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FISIOLOGIA RESPIRATÓRIA

Prof. Me Marcus Vinícius Patente Alves


UNITRI
Conteúdos

• Adaptações do Sistema Respiratório ao


Treinamento Físico

• Treinamento em Altitude

• Scuba e hipóxia

• Potência Aeróbica e VO² max


Adaptações do
Sistema
Respiratório ao
Treinamento Físico
Sistema Respiratório
Definição Fisiológica da Respiração

Respiração Pulmonar Ventilação Respiração Celular Utilização


e troca de gases (O2, CO2) no de O2 e produção de CO2 pelos
pulmão tecidos
Função Pulmonar

“A PRINCIPAL FUNÇÃO DO SISTEMA PULMONAR É

PROVER UM MEIO DE TROCA GASOSA ENTRE O

AMBIENTE E O CORPO. ALÉM DISTO, O SISTEMA

RESPIRATÓRIO É IMPORTANTE NA REGULAÇÃO DO

EQUILÍBRIO ÁCIDO-BÁSICO DURANTE O EXERCÍCIO”

(POWERS & HOWLEY, 2000)


Conceitos

Ventilação - Processo mecânico de mobilização do ar


para dentro e para fora dos pulmões
Difusão – Movimento aleatório das moléculas de uma
área de concentração elevada para uma área de menor
concentração.

(POWERS & HOWLEY, 2000)


Estrutura do
Sistema
Respiratório??
ESTRUTURA

BOCA / NARIZ Vias aéreas superiores

LARINGE/ TRAQUÉIA
Zona Condutora
BRÔNQUIOS

BRONQUÍOLOS
Zona transicional
ALVÉOLOS e respiratória
PULMÕES

FUNÇÃO PRINCIPAL: trocas gasosas


PESO: aprox. 1 Kg
ÁREA: 50 A 100 m²
TECIDO PULMONAR = 20 a 50 vezes maior que a
superfície corporal externa
FUNÇÕES DO SISTEMA
RESPIRATÓRIO
Fornecimento de oxigênio aos tecidos e
Remoção do dióxido de carbono.

INTERAÇÃO ENTRE FUNÇÕES


RESPIRATÓRIAS E
NÃO-RESPIRATÓRIAS:

Vocalização, deglutição, regulação térmica, vômito,


micção, defecação, parto, sono e emoções.
ETAPAS DA RESPIRAÇÃO:

Ventilação Pulmonar: ar entra pelo nariz e boca até os


pulmões
Respiração externa: troca de oxigênio e dióxido de
carbono entre pulmões e sangue
Respiração interna: troca de oxigênio e dióxido de
carbono entre sangue e células (ou tecidos).
Respiração celular: utilização do oxigênio para produção
de energia, o qual produz dióxido de carbono como
subproduto
O estudo da Fisiologia da Respiração
é dividido em 4 eventos funcionais:

1- a ventilação pulmonar, que é a renovação


cíclica do gás alveolar pelo ar atmosférico;
2- a difusão do oxigênio (O2) e do dióxido de
carbono (CO2) entre os alvéolos e o sangue;
3- o transporte, no sangue e nos líquidos
corporais, do O2 (dos pulmões para as células)
e do CO2 (das células para os pulmões);
4- a regulação da ventilação e de outros aspectos
da respiração.
O SISTEMA RESPIRATÓRIO
Constituição

1:Traquéia
2:Artéria pulmonar
3:Veia pulmonar
4:Conduto alveolar
5:Alvéolos
6:Fenda cardíaca
7:Bronquíolos
8:Brônquios terciarios
9:Brônquios secundários
10:Brônquios primários
11:Laringe

Divisão funcional:
• Porção condutora: cavidade nasal, boca, nasofaringe, faringe, laringe, traquéia,
brônquios (primário, secundário, terciário), bronquíolos e bronquíolos
terminais.
• Porção respiratória: bronquíolos respiratórios, ductos alveolares, sacos
alveolares e alvéolos.
17
Anatomia Brônquica

PA- ramo da artéria


pulmonar
PV- ramo da veia
pulmonar
BT- brônquios
terminais
N- nervo
BR- brônquio
respiratório
D- glândula
mucosa
M- músculo
A- alvéolo
AS- septo alveolar
DA- ducto alveolar
ZONA DE
CONDUÇÃO

