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TDAH

Dificuldades de Aprendizagem
Greice Kely S. Bazani
Jéssica S. dos Santos
Morgana V. Sartor
Rafael de Souza Gabriel
INTRODUÇÃO
Este trabalho possui como objetivo apresentar os conceitos de
dificuldades de aprendizagem com o foco no Transtorno de déficit
de atenção e hiperatividade e suas características mostrando o
papel do psicólogo diante desse desafio.

Quando os astronautas foram à Lua/


Que coincidência, eu também estava lá/
Fugindo de casa, do barulho da rua/
Pra recompor meu mundo bem devagar/
Que lugar mais silencioso/
Eu poderia no universo encontrar/
Que não fossem os desertos da Lua/
Pra recompor meu mundo bem devagar
“No Mundo da Lua” (Biquini Cavadão)
DIFICULDADES DE
APRENDIZAGEM
DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM

“Dificuldades de aprendizagem” é um termo genérico que


diz respeito a um grupo heterogêneo de desordens
manifestadas por problemas significativos na aquisição e
uso das capacidades de escuta, fala, leitura, escrita,
raciocínio ou matemáticas. Estas desordens,
presumivelmente devidas a uma disfunção do sistema
nervoso central, são intrínsecas ao indivíduo e podem
ocorrer durante toda a sua vida. (NJCLD, 1994, p. 61-64).
DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM
De acordo com Correia (2005) as dificuldades de aprendizagem específicas dizem respeito à
forma como um indivíduo processa a informação – a recebe, a integra, a retém e a exprime
–, tendo em conta as suas capacidades e o conjunto das suas realizações.

As dificuldades de aprendizagem específicas podem, assim, manifestar-se nas áreas da fala,


da leitura, da escrita, da matemática e/ou da resolução de problemas, envolvendo déficits
que implicam problemas de memória, perceptivos, motores, de linguagem, de pensamento
e/ou metacognitivos, são privações que não resultam de deficiências mas podem ocorrer
junto à elas.
DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM
Segundo Corinne Smith e Lisa Strick, (2001), “o termo dificuldades de aprendizagem refere-se
não a um único distúrbio, mas a uma ampla gama de problemas que podem afetar
qualquer área do desempenho acadêmico”.

As crianças com dificuldades de aprendizagem, sofrem de uma combinação infeliz: não


apenas suas fraquezas são mais pronunciadas que o normal, mas elas também estão
naquelas áreas que mais tendem a interferir na aquisição de habilidades, de forma que
influenciam a conduta em casa e os relacionamentos sociais e familiares, bem como o
desempenho escolar. Grande parte do comportamento que parece descuidado (como
uma dificuldade para ser pontual, perder as coisas ou o fracasso crônico para completar
tarefas) pode estar relacionado, em parte, com os problemas de aprendizagem da criança.
TIPOS BÁSICOS DE DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM

• TDAH
• Deficiência da Percepção Visual (leitura, escrita, matemática)
• Deficiência do Processamento da linguagem
• Deficiências motoras finas
TRANSTORNO DE DÉFICIT
DE ATENÇÃO COM
HIPERATIVIDADE
TDAH
De acordo com a Associação Brasileira do Déficit de Atenção –
ABDA (2014), o Transtorno do Déficit de Atenção com
Hiperatividade é um transtorno neurobiológico, de causas
genéticas, que aparece na infância e freqüentemente
acompanha o indivíduo por toda a sua vida. Ele se caracteriza
por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade.

Ocorre em 3 a 5% das crianças, em várias regiões


diferentes do mundo em que já foi pesquisado. Em mais da
metade dos casos o transtorno acompanha o indivíduo na
vida adulta, embora os sintomas de inquietude sejam mais
brandos.
TDAH

Alguns pesquisadores, como Russel Barkley da Universidade de Massachusetts,


acreditam que o TDAH caracteriza-se por um problema em determinadas áreas do
cérebro responsáveis em comandar uma espécie de ̈freio de inibição ̈(ROHDE, p.54,
1999, apud VASCONCELOS). A disfunção seria numa área cerebral conhecida com o
região orbital frontal.
TDAH

Segundo Rohde (1999, apud VASCONCELOS), a maioria das pesquisas demonstram


que substâncias encontradas no cérebro chamadas de neurotransmissores ̈que
passam a informação ̈ estão deficitários nesta área. O diagnóstico em crianças
pequenas é muito minucioso, porém, há como observar algumas características
presentes com mais frequência em pessoas com TDAH: erros por descuido,
desatenção, desorganização, falar compulsivamente ou ainda estar sempre mexendo
os pés ou as mãos.
TDAH

Segundo Rohde (1999, apud VASCONCELOS), o diagnóstico de TDAH é puramente


clínico no qual o diagnóstico definitivo só pode ser dado por um profissional da área de
saúde mental. Uma das etapas do diagnóstico é um questionário denominado SNAP-IV e
foi construído a partir dos sintomas do manual de diagnóstico e estatística – IV Edição
(DSM-IV) da Associação Americana Psiquiátrica. Para que o aluno com TDAH seja
diagnosticado como tal, deve apresentar sintomas em mais de um ambiente.
TDAH
Segundo Silva (2009), em “Mentes Inquietas” O TDAH se caracteriza por três sintomas
básicos: desatenção, impulsividade e hiperatividade física e mental. Costuma se
manifestar ainda na infância e em cerca de 70% dos casos o transtorno continua na vida
adulta.

