas não era
sinônima a de harmonia e nesse contexto, a liberdade era um bem
inalienável e cabia a cada um a escolha de seu lugar na vida em
sociedade, o que certamente, fez também com que se despertasse
a consciência dos trabalhadores assalariados quanto a meio
ambiente laboral insalubre, salários ínfimos, jornadas extenuantes
e a superexploração trazida pela acumulação exponencial de
riquezas pelas classes dominantes, o que fomentou o surgimento
do socialismo como nova ideologia, cujo marco teórico mais
importante foi o Manifesto Comunista de Marx e Engels, de 1848

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 Ressalte-se que, até esta data, a melhor doutrina classifica esta
etapa como a fase das “manifestações esparsas ou incipientes”;
após esta, inaugurou-se outra no processo de desenvolvimento do
direito do trabalho, denominada de fase de “sistematização e
consolidação”, influenciada pelas manifestações e revoluções
burguesas ocorridas desde o final do século XVIII, com destaque à
Revolução Francesa De acordo com Maurício Godinho Delgado, o
destaque desta época era o Peel’s Act, de 1802, na Inglaterra, o
qual regulamentava o labor infantil nas fábricas.
 A Declaração Francesa de 1848 ampliou majestosamente o rol de
direitos fundamentais de primeira dimensão, já comentados em
linhas remotas, ampliando-os até a segunda, pois que consagrou a
liberdade ao trabalho, a assistência aos desempregados, às
crianças abandonadas, aos enfermos e aos velhos desamparados.

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 Por sua vez, em 1891, a Encíclica Rerum


Novarum, do Papa Leão XIII, condenou a livre
concorrência, seus falsos valores e a inação do
Estado diante dos trabalhadores já tão
achacados em suas prerrogativas mais
elementares, o que fez invocar um Estado
mais presente e interventor a modificar e de
toda forma, realinhar a relação capital versus
trabalho, de modo a proteger o hipossuficiente
desta relação, qual seja, o obreiro.
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 Certamente, todo este contexto fez com que os trabalhadores
passassem a se reunir com mais primazia nas fábricas, e bem assim,
organizarem-se em sindicatos de forma a engajar a luta por melhores
condições e labor, que, de fato, foi capaz de mudar a história e deixar,
como dizia Marx, de ser considerado um mero propulsor de lucros, tal
como uma máquina, na estrita visão capitalista do processo produtivo.
 E assim, podemos considerar que o direito do trabalho nasceu,
desenvolveu-se e efetivou-se em nosso ordenamento jurídico, o que,
decerto, fez repensar o modelo estatal de modo a que pudesse
abarcar melhor o trabalhador.
 Doravante, exsurgiu a necessidade de normatizar, com mais afinco, a
legislação trabalhista e no ano de 1848, instaurou-se a sua fase de
sistematização e consolidação, que bem assim caminhou até o século
seguinte.

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 De fato, entre os anos de 1840 a 1850, o trabalho feminino foi reduzido até
10 horas diárias e o fenômeno constitucional pelo mundo passou a
referendar este novo horizonte ao implementar a natureza prestacional dos
direitos fundamentais, de natureza social, pois que se passou a exigir a
intervenção estatal em prol do cidadão, permitindo, pois, aos
hipossuficientes o acesso a serviços básicos, tais como a saúde, a
educação, o trabalho, etc.
 Em assim sendo, a Constituição Mexicana de 1917 foi a primeira a
constitucionalizar os Direitos Sociais, máxime o Direito do Trabalho, seguida
da de Weimer, na Alemanha, em 1919, que também seguiu o mesmo rumo,
contudo, com maior impacto e influência das que doravante foram
promulgadas.
 No mesmo ano, foi criada a Organização Internacional do Trabalho (OIT),
cujo mister foi justamente o desenvolvimento e a propagação do Direito do
Trabalho, através das divisão das normas jurídicas entre países signatários