Função:
1- Faringe - Possibilitar a entrada e
2- Epiglote saída de ar
3- Laringe - Limpar, umedecer e
4- esôfago aquecer o ar inspirado
- Proteger os alvéolos
Porção de
condução e
respiração

1- Traquéia
2- brônquio primário
3- brônquio secundário
4- brônquio terciário
5- bronquíolo terminal
6- bronquíolo respiratório
7- alvéolos
Árvore Bronquial
NÚMERO DE ESTRUTURAS
SISTEMA RESPIRATÓRIO E EXERCÍCIO - ESTRUTURA E FUNÇÃO
ZONA DE CONDUÇÃO E ZONA RESPIRATÓRIA

Número de
tubos no
ramo

5 x 10⁵
4

16

8 x 10⁶

32

6 x 10⁴
(POWERS & HOWLEY, 2000)
Membrana Respiratória
Estrutura de um alvéolo
Troca gasosa nos pulmões

• Pressão parcial dos gases:


– Pressão que qualquer gás
exerce independentemente.
• PATM = PN2 + P02 + PC02 + PH20=
760 mmHg.

Figure 16.20
Músculos envolvidos na Respiração
Movimento
respiratório
Nariz

Boca

Pulmão Pulmão

28
Mediastino

Pleura Traquéia

Movimento
Pulmão Pulmão

respiratório

DIAFRAGMA

Inspiração – ar entra
pulmões
Expiração – ar sai

29
INSPIRAÇÃO E EXPIRAÇÃO

Rest Inspiration Expiration


A Mecânica da Inspiração e
Expiração
Mecânica Respiratória????

* Redução das vias aéreas e


sanguíneas pela metade eleva
a resistência ao fluxo em 16x.

(POWERS & HOWLEY, 2000)


Ventilação Pulmonar

Siglas:
V = Volume
V = Volume por tempo (1 min)
T = corrente,
D = espaço morto
A = alveolar
I = inspirado
E = expirado
Ventilação Pulmonar

• Volume de ar que se movimenta para dentro


e para fora dos pulmões por minuto
– Produto do Volume corrente (VC) e da Frequência
respiratória (f)
V = VC x f
– 0,5 l x 12 incursões por minuto
– V= 6l/min
Volume e Capacidade Pulmonar
• Volume tidal ou corrente
– Volume inspirado ou expirado por ciclo
respiratorio
• Capacidade Vital (CV)
– Quantidade máxima de ar que pode ser expirada
seguida de uma inspiração máxima
• Volume Residual (VR)
– Ar que permanece nos pulmões depois de uma
expiração máxima
• Capacidade Total dos Pulmões (CTP)
– Soma da CV e VR
Volume e Capacidade Pulmonar
Volume e Capacidade Pulmonar
Difusão Pulmonar

Repõe suprimento de O2 no sangue

Funções:
Remove o CO2 do sangue venoso
Difusão Pulmonar

 Reabastecer o suprimento de oxigênio no sangue


que foi depletado pela produção energética
oxidativa.
 Remover o dióxido de carbono do sangue venoso
que retorna.
 Ocorre através de uma fina membrana respiratória
 Gases são permutados através da membrana
respiratória do alvéolo para o sangue e vice versa.
 A quantidade de gás em cada permuta depende da
pressão parcial de cada gás.
Difusão Pulmonar

 Os gases se propagam ao longo do gradiente de


pressão – sempre movendo de uma área de maior
pressão para uma área de menor pressão.
 A capacidade de difusão do oxigênio aumenta
quando ao sair do repouso para o exercício.
 O gradiente de pressão para a permuta do dióxido
de carbono (CO2) é menor do que a permuta do
oxigênio (O2), porém a membrana do CO2 é 20
vezes mais solúvel do O2 então o CO2 atravessa a
membrana mais facilmente.
MEMBRANA RESPIRATÓRIA
FATORES QUE INFLUENCIAM A DIFUSÃO DOS GASES

GRADIENTE DE PRESSÃO SOLUBILIDADE DO TEMPERATURA


GÁS

(WILMORE & COSTILL, 2001)


Leis dos Gases

Lei de Charles: variação da pressão de um gás em


função da temperatura

Lei de Boile: variação do volume de um gás em


função ao pressão

Lei de Dalton: pressões parciais de uma mistura de


gases

Lei de Henry: dissolução de gases em líquidos


Lei de Charles:
Descreve a relação
direta entre volume e
a temperatura de uma
gás a pressão
constante.
Lei de Charles

“O volume (V) de um gás é diretamente


proporcional à sua temperatura(T), quando
ele é mantido a uma pressão constante.”