Acomete ambos os sexos, independentemente do grau de escolaridade, situação


socioeconômica ou nível cultural, o que pode resultar em sérios prejuízos na qualidade de
vida das pessoas que o têm, caso não sejam diagnosticadas e orientadas precocemente.
TDAH
De acordo com Salvador (2007), no decorrer do ano letivo é possível acompanhar e observar o
desenvolvimento de alunos em diferentes situações, em crianças hiperativas a atividade
corporal é excessiva e desorganizada, sem um objetivo concreto.

O professores devem estar bem capacitados e habilitados para que não possam ser causa de
danos a nenhum desses e seus alunos, por isso a necessidade de conhecerem os sintomas e
aprender a lidar.

Na maioria das vezes crianças com TDAH, são conhecidos como “pestinhas” por uma falta de
conhecimento e habilidade do professor em saber reconhecer este transtorno por causa de sua
própria formação que as vezes não oferecem recursos suficientes para reconhecimento dos
mesmos.
TDAH
Comportamento de crianças com TDAH em sala de aula:
.
Se comportam de forma desinquieta;

Nunca termina as tarefas solicitadas;

Sai da sala sem pedir licença;

Arranca brinquedos de colegas, e as vezes são


até agressivos.

A hiperatividade fica mais evidente no período escolar,


quando é preciso aumentar o nível de concentração para
aprender, neste caso a observação de pais e professores
são muito importantes pois o diagnostico clinico
acontecerá através do relatos dos mesmos.
TDAH

O sucesso na sala de aula exige


que aja intervenção, um processo
cujo quais os professores não
estão preparados e que por vezes
se tornam mais difíceis de fazer,
pois salas regulares têm um
numero de alunos muito altos.
Para os pais a aceitação do
diagnostico é estar um passo
sempre à frente, reconhecendo
as necessidades de seu filho.

SALVADOR, 2007
TDAH
É preciso proporcionar estrutura, organização e constância, evitar colocar a criança perto de
outras crianças que a provoquem, encorajar freqüentemente, elogiar e ser afetuoso. Dar
responsabilidades que elas possam cumprir também ajuda para que se sintam necessárias e
valorizadas, começando por tarefas simples e gradualmente mudar para as mais complexas,
proporcionar trabalhos de aprendizagens em grupos pequenos, outro ponto é ir devagar com as
tarefas.

Não esperar que o aluno se concentre em uma única atividade em toda a aula, recompensar
comportamentos bem sucedidos, e bem planejados, colocar limites claros e objetivos, disciplina e
avaliação freqüente, para que se ajude a desenvolver um comportamento adequado.
Desenvolver atividades que se utilize de apelos sensoriais, como som, visão e tato.

SALVADOR, 2007
CARACTERÍSTICAS
Seis ou mais sintomas de qualquer das listas a seguir sugerem a presença do transtorno:

Desatenção: Hiperatividade e Impulsividade:

• com freqüência deixa de prestar atenção a • com freqüência, retorce as mãos e os pés,
detalhes ou comete erros por descuido em remexendo-se na cadeira;
atividades escolares, de trabalho ou outras; • com freqüência, deixa a cadeira na sala de aula
• com freqüência, tem dificuldades para manter ou em outras situações nas quais se espera que
a atenção em tarefas ou atividades lúdicas; permaneça sentado (como à mesa de jantar);
• com freqüência parece não escutar, quando • corre e sobe demasiadamente nos objetos em
lhe dirigem a palavra; situações nas quais isso é impróprio;
• com freqüência, não segue instruções e não • tem grande dificuldade para brincar em silêncio;
termina seus deveres escolares e tarefas • com freqüência, está “a mil” ou age como se
domésticas; “impulsionada por um motor”;
• com freqüência, tem dificuldade para organizar • fala excessivamente;
tarefas e atividades; • com freqüência, dá respostas precipitadas antes
• com freqüência, reluta em envolver-se em de as questões terem sido completadas;
tarefas ou atividades ou evita-as (por exemplo, • com freqüência, tem dificuldade em esperar sua
tarefas escolares ou deveres de casa); vez
• com freqüência, perde coisas (como • com freqüência, interrompe ou intromete-se nos
brinquedos, tarefas de casa, livros e lápis); assuntos de outros (intromete-se
• distrai-se facilmente com visões e sons em conversas ou brincadeiras).
irrelevantes;
• com freqüência, apresenta esquecimento em
tarefas diárias;

Adaptado de Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, Quarta Edição (1994). Washington, DC. American Psychiatric Association.
PAPEL DO PSICÓLOGO ESCOLAR
Além do diagnóstico diferencial, fazer o reconhecimento do tipo de TDAH se torna
fundamental já que o profissional poderá conduzir o caso, propondo estratégias e
trabalhando de acordo com as necessidades da criança/adolescente.