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 Não é demais encarecer, nesse mesmo trilhar, que a Revolução Russa
também exerceu papel importantíssimo no particular, conquanto a
Declaração Soviética dos direitos do povo trabalhador e explorado,
editada em 1918 na União Soviética balizou a Constituição Socialista
que adveio no ano seguinte.
 Certamente, toda a dinâmica havida neste processo histórico, máxime
as contradições atinentes à exploração da força de trabalho foram
essenciais para a germinação de uma consciência social que, pouco a
pouco, desenvolveu-se em uma consciência de classe pautada em
resistência e luta por melhores condições de vida e trabalho.
 A própria concentração em um mesmo ambiente de trabalho foi,
decerto, desencadeando um processo de solidariedade de classe
traduzido em reuniões reivindicatórias que, passo a passo foi gerando
um direito de resistência, ainda embrionário, mas inevitáveis a
despertar o associacionismo.

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 Todo este movimento de integração e representatividade coletiva, firmado
pela classe operária na busca da construção da identidade própria na luta ao
acesso aos direitos sociais passou a ser definido como o fenômeno social do
sindicalismo.
 De fato, para Bobbio Matteuci e Pasquino, tal fenômeno guarda uma dupla
origem: foi fundado na solidariedade e na defesa de direitos e na revolta
contra o modo de produção e a sociedade capitalista, com vistas a erigir
princípios diversos à sociedade, redefinindo a posição dos trabalhadores
nesta estrutura social sob comento, o que, pari passu, fez surgir as primeiras
exigências sociais em direção à prática intervencionista estatal, através da
implementação dos direitos sociais Consoante ao lecionado por Maurício
Godinho Delgado, o sindicalismo passou por vários períodos, espelhando-se
nas diretrizes trazidas pela lei, pois que antes fora proibido pela Lei Le
Chapelier, de 1791; após, tolerado, na Inglaterra, na década de 1820, com
leis mais favoráveis à prática sindical e ao final, o reconhecimento, na
segunda metade do século XIX, por diversas leis nos países europeus, com
destaque ao pioneirismo da Inglaterra no feito naqueles anos.
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 Em consequência, o Estado Liberal começou a perder a sua
preponderância os planos social, ideológico e econômico, passando a
dialogar com e conviver com ideias e direitos aos setores não
proprietários, porquanto foi coagido, face à ameaça de perda da sua
hegemonia.
 Afinal, o liberalismo econômico e a disputa entre as nações imperialistas
pela ampliação de seus domínios, desaguaram nas duas grandes guerras
mundiais no século XX, o genocídio, o holocausto, a fome, o desespero e
certamente, a maior tragédia vista na modernidade.
 Prosseguindo, face aos movimentos descritos alhures, vimos que após o
eclodimento das duas grandes guerras mundiais, a história deu início a
uma nova concepção de mundo no tocante aos direitos do trabalhador,
porquanto foi instituído o Estado do Bem-Estar Social (Welfare State),
cujo auge ocorrera entre 1945 e 1970, de cuja intervenção estatal foi
necessária, soberana e imprescindível ao cenário mundial devastado
vivido naquele período.
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 A grande depressão de 1929, como é cediço, provocou a queda da
bolsa de valores de Nova York e gerou a premente necessidade da
intervenção estatal no tocante às relações econômicas.
 De conseguinte, entre os anos de 1933 e 1945, o então presidente
dos EUA, Franklin Delano Roosevelt lançou o New Deal, programa
governamental de resgate econômico americano, baseado nos
ensinamentos do economista britânico John Maynard Keynes, o
qual fora, sem laivo de dúvidas, o baluarte de tal doutrina, cuja
premissa era justamente a intervenção do Estado na Economia,
programas incentivadores de obras públicas para justamente
combater o desemprego provocado pela recessão sob comento.

