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 Como o congelamento de gastos poderá afetar a saúde


pública brasileira nos próximos anos?

 Para avaliar esses efeitos buscou-se mostrar um debate que


vai além das variáveis de equilíbrio fiscal envolvidas nas
políticas de ajuste.

 foram analisadas as justificativas teóricas para o ajuste


observadas no documento referente a PEC 241. Também
foram consultados trabalhos de autores de diferentes
orientações ideológicas. Adicionalmente, buscou-se
analisar dados relativos a indicadores fiscais e projeções da
composição populacional brasileira nos próximos anos
 Diante um diagnóstico de alta inflação, baixo crescimento e
dificuldades externas surge a proposta de ajuste fiscal.

 O ajuste fiscal é consolidado como uma orientação voltada a


queda no nível do gasto público, alcançado principalmente
por meio da redução da participação do Estado na
economia. (PAULANI e BRAGA, 2007, p. 241).
 Ajuste Fiscal Equilíbrio das contas públicas = aumento da
confiança de investidores em relação à estabilidade econômica

 O resultado seria a elevação no nível de investimentos e


retomada do crescimento econômico ( GOBETTI, 2015)

 Há controvérsias
 Resultado Nominal (NFSP) = Receitas - Despesas do período
(inclui a diferença entre ganhos e despesas financeiras, ou seja, o
recebimento e pagamento de juros)

Despesas Financeiras (exemplos) = juros e amortizações da dívida pública

Resultado operacional = Resultado


Res Nominal – Correção
monetária

Resultado primário = resultado nominal - juros nominais.


Res
 Déficit publico (variável fluxo)

 Dívida Pública (variável estoque)

 Déficit Publico contribui para aumentar a dívida pública

Resultado primário = Receitas – despesas do governo ( descontando


Res
os juros)

Como não considera os encargos financeiros da dívida


pública (juros), seu resultado positivo (denominado superávit
primário) demonstra o esforço do governo para reservar
recursos destinados ao pagamento dos juros da dívida pública
(BANCO CENTRAL DO BRASIL, 2016
 Quais seriam os efeitos do déficit primário para a
economia?

 Por que eles são tão indesejáveis?

 Déficit primário no período contribui para a


elevação da dívida pública

 Fontes de financiamento do Governo = emissão de


moeda ou emissão de títulos da dívida pública
 A disponibilidade de agentes que desejam adquirir títulos
depende do prazo de resgate e do nível de juros que eles
oferecem como remuneração. Por outro lado, quando o nível de
endividamento do governo alcança patamares muito altos, podem
surgir dúvidas em relação a capacidade do governo para o
pagamento desses títulos. (PAULANI e BRAGA, 2007, p.241).
Dívida Pública /
País PIB %

Japão 222,20

Grécia 179,40

Líbano 146,60

Itália 132,50

Portugal 130,40
Canada 99,40
Espanha 99,40
França 96,40
Reino Unido 89,30
União Européia 86,80
Áustria 84,60
Estados Unidos 76,50
Brasil 69,90

Alemanha 69,90
Fonte: The World Factbook, 2016
 O que classificaria uma situação na qual o tamanho da
dívida pública se constituísse em um problema?

 Dificuldade em gerar superávits primários podem


indicar para o mercado a incapacidade do governo em
pagar esses títulos (PAULANI e Braga, 2007)

 Maior desconfiança = + maior juros e -- prazo

 Esse mecanismo ( do mal ) contribui para elevar o


déficit e consequentemente, a dívida pública
 Ajuste fiscal ou redução natural de receitas?

 Observou-se que os períodos de ajuste, foram seguidos


frequentemente, por retração ao invés de expansão
econômica (OSTRY, LOUNGANI e FURCERI, 2016)

 “Em média, na consolidação de 1% do PIB, a taxa de


desemprego de longo prazo sofre elevação de 0,6%. Além
disso, o ajuste representa um impacto negativo para a
redução da desigualdade de renda, aumentando o índice de
Gini em cerca de 1,5% no período de cinco anos (Ball etc.
al, 2013 apud. OSTRY, LOUNGANI e FURCERI, 2016)
 Segundo esses autores os benefícios gerados pelas medidas
de austeridade fiscal podem não ser tão significativos
quanto se espera

 Já a intensidade de seus impactos negativos no curto prazo


(redução do nível de produto e emprego), é subestimada.
 PEC 241 - Congelamento das despesas primárias pelos próximos
20 anos

 Impédira a despesa de crescer toda a vez que a receita cresce (


em periodos de expansão economina) elevando os gastos de
superávit primário

 Corrigida pelo IPCA


 O direcionamento de recursos ao Sistema Uníco de Saúde
deve ser suficiente para garantir os principios da
universalidade, integralidade e igualdade no acesso de
serviços , previstos originalmente na Constituição (VIEIRA e
BENEVIDES, 2016, p.4).

 Preocupações que ganham mais relevância quando se


considera que o Brasil aplica, efetivamente, menos de 4%
do seu Produto Interno Bruto (PIB) em saúde, enquanto
parâmetros internacionais apontam pelo menos 7%
(FUNCIA, 2015)
 Não considera a transição demográfica já prevista, assim
como aelevação de despesas decorrentes do
envelhecimento da população. (VIEIRA E BENEVIDES,
2016)

 Segundo Vieira a Benevides (2016) a escassez de recursos


provocara o aumento da judicialização da saúde, elevando a
desigualdade de acesso dentro do sistema público

 Aumentara as desigualdades regionais em cidades mais


pobres que dependem mais do repasses do Governo
federal para a saúde
Gráfico 2- Composição da população por faixa etária – projeções
2016 e 2036, percentual do total
 Gráfico 3 – Gasto médio por internação, exceto partos, por
faixa etária. Brasil, 2015.
 “quando um indivíduo fere mortalmente alguém, o seu ato é
chamado de assassinato; mas quando a sociedade coloca
centenas de pessoas em tal situação que por não poderem
sobreviver adequadamente, morrem prematuramente e
ainda permite que estas condições assim permaneçam, isto
também é assassinato. Entretanto ninguém pode ver o
assassino porque a morte parece natural”.

 (Engels 1973 apud prata 1994)


 Muito além de indicadores fiscais de equilibrio, as políticas
econômicas podem afetar a dignidade e a qualidade de
vida da população. Em uma situação vulnerabilidade, muitos
brasileiros tem no SUS a única oportunidade de acesso a
saúde. No entanto, ao analisar as medidas da PEC 241, pode-
se questionar por que a projeção de queda do bem-estar da
populaçao e da quantidade de vidas que poderão ser
perdidas não é considerada no processo de formulação
dessas políticas.
 Ao se observar a perda real de recursos prevista para a
saúde nos proximos anos, deve ser considerado que o valor
a ser pago pelo ajuste se mostra superior aos níveis
expressos na relação dívida pública/PIB. Nesse sentido,
talvez a observação mais sensata em relação aos reais
reflexos de medidas austeras como a PEC241 seja dada por
David Stuckler e Sanjay Basu na afirmação de que: “O preço
da austeridade está calculado em vidas humanas. E esssas
vidas que foram perdidas não vão retornar quando o
mercado de ações voltar a reagir.” (STUCKEL e BASU, 2013,
tradução nossa).