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Princípios da

Neurotransmissão
Química

Dra. Meiriélle Martins Meneghini


Psiquiatria
Neurotransmissão química
 A neurotransmissão química ocorre nas
sinapses, locais especializados que
conectam dois neurônios.

 Estes estão organizados para poder


enviar e receber informações sinápticas
de outros neurônios.
Enfoque anatômico

 Classicamente, o sistema nervoso central


é idealizado como uma série de conexões
sinápticas de “fios rígidos” entre os
neurônios, semelhantes a milhões de
linhas telefônicas dentro de milhares e
milhares de cabos.
 O cérebro, do ponto de vista anatômico,
seria um complexo diagrama de fios,
transmitindo impulsos elétricos para onde
quer que os “fios” estivessem conectados
(sinapse).
 Em um único cérebro humano, há
aproximadamente 100 bilhões de
neurônios que formam mais de 100
trilhões de sinapses.
 Os neurônios enviam impulsos elétricos
de uma parte à outra da mesma célula,
através de seus axônios, mas esses
impulsos elétricos não saltam diretamente
para outros neurônios.
 Os neurônios se comunicam por meio da
liberação do mensageiro químico, ou
neurotransmissor, para os receptores do
segundo neurônio.
 A comunicação entre os neurônios é,
portanto, química, e não elétrica.

 Ou seja, o impulso elétrico no primeiro


neurônio é convertido em sinal químico na
sinapse existente entre ele e o segundo
neurônio, em um processo denominado
neurotransmissão química.
 Isso ocorre predominantemente em uma
direção, a partir do terminal axônico pré-
sináptico, em direção a diversos locais do
segundo neurônio (pós-sináptico).
 É cada vez mais evidente que o neurônio
pós-sináptico também pode “dar retorno”
ao neurônio pré-sináptico mediante
mensageiros químicos.
 Portanto, o “exercício” mental pode
provocar alterações estruturais
progressivas na sinapse, que aumentam a
neurotransmissão local.
 A neurotransmissão também ocorre em
“baforadas” químicas.

 O cérebro é, portanto, não apenas uma


coleção de fios, mas também uma
sofisticada “sopa química”.
 Esse enfoque do sistema nervoso é
particularmente importante na
compreensão das ações das drogas que
atuam em diversos receptores de
neurotransmissores.
 O neurotransmissor liberado do neurônio pré-
sináptico é considerado como primeiro
mensageiro.

 Ele se liga a seu receptor e o neurotransmissor


ligado provoca a fabricação do segundo
mensageiro pelo sistema efetor.
 O segundo mensageiro está dentro da
célula do neurônio pós-sináptico.

 É este segundo mensageiro que então


cria ações celulares e efeitos biológicos.
 Exemplos disso são o neurônio iniciando a
síntese de produto químico por meio da
modificação de sua freqüência de
disparos.

 Assim, a informação do neurônio pré-


sináptico é transmitida ao neurônio pós-
sináptico através de uma cadeia de
eventos.
 É dessa forma que imaginamos o cérebro
realizando seu trabalho (pensando,
lembrando, controlando movimentos,
etc…), mediante a síntese de substâncias
químicas cerebrais e o disparo dos seus
neurônios.
 O neurotransmissor atua como chave que
se encaixa na fechadura do receptor de
forma muito seletiva.
Neurotransmissores múltiplos
 O número de neurotransmissores conhecidos já
beira várias dúzias.

 Com base em considerações teóricas sobre a


quantidade de material genético dos neurônios,
pode haver várias centenas ou milhares de
substâncias químicas no cérebro.
 Nos últimos anos, o número de
neurotransmissores que estão sendo
descobertos é crescente.

 Os neurotransmissores clássicos são


aminas ou aminoácidos de peso molecular
relativamente pequeno.
Neurotransmissores cerebrais
 Aminas
1. Serotonina
2. Dopamina
3. Noradrenalina
4. Adrenalina
5. Acetilcolina
6. Melatonina
7. Histamina
Neurotransmissores cerebrais
 Aminoácidos
1. Ácido gama-aminobutírico (GABA)
2. Glutamato
3. Aspartato
4. Gama-hidroxibutirato
Neurotransmissores cerebrais
 Peptídeos hipofisários ( ocitocina, prolactina,
GH)
 Hormônios circulantes ( insulina, glucagon)
 Hormônios hipotalâmico-liberadores
(somatostatina)
 Peptídeos opióides ( dinorfina)
 Neurotransmissor lipídico ( anandamida)
Neurotransmissor Funções
Acetilcolina Controle motor sobre os músculos
Aprender, memorizar, dormir e sonhar
Monoaminas
Noradrenalina Excitação e vigilância
Comportamento de comer
Dopamina Recompensa e motivação
Controle motor sobre os movimentos voluntários
Serotonina Estados mentais e impulsividade
Sonhar
Aminoácidos
GABA Inibição de potenciais de ação
Ansiedade e intoxicação
Glutamato Intensifica os potenciais de ação
Aprendizagem e memória
Peptídeos moduladores
CCK Aprendizagem e memória
Saciedade
Endorfinas Redução da dor
Recompensa
Substância P Percepção da dor
 Alguns neurotransmissores naturais
podem ser similares às drogas que
utilizamos.

 Por exemplo, sabe-se que o cérebro


fabrica sua própria morfina (beta-
endorfina) e sua própria maconha
(anandamida).
 O cérebro pode até mesmo fabricar seus
próprios antidepressivos, seus próprios
ansiolíticos e seus próprios alucinógenos.