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 Paralelo a isso, foi assinado o Acordo de Bretton-Woods (1944), o
qual alinhavou pontos condutores de cunho antiliberal, assinado
por parte das nações capitalistas e dentre outros atos, o destaque
fora para as ações voltadas à política monetária, tendo como
referência a taxa de câmbio indexada ao padrão dólar-ouro, a
criação do Fundo Monetário Internacional (FMI) para financiar os
países endividados.
 Ademais, interviu na economia em oposição à livre concorrência
entre os países capitalistas; de igual forma, a promoção de
emprego pelo Estado, o qual, por sua vez, estatuiu políticas sociais
nas áreas de educação e saúde e mais ainda, fez realizar
investimentos no tocante ao oferecimento de créditos aos
capitalistas, com uniformização dos países no comércio de
matéria-prima.

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 Com efeito, a bem da verdade, vê-se que os Estados aderentes da nova
política não relegaram, na sua totalidade, o espírito liberalista, mas em
verdade, precisavam soerguer suas estruturas mínimas, o que somente
aconteceria através do pleno e crescente emprego, investimento em
progresso tecnológico e a adequação de um bem estar coletivo,
certamente, através da regulação e controle da concorrência
capitalista, tudo através de um planejamento de longo prazo.
 Certamente, construía-se um modelo estatal que atingiria o ápice de
distribuição de renda e poder.
 Como afirma Maurício Delgado, a política desenvolvida por John
Maynard Keynes resgatou a relevante noção do trabalho como valor,
também conhecido como valor-trabalho, o que veio a dar guarida a
concepções mais igualitárias de gestão do sistema capitalista, tidas
como revolucionárias que já vinham sendo formuladas ao longo do
século XIX até o ápice de sua obra .

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 Em 1945, a Organização das Nações Unidas (ONU) foi criada com o fim
precípuo de manter a paz mundial, tendo laborado na solução dos
conflitos mundiais até hoje.
 Com efeito, foi justamente durante o Estado do Bem-Estar Social que
houve a institucionalização do Direito do trabalho, ao ser reconhecido
como direito social constitucional e bem assim, ramo jurídico autônomo
porquanto extremamente afinado com o fim precípuo deste, qual seja, o
bem–estar e a das condições de vida de todos, pelo que o emprego era
pleno, estável e duradouro, pelo que tal ramo justrabalhista efetivamente
procurou cumprir tais políticas, e mais ainda, como instrumento da luta de
classes em prol da distribuição de riquezas e efetivação da justiça social.
 Por consequência, trouxe o capitalismo ao ápice, porquanto fazia bastante
possível a acumulação de lucros, justamente com a participação dos
trabalhadores, porquanto percebiam salários dignos e tinham para si a
concessão de políticas públicas de pleno emprego e valorização do labor.

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 Entretanto, na década de 1970, o Estado do Bem-Estar Social entrou
em declínio. Com efeito, a crise do petróleo, ocorrida entre os anos
de 1973-1974, a abertura dos mercados, a 3ª Revolução Tecnológica,
a globalização, o excesso da produção causado ainda pelo modelo
fordista, e em decorrência de tudo isto, as altas taxas de desemprego
e a precarização e desregulamentação do mercado de trabalho
decerto prenunciavam a instauração de um novo modelo estatal, fez
renascer a matriz liberal, antes adormecida, sob a nova roupagem,
intitulada de neoliberalismo econômico.
 De fato, as medidas e políticas trazidas pelo Keynesianismo não
foram utilizadas a contento, isto é, de forma rápida e efetiva, de
modo a fazê-las permanecer em nosso ordenamento, desaguando na
ideia de que o controle da inflação e o modelo conduzido pelo
Welfare State impediam, de toda forma, o controle da inflação e o
controle de custos.