V~T
Aplicação da Lei de Charles

• Explosão de frascos fechados quando


expostos a grandes temperaturas
Lei de Boyle – Mariotte:
Descreve a relação
inversa entre volume e
pressão de uma gás
perfeito a temperatura
constante.
Lei de Boile

“O volume(V) de uma
dada quantidade de gás
varia inversamente com a
pressão(P), quando a
temperatura é mantida
constante.”

V ~ 1/P

Densidade(d) do gás

d~P
(recipiente flexível)
Aplicação da Lei de Boyle -
Mariotte
• Utilização dos músculos inspiratórios e
expiratórios durante o exercício.
Lei de Dalton:
Descreve que cada gás
comporta-se numa
mistura como se fosse
único, exercendo a sua
pressão parcial
Lei de Dalton

“A pressão de um gás numa mistura de gases é proporcional à


porcentagem daquele gás na mistura.”

Profundidade (m) 0 10 20 30 100


PA(atm) 1 2 3 4 11
PP N2(atm) 0,78 1,56 2,34 3,12 8,58
PP O2(atm) 0,21 0,42 0,63 0,84 2,31
PP outros(atm) 0,01 0,02 0,03 0,04 0,11

PA pressão absoluta (total)


PP pressão parcial
Lei de Henry:
Descreve que o número de
moléculas dissolvidas em um
líquido é diretamente
proporcional à pressão parcial
do gás na superfície do líquido
Aplicação da Lei de Henry

• Transporte de O2 e CO2 pelo sangue arterial


depende da Pressão de difusão Alvéolo
Capilar.
SISTEMA RESPIRATÓRIO E EXERCÍCIO - DIFUSÃO PULMONAR

LEI DA DIFUSÃO DE FICK

Área do tecido

Vgás = A x D x (P1 - P2)


E

Taxa de transferência Espessura do Coeficiente de Gradiente de


do gás tecido difusão concentração

“Durante o exercício máximo, a taxa de captação do oxigênio e a


produção o dióxido de carbono podem aumentar vinte a trinta vezes além
daquelas de repouso”

(POWERS & HOWLEY, 2000 Modificado)


SISTEMA RESPIRATÓRIO E EXERCÍCIO - DIFUSÃO PULMONAR

PRESSÕES PARCIAIS DOS GASES

Gás Porcentagem Fração


Oxigênio 20,93 0,2093
Nitrogênio 79,04 0,7904
Dióxido de Carbono 0,03 0,0003
TOTAL 100,0 1

(WILMORE & COSTILL, 2001)


SISTEMA RESPIRATÓRIO E EXERCÍCIO - DIFUSÃO PULMONAR

PO2 E PCO2

(WILMORE & COSTILL, 2001)


SISTEMA RESPIRATÓRIO E EXERCÍCIO - DIFUSÃO PULMONAR

RELAÇÃO VENTILAÇÃO - PERFUSÃO (V/Q)

(POWERS & HOWLEY, 2000)


SISTEMA RESPIRATÓRIO E EXERCÍCIO -
TRANSPORTE DE O2 PELO SANGUE

FATORES QUE INFLUENCIAM A AFINIDADE DA HEMOGLOBINA


PELO O2

PH Temperatura 2,3 DPG


PCO2 (Difosfoglicerato)

(McARDLE, KATCH & KATCH, 1998)


Curva de dissociação O2-Hb Efeito do
pH

• pH diminui durante
o exercício
• Resulta em
deslocamento para
direita da curva
– Efeito Borh
– Favorece “liberação”
de O2 para os
tecidos
Curva de dissociação O2-Hb Efeito da
temperatura
• Aumento da
temperatura
enfraquece a
ligação entre Hb-O2
• Deslocamento para
direita
– Maior “liberação”
de O2 para os
tecidos
SISTEMA RESPIRATÓRIO E EXERCÍCIO -
TRANSPORTE DE O2 PELO SANGUE

