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Sistemática Vegetal: Sistemas de

classificação

Professora: Dra. Maria Tereza Faria


A Sistemática consiste de quatro
elementos básicos:
 Descrição,
 Identificação,
 Nomenclatura
 e Classificação.

A classificação consiste na ordenação das plantas


em níveis hierárquicos de acordo com suas
características (atualmente, de acordo com as
relações filogenéticas).

Lovo et al., 2016


“um nível hierárquico mais inclusivo (mais abrangente) incluirá níveis
menos inclusivos (menos abrangentes) e suas respectivas
características.”

Figura 1. Níveis hierárquicos das categorias taxonômicas


Lovo et al., 2016
é a ordenação das plantas de maneira hierárquica, ou seja, em um
táxon; cada espécie é classificada como membro de um gênero, cada
gênero pertence a uma família, e assim sucessivamente.

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Sistemática e Taxonomia -
Um breve histórico
Um breve histórico....

Sistemática Vegetal tem início na


Antiguidade....

 Tentou criar um sistema de classificação presença ou


ausência da estrutura floral

Aristóteles (384 a.C. - 322 a.C)


 Desde Aristóteles até o presente momento podemos
dividir a História da Sistemática vegetal em 6 fases.

1º Fase. Classificações Antigas:


Theophrastus (372 a 287 a.C.): “Pai da Botânica”

 clássicas-criação de grupos baseados no hábito e no tipo


de inflorescência;

 descreveu ca. 500 plantas;

 De Historia plantarum: gêneros Daucus e Narcissus

 Pedanios Dioscorides (1º século d.C.):


 Materia Medica
 ca. 600 plantas de interesse medicinal
 Obra de referência durante 16 séculos !
2° Fase. Herbalista: Durante a idade média foram os
médicos que deram uma ampla contribuição aos estudos
dos vegetais
“(aquele que conhece as plantas medicinais”

 Foi durante o Renascimento (séc. XVI), momento em


que a originalidade passou a ser uma "virtude", que se
começaram a escrever novos trabalhos de
classificação, divulgados rapidamente graças à
invenção da Imprensa na Europa.

 Nesse momento da história, surgem ilustrações e


descrições que facilitam as identificações das plantas,
essas informações eram feitas apontando as
propriedades medicinais que elas possuíam.
Lovo et al., 2016
“A maioria dos trabalhos incorporavam muito de mito e de
superstição; época em que se pensava que as plantas tinham sido
oferecidas pelo Criador ao Homem, para que este aproveitasse as
suas virtudes.”
3º fase. Sistemas artificiais.

“Momento em que surgem os primeiros taxonomistas,


nesse período a classificação busca agrupar as plantas
por “afinidades naturais”, sem a preocupação de reuni-
las por relação de parentesco.”

“As plantas eram classificadas com base em poucos


caracteres, avaliando a ausência ou presença de
determinadas características morfológicas e
considerando sua similaridade.”

 A caminho do séc. XVII as plantas começaram a


ser objeto de estudo, por parte de muitos
autores, mais pelo seu valor intrínseco do que
pelo seu valor nutritivo ou medicinal.
A. Caesalpino (1509-1603) -
"primeiro taxonomista" : "De
Plantis"(1583);

 classificou cerca de 1500


espécies;
 hábito e caracteres do fruto e
semente;

 caracteres florais
 Seu sistema de
classificação, baseado na
forma das corolas. Foi um
dos primeiros a dar uma
definição à categoria de
gênero.
 Muitos dos nomes genéricos
por ele criados são usado
ainda hoje, como, por
exemplo, Salix, Populos,
Betua, Lathyrus, Acer,
Verbena etc.
Joseph Pitton de
Tournefort (1656-1708)

 Na já mencionada obra,
classificou cerca de 9000
espécies, agrupadas em 698
gêneros e 22 classes
4ª fase: Lineu e seus discípulos
5º Fase. Sistemas Naturais:

Tempo de oposição às doutrinas religiosas, ocorre


no final do século XVIII.

As plantas ainda eram classificadas de forma


comparativa, porém os naturalistas levavam em conta um
maior número de informações, essencialmente do
conhecimento acumulado sobre morfologia vegetal.
 Assim, e de uma forma gradual, abandonou-se:
 (1) o uso de um único caráter para classificar plantas
e
 (2) a seleção (escolha) de caracteres baseada em
teorias, em favor da prática e da experimentação.

As classificações passaram a tentar refletir relações


naturais e que, simultaneamente, pudessem ser usadas na
identificação
 Em 1763 Antoine-Laurent de Jussieu
inicia uma colaboração com o seu tio
Bernard, e começa a trabalhar no
agrupamento natural das plantas do
referido jardim.

 Em 1789, em plena Revolução Francesa,


publica o seu "Genera plantarum
secundum ordines naturales disposita",
uma obra baseada na experiência
adquirida nos seus trabalhos, no jardim
de Versailles.

 Nesta obra, Antoine reconhece 100


ordens de plantas (hoje Famílias) e divide
o reino vegetal em três grupos: Antoine Laurent de Jussieu (1748–1836)
 Acotyledones (criptogâmicas e algumas
monocotiledóneas não correctamente
atribuídas), Monocotyledones
(Monocotiledóneas) e Dicotyledones
(Dicotiledóneas e Gimnospérmicas).

 A única classificação que pode ser


atribuída a este trabalho é a de
excelente, dado que nele se reconhecem
os grupos atualmente aceites e os seus
caracteres;

 O sistema de Jussieu era muito


superior ao sistema artificial de Lineu
e foi fundamental para se caminhar no
sentido das classificações naturais
atuais.
6ªfase -5º Sistemas evolutivos
(sistemática evolutiva):
“Com o advento do evolucionismo no século XIX, a publicação
de Origem das Espécies de Darwin direciona a sistemática
para a compreensão das relações entre os grupos, modificando
o cenário das classificações hierárquicas e passando a buscar
as relações evolutivas dos organismos.

“Nessa fase surge a escola Gradista, que apesar de


ser baseada em conceitos evolutivos, não apresenta
uma base metodológica com inferência empírica.
Eduard Adolf Strasburger (1844 –1912)
Alfred Russel Wallace x Charles Darwin

EVOLUÇÃO!!

Darwin percebeu que os organismos estão relacionados entre si em uma ramificada árvore
da vida e concebeu o processo que poderia dar origem a este padrão.
SELEÇÃO NATURAL
Sistemas de classificação contemporâneos
Caracteres anatômicos, endosperma, química,
morfologia órgãos reprodutores, etc.

Arthur Cronquist (1919-1992):


-An integrated system of
classification of flowering
plants(1981)
Willi Hennig (entomologista)
1950: elaborou a cladística
Sistemática Molecular

 Com o avanço das técnicas de Biologia


Molecular, surgiu a Filogenia Molecular.

 A aplicação desses métodos logo levou ao


desenvolvimento de medidas de distância
genética e de montagem de árvores que
expressassem as diferenças observadas nos
organismos.
The Angiosperm Phylogeny Group
(1998, 2003, 2009, 2016)
BASE DE DADOS
•Morfologia
•Sequências de rRNA (genes 18S –1800bp-e
26S –3300bp)
•Sequênciasde rbcL (codifica uma grande
subunidade –1428pb -da enzima fotossintética
RuBisCo)
•Sequênciasde atpB (codifica a subunidade
beta da ATP sintetase)
Luto