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 Demais disso, entendia-se que o lucro era o epicentro da economia no
tocante ao seu desenvolvimento, o que, somado à crise e insatisfação
popular, traduzindo-se na mudança do cenário político, certamente fez com
que os governantes fossem considerados os culpados por tal contexto.
 Isso posto, este panorama político todo beneficiou a ascensão de diversos
líderes que, sem mais e cristalinamente, defendiam a desregulamentação
da intervenção estatal e mais, defendiam o ultraliberalismo e bem assim
fortaleceram a ressignificação do liberalismo econômico, agora
neoliberalismo, enquanto política concebida pelo Estado, a exemplo da
Margareth Tatcher, primeira-ministra da Inglaterra e Ronald Reagan, então
presidente dos Estados Unidos da América.
 Ademais, fortalecendo este contexto, destaque-se a queda do socialismo e
fim das ditaduras destes países, com o início da redemocratização, qual
serviu de solo fértil ao renascimento da política liberal, com destaque à
extinção da ex-União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) que,
certamente, serviria de oposição a este novo horizonte

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 No tocante à redemocratização dos países periféricos, a adoção
deste contexto, igualmente, ocorreu sem qualquer tipo de
resistência ou adaptação interna.
 Com efeito, os neoliberais preconizam a diminuição da máquina
estatal e principalmente a horizontalização da atividade
empresarial, traduzida no termo downsizing, o qual pugna pela
diminuição da sua estrutura e tamanho original, passando a focar
de forma pungente sobre a atividade-fim e bem assim, entregar a
terceiros a descentralização das demais atividades tidas como
periféricas.
 Ademais, a essência da ideologia neoliberal pugna pela diminuição
da estrutura do Estado, bem como do seu raio de atuação, que
deverá se restringir apenas ao que for essencial ao
desenvolvimento do capital.

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 Nesse compasso, busca adequar os institutos


juslaboralistas de modo a atender este
chamado, ao fazer uso da mão de obra com o
menor uso possível da legislação trabalhista
hodierna, através de outros institutos de
relação de trabalho e não o da de emprego
propriamente dita.
 De fato, todo este cenário já vem sendo

traçado desde a crise do petróleo, nos anos


de 1970, de cujo cenário é pautado no fim do
primado do trabalho e emprego
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 De outra banda, o que se verifica, decerto, que o


neoliberalismo não é vivenciado tão
intensamente nos países tidos como de “primeiro
mundo”, vez que também amargaram a projeção
negativa de tal política pública, especificamente
na gestão econômico-financeira nos Estados
Nacionais capitalistas, de franca natureza liberal-
monetarista, na virada dos séculos XX e XXI,
máxime sobre os níveis de desenvolvimento
econômico e de emprego, muito embora tentem,
de toda forma, mascarar esta constatação em
suas análises político-conjunturais.
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 A Europa também segue estruturante neste


mesmo contexto, pelo que vem resistindo,
com maior primazia a crise, face ao restante
do mundo.
 OS MODELOS DE PRODUÇÃO
 (Taylorismo, o Fordismo e o Toyotismo)
TAYLORISMO
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 O Taylorismo foi implementado pelo norte americano


Frederick Taylor em suas fábricas no Estado da
Filadélfia e perdurou até a Segunda Guerra Mundial,
tendo demarcado, justamente, a transição do Estado
Liberal para o Estado do Bem-Estar Social. No Brasil,
foi utilizado a partir dos anos 30.
 A pedra de toque de tal modelo residia no controle
do tempo e rendimento através da fixação do obreiro
em um ponto determinado na linha de produção,
com metas estipuladas a cumprir, pautada no
número de peças que deveriam ser produzidas em
determinado tempo.
33

 De fato, a determinação do binômio tempo x


meta visava justamente a otimizar o tempo,
o qual era justamente o objeto de alienação
pelo empresário.
 Defendia o norte-americano que, todo
problema poderia ser solucionado através da
organização e uso da tecnologia, com boa
gratificação aos empregados, justamente
para se evitar conflitos e desta feita,
aumentar a produtividade.
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 Detinha Taylor, a utopia de que o sistema


produtivo por ele criado valoriza os operários,
porquanto, teoricamente, seus salários
correspondiam à sua capacidade laborativa,
entretanto, era muito frio no tocante à ótica
humanista, pois certamente vislumbrava o
homem como uma máquina, ignorando,
portanto, os efeitos naturais da fadiga física,
psicológica, máxime em razão das condições de
trabalho, de cujo incentivo também não foi
estimulada ao desenvolvimento de forma
concreta, efetiva.
O FORDISMO
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 Mais adiante, após a Segunda Guerra