CAPACIDADE DE TRANSPORTE

• 100 ml SANGUE 14 a 18 de HB ( Homens)


12 a 16 g HB (Mulheres)
• 1 g HB 1,34 ml de O2
• 100 ml sangue 16 a 24 ml de O2
• Repouso: Tempo de contato do sangue com o ar alveolar = 0,7s
• Exercício: Diminui

Pergunta: Como o Sistema Respiratório pode ser um


limitador da performance?
(WILMORE & COSTILL, 2001)
SISTEMA RESPIRATÓRIO E EXERCÍCIO -
TRANSPORTE DE O2 NO MÚSCULO

MIOGLOBINA (MB)

• Presente em maior quantidade nas fibras musculares Tipo I

• Maior afinidade ao O2

• Reservas de O2 na transição repouso-exercício

“A REPOSIÇÃO DOS ESTOQUES DE O2 DA MIOGLOBINA

CONTRIBUI PARA O DÉBITO DE O2 NO FINAL DO EXERCÍCIO”

(POWERS & HOWLEY, 2000)


Transporte de O2 no músculo

• Mioglobina transporta o O2 da membrana


celular até a mitocôndria
• Maior afinidade pelo O2 que a hemoglobina
– Mesmo a baixas PO2
– Permite Mb estocar O2
Curva de dissociação para
Mioglobina e Hemoglobina
SISTEMA RESPIRATÓRIO E EXERCÍCIO -
TRANSPORTE DE O2 PELO SANGUE E NO MÚSCULO

COMPARAÇÃO ENTRE A CURVA DE DISSOCIAÇÃO DA HB E MB

(POWERS & HOWLEY,2000)


SISTEMA RESPIRATÓRIO E EXERCÍCIO -
TRANSPORTE DE CO2 PELO SANGUE

MECANISMOS DE TRANSPORTE

• CO2 dissociado no plasma - 10%

• CO2 ligado a hemoglobina (carboxiemoglobina) - 20%

• CO2 transportado com íon bicarbonato (HCO3 ) - 70%


 CO2 + H2O  H2CO3  H+ + HCO3-
 Também importante para tamponar H+

(POWERS & HOWLEY,2000)


SISTEMA RESPIRATÓRIO E EXERCÍCIO -
TRANSPORTE DE CO2 PELO SANGUE

(POWERS & HOWLEY,2000)


SISTEMA RESPIRATÓRIO E EXERCÍCIO -
TROCA GASOSA NOS MÚSCULOS

DIFERENÇA ARTERIOVENOSA DE O2

(WILMORE & COSTILL, 2001)


SISTEMA RESPIRATÓRIO E EXERCÍCIO -
TROCA GASOSA NOS MÚSCULOS

FATORES QUE INFLUENCIAM A LIBERAÇÃO


E CAPTAÇÃO DE O2

CONTEÚDO DE O2 MAGNITUDE DO CONDIÇÕES


NO SANGUE FLUXO LOCAIS
SANGUÍNEO

(WILMORE & COSTILL, 2001)


SISTEMA RESPIRATÓRIO E EXERCÍCIO -
CONTROLE DA VENTILAÇÃO

(WILMORE & COSTILL, 2001)


SISTEMA RESPIRATÓRIO E EXERCÍCIO -
RESPOSTA VENTILATÓRIA AO EXERCÍCIO

(WILMORE & COSTILL, 2001)


SISTEMA RESPIRATÓRIO E EXERCÍCIO -
ADAPTAÇÕES PO2, PH, VE AO EXERCÍCIO PROGRESSIVO

(POWERS & HOWLEY,2000)


SISTEMA RESPIRATÓRIO E EXERCÍCIO -
PROBLEMAS RESPIRATÓRIO DURANTE EXERCÍCIO

• DISPNEIA

• HIPERVENTILAÇÃO

• MANOBRA DE VALSALVA

(WILMORE & COSTILL, 2001)


SISTEMA RESPIRATÓRIO E EXERCÍCIO -
EQUIVALENTE VENTILATÓRIO DE O2

VaV/VO2

Volume de ar Quantidade de O2
ventilado consumida pelo tecido

• 23 a 28 litros de ar por litro de O2 consumido

“Permanece relativamente constante numa ampla faixa de

níveis de exercício”

(WILMORE & COSTILL, 2001)