 As substâncias químicas com freqüência


simulam os neurotransmissores naturais.
 O objetivo da neurotransmissão química é
alterar a função dos neurônios-alvo pós-
sináptico.

 Os elementos genéticos contêm toda a


informação necessária para sintetizar as
proteínas que constroem as estruturas que
medeiam as funções especializadas dos
neurônios.
 Assim, se a neurotransmissão química ativa os
genes adequados, podem ocorrer todos os tipos
de alterações na célula pós-sináptica.

 Essas alterações incluem formação,


fortalecimento ou destruição de sinapses, rápido
crescimento de axônios e síntese de diversas
proteínas, enzimas e receptores que regulam a
neurotransmissão na célula-alvo.
 Se essas alterações na expressão gênica
levam a alterações nas conexões e nas
funções que tais conexões realizam, é
fácil compreender como os genes podem
modificar o comportamento.
 Os detalhes do funcionamento dos
neurônios e, portanto, o comportamento
ocasionado por esse funcionamento do
sistema nervoso são controlados pelos
genes e pelos produtos que produzem.

 Como os processos mentais e o


comportamento que ocasionam advêm das
conexões entre os neurônios cerebrais, os
genes controlam o comportamento de
forma significativa.
 Por outro lado, pode o comportamento
modificar os genes???
 O aprendizado e as experiências
ambientais podem de fato alterar os genes
que serão expressos, e, portanto podem
originar alterações nas conexões
neuronais.
 Dessa forma, experiências humanas,
educação e até mesmo psicoterapia
podem modificar a expressão de genes
que alteram a distribuição e a “força” de
conexões sinápticas específicas.
 Isso, por sua vez, pode ocasionar
alterações persistentes no comportamento
causado pela experiência original e
mediado pelas alterações genéticas.
 Assim, os genes modificam o
comportamento e o comportamento
modifica os genes.
Neurodesenvolvimento e
plasticidade neuronal

 Os conhecimentos sobre o
desenvolvimento cerebral do ser humano
estão aumentando com grande rapidez.
 A maioria dos neurônios é formada ao final
do segundo trimestre da vida pré-natal.

 A migração neuronal tem início algumas


semanas após a concepção e está quase
completa ao nascimento.
 Portanto, o desenvolvimento do cérebro
humano é mais dinâmico antes do
nascimento do que durante a idade adulta
e o volume cerebral tem 95% do seu
tamanho adulto aos 5 anos de idade.
 Por outro lado, vários processos que
afetam a estrutura cerebral persistem
durante a vida.

 A mielinização das fibras axônicas e


ramificações (ou arborização) dos
neurônios em suas estruturas em forma de
árvore continua pelo menos durante a
adolescência.
Neuroplasticidade
 Assim, tanto o neurônio quanto suas
sinapses são bastante “plásticos”,
modificáveis e maleáveis.

 Periodicamente durante o ciclo de vida e


em determinadas condições, os neurônios
se destroem, como se cometessem um
tipo de suicídio, denominado apoptose.
 De fato, até 90% dos neurônios formados
pelo cérebro durante a vida fetal cometem
suicídio apoptótico após o nascimento.

 Como o cérebro humano adulto contém


aproximadamente 100 bilhões de neurônios,
talvez sejam formados inicialmente 1 trilhão
e, entre a concepção e o nascimento,
centenas de bilhões sejam apoptoticamente
destruídos.
Como os neurônios se destroem?
 A apoptose está programada no genoma
de diversas células, incluindo neurônios e,
quando é ativada, causa a autodestruição
da célula.

 A apoptose é como um evanescimento.

 As células apoptóticas murcham.


Por que deveria um neurônio
cometer suicídio celular?
 Se o neurônio ou seu DNA é danificado
por vírus ou toxina, a apoptose destrói e
remove silenciosamente esses genes
doentes, o que pode servir para proteger
os neurônios saudáveis circundantes.
 Mais importante, a apoptose parece ser
parte natural do desenvolvimento do SNC
imaturo.

 Aparentemente, há sobrevivência dos mais


adaptados porque 50 a 90% de muitos
tipos de neurônios normalmente morrem
nesse momento de maturação cerebral.
 A apoptose é o mecanismo natural que
elimina os neurônios indesejáveis sem
causar tanta complicação para o nosso
cérebro.
 O cérebro parece, em parte, escolher
quais neurônios que vão viver ou morrer,
determinando se um fator neurotrófico irá
nutri-los ou sufocá-los até a morte.
 Talvez o conceito de “use-o ou perca-o”
possa ser aplicado aos neurônios adultos,
com os neurônios sendo preservados e
novas conexões sendo formadas se o
cérebro for mantido ativo.
 É até mesmo possível que o cérebro
possa perder sua “força” na ausência de
exercício mental.

 A inatividade talvez leve à poda de


sinapses não utilizadas, “enferrujadas”,
desencadeando até mesmo a destruição
apoptótica de neurônios inativos inteiros.
 Por outro lado, a estimulação mental pode
evitar isso e a psicoterapia pode até
mesmo induzir a preservação de células
essenciais e a inervação de novos alvos
terapêuticos por meio dos fatores
neurotróficos para alterar emoções e
comportamentos.
Fim
Obrigada!!!
mmmeneghini@hotmail.com

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