Mundial, as ideias preconizadas por Taylor
foram aperfeiçoadas por Henry Ford, o qual
teve, certamente, como cenário, o Estado do
Bem-Estar Social, protecionista e interventor
como já analisado alhures, dando início a um
novo paradigma de produção nos EUA,
precisamente nas fábricas de automóveis de
Detroit e certamente, acentuou o método
taylorista de divisão do trabalho, visando
integrar as fases do processo de .
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 De conseguinte, as indústrias passaram a se organizar


verticalmente de forma pesada e onerosa, porquanto
era responsável por todas as fases de produção,
máxime porque não poderia haver qualquer
desperdício.
 Certamente, a otimização do tempo de labor e o
incremento da produção teve como grande auxiliar a
implantação de “esteiras rolantes”, trazendo como
consequência o aumento da produção e diminuição do
tempo nela despendido, bem como o número de
trabalhadores nela constante, o que certamente,
aumentou mais ainda a alienação e exploração do
obreiro
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 Portanto, todo este contexto deságua no


aprisionamento do trabalhador a uma única função
dentro do ciclo produtivo industrial, sem qualquer
possibilidade de se proporcionar crescimento
profissional ou pessoal, pois bastava apenas saber
fazer a tarefa que lhe havia sido imposta, o que
certamente trouxe insatisfação à classe trabalhadora e
que, uma vez unidas, passaram a exigir uma conduta
mais proativa por parte do Estado, culminando no
advento da segunda dimensão dos direitos sociais,
como anteriormente explanado, através da qual o
Estado passou a intervir na vontade do patrão de
modo a amenizar este contexto
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 Ford, então, racionalizou as operações


realizadas pelos obreiros, visando evitar o
desperdício na produção, reduzindo o tempo
e aumentando o ritmo de trabalho, visando a
intensificação das formas de exploração.
 Este modelo, certamente, perdurou por todo
o Estado do Bem-Estar Social.
39

 No Fordismo, diferentemente do taylorismo


houve a segmentação das tarefas e de
conseguinte, um acréscimo no número dos
postos de trabalho face ao controle total da
produção verticalizada, parcelando o trabalho,
pois.
 Entretanto, com o declínio do Estado do Bem-
Estar Social na década de 1970, face à crise no
setor petrolífero, como já visto em linhas
remotas, este regime produtivo entrou em
decadência, dando azo ao Toyotismo, sob franca
perspectiva neoliberal; vejamos doravante.
40

 Com efeito, as fábricas, antes muito pesadas e com a


linha de produção verticalizada passaram, em
contraponto, a horizontalizar a produção, reduzindo
ao máximo o quadro de empregados fixos, pois que
focada na atividade principal da empresa.
 O modelo toyotista, portanto, desconcentra os
serviços não essenciais que recebe o nome de
downsizing, cujo foco principal é realmente na
atividade fim, criando, à sua volta, um círculo de
empresas que lhe fornecem meios para realização
das suas atividades acessórias, construindo, bem
assim, uma rede integrada de empresas prestando
serviços umas às outras.
41

 Destarte, a empresa torna-se mais leve,


competitiva, e consequentemente mais lucrativa,
já que expurgou todas as suas atividades tidas
como acessórias, delegando-as às empresas tidas
como parceiras, que passam a girar em torno do
eixo da atividade principal, com profissionais
especializados em cada área demandada e
criteriosamente necessária ao apoio deste eixo
central e que, por sua vez, recebe em seu seio
estes profissionais a vir, de acordo com o seu
próprio critério de demanda, auxiliar a produção
final de seus produtos ou serviços.
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 Aqui temos o fenômeno da acumulação flexível


da produção, já que as empresas, na ânsia de se
aperfeiçoarem nas atividades que desenvolvem,
bem como imprimirem diminuição de custos,
que, aliás, como já visto, tem sido uma
exigência do mercado tido como globalizado,
contratam outras empresas para, primeiramente
realizarem atividades inicialmente acessórias,
periféricas, e que paulatinamente vem sendo
redesenhada, muito proximamente da atividade
empresarial principal, tudo a ser desenvolvido
dentro ou fora de sua estrutura.
43