SISTEMA RESPIRATÓRIO E EXERCÍCIO -
PONTO DE RUPTURA VENTILATÓRIO (Limiar Ventilatório)

• 55% a 70% do VO2max

• Demanda de O2 da oxidação é maior que a de O2 nos músculos

• Aumento da concentração de CO2

“Além deste ponto a ventilação aumenta desproporcionalmente

à medida que o corpo tenta eliminar o excesso de CO2”

(WILMORE & COSTILL, 2001)


SISTEMA RESPIRATÓRIO E EXERCÍCIO -
PONTO DE RUPTURA VENTILATÓRIO (Limiar Ventilatório)

(WILMORE & COSTILL, 2001)


SISTEMA RESPIRATÓRIO E EXERCÍCIO -
LIMIAR ANAERÓBIO

(WILMORE & COSTILL, 2001)


SISTEMA RESPIRATÓRIO E EXERCÍCIO -
EQUILÍBRIO ÁCIDO-BÁSICO

LIMITES TOLERÁVEIS DE PH SANGUE ARTERIAL E PH MUSCULAR

(WILMORE & COSTILL, 2001)


SISTEMA RESPIRATÓRIO E EXERCÍCIO -
TROCA GASOSA NOS MÚSCULOS

CONTROLE DO PH DOS LÍQUIDOS


INTRA E EXTRACELULARES

TAMPÕES QUÍMICOS VENTILAÇÃO PULMONAR FUNÇÃO RENAL

(WILMORE & COSTILL, 2001)


SISTEMA RESPIRATÓRIO E EXERCÍCIO -
EQUILÍBRIO ÁCIDO-BÁSICO

EFEITO ESPELHO

(POWERS E HOWLEY, 2000)


SISTEMA RESPIRATÓRIO E EXERCÍCIO -
EQUILÍBRIO ÁCIDO-BÁSICO

(POWERS E HOWLEY, 2000)


Resposta Pulmonar ao Exercício
• A frequência respiratória eleva-se de 4 a 5
vezes durante o exercício (em relação ao
repouso), o volume respiratório eleva-se de 5
a 7 vezes, e a ventilação/min pode aumentar
para valores de 20 a 30 vezes dos valores
encontrados no repouso.
Papel do Sistema Respiratório
• Em geral, o sistema respiratório possui duas
funções principais: ventilação e trocas
gasosas. Embora o consumo de oxigênio pelas
células seja normalmente citado como sendo
a terceira função, um maior consumo de
oxigênio reflete melhor uma atividade celular
do que qualquer mudança particular,
associada ao sistema respiratório, sendo um
local conveniente para a mensuração.
Resposta Pulmonar ao Exercício Agudo
• A frequência respiratória pode aumentar de 5 a 6
vezes durante um exercício máximo, com 50 a 60
ciclos respiratórios por minuto. O conjunto de
efeitos na ventilação/minuto resulta num
estrondoso aumento no fluxo de ar de 30 a 40
vezes os valores do repouso, podendo exceder
200 L/min durante um exercício máximo em
homens altamente treinados. Indivíduos
destreinados, embora não de maneira tão
notável, também sofrem mudanças evidentes na
dinâmica ventilatória durante o exercício.
• A fase inicial (aumento antecipatório e rápido) é
geralmente de curta duração e ocorre
imediatamente antes do início até os primeiros
10 a 20 segundos do exercício.
• Durante esta fase, a ventilação pulmonar minuto
aumenta abruptamente, atribuindo-se este
evento à estimulação neurogênica e de
mecanorreceptores situados no córtex cerebral
(comando central), para preparar o indivíduo ao
exercício.
• A próxima fase, de estabilização, confere um
estado progressivo de aumento na ventilação,
com as mudanças ocorrendo mais
vagarosamente e regulada por estímulos de
quimioceptores centrais e periféricos que
harmonizam a resposta ventilatória ao nível
de esforço.
• A ventilação pulmonar pode continuar a
incrementar lentamente e estabilizar quando
se atinge o estado estável de esforço, sendo
esta resposta característica de exercícios de
intensidade submáxima.
• Num exercício de intensidade progressiva, até
que se atinja o máximo, a ventilação aumenta
progressivamente de maneira concomitante
com o aumento da demanda de oxigênio.
• Ao cessar o exercício, há um rápido declínio da
ventilação na recuperação, reflexo da redução
dos estímulos regulatórios do “comando
central”, bem como dos mecanorreceptores,
enquanto a lenta diminuição esta mais
relacionada com os estímulos químicos do
sangue, quando o estado de repouso é
restaurado.
Limiar Anaeróbio Ventilatório
• O aumento do fluxo de ar é relacionado de maneira
linear à demanda metabólica do aumento de consumo
de oxigênio e eliminação de dióxido de carbono,
acompanhando um exercício de intensidade leve a
moderada.
• Nas situações em que a intensidade do exercício
continua a aumentar, eventualmente atingindo de 55%
a 60% da capacidade aeróbia máxima, o aumento na
ventilação passa a estar mais em função da
necessidade fisiológica de se eliminar o dióxido de
carbono do que o próprio consumo de oxigênio
• Este “ponto de quebra” é denominado limiar
anaeróbio ventilatório, em que há um aumento
desproporcional na ventilação e na produção de
dióxido de carbono em contraste com as
mudanças lineares ocorridas em relação ao
consumo de oxigênio.
• A glicólise anaeróbica libera catabólicos que são
acumulados na corrente sanguínea (acido
láctico)em média maior do que pode eliminar,
tornando imperativo o tamponamento deste para
a manutenção da homeostasia.
• O tamponamento do ácido láctico por meio do sistema de
bicarbonato promove a produção de dióxido de carbono não
metabólico, como indicado a seguir:
– Ácido láctico + bicarbonato de sódio produz lactato de sódio + ácido carbônico.
– Ácido carbônico rapidamente se dissocia, formando água + dióxido de carbono.