A psicoterapia é indicada no tratamento e tem o seu papel no desenvolvimento de


habilidades necessárias à criança/adolescente com TDAH, assim como a
psicopeagogia.

Segundo Baldez e Silva (2009), o profissional pode orientar o professor dando-lhe instruções para ser
desenvolvidas em sala de aula.

O acompanhamento psicológico é importante já que auxilia no trabalho, atuando diretamente


sobre a dificuldade escolar apresentada pelo aluno, suprindo a defasagem, reforçando o conteúdo,
possibilitando condições para que novas aprendizagens ocorram (BENCZIK, 2000).

BALDEZ e SILVA, 2009


POLÊMICA: USO DE RITALINA
Para tratamento do TDAH, além do acompanhamento psicológico, também é utilizada
medicação à base de metilfenidato, substância química estimulante. Aqui no Brasil, a única
medicação com essa substância é a ritalina, da farmacêutica Novartis.

Os estimulantes presentes no medicamento aumentam a liberação de dopamina em


determinados circuitos do sistema nervoso central, ajudando a corrigir o funcionamento
deficitário e auxiliando no controle da hiperatividade.

Existem muitas controvérsias sobre as consequências que esse medicamento pode trazer ao
paciente em longo prazo. A principal queixa a respeito do medicamento é que, por se tratar de
um psicoestimulante, pode acabar viciando.
POLÊMICA: USO DE RITALINA
Os maiores problemas relacionados ao uso de ritalina estão no uso incorreto e no descuido no
diagnóstico. Geralmente, psiquiatras e professores partem de uma análise estereotipada, baseada
no senso comum: se é inquieto, tem TDAH; se é distraído, também.

E um dado chama atenção para os possíveis diagnósticos errados: a explosão de vendas do


medicamento. O Brasil é o segundo maior consumidor de metilfenidato do mundo, perdendo
apenas para os Estados Unidos. Entretanto, é válido lembrar que a ritalina é o único medicamento
para tratamento de TDAH comercializado no território brasileiro, o que contribui com o grande
consumo no País.

Mas alguns psicólogos acreditam que o aumento no consumo é reflexo de uma política de
medicalização. A psicóloga Roseli Caldas afirma que tais vendas espelham uma sociedade
imediatista, que busca nos remédios resultados rápidos e eficientes.
POLÊMICA: USO DE RITALINA

Recentemente, o Conselho
Federal de Psicologia lançou
uma campanha com o
seguinte slogan: “Se você
acha que seu filho está muito
arteiro, fique calmo. Ele está
apenas sendo criança, não
tem TDAH”.
PERSONALIDADES COM SUPOSTO FUNCIONAMENTO TDAH

James Dean
Albert Einstein Fernando Pessoa

Marlon Brando

Henry Ford
Leonardo da Vinci
Wolfgang Amadeus Mozart

“Mentes Inquietas” – Ana Beatriz Barbosa Silva - 2009


CONCLUSÃO
As dificuldades de aprendizagem dizem respeito à forma como um indivíduo
processa a informação – a recebe, a integra, a retém e a exprime –, tendo
em conta as suas capacidades e o conjunto das suas realizações. O TDAH é
uma delas.

O TDAH é um transtorno neurobiológico, de causas genéticas, que aparece


na infância e freqüentemente acompanha o indivíduo por toda a sua vida.

Ele se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade.

O psicólogo escolar é de grande importância para acompanhar a criança


com TDAH, orientando professores, família, facilitando assim o convívio e o
aprendizado da criança. Sendo que sua atuação pode e deve ser feita
junto com outros profissionais.
REFERÊNCIAS
• ABDA. O que é o TDAH?. 2014. Disponivel em: http://www.tdah.org.br/br/sobre-tdah/o-que-e-o-tdah.html. Acesso em: 19 out. 2014

• CORREIA, L. M. Educação especial e necessidades educativas especiais: ao encontro de uma plataforma comum. Relatório
apresentado ao Secretário de Estado da Educação. Lisboa: Ministério da Educação. 2005a.

• NATIONAL JOINT COMMITTEE FOR LEAMING DISABILITIES. Collective perspectives on issues affecting learning
disabilities: position papers and statements. Austin: PRO-ED, 1994.

• SALVADOR, Silvia Maria Carli. Dificuldades de inclusão e manejo de crianças com Transtorno e Déficit de Atenção e
Hiperatividade (TDAH) no âmbito escolar. 2007.

• SILVA, A. B. B. Mentes inquietas:entendendo melhor o mundo das pessoas distraídas, impulsivas e hiperativas. São Paulo: Ed.
Gente, 2009.

• SMITH, Corinne; STRICK, Lisa; BATISTA, Dayse. Difilculdades de aprendizagem de A a Z: um guia completo para pais e
educadores. Porto Alegre: Artmed, 2001. 332 p. ISBN 8573076402

• VASCONCELOS, Dilza Maria. G de. MONTEIRO, Ana Márcia Luna, Dificuldade de aprendizagem- tdah (transtorno de déficit
de atenção/hiperatividade): um olhar pedagógico. Pernambuco
• http://youtube.com/watch?v=q2E6fTENSf4