 Afinal, para Harvey, a “acumulação flexível, é


uma forma de capitalismo” e como tal, “é
orientado para o crescimento das taxas de
lucro”, o que certamente eclode através do
“trabalho vivo na produção”, ou seja, pela
“diferença entre o que o trabalho obtém e
aquilo que cria”, razão porque “o controle do
trabalho na produção e nos mercados é vital
para a perpetuação do capitalismo
O TOYOTISMO
44

 O toyotismo é o modo de gestão criado pelo


engenheiro Ohno, e foi implementado inicialmente
pela empresa Toyota, em seu processo produtivo de
veículos, pelo qual os japoneses foram pioneiros na
reestruturação produtiva com a finalidade precípua
de reduzir custos mediante técnicas operacionais
captadas de segmentos econômicos variados, pelo
que auferiram muitas vantagens financeiras na
disputa comercial com outras nações
industrializadas, e por natural despertou a cobiça
de diversos outros conglomerados empresariais.
45

 Via de consequência, não restou alternativa aos


concorrentes capitalistas de todos os continentes
que não a de adaptar os elementos fundantes do
toyotismo aos seus negócios industriais,
comerciais, financeiros e, de resto, aos serviços
em geral.
 Guarda quatro fases.
 Primeira: introdução, na indústria automobilística
japonesa, da experiência de ramo têxtil, dada
especialmente pela necessidade de o trabalhador
operar simultaneamente várias máquinas.
46

 Segunda: necessidade de a empresa responder à


crise financeira, aumentando a produção sem
aumentar o número de trabalhadores.
 Terceira: a importação das técnicas de gestão dos
supermercados dos EUA, que deram origem ao
kanban. Segundo os termos atribuídos a Toyoda,
presidente fundador da Toyota, “o ideal seria
produzir somente o necessário e fazê-lo no melhor
tempo”, baseando-se no modelo dos
supermercados, de reposição dos produtos somente
depois de sua venda.
47

 Segundo Coriat, o método kanban já existia


desde 1962, de modo generalizado, nas
partes essenciais da Toyota, embora o
toyotismo, como modelo mais geral, tenha
sua origem, a partir do pós-guerra. Quarta: a
expansão do método kanban para as
empresas subcontratadas e fornecedoras.
48

 A Toyota tornou-se ávida em práticas de terceirização,


e de conseguinte, obrigou às suas subcontratadas a
adotarem o sistema kanban em todas as unidades
produtivas, sob pena de quebra dos contratos.
 Em verdade, o termo Kanban acabou se tornando uma
qualidade de senha dada para a reposição de peças no
estoque, e parte integrante (instrumento ou
ferramenta) do just-in-time, sendo entendido como
rigoroso método de produção na hora certa para
atender à demanda diversificada, responsável,
portanto, por zerar estoques, enxugar etapas, eliminar
quaisquer desperdícios, incluindo outras formas
supostamente esclerosadas do processo produtivo.
49

 Como visto, o toyotismo preordena a sua produção


consoante à demanda, com franco e elevadíssimo
aproveitamento do tempo e eliminação de estoques,
justamente para atender um mercado variado ou
diversificado, heterogêneo e exigente. Demais disso,
prestigia o trabalho em equipe como pressuposto da
multifuncionalidade ou polivalência de cada
trabalhador, incansável em práticas e
desenvolvimento de programas de qualidade total e,
como se não bastasse, deságua parte considerável
deste processo às empresas subcontratadas
(terceirização), de quem é exigido acatamento ao
padrão aplicado no interior bastante enxuto da
empresa principal Ibidem, p. 32-34.
50