• O efeito resultante é uma produção mais acelerada de dióxido


de carbono no sistema cardiovascular, já que o dióxido de
carbono é produzido metabolicamente e não
metabolicamente, pelo tamponamento do ácido láctico. Como
resultado, a produção de CO2 metabólico e não metabólico
durante o exercício pesado cria um rápido aumento nas
quantidades de CO2 sanguíneo.
• Esta situação contrasta-se com a baixa carga de
CO2 produzido durante os exercícios de
intensidade leve a moderada, em que a fonte
predominante de CO2 é a atividade metabólica
do ciclo de Krebs, por meio do catabolismo da
acetil-coenzima A (CoA). Independentemente da
fonte produtora de CO2, o centro respiratório,
localizado no sistema nervoso responde à
regulação por feedback, incrementando a
ventilação pulmonar minuto para eliminar o CO2
Esquema simplificado da produção de CO2 metabólico e CO2 advindo do tamponamento
do ácido lático pelo bicarbonato de sódio.
• O limiar anaeróbio ventilatório é utilizado para
prescrição da intensidade adequada do
exercício aeróbio, predição da performance
aeróbia e avaliação dos efeitos do
treinamento aeróbio num acompanhamento
longitudinal, tendo com isso uma maior
aplicabilidade na prática do treinamento físico
em relação ao consumo máximo de oxigênio.
• Quando se realiza exercícios com intensidade
acima ao limiar anaeróbio ocorrem as seguintes
alterações fisiológicas:
• acidose metabólica
• hiperventilação
• modificação da coordenação motora
• alteração no recrutamento de fibras musculares
• alteração na utilização dos substratos energéticos
• fadiga
• Baseado nos conceitos sobre limiar anaeróbio
ventilatório, como seria possível identificar o
limiar anaeróbio por amostras de sangue,
também conhecido como limiar de lactato?
Respostas e Adaptações do
exercício físico
Exercício Físico

Sistema Cardiovascular

Sistema Respiratório

Sistema Nervoso
Exercício Físico

Adaptações Agudas Adaptações Crônicas

Tipo de exercício (estático, dinâmico, aeróbio,


anaeróbio), intensidade, duração, frequência

Situação de estresse que retira o organismo


da homeostase
Função Cardiovascular
• Transporte
• Remoção

Manter Demanda e Suficiência


Exercício estático - Isométrico
• Contração muscular:
– Obstrução mecânica do fluxo sanguíneo
– Metabólitos produzidos = ↑ atividade
simpática