 Prestigia o trabalho em equipe como pressuposto da


multifuncionalidade ou polivalência de cada trabalhador,
incansável em práticas e desenvolvimento de programas
de qualidade total e, como se não bastasse, deságua
parte considerável deste processo às empresas
subcontratadas (terceirização), de quem é exigido
acatamento ao padrão aplicado no interior bastante
enxuto da empresa principal.
 Certamente, nada disso seria possível se, juntamente a
este processo, não se instituísse uma filosofia de modo a
tornar o diálogo mais leve entre as empresas e os
sindicatos, de modo a que todo este processo de
flexibilização da produção, como exposto, fosse realmente
instituído e operacionalizado entre as partes envolvidas.
51

 Seguidamente, o caminho constrói berço


esplêndido ao aumento da exploração da força
de trabalho com as jornadas extenuantes;
flexibilização dos fluxos e processos e dos
direitos trabalhistas; controle rigoroso exercido
pelos próprios colegas de trabalho da equipe
sobre o labor executado por integrante
individual; bem como a terceirização intensa
em todas as etapas do processo produtivo, o
que no Brasil já caminhou para a irrestrição de
atividade, como veremos logo mais adiante.
52

 Todo este cenário, sem laivo de dúvidas,


compromete a eficácia do verdadeiro
sindicalismo classista, pelo que o modelo
de gestão toyotista do processo
produtivo vai amortecendo, tempo a
tempo, o surgimento de lideranças
obreiras desafiadoras da ordem
empresarial vigente.
53

 Do estudo da terceirização realizado pela


doutrinadora Graça Druck decorre das seguintes
hipóteses:
  • a terceirização é o fenômeno que mais se difundiu nos
últimos anos, tanto na indústria quanto no setor de
serviços;
 • a terceirização passa a estar presente não apenas nas
atividades periféricas, mas
 também nas atividades centrais das empresas;
 • a terceirização é uma prática que acaba desintegrando
os movimentos coletivos de trabalho, que tornam-se
frágeis, em prol das ações corporativistas, gerando uma
concorrência entre os trabalhadores
No Brasil.
54

 Orlando Gomes e Elson Gottschalk afirmavam que


a história do Direito do Trabalho no Brasil era
dividida em 03 (três) fases: uma pré-histórica e
duas históricas.
 A primeira, que abrange o período de 1822
(Independência) a 1888 (abolição da escravatura).
 A segunda iniciou-se com a abolição da
escravatura e terminou com a Revolução de 1930.
 A terceira e última fase iniciou-se na Revolução de
1930 e estendeu-se ao longo de todo o século XX.
55

 Como é cediço, em 1943 foi aprovada a Consolidação


das Leis do Trabalho (CLT), pelo Decreto n° 5.452/43,
que, por sua vez, passou a resguardar o trabalhador
inserido em uma relação de emprego formal existente
no país e em nada cuidou do dito instituto, muito
embora alguns doutrinadores apontem que os arts.
455 e 652, III do vetusto texto normativo guardava o
seu prenúncio.
 Contudo, os primórdios da terceirização trabalhista em
nosso país remontam à década de 1960, muito embora
antes disso já se avistava a sua existência em razão da
chegada das multinacionais que na década anterior
aqui se instalaram, com destaque à indústria
automobilística
56

 De conseguinte, temos como primeiras


manifestações normativas os Decretos-lei 1.212 e
1.216, do ano de 1966, que cuidavam da
regulamentação dos serviços bancários prestados
por empresa interposta. Dois anos mais tarde,
houve a edição do Decreto-lei 756, o qual versava
sobre a regulamentação e funcionamento agencias
de colocação ou intermediação de mão-de-obra.
 Em 1969, houve o Decreto-lei 1.034, o qual impôs
adoção de medidas de segurança para o
funcionamento das casas bancárias.
57

Vê-se, pois que, a única terceirização


devidamente regulamentada era a bancária e
quanto aos demais, estes buscavam os
institutos de direito civil, o qual, em caráter
genérico, permite ao particular praticar atos
que não estejam vedados pela lei.
 No tocante à Administração Pública, o primeiro

diploma normativo a tratar da terceirização foi


o Decreto-lei n.º 200, do ano de 1967, cujo
texto tratava da descentralização das tarefas
meramente executivas no setor público.
58

 Mais à frente, veio a Lei n.º 5.645, de 1970, a


qual enumerou as atividades passíveis de
execução por empresas interpostas quanto à
Administração Pública.
 O rol foi inserido no parágrafo único do art. 3º,
cujo teor rezava que “As atividades relacionadas
com transporte, conservação, custódia, operação
de elevadores, limpeza e outras assemelhadas
serão, de preferência, objeto de execução
indireta, mediante contrato, de acôrdo com o
artigo 10, § 7º, do Decreto-lei número 200, de 25
de fevereiro de 1967.”
59

 No ano de 1974 foi editada a Lei nº 6.019/74, a


primeira a tratar sobre a terceirização na
economia privada, porquanto regulamentou o
trabalho temporário e dela trataremos mais
adiante, já com a reforma ocorrida no presente
ano.
 Adiante, no ano de 1983, veio a Lei nº
7.102/83, regulamentada pelo Decreto nº
89.056/83, a qual normatizou a terceirização
nos serviços de vigilância bancária e transporte
de valores, em caráter permanente.
60

 Nesse sentido, por certo tempo só era permitido


ao setor financeiro a contratação de empresas
prestadores para a realização das tarefas sob
comento.
 Entretanto, nos anos de 1994 e 1995, as Leis de
nº 8.863/94 e 9.017/95 trouxeram em seus bojos
a autorização para prestação de serviços,
contratados por empresas terceiras, de vigilância
patrimonial de pessoas físicas ou jurídicas para
transportes de quaisquer tipos de carga.
61

 Frise-se que estas leis foram promulgadas


após a edição da Súmula nº 331 do Colendo
Tribunal Superior do Trabalho, a qual
interpretou o instituto ampliativamente para
autorizar a terceirização das atividades de
vigilância e não mais apenas no setor
bancário, como preconizava a sua
antecessora, a Súmula nº 256. No tocante a
esta súmula, uma seção será dedicada a
estudá-la mais adiante.
62
 Por fim, atente-se para a Lei nº 8.949 de 1994, a qual inseriu
o parágrafo único ao artigo 442 da CLT, disciplinando a
ausência de vínculo empregatício entre as cooperativas e os
cooperados e entre esses e o tomador/contratante dos
serviços.
 Do exposto, resta cristalino que a regulamentação sobre o
instituto Terceirização, até este corrente ano, era esparsa e
ineficientes diante do cenário brasileiro, pois que ainda não
cuidava deste de modo integral, isto é de forma globalizada
e esta carência, certamente fez com que as empresas do
ramo crescessem de forma desordenada e de toda forma,
contribuindo à diminuição ou até mesmo aviltamento do
valor-trabalho, bem como do “patamar civilizatório mínimo”
defendido e alicerçado como premissa no Direito do
Trabalho, máxime pela própria Carta Magna de 1988
63

 Afinal, a terceirização desenvolvida às margens da


normatividade heterônoma, máxime em se
considerarmos que as normas e comandos
constitucionais são, certamente, esmiuçados por
normas infraconstitucionais, erigiu um caos jurídico
nestas relações terceirizadas, pois que fez
paulatinamente parecer que tudo, no particular,
poderia ser feito e implementado, o que muitas das
vezes entrou choque com a própria ordem
constitucional, pelo que a regulamentação
pretendida chegou em boa hora, ao menos para que
se estabeleça um marco zero nesta regulamentação
e correção face à ordem jurídico-constitucional