Adaptações Agudas
• ↑ FC
• ↑ PA
• ↓ ou = Retorno Venoso
Exercício dinâmico - Isotônico
• Contração muscular:
– Não há obstrução mecânica do fluxo
sanguíneo – Bomba Muscular
– Metabólitos produzidos e estimulação
mecânica = ↑ atividade simpática

• ↑ FC
Adaptações Agudas
• ↑ PA
• ↑ Débito Cardíaco
Adaptações Cardiovasculares
Vasodilatação ↑ Fluxo
Metabólitos Local Local

Atividade Vasoconstrição Fluxo é


Simpática Geral direcionado

• AGUDAS
• Dependem:
– Intensidade do exercício
– Número de musculatura exercitada
Adaptações Cardiovasculares
CRÔNICAS

Atividade
 ↓ FC Tônus Vagal
Parassimpática

Efeito Hipotensor:
 ↓ PA durante a recuperação
 Exercício aeróbio de intensidade leve a moderada
Efeito Hipotensor
• Vasodilatação muscular mantida após
exercício
– ↓ Atividade Simpática
– Óxido Nítrico

Vasodilatação ↓ Resistência
periférica

Prevenção e Tratamento de Hipertensão de


Doenças Cardiovasculares
Função Respiratória
• Ventilação e troca de gases
– Repor O2 e Remover CO2
– Regular pH do sangue

• Zona de Condução Respiratória


– Limpar, Umidificar e Aquecer o Ar

• Aptidão Cardiorrespiratória
– VO2máx
Adaptações Respiratórias
• AGUDA
– ↑ Ventilação (Hiperventilação)
– Bronco dilatação → Sistema Simpático

• CRÔNICA
– ↑ Número de Alvéolos

Melhora Aptidão
↑ Captação de O2
Cardiorrespiratória
Função Sistema Nervoso
• Sistema Nervoso Central
– Córtex Motor
– Cerebelo
– Núcleos da Base

• Sistema Somático
Recrutamento de Unidades Motoras
Função Sistema Nervoso
• Sistema Simpático
– Acetilcolina
• Estímulo → placa motora

– Noradrenalina
• ↑ PA, FC, Débito Cardíaco

Atividade Vasoconstrição Fluxo é


Simpática Geral direcionado
Adaptações Sistema Nervoso
• AGUDA
– Aumento da vascularização cerebral
• Glicose, O2

• CRÔNICA
- Aprendizagem
– Neurogênese - Cognição
– Proteção (BDNF) - Memória
- Prevenção de Demências
– Plasticidade
Exercício Aeróbio
• Recomendação
– 150 minutos – intensidade moderada

• Fibras oxidativas = Consumo de O2

• Diretamente relacionado com a Prevenção e


Tratamento de Doenças Crônico Degenerativas
Benefícios.... Prevenção e
Tratamento de
• Efeito Hipotensor
• ↑ Sensibilidade à insulina - Diabetes
• ↑ Captação de glicose - Hipertensão
- Obesidade
• ↑ HDL e ↓ LDL
- Osteoporose
• ↑ Gasto energético - Sarcopenia
• ↑ Massa muscular - Depressão
• ↑ Massa muscular - Demências
• Liberação de Serotonina
• ↑ Capacidade Funcional = Qualidade de Vida

Etc....
Exercício de Força
• Recomendação
– 3x/ semana

• Resistido – Aeróbio
– Carga Baixa e Muitas Repetições

• Força – Anaeróbio
– Carga Alta e Poucas Repetições
– Contração = interrupção do fluxo
Aumento da Massa Muscular
• Exercício de Força
– Metabolismo Anaeróbio
– Utilização do glicogênio Muscular
– Recrutamento fibras do tipo 2b

• Hipertrofia x Hiperplasia

↑ tamanho de ↑ Número de
células células
Estresse Micro
Mecânico lesões

GH
1 - Regeneração Síntese de proteínas IGF1

RNAm Surgimento de Hipertrofia


novas miofibrilas

Ativação de Proliferação
2 - células satélites Hiperplasia
celular
↓ Oxigênio

↑ GH
↑ IGF1

célula
satélite

Estímulo ↑ Glicogênio
↑ p21 Mecânico
↑ MyoD
↓ Miostatina

RNAm
Referências

Material fornecido pelo Prof. Dr. Guilherme Goulart


D’Agostini – UFU
Fisiologia do Exercício – McArdle
Fisiologia do Exercício - Powers